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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Gestão e precarização do trabalho: Uma Análise da influência da Atuação Gestora na Vida dos Trabalhadores de Call Centers]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to investigate how the Call Center management influenia the precarious work of operators. As regards the methodology this work is as a descriptive research of qualitative nature. As a tool for data collection, we used a semi-structured roadmap for conducting the interviews, in the period between August and December 2016, with telemarketers in the city of Salvador, in the State of Bahia. The data were provided by the research group “work, well-being and mental health in the call center: the new management strategies and psychic illness of the workers in Call centres”. As a result it was found that the telemarketers have your work even more made precarious in light of the adoption of the model of management in Call Centers, negatively influencing on personal life of operators.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="4"><b>Gest&#227;o e   precariza&#231;&#227;o do trabalho: Uma An&#225;lise da influ&#234;ncia da Atua&#231;&#227;o Gestora na Vida   dos Trabalhadores de Call Centers</b></font></p>     <p><font size="3"><b>Management and   precarious work: an analysis of the influence of Management Performance in the lives of workers in Call Centers</b></font></p>     <p><b>Laila Ta&#237;s da   Concei&#231;&#227;o Almeida<sup>1</sup>, T&#226;nia Moura Benevides<sup>2</sup> e Renata Queiroz Dutra<sup>3</sup></b></p>     <p><a href="mailto:laila_tais@outlook.com"></a><sup>1</sup> Departamento de   Administra&#231;&#227;o da Universidade Federal da Bahia e Departamento Ci&#234;ncias Sociais Aplicadas da Universidade do Estado da Bahia. <a href="mailto:laila_tais@outlook.com">laila_tais@outlook.com</a></p>     <p><sup>2</sup> Departamento de   Administra&#231;&#227;o da Universidade Federal da Bahia, Departamento de Ci&#234;ncias   Sociais Aplicadas da Universidade do Estado da Bahia e Departamento de   Administra&#231;&#227;o da Faculdade Adventista da Bahia. <a href="mailto:taniamoura2511@gmail.com">taniamoura2511@gmail.com</a></p>     <p><sup>3</sup> Faculdade de   Direito da Universidade Federal da Bahia. <a href="mailto:renataqdutra@gmail.com">renataqdutra@gmail.com</a></p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p> Este   artigo tem por objetivo investigar como a gest&#227;o em Call Center influenia a   precariza&#231;&#227;o do trabalho dos operadores. No que diz respeito a metodologia esse   trabalho se constitui como uma pesquisa descritiva de natureza qualitativa.   Como instrumento de coleta de dados, foi utilizado um roteiro semiestruturado   para a realiza&#231;&#227;o das entrevistas, no per&#237;odo compreendido entre agosto e   dezembro de 2016, com operadores de telemarketing na cidade do Salvador,   no estado da Bahia. Os dados foram cedidos pelo grupo de pesquisa &#8220;Trabalho,   bem-estar e sa&#250;de mental no teleatendimento: As novas estrat&#233;gias de gest&#227;o e   adoecimento ps&#237;quico dos/as trabalhadores/as em Call Centers&#8221;. Como resultado   verificou-se que os operadores de telemarketing t&#234;m o seu trabalho ainda mais   precarizado em fun&#231;&#227;o da ado&#231;&#227;o do modelo de gest&#227;o nos Call Centers,   influenciando negativamente na vida pessoal dos operadores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>:   Gest&#227;o; Precariza&#231;&#227;o; Call Centers.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p> This   paper aims to investigate how the Call Center management influenia the   precarious work of operators. As regards the methodology this work is as a   descriptive research of qualitative nature. As a tool for data collection, we   used a semi-structured roadmap for conducting the interviews, in the period   between August and December 2016, with telemarketers in the city of Salvador,   in the State of Bahia. The data were provided by the research group &#8220;work,   well-being and mental health in the call center: the new management strategies   and psychic illness of the workers in Call centres&#8221;. As a result it was found   that the telemarketers have your work   even more made precarious in light of the adoption of the model of management   in Call Centers, negatively influencing on personal life of operators.</p>     <p><b>Keywords</b>:   Management; Precarious; Call Centers.</p>   <hr/>     <p>&nbsp;</p>     <p>1. Introdu&#231;&#227;o</p>     <p>Com o avan&#231;o do   modo de produ&#231;&#227;o capitalista, o trabalho passou a ser imprescind&#237;vel para a   sobreviv&#234;ncia do homem, por isso, a explora&#231;&#227;o da m&#227;o de obra ficou cada vez   mais intensificada, deixando os trabalhadores sem muitas alternativas,   vulnerabilizando suas condi&#231;&#245;es de trabalho.</p>     <p>No Brasil, nos   &#250;ltimos anos, percebe-se a amplia&#231;&#227;o dos postos de trabalho no setor de Call   Centers, havendo cada vez mais a presen&#231;a de jovens e pessoas menos instru&#237;das   que n&#227;o conseguem oportunidades em outros setores, devido &#224;s exig&#234;ncias do   mercado de trabalho e, por isso, optam pelos Call Centers, que n&#227;o exigem   experi&#234;ncia para exercer a fun&#231;&#227;o de um operador.</p>     <p>O Call Center &#233;   um ambiente mecanicista, por isso, n&#227;o existe a preocupa&#231;&#227;o de filtrar pessoas   aptas e qualificadas para desenvolver as atividades propostas, visto que,   qualquer um consegue aprender e se adaptar aos movimentos repetitivos e a   repetir os scripts padr&#227;o da organiza&#231;&#227;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De acordo com os   dados do Minist&#233;rio do Trabalho, foi realizada uma pesquisa pelo setor de   Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), em Salvador-Ba entre   os anos de 2007 e 2016, baseados na an&#225;lise do comportamento do emprego formal   no setor de atividade de teleatendimento, o n&#250;mero de admitidos em 2012 era de   15 386 mil operadores, demonstrando grande quantidade de pessoas empregadas,   entretanto, ao longo dos anos esse n&#250;mero de pessoas admitidas oscilou   bastante, e em 2016 o n&#250;mero de operadores era 7.834 mil, mostrando uma mudan&#231;a   percept&#237;vel nesse setor, que se pode correlacionar &#224;s condi&#231;&#245;es prec&#225;rias em   que est&#227;o expostos os operadores (CAGED, 2017).</p>     <p>Na metade da   d&#233;cada de 1990, acontecem mais desestatiza&#231;&#245;es que marcam a Reforma do Estado   Brasileiro. Neste momento, surge a privatiza&#231;&#227;o do setor de telecomunica&#231;&#245;es.   Ap&#243;s alguns anos de aperfei&#231;oamento, o setor passa por um remodelamento de toda   sua estrutura para oferecer servi&#231;os de telefonia fixa e m&#243;vel relacionados &#224;   tecnologia digital. Com o passar dos anos, boa parte da popula&#231;&#227;o que n&#227;o tinha   acesso aos meios de telecomunica&#231;&#245;es passaram a adquiri-los, promovendo uma   demanda maior por estes servi&#231;os, o que ampliou a oferta dos mesmos (Dutra,   2014).</p>     <p>Al&#233;m disso, nas   &#250;ltimas duas d&#233;cadas observa-se a amplia&#231;&#227;o dos postos de trabalho no setor de   Call Centers no Brasil, todavia, o crescimento desse setor se d&#225; no processo de   precariedade das condi&#231;&#245;es de trabalho vivenciadas no cotidiano dos operadores   que est&#227;o vulner&#225;veis ao modelo pautado na l&#243;gica do sistema capitalista, que   visa &#224; explora&#231;&#227;o da for&#231;a do trabalho do homem (Dutra, 2014).</p>     <p>Em termos da   realidade vivenciada no Brasil, diante de um contexto social, pol&#237;tico e   econ&#244;mico, verifica-se a presen&#231;a de fragilidades nas rela&#231;&#245;es de trabalho. O   capitalismo moderno traz um modelo destrutivo que vem afetando fortemente o   mundo do trabalho, provocando o surgimento de males f&#237;sicos e   psicol&#243;gicos nos trabalhadores   que s&#227;o v&#237;timas desse modelo que exclui e explora os mais vulner&#225;veis socioeconomicamente   (Antunes, 2009).</p>     <p>O processo de   precariza&#231;&#227;o do trabalho atinge a objetividade e a subjetividade da classe dos   trabalhadores assalariados, portanto, a atua&#231;&#227;o gestora dentro da organiza&#231;&#227;o   pode contribuir para a precariza&#231;&#227;o do trabalho e tamb&#233;m consegue atingir a   subjetividade dos trabalhadores (Alves, 2011).</p>     <p>Neste contexto de   precariza&#231;&#227;o, os gestores s&#227;o profissionais que possuem habilidades t&#233;cnicas   para gerir uma organiza&#231;&#227;o, com o objetivo de otimizar e racionalizar os   procedimentos para alcan&#231;ar os resultados esperados, todavia, os mesmos acabam   utilizando ferramentas que oprimem e menosprezam os operadores (Gaulejac,   2015).</p>     <p>A gest&#227;o   apresenta-se como pragm&#225;tica e, portanto, n&#227;o ideol&#243;gica, fundada sobre a efic&#225;cia da a&#231;&#227;o, mais do que sobre a pertin&#234;ncia das ideias. As organiza&#231;&#245;es   est&#227;o pautadas numa l&#243;gica financeira que traz impactos para a rotina do   trabalho do indiv&#237;duo e na postura desenvolvida e adotada pelos gestores.   Nota-se que, hoje em dia, a l&#243;gica do lucro imediato traz s&#233;rias consequ&#234;ncias   na vida profissional e pessoal desses indiv&#237;duos que est&#227;o vulner&#225;veis &#224;   press&#227;o por mais produ&#231;&#227;o, em detrimento do processo produtivo, assim, essa   l&#243;gica produtiva tende a proporcionar problemas f&#237;sicos e psicol&#243;gicos   (Gaulejac, 2015).</p>     <p>Dessa forma, este   estudo tem como quest&#227;o de pesquisa: Como a gest&#227;o, analisada sob a &#243;tica dos   operadores de Call Centers, contribui para a precariza&#231;&#227;o do trabalho?</p>     <p>A atua&#231;&#227;o dos   gestores no contexto organizacional impacta a vida do indiv&#237;duo dentro e fora   do ambiente de trabalho. O modelo de gest&#227;o adotado est&#225; pautado no processo   operacional, tendo como objetivo a maximiza&#231;&#227;o do lucro com o m&#237;nimo de custos,   contribuindo, deste modo, para o processo de precariza&#231;&#227;o do trabalho. Na   maioria das vezes, os instrumentos de gest&#227;o s&#227;o elaborados a partir de regras   e procedimentos internos. A l&#243;gica de como s&#227;o desenvolvidos e, posteriormente,   aplicados n&#227;o faz sentido, s&#227;o apenas aplicados sem nenhuma possibilidade de   existir r&#233;plica sobre a pertin&#234;ncia ou efic&#225;cia na vida dos indiv&#237;duos. A gest&#227;o   est&#225; pautada em um conjunto de habilidades t&#233;cnicas destinadas a racionalizar e   otimizar o funcionamento das organiza&#231;&#245;es (Gaulejac, 2015).</p>     <p>Este artigo tem   por objetivo geral compreender quais s&#227;o os poss&#237;veis efeitos causados na vida   dos operadores de Call Centers, a partir das formas de gest&#227;o operacionalizadas   no contexto de precariza&#231;&#227;o do trabalho, nos dois principais Call Centers -   Contax e Atento - que est&#227;o localizados na cidade do Salvador. Por objetivos   espec&#237;ficos buscou- se: verificar como os operadores avaliam o modelo de gest&#227;o   dos Call Centers; e ainda caracterizar o processo de precariza&#231;&#227;o dentro desta   organiza&#231;&#227;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo est&#225;   dividido em cinco se&#231;&#245;es. A primeira se&#231;&#227;o apresenta a proposta do trabalho a   ser desenvolvida fazendo a contextualiza&#231;&#227;o do tema. J&#225; na segunda se&#231;&#227;o   &#233; apresentando o referencial te&#243;rico escolhido como base para a an&#225;lise deste   estudo. Posterior &#224; explana&#231;&#227;o dos conceitos, a terceira se&#231;&#227;o apresentar&#225; o   percurso metodol&#243;gico. A quarta se&#231;&#227;o, por sua vez, apresentar&#225; os principais   resultados encontrados atrav&#233;s das an&#225;lises dos dados. Por fim, a quinta se&#231;&#227;o   demonstrar&#225; as conclus&#245;es relacionadas aos objetivos do trabalho.</p>     <p>2. Precariza&#231;&#227;o   do trabalho, paradigmas que fundamentam a gest&#227;o e indicadores   sociais da precariza&#231;&#227;o no Brasil</p>     <p>A classe de   trabalhadores no Brasil vem enfrentando constantes muta&#231;&#245;es na estrutura e no   desenvolvimento do trabalho dentro da organiza&#231;&#227;o, no entanto, s&#227;o   transforma&#231;&#245;es que est&#227;o pautadas no trabalhado precarizado, inst&#225;vel e   terceirizado, e, deste modo, est&#225; sendo formada a nova morfologia do trabalho,   que traz caracter&#237;sticas pr&#243;prias de base tayloriana-fordista, e tamb&#233;m do   surgimento de novas rela&#231;&#245;es que s&#227;o de modalidades desregulamentadas e cada   vez mais distantes da legisla&#231;&#227;o trabalhistas (Druck &amp; Franco, 2007).</p>     <p>&#201; importante   perceber que atrav&#233;s do trabalho s&#227;o produzidos os bens materiais necess&#225;rios   para a exist&#234;ncia humana, diante desse fato, nota-se que o trabalho &#233; a base   para estruturar qualquer forma de sociabilidade.</p>     <p>De acordo com   Antunes (2009), a d&#233;cada de 80 foi um per&#237;odo de profundas transforma&#231;&#245;es no   mundo do trabalho, surgiram novas formas de representa&#231;&#227;o sindical e pol&#237;tica.   A partir desse per&#237;odo nascem novos m&#233;todos de trabalho, e a produ&#231;&#227;o em s&#233;rie &#233;   substitu&#237;da pela flexibiliza&#231;&#227;o da produ&#231;&#227;o, por novos padr&#245;es de busca de   produtividade, por novas formas de adequa&#231;&#227;o da produ&#231;&#227;o &#224; l&#243;gica do mercado.</p>     <p>Para Druck (2007   apud Benevides, 2012, p. 104), &#8220;a precariza&#231;&#227;o do trabalho no Brasil &#233; a   institucionaliza&#231;&#227;o da instabilidade e inseguran&#231;a atrav&#233;s da terceiriza&#231;&#227;o/   subcontrata&#231;&#227;o, do recuo do Estado, e da degrada&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es do trabalho e   da sa&#250;de do trabalhador&#8221;.</p>     <p>Nota-se que as   atividades desenvolvidas pelos operadores de Call Centers est&#227;o baseadas na   l&#243;gica do sistema Taylorista, que traz como caracter&#237;sticas a divis&#227;o de   tarefas com o objetivo de obter o m&#225;ximo de rendimento e efici&#234;ncia com o   m&#237;nimo de tempo, sem se preocupar com as condi&#231;&#245;es do ambiente em que o operador   &#233; alocado para trabalhar.</p>     <p>A Organiza&#231;&#227;o   Internacional do Trabalho (OIT) desenvolveu um estudo voltado para a   contextualiza&#231;&#227;o do trabalho na Am&#233;rica Latina e no Brasil, a partir da cria&#231;&#227;o   de indicadores de precariza&#231;&#227;o e de resist&#234;ncias. Baseado nos indicadores   criados pela OIT, Franco e Druck (2009) elaboraram uma tipologia da   precariza&#231;&#227;o, retomada para agrupar alguns indicadores selecionados para a   realidade brasileira, que s&#227;o divididos em seis tipos de indicadores.</p>     <p>O primeiro tipo   de precariza&#231;&#227;o do trabalho est&#225; relacionado &#224; vulnerabilidade das formas de   inser&#231;&#227;o e desigualdades sociais. Percebe-se que a incorpora&#231;&#227;o do indiv&#237;duo no   mercado de trabalho encontra-se heterog&#234;nea, segmentada, desigual e vulner&#225;vel.</p>     <p>O segundo tipo de   precariza&#231;&#227;o est&#225; vinculado &#224; intensifica&#231;&#227;o do trabalho e &#224; terceiriza&#231;&#227;o.   Nota-se que o modelo de gest&#227;o adotado dentro do ambiente organizacional est&#225;   cada vez mais prec&#225;rio porque provoca condi&#231;&#245;es de trabalho extremamente   inst&#225;veis, relacionadas &#224; intensifica&#231;&#227;o do trabalho (imposi&#231;&#227;o de metas   inalcan&#231;&#225;veis, extens&#227;o da jornada de trabalho, polival&#234;ncia, etc.). O tipo de   gest&#227;o adotada, que est&#225; pautada no medo, na discrimina&#231;&#227;o, no abuso de poder e   no ass&#233;dio moral, est&#225; cada vez mais presente dentro das organiza&#231;&#245;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A inseguran&#231;a e   sa&#250;de no trabalho &#233; o terceiro tipo de precariza&#231;&#227;o social que est&#225;   basicamente relacionada &#224;s condi&#231;&#245;es de vulnerabilidade dos indiv&#237;duos que   est&#227;o expostos a (in) seguran&#231;a, fato que resulta dos padr&#245;es de gest&#227;o   adotados, e que tamb&#233;m muitas vezes desrespeitam o treinamento que deve ser   passado para o indiv&#237;duo, informando sobre os riscos e as medidas preventivas   que devem ser adotadas na devida situa&#231;&#227;o.</p>     <p>O quarto tipo de   precariza&#231;&#227;o social relaciona-se &#224; perda das identidades individual e   coletiva. Esse processo est&#225; vinculado &#224; amea&#231;a permanente da perda do   emprego, o que contribui para o aumento do desemprego, fato que tem se   constitu&#237;do numa eficiente estrat&#233;gia de domina&#231;&#227;o no &#226;mbito do trabalho. A   perda de identidade coletiva, descartabilidade, desvaloriza&#231;&#227;o e a exclus&#227;o do   indiv&#237;duo s&#227;o situa&#231;&#245;es recorrentes no &#226;mbito da organiza&#231;&#227;o.</p>     <p>A fragiliza&#231;&#227;o da   organiza&#231;&#227;o dos trabalhadores &#233; o quinto tipo de precariza&#231;&#227;o do trabalho, que   pode ser identificado nas dificuldades enfrentadas pela organiza&#231;&#227;o sindical,   na forma da luta e representa&#231;&#227;o dos trabalhadores e na decorr&#234;ncia que implica   na concorr&#234;ncia e na divis&#227;o entre os pr&#243;prios sindicatos.</p>     <p>Por fim, o &#250;ltimo   indicador de precariza&#231;&#227;o do trabalho aborda a condena&#231;&#227;o e o descarte do   Direito do Trabalho, ou seja, o mercado de trabalho enfrenta uma &#8220;crise do   Direito do Trabalho&#8221;, que traz uma breve reflex&#227;o sobre a exist&#234;ncia e o papel   do mesmo na vida dos trabalhadores, cen&#225;rio em que as leis trabalhistas e   sociais t&#234;m sido, de certa forma, condenadas pelos princ&#237;pios liberais os quais   defendem a flexibiliza&#231;&#227;o da rela&#231;&#227;o trabalhista, que foi introduzida e ganhou   for&#231;a na sociedade moderna (Druck, 2011).</p>     <p>Os indicadores   analisados no campo deste estudo explicitaram/evidenciaram a precariza&#231;&#227;o do   trabalho como uma estrat&#233;gia do Capital para a domina&#231;&#227;o, que tem os gestores   organizacionais como respons&#225;veis pela sua execu&#231;&#227;o.</p>     <p>No contexto   organizacional, o gerente reproduz a l&#243;gica de desenvolvimento do modelo   capitalista que &#233; pautado em interesses diferentes, mas que, ao final, ambos   contribuem um com o outro para alcance do mesmo objetivo. Diante desse   contexto, os gerentes precisam saber lidar com a situa&#231;&#227;o, j&#225; que tamb&#233;m   precisam se esfor&#231;ar para racionalizar o processo de produ&#231;&#227;o e da maximiza&#231;&#227;o   de lucro. Mas, por outro lado, tamb&#233;m precisam ser mais flex&#237;veis com seus   subordinados e devem agir sempre de forma &#233;tica e democr&#225;tica.</p>     <p>O estresse &#233; um   fator que est&#225; presente na rotina do indiv&#237;duo e dentro da organiza&#231;&#227;o,   geralmente surge quando o sujeito est&#225; diante de situa&#231;&#245;es que provocam   ansiedade e mal-estar, e que com o passar do tempo ganha for&#231;a e   proporciona traumas para o sujeito. Nas empresas que trabalham com indicadores   de desempenho, e com o objetivo de alcan&#231;ar metas que aumentam cada vez mais   com o passar do tempo, o estresse n&#227;o &#233; reconhecido como uma doen&#231;a   profissional, mas como algo &#8220;quase que natural&#8221; da sociedade atual, cabe apenas   ao indiv&#237;duo se adaptara tal situa&#231;&#227;o (Gaulejac, 2015).</p>     <p>O modo de gest&#227;o   implica sobre o perfil dos trabalhadores dentro da organiza&#231;&#227;o, ou seja, &#233; mais   conveniente dizer que o problema est&#225; no indiv&#237;duo, do que dizer que est&#225;   relacionado aos processos que os geram, quando surgem as doen&#231;as f&#237;sicas e   psicol&#243;gicas, nesse caso,&#233; a pr&#243;pria gest&#227;o da empresa que deve passar por   questionamentos, principalmente quando esses males surgem de maneira geral   entre os indiv&#237;duos.</p>     <p>Os gestores   desenvolvem uma obsess&#227;o pela l&#243;gica da produtividade que n&#227;o admitem   ociosidade por parte do trabalhador, e por isso, est&#227;o sempre buscando   ferramentas para que estimule a produtividade, independente de como ser&#225; o   processo de desenvolvimento das atividades,eassim, s&#243; pensam no objetivo final   que &#233; a maximiza&#231;&#227;o do lucro com o m&#237;nimo de custo (Gaulejac, 2015).</p>     <p>As organiza&#231;&#245;es   est&#227;o pautadas numa l&#243;gica financeira que traz impactos para a rotina do   trabalho do indiv&#237;duo, bem como para a postura desenvolvida e adotada pelos   gestores. Nota-se que a l&#243;gica do lucro imediato traz s&#233;rias consequ&#234;ncias na   vida profissional e pessoal desses indiv&#237;duos que est&#227;o vulner&#225;veis &#224;   press&#227;o por mais produ&#231;&#227;o, em detrimento do processo produtivo, e, assim, essa   l&#243;gica produtiva tende a proporcionar problemas f&#237;sicos e psicol&#243;gicos para os   trabalhadores (Gaulejac, 2015).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A gest&#227;o   gerencialista n&#227;o &#233; s&#243; um conjunto de regras racionais que busca mecanismo com   o intuito de aumentar a produ&#231;&#227;o, maximizar o lucro ou desenvolver indicadores   para medir, analisar e auxiliar na tomada de uma decis&#227;o, ela vai al&#233;m desses   fatores, j&#225; que existe o lado irracional da gest&#227;o, afinal, os gestores s&#227;o   influenciados pelo pr&#243;prio meio organizacional a agir e tomar decis&#245;es de   maneira arbitr&#225;ria (Gaulejac, 2015).</p>     <p>&#201; preciso   refletir sobre a empresa como uma constru&#231;&#227;o social, pois &#8220;[...] afirmar que o   humano &#233; um fator da empresa leva a operar uma invers&#227;o das rela&#231;&#245;es entre o   econ&#244;mico e o social. De fato, &#233; a empresa, como constru&#231;&#227;o social, que &#233; uma   produ&#231;&#227;o humana, e n&#227;o o inverso&#8221; (Gaulejac, 2015, p. 76). Deste modo, &#233; como   se o indiv&#237;duo estivesse passando por um processo de coisifica&#231;&#227;o do homem, &#233;   como se a empresa passasse a gerenciar o humano como um recurso, e assim,   colocar o desenvolvimento como prioridadeefinalidade da empresa, &#8220;deixando de   lado&#8221;, o desenvolvimento para a sociedade. Os indiv&#237;duos s&#227;o vistos como um   meio de somar e contribuir para o progresso da empresa, sendo assim, a partir   do momento em que os mesmos n&#227;o conseguem mais atingir as expectativas   esperadas, eles s&#227;o considerados como improdutivos, e as organiza&#231;&#245;es orientam   os gestores para que quando isso aconte&#231;a esse trabalhador seja rapidamente   descartado e substitu&#237;do.</p>     <p>Para entender os   principais paradigmas existentes nos manuais de gest&#227;o, (Gaulejac, 2015),   apresenta as raz&#245;es pelas quais eles n&#227;o s&#227;o pertinentes para compreender o   mundo da empresa e das organiza&#231;&#245;es, conforme o <a href="#q1">quadro</a> abaixo:</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rist/n28/28a07q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Diante da cr&#237;tica   dos paradigmas apresentados por Gaulejac (2015), &#233; poss&#237;vel analisar que todos   est&#227;o relacionados ao padr&#227;o da cultura organizacional nas empresas, e que s&#227;o   disseminados para que seus gestores adotem tal postura para com os seus   subordinados, desta forma, s&#227;o fr&#225;geis e extremamente racionais, fato este, que   n&#227;o condizem e n&#227;o s&#227;o suficientes para compreender o mundo das organiza&#231;&#245;es,   j&#225; que, os mesmo, n&#227;o levam em conta o fator humano, ou at&#233; mesmo, o sentindo   do trabalho para as pessoas.</p>     <p>Tentar   compreender o mundo das empresas e das organiza&#231;&#245;es &#233; algo complexo e abrange   um longo per&#237;odo de mudan&#231;as, contudo, essas mudan&#231;as giram em torno do   capital, e do processo de superacumula&#231;&#227;o, pautado na l&#243;gica racional em que o   sujeito vende sua for&#231;a de trabalho.</p>     <p>O perfil de   trabalhadores de uma organiza&#231;&#227;o &#233; preenchido, e cada sujeito &#233; separado a   partir da nomenclatura do cargo a ser ocupado, fato este, que s&#243; colabora como   uma forma de camuflar uma falsa autonomia e autoridade de um sujeito para o   outro, e que no final tem como maior objetivo proporcionar o progresso da   empresa e gerar um esp&#237;rito de competitividade entre os indiv&#237;duos.</p>     <p>Deste modo, &#233;   preciso ir muito al&#233;m do fator racional, &#233; preciso compreender o indiv&#237;duo como   sujeito, que tem necessidades b&#225;sicas, problemas, emo&#231;&#245;es, medos, frustra&#231;&#245;es e   que est&#227;o o tempo todo sendo pressionados pela sociedade. N&#227;o devem ser   simplesmente analisados pela l&#243;gica da linguagem matem&#225;tica, ou qualquer outra   linguagem que tenha como foco o processo de acumula&#231;&#227;o de capital.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O ambiente   organizacional deve apresentar condi&#231;&#245;es apropriadas para o desenvolvimento do   trabalho, proporcionando conforto e seguran&#231;a para os indiv&#237;duos, visto que,   s&#227;o condi&#231;&#245;es fundamentais para que o trabalho possa ser desenvolvido com   efici&#234;ncia e efic&#225;cia (Maia, Eira, Alves &amp; Le&#227;o, 2015).</p>     <p>Nota-se que &#233;   poss&#237;vel conciliar produtividade com seguran&#231;a e conforto, basta existir   ferramentas que possam auxiliar ao desenvolimento de ambos os fatores, e que a   cultura organizacional esteja buscando melhorias e meios para que aconte&#231;a as   mudan&#231;as adequadas e necess&#225;rias dentro de uma organiza&#231;&#227;o (Maia, Eira, Alves   &amp; Le&#227;o, 2015).</p>     <p>Os trabalhadores   sentem que dentro do ambiente organizacional existem fatores que s&#227;o   preponderantes para o progresso da organiza&#231;&#227;o, para a satisfa&#231;&#227;o do sujeito,   que tamb&#233;m faz parte do processo de desenvolvimento orgazicional, visto que,   motiva&#231;&#227;o, dedica&#231;&#227;o e seguran&#231;a s&#227;o ferramentas essenciais para qualquer   individuo poder realizar seu trabalho com o minimo de dignidade (Maia, Alves,   &amp; Le&#227;o,2014).</p>     <p>3. Metodologia</p>     <p>O presente estudo   &#233; tido como pesquisa descritiva porque se buscou fazer uma an&#225;lise atrav&#233;s do   ponto de vista do operador com rela&#231;&#227;o aos gestores. Ao realizar este estudo   foi poss&#237;vel trazer informa&#231;&#245;es relevantes e vistas por um &#226;ngulo diferente,   que contribuiu para o enriquecimento do estudo e possibilitou a reflex&#227;o sobre   a tem&#225;tica em quest&#227;o.</p>     <p>Para este   trabalho, foi utilizado o estudo de casos m&#250;ltiplos, tendo como objeto de   an&#225;lise os dois principais Call Centers - Contax e Atento - que est&#227;o   localizados na cidade do Salvador e que compartilham da mesma cultura   organizacional que s&#243; valoriza os indiv&#237;duos   pela sua capacidade de produ&#231;&#227;o. Os estudos de casos m&#250;ltiplos s&#227;o diferentes   do estudo comparativo de casos, porque o pesquisador tem a possibilidade de   realizar o estudo de dois ou mais sujeitos, organiza&#231;&#245;es, entre outros, sem a   necessidade de perseguir objetivos de natureza comparativa.</p>     <p>Para an&#225;lise dos   dados coletados, partiu-se, inicialmente, da pesquisa bibliogr&#225;fica, com o   intuito de criar o referencial te&#243;rico deste estudo, que deu, posteriormente,   suporte para a an&#225;lise dos dados obtidos.</p>     <p>Os indicadores   apresentados anteriormente foram utilizados como par&#226;metro para an&#225;lise do   processo de precariza&#231;&#227;o dentro dos Call Centers, com o objetivo de mostrar a   degrada&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es de trabalho e da sa&#250;de do operador de telemarketing   (Druck &amp; Franco, 2007; Druck, 2011).</p>     <p>As quest&#245;es   defendidas por Gaulejac (2015), na perspectiva da gest&#227;o em contextos   organizacionais, trouxe como contribui&#231;&#227;o fundamental a an&#225;lise da gest&#227;o   gerencialista. Atrav&#233;s da an&#225;lise, buscaram-se descobrir quais eram os efeitos   da atua&#231;&#227;o gestora e as contribui&#231;&#245;es para a precariza&#231;&#227;o do trabalho dentro   dos Call Centers.</p>     <p>Com rela&#231;&#227;o &#224;   obten&#231;&#227;o dos dados secund&#225;rios, foi utilizada a pesquisa documental, obtida a   partir das entrevistas realizadas pelo grupo de pesquisa<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="top1"></a>com   operadores e ex-operadores de telemarketing. Para a realiza&#231;&#227;o das   entrevistas, foi utilizado um roteiro semiestruturado, com quest&#245;es   relacionadas ao trabalho dentro de um Call Center e a atua&#231;&#227;o da gest&#227;o,   assim como ao processo de precariza&#231;&#227;o aoqual indiv&#237;duos estavam expostos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para an&#225;lise dos   resultados, foi utilizada a triangula&#231;&#227;o de dados, porque seria poss&#237;vel fazer   a converg&#234;ncia dos resultados vindos de fontes distintas, al&#233;m de oferecer alto   grau de confiabilidade que favorece para a interpreta&#231;&#227;o e compreens&#227;o dos   dados coletados, atrav&#233;s de olhares m&#250;ltiplos.</p>     <p>Este processo foi   escolhido em raz&#227;o da pesquisa ter sido realizada dentro de duas organiza&#231;&#245;es   com nomenclatura diferentes &#8211; Contax e Atento, mas que prestam o mesmo servi&#231;o   e possuem caracter&#237;sticas organizacionais semelhantes.</p>     <p>Para an&#225;lise   deste estudo, ap&#243;s a coleta das setenta e oito entrevistas realizadas dentro   da categoria de operadores ativos e operadores que j&#225; haviam sido desligados   do Call Center, foram selecionados aqueles que contemplavam os seis indicadores   de precariza&#231;&#227;o social apresentados por Druck (2011), j&#225; que os mesmos foram   aplicados como ponto de partida para a identifica&#231;&#227;o dos efeitos da   atua&#231;&#227;o gestora dentro dos Call Centers.</p>     <p>Por fim, ap&#243;s   an&#225;lise de todas as entrevistas realizadas, para este estudo foram   selecionadas vinte e tr&#234;s entrevistas que contemplaram os indicadores   &#224; luz do que apontava a   literatura e a pesquisa de campo. As an&#225;lises ser&#227;o apresentadas na se&#231;&#227;o   quatro.</p>     <p>4. An&#225;lise dos   Resultados</p>     <p>Esta se&#231;&#227;o   apresenta o posicionamento dos operadores de Call Centers acerca da   precariza&#231;&#227;o, do adoecimento, e da regula&#231;&#227;o social do trabalho dos operadores   de telemarketing em Salvador.</p>     <p>Com base nos   dados coletados atrav&#233;s das vinte e tr&#234;s entrevistas, as que foram selecionadas   para este estudo foi poss&#237;vel estabelecer um perfil para os operadores de   telemarketing. As mulheres representavam 74% da amostra, sendo que 100% estavam   buscando o primeiro emprego de carteira assinada. A m&#233;dia de remunera&#231;&#227;o   recebida ficava em torno de R$ 901,70 (fora a remunera&#231;&#227;o vari&#225;vel que depende   do alcance de metas de cada operador). Com rela&#231;&#227;o &#224; vari&#225;vel cor/etnia, 70% se   declararam negros e os demais pardos ou brancos. Por fim, a idade desses   operadores estava na faixa de 20 a 25 anos.</p>     <p>Ao buscar   analisar o perfil dos operadores de telemarketing, foram utilizados os seis   indicadores de Druck (2011). Com rela&#231;&#227;o ao primeiro indicador de precariza&#231;&#227;o   do trabalho, vulnerabilidade das formas de inser&#231;&#227;o e desigualdades sociais,   apartir do olhar do operador, verificou-se que dois entrevistados come&#231;aram a   trabalhar no Call Center com o intuito de poder pagar a faculdade; tr&#234;s optaram   por essa &#225;rea porque gostavam de trabalhar com pessoas e com vendas, e tamb&#233;m   pela flexibilidade em rela&#231;&#227;o ao hor&#225;rio de trabalho; oito estavam em busca de   uma oportunidade de primeiro emprego, e por isso, o Call Center foi o local   mais adequado, visto que, n&#227;o exigia nenhuma experi&#234;ncia anterior; e, por fim,   os dez restantes optaram por essa &#225;rea porque estavam desempregados e buscavam   uma oportunidade no mercado de trabalho. Assim, &#8220;escolheram&#8221; o telemarketing   porque, at&#233; ent&#227;o, era o setor que mais empregava.</p>     <p>Deste modo, &#233;   poss&#237;vel concluir que os motivos apontados pelos operadores contemplam o   primeiro indicador de precariza&#231;&#227;o, visto que, a inser&#231;&#227;o do indiv&#237;duo no   mercado de trabalho &#233; vulner&#225;vel, marcada por aceita&#231;&#227;o de contratos de trabalho   prec&#225;rios e sem prote&#231;&#227;o social. Os operadores acabam aceitandoas condi&#231;&#245;es   impr&#243;rpias nas quais s&#227;o inseridos, porque o mercado de trabalho &#233; excludente e   deixa de lado aqueles que s&#227;o tidos como uma parcela da popula&#231;&#227;o que tem que   &#8220;aceitar&#8221; o que o mercado oferece, j&#225; que n&#227;o possuem os requisitos adequados   para trabalhar nas grandes corpora&#231;&#245;es, e por isso, muitas vezes enxergam o   Call Center como uma grande oportunidade, como pode ser visto na no trecho   abaixo:</p>     <p>Eu trabalhava em   casa de fam&#237;lia, sofri muito l&#225;, eu tomava conta de uma crian&#231;a rec&#233;m-nascida e   vi que n&#227;o era mais pra mim, ai foi quando eu encontrei uma colega, ela me   informou que estava tendo uma sele&#231;&#227;o para trabalhar no   CallCenter[...].(ENTREVISTADA 1)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O segundo   indicador de precariza&#231;&#227;o, que &#233; o da intensifica&#231;&#227;o do trabalho e   terceiriza&#231;&#227;o, &#233; poss&#237;vel concluir que a gest&#227;o nos Call Centers est&#225; pautada   no alcance de metas abusivas, na maximiza&#231;&#227;o do lucro, e na banaliza&#231;&#227;o dos   males f&#237;sicos e psicol&#243;gicos que s&#227;o causados no operador, conforme abaixo:</p>     <p>[...] &#8220;Se voc&#234;   n&#227;o conseguir produzir, irei causar seu desligamento&#8221;, pois o meu supervisor   acreditava que a n&#227;o produ&#231;&#227;o estava sendo ocasionada pela doen&#231;a ocupacional   que eu tenho, e que eu estav ausando isso como amuleto para n&#227;o bater a meta   [...].[ENTREVISTADA 10]</p>     <p>De acordo com   quatro dos entrevistados, os supervisores s&#227;o vistos como gente boa, ou seja,   s&#227;o mais compreensivos, no entanto, isso depende muito do perfil de cada   pessoa, e do setor em que a mesma foi alocada. A partir da fala de tr&#234;s   operadores, nota-se que o est&#237;mulo &#224; competitividade e o incentivo ao alcance   das metas s&#227;o comportamentos adotados pelos supervisores no Call Center. Com   rela&#231;&#227;o aos demais entrevistados, que somam dezesseis, predominou como destaque   o fato dos supervisores exercerem, o tempo todo, press&#227;o para o alcance de   metas e, &#224;s vezes, cobran&#231;as abusivas, o que tende a deixar o ambiente mais   estressante e desconfort&#225;vel para os indiv&#237;duos que precisavam aceitar a   situa&#231;&#227;o, j&#225; que necessitavam de uma fonte de renda para sobreviver. Ap&#243;s   an&#225;lise desse indicador, &#233; poss&#237;vel concluir que os dados obtidos contemplam o   indicador de Druck (2011), j&#225; que se percebe a precariza&#231;&#227;o social vivenciada   por esses indiv&#237;duos.</p>     <p>Para an&#225;lise do   terceiro indicador de precariza&#231;&#227;o social, que &#233; o da inseguran&#231;a e sa&#250;de no   trabalho, foi poss&#237;vel abranger tr&#234;s vari&#225;veis diferentes que contemplavam de   maneira geral o que Druck (2011) aborda neste indicador, deste modo, vinte e um   entrevistados afirmaram que, com rela&#231;&#227;o &#224; vari&#225;vel per&#237;odo de treinamento,   ocorria logo na primeira semana de trabalho que era ensinado como mexer no   sistema, quais eram os procedimentos adotados na rela&#231;&#227;o com os clientes e que   pouco se falava de sa&#250;de e seguran&#231;a no trabalho. Tamb&#233;m fica bem claro   que a teoria do conte&#250;do passado &#233; bastante diferente na pr&#225;tica. Com rela&#231;&#227;o &#224;   vari&#225;vel estrutura inadequada, quatro entrevistados trouxeram em seus discursos   reclama&#231;&#245;es com rela&#231;&#227;o ao modo de como &#233; feita a limpeza do ar condicionado, das   cadeiras e dos problemas que costumam a aparecer nos computadores. A terceira   vari&#225;vel, que abrange o surgimento de males f&#237;sicos e psicol&#243;gicos adquiridos   por esses indiv&#237;duos, &#233; um tipo de assunto exposto por onze dos entrevistados,   sendo que os mesmos reclamam da press&#227;o que sofrem pela cobran&#231;a de metas, o   que contribui para tornar o ambiente ainda mais estressante e prop&#237;cio para o   surgimento de problemas de sa&#250;de, conforme fala dos entrevistados abaixo:</p>     <p>Eu era uma que   n&#227;o tinha muitos problemas de sa&#250;de, mas quando eu comecei a trabalhar no Call   Centersurgiram v&#225;rios problemas de vis&#227;o e auditivo [...] comecei a sentir   algumas dores e a quest&#227;o da sa&#250;de mental mesmo, a quest&#227;o, do estresse mal   humor e enxaqueca, tudo veio surgindo depois do trabalho de telemarketing   [...].[ENTREVISTADA 18]</p>     <p>J&#225; tive v&#225;rios   problemas de sa&#250;de, inclusive estou afastada agora. Quando a gente se afasta   eles acabam vendo o funcion&#225;rio como mangueado, eles n&#227;o acreditam na doen&#231;a de   ningu&#233;m, s&#243; se for bra&#231;o quebrado ou atropelamento. [ENTREVISTADO 7]</p>     <p>A partir do   quarto indicador de precariza&#231;&#227;o social, perda das identidades individual e   coletiva, e diante da an&#225;lise dos dados coletados, fica claro que vinte e um   dos entrevistados sentem medo de perder o emprego por diversos motivos e, por   isso,se submetem a situa&#231;&#245;es constrangedoras porque muitas vezes s&#227;o   amea&#231;ados pelos seus superiores   em receber uma justa causa. Ent&#227;o, para evitar maiores problemas, os operadores   sempre est&#227;o buscando seguir as regras estabelecidas, j&#225; que, os Call Centers,   apresentam alto &#237;ndice de rotatividade, ou seja, o trabalhador pode ser   simplesmente descartado e substitu&#237;do a qualquer momento.</p>     <p>Nota-se tamb&#233;m   que os indiv&#237;duos est&#227;o o tempo todo sendo pressionados para alcan&#231;ar as metas   estabelecidas, e por isso o ambiente se torna muito mais competitivo. Deste   modo, &#233; poss&#237;vel concluir que os dados apresentados tamb&#233;m dialogam com o   indicador de Druck (2011), j&#225; que compartilham da mesma ideia, com exce&#231;&#227;o de   dois casos espec&#237;ficos.</p>     <p>De acordo com o   quinto indicador de precariza&#231;&#227;o do trabalho, fragiliza&#231;&#227;o da organiza&#231;&#227;o dos   trabalhadores, e atrav&#233;s dos dados obtidos e analisados, doze dos entrevistados   afirmam que n&#227;o tem nenhum v&#237;nculo com o sindicato, e somente pagam a taxa   mensal, e que n&#227;o confiam nas a&#231;&#245;es defendidas pelo pessoal do sindicato, sem   falar que eles n&#227;o se organizam para lutar a favor dos operadores; onze   entrevistados sup&#245;em que o sindicato seja a favor da empresa, j&#225; que quase n&#227;o   existem reivindica&#231;&#245;es por melhoria no setor, e quando acontecem, os operadores   preferem n&#227;o participar com medo de sofrer consequ&#234;ncias. Assim, nota-se que os   dados obtidos comprovam o que Druck (2011) aborda no quinto indicador.</p>     <p>Baseado no sexto   e &#250;ltimo indicador de precariza&#231;&#227;o social do trabalho que est&#225; relacionado &#224;   condena&#231;&#227;o e o descarte do direito do trabalho, e a partir das entrevistas,   sete operadores afirmaram que n&#227;o tem nada para reclamar com rela&#231;&#227;o aos seus   direitos trabalhistas. No entanto, os dezesseis entrevistados abordaram v&#225;rios   pontos que contradizem as leis trabalhistas, e assim falaram que exercem fun&#231;&#227;o   de banc&#225;rio, mas n&#227;o &#233; isso que est&#225; assinado na carteira, e por isso os mesmos   n&#227;o recebem pelo trabalho que realmente desenvolvem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outro aspecto   abordado diz respeito ao ass&#233;dio moral por parte dos supervisores e gestores,   mas acaba que ficando por isso mesmo, ningu&#233;m faz nada e os operadores que s&#227;o   os maiores prejudicados com a situa&#231;&#227;o, porque tem medo de denunciar e ser   mandado embora. Metas abusivas e remunera&#231;&#227;o vari&#225;vel tamb&#233;m foram alguns dos   pontos abordados, que prejudicam o desempenho do operador dentro da   organiza&#231;&#227;o, e assim eles ficam vulner&#225;veis com a situa&#231;&#227;o, contrariando as   leis trabalhistas que os protegem.</p>     <p>Por fim, outros   aspectos abordados estavam relacionados &#224; infraestrutura inadequada em que os   operadores s&#227;o colocados para trabalhar, e tamb&#233;m com rela&#231;&#227;o &#224;s pausas para   alimenta&#231;&#227;o e uso do banheiro, que &#233; extremamente controlado, e tende a afetar   futuramente as necessidades mais b&#225;sicas do indiv&#237;duo. J&#225; que, o mesmo que fica   vulner&#225;vel as regras exercidas por esses Call Centers, e quemuitas vezes s&#227;o   consideradas normais, devido as flexibiliza&#231;&#245;es trabalhistas que come&#231;aram a   existir e ganharam for&#231;a dentro das organiza&#231;&#245;es, mas que apenas favorecem o   empregador. Por fim, diante do que foi exposto no &#250;ltimo indicador de   precariza&#231;&#227;o do trabalho, fica claro que os dados dialogam e compartilham da   ideia trazida por Druck (2011), e a partir da fala da (ENTREVISTADA 22),   nota-se como a mesma encontra-se desprotegida das leis trabalhistas.</p>     <p>J&#225; tive disfonia   cr&#244;nica, tendinopatia.depress&#227;o, transtorno do p&#226;nico, ansiedade, tremor,   altera&#231;&#227;o no cora&#231;&#227;o, press&#227;o sempre baixa e dores fortes na coluna, &#233; um   conjunto que j&#225; tem 11 anos, e voc&#234; nunca se trata de vez porque est&#225; sempre   surgindo, voc&#234; vai fazendo paliativo pra ir melhorando, e voc&#234; vai empurrando   [...] s&#227;o v&#225;rios tipos de agress&#245;es, ass&#233;dio moral, descontos abusivos,   acidente de trabalho e por ai vai [...].[ENTREVISTADO 22]</p>     <p>Nota-se que os   Call Centers adotam pol&#237;ticas que envolvem a linguagem matem&#225;tica da   rentabilidade imediata, baseada no baixo custo de m&#227;o de obra, e de   infraestrutura organizacional, assim, essas organiza&#231;&#245;es est&#227;o ganhando for&#231;a   no mercado capitalista que preza pelo lucro imediato e pressiona o tempo todo o   teleoperador, que &#233; apenas a v&#237;tima deste processo e o &#250;nico prejudicado com a   falta de prote&#231;&#227;o das leis trabalhistas, principalmente diante das mudan&#231;as e   da flexibiliza&#231;&#227;o das rela&#231;&#245;es de trabalho.</p>     <p>Para finalizar   est&#225; an&#225;lise a partir dos indicadores de Druck (2011), foi elaborado <a href="#q2">quadro</a> anal&#237;tico sobre   as principais caracter&#237;sticas do trabalho exercido no Call Center.</p>     <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rist/n28/28a07q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>     <p>As regras no Call   Center, conforme Almeida &amp; Benevides (2018) s&#227;o distribu&#237;das em quatro   aspectos, que s&#227;o: obriga&#231;&#245;es, direitos, puni&#231;&#245;es e consequ&#234;ncias. Esses   aspectos n&#227;o se equilibram em rela&#231;&#227;o aos impactos que causam sobre os   trabalhadores.</p>     <p>5. Considera&#231;&#245;es   finais</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esse trabalho   buscou compreender &#8220;como a gest&#227;o, analisada sob a &#243;tica dos operadores deCall   Centers, contribui para a precariza&#231;&#227;o do trabalho&#8221;. Verifica-se que a gest&#227;o   contribui imensamente com o processo de precariza&#231;&#227;o do trabalho. No entanto,   essas organiza&#231;&#245;es est&#227;o ganhando espa&#231;os na sociedade, principalmente no   contexto pol&#237;tico e econ&#244;mico vivenciado pelos indiv&#237;duos que se   encontram desempregados e precisam de uma renda para a sobreviv&#234;ncia, bem   comosuprimento das necessidades b&#225;sicas. Por esta raz&#227;o, aceitam os contratos   de trabalho prec&#225;rios que est&#227;o sendo estabelecidos.</p>     <p>Nota-se que os   operadores sofrem com a press&#227;o para o cumprimento das metas que, na maioria das   vezes, s&#227;o absurdas e, portanto, inexequ&#237;veis. Quando o operador n&#227;o cumpre as   metas estabelecidas, o mesmo recebe puni&#231;&#245;es ou, em alguns casos, &#233; rapidamente descartado e   substitu&#237;do por outro indiv&#237;duo. Diante dos indicadores apresentados por Druck   (2011) e posteriormente analisados, percebe-se que atrav&#233;s da an&#225;lise dos dados   obtidos, por meio das entrevistas que o processo de precariza&#231;&#227;o est&#225; presente   nas grandes organiza&#231;&#245;es de Call Center e que est&#227;o sendo &#8220;aceitos&#8221;, j&#225; que os   indiv&#237;duos se submetem e aceitam trabalhar nas mais diversas condi&#231;&#245;es de   precariedade.</p>     <p>Observa-se que   mesmo adquirindo doen&#231;as que s&#227;o relacionas &#224;s atividades desenvolvidas dentro   da organiza&#231;&#227;o, os trabalhadores n&#227;o recebem a devida aten&#231;&#227;o para o tratamento   dos males que est&#227;o sendo adquiridos por esses operadores.</p>     <p>Trazendo o sexto   indicador que fala da condena&#231;&#227;o e descarte do direito do trabalho,&#233;   poss&#237;vel verificar que os sujeitos est&#227;o perdendo os direitos que j&#225; havia   adquiridos, tornando-se v&#237;timas de contratos de trabalho prec&#225;rios. Os Call   Centers tornaram-se organiza&#231;&#245;es vistas como sin&#244;nimo de precariza&#231;&#227;o, da   apropria&#231;&#227;o do sujeito e que realizam o descarte do trabalhador a partir das   suas demandas internas.</p>     <p>Os gestores   dessas organiza&#231;&#245;es est&#227;o buscando novos m&#233;todos e indicadores para pressionar   o operador no alcance das metas estabelecidas, frente ao p&#226;nico da demiss&#227;o,   que &#233; disseminado para atingir os operadores.</p>     <p>&#201; importante   refletir sobre o papel da gest&#227;o e suas contribui&#231;&#245;es para o avan&#231;o ou   retrocesso desse modelo pautado na precariza&#231;&#227;o, que se apropria da for&#231;a de   trabalho e, em seguida, a descarta. Os trabalhadores, classificados como   &#8220;descart&#225;veis&#8221; s&#227;o deixados &#224; sua propria sorteem uma sociedade pautada pelo   modo de produ&#231;&#227;o capitalista, que pela sua natureza &#233; discriminat&#243;ria e excludente.</p>     <p>Por fim, novas   pesquisas podem ser feitas a fim de aprofundar a investiga&#231;&#227;o sobre este   fen&#244;meno, como tamb&#233;m contribuir para o desenvolvimento da tem&#225;tica,   possibilitando que desperte o interesse de mais autores para o estudo do tema   em quest&#227;o, para que seja poss&#237;vel o avan&#231;o ou talvez mudan&#231;as no   comportamento adotado por essas organiza&#231;&#245;es. Os gestores devem ser   conscientizados de que para al&#233;m de algozes,s&#227;o, sobretudo, v&#237;timas e que,   tamb&#233;m, se inserem de forma precarizada e tornam-se &#8220;descart&#225;veis&#8221; quando n&#227;o   conseguem, por via da imposi&#231;&#227;o de t&#233;cnicas gestoras, obter o m&#225;ximo de   produtividade dos seus subordinados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>Alves, G. (2011).   Trabalho e Subjetividade: O esp&#237;rito do toyotismo na era do capitalismo manipulat&#243;rio. S&#227;o   Paulo: Boitempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=996970&pid=S1646-9895201800030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Almeida, L. T.   C., &amp; Benevides, T. M. (2018). Gest&#227;o em call centers: uma an&#225;lise dos   impactos da atua&#231;&#227;o gestora na vida dos trabalhadores. In: A. P. Costa, S.   Tuzzo, &amp; L. Reis (Eds.),   Atas do 7o Congresso Ibero-Americano em Investiga&#231;&#227;o Qualitativa (Volume 3 -   Investiga&#231;&#227;o Qualitativa em Ci&#234;ncias Sociais) (pp. 311&#8211;319). Oliveira de   Azem&#233;is, Aveiro, PORTUGAL: Ludomedia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=996972&pid=S1646-9895201800030000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Antunes,R.   (2009). Os Sentidos do Trabalho: Ensaio sobre a afirma&#231;&#227;o e a negocia&#231;&#227;o do   trabalho.(2.ed). 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Acesso em: 25 Nov. 2017.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=996976&pid=S1646-9895201800030000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Biggs, J.   (1999). Teaching for quality learning at university. Philadelphia: Open University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=996978&pid=S1646-9895201800030000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Druck,G., &amp;   Franco, T. (2007). A perda da raz&#227;o social do trabalho: Terceiriza&#231;&#227;o e   precariza&#231;&#227;o.(1. ed.). S&#227;o Paulo: Boitempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=996980&pid=S1646-9895201800030000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Druck, G.   (2011). Trabalho, Precariza&#231;&#227;o e Resist&#234;ncias: novos e velhos desafios. Salvador: Caderno   CRH.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=996982&pid=S1646-9895201800030000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dutra, R. Q.   (2014). Do outro Lado da Linha. (1 ed.). S&#227;oPaulo: LTr.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=996984&pid=S1646-9895201800030000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gaulejac,V.   (2015). Gest&#227;o como Doen&#231;a Social.(3. ed.). S&#227;o Paulo: Ideias &amp; Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=996986&pid=S1646-9895201800030000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Maia, L. C.,   Alves, A. C., &amp; Le&#227;o, C. P. (2014). Perspetivas individuais sobre a   necessidade de mudan&#231;a:   estudo de caso na Ind&#250;stria T&#234;xtil e do Vestu&#225;rio Portuguesa. </p>     <!-- ref --><p>Maia, L. C.,   Eira, R., Alves, A. C., &amp; Le&#227;o, C. P. (2015). A melhoria organizacional   como alavanca para melhores condi&#231;&#245;es de trabalho. RISTI - Revista Ib&#233;rica de   Sistemas e Tecnologias de Informa&#231;&#227;o, (E4), 50&#8211;65. <a href="http://dx.doi.org/10.17013/risti.e4.50-65" target="_blank">http://dx.doi.org/10.17013/risti.e4.50-65</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=996989&pid=S1646-9895201800030000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Recebido/Submission: 18/08/2018 </p>     <p>Aceita&ccedil;&atilde;o/Acceptance: 22/09/2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>[1]</sup></a><a name="1"></a> Grupo de   Pesquisa &ndash; Historicidade do Estado e do Direito: intera&ccedil;&otilde;es sociedade,   comunidades tradicionais e meio ambiente da Universidade Federal da Bahia.   Linha de pesquisa: Hist&oacute;ria&nbsp;e Direito do Trabalho. &ldquo;DO OUTRO LADO DA   LINHA: precariza&ccedil;&atilde;o, adoecimento e regula&ccedil;&atilde;o social do trabalho dos operadores   de telemarketing em Salvador&rdquo;, grupo de pesquisa desenvolvido no &acirc;mbito da   gradua&ccedil;&atilde;o do Curso de Direito, Departamento de Direito Privado.</p>      ]]></body><back>
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