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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Comunicação no Processo Terapêutico das Famílias de Doentes Mentais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Mental health in the XXI century will depend on socio-political policies that given the economic climate that exists worldwide will difficult predictions. However, regardless what can happen, it is necessary once and for all to include families in the therapy project developed with the mentally ill. To be successful with family involvement in therapy projects it is necessary to adopt communication processes at an interpersonal level relationship nurses / families of the mentally. The aim of this study with nurses working in mental health and psychiatric units is: - Identify how nurses intervene with families so that they feel supported when they need help to cope with the disease situation in the family. - Information about the length of time used to listen to the families. A sample of seven nurses was studied by semi-structured interviews. Data processing was subjected to content analysis. Our study demonstrates that: - The time used by nurses to communicate with family is essentially aimed at providing information on the procedures to be with the patient after discharge. - They understand the family as a key element for the patient sense of balance, not appreciating the family sense of balance. - The attention focus is the mentally ill patient. Conclusions: there is little communication between nurses and family members of mentally ill patients and when dialogue occurs it is to obtain data of patients or to refer them to other health professionals. It is important to motivate nurses to develop communication processes with these families and real instances of therapeutic help. With these procedures we believe that health gains will be obtain, observable with the decrease of anxiety within the family members, better relationship between patients and their family members, and therefore, fewer hospital admissions.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Família]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Comunicação terapêutica]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p><b>A Comunica&ccedil;&atilde;o no Processo Terap&ecirc;utico das Fam&iacute;lias de Doentes Mentais</b></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Filomena Gomes*; Jos&eacute; Amendoeira**; Manuela Martins***</b></p>

	    <p>*Professora coordenadora. Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, <a href="mailto:fgomes@ese.uminho.pt">fgomes@ese.uminho.pt</a></p>

	    <p>**Professor Associado. Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa. Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, <a href="mailto:jamendoeira@ics.lisboa.ucp.pt">jamendoeira@ics.lisboa.ucp.pt</a></p>

	    <p>***Professora coordenadora. Escola Superior de Enfermagem do Porto, <a href="mailto:mmartins@esenf.pt">mmartins@esenf.pt</a></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Resumo&nbsp;&nbsp;</b></p>

	    <p>A sa&uacute;de mental no s&eacute;culo no XXI estar&aacute; dependente de quadros s&oacute;cio&#45;pol&iacute;ticos dif&iacute;ceis de prever face &agrave; conjuntura econ&oacute;mica que se verifica a n&iacute;vel mundial. No entanto, independentemente do que da&iacute; advier, &eacute; importante inserir a fam&iacute;lia nos projectos terap&ecirc;uticos a desenvolver com os doentes mentais.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para que o envolvimento da fam&iacute;lia nesses projectos terap&ecirc;uticos seja bem sucedida &eacute; necess&aacute;rio a adop&ccedil;&atilde;o de processos de comunica&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais enfermeiros/fam&iacute;lias de doentes mentais para o sucesso dessas interac&ccedil;&otilde;es. O estudo que estamos a desenvolver com enfermeiros que trabalham em servi&ccedil;os de internamento de sa&uacute;de mental e psiqui&aacute;trica tem por objectivos:</p>

	    <p>&#45; Identificar de que forma o enfermeiro interv&eacute;m junto das fam&iacute;lias para que estas se sintam apoiadas quando necessitam de ajuda para lidarem com a situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a na fam&iacute;lia.</p>

	    <p>&#45; Obter informa&ccedil;&atilde;o sobre os espa&ccedil;os de tempo que disponibilizam para ouvir as fam&iacute;lias. Trabalhamos com 7 enfermeiros. Recorremos a entrevistas semi&#45;estruturadas. O tratamento dos dados &eacute; feito atrav&eacute;s de an&aacute;lise de conte&uacute;do.</p>

	    <p>O nosso estudo demonstra que:</p>

	    <p>&#45; Os momentos utilizados pelos enfermeiros para comunicar com a fam&iacute;lia visam essencialmente dar informa&ccedil;&otilde;es sobre os procedimentos a ter com o doente ap&oacute;s a alta.</p>

	    <p>&#45; Entendem a fam&iacute;lia como um elemento fundamental para o equil&iacute;brio do doente mas n&atilde;o valorizam o equil&iacute;brio da pr&oacute;pria fam&iacute;lia.</p>

	    <p>&#45; O foco de aten&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros &eacute; o doente identificado.</p>

	    <p>Decorre de uma an&aacute;lise preliminar dos dados que h&aacute; pouca comunica&ccedil;&atilde;o entre enfermeiros e familiares dos doentes internados e quando dialogam &eacute; para obter dados dos doentes ou encaminh&aacute;&#45;los para outros t&eacute;cnicos. &Eacute; importante motivar os enfermeiros a desenvolver processos de comunica&ccedil;&atilde;o junto destas fam&iacute;lias com momentos concretos de ajuda terap&ecirc;utica. Com estes procedimentos acreditamos que se atingir&atilde;o ganhos em sa&uacute;de, observ&aacute;veis pela diminui&ccedil;&atilde;o da ansiedade dos familiares, melhor rela&ccedil;&atilde;o destes com os familiares doentes e, por sua vez, menos internamentos dos doentes identificados.</p>

	

	    <p><b>Palavras&#45;chave:</b> Fam&iacute;lia; Comunica&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica; Enfermagem; Doente mental.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b></p>

	    <p>Mental health in the XXI century will depend on socio&#45;political policies that given the economic climate that exists worldwide will difficult predictions. However, regardless what can happen, it is necessary once and for all to include families in the therapy project developed with the mentally ill.</p>

	    <p>To be successful with family involvement in therapy projects it is necessary to adopt communication processes at an interpersonal level relationship nurses / families of the mentally. The aim of this study with nurses working in mental health and psychiatric units is:</p>

	    <p>&#45; Identify how nurses intervene with families so that they feel supported when they need help to cope with the disease situation in the family.</p>

	    <p>&#45; Information about the length of time used to listen to the families.</p>

	    <p>A sample of seven nurses was studied by semi&#45;structured interviews. Data processing was subjected to content analysis. Our study demonstrates that:</p>

	    <p>&#45; The time used by nurses to communicate with family is essentially aimed at providing information on the procedures to be with the patient after discharge.</p>

	    <p>&#45; They understand the family as a key element for the patient sense of balance, not appreciating the family sense of balance.</p>

	    <p>&#45; The attention focus is the mentally ill patient.</p>

	    <p>Conclusions: there is little communication between nurses and family members of mentally ill patients and when dialogue occurs it is to obtain data of patients or to refer them to other health professionals. It is important to motivate nurses to develop communication processes with these families and real instances of therapeutic help. With these procedures we believe that health gains will be obtain, observable with the decrease of anxiety within the family members, better relationship between patients and their family members, and therefore, fewer hospital admissions.</p>

	

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Family; therapeutic communication; Nurses; mentally ill.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>

	    <p>&Eacute; universalmente aceite que a fam&iacute;lia &eacute; a unidade b&aacute;sica do desenvolvimento humano e onde se vivem as experi&ecirc;ncias de vida fundamentais para o desenvolvimento da personalidade. &Eacute; por isso que se considera a fam&iacute;lia como uma estrutura social importante para o desenvolvimento da sa&uacute;de do indiv&iacute;duo (OMS: 1998; 2002). Alguns estudos sobre a fam&iacute;lia procuram respostas sobre processos extrafamiliares que influenciam as suas din&acirc;micas (Nunes, 1994; McLoyd, 1998). Consideram estes autores que o sofrimento psicol&oacute;gico resultante de um acumular de acontecimentos de vida negativos, nomeadamente a doen&ccedil;a e, dizemos n&oacute;s, concretamente a doen&ccedil;a psiqui&aacute;trica, s&atilde;o factores que influenciam os processos intrafamiliares. Outros factores estranhos &agrave; fam&iacute;lia est&atilde;o, tamb&eacute;m, a acentuar as dificuldades deste grupo social. Cada vez mais os peritos de sa&uacute;de, nomeadamente da OMS, consideram que a sa&uacute;de mental do s&eacute;culo XXI estar&aacute; depende de quadros s&oacute;cio&#45;politicos que se desenvolver&atilde;o a n&iacute;vel mundial. A conjuntura econ&oacute;mica que se verifica nos pa&iacute;ses considerados desenvolvidos, trar&aacute; repercuss&otilde;es para a sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es, sendo estas, no entanto, dif&iacute;ceis de prever. Verifica&#45;se, tamb&eacute;m, cortes nos or&ccedil;amentos da sa&uacute;de para a manuten&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os e nos apoios directos aos doentes e fam&iacute;lias ficando estas quase como &uacute;nico recurso para muitos doentes mentais.</p>

	    <p>Neste contexto &eacute; importante investir&#45;se na sa&uacute;de mental das fam&iacute;lias para que estas sejam capazes de cuidar mais e melhor dos seus familiares doentes para que sejam capazes de fazer as adapta&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias nos processos de transi&ccedil;&atilde;o que as novas situa&ccedil;&otilde;es exigem e para que sejam capazes de responder &agrave;s exig&ecirc;ncias que a sociedade lhes faz enquanto respons&aacute;veis pela socializa&ccedil;&atilde;o dos novos membros e equil&iacute;brio de todos. Torna&#45;se, por isso, necess&aacute;rio que os t&eacute;cnicos de sa&uacute;de, nomeadamente os enfermeiros, estejam atentos e dispon&iacute;veis para manterem um n&iacute;vel de comunica&ccedil;&atilde;o eficaz, um saber ouvir peculiar na arte de bem comunicar com os familiares de doentes mentais para obter ganhos terap&ecirc;uticos em todos os elementos do agregado familiar. Ao propormo&#45;nos encontrar respostas aos objectivos por n&oacute;s tra&ccedil;ados: i) identificar de que forma o enfermeiro interv&eacute;m junto das fam&iacute;lias para que estas se sintam apoiadas quando necessitam de ajuda para lidarem com a situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a na fam&iacute;lia; e ii) obter informa&ccedil;&atilde;o sobre os espa&ccedil;os de tempo que utilizam para ouvir as fam&iacute;lias, estamos a valorizar a comunica&ccedil;&atilde;o no processo terap&ecirc;utico, para que, e atrav&eacute;s do qual, se desenrolem as interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem necess&aacute;rias para ajudar a resolver as dificuldades sentidas pelos familiares.</p>

	    <p>Torna&#45;se cada vez mais importante que se envolvam as fam&iacute;lias no processo terap&ecirc;utico aumentando a quantidade e qualidade das estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o entre elas e os enfermeiros para aumentar as hip&oacute;teses de sucesso no processo terap&ecirc;utico.</p>

	    <p>Uma comunica&ccedil;&atilde;o eficaz tamb&eacute;m refor&ccedil;a na fam&iacute;lia a capacidade de fazer as mudan&ccedil;as que as novas situa&ccedil;&otilde;es exigem para que sejam novamente capazes de responder &agrave;s exig&ecirc;ncias que a sociedade lhes faz enquanto respons&aacute;veis pela socializa&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o dos membros doentes e equil&iacute;brio de todos. Torna&#45;se, por isso, necess&aacute;rio que os enfermeiros, estejam atentos e dispon&iacute;veis para um saber ouvir peculiar na arte de bem comunicar com as familiares de doentes mentais para obter ganhos terap&ecirc;uticos para todos os elementos do agregado familiar. Ao propormo&#45;nos obter informa&ccedil;&atilde;o sobre a comunica&ccedil;&atilde;o que se verifica, durante o processo terap&ecirc;utico, entre o enfermeiro e a fam&iacute;lia do doente identificado estamos a procurar, sobretudo, valorizar a comunica&ccedil;&atilde;o no processo terap&ecirc;utico, para que, atrav&eacute;s dele, se desenrolem as interven&ccedil;&otilde;es de enfermagem necess&aacute;rias para ajudar a resolver as dificuldades sentidas pelos familiares.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>A Comunica&ccedil;&atilde;o com as Fam&iacute;lias de Doentes Mentais</b></p>

	    <p>Na d&eacute;cada de noventa do s&eacute;culo passado houve grande investimento nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de no dom&iacute;nio da humaniza&ccedil;&atilde;o dos cuidados de sa&uacute;de. Nos programas desenvolvidos neste contexto valorizou&#45;se o reconhecimento do doente ou familiar como pessoa &uacute;nica, com necessidades, valores, cultura e cren&ccedil;as espec&iacute;ficas. Este reconhecimento s&oacute; &eacute; demonstr&aacute;vel se se reconhecer que h&aacute; processos de comunica&ccedil;&atilde;o saud&aacute;veis que permitam boas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais para o sucesso do apoio que se espera das fam&iacute;lias.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Plano Nacional de Sa&uacute;de Mental 2007&#45;2016 &eacute; reconhecido o pouco investimento que tem havido a n&iacute;vel da sa&uacute;de mental. No seguimento deste Plano, e para tentar ultrapassar os atrasos que a&iacute; est&atilde;o registados, v&aacute;rias directrizes foram emanadas pela Direc&ccedil;&atilde;o geral de sa&uacute;de sendo algumas delas com cariz Legislativo como o Decreto&#45;Lei n&ordm; 8 de 28 de Janeiro de 2010, uma forma de reconhecer a necessidade urgente de ultrapassar lacunas nesta &aacute;rea, criando um conjunto de unidades e equipas de cuidados integrados de sa&uacute;de mental. No entanto, quando contactamos com a comunidade verificamos que os servi&ccedil;os continuam a funcionar de forma muito semelhante. Pequenas e poucas excep&ccedil;&otilde;es se v&atilde;o notando e estas quase sempre em reg&iacute;men experimental (enquanto os subs&iacute;dios que lhes foram atribu&iacute;dos se mantiverem).</p>

	    <p>Mesmo assim, a nossa experiencia permite&#45;nos afirmar que, comparativamente a um passado recente tem&#45;se verificado uma maior participa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias na presta&ccedil;&atilde;o de cuidados aos doentes mentais. Com todas as dificuldades Hanson (2005) considera que tem sido reconhecido o papel importante das fam&iacute;lias a este n&iacute;vel. No entanto, &eacute; necess&aacute;rio que os enfermeiros se consciencializem que este envolvimento tem um custo que pode ser avaliado pela sobrecarga dos cuidadores, demonstr&aacute;vel atrav&eacute;s de verbaliza&ccedil;&otilde;es dos pr&oacute;prios cuidadores.</p>

	    <p>Tamb&eacute;m se tem verificado que os servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental, tanto os integrados nos hospitais de cuidados gerais, como os de especialidade ou comunit&aacute;rios, "n&atilde;o contribuem tanto como seria desej&aacute;vel para o alivio da sobrecarga das fam&iacute;lias" (Guedes, 2008:46). A autora conclui que "a sobrecarga sentida pelos familiares de pacientes psiqui&aacute;tricos constitui uma dimens&atilde;o importante que deve ser reconhecida pelos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental, atrav&eacute;s de programas de orienta&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o e apoio, visando a diminui&ccedil;&atilde;o do estigma e o melhoramento da qualidade de vida da fam&iacute;lia" (Guedes, 2008: 67). Acreditamos que havendo n&iacute;veis de comunica&ccedil;&atilde;o eficazes consegue atingir&#45;se resultados mais positivos. &Eacute;, no entanto, necess&aacute;rio estar&#45;se atento para o facto da comunica&ccedil;&atilde;o humana ter caracter&iacute;sticas que interferem nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais. &Eacute; um processo que implica emiss&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o de mensagens codificadas com significados para as pessoas intervenientes nas mensagens. &Eacute; um processo pelo qual uma pessoa afecta o comportamento ou estado de esp&iacute;rito do outro (Fiske, 2002).</p>

	    <p>&Eacute; pela comunica&ccedil;&atilde;o que se consegue atingir resultado mais eficazes na humaniza&ccedil;&atilde;o dos cuidados. Toda a comunica&ccedil;&atilde;o, inclusive na n&atilde;o&#45;verbal, implica afeto (Ribeiro, 2005) e &eacute; nesse afecto que o processo de comunica&ccedil;&atilde;o que se desenvolve entre o enfermeiro, o doente e a fam&iacute;lia permite demonstrar atitudes de sensibilidade e de aceita&ccedil;&atilde;o do outro, atitudes que permitem valorizar e investir na sa&uacute;de da fam&iacute;lia que possuem no seu agregado pessoas com doen&ccedil;a mental.</p>

	    <p>Ao escutar a fam&iacute;lia, os enfermeiros podem identificar quais as necessidades que obrigam a uma interven&ccedil;&atilde;o mais imediata. Conseguem ter a percep&ccedil;&atilde;o do impacto da doen&ccedil;a na fam&iacute;lia tanto no que se refere &agrave;s percep&ccedil;&otilde;es da doen&ccedil;a como das altera&ccedil;&otilde;es que esta implica nas altera&ccedil;&otilde;es das rotinas quotidianas (Ori&aacute;; Moraes; e Victor, 2004). O enfermeiro especialista em sa&uacute;de mental e psiqui&aacute;trica ao mobilizar na pr&aacute;tica os saberes e conhecimentos cient&iacute;ficos, t&eacute;cnicos e humanos, demonstrando compet&ecirc;ncias cl&iacute;nicas especializadas, permite que "a pessoa, durante o processo terap&ecirc;utico, viva experi&ecirc;ncias gratificantes quer na rela&ccedil;&atilde;o intrapessoal quer nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais" (Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, Regulamento n&ordm; 129/2011: 8670).</p>

	    <p>Sabemos que a fam&iacute;lia &eacute; um sistema amplo e complexo e ao enfermeiro &eacute; pedido que saiba interagir tanto para obter resultados terap&ecirc;uticos no doente identificado mas tamb&eacute;m para que possa adoptar medidas de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, "demonstrando n&iacute;veis elevados de julgamento cl&iacute;nico e tomada de decis&atilde;o" (Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, Regulamento n&ordm; 129/2011: 8670), junto de todos os elementos que dela fazem parte. Tamb&eacute;m n&atilde;o nos podemos esquecer que as politicas de sa&uacute;de, sejam da OMS, da UE ou nacionais colocam a fam&iacute;lia como foco de interven&ccedil;&atilde;o das medidas terap&ecirc;uticas. Devemos considerar esta centralidade ora pelo seu papel nos diferentes est&aacute;dios do ciclo de vida da fam&iacute;lia, ora enquanto receptora, de cuidados ou atrav&eacute;s de ac&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas que visem a promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de do grupo. Quando a fam&iacute;lia n&atilde;o &eacute; capaz de encontrar formas de resolver os problemas que surgem no seu interior, pode apresentar sinais de descompensa&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica, tais como n&iacute;veis de stress n&atilde;o compat&iacute;veis com a capacidade de resolu&ccedil;&atilde;o desses problemas ou por sinais de sobrecarga emocional ou f&iacute;sica. Para reduzir essa possibilidade, os enfermeiros devem adoptar processos de comunica&ccedil;&atilde;o eficazes. Os momentos de interac&ccedil;&atilde;o permitem a "constru&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo entre a equipe e fam&iacute;lia, demonstrando que esses profissionais valorizam a participa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia e entendam a import&acirc;ncia dessa ser assistida em suas necessidades" (Mielke, Kohlrausch, Olschowsky, e Schneider, 2010: 762). Na rela&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia tem ainda a possibilidade de implementar medidas de educa&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de.</p>

	    <p>Os enfermeiros, ao estimularem o desenvolvimento de um ambiente terap&ecirc;utico, sabem que este ambiente ir&aacute; favorecer as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e, por sua vez, permitir um desenvolvimento pessoal e interpessoal criando condi&ccedil;&otilde;es para que cada elemento da fam&iacute;lia possa desenvolver compet&ecirc;ncias relacionais que favore&ccedil;am a sua capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o em fases de transi&ccedil;&atilde;o.</p>

	    <p>Em suma, consideramos importante que o enfermeiro desenvolva compet&ecirc;ncias comunicacionais eficazes e explore a sua capacidade de escuta activa. &Eacute; importante ter presente que trazer a fam&iacute;lia para o centro dos cuidados &eacute; um desafio para si mas &eacute;&#45;o tamb&eacute;m para a fam&iacute;lia. Isto porque lhe reconhece o papel importante que desempenha no equil&iacute;brio do seu familiar reconhecendo, simultaneamente, que ela pr&oacute;pria pode precisar de ajuda nas fases mais complexas do seu desenvolvimento e nos processos de transi&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de /doen&ccedil;a.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Metodologia</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estudo que desenvolvemos seguiu os pressupostos de uma investiga&ccedil;&atilde;o do tipo explorat&oacute;ria&#45;descritiva. Em todo o percurso foram seguidos os procedimentos &eacute;ticos recomendados na investiga&ccedil;&atilde;o que envolve pessoas, tanto nas institui&ccedil;&otilde;es onde os enfermeiros trabalham como com os pr&oacute;prios enfermeiros, ap&oacute;s os quais fizemos a colheita de dados, sua an&aacute;lise e conclus&otilde;es da&iacute; resultantes.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Participantes</b></p>

	    <p>O universo do nosso estudo integra enfermeiros que trabalham em hospitais psiqui&aacute;tricos e um servi&ccedil;o de psiquiatria de um hospital geral do distrito de Braga. A amostra &eacute; constitu&iacute;da por sete enfermeiros, de idades compreendidas entre os trinta e cinquenta anos. Quatro s&atilde;o do sexo feminino e tr&ecirc;s do sexo masculino. Todos possuem o grau de licenciado ou equivalente legal. Um possui a especialidade de enfermagem em sa&uacute;de mental e psiqui&aacute;trica, outro possui o curso de mestrado em enfermagem de sa&uacute;de mental e psiqui&aacute;trica.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Instrumento de Colheita de Informa&ccedil;&atilde;o</b></p>

	    <p>A escolha de um instrumento de colheita de dados foi mediada pela informa&ccedil;&atilde;o que pretend&iacute;amos obter. Nesse sentido o gui&atilde;o da entrevista foi elaborado por n&oacute;s. As quest&otilde;es colocadas aos enfermeiros visavam obter resposta &agrave;s quest&otilde;es que estavam impl&iacute;citas nos objectivos previamente formulados.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Procedimentos</b></p>

	    <p>Iniciamos a colheita de dados ap&oacute;s a autoriza&ccedil;&atilde;o das Entidades Hospitalares que recebem doentes com patologia mental em reg&iacute;men de internamento completo. Como consideramos que s&oacute; possuidores de toda a informa&ccedil;&atilde;o podemos decidir livremente sobre as op&ccedil;&otilde;es a tomar, aos enfermeiros que aceitaram colaborar connosco foi&#45;lhes apresentado o projecto do estudo e foram informados dos procedimentos a adoptar para a colheita de dados: i) apresentado o gui&atilde;o da entrevista; ii) necessidade de gravar a entrevista; iii) sigilo sobre os dados colhidos; possibilidade de desistirem da colabora&ccedil;&atilde;o; iv) possibilidade de serem novamente contactados se houvesse d&uacute;vida sobre a informa&ccedil;&atilde;o colhida. Ap&oacute;s esta informa&ccedil;&atilde;o foi assinado o documento de consentimento informado.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sendo este um estudo qualitativo de tipo explorat&oacute;rio recorremos a analise de conte&uacute;do seguindo os procedimentos da teoria Fundamentada nos dados de Strauss e Corbin (2008).</p>

	    <p>Numa primeira fase os dados foram analisados com o aux&iacute;lio de um software inform&aacute;tico nvivo8.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Resultados</b></p>

	    <p>Na an&aacute;lise dos dados estiveram sempre subjacente os objectivos do estudo. Ap&oacute;s v&aacute;rias leituras flutuantes</p>

	    <p>emergiram algumas das dificuldades que os enfermeiros enfrentam para lidar com a fam&iacute;lia dos doentes mentais. Estas dificuldades ir&atilde;o reflectir&#45;se nas interven&ccedil;&otilde;es de promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de que consideramos necess&aacute;rias para que as fam&iacute;lias possam lidar com a situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a do seu familiar com um n&iacute;vel de equil&iacute;brio que lhes permita manter a integra&ccedil;&atilde;o social e familiar sem conflitos e de forma que possam sentir&#45;se &uacute;teis e integrados no meio em que vivem.</p>

	    <p>Tornou&#45;se evidente que um dos aspectos mais prejudicados no dia a dia do enfermeiro na rela&ccedil;&atilde;o com os familiares dos doentes centra&#45;se na comunica&ccedil;&atilde;o. Aparentemente os enfermeiros n&atilde;o demonstram uma atitude pr&oacute;&#45;activa, apenas reactiva como podemos confirmar no seguinte extracto "&Agrave; medida que a fam&iacute;lia vem ter comigo tenho necessidade de introduzir com eles algum esclarecimento para o apoio ao doente quando sair do internamento" (E1), ou "eu conheci a senhora e por acaso a senhora aproximou&#45;se de mim" (E1). Aparentemente os enfermeiros manifestam alguma dificuldade de mobilizar para a cl&iacute;nica alguns saberes e conhecimentos cient&iacute;ficos, t&eacute;cnicos e humanos que lhe possibilitassem fazer um julgamento e tomada de decis&atilde;o consent&acirc;nea com a situa&ccedil;&atilde;o. Parece&#45;nos ser eticamente que actue porque "por acaso a senhora aproximou&#45;se de mim". Um julgamento cl&iacute;nico para uma tomada de decis&atilde;o adequada a cada caso implica uma observa&ccedil;&atilde;o atenta, uma interpela&ccedil;&atilde;o das pessoas, uma antecipa&ccedil;&atilde;o na identifica&ccedil;&atilde;o das necessidades das pessoas.</p>

	    <p>Ao trabalhar com fam&iacute;lias o enfermeiro precisa conhecer os padr&otilde;es de interac&ccedil;&atilde;o que se verificam entre os v&aacute;rios elementos. A fam&iacute;lia, enquanto composta por v&aacute;rios elementos, tem de ser vista como v&aacute;rios membros em interac&ccedil;&atilde;o. Wright &amp; Leahey (2002) consideram que os indiv&iacute;duos s&atilde;o melhor compreendidos no seu contexto social. Este contexto, sendo dif&iacute;cil de recriar, pode ser observado na interac&ccedil;&atilde;o entre os seus membros e atrav&eacute;s do impacto que se observa nas express&otilde;es n&atilde;o&#45;verbais quando se questiona um elemento da fam&iacute;lia em presen&ccedil;a dos restantes ou pelo menos, dos significativos. Ser&aacute;, por isso, de todo conveniente ajustar&#45;se tempo e espa&ccedil;o para que se possam realizar encontros entre o familiar doente, outros familiares e o enfermeiro para obten&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o importante sobre os padr&otilde;es de comportamento da fam&iacute;lia, ou seja, de express&otilde;es que manifestam por comportamentos verbais ou n&atilde;o&#45;verbais que possam contribuir para uma abordagem terap&ecirc;utica com vista a uma melhor qualidade de vida de todo o agregado. Na resposta a esta necessidade, ainda que identificada "entendo que a fam&iacute;lia &eacute; um complemento important&iacute;ssimo e basilar na compensa&ccedil;&atilde;o e no estadio do equil&iacute;brio que o doente deve vivenciar fora do contexto do internamento" (E3), dificilmente obt&eacute;m os resultados desejados porque "n&oacute;s interagimos com a fam&iacute;lia e procuramos, sen&atilde;o com a presen&ccedil;a f&iacute;sica pelo menos via telefone" (E3). Ao aceitar o contacto telef&oacute;nico como uma via salutar para promover a sa&uacute;de dos elementos da fam&iacute;lia, corre&#45;se o risco de identificar as suas necessidades atrav&eacute;s de uma vis&atilde;o limitada e parecendo que a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o aceit&aacute;vel para aquela fam&iacute;lia &eacute; "A ajuda que eles pedem &eacute; para prolongar os internamentos" (E3).</p>

	    <p>As consequ&ecirc;ncias de uma alta indesejada por parte dos familiares poderia ser melhorada se estivessem implantados na comunidade os cuidados integrados em sa&uacute;de mental para se evitar que "O doente quando est&aacute; aqui internado e vai embora, vai com acompanhamento familiar mas h&aacute; muito pouco acompanhamento domicili&aacute;rio (E3). Outras vezes as fam&iacute;lias "nem sabem os recursos a que t&ecirc;m direito"(E3). Este desconhecimento favorece a que "Muitas vezes n&oacute;s temos c&aacute; um doente um m&ecirc;s, dois meses, tr&ecirc;s, est&aacute; equilibrado, vai para o exterior e passado pouco tempo est&aacute; c&aacute; novamente porque n&atilde;o tem os apoios devidos". Atribuem&#45;se responsabilidades para todos os lados "(...) &eacute; da fam&iacute;lia, da comunidade, &eacute; em termos de psiquiatria, (...) nunca h&aacute; respostas" (E4). O regulamento de compet&ecirc;ncias especificas do enfermeiro especialista em enfermagem de sa&uacute;de mental prev&ecirc; que o enfermeiro forne&ccedil;a antecipadamente orienta&ccedil;&otilde;es para promover a sa&uacute;de mental e prevenir ou reduzir o risco de perturba&ccedil;&otilde;es mentais (RCEEEESM, 2010). Pode dizer&#45;se que nem todos os enfermeiros que trabalham nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental e psiquiatria sejam especialistas. No entanto, os que existem devem fazer os planos adequados, orientar os enfermeiros de cuidados gerais e acreditar que h&aacute; compet&ecirc;ncias que se desenvolvem em contexto da cl&iacute;nica, essencialmente quando o processo de cuidados se caracteriza pela mobiliza&ccedil;&atilde;o de boas pr&aacute;ticas.</p>

	    <p>A pr&aacute;tica do enfermeiro est&aacute; muitas vezes condicionada pela manuten&ccedil;&atilde;o do status quo. Encontramos express&otilde;es que nos lembram os escritos do meio do s&eacute;culo XX quando se come&ccedil;ava a delinear a import&acirc;ncia da fam&iacute;lia na recupera&ccedil;&atilde;o do doente mental "N&oacute;s tentamos ver o doente enquadrado no seu meio, da&iacute; que tentamos sempre que poss&iacute;vel, englobar a fam&iacute;lia, embora nesta unidade nem sempre isso &eacute; poss&iacute;vel (...) &eacute; parte integrante do doente e mesmo quando surgem d&uacute;vidas n&oacute;s telefonamos &agrave; fam&iacute;lia" (E6). Este nosso entender &eacute; refor&ccedil;ado quando ouvimos "A minha rela&ccedil;&atilde;o com os familiares &eacute; mais na parte da alta (...) Procuramos fazer ensinos, nomeadamente aquando da alta" (E6). Estas medidas de interven&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tamb&eacute;m confirmadas por outros enfermeiros.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Discuss&atilde;o dos Resultados</b></p>

	    <p>O enfermeiro tem necessidade de desenvolver habilidades que lhe permita fazer observa&ccedil;&otilde;es relevantes quando trabalha com fam&iacute;lias (Wright e Leahey, 2002). Segundo as autoras &eacute; importante que saiba reconhecer que as interven&ccedil;&otilde;es junto da fam&iacute;lia podem estar condicionadas pela rela&ccedil;&atilde;o que existe entre os seus membros. No entanto, independentemente dessa interrela&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio reconhecer que as fam&iacute;lias que passam por qualquer situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a precisam, geralmente, de algum tipo de ajuda. Os desajustes &agrave;s rotinas do dia&#45;a&#45;dia s&atilde;o mais dif&iacute;ceis quando se trata de doen&ccedil;a mental. Ao analisarmos o conte&uacute;do das entrevista emerge a no&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o reconhecem os limites da sua interven&ccedil;&atilde;o, como demonstram as palavras de E1: "a pr&oacute;pria fam&iacute;lia &agrave;s vezes tem... precisa de apoios exteriores a eles. Da&iacute;, &agrave;s vezes, t&ecirc;m algumas dificuldades e da&iacute; eles pedem ajuda. &Agrave;s vezes pedimos n&oacute;s em documento oficial, para estudar o caso de cada doente...". O enfermeiro n&atilde;o pode ficar apenas como mediador entre os v&aacute;rios t&eacute;cnicos de sa&uacute;de na ajuda &agrave; fam&iacute;lia. Pode e deve ser interventivo, desenvolver compet&ecirc;ncias de interven&ccedil;&atilde;o junto da fam&iacute;lia para que possa cuidar a fam&iacute;lia neste processo de transi&ccedil;&atilde;o.</p>

	    <p>O enfermeiro &eacute; um mediador nos processos de interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica ajudando a criar sinergias necess&aacute;rias &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o dos membros da fam&iacute;lia &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;a. Por isso, &eacute;&#45;lhe pedido que acompanhe e execute projectos de investiga&ccedil;&atilde;o que validem as suas interven&ccedil;&otilde;es e lhe proporcione um permanente desenvolvimento das suas compet&ecirc;ncias comunicacionais e interven&ccedil;&otilde;es baseadas em evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas.</p>

	    <p>Se s&atilde;o capazes de identificar algumas necessidades das fam&iacute;lias pois referem que "Pedem ajuda, nomeadamente com o tipo de cuidados que precisam de prestar ao doente" (E7), continuando "A maior necessidade que eles t&ecirc;m &eacute; de informa&ccedil;&atilde;o. O que &eacute; que se pode fazer; o que &eacute; que se pode fazer; o que resulta o que n&atilde;o resulta; que tipo de comportamento podem adoptar; &agrave;s vezes aquele que parece correcto &eacute; o menos terap&ecirc;utico" (E7), n&atilde;o &eacute; deontologicamente correcto que se afirme "Em termos pr&aacute;ticos s&atilde;o cuidados dirigidos ao doente por falta de recursos humanos e de tempo. Penso que h&aacute; falta de tempo para nos sentarmos com os familiares" (E7).</p>

	    <p>De acordo com o Decreto&#45;Lei n&ordm; 8/2010, de 26 de Janeiro, o enfermeiro, enquanto membro activo nas equipas de cuidados continuados integrados de sa&uacute;de mental &eacute; respons&aacute;vel pela promo&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o das capacidades das fam&iacute;lias, habilitando&#45;as a lidar com as situa&ccedil;&otilde;es decorrentes das incapacidades causadas pela doen&ccedil;a.</p>

	    <p>Cabe ao enfermeiro avaliar a fam&iacute;lia e ajud&aacute;&#45;la na procura de solu&ccedil;&otilde;es e estrat&eacute;gias para lidar com as duvidas, o preconceito, o estigma e toda a incerteza que a doen&ccedil;a mental pode implicar.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>

	    <p>As actuais pol&iacute;ticas econ&oacute;micas n&atilde;o s&atilde;o favor&aacute;veis &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o das medidas preconizadas na legisla&ccedil;&atilde;o vigente. N&atilde;o encontramos cuidados continuados em psiquiatria. O doente que &eacute; internado em situa&ccedil;&atilde;o aguda, ao ter alta do servi&ccedil;o onde esteve internado vai directamente para o seu domic&iacute;lio sem uma avalia&ccedil;&atilde;o adequada das condi&ccedil;&otilde;es do seu grupo familiar e das condi&ccedil;&otilde;es que o meio lhe propicia. Os familiares vivem muitas vezes situa&ccedil;&otilde;es complicadas que passam desde n&atilde;o aceitarem a doen&ccedil;a, a sentirem o estigma social, por condi&ccedil;&otilde;es estruturais da pr&oacute;pria fam&iacute;lia que lhes dificulta a conviv&ecirc;ncia (Gomes, Martins e Amendoeira, 2011). Muitas vezes t&ecirc;m necessidade de se reorganizarem relativamente &agrave;s suas rotinas, &agrave;s dificuldades financeiras, ao desgaste f&iacute;sico e emocional causado pela conviv&ecirc;ncia e pelos cuidados que v&atilde;o prestando ao doente. Aos enfermeiros &eacute; pedido que saibam identificar os momentos em que se devem aproximar da fam&iacute;lia para que esta sinta abertura para colocarem estas ou outras dificuldades e para que possam analisar cada situa&ccedil;&atilde;o per si pois cada fam&iacute;lia tem necessidades e caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas. As interven&ccedil;&otilde;es planeadas para intervir na fam&iacute;lia devem considerar o fortalecimento das rela&ccedil;&otilde;es familiares porque, al&eacute;m de facilitarem as abordagens ao doente, nomeadamente a sua ades&atilde;o terap&ecirc;utica, permitem evitar novas poss&iacute;veis crises na fam&iacute;lia. J&aacute; noutros estudos feitos junto de fam&iacute;lias com doentes mentais como os de Colvero (2004), confirmaram que as ac&ccedil;&otilde;es dirigidas &agrave; fam&iacute;lia permitiram melhorar o relacionamento entre os familiares e os doentes, aumentaram o n&iacute;vel de ades&atilde;o ao tratamento e manifestaram atitudes mais positivas perante a vida (Colvero, 2004). &Eacute; neste sentido que se torna importante desenvolver&#45;se compet&ecirc;ncias comunicacionais na &aacute;rea da sa&uacute;de mental, onde se valorize a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o verbal, se saiba interpretar o n&atilde;o dito, se saiba dar um significado &agrave;s mensagens da fam&iacute;lia. A comunica&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental n&atilde;o fica limitada &agrave; exist&ecirc;ncia de um emissor e de um receptor. &Eacute; um processo interactivo que envolve sentimentos e do qual se espera que existam mudan&ccedil;as nas pessoas envolvida.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, face ao que observamos, e reportando&#45;nos aos objectivos que oportunamente enunciamos, cabe&#45;nos dizer que &eacute; necess&aacute;rio fazer&#45;se muito trabalho a este n&iacute;vel nos servi&ccedil;os de psiquiatria para que as fam&iacute;lias recebam a aten&ccedil;&atilde;o que merecem e precisam. Identificamos que o enfermeiro s&oacute; interv&eacute;m junto das fam&iacute;lias se estas se dirigem a eles. Se as fam&iacute;lias n&atilde;o os procuram, a abordagem &eacute; feita quase exclusivamente no momento da alta e apenas para entregar a carta dirigida ao m&eacute;dico que vai dar continuidade aos cuidados em consultas de ambulat&oacute;rio e as receitas dos psicof&aacute;rmacos que ir&atilde;o continuar a ser administrados ao doente no domic&iacute;lio. Acreditamos que muitas vezes n&atilde;o o fazem ora por vergonha ora por receio de lhes ser atribu&iacute;da a responsabilidade da doen&ccedil;a do seu familiar e da n&atilde;o ades&atilde;o terap&ecirc;utica do doente. Recordamos que noutro estudo feito por n&oacute;s t&iacute;nhamos observado que "as fam&iacute;lias revelam n&atilde;o saber o que fazer porque n&atilde;o sabem nada sobre a doen&ccedil;a ou sobre com o lidar com o familiar" (Gomes, Martins e Amendoeira, 2011). Face ao primeiro objectivo parece que o enfermeiro se esquece que investir na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de mental das fam&iacute;lias com pessoas doentes mentais, ajudando&#45;as a fazer as adapta&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias nos processos de transi&ccedil;&atilde;o que as novas situa&ccedil;&otilde;es exigem e a serem capazes de responder &agrave;s exig&ecirc;ncias que a sociedade lhes faz enquanto respons&aacute;veis pela socializa&ccedil;&atilde;o dos novos membros e equil&iacute;brio de todos pode ser feito atrav&eacute;s de interven&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas como disponibilizar&#45;se para as ouvir. Relativamente ao segundo objectivo averiguamos que s&atilde;o muito poucos os momentos dedicados a esse fim. Para comunicar &eacute; preciso estar presente e os enfermeiros manifestam alguma dificuldade na gest&atilde;o do tempo para as interven&ccedil;&otilde;es terap&ecirc;uticas mais direccionadas aos familiares. Esta conclus&atilde;o surge de express&otilde;es como a de um enfermeiro: "Penso que h&aacute; falta de tempo para nos sentarmos com os familiares" (E7). Neste sentido tamb&eacute;m &eacute; importante recorrer&#45;se de outras estruturas, nomeadamente a rede de cuidados continuados em sa&uacute;de mental. Talvez n&atilde;o estejam ainda implantados como a legisla&ccedil;&atilde;o preconiza mas tamb&eacute;m &eacute; verdade que se pode come&ccedil;ar a implementar medidas desde que haja vontade de quem est&aacute; nos contextos da pr&aacute;tica. &Eacute; aqui, essencialmente, que actuam os enfermeiros de fam&iacute;lia numa filosofia de enfermagem de fam&iacute;lia que &eacute; "... o processo de cuidar das necessidades da sa&uacute;de das fam&iacute;lias (...) e tem por objectivo a fam&iacute;lia como contexto, a fam&iacute;lia como um todo, a fam&iacute;lia como um sistema ou a fam&iacute;lia como uma componente da sociedade" (Hanson, 2005:8).</p>

	    <p>Neste contexto o enfermeiro de sa&uacute;de mental tem necessidade de se focar "na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de mental, na preven&ccedil;&atilde;o, no diagn&oacute;stico e na interven&ccedil;&atilde;o perante respostas humanas desajustadas ou desadaptadas aos processos de transi&ccedil;&atilde;o, geradores de sofrimento, altera&ccedil;&atilde;o ou doen&ccedil;a mental" (Regulamento n&ordm; 129/2011) atrav&eacute;s de processos de comunica&ccedil;&atilde;o eficazes.</p>

	    <p>Todo o investimento que &eacute; feito com a fam&iacute;lia em termos de sa&uacute;de n&atilde;o &eacute; um direito da fam&iacute;lia, &eacute; um recurso que vai ser &uacute;til para melhorar a sua qualidade de vida e, por isso, a sua sa&uacute;de mental.</p>

	    <p>Por isso os enfermeiros devem reflectir sobre os seus procedimentos junto deste grupo de risco. Parece&#45;nos importante, e necess&aacute;rio, investir na forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua orientada para o conhecimento das fam&iacute;lias, das suas singularidades e das novas pol&iacute;ticas de sa&uacute;de que prop&otilde;em uma actua&ccedil;&atilde;o onde a fam&iacute;lia &eacute; o centro da aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de. N&atilde;o &eacute; suficiente mobilizar recursos pessoais e do meio para agir eficazmente.</p>

	    <p>&Eacute; importante que as entidades de sa&uacute;de se consciencializem que o ensino de enfermagem nos cursos de licenciatura n&atilde;o &eacute; suficiente para munir os enfermeiros das compet&ecirc;ncias complexas para trabalhar nesta &aacute;rea. As equipas de enfermagem devem ser constitu&iacute;das por enfermeiros de cuidados gerais sem prescindir de um n&uacute;mero, que deve ser avaliado em cada servi&ccedil;o, de enfermeiros com forma&ccedil;&atilde;o especializada em sa&uacute;de mental e psiqui&aacute;trica, cursos que devem privilegiar os cuidados &agrave;s fam&iacute;lias contemplando a sua singularidade na diversidade cultural.</p>

	    <p>No entanto, toda a forma&ccedil;&atilde;o que o enfermeiro possa adquirir s&oacute; ter&aacute; sentido se conseguir fazer a sua transferibilidade para os contextos da pr&aacute;tica, adaptados a cada situa&ccedil;&atilde;o concreta.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>

	    <!-- ref --><p>Amendoeira, J. (2006). Enfermagem, disciplina do conhecimento. Sinais Vitais, 67, 19&#45;27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1647-2160201200010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Benner, P. (1995). De novice &agrave; expert: excellence en soins infermmiers. Paris: InterEdicions.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S1647-2160201200010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Bomar, J. P. (1996). Nurses and family health promotion: Concepts, assessment, and interventions. (2&ordf; ed.). Philadelphia: W.B. Saunders, 3&#45;37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S1647-2160201200010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Colvero,L.A., Ide, C.A.C.; &amp; Rolim, A. A. (2004). Fam&iacute;lia e doen&ccedil;a mental: A dif&iacute;cil conviv&ecirc;ncia com a diferen&ccedil;a. Rev Esc Enferm USP 38(2), 197&#45;205.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S1647-2160201200010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Comiss&atilde;o das Comunidades Europeias (2005). Melhorar a sa&uacute;de mental da popula&ccedil;&atilde;o: rumo a uma estrat&eacute;gia de sa&uacute;de mental para a Uni&atilde;o Europeia: Livro verde. Bruxelas: Uni&atilde;o Europeia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S1647-2160201200010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Comit&eacute; Econ&oacute;mico e Social Europeu (2006). Melhorar a sa&uacute;de mental da popula&ccedil;&atilde;o: rumo a uma estrat&eacute;gia de sa&uacute;de mental para a Uni&atilde;o Europeia: Parecer sobre o Livro verde. Bruxelas: Uni&atilde;o Europeia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S1647-2160201200010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica, 2&ordf; s&eacute;rie &#151; N&ordm; 35 &#151; 18 de Fevereiro de 2011. Regulamento n&ordm; 129/2011: Regulamento das Compet&ecirc;ncias Espec&iacute;ficas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Sa&uacute;de Mental.</p>

	    <!-- ref --><p>Fawcett, J. (2000). Analysis and evaluation of contemporary nursing knowledge: Nursing models and theories. Philadelphia: F. A. Davis Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1647-2160201200010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Fiske, J. (1993). Introdu&ccedil;&atilde;o ao estudo da comunica&ccedil;&atilde;o humana. Lisboa: Asa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1647-2160201200010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Friedemann, M. (1999). The concept of family nursing. In G. Wegner &amp; R. Alexander, Readings in family nursing (pp.13&#45;22). Philadelphia: J.B. Lippincott Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1647-2160201200010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Hanson, S. (2005). Enfermagem de cuidados de sa&uacute;de &agrave; fam&iacute;lia, (2&ordf; ed.). Loures: Lusoci&ecirc;ncia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1647-2160201200010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>International Council of Nurses. (2006). Classifica&ccedil;&atilde;o internacional para a pr&aacute;tica de enfermagem: Vers&atilde;o 1.0. Lisboa: Ordem dos Enfermeiros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1647-2160201200010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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	    <!-- ref --><p>Marsh, D.T. (1992). Families and Mental Illness: New directions in professional practice. New York: Praeger.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1647-2160201200010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 06.12.2011</p>

	    <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 30.04.2012</p>
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