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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Considering the use of crack as a challenge to public health context and further, the network of care for users of psychoactive substances, it emphasizes the speed of the destruction of mental life, organic and social conditions. In this sense, it is observed that often there is a loss of enchantment - which brings meaning to people's lives - on various issues from the daily use of crack. Thus, this article aims to reflect on the context of crack use, from the possibility of (re) enchantment by users. It is considered critical analysis and review the epidemiology of the consumption of crack and biological, social and psychological of these individuals, since for there to be (re) enchantmentis to think of an individual context, as proposed by Lescher. We also described the political actions from laws, decrees and orders, made &#8203;&#8203;in order to constitute in advance for network of care for users, so that it is effective and quality to the user. It was found that the (re) enchantment is possible since the proposed issues to be considered as the motivation of crack users, the holistic treatment, individual and multidisciplinary, based on principles such as the expression of empathy and bonding with the construction of alliance therapeutic and reflective listening performed by professionals. Moreover, considering that there is often little motivation and adherence to treatment, it is essential to joint health network, social networking and family, besides the active search for these users to facilitate access to services. And yet, should be considered strategies of (re) enchantment as investments in education, leisure, employment and culture.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Crack]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Uso Indevido de Drogas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Atenção à Saúde]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Health Care]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p><b>Uso de Crack: &Eacute; Poss&iacute;vel o (Re)Encantamento?</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Kallen Dettmann Wandekoken*;</b> <b>Marluce Miguel de Siqueira**</b></p>

	    <p>*Enfermeira; Mestre em Sa&uacute;de Coletiva; Pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas sobre &Aacute;lcool e outras Drogas (CEPAD) da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo; e&#45;mail: <a href="mailto:kallendw@gmail.com">kallendw@gmail.com</a></p>

	    <p>**Professora Associada III do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo; Professora do Programa de P&oacute;s &#150; Gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Coletiva; Coordenadora Cient&iacute;fica do Centro de Estudos e Pesquisas sobre &Aacute;lcool e outras Drogas da Universidade Federal do Esp&iacute;rito Santo (CEPAD); e&#45;mail: <a href="mailto:marluce.siqueira@ufes.br">marluce.siqueira@ufes.br</a></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>RESUMO</b></p>

	    <p>Considerando o uso de crack enquanto um desafio ao contexto da sa&uacute;de p&uacute;blica e mais ainda, &agrave; rede de aten&ccedil;&atilde;o aos usu&aacute;rios de subst&acirc;ncias psicoativas, ressalta&#45;se a velocidade da destrui&ccedil;&atilde;o da vida mental, org&acirc;nica e social do indiv&iacute;duo. Nesse sentido, constata&#45;se que, muitas vezes, h&aacute; perda do encantamento &#45; o que traz sentido &agrave; vida das pessoas &#45; diante de v&aacute;rias quest&otilde;es do quotidiano a partir do uso de crack. Assim, este artigo tem como objetivo refletir sobre o contexto do uso do crack, a partir da possibilidade do (re) encantamento por parte dos usu&aacute;rios. Trata&#45;se de uma revis&atilde;o cr&iacute;tica considerando a epidemiologia do consumo de crack e os aspectos biol&oacute;gicos, sociais e psicol&oacute;gicos desses indiv&iacute;duos, uma vez que para que haja o (re) encantamento h&aacute; de se pensar em num contexto individual, como proposto por Lescher (ano). Foram descritas ainda as a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, a partir de leis, decretos e portarias, realizadas a fim de constitu&iacute;rem um avan&ccedil;o para a rede de aten&ccedil;&atilde;o aos usu&aacute;rios, de forma que esta seja eficaz e de qualidade para o usu&aacute;rio. Constatou&#45;se que o (re) encantamento proposto &eacute; poss&iacute;vel desde sejam consideradas quest&otilde;es como a motiva&ccedil;&atilde;o do usu&aacute;rio de crack, o tratamento hol&iacute;stico, individual e multiprofissional, pautado em princ&iacute;pios como a express&atilde;o da empatia e a cria&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos a partir da constru&ccedil;&atilde;o de uma alian&ccedil;a terap&ecirc;utica e da escuta reflexiva realizada pelos profissionais. Al&eacute;m disso, considerando que muitas vezes h&aacute; pouca motiva&ccedil;&atilde;o e ader&ecirc;ncia aos tratamentos, &eacute; imprescind&iacute;vel a articula&ccedil;&atilde;o da rede de aten&ccedil;&atilde;o, da rede social e familiar, al&eacute;m da busca ativa a esses usu&aacute;rios a fim de facilitar o acesso aos servi&ccedil;os. E ainda, devem ser consideradas estrat&eacute;gias de (re) encantamento como investimentos em educa&ccedil;&atilde;o, lazer, emprego e cultura.</p>

	    <p><b>Palavras&#45;Chave:</b> Crack; Uso Indevido de Drogas; Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

	    <p><b>ABSTRACT</b></p>

	    <p>Considering the use of crack as a challenge to public health context and further, the network of care for users of psychoactive substances, it emphasizes the speed of the destruction of mental life, organic and social conditions. In this sense, it is observed that often there is a loss of enchantment &#45; which brings meaning to people's lives &#45; on various issues from the daily use of crack. Thus, this article aims to reflect on the context of crack use, from the possibility of (re) enchantment by users. It is considered critical analysis and review the epidemiology of the consumption of crack and biological, social and psychological of these individuals, since for there to be (re) enchantmentis to think of an individual context, as proposed by Lescher. We also described the political actions from laws, decrees and orders, made &#8203;&#8203;in order to constitute in advance for network of care for users, so that it is effective and quality to the user. It was found that the (re) enchantment is possible since the proposed issues to be considered as the motivation of crack users, the holistic treatment, individual and multidisciplinary, based on principles such as the expression of empathy and bonding with the construction of alliance therapeutic and reflective listening performed by professionals. Moreover, considering that there is often little motivation and adherence to treatment, it is essential to joint health network, social networking and family, besides the active search for these users to facilitate access to services. And yet, should be considered strategies of (re) enchantment as investments in education, leisure, employment and culture.</p>

	    <p><b>Keywords:</b> Crack; Substance&#45;Related Disorders; Health Care</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>

	    <p>A partir da observa&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica sobre o uso do crack e da sua expans&atilde;o alarmante no contexto nacional, muitas vezes por meio de algumas reportagens distorcidas, se faz necess&aacute;ria parte para uma an&aacute;lise a partir de evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas.</p>

	    <p>A princ&iacute;pio &eacute; necess&aacute;rio esclarecer que o crack &eacute; uma subst&acirc;ncia psicoativa produzida a partir da coca&iacute;na, sendo uma apresenta&ccedil;&atilde;o alcalina e vol&aacute;til a baixas temperaturas o que torna o consumo poss&iacute;vel de ser inalado &#45; fumado em 'cachimbos'. Para tanto, a coca&iacute;na &eacute; um estimulante do Sistema Nervoso Central, extra&iacute;da das folhas da planta Erythroxylon coca, podendo ser consumida sob a forma de cloridrato de coca&iacute;na 'p&oacute;', um sal hidrossol&uacute;vel que pode ser aspirado (uso intranasal) ou injetado &#45; uso endovenoso (Ribeiro, Laranjeira, Dunn, 1998).</p>

	    <p>O consumo de coca&iacute;na, ent&atilde;o, ocorre milenarmente pelos povos pr&eacute;&#45;incaicos e pr&eacute;&#45;colombianos e popularizou&#45;se na Europa e Estados Unidos a partir do s&eacute;culo XIX, na forma de t&ocirc;nicos gaseificados e vinhos. Mas, com o surgimento de complica&ccedil;&otilde;es agudas e cr&ocirc;nicas decorrentes do consumo, a droga foi proibida nos principais pa&iacute;ses ocidentais, a partir dos anos 10 e 20, sendo que no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980, a subst&acirc;ncia ganhou destaque novamente, mas entre as sociedades ocidentais, como uma droga glamorizada, relacionada ao ambiente workaholic dos grandes centros urbanos. Este contexto foi modificado no Brasil cerca de dez anos depois, com o surgimento do crack, que se disseminou de forma r&aacute;pida em locais socialmente exclu&iacute;dos, sendo os meninos em situa&ccedil;&atilde;o de rua e os usu&aacute;rios de drogas injet&aacute;veis (UDIs) seus principais adeptos (Nappo, Galdur&oacute;z, Noto, 1996).</p>

	    <p>Diante disso, as pesquisas realizadas observaram tamb&eacute;m que muitos antigos usu&aacute;rios de coca&iacute;na passaram a usar a via fumada ao inv&eacute;s da injetada. E ainda, identificaram que em geral, o uso de crack ocorre durante um per&iacute;odo prolongado de tempo (muitas vezes dias seguidos), acarretando maiores complica&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, um fato preocupante do uso de crack &eacute; a velocidade da destrui&ccedil;&atilde;o da vida mental, org&acirc;nica e social do indiv&iacute;duo (Verdejo&#45;Garcia, P&eacute;rez&#45;Garc&iacute;a, S&aacute;nchez&#45;Barrera, Rodriguez&#45;Fern&aacute;ndez, G&oacute;mez&#45;R&iacute;o, 2007). Para tanto, &eacute; fato que Assim, o crack traz um novo desafio ao contexto da sa&uacute;de p&uacute;blica e mais ainda, &agrave; rede de aten&ccedil;&atilde;o aos usu&aacute;rios de subst&acirc;ncias psicoativas.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; interessante, nesse sentido, a constata&ccedil;&atilde;o de Lescher (2010) de que h&aacute; perda do encantamento diante de v&aacute;rias quest&otilde;es do quotidiano do por parte dos usu&aacute;rios de crack, sendo necess&aacute;rio que haja o (re) encantamento pelo indiv&iacute;duo. Este, segundo o autor, &eacute; aquilo que d&aacute; sentido &agrave; vida das pessoas.</p>

	    <p>Assim, este artigo prop&otilde;e&#45;se a discutir, a partir de uma revis&atilde;o cr&iacute;tica, o contexto do uso de crack por meio de alguns questionamentos: &eacute; poss&iacute;vel o (re) encantamento por parte dos usu&aacute;rios? Como &eacute; que o profissional pode contribuir?</p>

	    <p>Para tanto, neste contexto, ser&atilde;o considerados aspectos biol&oacute;gicos, sociais e psicol&oacute;gicos desses indiv&iacute;duos, uma vez que para que haja o (re) encantamento h&aacute; de se pensar em num contexto individual. Mas, inicialmente, se faz&nbsp; &eacute; necess&aacute;rio um entendimento maior sobre a epidemiologia do consumo do crack, que ser&aacute; descrito a seguir.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>EPIDEMIOLOGIA DO USO DO CRACK: UM NOVO DESAFIO</b></p>

	    <p>Desde o surgimento do crack, v&aacute;rias pesquisas apontam para um aumento acelerado do consumo dessa subst&acirc;ncia. No Brasil, o n&uacute;mero de usu&aacute;rios triplicou nos &uacute;ltimos 10 anos, segundo relat&oacute;rios internacionais (United Nations Office on Drug and Crime, 2009).&nbsp;</p>

	    <p>Nesse contexto, &eacute; interessante destacar os levantamentos epidemiol&oacute;gicos que foram realizados pelo Centro Brasileiro de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Drogas Psicotr&oacute;picas (CEBRID), que se iniciaram no final da d&eacute;cada de 90. Assim, em 2001, o I Levantamento Domiciliar Nacional sobre o Uso de Drogas Psicotr&oacute;picas no Brasil, realizado nas 107 maiores cidades do pa&iacute;s, indica que o uso na vida de coca&iacute;na foi de 2,3%, com maior preval&ecirc;ncia nas regi&otilde;es Sul (3,6%) e Sudeste (2,6%), na faixa et&aacute;ria entre os 25 &#45; 34 anos (4,4%), com predomin&acirc;ncia do sexo masculino (7,2%). E ainda que o uso na vida de crack foi de 0,7% para o sexo masculino e o uso de merla (uma forma de coca&iacute;na) com 1,0% na regi&atilde;o Norte &#45; o maior &iacute;ndice do Brasil &#45; com 1,2% (crack) e 0,5% (merla) (Carlini, Galdur&oacute;z, Noto, 2002).</p>

	    <p>Do mesmo modo, o II Levantamento Domiciliar Nacional sobre o Uso de Drogas Psicotr&oacute;picas no Brasil, realizado pelo CEBRID nas 108 maiores cidades brasileiras aponta dados alarmantes, uma vez que 2,9% dos entrevistados afirmaram ter usado coca&iacute;na ao menos uma vez na vida e 0,7% usaram crack. Na regi&atilde;o Sudeste, esse &iacute;ndice chegou a 3,9% em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; coca&iacute;na e 0,9% ao crack, e na regi&atilde;o Sul, 3,1% usaram coca&iacute;na e 1,1% o crack (Carlini <i>et al.</i>, 2007).</p>

	    <p>Assim, apesar de todos os esfor&ccedil;os para o controle, no per&iacute;odo de 2001 a 2005, se observou&#45;se o aumento do uso na vida de crack pela popula&ccedil;&atilde;o geral, especialmente nas regi&otilde;es brasileiras Sudeste e Sul (Carlini <i>et al.</i>, 2007).</p>

	    <p>Outros estudos foram realizados ainda em popula&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, como estudantes de ensino m&eacute;dio e fundamental. Destaca&#45;se o &uacute;ltimo levantamento realizado pelo CEBRID nas 27 capitais brasileiras, em 2004, verificando&#45;se que o uso de coca&iacute;na entre os estudantes de at&eacute; aos 18 anos foi de 2%, sendo que na regi&atilde;o Norte atingiu 2,9% e no Sudeste 2,3%; e o uso de crack nessa popula&ccedil;&atilde;o foi de 0,7% (Galdur&oacute;z, Noto, Fonseca, Carlini, 2004).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, diante do aumento do consumo de crack observado nos levantamento epidemiol&oacute;gicos que foram descritos, o que mais preocupa &eacute; a repercuss&atilde;o devastadora das consequ&ecirc;ncias do uso e a perda do 'encantamento' por parte dos usu&aacute;rios. O fato &eacute; que o consumo indevido dessa subst&acirc;nciaest&aacute; associado a in&uacute;meros problemas de ordem biol&oacute;gica, psicol&oacute;gica e social, al&eacute;m de possibilitar na maioria das vezes a perda de v&iacute;nculos importantes e consequ&ecirc;ncias tanto para o indiv&iacute;duo quanto para a fam&iacute;lia e a comunidade onde ele se encontra inserido.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>ASPECTOS BIOL&Oacute;GICOS, PS&Iacute;QUICOS E SOCIAIS DO USO DO CRACK</b></p>

	    <p>A princ&iacute;pio, deve ressaltar&#45;se que o crack &eacute; considerado a forma com maior potencial de depend&ecirc;ncia da coca&iacute;na, al&eacute;m de ser o m&eacute;todo prefer&iacute;vel por muitos usu&aacute;rios por proporcionar efeitos euf&oacute;ricos segundos ap&oacute;s a sua inala&ccedil;&atilde;o. Sendo a droga absorvida diretamente nos pulm&otilde;es, o seu uso possibilita uma r&aacute;pida a&ccedil;&atilde;o da droga no c&eacute;rebro, obtendo efeitos mais estimulantes e muit&iacute;ssimos prazerosos para o usu&aacute;rio, o que caracteriza a &lsquo;fissura&rsquo; quase incontrol&aacute;vel, descrita por muitos usu&aacute;rios (Kessler, Pechansky, 2008).&nbsp;</p>

	    <p>No Sistema Nervoso Central (SNC), segundo Nappo <i>et al</i>. (1996), a droga age diretamente sobre os neur&ocirc;nios, bloqueando a captura do neurotransmissor dopamina, ou seja, a mant&eacute;m por mais tempo nos espa&ccedil;os sin&aacute;pticos, contribuindo para que as atividades motoras e sensoriais sejam superestimuladas. Dessa forma, o crack aumenta a press&atilde;o arterial e a freq&uuml;&ecirc;ncia card&iacute;aca, al&eacute;m de provocar risco de convuls&atilde;o, enfarte e derrame cerebral.</p>

	    <p>Outra constata&ccedil;&atilde;o importante em rela&ccedil;&atilde;o ao uso do crack &eacute; que devido ao custo e dificuldade de portabilidade dos cachimbos, foi observado que os usu&aacute;rios passaram a improvisar e desenvolver novas maneiras de uso. Uma delas &eacute; por meio de latinhas de alum&iacute;nio furadas e com aux&iacute;lio de cigarro, que aumentam a combust&atilde;o. Essa forma, al&eacute;m de maiores riscos de queimadura, est&aacute; associada a danos no SNC devido aos n&iacute;veis de alum&iacute;nio no sangue dos usu&aacute;rios (Kessler, Pechansky, 2008).</p>

	    <p>Quanto ao risco de HIV associado ao uso de crack, Ribeiro, Sanchez e Nappo (2010) ressaltam ser esta a segunda causa mais prevalente de morte entre usu&aacute;rios da droga. Entende&#45;se essa constata&ccedil;&atilde;o ao compilar alguns fatores relacionados ao estilo de vida do usu&aacute;rio, como por exemplo, o comportamento sexual de risco, as atividades sexuais para obten&ccedil;&atilde;o de dinheiro ou droga. Al&eacute;m disso, os autores evidenciaram ainda que a estrat&eacute;gia de uso de preservativos &eacute; facultativa, o que n&atilde;o impede a contamina&ccedil;&atilde;o e as consequ&ecirc;ncias decorrentes do HIV (Ribeiro et al., 2010, p. 217). Ou seja, observa&#45;se que a urg&ecirc;ncia pela droga prevalece em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s necessidades que antes eram importantes, pois a identifica&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de riscos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&oacute;pria sa&uacute;de, por exemplo, est&aacute; comprometida em muitos casos.</p>

	    <p>Na maioria dos casos, os dependentes qu&iacute;micos apresentam altera&ccedil;&otilde;es em extensas &aacute;reas corticais, principalmente na &aacute;rea frontal e temporal, al&eacute;m de estruturas subcorticais e g&acirc;nglios da base. Estas altera&ccedil;&otilde;es se associam com padr&otilde;es alterados de ativa&ccedil;&atilde;o durante tarefas cognitivas, inibi&ccedil;&atilde;o e tomada de decis&otilde;es (Verdejo&#45;Garcia <i>et al</i>., 2007). E ainda, o uso cr&ocirc;nico de crack, como conclu&iacute;ram Oliveira <i>et al.</i> (2009), parece perturbar o funcionamento cognitivo geral, mem&oacute;ria verbal, e recursos de aten&ccedil;&atilde;o, mas os resultados, segundo os autores, sugerem que alguns destes efeitos podem ser revertidos pela abstin&ecirc;ncia.</p>

	    <p>Em uma pesquisa de Ribeiro <i>et al.</i> (2010) realizada com 30 usu&aacute;rios de crack, s&atilde;o destacados como riscos de complica&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas decorrentes do uso da droga o emagrecimento, a ins&ocirc;nia e a overdose, sendo que estas complica&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas est&atilde;o intimamente ligadas aos efeitos ps&iacute;quicos que s&atilde;o justificados pela propriedade excitat&oacute;ria da droga. Por conseguinte citam que os riscos decorrentes dos efeitos ps&iacute;quicos do uso do crack s&atilde;o: les&otilde;es f&iacute;sicas relacionadas &agrave;s brigas, os comportamentos sexuais arriscados, a deten&ccedil;&atilde;o policial e a perda de v&iacute;nculos.</p>

	    <p>Outro ponto importante diz respeito ao uso do crack associado aos problemas relacionados &agrave;s comorbidades psiqui&aacute;tricas, como transtornos de personalidade e de humor, principalmente nas classes socioecon&ocirc;micas mais altas &#45; como &eacute; descrito por Kessler e Pechansky (2008, p. 97). Nesse sentido, &eacute; interessante destacar um estudo de realizado em 2004, com uma amostra de 313 usu&aacute;rios de crack, que detectou que 37,7% apresentavam tamb&eacute;m depend&ecirc;ncia de &aacute;lcool, 24% transtorno da personalidade anti&#45;social, 17,8% depress&atilde;o, 12,1% depend&ecirc;ncia de maconha e 11,8% transtorno de stress p&oacute;s&#45;traum&aacute;tico (Falck, Wang, Siegal, &amp; Carlson, 2004).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quanto ao contexto social, &eacute; interessante destacar o primeiro estudo realizado no Brasil sobre o perfil dos usu&aacute;rios de crack, em 1989, em S&atilde;o Paulo, com 25 indiv&iacute;duos que faziam uso da droga concluindo que em sua maioria eram homens, menores de 30 anos, desempregados, com baixa escolaridade e poder aquisitivo, provenientes de fam&iacute;lias desestruturadas (Nappo <i>et al.</i>, 1996).</p>

	    <p>O fato &eacute; que, neste estudo, quando se comparou os usu&aacute;rios de crack com os que faziam uso de coca&iacute;na de forma intranasal, os primeiros pareciam possuir um padr&atilde;o mais grave de consumo, maior envolvimento em atividades ilegais e prostitui&ccedil;&atilde;o, maior risco de efeitos adversos da droga e ter mais chances de morar ou ter morado na rua. E ainda se detectou que apresentavam mais problemas sociais e de sa&uacute;de (Nappo <i>et al.</i>, 1996), apesar de ainda ser mais prevalente na classe baixa.</p>

	    <p>Kessler e Pechansky (2008) mencionam, no entanto, que apesar de a m&iacute;dia brasileira relatar casos de uso de crack nas classes m&eacute;dia e alta, esses fatos ainda requerem evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas de que esse &iacute;ndice seja alarmante. E ainda afirmam que o uso de crack nessa popula&ccedil;&atilde;o pode estar associado a comorbidades psiqui&aacute;tricas, como transtornos de personalidade e de humor. Assim, uma revis&atilde;o sobre o perfil dos usu&aacute;rios de crack realizada por Dualib, Ribeiro e Laranjeira (2008) aponta que&nbsp; na sua maioria s&atilde;o indiv&iacute;duos jovens, de classe social baixa e do sexo masculino.</p>

	    <p>Segundo Nappo <i>et al</i>. (2001) em fun&ccedil;&atilde;o da sensa&ccedil;&atilde;o de urg&ecirc;ncia pela droga (fissura) e na falta de condi&ccedil;&otilde;es financeiras, o usu&aacute;rio muitas vezes busca participar de atividades il&iacute;citas (tr&aacute;fico, roubos e assaltos). Isso piorou com a inclus&atilde;o das mulheres na cultura do crack que, ao trocarem sexo pela droga ou dinheiro, submetem&#45;se ao risco de infec&ccedil;&atilde;o por HIV e outras infec&ccedil;&otilde;es sexualmente transmiss&iacute;veis.</p>

	    <p>Para Kessler e Pechansky (2008) a rela&ccedil;&atilde;o entre o uso de crack e mortalidade n&atilde;o &eacute; direta, mas &eacute; um fato que o &iacute;ndice de mortalidade entre os usu&aacute;rios &eacute; grande. Assim, segundo os pesquisadores, os &oacute;bitos est&atilde;o mais relacionados comumente a elementos do tr&aacute;fico, &agrave; disputa entre pontos de venda/uso ou enfrentamentos com a pol&iacute;cia do que aos problemas decorrentes do uso da droga em si.</p>

	    <p>Corroborando com esses dados, uma pesquisa de seguimento realizada em S&atilde;o Paulo com 131 usu&aacute;rios de crack, durante 2, 5 e 12 anos constatou que a taxa de mortalidade era extremamente elevada e, provavelmente, mais relacionada com fatores socioecon&ocirc;micos, em vez de o pr&oacute;prio consumo, sendo o homic&iacute;dio a causa mais comum (Dias, Ribeiro, Dunn, Sesso, Laranjeira, 2008).</p>

	    <p>V&aacute;rios estudos correlacionam o uso da droga a um aumento da agressividade, principalmente em per&iacute;odos de abstin&ecirc;ncia dos usu&aacute;rios. A rela&ccedil;&atilde;o entre esse comportamento e a mortalidade nesse grupo &eacute; forte, uma vez que as regi&otilde;es onde h&aacute; um consumo maior da droga apresentam tamb&eacute;m altos &iacute;ndices de viol&ecirc;ncia e crimes (Kessler, Pechansky, 2008).</p>

	    <p>No entanto, um dado importante &eacute; mencionado numa pesquisa recente de Ribeiro <i>et al</i>. (2010), quando afirmam que a expectativa de vida do usu&aacute;rio de crack est&aacute; aumentando devido a importantes mudan&ccedil;as na cultura do uso, como identifica&ccedil;&atilde;o de riscos e desenvolvimento de estrat&eacute;gias emp&iacute;ricas para a sobreviv&ecirc;ncia, relacionadas ao mercado il&iacute;cito de venda da droga, minimizando as situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia e morte. A pr&oacute;pria amostra desse estudo aponta um tempo m&eacute;dio de uso de crack de 11,5 anos. Do mesmo modo, na pesquisa de Dias <i>et al</i>. (2008), constatou&#45;se que as mortes declinaram consideravelmente al&eacute;m de apontarem uma estabiliza&ccedil;&atilde;o. Isso sugere ent&atilde;o a aprendizagem de estrat&eacute;gias de prote&ccedil;&atilde;o, pelos usu&aacute;rios de crack.</p>

	    <p>Soma&#45;se a isso o fato de que, muitas vezes, a prioridade dos usu&aacute;rios se foca no consumo de crack de modo que sono, alimenta&ccedil;&atilde;o, afeto, senso de responsabilidade e sobreviv&ecirc;ncia perdem o significado. Assim, tais quest&otilde;es t&ecirc;m interferido negativamente sobre a sa&uacute;de e funcionamento social do usu&aacute;rio de crack, contribuindo para sua marginaliza&ccedil;&atilde;o tanto no contexto microssocial (como nas rela&ccedil;&otilde;es familiares) quanto macrossocial (comunidades e institui&ccedil;&otilde;es).</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&Eacute; POSS&Iacute;VEL O (RE)ENCANTAMENTO?</b></p>

	    <p>O fato &eacute; que, considerando os dados epidemiol&oacute;gicos, bem como os aspectos biol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos e sociais mencionados em rela&ccedil;&atilde;o ao uso de crack e diante de escassa produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sobre esse grave problema social somos provocados a indagar a seguinte quest&atilde;o: Como contribuir para o (re) encantamento desses usu&aacute;rios, ou ainda, isso seria poss&iacute;vel?</p>

	    <p>Nesse sentido, &eacute; necess&aacute;rio mencionar a Lei n&ordm; 10.216/2001, marco legal da Reforma Psiqui&aacute;trica Brasileira, que ratificou de forma hist&oacute;rica, as diretrizes b&aacute;sicas que constituem o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), garantindo aos usu&aacute;rios de servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental &#150; e, conseq&uuml;entemente, aos que usu&aacute;rios de &aacute;lcool e outras drogas &#150; a universalidade de acesso e direito &agrave; assist&ecirc;ncia, e sua integralidade. Al&eacute;m disso, busca valorizar a descentraliza&ccedil;&atilde;o do modelo de atendimento, determinando a configura&ccedil;&atilde;o de redes assistenciais atentas &agrave;s desigualdades existentes e a&ccedil;&otilde;es voltadas &agrave;s necessidades da popula&ccedil;&atilde;o (Brasil, 2001). O fato &eacute; que esta lei tamb&eacute;m vem a ser o instrumento legal/normativo m&aacute;ximo para a Pol&iacute;tica de Aten&ccedil;&atilde;o aos Usu&aacute;rios de &Aacute;lcool e outras Drogas &#45; PAIUAD (Brasil, 2003).</p>

	    <p>A PAIUAD, por sua vez, tamb&eacute;m se encontra em sintonia para com as propostas da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de e tem como norteadores as quest&otilde;es como intersetorialidade e aten&ccedil;&atilde;o integral, que se subdivide em: preven&ccedil;&atilde;o, promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de de consumidores de &aacute;lcool e outras drogas; implanta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria, nas diversas modalidades &#45; Centros de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial (CAPS) &#45; CAPS I, II, III, infanto&#45;juvenil e &aacute;lcool e drogas, como dispositivos estrat&eacute;gicos; redes assistenciais; a pol&iacute;tica de redu&ccedil;&atilde;o de danos (PRD) e o controle de entorpecentes e subst&acirc;ncias que produzem depend&ecirc;ncia f&iacute;sica ou ps&iacute;quica (Brasil, 2003).</p>

	    <p>Mas, para Wandekoken e Siqueira (2011) essas a&ccedil;&otilde;es ainda representam um desafio para a sa&uacute;de p&uacute;blica, e h&aacute;necessidade de compreens&atilde;o dos discursos pol&iacute;ticos pela sociedade, governo e profissionais envolvidos na tem&aacute;tica da depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica de forma a contribuir para o avan&ccedil;o da rede de aten&ccedil;&atilde;o aos usu&aacute;rios de subst&acirc;ncias psicoativas que seja eficaz e de qualidade.</p>

	    <p>E no ano de 2010, foi institu&iacute;do pelo Decreto n&ordm; 7.179/10 o Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas &#45; composto de a&ccedil;&otilde;es de aplica&ccedil;&atilde;o imediata e a&ccedil;&otilde;es estruturantes. Entre as a&ccedil;&otilde;es imediatas, destacam&#45;se aquelas voltadas para o enfrentamento ao tr&aacute;fico de drogas em todo o territ&oacute;rio nacional, principalmente nos munic&iacute;pios localizados em regi&otilde;es de fronteira e a realiza&ccedil;&atilde;o de uma campanha permanente de mobiliza&ccedil;&atilde;o nacional para estimular o envolvimento ao plano. J&aacute; as a&ccedil;&otilde;es estruturantes organizam&#45;se em torno de quatro eixos: integra&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o, tratamento e reinser&ccedil;&atilde;o social; diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o sobre o consumo do crack e suas consequ&ecirc;ncias; campanha permanente de mobiliza&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o e orienta&ccedil;&atilde;o; e forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos e desenvolvimento de metodologias (Brasil, 2010).</p>

	    <p>Estes fatos expostos foram marcantes para o in&iacute;cio da constru&ccedil;&atilde;o de uma rede de aten&ccedil;&atilde;o aos usu&aacute;rios de subst&acirc;ncias psicoativas, afirmando a responsabilidade do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) em garantir a sa&uacute;de a esses indiv&iacute;duos, fam&iacute;lia e sociedade. Dessa forma, o governo deve possibilitar a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede de servi&ccedil;os de sa&uacute;de e a execu&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. Mas, no caso do uso do crack ainda h&aacute; v&aacute;rias quest&otilde;es peculiares que devem ser amplamente debatidas.</p>

	    <p>Lescher (2010, p.13) acredita que a recupera&ccedil;&atilde;o do usu&aacute;rio de crack passa pelo "reencantamento" do sujeito, de forma que "o grande desafio &eacute; oferecer oportunidades de encantamento, enraizamento e de perten&ccedil;a para essas pessoas".</p>

	    <p>Assim, considerando que se trata de uma problem&aacute;tica complexa, &eacute; necess&aacute;rio reiterar que a mesma envolve aspectos e implica&ccedil;&otilde;es sociais, culturais, psicol&oacute;gicas, biol&oacute;gicas, entre tantas outras que representam a ess&ecirc;ncia humana. Dessa forma, a tem&aacute;tica n&atilde;o pode ser compartimentalizada, mas ao contr&aacute;rio, deve receber aten&ccedil;&atilde;o hol&iacute;stica e multiprofissional. Nota&#45;se, portanto, que o uso de crack deve ser estudado de forma clara e precisa a fim de oferecer ao usu&aacute;rio um tratamento de efici&ecirc;ncia e o poss&iacute;vel (re) encantamento.</p>

	    <p>Para Kessler e Peschansky (2008), o tratamento ao usu&aacute;rio de crack &eacute; dif&iacute;cil, principalmente a partir dos modelos propostos no pa&iacute;s que devem, na maioria dos casos, incluir uma abordagem a partir dos aspectos individuais, familiares e sociais (problemas psiqui&aacute;tricos, legais e de emprego). Estes autores afirmam que o uso de psicof&aacute;rmacos pode auxiliar, mas ainda n&atilde;o h&aacute; uma medica&ccedil;&atilde;o eficaz no tratamento.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E ainda mencionam que modelos preventivos de abordagem, como por exemplo, a redu&ccedil;&atilde;o de danos, parece oferecer pouco resultado a esses usu&aacute;rios. De forma que a melhor estrat&eacute;gia requer um tratamento de longo prazo, por meio de um&nbsp; internamento interna&ccedil;&atilde;o inicial (em ambiente psiqui&aacute;trico no hospital geral) e posteriormente o atendimento deve ser continuado em comunidades terap&ecirc;uticas fechadas ou com grau de tratamento intensivo (Kessler, Peschansky, 2008).</p>

	    <p>Para Lescher (2010) o (re) encantamento &eacute; aquilo que d&aacute; sentido &agrave; "alma das pessoas ", e para tanto pode ocorrer de diferentes formas, p. ex., o teatro, uma m&uacute;sica, um emprego com carteira assinada e outros. Isso, segundo Lescher (2010) s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel de se identificar por meio do contato humano a partir de um trabalho multiprofissional.</p>

	    <p>Corroborando com essa ideia, Castro e Passos (2005) acreditam que a atua&ccedil;&atilde;o do profissional se pauta em cinco princ&iacute;pios, entre eles a express&atilde;o de empatia. Os autores a definem esta como sendo a capacidade de constru&ccedil;&atilde;o da alian&ccedil;a terap&ecirc;utica conseguida pela escuta reflexiva e respeitosa e o desejo de compreender as esperan&ccedil;as e os receios do usu&aacute;rio. A "aceita&ccedil;&atilde;o"&rsquo; dos limites do paciente facilita a ocorr&ecirc;ncia para a mudan&ccedil;a comportamental.</p>

	    <p>Diante do exposto, fica a compreens&atilde;o de que a cria&ccedil;&atilde;o de um v&iacute;nculo baseia&#45;se principalmente na empatia demonstrada pelo profissional, o que favorece de alguma forma demasiada a motiva&ccedil;&atilde;o do paciente para a continuidade do tratamento.</p>

	    <p>Em contrapartida, deve ser mencionado ainda que esses pacientes apresentam, muitas vezes, pouca motiva&ccedil;&atilde;o e baixa ades&atilde;o ao tratamento. Isso, em grau muitas vezes maior que em outras circunst&acirc;ncias. Para tanto, Kessler e Peschansky (2008) destacam que &eacute; necess&aacute;rio uma rede familiar e social que auxiliem na ades&atilde;o ao tratamento e na manuten&ccedil;&atilde;o da abstin&ecirc;ncia.</p>

	    <p>&Eacute; necess&aacute;rio destacar ainda que devido ao contexto de uso da droga e particularidades desses usu&aacute;rios, observamos na pr&aacute;tica, que muitas vezes, o acesso ao servi&ccedil;o de sa&uacute;de &eacute; dificultado. Para tanto, &eacute; de extrema import&acirc;ncia que sejam realizadas buscas ativas a esses usu&aacute;rios.</p>

	    <p>E ainda, &eacute; preciso considerar, at&eacute; mesmo pelos dados epidemiol&oacute;gicos j&aacute; apontados neste artigo, que grande parte dos dependentes em crack s&atilde;o menores de idade e para estes &eacute; fundamental o investimento em educa&ccedil;&atilde;o, alternativas de lazer, desporto, cultura e emprego.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>

	    <p>Diante dos fatos mencionados, percebe&#45;se a grande dificuldade de contribuir para que haja um (re) encantamento dos usu&aacute;rios de crack, como &eacute; proposto por Lescher.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas, o fato &eacute; que isso &eacute; sim poss&iacute;vel desde que haja um interesse sincero pelo pr&oacute;prio usu&aacute;rio de crack, de profissionais de diversas &aacute;reas, da fam&iacute;lia, da sociedade, governo, e demais envolvidos. Nesse sentido, &eacute; somente com uma proposta de atua&ccedil;&atilde;o aos usu&aacute;rios de crack que envolva os aspectos sociais, biol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos e ainda espirituais que pode se almejar um (re) encantamento. Sem esquecer &eacute; claro, da fam&iacute;lia e da rede social desse usu&aacute;rio.</p>

	    <p>Al&eacute;m disso, a problem&aacute;tica deve ser tratada de forma hol&iacute;stica e multiprofissional, pautada em princ&iacute;pios como a express&atilde;o da empatia e a cria&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos de confian&ccedil;a. Considerando que muitas vezes h&aacute; pouca motiva&ccedil;&atilde;o e ades&atilde;o aos tratamentos, &eacute; imprescind&iacute;vel a articula&ccedil;&atilde;o de uma rede social e familiar, al&eacute;m de uma busca ativa a esses usu&aacute;rios. E ainda, devem ser consideradas estrat&eacute;gias de (re) encantamento como investimentos em educa&ccedil;&atilde;o, lazer, emprego e cultura.</p>

	    <p>Assim, o fato &eacute; que diante desse assunto t&atilde;o complexo h&aacute; diversos mecanismos e estrat&eacute;gias a que se pode recorrer (desde rezas, mudan&ccedil;as no estilo de vida, psicoterapias at&eacute; medicamentos e internamentos interna&ccedil;&otilde;es). Mas, segundo Lescher (2010) toda e qualquer a&ccedil;&atilde;o deve ter um foco comum que &eacute; a "recupera&ccedil;&atilde;o da dignidade e o resgate dos sujeitos dentro de uma perspectiva humana".</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>

	    <p>Brasil. (2001). Lei n. 10.216 de 6 de abril de 2001. Disp&otilde;e sobre a prote&ccedil;&atilde;o e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em sa&uacute;de mental. <i>Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o</i>. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.</p>

	    <!-- ref --><p>Brasil. (2003). Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. <i>A Pol&iacute;tica do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de para Aten&ccedil;&atilde;o Integral a Usu&aacute;rios de &Aacute;lcool e Outras Drogas.</i> Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S1647-2160201300010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <p>Brasil. (2010). Decreto n&ordm; 7179 de 20 de maio de 2010. Institui o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, cria o seu Comit&ecirc; Gestor, e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias.&nbsp;<i>Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o</i>. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.</p>

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	    <p>Carlini, E.A., Galdur&oacute;z, J.C., Noto, A.R., Carlini, C.M., Oliveira, L.G., Nappo, S.A., Moura, Y.G., Sanchez, Z.V.D.M. (2007). <i>II</i> <i>Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotr&oacute;picas no Brasil</i><i>:</i> estudo envolvendo as 108 maiores cidades do pa&iacute;s, 2005. S&atilde;o Paulo: CEBRID/UNIFESP.</p>

	    <!-- ref --><p>Castro, M.M.L.D., Passos, S.R.L. (2005). Entrevista motivacional e escalas de motiva&ccedil;&atilde;o para tratamento em depend&ecirc;ncia de drogas. <i>Revista de Psiquiatria Cl&iacute;nica, 32</i>(6), 330&#45;335.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S1647-2160201300010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Dias AC, Ribeiro M, Dunn J, Sesso R, Laranjeira R. (2008). Follow&#45;up study of crack cocaine users: situation of the patients after 2, 5 and 12 years. <i>Abuse Substance, 29</i>(3),71&#45;79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1647-2160201300010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->&nbsp; &nbsp;</p>

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	    <!-- ref --><p>Falck, R., Wang, J., Siegal, H.A., Carlson, R.G. (2004). The prevalence of psychiatric disorder among a community sample of crack cocaine users: an exploratory study with practical implications. <i>The Journal of nervous and mental disease, 192</i>(7), 503&#45;507.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1647-2160201300010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Galdur&oacute;z, J. C., Noto, A. R., Fonseca, A. M., Carlini, E. A. (2004). <i>V Levantamento Nacional sobre o consumo de drogas psicotr&oacute;picas entre estudantes do ensino fundamental e m&eacute;dio da rede p&uacute;blica de ensino nas 27 capitais brasileiras &#150; 2004.</i> S&atilde;o Paulo: Centro Brasileiro de Informa&ccedil;&otilde;es sobre Drogas Psicotr&oacute;picas (CEBRID).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S1647-2160201300010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Oliveira, L. G., Barroso, L. P., Silveira, C. M., Sanchez, Z.V., De Carvalho, Ponce, J., Vaz, L.J., Nappo, S.A. (2009). Neuropsychological Assessment of Current and Past Crack Cocaine Users. <i>Substance use &amp; misuse</i><i>, 44</i>(13), 1941&#45;1957.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S1647-2160201300010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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	    <!-- ref --><p>Ribeiro, L. A., Sanchez, Z. M., Nappo, S. A. (2010). Estrat&eacute;gias desenvolvidas por usu&aacute;rios de crack para lidar com os riscos decorrentes do consumo de droga. <i>Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 59</i>(3), 210&#45;218.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1647-2160201300010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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	    <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 30.09.2011</p>

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