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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The way each addict lives in day to day life, is something that should be particularly perceived by caregivers because they will be better prepared to care for. Sometimes the prior construction by the health technicians that drug users have poor quality of life and poor mental health can removes them from their perception of the other goals. Therefore, we must revisit these subjective concepts and evaluate how each one perceived and self assess their status in determining time. We analyzed the relationship between quality of life and mental health perception, in a systematic random sample of 180 opiate addicts, integrated into a methadone maintenance program and accepted to answer formulated question from two instruments. We use a tool that allows us to evaluate the quality of life self perception - Quality of life evaluation in drug addicts in methadone substitution program scale (Pacheco, Murcho, & Jesus, 2005) and the mental health assessment - MHI-5 (Mental Health Inventory 5) (J Ribeiro, 2001). It is a quantitative, descriptive, and correlational cross-sectional study. The mostly population male (n = 132, 73.3%), with a mean age of 41.06 (SD = 7.58), in terms of education 31 (17.2%) had more than 9 years, employment status 55 (30.6%) were employed, 128 (71.1%) maintain drug consumption and 153 (85%) have some type of comorbidities. The Quality of life result was Md = 67 (P58-73) the equivalent to 76.8% on a scale with a range of 21-84 and Mental Health was Md = 19 (P15,2 -23) equivalent to 53.52% on a scale with a range of 5-30. Using the Spearman test a moderately positive significant correlation was obtained (r = 342, p <0.001). We conclude that this drug addict population has quality of life and mental health positive values and those who have a better quality of life perception have better mental health.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Qualidade de vida]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p><b>Qualidade de Vida e Sa&uacute;de Mental em Consumidores de Drogas: Que Rela&ccedil;&atilde;o?</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Paulo Seabra*;</b> <b>Jos&eacute; Amendoeira**; Lu&iacute;s S&aacute;***</b></p>

	    <p>*Doutorando em Enfermagem na UCP; Professor Assistente; Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de &#150; Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa; CIIS (Centre for Interdisciplinar Research in Health, UCP), <a href="mailto:pauloseabra@ics.lisboa.ucp.pt">pauloseabra@ics.lisboa.ucp.pt</a></p>

	    <p>**Professor Coordenador, Instituto Polit&eacute;cnico de Santar&eacute;m; CIIS (Centre for Interdisciplinar Research in Health, UCP), <a href="mailto:jose.amendoeira@essaude.ipsantarem.pt">jose.amendoeira@essaude.ipsantarem.pt</a></p>

	    <p>***Professor Auxiliar, Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de &#150; UCP; CIIS (Centre for Interdisciplinar Research in Health, UCP), <a href="mailto:lsa@porto.ucp.pt">lsa@porto.ucp.pt</a></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>
	
	    <p><b>RESUMO</b></p>

	    <p>A forma como cada pessoa que consome drogas vive no dia&#45;a&#45;dia &eacute; algo que deve ser particularmente percebido pelos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de, pois assim, estar&atilde;o melhor preparados para cuidar. Por vezes, a pr&eacute;via constru&ccedil;&atilde;o por parte dos t&eacute;cnicos, que os consumidores de drogas t&ecirc;m baixa qualidade de vida e pouca sa&uacute;de mental, pode afasta&#45;los dos seus objetivos de perce&ccedil;&atilde;o do outro. Importa portanto, revisitar estes conceitos subjetivos e avaliar a forma como cada um perceciona e auto avalia o seu estado em determinando momento.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Analisamos a rela&ccedil;&atilde;o entre, a perce&ccedil;&atilde;o da Qualidade de Vida e Sa&uacute;de mental numa amostra aleat&oacute;ria sistem&aacute;tica de 180 dependentes de opi&aacute;ceos, integrados num programa de manuten&ccedil;&atilde;o com metadona e que aceitaram responder &agrave;s quest&otilde;es formuladas a partir de dois instrumentos. Utilizamos um instrumento que nos permite avaliar a auto perce&ccedil;&atilde;o da Qualidade de vida &#45; Escala de avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida nos consumidores de subst&acirc;ncias em programa de substitui&ccedil;&atilde;o com metadona (Pacheco, Murcho, &amp; Jesus, 2005) e outro que nos permite avaliar a Sa&uacute;de mental &#45; <u>MHI&#45;5 (Mental Health Inventory 5)</u> <b>(</b>Ribeiro, 2001). &Eacute; um estudo quantitativo, descritivo, correlacional, com uma abordagem transversal.</p>

	    <p>A popula&ccedil;&atilde;o &eacute; essencialmente masculina (n=132, 73,3%), com uma m&eacute;dia de idade 41.06 (dp=7,58), em termos de escolaridade 31 (17,2%) tinham mais que o 9&ordm; ano, situa&ccedil;&atilde;o laboral 55 (30,6%) estavam empregados, 128 (71,1%) mant&ecirc;m consumos de subst&acirc;ncias e 153 (85%) apresentam algum tipo de comorbilidades.</p>

	    <p>O resultado apurado na amostra, para a Qualidade de Vida foi Md= 67 (P<sub>58&#45;73</sub>) o equivale a 76,8% numa escala que admite um intervalo de 21&#45;84 e para a Sa&uacute;de Mental foi Md=19 (P<sub>15,2&#45;23</sub>) o que equivale a 53,52% numa escala que admite um intervalo de 5&#45;30. Utilizando o teste de Spearman obtivemos uma correla&ccedil;&atilde;o positiva moderadamente significativa (r=,342; p&lt;0.001).</p>

	    <p>Podemos concluir que esta popula&ccedil;&atilde;o consumidora de drogas apresenta valores positivos de qualidade de vida e sa&uacute;de mental e os que percecionam melhor qualidade de vida tem melhor sa&uacute;de mental.</p>

	    <p><b>Palavras&#45;Chave:</b> Qualidade de vida; Sa&uacute;de mental; Enfermagem; Resultados em sa&uacute;de</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>
	
	    <p><b>ABSTRACT</b></p>

	    <p>The way each addict lives in day to day life, is something that should be particularly perceived by caregivers because they will be better prepared to care for. Sometimes the prior construction by the health technicians that drug users have poor quality of life and poor mental health can removes them from their perception of the other goals. Therefore, we must revisit these subjective concepts and evaluate how each one perceived and self assess their status in determining time.</p>

	    <p>We analyzedthe relationship between quality of life and mental health perception, in a systematic random sample of 180 opiate addicts, integrated into a methadone maintenance program and accepted to answer formulated question from two instruments. We use a tool that allows us to evaluate the quality of life self perception &#45; Quality of life evaluation in drug addicts in methadone substitution program scale (Pacheco, Murcho, &amp; Jesus, 2005) and the mental health assessment &#45; MHI&#45;5 (Mental Health Inventory 5) (J Ribeiro, 2001). It is a quantitative, descriptive, and correlational cross&#45;sectional study.</p>

	    <p>The mostly populationmale (n = 132, 73.3%), with a mean age of 41.06 (SD = 7.58), in terms of education 31 (17.2%) had more than 9 years, employment status 55 (30.6%) were employed, 128 (71.1%) maintain drug consumption and 153 (85%) have some type of comorbidities.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The Quality of life result was Md = 67 (P<sub>58&#45;73</sub>) the equivalent to 76.8% on a scale with a range of 21&#45;84 and Mental Health was Md = 19 (P<sub>15,2 &#45;23</sub>) equivalent to 53.52% on a scale with a range of 5&#45;30. Using the Spearman test a moderately positive significant correlation was obtained (r = 342, p &lt;0.001).</p>

	    <p>We conclude that this drug addict population has quality of life and mental health positive values and those who have a better quality of life perception have better mental health.</p>

	    <p><b>Keywords:</b> Quality of life; Mental health; Nursing; Health outcomes</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>

	    <p>A reflex&atilde;o e aprofundamento dos estudos relacionados com a qualidade dos cuidados de sa&uacute;de tiveram particular contributo, com os estudos iniciados no final do s&eacute;culo passado, sobre a efetividade do papel dos profissionais nos resultados em sa&uacute;de obtidos pelas pessoas. Procura&#45;se aprofundar o conhecimento sobre alguns fatores que efetivamente se relacionam com a forma como as pessoas vivem o seu dia&#45;a&#45;dia. Estes dados, relacionados com a sa&uacute;de das pessoas, podem ser avaliados atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o entre alguns determinantes e a qualidade de vida (QV) (Doran D., 2011).</p>

	    <p>Ao direcionarmos a nossa aten&ccedil;&atilde;o aos consumidores de drogas, deparamos com uma popula&ccedil;&atilde;o caracterizada por aspetos particulares, por dificuldades na sua viv&ecirc;ncia social e familiar, por sofrimento emocional e com uma forma de vida geradora de "inquieta&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncias" na popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consumidora, e que por tudo isto, requer mais pesquisa sobre a forma como percecionam a sua vida para al&eacute;m dos indicadores mais tradicionais como a abstin&ecirc;ncia e o abandono de determinados comportamentos (Escudeiro, Lamach&atilde;, Freitas, &amp; Silva, 2006).</p>

	    <p>A popula&ccedil;&atilde;o consumidora de drogas que recorre aos servi&ccedil;os de assist&ecirc;ncia especializada apresenta caracter&iacute;sticas que se foram alterando. Apresentam&#45;se mais velhos, com mais e diferentes necessidades em sa&uacute;de (Cook, Epperson, &amp; al., 2005; Beynon, McVeigh, &amp; Roe, 2007; Roe &amp; Beynon, 2010). Estudos longitudinais demonstram uma natureza cr&oacute;nica desta doen&ccedil;a (Torrens, 2008; Conway, Levy, &amp; Vanyukov, 2010; Nyamathi, Nandy, Greengold, &amp; al., 2010).&nbsp;</p>

	    <p>A principal subst&acirc;ncia consumida por esta popula&ccedil;&atilde;o (em Portugal) continua a ser a hero&iacute;na (maioritariamente numa perspetiva de policonsumos) e a resposta terap&ecirc;utica mais desenvolvida &eacute; uma abordagem psicossocial, de matriz multidisciplinar, conjuntamente com a interven&ccedil;&atilde;o medicamentosa com cloridrato de metadona (IDT, 2012).</p>

	    <p>O envelhecimento desta popula&ccedil;&atilde;o traz consigo a preocupa&ccedil;&atilde;o com as suas morbilidades e comorbilidades, que sabemos ser superior &agrave; popula&ccedil;&atilde;o em geral (Roe &amp; Beynon, 2010) e com os seus problemas sociais. Os fatores determinantes encontrados, para as necessidades em sa&uacute;de nas faixas et&aacute;rias mais elevadas s&atilde;o: o policonsumo, as comorbilidades e os fatores relacionados com o envelhecimento. Estes condicionam tamb&eacute;m as interven&ccedil;&otilde;es dos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de (Seabra &amp; S&aacute;, 2011).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As comorbilidades f&iacute;sicas e ps&iacute;quicas (presentes em 70% da popula&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o respons&aacute;veis pelo aumento das incapacidades associadas ao consumo de drogas (Machado &amp; Klein, 2005; Almeida &amp; Vieira, 2005; Nyamathi, Shoptaw, Cohen, &amp; al., 2010) e consequentemente pela diminui&ccedil;&atilde;o da sua QV.</p>

	    <p>Na literatura, verificamos que ao estarem integrados nos centros de tratamento e nos programas medicamentosos, os doentes melhoram a sua QV (Pacheco, Murcho, &amp; Jesus, 2005; Astal, Salvany, Buenaventura, Tato, &amp; Torrens, 2008; Murcho &amp; Pereira, 2011; IDT, 2012). Mas, definir QV n&atilde;o &eacute; tarefa simples. O conceito &eacute; amb&iacute;guo, lato, vol&uacute;vel e difere de cultura para cultura, de &eacute;poca para &eacute;poca, de pessoa para pessoa e at&eacute; num mesmo individuo se modifica com o decorrer do tempo (Leal, 2008).</p>

	    <p>O constructo te&oacute;rico dos instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida prov&eacute;m maioritariamente do referencial te&oacute;rico da organiza&ccedil;&atilde;o mundial de sa&uacute;de (WHOQOL, 1995). No entanto, t&ecirc;m sido desenvolvidas escalas de avalia&ccedil;&atilde;o de QV agregando indiv&iacute;duos que apresentem o mesmo diagn&oacute;stico m&eacute;dico, como estrat&eacute;gia para a comparabilidade.</p>

	    <p>Uma particularidade nesta popula&ccedil;&atilde;o, quando se faz a reflex&atilde;o sobre alguns indicadores, &eacute; que nem sempre a redu&ccedil;&atilde;o dos consumos corresponde a mais QV. As melhorias podem ser significativas apenas depois de algum tempo e para muitos, os consumos n&atilde;o interferem na sua QV (Ashton, 2003).</p>

	    <p>Podemos definir QV como a perce&ccedil;&atilde;o &uacute;nica e pessoal, marcada por muitos fatores interrelacionados, como a situa&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica, o clima pol&iacute;tico, os fatores ambientais, a habita&ccedil;&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o, o emprego, entre outros. Os cuidados de sa&uacute;de n&atilde;o podem alterar os fatores que contribuem para a qualidade de vida, mas estes inevitavelmente afetam o estado de sa&uacute;de (WHOQOL, 1995). QV relacionada com a sa&uacute;de &eacute; um subconjunto dos aspetos de QV, relacionados na exist&ecirc;ncia individual, com o dom&iacute;nio da sa&uacute;de.</p>

	    <p>Quando aprofundamos a defini&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de Mental (SM), encontramos outro conceito subjetivo. Relaciona&#45;se com a QV cognitiva, emocional e com a aus&ecirc;ncia de doen&ccedil;a mental. Inclui a capacidade para apreciar a vida e proporciona um equil&iacute;brio entre as atividades e os esfor&ccedil;os para atingir a resili&ecirc;ncia psicol&oacute;gica (S&aacute;, 2010).</p>

	    <p>Ao analisarmos o sentido dos conceitos QV e SM (enquanto conceito com duas dimens&otilde;es, incluindo o bem estar) percebemos a necessidades de serem inclu&iacute;dos na funcionalidade de cada pessoa, numa variedade de &aacute;reas como a sua sa&uacute;de f&iacute;sica, qualidade de auto manuten&ccedil;&atilde;o, qualidade do desempenho das suas atividades, estado intelectual, atividade social, atitudes com o mundo e com ele pr&oacute;prio e estado emocional (Doran D., 2011).</p>

	    <p>Alguns estudos, t&ecirc;m contribu&iacute;do para conhecimento da rela&ccedil;&atilde;o entre a SM e a QV em consumidores de droga, embora, poucos estudos apresentem a intensidade dessa rela&ccedil;&atilde;o, o aprofundamento da rela&ccedil;&atilde;o entre diferentes dom&iacute;nios dessa mesma rela&ccedil;&atilde;o e normalmente os consumidores s&atilde;o avaliados no momento da admiss&atilde;o, n&atilde;o ponderando nos estudos, o tempo de perman&ecirc;ncia nesses programas como um fator estabilizador para estes dois estados. (Escudeiro, Lamach&atilde;, Freitas, &amp; Silva, 2006; Astal, Salvany, Buenaventura, Tato, &amp; Torrens, 2008; Torrens, 2008).</p>

	    <p>&Eacute; na sequ&ecirc;ncia desta reflex&atilde;o, que surge o presente trabalho que tem como objetivos, analisar a rela&ccedil;&atilde;o entre a QV e a SM de pessoas dependentes de opi&aacute;ceos, integradas num programa de manuten&ccedil;&atilde;o com metadona, aprofundar a rela&ccedil;&atilde;o entre diferentes dimens&otilde;es destes dois conceitos, verificar se os valores encontrados nesta popula&ccedil;&atilde;o diferem de outras popula&ccedil;&otilde;es estudadas.</p>

	    <p>Como pergunta de investiga&ccedil;&atilde;o: Qual a rela&ccedil;&atilde;o entre a SM e a QV em pessoas dependentes de opi&aacute;ceos, integradas em programa de manuten&ccedil;&atilde;o com metadona?</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

	    <p><b>METODOLOGIA</b></p>
	
	    <p>&nbsp;</p> 
	
	    <p><b>Tipo de Estudo</b></p>

	    <p>Para dar resposta aos objetivos deste trabalho, desenvolvemos um estudo quantitativo, de tipo descritivo, transversal e correlacional.</p>

	    <p>&nbsp;</p> 
	
	    <p><b>Participantes</b></p>

	    <p>Utilizou&#45;se uma amostra probabil&iacute;stica aleat&oacute;ria sistem&aacute;tica, realizada durante o atendimento nos programas medicamentosos. A amostragem decorria a partir do momento em que o investigador estivesse presente numa abordagem n+2 ou seja, era apenas solicitada a participa&ccedil;&atilde;o a todos os utentes que se apresentassem nesta sequ&ecirc;ncia.</p>

	    <p>Foram participantes os que reuniam os seguintes crit&eacute;rios:</p>

	    <p>a)&nbsp;&nbsp;&nbsp; Maioridade.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>b)&nbsp;&nbsp;&nbsp; Integrado em programa de manuten&ccedil;&atilde;o opi&aacute;cea com metadona, h&aacute; pelo menos 1 m&ecirc;s.</p>

	    <p>A amostra foi constitu&iacute;da por 180 utentes que aceitaram participar, em 3 locais diferentes de atendimento (Equipas de Tratamento), na regi&atilde;o de Lisboa e Vale do Tejo.</p>

	    <p>&nbsp;</p> 
	
	    <p><b>Instrumentos</b></p>

	    <p>a)&nbsp;&nbsp;&nbsp; Question&aacute;rio de Identifica&ccedil;&atilde;o &#150; Permitiu a obten&ccedil;&atilde;o de dados sociodemogr&aacute;ficos, dados cl&iacute;nicos e comportamentais, relacionados com o consumo de drogas.</p>

	    <p>Optamos por instrumentos adequados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e j&aacute; testados e validados para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, com o objetivo da compara&ccedil;&atilde;o de dados (Torrens, 2008).</p>

	    <p>&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <u>MHI&#45;5&nbsp; (Mental Health Inventory 5)</u><b>&nbsp;</b> (Ribeiro J. P., 2001)</p>

	    <p>O MHI5 &eacute; um question&aacute;rio de autorresposta, desenvolvido para investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica, visando avaliar a Sa&uacute;de Mental numa perspetiva que inclu&iacute; dimens&otilde;es positivas e negativas. O MIH5 avalia a ansiedade, a depress&atilde;o, a perda de controlo emocional /comportamental e bem&#45;estar psicol&oacute;gico, com utiliza&ccedil;&atilde;o j&aacute; efetivada com popula&ccedil;&otilde;es dependentes de drogas (Cotralha, 2007; Nyamathi, Nandy, Greengold, &amp; al., 2010). Apresenta 5 itens (agrupados em 2 dimens&otilde;es, distress e bem estar) sendo os sujeitos convidados a assinalarem o seu estado numa escala de Likert de 6 pontos. A cota&ccedil;&atilde;o da escala &eacute; obtida pelo somat&oacute;rio dos itens (2 itens com a cota&ccedil;&atilde;o invertida). N&iacute;veis mais elevados no somat&oacute;rio correspondem a melhor sa&uacute;de mental (5&#45;30). Est&aacute; validado para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (Ribeiro J. P., 2011).</p>

	    <p>No estudo de valida&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, foi obtido um Alfa de Cronbach de 0.80.</p>

	    <p>&middot;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <u>Escala de avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida nos consumidores de subst&acirc;ncias em programa de substitui&ccedil;&atilde;o com metadona</u> (Pacheco, Murcho, &amp; Jesus, 2005)</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O question&aacute;rio apoia&#45;se na perce&ccedil;&atilde;o de QV tal como &eacute; definida pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS). &Eacute; um instrumento que perspetiva a sa&uacute;de envolvendo as dimens&otilde;es afetivas e cognitivas. Relaciona&#45;se com os aportes positivos da promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e da preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, englobando a sa&uacute;de f&iacute;sica, mental, social e a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades humanas (Pacheco, Murcho, &amp; Jesus, 2005).</p>

	    <p>&Eacute; composto por duas subescalas. A subescala relativa aos "fatores da situa&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio familiar e econ&oacute;mica" e aos "fatores da situa&ccedil;&atilde;o satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal". &Eacute; constitu&iacute;do por 21 itens em que os sujeitos atribuem a concord&acirc;ncia numa escala Likert de 4 pontos. Valores mais elevados correspondem a melhor QV (21&#45;84).</p>

	    <p>No estudo de valida&ccedil;&atilde;o para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa em 2005 (n=236), foi obtido um Alfa de Cronbach de 0.88 e num estudo mais recente (n=308) 0.93 (Murcho &amp; Pereira, 2011). Estudos com id&ecirc;ntica popula&ccedil;&atilde;o e metodologia.</p>

	    <p>&nbsp;</p> 
	
	    <p><b>Procedimentos</b></p>

	    <p>Atendendo ao funcionamento das pr&oacute;prias equipas, a aplica&ccedil;&atilde;o dos question&aacute;rios a todos os doentes que aceitavam participar e a quem eram explicados os objetivos do estudo, foi realizada pelo investigador. Isto permitiu a aus&ecirc;ncia de n&atilde;o respostas. Aos doentes era dada garantida de confidencialidade e pedido que assinassem o consentimento informado.</p>

	    <p>O estudo teve parecer positivo da Comiss&atilde;o de &Eacute;tica do Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa. Obtivemos a autoriza&ccedil;&atilde;o dos autores para a utiliza&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o. O acesso ao campo foi autorizado pelo Concelho Diretivo do Instituto da Droga e Toxicodepend&ecirc;ncia, I.P.</p>

	    <p>Os dados referentes a cada escala e subescala foram calculados seguindo as recomenda&ccedil;&otilde;es dos autores. De seguida, elaboramos uma base de dados e introduzimos todos os dados para tratamento estat&iacute;stico (SPSS 19).</p>

	    <p>&nbsp;</p> 
	
	    <p><b>Procedimento Estat&iacute;stico</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Determinamos a utiliza&ccedil;&atilde;o de estat&iacute;stica n&atilde;o param&eacute;trica pois as vari&aacute;veis em estudo s&atilde;o ordinais e os dados apresentaram&#45;se com uma curva n&atilde;o normal com o teste Kolmogorov&#45;Smirnov (Mar&ocirc;co, 2011). Por se tratar de um estudo correlacional, calculamos o coeficiente de correla&ccedil;&atilde;o de Spearmam. Consideramos estatisticamente significativos os testes que tinham articulado um valor de p&#8804;0.05.</p>

	    <p><i>&nbsp;</i></p>

	    <p><b>AN&Aacute;LISE DOS RESULTADOS</b></p>

	    <p>A amostra obtida para an&aacute;lise ficou constitu&iacute;da por 180 pessoas (60 em cada equipa).</p>

	    <p>Carateriza&ccedil;&atilde;o da amostra (dados mais relevantes):</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; G&eacute;nero masculino n= 132 (73.3%); G&eacute;nero feminino n= 48 (26.7%).</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; M&eacute;dia de idades 41.06 (dp= 7,58), com um intervalo 24&#45;68.</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; Escolaridade: 3 (1.7%) &#8804;4&ordm;ano; 25 (13,95%) completaram o 4&ordm;ano; 63 (35%) completaram 6&ordm;ano; 58 (32,2%) completaram o 9&ordm; ano; 26 (14.4%) completaram o 12&ordm; ano; 5 (2.8%) completaram o ensino superior.</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; Estado civil: Solteiro 100 (55.6%); casados 18 (10%); Uni&atilde;o de facto 36 (20%); Divorciado 22 (12.2%); vi&uacute;vo 4 (2.2%).</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; Filhos: Sim 95 (52.8%); N&atilde;o 85 (47.2%).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Oslash;&nbsp; Situa&ccedil;&atilde;o laboral: Empregado 55 (30.6%); desempregado 87 (48.3%); Trabalho espor&aacute;dico 17 (9.4%); Reformado 17 (9.4%); Forma&ccedil;&atilde;o subsidiada 4 (2.2%).</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; Consumos: Hip&oacute;teses m&uacute;ltiplas &#45; 25 (13.9%) consome hero&iacute;na; 46 (25.6%) consome estimulantes; 52 (28.9%) cannabis; 55 (30.6%) &aacute;lcool; 33 (18.3%) benzodiazepinas.</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; Sem consumos: 52 utentes (28.9% do total da amostra) n&atilde;o t&ecirc;m consumos.</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; Comorbilidades: HIV+ 45 (25%); HCV 106 (58.9%); Com pelo menos uma perturba&ccedil;&atilde;o mental 43 (23.9%); Doen&ccedil;as f&iacute;sicas (exceto infe&ccedil;&otilde;es v&iacute;ricas) 80 (44.4%).</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; Sem comorbilidades: 27 (15%).</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; M&eacute;dia de idade de in&iacute;cio de consumos: 18.2 (dp= 5,5)</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; M&eacute;dia de anos de consumo: 16.7 (dp= 7.6).</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; M&eacute;dia de tempo de programa: 52,8 meses (dp= 43,3)</p>

	    <p>&Oslash;&nbsp; Dose de metadona: 74,1 mg (dp= 41,1)</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>An&aacute;lise dos Instrumentos</b></p>

	    <p>No que se refere a an&aacute;lise dos instrumentos (<a href="#q1">quadro 1</a>), podemos considerar que no nosso estudo demonstraram uma boa consist&ecirc;ncia interna (Mar&ocirc;co, 2011).</p>

	    <p>&nbsp;</p>
<a name="q1">
	

	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n9/n9a04q1.jpg"></p>

	    
<p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Qualidade de Vida</b></p>

	    <p>Analisando o <a href="#q2">quadro 2</a>, que reporta para a an&aacute;lise descritiva da nossa amostra, verificamos que a mediana encontrada foi 67 numa 
	escala com intervalo de 21&#45;84. O fator com mais peso no valor total foi QV situa&ccedil;&atilde;o sociofamiliar e econ&oacute;mica, com uma 
	mediana de 37 podendo ter um intervalo de 11&#45;44 e com menos peso o fator QV fatores de satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal, com 29,5 
	podendo ter um intervalo de 10&#45;40.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	
<a name="q2">
	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n9/n9a04q2.jpg"></p>

	    
<p>&nbsp;</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na an&aacute;lise do <a href="#q3">quadro 3</a>, verificamos que 95% da amostra apresenta valores a partir dos quais a QV &eacute; boa. O ponto de corte na escala total &eacute; 42. Na subescala fatores da situa&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio familiar e econ&oacute;mica o ponto de corte &eacute; 22 e na subescala fatores de satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal &eacute; 20.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	
<a name="q3">
	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n9/n9a04q3.jpg"></p>

	    
<p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Sa&uacute;de Mental</b></p>

	    <p>Para a vari&aacute;vel SM e ainda reportando &agrave; an&aacute;lise descritiva da nossa amostra, verificamos que a mediana encontrada foi 
	19, numa escala com intervalo de 5&#45;30 (maior valor, melhor SM). O fator com mais peso no valor total foi SM Distress, com uma mediana de 
	13 podendo ter um intervalo de 3&#45;18 e com menos peso o fator SM bem&#45;estar, com 6 podendo ter um intervalo de 2&#45;12 (<a href="#q4">quadro 4</a>)</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	
<a name="q4">
	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n9/n9a04q4.jpg"></p>

	    
<p>&nbsp;</p>

	    <p>Na an&aacute;lise do <a href="#q5">quadro 5</a>, verificamos que 55,6% da amostra apresenta valores de bem&#45;estar psicol&oacute;gico. O ponto de corte na escala total &eacute; fixado nos 52%.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

	
<a name="q5">
	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n9/n9a04q5.jpg"></p>

	    
<p>&nbsp;</p>

	    <p>Seguidamente estes dados foram agrupados, distinguindo pela m&eacute;dia de idades (41) a amostra em 2 grupos (<a href="#q6">quadro 6</a>) O valor de QV &eacute; mais elevado nos que t&ecirc;m a idade &lt;41 embora estatisticamente n&atilde;o significativa (U=0.605; p&#8805;0.05) e o valor de SM &eacute; igualmente mais elevado nos &lt;41 embora estatisticamente n&atilde;o significativa (U=0.125; p&#8805;0.05)</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	
<a name="q6">
	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n9/n9a04q6.jpg"></p>
	
	    
<p>&nbsp;</p>

	    <p>Realizamos a avalia&ccedil;&atilde;o da correla&ccedil;&atilde;o entre a QV e SM (<a href="#q7">quadro 7</a>) e encontrou&#45;se uma correla&ccedil;&atilde;o positiva em que podemos afirmar com um grau de confian&ccedil;a de 99%, que h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o significativa entre estas 2 vari&aacute;veis.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	
<a name="q7">
	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n9/n9a04q7.jpg"></p>

	    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

	    <p>O resultado obtido nesta an&aacute;lise, indica que quanto maior a SM, maior &eacute; a QV nas pessoas consumidoras de drogas, em programa de metadona. T&ecirc;m uma associa&ccedil;&atilde;o linear moderada r<sup>2</sup>= 0.116 (11,6 % da varia&ccedil;&atilde;o da QV &eacute; explicada pela Sa&uacute;de Mental).</p>

	    <p>No <a href="#q8">quadro 8</a> avaliamos a rela&ccedil;&atilde;o entre as diferentes subescalas da QV e as subescalas da SM. Os dados confirmam que a correla&ccedil;&atilde;o interna entre as subescalas de cada instrumento &eacute; forte. No que se refere a rela&ccedil;&atilde;o entre as subescalas dos dois instrumentos, a correla&ccedil;&atilde;o mais forte &eacute; entre a subescala QV&#45;Satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal e a MHI5 &#150; Bem&#45;estar psicol&oacute;gico.</p>
    <p>&nbsp;</p>

	
<a name="q8">
	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n9/n9a04q8.jpg"></p>

	    
<p>&nbsp;</p>
	    <p>Na rela&ccedil;&atilde;o da subescala MHI5 <i>distress</i> com as subescalas da QV, verifica&#45;se que h&aacute; maior rela&ccedil;&atilde;o com a subescala situa&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio familiar e econ&oacute;mica do que com a subescala bem&#45;estar.</p>


	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>DISCUSS&Atilde;O DE RESULTADOS</b></p>

	    <p>Dos dados que emergiram desta an&aacute;lise, destaca&#45;se claramente a percentagem de utentes que apresentaram bons n&iacute;veis de QV. Esta an&aacute;lise, que deve ter em considera&ccedil;&atilde;o que sua interpreta&ccedil;&atilde;o parte de um instrumento espec&iacute;fico para avaliar a QV em utentes em programa de metadona, tem obrigatoriamente que ser olhada comparativamente a outras amostras semelhantes e avaliadas com o mesmo instrumento. A compara&ccedil;&atilde;o com a QV percecionada e mensurada com outros instrumentos parece&#45;nos igualmente pertinente.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se concordamos que os consumidores de drogas t&ecirc;m uma QV e uma SM, inferior a popula&ccedil;&atilde;o em geral, s&atilde;o relevantes estes dados que corroboram que os programas de metadona melhoram a qualidade de vida dos utentes</i> (Faggiano, Vigna&#45;Taglianti, &amp; al., 2008; Go, Dykeman, Santos, &amp; Muxlow, 2011; OEDT, 2012).</p>

	    <p>Os utentes apresentam em m&eacute;dia 16,7 anos de consumo e apresentam uma m&eacute;dia de 4,4 anos de perman&ecirc;ncia nos programas. Se relacionarmos estes dados, com a dose m&eacute;dia do f&aacute;rmaco prescrito, que est&aacute; de acordo com as guidelines internacionais (Faggiano, Vigna&#45;Taglianti, &amp; al., 2008), podemos considerar que estes programas longos, na perspetiva cr&oacute;nica da doen&ccedil;a, e a prescri&ccedil;&atilde;o adequada, contribuem para uma boa SM e uma melhor QV.</p>

	    <p>A amostra caracteriza&#45;se por ter uma m&eacute;dia de idades superior &agrave; popula&ccedil;&atilde;o abrangida pelas unidades especializadas, a n&iacute;vel nacional, em que a m&eacute;dia se fixou nos &uacute;ltimos dados dispon&iacute;veis nos 39 anos (IDT, 2012). Tem valores significativos de desemprego (48.3%), de comorbilidades (85%) e de policonsumos (71,1%).</p>

	    <p>H&aacute; evid&ecirc;ncia que menor QV e menor SM associam&#45;se &agrave;s reca&iacute;das e manuten&ccedil;&atilde;o de consumos (Almeida &amp; Vieira, 2005; Torrens, 2008; Go, Dykeman, Santos, &amp; Muxlow, 2011). Neste estudo e atendendo ao primeiro objetivo, os valores positivos encontrados, devem ser ainda analisados, relacionando com a percentagem de 28.9% de utentes que n&atilde;o consome, o que refor&ccedil;a os dados positivos extra&iacute;dos. Podemos colocar a hip&oacute;tese que os que n&atilde;o consomem contribuem para os bons resultados. Outra evid&ecirc;ncia, &eacute; a percentagem superior dos que t&ecirc;m QV positiva, comparando com a percentagem dos que n&atilde;o consomem, e que reflete que muitos que consomem auto percecionam uma boa qualidade de vida. Podemos colocar a hip&oacute;tese que a capacidade de gerir o impacto dos consumos pode ser mediada por outras vari&aacute;veis.</p>

	    <p>Observamos valores mais elevados na QV e na SM na popula&ccedil;&atilde;o mais jovem, o que vem de acordo com a literatura (Wilson, Macintosh, &amp; Getty, 2007)embora, a diferen&ccedil;a n&atilde;o tenha signific&acirc;ncia estat&iacute;stica.</p>

	    <p>Consideramos que os dados poder&atilde;o corroborar outros estudos que t&ecirc;m demostrado o efeito positivo e modelador da SM na perce&ccedil;&atilde;o da QV da popula&ccedil;&atilde;o em geral e em particular nos consumidores de droga (Cotralha, 2007).</p>

	    <p>Destacamos como contributo para o conhecimento deste fen&oacute;meno, o que emerge do segundo objetivo. A dimens&atilde;o da satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal na constru&ccedil;&atilde;o do autoconceito de QV relaciona&#45;se positivamente com o bem&#45;estar psicol&oacute;gico e a rela&ccedil;&atilde;o significativa entre o <i>distress</i> e a situa&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio familiar e econ&oacute;mica, indica esta, como um fator de aumento do <i>distress</i>.</p>

	    <p>Da an&aacute;lise dos dados face ao terceiro objetivo deste estudo, os valores obtidos de SM e QV s&atilde;o significativamente superiores aos avaliados em popula&ccedil;&otilde;es de consumidores de hero&iacute;na antes da entrada num qualquer programa (Astal, Salvany, Buenaventura, Tato, &amp; Torrens, 2008) e superior a popula&ccedil;&otilde;es j&aacute; em programa de metadona (Murcho &amp; Pereira, 2011).</p>

	    <p>Os dados obtidos no estudo corroboram achados anteriores. No que se refere a utiliza&ccedil;&atilde;o deste instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o da QV, a consist&ecirc;ncia interna no nosso estudo (&#945;= 0.88) foi inferior &agrave; encontrada por um dos autores num estudo desenvolvido em 2011 na regi&atilde;o do Algarve (&#945;= 0.93), com 308 utentes (Murcho &amp; Pereira, 2011). A m&eacute;dia obtida no nosso estudo M= 64.58 (Sd=11,41) &eacute; superior a encontrada no referido estudo M= 61,11 (Sd=12,97). Encontramos uma diferen&ccedil;a nos valores obtidos nas subescalas: Situa&ccedil;&atilde;o sociofamiliar e econ&oacute;mica na nossa amostra M= 35,62 e no estudo referido M= 32,46; Satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal, no nosso estudo M= 28,95 e no estudo referido 28,59. Em toda a escala assim como nas subescalas, a amostra situa&#45;se em m&eacute;dia acima do ponto de corte. Destaca&#45;se nestes dados, que a situa&ccedil;&atilde;o sociofamiliar e econ&oacute;mica melhor percecionada na nossa amostra pode ser fator determinante para encontrarmos melhores resultados em todas as subescalas.</p>

	    <p>Comparamos as outras vari&aacute;veis em estudo para encontrar eventuais respostas aos valores superiores encontrados na nossa amostra. Os utentes da nossa amostra s&atilde;o mais velhos (M=41,06 versus 36,27), Obtivemos a participa&ccedil;&atilde;o igualmente dominante do g&eacute;nero masculino embora em menor percentagem (73,3% versus 77,9%); uma menor percentagem de solteiros (55.6% versus 57,5%) e maior de casados/uni&atilde;o de facto (30% versus 29,2%); Uma igual percentagem nos utentes que t&ecirc;m filhos (52%); Uma maior percentagem de utentes com o 9&ordm; ano (32,2% versus 30,7%); Maior percentagem de desempregados (48.3% versus 41%); Menor tempo de programa (4,4 anos versus 5,6); Maior idade para o in&iacute;cio dos consumos de subst&acirc;ncias (18,2 anos versus 15).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O contributo dos programas de metadona para a SM e a QV, deve ser refletido ainda noutra perspetiva. Encontramos uma popula&ccedil;&atilde;o que maioritariamente reconhece melhor QV, quando comparada com a percentagem que reconhece uma boa SM. Noutros estudos, a estabiliza&ccedil;&atilde;o nos programas, revela mais contributo na melhoria da SM e escassas melhorias na QV, mas por influ&ecirc;ncia de outras vari&aacute;veis (Xiao, Wu, Luo, &amp; Wei, 2010).</p>

	    <p>Podemos igualmente reconhecer a import&acirc;ncia destes programas quando temos evid&ecirc;ncia que a popula&ccedil;&atilde;o consumidora de subst&acirc;ncias, tem menor SM que a popula&ccedil;&atilde;o em geral (Cotralha, 2007) e tamb&eacute;m porque os doentes com indica&ccedil;&atilde;o para este tipo de programas, t&ecirc;m eles mesmo &agrave; partida, condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas mais prec&aacute;rias e mais comorbilidades psiqui&aacute;trica (Escudeiro, Lamach&atilde;, Freitas, &amp; Silva, 2006).</p>

	    <p><i>&nbsp;</i></p>

	    <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>

	    <p>Neste estudo, analisamos a rela&ccedil;&atilde;o entre a QV, a SM e os fatores estruturais dos pr&oacute;prios utentes. &Eacute; um contributo para a perce&ccedil;&atilde;o destes resultados em sa&uacute;de, na popula&ccedil;&atilde;o consumidora de drogas, at&eacute; pela sua amostra aleat&oacute;ria que refor&ccedil;a a fiabilidade, ao contr&aacute;rio de outras amostras por conveni&ecirc;ncia.</p>

	    <p>Os resultados deste estudo apontam para o refor&ccedil;o da conce&ccedil;&atilde;o de parte da comunidade cient&iacute;fica e dos intervenientes nos cuidados de sa&uacute;de com esta popula&ccedil;&atilde;o, que os utentes inclu&iacute;dos nestes programas melhoram a sua QV, a sua SM, autonomizam&#45;se, e finalmente, a maioria cria condi&ccedil;&otilde;es para perspetivar a sua vida futura com mais satisfa&ccedil;&atilde;o e maior concretiza&ccedil;&atilde;o dos seus objetivos. Esta afirma&ccedil;&atilde;o relaciona&#45;se com alguns indicadores sociodemogr&aacute;ficos e cl&iacute;nicos (emprego, aus&ecirc;ncia de consumos, tempo de integra&ccedil;&atilde;o num programa terap&ecirc;utico) e com os valores obtidos principalmente ao n&iacute;vel da QV.</p>

	    <p>A reestrutura&ccedil;&atilde;o que estes programas permitem &agrave;s pessoas, torna poss&iacute;vel que a maioria da amostra apresente resultados significativos em termos da sua perce&ccedil;&atilde;o de QV, at&eacute; porque o instrumento usado avalia a mudan&ccedil;a face &agrave; sua QV anterior &agrave; entrada no programa. A evolu&ccedil;&atilde;o registada permite a avalia&ccedil;&atilde;o subjacente de um contributo importante deste tipo de programas na melhoria da QV.</p>

	    <p>Os dados refor&ccedil;am que a satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal tem uma rela&ccedil;&atilde;o significativa com a sensa&ccedil;&atilde;o de bem&#45;estar e que o distress est&aacute; associado &agrave; situa&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio familiar.</p>

	    <p>A aproxima&ccedil;&atilde;o dos resultados em termos de SM, &agrave; popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consumidora e a consequente manifesta&ccedil;&atilde;o de uma QV satisfat&oacute;ria, permite suportar a conce&ccedil;&atilde;o do seu contributo para essa mesma QV. Permite estimular a reflex&atilde;o sobre os fatores de resili&ecirc;ncia relacionados com uma boa QV. A resili&ecirc;ncia e a adapta&ccedil;&atilde;o social devem ser ponderadas com os dados obtidos: baixa escolaridade, alta taxa de desemprego, comorbilidades, policonsumos.</p>

	    <p>Outro aspeto a necessitar de aprofundamento &eacute; o facto que esta amostra que apresenta melhores resultados em termos de QV &eacute; mais velha que a amostra assumida como comparativa, que encontramos noutro estudo. Ser&aacute; a idade um fator protetor? Este dado deve ser melhor aprofundado, at&eacute; pelo envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o consumidora que acede aos centros de atendimento.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; requerida para aprofundar o contributo das interven&ccedil;&otilde;es dos profissionais na obten&ccedil;&atilde;o destes resultados, assim como a influ&ecirc;ncia das vari&aacute;veis estruturais das pr&oacute;prias unidades de sa&uacute;de. Sugere&#45;se a realiza&ccedil;&atilde;o de um estudo semelhante com consumidores de drogas, integrados em programas de tratamento, sem a prescri&ccedil;&atilde;o de opi&aacute;ceos de manuten&ccedil;&atilde;o.</p>

	    <p>Uma &uacute;ltima reflex&atilde;o prende&#45;se com o momento social econ&oacute;mico e pol&iacute;tico que o pa&iacute;s atravessa, em que o desemprego atinge propor&ccedil;&otilde;es muito acentuadas. Sabemos que na popula&ccedil;&atilde;o em estudo (que apresentou mais 7% de desemprego que o outro estudo que serviu para compara&ccedil;&atilde;o, embora noutra regi&atilde;o do pa&iacute;s e h&aacute; dois anos atr&aacute;s) este dado &eacute; preocupante, pela desorganiza&ccedil;&atilde;o que provoca na QV e na SM e pela dificuldade acrescida que esta popula&ccedil;&atilde;o tem para regressar ao mercado de trabalho.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>

	    <!-- ref --><p>Almeida, D., &amp; Vieira, C. (2005). Toxicodepend&ecirc;ncia e comorbilidade psiqui&aacute;trica &#45; sintomatologia do eixo I e perturba&ccedil;&otilde;es da personalidade. Psiquiatria Cl&iacute;nica. (HUC, Ed.) <i>Psiquiatria Cl&iacute;nica</i> .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S1647-2160201300010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Ashton, M. (2003). <i>Burgered: quality of life and addiction treatment</i>. Obtido em 30 de 11 de 2010, 
	de <a href="http://www.fead.org.uk" target="_blank">www.fead.org.uk</a>: <a href="http://www.fead.org.uk/docs/Burgered%20latest.pdf" target="_blank">http://www.fead.org.uk/docs/Burgered%20latest.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1647-2160201300010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Astal, M., Salvany, A., Buenaventura, C., Tato, J., &amp; Torrens, M. (2008). Impact of substance dependence and dual diagnosis o the quality of life of heroin users seeking treatment. <i>Substance Use &amp; Misude</i> (43), pp. 612&#45;632.</p>

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	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 20.02.2013</p>

	    <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 31.05.2013</p>
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