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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Health policies support that people with mental disease should live within the community. Families are expected to take care of their mentally ill members but they are not prepared to deal with it. The family does not understand the patient&#8217;s behaviour or the manifestations of the disease still dealing with guilt, physical and emotional burden, social isolation, and often economic difficulties. The aim of this study is to identify the health needs in families with mentally ill and develop healthy strategies to overcome the difficulties caused by the disease. We want to help to promote the health of families with mentally ill patients. A sample of 20 families of mentally ill was studied through semi-structured interviews. Data processing was subjected to content analysis. Families feel insecure, not knowing what to do. They state that it would be important to know how to deal with the patient and who can help them when they turn to an imbalance. This information is important to plan some care and enable nurses working with families of mental patients to intervene with them, so that they can readjust to their new life projects.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Doentes Mentais]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p><b>As Fam&iacute;lias com Doentes Mentais</b></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Maria Filomena Pereira Gomes*; Maria Manuela Martins**; Jos&eacute; Amendoeira***</b></p>

	    <p>*Doutoranda e Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, <a href="mailto:fgomes@ese.uminho.pt">fgomes@ese.uminho.pt</a></p>

	    <p>**Doutora e Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem do Porto, <a href="mailto:mmartins@esenf.pt">mmartins@esenf.pt</a></p>

	    <p>***Doutor e Professor Coordenador na Escola Superior de Enfermagem de Santar&eacute;m, <a href="mailto:jjpam@netcabo.pt">jjpam@netcabo.pt</a></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>RESUMO</b></p>

	    <p>As pol&iacute;ticas de sa&uacute;de v&atilde;o no sentido de se manterem os doentes mentais na comunidade. &Agrave; fam&iacute;lia &eacute; exigido o papel de cuidador para o qual n&atilde;o est&aacute; preparada, n&atilde;o compreende o comportamento do doente nem as manifesta&ccedil;&otilde;es da doen&ccedil;a lidando ainda com a culpa, a sobrecarga f&iacute;sica e emocional, o isolamento social, e, muitas vezes, dificuldades econ&oacute;micas.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com este estudo pretendemos identificar necessidades em sa&uacute;de nas fam&iacute;lias com doentes mentais e desenvolver estrat&eacute;gias saud&aacute;veis para ultrapassar as dificuldades causadas pela doen&ccedil;a. Queremos assim contribuir para a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de das fam&iacute;lias com doentes mentais.</p>

	    <p>Optamos por uma amostra constitu&iacute;da por 20 fam&iacute;lias de doentes mentais. Recorremos a entrevistas semi&#45;estruturadas. O tratamento de dados foi sujeito a an&aacute;lise de conte&uacute;do.</p>

	    <p>As fam&iacute;lias sentem&#45;se inseguras e sem saber o que fazer, manifestando que seria importante saber como lidar com o doente e a quem recorrer numa situa&ccedil;&atilde;o de desequil&iacute;brio. Estas informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o importantes no planeamento de cuidados e permitem aos enfermeiros que trabalham com fam&iacute;lia de doentes mentais intervir junto delas ajudando&#45;as a reajustarem&#45;se aos seus novos projectos de vida.</p>

	    <p><b>Palavras&#45;Chave:</b> Doentes Mentais; Cuidados; Fam&iacute;lias.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>ABSTRACT</b></p>

	    <p>Health policies support that people with mental disease should live within the community. Families are expected to take care of their mentally ill members but they are not prepared to deal with it. The family does not understand the patient&rsquo;s behaviour or the manifestations of the disease still dealing with guilt, physical and emotional burden, social isolation, and often economic difficulties.</p>

	    <p>The aim of this study is to identify the health needs in families with mentally ill and develop healthy strategies to overcome the difficulties caused by the disease. We want to help to promote the health of families with mentally ill patients.</p>

	    <p>A sample of 20 families of mentally ill was studied through semi&#45;structured interviews. Data processing was subjected to content analysis.</p>

	    <p>Families feel insecure, not knowing what to do. They state that it would be important to know how to deal with the patient and who can help them when they turn to an imbalance. This information is important to plan some care and enable nurses working with families of mental patients to intervene with them, so that they can readjust to their new life projects.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> People with Mental Illness; Health Care; Families.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>

	    <p>As orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas sobre a sa&uacute;de, e, particularmente sobre a sa&uacute;de mental v&atilde;o no sentido de se manterem os doentes mentais na comunidade. A&iacute;, as observa&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; responsabilidade da fam&iacute;lia sobre o adoecer de um dos seus membros s&atilde;o frequentes. Em muitas situa&ccedil;&otilde;es e, aparentemente cada vez mais, a fam&iacute;lia, ou a aus&ecirc;ncia dela, constitui o centro de perturba&ccedil;&otilde;es emocionais.</p>

	    <p>Alguns comportamentos, mais ou menos agressivos, que, por vezes, se verificam nas fam&iacute;lias t&ecirc;m uma dimens&atilde;o diferente das observadas noutros contextos. Por outro lado, espera&#45; se que seja aqui que qualquer elemento do grupo familiar encontre suporte ps&iacute;quico e emocional para responder &agrave;s complexas exig&ecirc;ncias da sociedade actual.</p>

	    <p>A fam&iacute;lia &eacute; reconhecida como o grupo social mais significativo da sociedade e tem sofrido altera&ccedil;&otilde;es ao longo dos tempos, tanto na sua estrutura como no desempenho dos seus pap&eacute;is e nas interac&ccedil;&otilde;es com a comunidade. A fam&iacute;lia constitui o primeiro lugar de toda e qualquer educa&ccedil;&atilde;o e, assegura a liga&ccedil;&atilde;o entre o afectivo e cognitivo e a transmiss&atilde;o de valores (Unesco: 1996).</p>

	    <p>Apesar de sabermos que os jovens de hoje adquirem a sua identidade tamb&eacute;m fora da fam&iacute;lia, esta n&atilde;o pode deixar de se responsabilizar pelo crescimento dos seus membros. &Eacute; nela que cada um encontra o espa&ccedil;o educativo por excel&ecirc;ncia, e &eacute; frequentemente considerada o n&uacute;cleo central de individualiza&ccedil;&atilde;o e socializa&ccedil;&atilde;o essencialmente devido &agrave; multiplicidade de est&iacute;mulos para o desenvolvimento de emo&ccedil;&otilde;es e afectos, positivos e negativos, entre todos os elementos que s&atilde;o essenciais para um crescimento saud&aacute;vel. Estas interac&ccedil;&otilde;es interferem com o desenvolvimento dos seus membros no interior da fam&iacute;lia sendo, tamb&eacute;m, este o espa&ccedil;o onde se adquire o conceito de sa&uacute;de e h&aacute;bitos de vida saud&aacute;vel.</p>

	    <p>Quando em presen&ccedil;a de doen&ccedil;a mental a familia enfrenta situa&ccedil;&otilde;es mais complexas do que aquelas que viveria se esta condi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o existisse, talvez por n&atilde;o ter conhecimento sobre a doen&ccedil;a, por n&atilde;o compreender a sintomatologia ou porque as perspectivas de vida, tanto do doente como dos outros membros da familia poder&atilde;o ser afectadas. Mesmo quando se adaptam com a presen&ccedil;a da doen&ccedil;a fazem&#45;no &agrave; custa de muitas priva&ccedil;&otilde;es. Reduzem a sua participa&ccedil;&atilde;o em eventos, mudam h&aacute;bitos sociais e no relacionamento familiar, intensificam a aten&ccedil;&atilde;o sobre o doente e convivem com o estigma e mitos que ainda hoje persistem (Nasi, Stumm, Hildebrandt, 2004). Estas autoras acrescentam que a equipe de sa&uacute;de, frequentemente, s&oacute; se preocupa com o doente e com sua medica&ccedil;&atilde;o. Refor&ccedil;am ao familiar que a &uacute;nica alternativa &eacute; o uso correto da medica&ccedil;&atilde;o e muitas vezes esquecem&#45;se de se aproximar desta fam&iacute;lia que tamb&eacute;m precisa de aten&ccedil;&atilde;o e de acompanhamento adequado.</p>

	    <p>Ao analisarmos muitos dos estudos publicados sobre as familias que convivem com doentes mentais encontramos concordancia sobre o sofrimento de todo o agregado. Por outro lado, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil encontrar estudos que tenham a familia como actores centrais no sentido de os ajudar a adequar estrat&eacute;gias com as quais eles pr&oacute;prios se sintam bem, isto &eacute;, que procurem o bem estar de todos e cada um individualmente.</p>

	    <p>Outros estudos t&ecirc;m demonstrado que as fam&iacute;lias muitas vezes n&atilde;o sabem como resolver os seus problemas por desconhecerem a doen&ccedil;a mental e sistemas de apoio comunit&aacute;rio a que possam recorrer (Amaral e Durman, 2004; Colvero, Ide e Rolim, 2004). Perante estas dificuldades as rela&ccedil;&otilde;es e as possibilidades de conviv&ecirc;ncia entre os doentes e os seus familiares s&atilde;o prejudicadas. Esta coabita&ccedil;&atilde;o com o doente e com a doen&ccedil;a deve permitir &agrave; fam&iacute;lia <i>"ser tratada como um cliente que necessita de cuidado, porque apresenta problemas espec&iacute;ficos"</i> (Oliveira e Loyola, 2004: 221). Por isso defendemos que o centro da interven&ccedil;&atilde;o deve ser a fam&iacute;lia para que possa realmente expressar as suas reais dificuldades para, ent&atilde;o, poder usufruir de uma melhor qualidade de vida. Este conceito j&aacute; foi expresso pelo Comit&eacute; Econ&oacute;mico e Social Europeu (2006: 11) ao defender que se deve criar uma estrat&eacute;gia para resolver os problemas de sa&uacute;de mental mas ter&aacute; que ser apoiada na sociedade do conhecimento para que haja <i>"uma ideia clara dos conceitos relacionados com a sa&uacute;de mental e do que abrangem"</i> mas tamb&eacute;m que tenha capacidade para captar a amplitude do problema e a din&acirc;mica que ele comporta.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Comiss&atilde;o respons&aacute;vel pela elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Nacional de Sa&uacute;de Mental 2008&#45;2016 reconhece que h&aacute; problemas que contribuem para o reduzido progresso na &aacute;rea da psiquiatria, nomeadamente "i) <i>A reduzida participa&ccedil;&atilde;o de utentes e familiares</i>; ii) <i>A escassa produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica no sector da psiquiatria e sa&uacute;de mental</i>; iii) <i>A limitada resposta &agrave;s necessidades de grupos vulner&aacute;veis</i>; e iv) <i>A quase total aus&ecirc;ncia de programas de promo&ccedil;&atilde;o/preven&ccedil;&atilde;o</i>" (PNSM, 2008, p.59). Paralelamente o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, pela voz da Alta Comiss&aacute;ria para a Sa&uacute;de, expressa que o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de <i>"est&aacute; empenhado em executar as recomenda&ccedil;&otilde;es da OMS&#45;Euro, de forma a obter mais ganhos em sa&uacute;de para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, a assegurar a sustentabilidade do sistema de sa&uacute;de e a reduzir desigualdades em sa&uacute;de"</i>, Mar&ccedil;o &uacute;ltimo ap&oacute;s o conhecimento da avalia&ccedil;&atilde;o do Plano Nacional de Sa&uacute;de 2004&#45;2010 que prova que as metas em sa&uacute;de mental n&atilde;o foram alcan&ccedil;adas.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>A Fam&iacute;lia do Doente Mental: Breve Abordagem</b></p>

	    <p>Uma fam&iacute;lia saud&aacute;vel ser&aacute; aquela que, em situa&ccedil;&atilde;o de ajustamento e adapta&ccedil;&atilde;o a uma situa&ccedil;&atilde;o de stress: i) &eacute; capaz de dar resposta &agrave;s necessidades dos seus membros, de lidar de forma eficaz com as transi&ccedil;&otilde;es; ii) &eacute; flex&iacute;vel face &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o do poder; e iii) mant&eacute;m os padr&otilde;es de interac&ccedil;&atilde;o e as regras de funcionamento entre si e com a comunidade onde se insere (McCubbin e McCubbin, 1993). Olson e colaboradores (1989) consideram, ainda, a necessidade de manuten&ccedil;&atilde;o de um equil&iacute;brio de coes&atilde;o e de adaptabilidade, facilitadores de uma boa comunica&ccedil;&atilde;o entre os seus membros.</p>

	    <p>Observamos no dia&#45;a&#45;dia que as perturba&ccedil;&otilde;es mentais exercem grande impacto sobre o equil&iacute;brio das fam&iacute;lias, porque <i>"essas fam&iacute;lias proporcionam n&atilde;o s&oacute; apoio f&iacute;sico e emocional, mas suportam tamb&eacute;m o impacto negativo do estigma e da descriminaliza&ccedil;&atilde;o"</i> (OMS, 2002: 58). Quando estas fam&iacute;lias n&atilde;o conseguem utilizar as suas estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o, necessitam de ajuda externa, <i>"...fontes de suporte (...) comunit&aacute;rio, dispon&iacute;veis"</i> (Martins: 2002: 139), que lhes permita recuperar o equil&iacute;brio.</p>

	    <p>A literatura revela&#45;nos que o aparecimento da doen&ccedil;a mental num membro da fam&iacute;lia faz com que esta fam&iacute;lia precise de ajuda para lidar com <i>"... a culpa, a sobrecarga, o pessimismo e o isolamento social, que surgem do sofrimento que a loucura imprime, tanto para eles quanto para a pessoa que adoece"</i> (Souza e Scatena, 2005: 174).</p>

	    <p>Tamb&eacute;m referem que cada fam&iacute;lia que convive com a doen&ccedil;a mental vive essa experi&ecirc;ncia de uma forma &uacute;nica e constitui sempre <i>"um momento cr&iacute;tico do seu ciclo de desenvolvimento"</i> (Souza e Scatena, 2005: 177).</p>

	    <p>&Eacute; necess&aacute;rio encontrar solu&ccedil;&otilde;es para ajudar a fam&iacute;lia a repor o seu equil&iacute;brio emocional. Por isso, &eacute; necess&aacute;rio ir&#45;se ao encontro destas pessoas para que sejam elas a expressarem o que pensam e como convivem com a situa&ccedil;&atilde;o no quotidiano.</p>

	    <p>A revis&atilde;o da literatura especializada demonstra que as primeiras tentativas sistem&aacute;ticas de avaliar o impacto da sobrecarga da doen&ccedil;a mental para a fam&iacute;lia surgiram em 1955, que investiga os problemas emocionais e cognitivos apresentados pelas esposas durante a doen&ccedil;a dos seus maridos, ao processo de ajustamento &agrave; doen&ccedil;a na fam&iacute;lia, e &agrave; insatisfa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias face &agrave; informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel e ao acesso aos profissionais de sa&uacute;de (Marsh:1992).</p>

	    <p>Schene et al. (1993) ao fazer uma revis&atilde;o de 21 instrumentos mais usados, para avaliar o impacto da doen&ccedil;a mental na fam&iacute;lia, lembram&#45;nos que todos os pesquisadores consideram os sintomas e os comportamentos do doente como sendo factores de stress cr&oacute;nicos com os quais os membros da fam&iacute;lia devem aprender a lidar. As altera&ccedil;&otilde;es da din&acirc;mica familiar verificam&#45;se a v&aacute;rios n&iacute;veis, tais como: i) sentimentos de ang&uacute;stia; ii) consequ&ecirc;ncias financeiras resultantes de desemprego ou assiduidade prec&aacute;ria; iii) interac&ccedil;&atilde;o familiar prejudicada; iv) afastamento rede social da fam&iacute;lia; v) estigma; vergonha; vi) pouca participa&ccedil;&atilde;o em actividades de lazer; de entre outras.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Face a tanta complexidade nas din&acirc;micas familiares destas fam&iacute;lias, &eacute; necess&aacute;rio ir ao seu encontro para que se possa construir um projecto terap&ecirc;utico que as ajude a encontrar resposta para as suas dificuldades, incorporadas e articuladas com outros sectores sociais centradas no modelo de interven&ccedil;&atilde;o em promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de.</p>

	    <p>Assim, pretendemos com este estudo: identificar necessidades em sa&uacute;de nas fam&iacute;lias com doentes mentais para que possam desenvolver estrat&eacute;gias saud&aacute;veis para ultrapassar as dificuldades causadas pela doen&ccedil;a. &Eacute; nosso objectivo, tamb&eacute;m, contribuir para a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de das fam&iacute;lias com doentes mentais.</p>

	    <p>&Eacute; esse o nosso prop&oacute;sito ao tentarmos identificar os seus recursos e as suas necessidades para a implementa&ccedil;&atilde;o de um modelo de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Metodologia</b></p>

	    <p>Ap&oacute;s o cumprimento de todos os procedimentos &eacute;ticos, tanto junto das Institui&ccedil;&otilde;es onde os doentes estavam internados e dos familiares a entrevistar, seguimos o nosso percurso de colheita de dados at&eacute; &agrave; sua an&aacute;lise.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Amostra</b></p>

	    <p>O universo do nosso estudo integra familiares de doentes com diagn&oacute;stico formulado pelo psiquiatra das entidades hospitalares onde forem realizadas as entrevistas. A amostra &eacute; constitu&iacute;da por vinte fam&iacute;lias num total de trinta e cinco elementos.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Instrumento de Colheita de Informa&ccedil;&atilde;o</b></p>

	    <p>A escolha de um instrumento de colheita de dados esteve condicionada pela informa&ccedil;&atilde;o que pretend&iacute;amos obter. Assim, porque consideramos o Modelo Calgary de Avalia&ccedil;&atilde;o da Fam&iacute;lia como uma estrutura multidimensional: estrutural, de desenvolvimento e funcional que permitem colher dados importante para o conhecimento da fam&iacute;lia, optamos por elaborar uma entrevista semi&#45;estruturada baseada nestes fundamentos. Tamb&eacute;m consideramos que estas tr&ecirc;s categorias de avalia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o fundamentais e conceptualiza o exerc&iacute;cio do enfermeiro de fam&iacute;lia. O modelo original foi apresentado por Wrigth e Leahey em 2002.</p>

	    <p>O gui&atilde;o da entrevista semi&#45;estruturada foi, assim, constru&iacute;do a partir do Modelo de Avalia&ccedil;&atilde;o Familiar de Calgary e &eacute; constitu&iacute;do por 19 quest&otilde;es.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Procedimentos</b></p>

	    <p>Procedemos &agrave; selec&ccedil;&atilde;o aleat&oacute;ria das fam&iacute;lias, para a realiza&ccedil;&atilde;o das entrevistas, que obedecessem aos crit&eacute;rios de inclus&atilde;o atr&aacute;s descritos. As fam&iacute;lias que entraram no estudo respeitavam os crit&eacute;rios pr&eacute; estabelecidos. Teriam que ter um familiar internado com um diagn&oacute;stico do foro psiqui&aacute;trico formulado pelo m&eacute;dico da unidade de cuidados onde decorria o internamento, e, simultaneamente, aceitassem participar no estudo.</p>

	    <p>Foi utilizado um gui&atilde;o de entrevista semi&#45;estruturada.</p>

	    <p>Para que pudessem decidir livremente se iriam ou n&atilde;o participar nas entrevistas, foram informados sobre todos os procedimentos a adoptar.</p>

	    <p>Foram respeitados todos os princ&iacute;pios &eacute;ticos exigidos num processo de investiga&ccedil;&atilde;o tanto no que se referem aos procedimentos com as Institui&ccedil;&otilde;es envolvidas como com os familiares.</p>

	    <p>&Eacute; um estudo qualitativo. Os dados est&atilde;o a ser analisados com recurso &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do com o aux&iacute;lio do software nvivo8. N&atilde;o estando esta fase do trabalho conclu&iacute;da, j&aacute; encontramos, no entanto, alguns resultados que nos permitem tirar algumas conclus&otilde;es.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>
	
	    <p><b>An&aacute;lise dos Resultados</b></p>

	    <p>Assim, e face ao que atr&aacute;s ficou expresso, temos dados que nos permitem identificar algumas dificuldades dos familiares.</p>

	    <p>Quando as fam&iacute;lias est&atilde;o conscientes da situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a de um familiar, poder&iacute;amos esperar que fossem capazes de agir em conformidade e gerir as suas vidas dentro de padr&otilde;es normais do grupo social onde est&atilde;o inseridos, isto &eacute;, tivessem assimilado um <i>coping</i> capaz de agir com naturalidade no meio onde habitam. No entanto, encontramo&#45; las inseguras pela complexidade do comportamento da doen&ccedil;a, pela pouca informa&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m sobre a evolu&ccedil;&atilde;o, como se comportarem perante as manifesta&ccedil;&otilde;es do doente e com dificuldade em gerir as suas emo&ccedil;&otilde;es. Verificamos que um elevado n&uacute;mero de familiares declaram n&atilde;o saber nada sobre a doen&ccedil;a, inclusive, em alguns casos, atribuem a causa a "cismas", como nos relata, por exemplo, a filha de uma doente: <i>"...isto s&atilde;o muitas cismas, porque ela, ela come&ccedil;ou por achar&#45;se gorda, come&ccedil;ou por sentir&#45;se feia, come&ccedil;ou a engolir tudo para dentro dela e nunca falava com ningu&eacute;m (...) depois da&iacute; cresceu um monstro dentro da cabe&ccedil;a dela com muitas fantasias"</i> (F5e1). Noutros casos consideram que a situa&ccedil;&atilde;o de instabilidade social do Pa&iacute;s contribuiu para o agravamento da doen&ccedil;a <i>"... como ficou doente e se fala numa crise t&atilde;o grande ele come&ccedil;ou a p&ocirc;r na cabe&ccedil;a dele que ia passar fome"</i> (F10c). N&atilde;o duvidamos que isso tenha influ&ecirc;ncia, mas uma interven&ccedil;&atilde;o adequada dos enfermeiros podem ajudar a compreender melhor estas raz&otilde;es e a aceit&aacute;&#45;las como factores desencadeadores do desequil&iacute;brio. Relativamente &agrave; capacidade de reorganiza&ccedil;&atilde;o familiar face &agrave; doen&ccedil;a observamos que as fam&iacute;lias referem ter mais dificuldade de se reorganizar face ao aspecto econ&oacute;mico. As responsabilidades de educa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tidas em conta, normalmente com preocupa&ccedil;&atilde;o, especialmente quando est&aacute; em causa o desempenho escolar como podemos confirmar pelos discursos de familiares: <i>"...o menino que tem 12 anos, perdeu um ano de escola..."</i> (F13d), ou: <i>"As minhas filhas sentem muito a falta da minha esposa &#91;voz tr&eacute;mula&#93;. A mais nova &eacute; muito boa aluna, a mais velha nem tanto e como agora perde algum tempo a ajudar&#45;me com as tarefas l&aacute; de casa, estuda menos e tenho medo que as notas baixem..."</i> (F20c). &Eacute; evidente a reorganiza&ccedil;&atilde;o face aos pap&eacute;is dos membros da fam&iacute;lia, mas com preju&iacute;zo para algum deles, neste caso a educa&ccedil;&atilde;o formal.</p>

	    <p>Manifestam dificuldade em lidar com a incerteza dos comportamentos do elemento doente <i>"...nunca se est&aacute; sossegada, nunca se sabe se a refei&ccedil;&atilde;o vai ser sossegada, se n&atilde;o vai. (...) &eacute; sempre uma incerteza"</i> (F11a), ou: <i>"&Eacute; a incerteza do futuro, &eacute; a incerteza. Quando ele sair daqui &eacute; ... Porque a gente &eacute; constantemente enganada. (...) a gente t&aacute; sempre a jogar na defesa, sempre a ver o que vai acontecer e sabe (...) isto cria uma angustia dentro de n&oacute;s"</i> (F11g). Estas dificuldades de conviv&ecirc;ncia tornam&#45;se muito mais claras quando o desejo, muitas vezes oculto, &eacute; verbalizado: <i>"se houvesse uma casa onde estes doentes pudessem ficar... (...) Se houvesse possibilidade de ficar aqui, (...) seria melhor ele ficar aqui!"</i> (F3c).</p>

	    <p>Quem pode intervir directamente junto destas fam&iacute;lias no sentido de as ajudar ou de encaminhar para a obten&ccedil;&atilde;o de apoios para minorar o seu sofrimento, muitas vezes manifestado por sentimentos de angustia, s&atilde;o os enfermeiros. No entanto, quando pedimos aos familiares de quem recebem apoio para lidar com as situa&ccedil;&otilde;es mais complexas, algumas que requerem novo internamento, os relatos s&atilde;o todos muito pr&oacute;ximos <i>"N&atilde;o sei... S&oacute; se for pelo mesmo... pelo mesmo processo que foi agora. Porque ele agora veio com a guarda p&rsquo;ra&iacute;".(F1b) e "S&oacute; sei como fizemos desta vez. Fomos ao delegado de sa&uacute;de e pol&iacute;cia..."</i> (F1b).</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Discuss&atilde;o dos Resultados</b></p>

	    <p>Os extractos de algumas entrevistas s&atilde;o disso exemplo: "custa&#45;me v&ecirc;&#45;lo assim e n&atilde;o poder fazer nada (...) eu n&atilde;o sei o que hei&#45;de fazer" (B1). "isto j&aacute; se arrasta h&aacute; dois anos e n&atilde;o consigo m&eacute;dico que consiga descobrir o problema dele (C1). Aparentemente a situa&ccedil;&atilde;o que lhes traria mais tranquilidade seria a de prolongar o tempo de internamento "era bom que ele estivesse c&aacute; muito tempo a ver se fica completamente curado, mas isso depende (...) depende do doutor, n&atilde;o &eacute;? ..."(A1) ou "A minha mulher quer que ele esteja aqui meio ano. Mas eles com certeza tamb&eacute;m n&atilde;o querem que ele esteja a&iacute; meio ano. &Agrave;s tantas querem despacha&#45;lo" (A2).</p>

	    <p>Adaptar&#45;se &agrave; uma situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a mental n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Nas fam&iacute;lias que entrevistamos podemos identificar um sentimento de inseguran&ccedil;a e desconforto diante da imprevisibilidade do seu comportamento futuro e apesar de aguardarem alguma expectativa positiva convivem com o medo de que algo s&uacute;bito possa acontecer: <i>"a mudan&ccedil;a de humor (...) ele em cinco minutos consegue ficar super agressivo e esse &eacute; o problema maior (B2). "&Eacute; inseguro ter uma pessoa daquelas em casa porque n&atilde;o se pode estar 5 minutos descansados (...) tem de haver sempre uma pessoa que o acompanhe 24 horas por dia ou sen&atilde;o n&atilde;o estamos descansados"</i> (C1).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A integra&ccedil;&atilde;o no meio &eacute; relativamente f&aacute;cil de se conseguir quando se conhece os espa&ccedil;os e como nos movemos neles. Com comportamentos imprevis&iacute;veis pode tornar&#45; se embara&ccedil;oso ou incapacitante esta adapta&ccedil;&atilde;o social. Para ajudar a ultrapassar esta dificuldade a fam&iacute;lia deve ter ao seu dispor alguma informa&ccedil;&atilde;o sobre os poss&iacute;veis comportamentos que o doente pode apresentar face a uma situa&ccedil;&atilde;o de descompensa&ccedil;&atilde;o.</p>

	    <p>As fam&iacute;lias revelam n&atilde;o saber o que fazer porque n&atilde;o sabem nada sobre a doen&ccedil;a ou sobre como lidar com o seu familiar e notamos a diferen&ccedil;a que elas pr&oacute;prias sentem sobre a explica&ccedil;&atilde;o que lhes &eacute; dada se enfrentam um problema org&acirc;nico ou um problema ps&iacute;quico. O filho de C faz um paralelismo interessante sobre a informa&ccedil;&atilde;o que recebeu ao ser&#45;lhe diagnosticada uma doen&ccedil;a org&acirc;nica e respectivos cuidados e a informa&ccedil;&atilde;o recebida relativamente &agrave; doen&ccedil;a do pai: <i>"No caso da minha doen&ccedil;a, chamaram&#45;me a mim, &agrave; minha esposa e &agrave; minha m&atilde;e e explicaram como devia lidar com a situa&ccedil;&atilde;o em casa, os cuidados que devia ter, o que devia ou n&atilde;o fazer, explicaram tudo ao pormenor"</i>, conta <i>"aqui a &uacute;nica informa&ccedil;&atilde;o que nos deram foi em caso de acontecer..., chamar a ambul&acirc;ncia (...) e evitar as coisas ao alcance dele. O que &eacute; complicado porque &eacute; uma pessoa que toma dez comprimidos por dia"</i> (C 1).</p>

	    <p>Um aspecto que pode ser entendido como um certo "p&ocirc;r &agrave; margem" os familiares, (pelos profissionais de sa&uacute;de) &eacute; o facto de encontrarmos com relativa frequ&ecirc;ncia express&otilde;es que denotam n&atilde;o terem conhecimento do estado e do evoluir da doen&ccedil;a, como: <i>"N&atilde;o. Nunca fui informada de nada. N&atilde;o sei"</i> (A1). E continua: <i>"Eu... o que sei &eacute; que quando ele &eacute; agressivo eu deixo e muitas vezes fecho&#45;me no quarto (...) ou fecho&#45;me na casa (...) onde eu estou, estou fechada! da&iacute; por um bocado saio outra vez e j&aacute; est&aacute; melhor"</i> (A1). <i>"S&oacute; na net...e a psiquiatra falou comigo mas...&eacute; assim d&aacute;&#45;me a ideia que eles tamb&eacute;m n&atilde;o sabem como lidar"</i> (B1). Aparentemente este comportamento agressivo do doente poderia ser controlado ou minorado com pequenas interac&ccedil;&otilde;es na rela&ccedil;&atilde;o entre m&atilde;e e filho se houvesse algu&eacute;m do exterior que mediasse a interac&ccedil;&atilde;o.</p>

	    <p>Outras situa&ccedil;&otilde;es encontradas que n&atilde;o se coadunam com viver com qualidade de vida s&atilde;o as dificuldades em manter relacionamentos afectivos com os outros, incluindo os que lhe est&atilde;o pr&oacute;ximo e perdas de compet&ecirc;ncia social, embora algumas vezes o tentem ocultar justificando o afastamento como: <i>"Eu acho que eles t&ecirc;m vergonha (...) do filho ter um problema"</i> (B1). <i>"Enquanto fam&iacute;lia nunca tivemos, do resto da fam&iacute;lia, grande apoio (...) a partir do momento que surgiu o problema..."</i> (C2); <i>"escondem, abafam (...) na minha fam&iacute;lia tentam abafar"</i> (C3); ou <i>"... se me perguntarem digo que est&aacute; na praia"</i> (A1).</p>

	    <p>Os recursos que se podem utilizar para lidar com a situa&ccedil;&atilde;o desagrad&aacute;vel podem ser internos ou externos mas passam sempre pela aquisi&ccedil;&atilde;o de algumas compet&ecirc;ncias que se v&atilde;o adquirindo com a pr&oacute;pria conviv&ecirc;ncia. Podem passar por aprender a lidar com a doen&ccedil;a e com as suas implica&ccedil;&otilde;es, deixando muitas vezes projectos por realizar: <i>"eu ter os meus objectivos, eu trabalhar e lutar por ter uma vida melhor e ter ao meu lado uma pessoa que &eacute; completamente diferente de mim (...) &eacute; complicado (...) &eacute; muito complicado"</i> (B1). Estar com estes doentes em casa &eacute; uma permanente carga emocional e que facilmente nos &eacute; transmitida: <i>"eu j&aacute; percebi que a doen&ccedil;a n&atilde;o tem cura (...) o internamento &eacute; um descanso" (B2), ou: "eu n&atilde;o sei como lidar com ele"</i> (C3). Ao longo dos anos, com a tomada de consci&ecirc;ncia que a doen&ccedil;a mental n&atilde;o tem cura leva a um sentimento de exaust&atilde;o <i>"sinto&#45;me frustrada porque (...) sei que ele vai criar outra vez expectativas como quando saiu da outra vez e n&atilde;o vai acontecer nada e depois vai outra vez abaixo (...) vai acontecer exactamente a mesma coisa; portanto daqui a um ano se calhar nem isso vai estar aqui outra vez (...) perceba a minha impot&ecirc;ncia."</i> (B1). Alguns elementos referem ser importante a ajuda divina, atrav&eacute;s da ora&ccedil;&atilde;o: <i>"Pe&ccedil;o todos os dias a Deus"</i> (A1).</p>

	    <p>Os apoios que as fam&iacute;lias encontram quando o seu familiar descompensa, no final da primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, s&atilde;o o recurso &agrave;s for&ccedil;as policiais. Com falta de servi&ccedil;os de acompanhamento destas fam&iacute;lias a &uacute;nica forma de encontram quando o elemento doente entra numa nova crise o primeiro recurso &eacute; a GNR (Guarda Nacional Republicana). <i>"Fui &agrave; guarda</i> (leia&#45;se: GNR)" <i>... delega&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de e o delegado... de um dia pr&oacute; outro tratou dos pap&eacute;is, e trouxe&#45;o p&rsquo;r&rsquo; aqui"</i> (B1).</p>

	    <p>Depois de v&aacute;rias d&eacute;cadas a estudar&#45;se as repercuss&otilde;es que a doen&ccedil;a mental traz para as fam&iacute;lias, como demonstram os estudos Marsh (1992), podemos concluir que continua a ser necess&aacute;rio insistir na necessidade de incluir a fam&iacute;lia em todo o processo do cuidar.</p>

	    <p>Os familiares est&atilde;o envolvidos com o doente e, por isso, as estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica ter&atilde;o que contemplar todos os elementos do agregado que sintam essa necessidade para que se restabele&ccedil;a o equil&iacute;brio. Assim tornar&#45;se&#45;&aacute; mais f&aacute;cil que a fam&iacute;lia adopte comportamentos e padr&otilde;es de interac&ccedil;&atilde;o familiar compat&iacute;veis com a gest&atilde;o da ansiedade que o impacto da doen&ccedil;a causa, melhora a capacidade de envolvimento nos novos pap&eacute;is e fun&ccedil;&otilde;es da fam&iacute;lia, a qualidade das rela&ccedil;&otilde;es com o doente e ajustam novas atitudes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; doen&ccedil;a, se for necess&aacute;rio.</p>

	    <p>Sabemos que nem sempre &eacute; f&aacute;cil identificar&#45;se correctamente a causa da doen&ccedil;a mental. Sabemos, inclusive, que a maior parte das vezes h&aacute; um emaranhado de causas, ligadas entre si que torna complexo atribuir qual dela tem mais influencia na desadapta&ccedil;&atilde;o do individuo ao meio onde est&aacute; inserido. No entanto, pensamos que os conhecimentos actuais permitem oferecer uma informa&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia que a ajude a aceitar as altera&ccedil;&otilde;es de comportamento do seu familiar, causadas pela doen&ccedil;a que, por sua vez, ser&atilde;o facilitadoras das rela&ccedil;&otilde;es interfamiliares.</p>

	    <p>As pol&iacute;ticas de sa&uacute;de actuais v&atilde;o no sentido de se manterem os doentes na comunidade, mas isso s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel se a fam&iacute;lia estiver preparada para lidar com eles e com as implica&ccedil;&otilde;es da doen&ccedil;a mental. A <i>"... culpa, a sobrecarga, o pessimismo e o isolamento social..."</i> (Souza e Scatena, 2005: 174) s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es comuns a todas as fam&iacute;lias do nosso estudo, tal como o isolamento social e conflitos interpessoais na fam&iacute;lia.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tivemos oportunidade de observar que os familiares se deslocam aos servi&ccedil;os de internamento em v&aacute;rios momentos, essencialmente nas seguintes situa&ccedil;&otilde;es: visitar o doente, falar com o m&eacute;dico para que este colha informa&ccedil;&otilde;es sobre o doente ou quando o doente vai passar um fim&#45;de&#45;semana a casa. Em todos os momentos as interven&ccedil;&otilde;es s&atilde;o centradas no doente. Se questionam sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do estado de sa&uacute;de do seu familiar as respostas mais frequentes s&atilde;o: "est&aacute; bem", "est&aacute; melhor". As fam&iacute;lias ao dirigirem&#45;se aos t&eacute;cnicos aguardam mais que isto. Estes momentos podem ser reservados, tamb&eacute;m, para um di&aacute;logo centrado na fam&iacute;lia. Uma correcta interven&ccedil;&atilde;o junto das fam&iacute;lias, esclarecendo sobre os sintomas e refor&ccedil;o sobre a necessidade de ades&atilde;o &agrave; terap&ecirc;utica s&atilde;o importantes, mas as possibilidade de sucesso s&atilde;o mais elevadas se forem acompanhadas de estrat&eacute;gias para lidar com o familiar doente, como evitar os conflitos a cr&iacute;ticas desvalorativas ao doente bem como um encaminhamento correcto se observarem alguma altera&ccedil;&atilde;o do comportamento ou se se prev&ecirc; uma situa&ccedil;&atilde;o geradora de maior ansiedade que possa implicar alguma mudan&ccedil;a nos cuidados ao doente. Algumas vezes, acredito, que se as fam&iacute;lias tivessem a abertura por parte dos enfermeiros ou dos m&eacute;dicos do servi&ccedil;o de lhes poderem telefonar numa situa&ccedil;&atilde;o geradora de stress, a sobrecarga emocional diminuiria consideravelmente. S&atilde;o pequenas interven&ccedil;&otilde;es que podem ser &uacute;teis pois permitem ao familiar n&atilde;o se sentir s&oacute; e sabe a quem recorrer em momentos de crise e fariam a diferen&ccedil;a em todo o processo terap&ecirc;utico.</p>

	    <p>Est&aacute;&#45;se a cuidar a fam&iacute;lia quando esta &eacute; ajudada a compreender os comportamentos do doente, quando lhe &eacute; reconhecido o esfor&ccedil;o para cuidar do seu familiar, ora vigiando comportamentos, ora colaborando para a ades&atilde;o terap&ecirc;utica, mas, e essencialmente, escutando&#45; os e valorizando as suas dificuldades, centrando&#45;as nos problemas actuais auxiliando&#45;a a negociar solu&ccedil;&otilde;es ou adoptar novas formas para lidar com os problemas.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>

	    <p>Face a uma an&aacute;lise que ainda n&atilde;o &eacute; exaustiva, devido &agrave; fase de desenvolvimento do estudo, j&aacute; podemos, no entanto, extrair algumas conclus&otilde;es.</p>

	    <p>Assim, algumas fam&iacute;lias t&ecirc;m dificuldade em se adaptar &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a mental num dos seus membros, vivendo permanentemente em situa&ccedil;&atilde;o de angustia e medo, chegando a manifestarem esgotamento.</p>

	    <p>T&ecirc;m dificuldade em se organizarem face &agrave; ocorr&ecirc;ncia de doen&ccedil;a. Muitas vezes nem aceitam que haja doen&ccedil;a o que dificulta a procura de estrat&eacute;gias eficazes para lidarem com a situa&ccedil;&atilde;o. Frequentemente preferem isolar&#45;se dos grupos sociais, inclusive da fam&iacute;lia alargada para tentarem esconder o estigma que ainda permanece na comunidade. Esta realidade &eacute; bem documentada na express&atilde;o: <i>"&eacute; daquele tipo de doen&ccedil;as invis&iacute;veis que &aacute; partida, se fosse uma perna partida ou uma dor qualquer... n&atilde;o....&eacute; aquela dor silenciosa que as pessoas custam um bocado... eu pr&oacute;prio apesar de j&aacute; acompanhar isto &aacute; oito anos, foi&#45;me dif&iacute;cil de entender"</i> (F15c).</p>

	    <p>A conclus&atilde;o que se torna mais pertinente reter refere&#45;se &agrave; atitude dos enfermeiros perante o sofrimento destas fam&iacute;lias.</p>

	    <p>N&atilde;o encontramos refer&ecirc;ncias claras a apoio que estes profissionais oferecem.</p>

	    <p>Na fase em que se encontra o estudo ainda n&atilde;o nos atrevemos a apontar solu&ccedil;&otilde;es no sentido de ajudar as fam&iacute;lias a desenvolver estrat&eacute;gias saud&aacute;veis para que sejam capazes de ultrapassar as dificuldades causadas pela doen&ccedil;a mental. Acreditamos que teremos oportunidade de concluir este objectivo num futuro pr&oacute;ximo e partilha&#45;lo com todos os que lidam com estas fam&iacute;lias.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Devemos lembrar que se o objectivo da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de familiar &eacute; recuperar a sa&uacute;de de todos os membros da fam&iacute;lia, quando, por qualquer raz&atilde;o esta est&aacute; amea&ccedil;ada (Stanhope e Lancaster, 1999), pelos dados que j&aacute; possu&iacute;mos podemos afirmar que ainda h&aacute; muito a fazer para ajudar as fam&iacute;lias dos doentes mentais.</p>

	    <p>N&atilde;o nos devemos esquecer que quem cuida &eacute; o enfermeiro e este deve ter "cada vez mais clara a percep&ccedil;&atilde;o das capacidades, das qualifica&ccedil;&otilde;es e das compet&ecirc;ncias que desenvolvem quotidianamente" n&atilde;o podendo nem devendo ter "dificuldade em assumir um papel mais significativo na constru&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento da sa&uacute;de das pessoas, grupos e sociedade" (Amendoeira, 2006:24).</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>

	    <!-- ref --><p>Amendoeira, J. (2006). Enfermagem, disciplina do conhecimento. In: Sinais Vitais, n&ordm; 67, Julho, 19&#45;27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S1647-2160201100010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Amaral e Durman, (2004). O que pensa a fam&iacute;lia sobre o atendimento oferecido pela Psiquiatria. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciHealthSci/article/view/1629" target="_blank">http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciHealthSci/article/view/1629</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S1647-2160201100010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Alarc&atilde;o, M. (2000). (des)Equil&iacute;brios familiares. Coimbra, Quarteto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1647-2160201100010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Bomar, J. P. (1996). Nurses and family health Promotion: Concepts, assessment, and interventions. Philadelphia: W.B. Saunders.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1647-2160201100010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Comiss&atilde;o das Comunidades Europeias (2005). Livro verde &#45; Melhorar a sa&uacute;de mental da popula&ccedil;&atilde;o: rumo a uma estrat&eacute;gia de sa&uacute;de mental para a Uni&atilde;o Europeia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1647-2160201100010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Comit&eacute; Econ&oacute;mico e Social Europeu (2006). Parecer sobre o Livro verde &#45; Melhorar a sa&uacute;de mental da popula&ccedil;&atilde;o: rumo a uma estrat&eacute;gia de sa&uacute;de mental para a Uni&atilde;o Europeia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1647-2160201100010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <p>Colvero,L. A.; Ide, C.A.C.; e Rolim, A. A. (2004). Fam&iacute;lia e doen&ccedil;a mental: a dif&iacute;cil conviv&ecirc;ncia com a diferen&ccedil;a. In: Rev Esc Enferm, USP38(2), 197&#45;205.</p>

	    <!-- ref --><p>Fawcett, J. (2000). Analysis and evaluation of contemporary nursing knowledge: nursing models and theories. Philadelphia: F. A. Davis Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S1647-2160201100010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Fernandes, A. (1995). M&eacute;todos e regras para elabora&ccedil;&atilde;o de trabalhos acad&eacute;micos e cient&iacute;ficos. Porto Editora: Porto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1647-2160201100010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Gubman, G. D.; Tessler, R. C. (1987). The impact of mental illness on families. In: journal of Family Issues, vol. 8, n&ordm; 2, , p. 226&#45;245.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1647-2160201100010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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	    <!-- ref --><p>Marsh, D.T. (1992). Families and Mental Illness: New directions in professional practice. New York: Praeger.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1647-2160201100010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>Submetido para publica&ccedil;&atilde;o em: 22.01.2011</p>

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