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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Background: Running Amok is a Culture-Bound Syndrome (CBS); its most relevant incidence and prevalence rates are identified in countries like Malaysia, as well as in other countries of Southeast Asia. However, the occurrence of similar cases has also been verified in industrial societies. Considering this evidence, it is imperative to understand Transcultural Nursing importance as an intervention strategy before CBS and, particularly, before Running Amok. Methods: The adopted methodology was literature review, having been consulted, mainly, scientific articles related to specific themes: CBS, Cultural Psychiatry and Ethnopsychiatry. Results: Running Amok can be divided into four stages: in the first stage, the patient is irritable and depressed; in the second stage, the patient is uncontrollably aggressive; in the third stage, the patient presents with homicidal behaviour; in the fourth stage, the patient experiences a partial amnesia period, if he/she survives to the previous stage. Transcultural Nursing emerged with the objective of promoting Nursing care adapted to different cultural contexts. So, nowadays, cultural competence is understood as a key element to formal caregiving. Conclusions: Considering the probable integration of some CBS, as Running Amok, in DSM-V, it is undeniable that nurses should study this kind of pathologies and acquire cultural competencies, in order to cope with this kind of situation. To do so, nurses can use, in the baseline, concepts related to Transcultural Nursing.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Running Amok]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p><b>Os transtornos t&iacute;picos de cultura e a enfermagem transcultural: <i>running amok</i></b></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Patr&iacute;cia Sofia Caldeira Mota</b>*; <b>Francisco Miguel Correia Sampaio</b>**</p>

	    <p>*Licenciada em Enfermagem &#45; ESEP / Mestranda em Enfermagem de Sa&uacute;de Mental e Psiquiatria, <a href="mailto:patricia_mota0912@hotmail.com">patricia_mota0912@hotmail.com</a></p>

	    <p>**Enfermeiro, Hospital de Braga &#45; Servi&ccedil;o de Internamento de Psiquiatria / Mestrando em Enfermagem de Sa&uacute;de Mental e Psiquiatria, <a href="mailto:fmcsampaio@gmail.com">fmcsampaio@gmail.com</a></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Resumo</b></p>

	    <p><b>Enquadramento:</b> A <i>Running Amok</i> &eacute; um Transtorno T&iacute;pico de Cultura (CBS) cujos maiores n&iacute;veis de incid&ecirc;ncia e preval&ecirc;ncia se verificam em pa&iacute;ses como a Mal&aacute;sia, bem como em outros pa&iacute;ses do Sudeste Asi&aacute;tico. A ocorr&ecirc;ncia de casos semelhantes tem, no entanto, vindo a ser verificada, igualmente, nas sociedades mais industrializadas. Nesse sentido, importa perceber a pertin&ecirc;ncia da Enfermagem Transcultural como perspectiva de actua&ccedil;&atilde;o perante as CBS e, em particular, perante a <i>Running Amok</i>. <b>Metodologia:</b> A metodologia adoptada assentou, essencialmente, na revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica realizada, sobretudo, a partir da consulta de artigos cient&iacute;ficos relativos &agrave; tem&aacute;tica das CBS e da Psiquiatria Cultural e Etnopsiquiatria. <b>Resultados:</b> A <i>Running Amok</i> pode ser dividida em quatro fases: a primeira fase &eacute; caracterizada por um per&iacute;odo de depress&atilde;o e irritabilidade; na segunda fase a pessoa manifesta um impulso agressivo incontrol&aacute;vel; na terceira fase a pessoa apresenta um comportamento homicida; na quarta fase a pessoa experiencia um per&iacute;odo de amn&eacute;sia parcial, isto se, sobreviver ao est&aacute;dio anterior. A Enfermagem Transcultural surgiu com o objectivo de promover a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de Enfermagem adaptados aos diferentes contextos culturais das pessoas, pelo que se verifica que, na actualidade, a compet&ecirc;ncia cultural &eacute; encarada como um elemento&#45;chave na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de. <b>Conclus&otilde;es:</b> Considerando a hip&oacute;tese de integra&ccedil;&atilde;o de algumas CBS, como a <i>Running Amok</i>, no novo DSM&#45;V, torna&#45;se indispens&aacute;vel o estudo deste tipo de patologias, bem como a aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias culturais, por parte dos enfermeiros, para lidar com esse tipo de quest&otilde;es podendo, para tal, ser utilizadas como base as no&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; Enfermagem Transcultural.</p>

	    <p><b>Palavras&#45;chave:</b> <i>Running Amok</i>; Transtorno T&iacute;pico de Cultura; Psiquiatria Cultural; Enfermagem Transcultural.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Abstract</b></p>

	    <p><b>Background:</b> Running Amok is a Culture&#45;Bound Syndrome (CBS); its most relevant incidence and prevalence rates are identified in countries like Malaysia, as well as in other countries of Southeast Asia. However, the occurrence of similar cases has also been verified in industrial societies. Considering this evidence, it is imperative to understand Transcultural Nursing importance as an intervention strategy before CBS and, particularly, before Running Amok. <b>Methods:</b> The adopted methodology was literature review, having been consulted, mainly, scientific articles related to specific themes: CBS, Cultural Psychiatry and Ethnopsychiatry. <b>Results:</b> Running Amok can be divided into four stages: in the first stage, the patient is irritable and depressed; in the second stage, the patient is uncontrollably aggressive; in the third stage, the patient presents with homicidal behaviour; in the fourth stage, the patient experiences a partial amnesia period, if he/she survives to the previous stage. Transcultural Nursing emerged with the objective of promoting Nursing care adapted to different cultural contexts. So, nowadays, cultural competence is understood as a key element to formal caregiving. <b>Conclusions:</b> Considering the probable integration of some CBS, as Running Amok, in DSM&#45;V, it is undeniable that nurses should study this kind of pathologies and acquire cultural competencies, in order to cope with this kind of situation. To do so, nurses can use, in the baseline, concepts related to Transcultural Nursing.</p>

	    <p><b>Keywords:</b> Running Amok; Culture&#45;Bound Syndrome; Cultural Psychiatry; Transcultural Nursing</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>A Etnopsiquiatria surge, na actualidade, como um importante componente da Enfermagem de Sa&uacute;de Mental e Psiquiatria, considerando o mundo global em que se desenvolvem as pr&aacute;ticas de presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de. Nesse contexto, surge a necessidade, por parte dos enfermeiros, de dominar cada vez melhor as compet&ecirc;ncias relacionadas com a Enfermagem Transcultural.</p>

	    <p>A <i>Running Amok</i>, ou simplesmente <i>Amok</i>, &eacute; um dos Transtornos T&iacute;picos de Culturas (CBS) mais frequentes na actualidade, sobretudo em pa&iacute;ses como a Mal&aacute;sia, estando classificada na revis&atilde;o da quarta edi&ccedil;&atilde;o do <i>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders</i>&reg; (DSM&#45;IV&#45;TR&reg;) (American Psychiatric Association, 2002).</p>

	    <p>O presente artigo visa analisar algumas quest&otilde;es ligadas &agrave; Psiquiatria Cultural e &agrave; Etnopsiquiatria, e em particular &agrave; <i>Running Amok</i>. Nesse sentido, ser&atilde;o abordados os seguintes aspectos: defini&ccedil;&atilde;o, etiopatogenia, incid&ecirc;ncia e preval&ecirc;ncia, crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico, sintomatologia, tratamento, progn&oacute;stico e interven&ccedil;&otilde;es de Enfermagem associadas &agrave; <i>Running Amok</i>. Por fim, ser&aacute; realizada uma an&aacute;lise critico&#45; reflexiva sobre o trabalho desenvolvido.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Metodologia</b></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>O artigo a elaborar ser&aacute; constru&iacute;do, sob o ponto de vista metodol&oacute;gico, com base na revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica realizada, predominantemente, a partir de livros presentes na biblioteca da Escola Superior de Enfermagem do Porto, de artigos indexados na base de dados EBSCOhost&reg;, PubMed&reg;, MEDLINE&reg; e de outros artigos presentes em s&iacute;tios da Internet dedicados &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o de trabalhos cient&iacute;ficos.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Psiquiatria Cultural e Etnopsiquiatria</b></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>A cultura influencia aspectos fundamentais da identidade e funcionamento social do Homem, afectando a forma como este expressa o seu sofrimento e experiencia a patologia. A cultura, define ainda o que &eacute; normal e desviante. A Psiquiatria Cultural incentiva o profissional de sa&uacute;de a compreender o cliente segundo uma perspectiva cultural, e n&atilde;o numa perspectiva meramente biom&eacute;dica (Bhugra, Kalra, 2010). Ao longo dos sub&#45;cap&iacute;tulos seguintes ser&atilde;o explorados os conceitos de Psiquiatria Cultural e de Etnopsiquiatria, bem como os seus desafios futuros, sendo ainda realizada uma abordagem &agrave; Enfermagem Transcultural.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Conceitos e desafios</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A doen&ccedil;a mental manifesta&#45;se de formas diferentes nas sociedades sendo que estas, por sua vez, t&ecirc;m tamb&eacute;m formas distintas de lidar com ela. Nas sociedades mais ocidentais, prevalece o controlo institucional da doen&ccedil;a, bem como a atribui&ccedil;&atilde;o da responsabilidade para resolver o problema ao profissional de sa&uacute;de. No entanto, existem sociedades que n&atilde;o fazem uso das institui&ccedil;&otilde;es para controlar a doen&ccedil;a, nem atribuem demasiada responsabilidade aos profissionais. Nessas mesmas sociedades, n&atilde;o s&atilde;o utilizados os argumentos cient&iacute;ficos para trabalhar com o doente, dando&#45;se prefer&ecirc;ncia ao conhecimento tradicional, que &eacute; compartilhado por todos. Assim, o "psiquiatra tradicional" faz uso desse mesmo conhecimento e do apoio de toda a comunidade para exercer a sua fun&ccedil;&atilde;o (Noronha, 2004).</p>

	    <p>No que concerne &agrave; Psiquiatria Cultural, este termo foi introduzido por Kraeplin em dois artigos de reflex&atilde;o acerca das suas experi&ecirc;ncias com doentes mentais, em Java, no in&iacute;cio do S&eacute;culo XX (Kraeplin, 1904, cit. por Stompe, Wintrob, 2007). Durante as d&eacute;cadas que se seguiram aos relatos pioneiros de Kraeplin, o papel emergente da Psiquiatria Cultural foi fortalecido por um crescente corpo de investiga&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica que conduziu &agrave; percep&ccedil;&atilde;o mais profunda das caracter&iacute;sticas colectivas e individuais dos seres humanos. Na actualidade, &eacute; comum a partilha de conhecimento espec&iacute;fico de cada sociedade relativamente a quest&otilde;es como a religi&atilde;o, pol&iacute;tica, educa&ccedil;&atilde;o ou economia, mas tamb&eacute;m acerca de sistemas simb&oacute;licos e sem&acirc;nticas que apresentam influ&ecirc;ncias directas ou indirectas na fenomenologia e nos aspectos relatados acerca de perturba&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas (Stompe, Wintrob, 2007).</p>

	    <p>Os r&aacute;pidos progressos cient&iacute;ficos da Psiquiatria Cultural no S&eacute;culo XX foram, em grande parte, despoletados pelos enormes desafios s&oacute;cio&#45;pol&iacute;ticos e &eacute;ticos que surgiram na sequ&ecirc;ncia das guerras, resultando em fortes vagas de migra&ccedil;&atilde;o, for&ccedil;ada e volunt&aacute;ria, com a consequente readapta&ccedil;&atilde;o aos novos ambientes. Essa readapta&ccedil;&atilde;o levou, necessariamente, a um crescendo de situa&ccedil;&otilde;es de stress por acultura&ccedil;&atilde;o, conflitos intergeracionais de valores, <i>distress</i> ps&iacute;quico e sintomatologia psiqui&aacute;trica (Stompe, Wintrob, 2007).</p>

	    <p>Todos esses momentos de desenvolvimento hist&oacute;rico do s&eacute;culo passado levaram &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da diferencia&ccedil;&atilde;o da Psiquiatria Cultural em tr&ecirc;s &aacute;reas importantes: a Psiquiatria Transcultural/Comparativa; a Etnopsiquiatria; e a Psiquiatria de Migra&ccedil;&atilde;o. (Stompe, Wintrob, 2007).</p>

	    <p>A Etnopsiquiatria &eacute;, assim, o ramo da Psiquiatria Cultural mais pr&oacute;ximo da etnologia e da ci&ecirc;ncia etnogr&aacute;fica, descrevendo a forma&ccedil;&atilde;o de perturba&ccedil;&otilde;es mentais espec&iacute;ficas de culturas. Constituem um exemplo, as CBS ou o impacto espec&iacute;fico de padr&otilde;es s&oacute;cio&#45;culturais e religiosos, bem como as atitudes terap&ecirc;uticas a adoptar perante o doente mental. (Kleinman, 1988, cit. por Stompe, Wintrob, 2007).</p>

	    <p>O prop&oacute;sito da Etnopsiquiatria &eacute; o de estabelecer uma linguagem que possa ser compreendida por todos, valorizar o meio onde reside a pessoa doente, e utilizar&#45;se esse mesmo meio como factor de recupera&ccedil;&atilde;o. Assim, no trabalho etnopsiqui&aacute;trico, a participa&ccedil;&atilde;o do doente e dos familiares no tratamento &eacute; activa, com o objectivo &uacute;ltimo de entender a etiologia do problema e de procurar solu&ccedil;&otilde;es para o caso (Noronha, 1986, cit. por Noronha, 2004). Neste sentido, a Etnopsiquiatria n&atilde;o pretende ser mais do que uma subdivis&atilde;o de uma especialidade, mas com a fun&ccedil;&atilde;o particular de chamar a aten&ccedil;&atilde;o para os componentes socioculturais em torno do doente mental que, ao longo dos tempos, tem vindo a ser subjugado por uma vis&atilde;o redutora do seu problema sofrendo, por isso, s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias (Collomb, 1975, cit. por Noronha, 2004).</p>

	    <p>A Etnopsiquiatria foi constru&iacute;da a partir de um princ&iacute;pio metodol&oacute;gico extremamente relevante neste contexto: a complementaridade n&atilde;o &eacute; uma teoria, mas antes uma generaliza&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica; a complementaridade n&atilde;o exclui nenhum m&eacute;todo, todos os m&eacute;todos s&atilde;o considerados v&aacute;lidos (Devereux, 1972, cit. por Baubet, Moro, 2000). &Eacute; no &acirc;mbito da liga&ccedil;&atilde;o verificada entre a fragilidade e o contexto, que a Etnopsiquiatria adquiriu a raz&atilde;o da sua exist&ecirc;ncia. Por entre as suas diversas redes e filia&ccedil;&otilde;es, esta apresenta um triplo sentido no centro dos seus discursos e pr&aacute;ticas: primeiramente, enfatiza a dignidade de todas as culturas como uma plataforma a partir da qual os diagn&oacute;sticos podem ser realizados; em segundo lugar, traz ao de cima o facto de o encarceramento n&atilde;o ser a melhor terapia para as perturba&ccedil;&otilde;es mentais; finalmente, tem em linha de conta o contexto e o ambiente como aspectos proeminentes de qualquer narrativa realizada pelo doente acerca de si mesmo, e pelo terapeuta acerca da doen&ccedil;a (Bidima, 2000).</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>As culturas e a pr&aacute;tica de enfermagem</b></p>

	    <p>A Enfermagem Transcultural nasceu na d&eacute;cada de 1950 com o objectivo de promover uma presta&ccedil;&atilde;o de cuidados congruente com as culturas, proporcionando assim um cuidar em Enfermagem mais human&iacute;stico, seguro e significativo para as pessoas de diversas culturas em todo o Mundo. Assim, a Enfermagem Transcultural defende que todas as culturas t&ecirc;m o direito de ter os seus valores, cren&ccedil;as e formas de vida reconhecidas, respeitadas e suportadas pela sua sa&uacute;de e bem&#45;estar (Leininger, 1997, Leininger, 2008). No mesmo sentido, tem vindo a ser defendida a import&acirc;ncia da compet&ecirc;ncia cultural na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, na medida em que muitos erros de diagn&oacute;stico e de tratamento se relacionam directamente com factores como o desconhecimento cultural ou o d&eacute;fice ao n&iacute;vel da comunica&ccedil;&atilde;o (Campinha&#45;Bacote, Campinha&#45;Bacote, 2009). A comunica&ccedil;&atilde;o transcultural inclui factores que devem ser tidos em considera&ccedil;&atilde;o quando os enfermeiros interagem com os clientes e com os membros da fam&iacute;lia de contextos culturais que diferem do seu (Andrews, 2003, cit. por Maier&#45; Lorentz, 2008). Assim, quest&otilde;es simples, como o contacto</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ocular, devem ser extremamente cuidados, j&aacute; que os enfermeiros portugueses s&atilde;o ensinados a manter o contacto ocular com o cliente quando, por exemplo, na cultura &aacute;rabe, o contacto ocular directo &eacute; considerado indelicado, e at&eacute; mesmo agressivo. Da mesma forma, os nativos norte&#45; americanos consideram o contacto ocular directo como sendo algo impr&oacute;prio; na sua cultura, sentar&#45;se no ch&atilde;o durante o di&aacute;logo &eacute; sin&oacute;nimo de estar a escutar atentamente a pessoa com quem se est&aacute; a falar (Maier&#45;Lorentz, 2008).</p>

	    <p>Nos pa&iacute;ses ocidentais os enfermeiros s&atilde;o ensinados a usar o toque como forma de comunica&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica com os clientes (Understanding Transcultural Nursing, 2005, cit. por Maier&#45;Lorentz, 2008), no entanto, algumas culturas pro&iacute;bem ou restringem o toque a outras pessoas. Assim, &eacute; frequente, clientes que prov&ecirc;m de contextos &aacute;rabes ou hisp&acirc;nicos n&atilde;o permitirem que os prestadores de cuidados do sexo masculino toquem algumas partes do corpo feminino. Para al&eacute;m disso, as mulheres de ambas as culturas podem tamb&eacute;m ser impedidas de cuidar de clientes do sexo masculino. Os asi&aacute;ticos n&atilde;o aprovam o toque na cabe&ccedil;a porque acreditam que a&iacute; reside a fonte da for&ccedil;a da pessoa (Maier&#45;Lorentz, 2008).</p>

	    <p>O sil&ecirc;ncio, nos pa&iacute;ses ocidentais, &eacute; vulgarmente interpretado de forma negativa, podendo os enfermeiros sentir&#45;se desconfort&aacute;veis quando existe um per&iacute;odo de sil&ecirc;ncio durante o di&aacute;logo com o cliente. Por&eacute;m, em algumas culturas o sil&ecirc;ncio apresenta uma conota&ccedil;&atilde;o extremamente positiva. Por exemplo, &eacute; comum nos nativos norte&#45;americanos o uso do sil&ecirc;ncio como forma de mostrar respeito pela pessoa que est&aacute; a falar. O sil&ecirc;ncio tamb&eacute;m &eacute; obrigat&oacute;rio quando se fala com os idosos de culturas asi&aacute;ticas, j&aacute; que &eacute; um sinal de grande respeito pelas pessoas mais velhas. Mesmo em popula&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas de Portugal, como na Fran&ccedil;a e Espanha, as pessoas demonstram concord&acirc;ncia com o uso do sil&ecirc;ncio (Maier&#45;Lorentz, 2008).</p>

	    <p>Existem ainda algumas particularidades ao n&iacute;vel do espa&ccedil;o e dist&acirc;ncia, bem como no que concerne &agrave;s cren&ccedil;as em sa&uacute;de. Assim, por exemplo, as pessoas de descend&ecirc;ncia norte&#45;americana, geralmente, sentem&#45;se mais confort&aacute;veis quando n&atilde;o est&atilde;o em contacto pr&oacute;ximo com outras pessoas. Por outro lado, os hisp&acirc;nicos e asi&aacute;ticos tendem a sentir&#45;se muito confort&aacute;veis quando est&atilde;o pr&oacute;ximos de outrem (Andrews, 2003, cit. por Maier&#45;Lorentz, 2008). As pessoas que acreditam que t&ecirc;m controlo sobre os seus eventos de vida cr&ecirc;em ter controlo sobre o seu estado de sa&uacute;de (exemplo dos asi&aacute;ticos e americanos). Por outro lado, de um modo geral, os hisp&acirc;nicos sentem que t&ecirc;m menos controlo sobre as suas vidas e tendem a ser mais fatalistas na sua vis&atilde;o acerca da sa&uacute;de, acabando por ser menos colaborantes no cumprimento de uma dieta prescrita ou regime medicamentoso (Maier&#45;Lorentz, 2008).</p>

	    <p>A Enfermagem Transcultural &eacute; essencial na pr&aacute;tica di&aacute;ria de Enfermagem. O crescente n&uacute;mero de clientes de variados contextos culturais faz com que os enfermeiros tenham que adquirir conhecimentos transculturais, como forma de estarem mais sensibilizados para as necessidades dos clientes das mais diversas culturas, na medida em que as sociedades se t&ecirc;m vindo a tornar cada vez mais globais e complexas (Maier&#45;Lorentz, 2008).</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>CBS &#150; Transtornos T&iacute;picos de Culturas</b></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>No s&eacute;culo XIX houve um aumento circunstancial de explora&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas por todo o mundo e come&ccedil;aram a surgir diversos relatos m&eacute;dicos de transtornos que at&eacute; ent&atilde;o eram desconhecidos para os investigadores. Com o estudo destas patologias come&ccedil;ou a inferir&#45;se que os factores culturais representavam um papel fundamental no seu desenvolvimento. A primeira classifica&ccedil;&atilde;o destes fen&oacute;menos deve&#45;se a Yap, em 1951, ap&oacute;s a qual surgiram novas propostas de classifica&ccedil;&atilde;o que iremos abordar de seguida (Tseng, 2006).</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conceito e breve historial</b></p>

	    <p>Segundo Tseng (2006, p. 554), Transtornos T&iacute;picos de Culturas (CBS) s&atilde;o "condi&ccedil;&otilde;es mentais ou s&iacute;ndromes psiqui&aacute;tricas cuja manifesta&ccedil;&atilde;o ou ocorr&ecirc;ncia est&atilde;o relacionadas intimamente com factores culturais, garantindo&#45; se assim que a sua avalia&ccedil;&atilde;o e tratamento &eacute; feito segundo uma perspectiva cultural".</p>

	    <p>Com o aumento das viagens pelo mundo, os relatos de dist&uacute;rbios psiqui&aacute;tricos associados a factores culturais foi aumentando (Gaw, Bernstein, 1992) e a classifica&ccedil;&atilde;o destes fen&oacute;menos teve v&aacute;rios est&aacute;dios, de acordo com a pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da psiquiatria cultural (Tseng, 2006).</p>

	    <p>Numa fase inicial Yap (1951, cit. por Tseng, 2006) classificou estes fen&oacute;menos como "dist&uacute;rbios psiqui&aacute;tricos peculiares" que mais tarde vieram a apelidar&#45;se de CBS (Yap, 1967, cit. por Tseng, 2006), classifica&ccedil;&atilde;o que se mant&eacute;m at&eacute; hoje. No entanto, t&ecirc;m vindo a surgir novas sugest&otilde;es para a sua classifica&ccedil;&atilde;o, nomeadamente "culture&#45;related specific conditions" (Tseng, McDermott, 1981, cit. por Tseng, 2006) e mais recentemente "culture&#45;related specific syndromes" (Tseng, 2001, cit. por Tseng, 2006). Estas propostas surgem com o objectivo de haver uma maior precis&atilde;o na defini&ccedil;&atilde;o destes fen&oacute;menos (Tseng, 2006).</p>

	    <p>O n&uacute;mero de propostas que surgiram para a classifica&ccedil;&atilde;o destes fen&oacute;menos, &eacute;, na opini&atilde;o de Hughes (1996, cit. por Pussetti, 2006) um ind&iacute;cio de que a sua classifica&ccedil;&atilde;o sempre foi problem&aacute;tica, uma vez que foi criada para abranger fen&oacute;menos que por si s&oacute; tamb&eacute;m eram dif&iacute;ceis de classificar.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Amok</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p>Uma das CBS mais comummente referenciadas na literatura (sobretudo internacional) &eacute; a <i>Running Amok</i>, um dist&uacute;rbio presente na Mal&aacute;sia, que iremos explanar, seguidamente, de forma mais aprofundada. Assim, nos sub&#45;cap&iacute;tulos seguintes ser&atilde;o abordadas, inicialmente, a defini&ccedil;&atilde;o e a etiopatogenia da <i>Running Amok</i>, os crit&eacute;rios de diagn&oacute;stico e sintomatologia da patologia e, finalmente, o tratamento e progn&oacute;stico da mesma.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Defini&ccedil;&atilde;o e etiopatogenia</b></p>

	    <p>Amok, tamb&eacute;m conhecida como <i>running amok</i> ou <i>amuk</i>, &eacute; um termo de origem malaia que significa "louco com uma raiva incontrol&aacute;vel", que acontece quase exclusivamente nos homens (Schmidt, Hill, Guthrie, 1977). Foi inicialmente identificada na Mal&aacute;sia, muito embora tamb&eacute;m tenham sido reportados epis&oacute;dios de amok noutras regi&otilde;es do Sudeste Asi&aacute;tico, incluindo a Sumatra, a Papua Nova Guin&eacute;, Singapura, Indon&eacute;sia, Filipinas e Laos (Gaw, Bernstein, 1992). Segundo Metzger (1887, cit. por Schmidt <i>et al</i>., 1977) os nativos da Mal&aacute;sia apresentavam uma predisposi&ccedil;&atilde;o para o assass&iacute;nio colectivo, uma vez que, estavam sempre armados com um kris ou uma faca (a arma habitual dos epis&oacute;dios de <i>amok</i>), iniciando o ataque tendo por base algumas situa&ccedil;&otilde;es como ci&uacute;mes por uma mulher ou humilha&ccedil;&atilde;o de algum g&eacute;nero. Outras armas utilizadas nestes ataques eram a <i>parang</i>, machados, bast&otilde;es, facas e armas (Schmidt <i>et al</i>., 1977).</p>

	    <p>Embora a express&atilde;o <i>amok</i> seja usada comummente, a sua principal utiliza&ccedil;&atilde;o est&aacute; ligada a um Transtorno T&iacute;pico de Cultura, na cultura malaia. Segundo Martin (1999, p. 66) "este termo descreve um comportamento homicida e consequentemente suicida de indiv&iacute;duos inst&aacute;veis mentalmente que resulta em m&uacute;ltiplas les&otilde;es e mortes para os outros". Na linguagem malaia, <i>mengamok</i> refere&#45;se ao acto de "ficar louco de raiva" (<i>running amok</i>) e o <i>pengamok</i> &eacute; a pessoa que protagoniza o acto (Gaw, Bernstein, 1992). Os indiv&iacute;duos corriam selvaticamente, apresentando uma for&ccedil;a e persist&ecirc;ncia extraordin&aacute;rias, sendo normalmente assassinados ou contidos, mas quando tal n&atilde;o se verificava, o indiv&iacute;duo apresentava um colapso abrupto sem raz&atilde;o aparente e j&aacute; durante a recupera&ccedil;&atilde;o afirmava que tinha estado <i>mata gelap</i> (com os olhos escurecidos), era ent&atilde;o capturado e tornava&#45;se escravo do <i>rajah</i> (Metzger, 1887, cit. por Schmidt <i>et al</i>., 1977).</p>

	    <p>Carr e Tan (1976, cit. por Gaw, Bernstein, 1992, p. 790) descreviam o <i>amok</i> na cultura malaia, como um "canal para expressar uns impulsos agressivos nas pessoas que normalmente estavam condicionadas a reprimir a sua raiva".</p>

	    <p>O <i>amok</i> foi evoluindo ao longo dos s&eacute;culos: originalmente era o grito de guerra dos piratas malaios que tinham como objectivo saquear outros barcos e esta ac&ccedil;&atilde;o era bem aceite socialmente e considerada honrosa; do s&eacute;culo XVI ao s&eacute;culo XVIII o <i>pengamok</i> iniciava as suas ac&ccedil;&otilde;es de uma forma consciente e deliberada, como terrorismo pol&iacute;tico, mas evitando prejudicar outras pessoas que n&atilde;o os alvos seleccionados inicialmente; devido ao aumento da incid&ecirc;ncia destes casos, o governo colonial brit&acirc;nico, definiu, em 1893, que estes casos deveriam ser julgados em tribunal, tendo&#45;se verificado um decr&eacute;scimo significativo na sua incid&ecirc;ncia; no s&eacute;culo XIX a natureza do comportamento sofreu uma altera&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica, uma vez que os epis&oacute;dios de <i>amok</i> deixaram de ser premeditados e os homic&iacute;dios em massa ocorriam num estado dissociativo e com amn&eacute;sia posterior; j&aacute; na segunda metade do s&eacute;culo XIX a frequ&ecirc;ncia de casos de <i>amok</i> diminuiu drasticamente e os indiv&iacute;duos apresentavam um longo historial de dist&uacute;rbios psic&oacute;ticos, em vez de reac&ccedil;&otilde;es dissociativas (Tseng, 2006).</p>

	    <p>A sua classifica&ccedil;&atilde;o enquanto CBS deve&#45;se &agrave; descoberta desta patologia, h&aacute; dois s&eacute;culos atr&aacute;s, em "tribos primitivas", acreditando&#45;se que os factores culturais desempenhavam um papel predominante na sua patogenia, devido ao seu isolamento geogr&aacute;fico e cren&ccedil;as religiosas que levavam ao aparecimento de uma perturba&ccedil;&atilde;o mental que n&atilde;o era observada no resto do mundo (Martin, 1999). No s&eacute;culo XIX este s&iacute;ndrome era relatado com alguma frequ&ecirc;ncia em alguns grupos &eacute;tnicos da Mal&aacute;sia, nomeadamente os <i>Bugis</i>, os <i>Javanese</i> e os <i>Malays</i> (Gaw, Bernstein, 1992).</p>

	    <p>Westermeyer (1973, cit. por Gaw, Bernstein, 1992), um psiquiatra do Minnesota que se dedicou ao estudo dos epis&oacute;dios de <i>amok</i>, verificou a poss&iacute;vel exist&ecirc;ncia de um padr&atilde;o epid&eacute;mico nos casos de amok que avaliou na Mal&aacute;sia, na Tail&acirc;ndia, em Laos e nas Filipinas, acreditando que existia uma maior predisposi&ccedil;&atilde;o para este tipo de comportamento ap&oacute;s a exposi&ccedil;&atilde;o a epis&oacute;dios de <i>amok</i>. A sua teoria apoiava&#45;se em situa&ccedil;&otilde;es como o caso do "<i>grenade&#45;amok</i>" que ocorreu em 1959 durante um festival religioso em Laos, ap&oacute;s o qual se verificou um aumento gradual da incid&ecirc;ncia de casos de <i>amok</i>, atingindo 20 casos reportados em 1966. Tamb&eacute;m Schmidt <i>et al</i>. (1977) estudaram os casos de <i>amok</i> no Este da Mal&aacute;sia, sendo que dos 24 casos analisados, apenas um era referente a uma mulher, pelo que podemos inferir que &eacute; mais prevalente no sexo masculino.</p>

	    <p>Desde o aparecimento dos primeiros casos de <i>amok</i> que se tem vindo a especular sobre as causas deste transtorno (Gaw, Bernstein, 1992). Diversos autores apontaram como causas org&acirc;nicas a epilepsia (Zaquirre, 1957, cit. por Gaw, Bernstein, 1992, Kraepelin, 1904, cit. por Schmidt <i>et al</i>., 1977), infec&ccedil;&otilde;es como a mal&aacute;ria ou a s&iacute;filis (Kraepelin, 1904, cit. por Schmidt <i>et al</i>., 1977, Van Loon, 1928, cit. por Gaw, Bernstein, 1992), esquizofrenia (Kraepelin, 1904, cit. por Schmidt <i>et al</i>., 1977, Zaquirre, 1957, cit. por Gaw, Bernstein, 1992), depress&atilde;o (Ellis, 1901, cit. por Gaw, Bernstein, 1992), psicoses (Weidman, 1971, cit. por Gaw, Bernstein, 1992) e reac&ccedil;&otilde;es dissociativas (Esser, 1961, cit. por Gaw, Bernstein, 1992). Segundo os dados recolhidos no estudo de Schmidt <i>et al</i>. (1977), os autores acreditam que a <i>amok</i> pode aparecer associada a uma extensa variedade de dist&uacute;rbios psicopatol&oacute;gicos.</p>

	    <p>No entanto, e uma vez que, a maioria dos casos observados n&atilde;o revelaram qualquer uma destas patologias, os investigadores t&ecirc;m enfatizado o papel da cultura na g&eacute;nese deste problema (Gaw, Bernstein, 1992). Westermeyer (1973, cit. por Gaw, Bernstein, 1992) definiu tr&ecirc;s vari&aacute;veis culturais que estariam envolvidas no desenvolvimento deste fen&oacute;meno, entre elas: a susceptibilidade individual, uma experi&ecirc;ncia cultural que inclu&iacute;a uma consciencializa&ccedil;&atilde;o sobre a viol&ecirc;ncia de <i>amok</i> e, por fim, r&aacute;pidas altera&ccedil;&otilde;es socioculturais.</p>

	    <p>Mais recentemente, Martin (1999, pp. 68&#45;69) afirma que, tendo em conta a escassa literatura sobre <i>amok</i>, pode concluir&#45;se que condi&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas, a personalidade, a patologia, e/ou perdas recentes, s&atilde;o factores importantes na sua patog&eacute;nese, definindo como factores de risco:</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>"hist&oacute;ria de comportamento violento e/ou amea&ccedil;as; tentativas de suic&iacute;dio anteriores; stress interpessoal significativo; transtornos paran&oacute;ides, anti&#45;sociais, narcisistas, ou tra&ccedil;os de personalidade borderline; hist&oacute;ria de psicose ou comportamento violento durante uma altera&ccedil;&atilde;o de humor; dist&uacute;rbios psic&oacute;ticos com del&iacute;rios persecut&oacute;rios; dist&uacute;rbios psic&oacute;ticos com alucina&ccedil;&otilde;es que incentivavam a viol&ecirc;ncia; actividade delirante; problemas com o emprego".</p>

	    <p>Segundo Schmidt <i>et al</i>. (1977) podem classificar&#45;se quatro fases da doen&ccedil;a: a primeira fase &eacute; caracterizada por um per&iacute;odo de depress&atilde;o e irritabilidade com respostas agressivas do indiv&iacute;duo quando algu&eacute;m tenta penetrar no seu espa&ccedil;o de seguran&ccedil;a; na segunda fase o indiv&iacute;duo manifesta um impulso agressivo incontrol&aacute;vel; na terceira fase o indiv&iacute;duo apresenta um comportamento homicida que se mant&eacute;m at&eacute; que o <i>pengamok</i> seja contido, morto ou entre num estado de exaust&atilde;o e estupor; na quarta e &uacute;ltima fase, os indiv&iacute;duos experienciam um per&iacute;odo de amn&eacute;sia parcial, isto se, sobreviverem ao est&aacute;dio anterior.</p>

	    <p>Nos dois &uacute;ltimos s&eacute;culos tem&#45;se verificado um decr&eacute;scimo na incid&ecirc;ncia dos epis&oacute;dios de <i>amok</i>, acreditando&#45;se que as influ&ecirc;ncias da civiliza&ccedil;&atilde;o ocidental e os interc&acirc;mbios culturais foram eliminando os factores culturais que se acreditava serem os principais respons&aacute;veis por este comportamento violento na Mal&aacute;sia e noutras cultura asi&aacute;ticas (Martin, 1999). No entanto, tem&#45;se verificado um aumento de ocorr&ecirc;ncia de casos semelhantes nas sociedades industrializadas, nomeadamente um caso reportado em 1987 na Gr&atilde;&#45;Bretanha (Kon, 1994), mas, uma vez que se acreditava profundamente que os factores culturais induziam o aparecimento de <i>amok</i>, n&atilde;o foi feita uma liga&ccedil;&atilde;o com estes casos de viol&ecirc;ncia em massa (Martin, 1999). Os <i>media</i>, as testemunhas e os relat&oacute;rios policiais descrevem os atacantes como pessoas estranhas ou irritadas e impulsivas, sugerindo dist&uacute;rbios da personalidade, dist&uacute;rbios paran&oacute;ides, ou ainda s&iacute;ndromes depressivos resultante de uma perda severa (Martin, 1999). Outra das semelhan&ccedil;as com os epis&oacute;dios de <i>amok</i>, &eacute; o n&uacute;mero de v&iacute;timas resultantes, muito embora as armas utilizadas actualmente, como os rev&oacute;lveres e as espingardas, sejam bastante distintas das espadas malaias utilizadas h&aacute; dois s&eacute;culos atr&aacute;s (Martin, 1999).</p>

	    <p>S&atilde;o conhecidas duas formas de <i>amok</i>, sendo que a forma mais comum, <i>beramok</i>, encontra&#45;se associada a uma perda pessoal e &eacute; precedida por um per&iacute;odo de humor depressivo; por seu lado, a <i>amok</i>, foi associada a um ataque a outrem, despoletado por raiva, insultos ou vingan&ccedil;a. Assim sendo, e tendo por base os mais recentes casos de <i>amok</i> reportados, acredita&#45;se que a <i>beramok</i> est&aacute; relacionada com perturba&ccedil;&otilde;es depressivas, enquanto que o <i>amok</i> parece estar associada a psicoses, dist&uacute;rbios da personalidade ou del&iacute;rios (Martin, 1999).</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Diagn&oacute;stico e sintomatologia</b></p>

	    <p>Devido ao reporte, cada vez mais frequente, de dist&uacute;rbios relacionados com factores culturais, como o <i>koro</i>, <i>amok</i> e <i>pibloktoq</i>, que chegaram a atingir as centenas em todo o mundo (Gaw, Bernstein, 1992), come&ccedil;ou a inferir&#45;se que alguns sistemas de valores, estruturas sociais e cren&ccedil;as partilhadas podiam despoletar formas psicopatol&oacute;gicas espec&iacute;ficas restritas a determinadas &aacute;reas geogr&aacute;ficas (Yap, 1969, cit. por Gaw, Bernstein, 1992). Assim sendo, o desenvolvimento na d&eacute;cada de 90, da d&eacute;cima edi&ccedil;&atilde;o da <i>Internacional Classification of Disease</i> (ICD) e da quarta edi&ccedil;&atilde;o do <i>Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders</i> (DSM) acabou por se tornar a oportunidade ideal "para uma an&aacute;lise e classifica&ccedil;&atilde;o mais sofisticada destes dist&uacute;rbios e para realizar estudos comparativos em v&aacute;rias culturas" (Gaw, Bernstein, 1992, p. 789).</p>

	    <p>Com o aumento das viagens pelo mundo e da emigra&ccedil;&atilde;o, podia verificar&#45;se um aumento da ocorr&ecirc;ncia destes fen&oacute;menos nos pa&iacute;ses industrializados, pelo que se tornava pertinente dar uma maior aten&ccedil;&atilde;o aos dist&uacute;rbios relacionados com os factores culturais na DSM, muito embora a sua terceira edi&ccedil;&atilde;o fosse utilizada essencialmente nas culturas ocidentais (Gaw, Bernstein, 1992).</p>

	    <p>O processo de introdu&ccedil;&atilde;o do amok no DSM&#45;IV passou por diversas fases, entre elas: a an&aacute;lise do <i>amok</i> e a discuss&atilde;o dos seus factores culturais espec&iacute;ficos; a estipula&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios que definissem um dist&uacute;rbio como "especificamente relacionado com os factores culturais" tendo por base um paradigma proposto previamente para a classifica&ccedil;&atilde;o destes dist&uacute;rbios; e por &uacute;ltimo, a argumenta&ccedil;&atilde;o para que seja feita a classifica&ccedil;&atilde;o do <i>amok</i> no DSM&#45;IV (Gaw, Bernstein, 1992).</p>

	    <p>"Um acto de <i>amok</i> &eacute; a combina&ccedil;&atilde;o de um dist&uacute;rbio do humor, do comportamento e da cogni&ccedil;&atilde;o" (Gaw, Bernstein, 1992, p. 791). O dist&uacute;rbio de humor n&atilde;o &eacute; espec&iacute;fico e normalmente s&oacute; se verifica em retrospectiva, a amn&eacute;sia posterior tamb&eacute;m demonstra alguma inconsist&ecirc;ncia, at&eacute; porque alguns dos observadores eram da opini&atilde;o de que os indiv&iacute;duos simulavam a amn&eacute;sia para sa&iacute;rem impunes, pelo que o aspecto mais importante a considerar seria a altera&ccedil;&atilde;o dos comportamentos verificada ao cometer os homic&iacute;dios (Gaw, Bernstein, 1992). Estas conclus&otilde;es levaram a que os autores sugerissem, numa fase inicial, que o <i>amok</i> fosse classificado como um dist&uacute;rbio de controlo de impulsos, mas, segundo Simons e Hughes (1992, cit. por Gaw, Bernstein, 1992) deveria ser classificada como um dist&uacute;rbio explosivo isolado, uma vez que este se caracteriza por um &uacute;nico epis&oacute;dio de perda do controlo de impulsos que conduz a um acto violento, com impacto catastr&oacute;fico noutros indiv&iacute;duos, e cuja informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel, n&atilde;o justifica o diagn&oacute;stico de esquizofrenia.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Alguns investigadores propuseram a cria&ccedil;&atilde;o de um ap&ecirc;ndice que inclu&iacute;sse os dist&uacute;rbios relacionados com os factores culturais, no entanto Gaw e Bernstein (1992), refutaram esta op&ccedil;&atilde;o, uma vez que acreditavam que esta estrat&eacute;gia levaria a que se inferisse que a cultura era o componente mais importante destas s&iacute;ndromes; no entanto, muitos destes "dist&uacute;rbios culturais" apresentam caracter&iacute;sticas semelhantes aos dist&uacute;rbios ocidentais. Assim sendo, a resolu&ccedil;&atilde;o deste dilema, passou pela revis&atilde;o da categoria de "dist&uacute;rbios explosivos intermitentes" que era contemplada no DSM&#45;III&#45;R, passando a existir no DSM&#45;IV, a categoria de "dist&uacute;rbios comportamentais explosivos" e criada uma &aacute;rvore de decis&atilde;o (Figura 1) (Gaw, Bernstein, 1992).</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>FIGURA 1 &#150; &Aacute;rvore de Decis&atilde;o para "Dist&uacute;rbios Comportamentais Explosivos"</p>

	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n6/n6a05f1.jpg"></p>

	    
<p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Tratamento e progn&oacute;stico</b></p>

	    <p>Martin (1999), afirma que o amok dever&aacute; ser considerado como um poss&iacute;vel resultado de uma psicose ou de uma severa perturba&ccedil;&atilde;o da personalidade que esteja sub&#45; diagnosticada ou n&atilde;o tratada e, uma vez que &eacute; praticamente imposs&iacute;vel parar um ataque de <i>amok</i>, torna&#45;se imperioso prevenir que este aconte&ccedil;a.</p>

	    <p>A primeira abordagem de interven&ccedil;&atilde;o passa pela identifica&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos que apresentem condi&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas ou stressores psicossociais que predisponham para a ocorr&ecirc;ncia de casos de <i>running amok</i> (Martin, 1999). O autor identifica v&aacute;rias caracter&iacute;sticas comuns aos indiv&iacute;duos que desenvolveram este dist&uacute;rbio, que poder&atilde;o contribuir para a identifica&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos predispostos, sendo elas:</p>

	    <p>"dist&uacute;rbios depressivos psic&oacute;ticos, ou dist&uacute;rbios de humor, especialmente dist&uacute;rbios bipolares; dist&uacute;rbios da personalidade, com surtos de viol&ecirc;ncia assim como dist&uacute;rbios antissociais e personalidades <i>borderline</i>; dist&uacute;rbios de personalidade paran&oacute;ide e/ou alucina&ccedil;&otilde;es com temas persecut&oacute;rios e comportamentos agressivos como defesa a amea&ccedil;as identificadas; perdas pessoais significativas e stressores psicossociais; comportamento suicida e homicida e pensamentos agressivos, sem esperan&ccedil;a e vingativos; dist&uacute;rbios psic&oacute;ticos com del&iacute;rios persecut&oacute;rios sobre o pr&oacute;prio; esquizofrenia paran&oacute;ide com alucina&ccedil;&otilde;es de comando ou de actos violentos, que o individuo tende a obedecer." (Martin, 1999, p. 68).</p>

	    <p>A segunda abordagem de interven&ccedil;&atilde;o passa pela identifica&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas sub&#45;diagnosticadas e subsequente tratamento farmacol&oacute;gico e n&atilde;o farmacol&oacute;gico das mesmas, para que n&atilde;o se venha a verificar um epis&oacute;dio de <i>amok</i> (Martin, 1999).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A interven&ccedil;&atilde;o de Enfermagem deve ocorrer numa perspectiva de preven&ccedil;&atilde;o (sobretudo prim&aacute;ria) da ocorr&ecirc;ncia de epis&oacute;dios de <i>amok</i>, em indiv&iacute;duos que apresentem um dos dist&uacute;rbios mentais pr&eacute;vios que, aparentemente, conferem uma maior predisposi&ccedil;&atilde;o para desenvolver este tipo de patologia, bem como uma heran&ccedil;a cultural que se coaduna com a mesma. Assim sendo, a interven&ccedil;&atilde;o deve compreender, essencialmente, dois n&iacute;veis: o <i>coping</i>, na medida em que &eacute; importante que o doente seja capaz de desenvolver mecanismos de adapta&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&otilde;es limite que poder&atilde;o despoletar o epis&oacute;dio de <i>amok</i>; e na gest&atilde;o de comportamentos, e de controlo de agressividade (Dochterman, Bulechek, 2008). Estas abordagens, que visam o controlo de eventos que se pensam favorecer um epis&oacute;dio de <i>amok</i>, como os sentimentos de raiva, a resposta face a insultos ou vingan&ccedil;a que referimos anteriormente, podem ent&atilde;o diminuir a probabilidade da sua ocorr&ecirc;ncia. Assim, a interven&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel dos comportamentos deve ser mais dirigida aos indiv&iacute;duos que, ainda antes de desenvolverem qualquer epis&oacute;dio de <i>running amok</i>, j&aacute; apresentam sinais evidentes de dificuldades ao n&iacute;vel da assertividade e do controlo dos impulsos e da agressividade.</p>

	    <p>Mediante a perturba&ccedil;&atilde;o de base, e sobretudo no caso de o indiv&iacute;duo apresentar pensamentos disfuncionais, cren&ccedil;as err&oacute;neas ou erros cognitivos, deve recorrer&#45;se &agrave; reestrutura&ccedil;&atilde;o cognitiva, ou seja, intervir no &acirc;mbito da terapia cognitiva. No caso de a pessoa apresentar problemas ao n&iacute;vel cognitivo e comportamental deve, preferencialmente, intervir&#45;se aos dois n&iacute;veis, em simult&acirc;neo. Por&eacute;m, no caso de tal n&atilde;o</p>

	    <p>ser poss&iacute;vel, deve dar&#45;se prefer&ecirc;ncia, numa fase inicial, &agrave; abordagem cognitiva, passando&#45;se ent&atilde;o para a abordagem comportamental. Apenas no caso de o indiv&iacute;duo apresentar comportamentos que, dada a sua gravidade, coloquem em risco a sua pr&oacute;pria vida ou a vida de outrem, deve optar&#45;se, primeiramente, por uma abordagem comportamental, dada a necessidade imperiosa de modificar o comportamento, mesmo antes de trabalhar com o utente no sentido de implementar um plano de cuidados que se centre no ponto de vista cognitivo.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>Em suma, &eacute; importante que o enfermeiro tenha em conta a heran&ccedil;a cultural do doente a quem est&aacute; a prestar cuidados, de forma a n&atilde;o desvalorizar os valores e cren&ccedil;as da sua cultura, e, desta forma, poder demonstrar respeito pela pessoa e prestar cuidados de sa&uacute;de diferenciados e mais humanizados.</p>

	    <p>No que diz respeito ao <i>Amok</i>, consegue perceber&#45;se que existem algumas incongru&ecirc;ncias, nomeadamente no que concerne aos factores de risco, uma vez que englobam os dist&uacute;rbios psiqui&aacute;tricos mais comuns nas culturas ocidentais, o que dificulta a possibilidade de preven&ccedil;&atilde;o da ocorr&ecirc;ncia de um epis&oacute;dio de <i>Amok</i>, j&aacute; que este poderia ocorrer na grande maioria dos doentes; por outro lado, a inclus&atilde;o dos factores culturais como uma das causas precipitantes destes epis&oacute;dios restritos a determinadas &aacute;reas geogr&aacute;ficas, acaba por n&atilde;o explicar o porqu&ecirc; da ocorr&ecirc;ncia de casos de <i>Running Amok</i> na actualidade, em sociedades ocidentais, como por exemplo o caso identificado na Gr&atilde;&#45;Bretanha em 1987, anteriormente referido, no qual n&atilde;o se verificavam caracter&iacute;sticas culturais semelhantes &agrave;s existentes nas tribos malaias e os diversos casos de viol&ecirc;ncia em massa reportados todos os anos, que, muito embora apresentem caracter&iacute;sticas muito semelhantes &agrave;s encontradas aos casos de Amok, n&atilde;o tiveram a mesma classifica&ccedil;&atilde;o devido &agrave; inexist&ecirc;ncia de factores culturais evidentes que pudessem ter despoletado o epis&oacute;dio.</p>

	    <p>A inclus&atilde;o desta patologia no DSM&#45;IV acaba por ser um avan&ccedil;o significativo, na medida em que a exist&ecirc;ncia de uma &aacute;rvore de decis&atilde;o fornece crit&eacute;rios espec&iacute;ficos para o seu diagn&oacute;stico. No entanto a inclus&atilde;o dos factores culturais como um dos crit&eacute;rios para o seu diagn&oacute;stico exclui uma grande parte dos poss&iacute;veis casos relatados nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.</p>

	    <p>Assim sendo, seria pertinente uma avalia&ccedil;&atilde;o mais aprofundada dos factores de risco de <i>Amok</i>, para ser poss&iacute;vel estabelecer correctamente um plano de cuidados diferenciado e que fosse eficaz na preven&ccedil;&atilde;o deste dist&uacute;rbio.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>

	    <!-- ref --><p>APA &#150; American Psychiatric Association (2002). <i>Manual de Diagn&oacute;sticos e Estat&iacute;stica das Perturba&ccedil;&otilde;es Mentais (DSM&#45; IV&#45;TR)</i> (4a Ed.). Lisboa: Climepsi.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S1647-2160201100020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <p>Baubet, T., Moro, M. R. (2000). "L&rsquo;Approche Ethnopsychiatrique". <i>Enfances &amp; Psy</i>, (12), pp. 111&#45;117. Consultado em 25 de Abril de 2011. Dispon&iacute;vel em: 
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	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 17.09.2011</p>

	    <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 16.12.2011</p>
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