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<institution><![CDATA[,Escola Superior de Enfermagem de Coimbra Unidade Científico-Pedagógica de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Suicide portrays a situation, in which the subject decides to take his own life, trying to get rid of a situation of unbearable psychic pain. It is an act that generates substantial effects in all contexts, from the familiar to social context. Suicide in the elderly age group is a real problem, so a study of exploratory and descriptive nature that aimed to answer the following research question was made: What are the experiences felt by the family in the grieving process of the elderly who committed suicide? Seventeen bereaved relatives of elderly who committed suicide were interviewed. The sample was comprised mostly of elderly (10), in an age range of 35 to 72 years. The study sample revealed certain risk factors including isolation, loneliness, anguish and sense of abandonment, and also high levels of complicated grief and depression. It has shown yet the importance of the bonds, and the structure of social and family support in bereaved families. Understand how families deal with the problem of suicide is essential and also crucial to be aware of these profound changes in order to reduce the negative impact of these and improve their positive impact.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El suicidio representa una situación, en la que el sujeto decide quitarse la vida, tratando de librarse de una situación de dolor psíquico insoportable. Es un acto que genera efectos sustanciales en todos los ámbitos, desde el familiar al contexto social. El suicidio en el grupo de edad de personas mayores es un problema real, por lo que se realizó un estudio de carácter exploratorio y descriptivo que tuvo como objetivo responder a la siguiente pregunta de investigación: Cuáles son las experiencias sentidas por la familia en el proceso de duelo de los ancianos que se suicidaron? Se entrevistó a 17 deudos de ancianos que se suicidaron. La muestra se compone principalmente de personas mayores (10), y la edad miscelánea de 35 a 72 años. Se encontró que la muestra del estudio tiene ciertos factores de riesgo, como el aislamiento, la soledad, la angustia y la sensación de abandono. También encontró altos niveles de duelo complicado y de depresión. Aún revela la importancia de los lazos, y la estructura de apoyo social y familiar en las familias en duelo. Es esencial entender cómo los miembros de la familia reaccionan al problema del suicidio así como tener conocimiento de estos cambios profundos para reducir su impacto negativo y mejorar su impacto positivo.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Luto]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Suicídio]]></kwd>
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<kwd lng="es"><![CDATA[Familia dos suicidas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p align="right"><b>ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO</b></p>
	
	    <p>&nbsp;</p>
	
	    <p><b>Processo de luto dos familiares de idosos que se suicidaram</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>The family in the grieving process of the suicida elderly</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>La familia en el proceso de duelo de los ancianos suicidas</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Patr&iacute;cia Batista*, &amp; Jos&eacute; Carlos Santos**</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>*Mestre em Gerontologia; Enfermeira no Centro Hospitalar Cova da Beira, EPE, Servi&ccedil;o de Psiquiatria, Quinta do Pinheiro, Lote 21, R/C A, 6200&#45;552 Covilh&atilde;, Portugal. E&#45;mail: <a href="mailto:patricia_xavier@hotmail.com">patricia_xavier@hotmail.com</a></p>

	    <p>**Doutor em Sa&uacute;de Mental; Enfermeiro especialista em Enfermagem de Sa&uacute;de Mental e Psiqui&aacute;trica; Professor Coordenador na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra &#150; UCP de Enfermagem de Sa&uacute;de Mental e Psiquiatria, 3046&#45;851 Coimbra, Portugal. E&#45;mail: <a href="mailto:jcsantos@esenfc.pt">jcsantos@esenfc.pt</a></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>RESUMO</b></p>

	    <p>O suic&iacute;dio retrata uma situa&ccedil;&atilde;o, na qual o sujeito decide acabar com a pr&oacute;pria vida, tentando assim livrar&#45;se de uma situa&ccedil;&atilde;o de dor ps&iacute;quica insuport&aacute;vel. &Eacute; um ato que gera repercuss&otilde;es importantes em todos os contextos, desde o familiar at&eacute; ao contexto social. O suic&iacute;dio na faixa et&aacute;ria dos idosos &eacute; um problema real, pelo que foi realizado um estudo de natureza explorat&oacute;rio&#45;descritiva que teve como objetivo responder &agrave; seguinte quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o: quais s&atilde;o as viv&ecirc;ncias sentidas pelos familiares no processo de luto dos idosos que se suicidaram. Foram entrevistados 17 familiares enlutados de idosos que se suicidaram. A amostra constitu&iacute;da foi maioritariamente de idosos (10), tendo a idade variado dos 35 anos aos 72 anos. A amostra em estudo revelou ter alguns fatores de risco, nomeadamente o isolamento, a solid&atilde;o, a ang&uacute;stia e a no&ccedil;&atilde;o de abandono. Al&eacute;m disso, apresentou n&iacute;veis elevados de luto complicado e depress&atilde;o. Revelou tamb&eacute;m a import&acirc;ncia dos la&ccedil;os, da estrutura e do suporte social e familiar nas fam&iacute;lias enlutadas. Urge compreender como os familiares lidam com o problema do suic&iacute;dio sendo fundamental ter conhecimento destas altera&ccedil;&otilde;es profundas para que se atenue o impacto negativo das mesmas e se potencie o seu impacto positivo.</p>

	    <p><b>Palavras&#45;Chave:</b> Luto; Suic&iacute;dio; Idoso; Fam&iacute;lia de suicidas</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>ABSTRACT</b></p>

	    <p>Suicide portrays a situation, in which the subject decides to take his own life, trying to get rid of a situation of unbearable psychic pain. It is an act that generates substantial effects in all contexts, from the familiar to social context. Suicide in the elderly age group is a real problem, so a study of exploratory and descriptive nature that aimed to answer the following research question was made: What are the experiences felt by the family in the grieving process of the elderly who committed suicide? Seventeen bereaved relatives of elderly who committed suicide were interviewed. The sample was comprised mostly of elderly (10), in an age range of 35 to 72 years. The study sample revealed certain risk factors including isolation, loneliness, anguish and sense of abandonment, and also high levels of complicated grief and depression. It has shown yet the importance of the bonds, and the structure of social and family support in bereaved families. Understand how families deal with the problem of suicide is essential and also crucial to be aware of these profound changes in order to reduce the negative impact of these and improve their positive impact.</p>

	    <p><b>Keywords:</b> Mourning; Suicide; Elderly; Family of suicidal</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

	    <p><b>RESUMEN</b></p>

	    <p>El suicidio representa una situaci&oacute;n, en la que el sujeto decide quitarse la vida, tratando de librarse de una situaci&oacute;n de dolor ps&iacute;quico insoportable. Es un acto que genera efectos sustanciales en todos los &aacute;mbitos, desde el familiar al contexto social. El suicidio en el grupo de edad de personas mayores es un problema real, por lo que se realiz&oacute; un estudio de car&aacute;cter exploratorio y descriptivo que tuvo como objetivo responder a la siguiente pregunta de investigaci&oacute;n: Cu&aacute;les son las experiencias sentidas por la familia en el proceso de duelo de los ancianos que se suicidaron? Se entrevist&oacute; a 17 deudos de ancianos que se suicidaron. La muestra se compone principalmente de personas mayores (10), y la edad miscel&aacute;nea de 35 a 72 a&ntilde;os. Se encontr&oacute; que la muestra del estudio tiene ciertos factores de riesgo, como el aislamiento, la soledad, la angustia y la sensaci&oacute;n de abandono. Tambi&eacute;n encontr&oacute; altos niveles de duelo complicado y de depresi&oacute;n. A&uacute;n revela la importancia de los lazos, y la estructura de apoyo social y familiar en las familias en duelo. Es esencial entender c&oacute;mo los miembros de la familia reaccionan al problema del suicidio as&iacute; como tener conocimiento de estos cambios profundos para reducir su impacto negativo y mejorar su impacto positivo.</p>

	    <p><b>Descriptores</b>: Duelo; El suicidio; Ancianos; Familia dos suicidas</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>

	    <p>A popula&ccedil;&atilde;o acima dos 65 anos &eacute; a que mais cresce em Portugal e na maior parte do mundo, o que justifica um olhar atento para os problemas sociais e de sa&uacute;de que a afetam. &Eacute; importante destacar que o suic&iacute;dio &eacute; um fen&oacute;meno complexo e &eacute; uma das dimens&otilde;es do comportamento suicid&aacute;rio que inclui um <i>continuum</i> de comportamentos que v&atilde;o desde, pensamentos de autoles&atilde;o, passando por amea&ccedil;as, gestos, tentativas de suic&iacute;dio at&eacute;, ao desfecho fatal, qualquer que seja o grau de inten&ccedil;&atilde;o letal e de conhecimento do verdadeiro motivo desse ato (Werlang e Botega, 2004).</p>

	    <p>Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS, 2003), o suic&iacute;dio &eacute; definido como um ato de p&ocirc;r termo &agrave; pr&oacute;pria vida, com um resultado fatal, que foi deliberadamente iniciado e preparado, com o pr&eacute;vio conhecimento do seu resultado final e atrav&eacute;s do qual o indiv&iacute;duo pensou fazer o que desejava.</p>

	    <p>O suic&iacute;dio afeta todos os grupos et&aacute;rios mas alguns est&atilde;o em maior risco do que outros, tais como, pessoas com hist&oacute;rico de tentativas de suic&iacute;dio ou automutila&ccedil;&atilde;o, com dist&uacute;rbios psiqui&aacute;tricos, assim como, o pr&oacute;prio medo das doen&ccedil;as, constituem nas camadas mais envelhecidas fatores de risco. Por sua vez, o isolamento e os pr&oacute;prios eventos de vida, tamb&eacute;m condicionam a suicidalidade nos idosos (<i>International Association for Suicide Prevention</i> &#91;IASP&#93;, 2012).</p>

	    <p>A OMS (2001) estima que em 2020, aproximadamente 1.53 milh&otilde;es de pessoas morrer&atilde;o por suic&iacute;dio no mundo. O suic&iacute;dio &eacute;, atualmente, uma das tr&ecirc;s principais causas de morte entre os jovens e adultos dos 15 aos 34 anos, embora a maioria dos casos aconte&ccedil;a entre pessoas com mais de 60 anos. Ainda segundo a OMS, a m&eacute;dia de suic&iacute;dios aumentou 60% nos &uacute;ltimos 50 anos, em particular nos pa&iacute;ses em desenvolvimento. O que se observa &eacute; que, com o aumento da idade, aumenta tamb&eacute;m o risco depressivo e a tend&ecirc;ncia para o suic&iacute;dio (OMS, 2001; Werlang e Botega, 2004).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objetivo geral do trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o foi conhecer as viv&ecirc;ncias sentidas pelos familiares no processo de luto dos idosos que se suicidaram e centrou&#45;se ao n&iacute;vel da p&oacute;sven&ccedil;&atilde;o <i>&#150; postvention</i>.</p>

	    <p>A p&oacute;sven&ccedil;&atilde;o &eacute; uma estrat&eacute;gia onde as a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o realizadas ap&oacute;s um suic&iacute;dio naqueles que foram afetados por este fato (familiares, amigos, colegas, entre outros). Elas est&atilde;o direcionadas para a informa&ccedil;&atilde;o, o apoio, a assist&ecirc;ncia imediata e o acompanhamento das pessoas que devem ser consideradas em risco. Este risco deve ser entendido nas suas diversas gradua&ccedil;&otilde;es, onde o &oacute;bito por suic&iacute;dio &eacute; entendido como um fator precipitante de outros eventos deste tipo.</p>

	    <p>O suic&iacute;dio tem repercuss&otilde;es a diversos n&iacute;veis, na sociedade, nos familiares, nos amigos, nos colegas, entre outras pessoas, causando um impacto psicol&oacute;gico que permanece bastante intenso mesmo para aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m liga&ccedil;&atilde;o direta com a pessoa que se suicidou.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Suic&iacute;dio</b></p>

	    <p>O estudo do suic&iacute;dio envolve e implica m&uacute;ltiplos aspetos, a n&iacute;vel individual, familiar, social ou ideol&oacute;gico e exige o esfor&ccedil;o e a coopera&ccedil;&atilde;o entre especialistas de diversas disciplinas e ramos cient&iacute;ficos, de modo a que seja alcan&ccedil;ada uma vis&atilde;o ampla e n&atilde;o meramente parcelar da realidade (Sampaio, 1991).</p>

	    <p>Shneidman (1985) afirma ser fundamental a combina&ccedil;&atilde;o dos seguintes elementos para haver um suic&iacute;dio: sentimento de dor intoler&aacute;vel &#45; diretamente relacionada com a frustra&ccedil;&atilde;o pelas necessidades psicol&oacute;gicas b&aacute;sicas n&atilde;o terem sido satisfeitas; atitude de se autodesvalorizar (autodenegrir) &#45; autoimagem que n&atilde;o consegue aguentar a dor psicol&oacute;gica intensa; constri&ccedil;&atilde;o marcada da mente e um preju&iacute;zo das tarefas do dia&#45;a&#45;dia; sensa&ccedil;&atilde;o de isolamento &#150; um sentimento de deser&ccedil;&atilde;o e perda de suporte de pessoas significativas; intenso e desesperado sentimento de desesperan&ccedil;a &#150; a sensa&ccedil;&atilde;o de que j&aacute; nada pode ser feito; decis&atilde;o consciente de fuga &#150; abandono, desaparecimento ou interrup&ccedil;&atilde;o (cessa&ccedil;&atilde;o ou paragem) da vida &#150; como a &uacute;nica (ou pelo menos a melhor poss&iacute;vel) solu&ccedil;&atilde;o para resolver o problema da dor intoler&aacute;vel.</p>

	    <p>No que diz respeito &agrave; epidemiologia do suic&iacute;dio torna&#45;se importante destacar que as estat&iacute;sticas oficiais s&atilde;o bastante subestimadas, uma vez que, ocorrem subnotifica&ccedil;&otilde;es decorrentes, muitas vezes, de falhas na identifica&ccedil;&atilde;o e classifica&ccedil;&atilde;o da causa de morte.</p>

	    <p>Em Portugal, &eacute; ainda um fen&oacute;meno que atinge maioritariamente os idosos, mas o aumento dos anos de vida potencialmente perdidos diz&#45;nos que algo est&aacute; a mudar e que, cada vez mais, suicidam&#45;se mais pessoas em idade ativa (Ordem dos Enfermeiros, 2012). &nbsp;</p>

	    <p>As taxas de suic&iacute;dio, por 100.000 habitantes, em 2010, no grupo et&aacute;rio dos 65&#45;74 anos, e mais de 75 anos, s&atilde;o de 28.4 e 67.4 respetivamente, no g&eacute;nero masculino. Em rela&ccedil;&atilde;o ao g&eacute;nero feminino e, falando do mesmo ano e dos mesmos grupos et&aacute;rios, apresentam&#45;se valores de 8.2 e 11.5 respetivamente, o que traduzem diferen&ccedil;as significativas (Instituto Nacional de Estat&iacute;stica &#91;INE&#93;, 2013). Portugal, encontra&#45;se na 35.&ordm; posi&ccedil;&atilde;o com uma taxa de 10.4 suic&iacute;dios, por 100.000 habitantes, ou seja, quase o dobro do que ocorreu na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XX (Sociedade Portuguesa de Suicidologia &#91;SPS&#93;, 2010).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No caso particular da Cova da Beira, trata&#45;se de uma sub&#45;regi&atilde;o bastante envelhecida, cujo &iacute;ndice de envelhecimento da Covilh&atilde;, Belmonte e Fund&atilde;o s&atilde;o, em 2011, de 195.0, 227.2 e 237.6, respetivamente. Importa salientar que o &iacute;ndice de envelhecimento em Portugal, em 2011, &eacute; de 129.6 (INE, 2011; PORDATA, 2012).</p>

	    <p>O suic&iacute;dio entre as pessoas idosas constitui&#45;se um grave problema para as sociedades das mais diversas partes do mundo (Minayo e Cavalcante, 2010). Tal fato torna&#45;se mais grave, se se considerar que as taxas de suic&iacute;dio em pa&iacute;ses industrializados t&ecirc;m aumentado com a idade, sobretudo em homens idosos, al&eacute;m disso, o comportamento suicid&aacute;rio em pessoas idosas &eacute; mais efetivo, com maior taxa de mortalidade do que em pessoas mais jovens (Cattell, 2000).O mesmo autor acrescenta ainda que, apesar do suic&iacute;dio e a sua preven&ccedil;&atilde;o serem uma &aacute;rea de prioridade de assist&ecirc;ncia na Europa, o suic&iacute;dio nas pessoas idosas permanece um assunto negligenciado em todo o mundo, recebendo pouca aten&ccedil;&atilde;o profil&aacute;tica e interesse cient&iacute;fico.</p>

	    <p>Pires <i>et al</i>. (2009) sumarizam os fatores que podem justificar o padr&atilde;o de suicidalidade no geral e, em particular, nos idosos, nomeadamente, a depress&atilde;o como um aspeto predisponente ao comportamento suicid&aacute;rio, a presen&ccedil;a de doen&ccedil;as f&iacute;sicas, sobretudo as doen&ccedil;as cr&oacute;nicas e incapacitantes como o cancro. Foram citados ainda, como relevantes, o isolamento social, outras doen&ccedil;as psiqui&aacute;tricas (al&eacute;m da depress&atilde;o), a viuvez, o div&oacute;rcio ou nunca ter tido um relacionamento marital, aspetos &eacute;tnicos (como ser branco), fatores econ&oacute;micos (como o desemprego e o n&iacute;vel de renda m&eacute;dia/alta) e o falecimento de pessoas significativas. O comportamento suicid&aacute;rio nos idosos, a dem&ecirc;ncia, o consumo de &aacute;lcool ou o alcoolismo, as doen&ccedil;as card&iacute;acas, a hipertens&atilde;o arterial, a disponibilidade de benzodiazepinas, os antidepressivos, os barbit&uacute;ricos, os antipsic&oacute;ticos, os ansiol&iacute;ticos ou tranquilizantes, ser do sexo masculino e ter mais de 75 anos, morar em pa&iacute;ses industrializados, ter problemas de relacionamento, perder o seu domicilio ou sociedade, possuir alguns tra&ccedil;os de personalidade (orgulho, rigidez, pessimismo, sentimento de desesperan&ccedil;a, nega&ccedil;&atilde;o do envelhecimento, comportamentos obsessivos), a perda de habilidades, a diminui&ccedil;&atilde;o da possibilidade de escolhas, a diminui&ccedil;&atilde;o da qualidade de sono, a aus&ecirc;ncia de algu&eacute;m em que se possa confiar, a perda do papel tradicional na fam&iacute;lia, a redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de cuidadores, a depend&ecirc;ncia de outras pessoas, o hist&oacute;rico de internamento e a ocorr&ecirc;ncia de alguma tentativa de suic&iacute;dio anterior, tamb&eacute;m foram real&ccedil;ados como fatores de risco para o suic&iacute;dio na faixa et&aacute;ria de idosos.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Viv&ecirc;ncias dos Familiares no Processo de Luto</b></p>

	    <p>As perdas significativas ou traum&aacute;ticas podem nunca chegar a ser totalmente resolvidas. Para al&eacute;m disso, a adapta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; equivalente a uma resolu&ccedil;&atilde;o no sentido de ultrapassar completamente e, de uma vez por todas, a perda. O luto e a adapta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o t&ecirc;m um tempo fixo ou uma sequ&ecirc;ncia linear. A perda &eacute; um acontecimento de vida universal podendo ser vivida de modo traum&aacute;tico especialmente, quando os indiv&iacute;duos se focam em aspetos amea&ccedil;adores da sua experi&ecirc;ncia, revelando preju&iacute;zos funcionais a longo prazo, inerentes a dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o e de restabelecimento do estado pr&eacute;&#45;perda (Kristjanson, Lobb, Aorun e Monterosso, 2006).</p>

	    <p>O luto &eacute; definido como um conjunto de rea&ccedil;&otilde;es emocionais, f&iacute;sicas, comportamentais e sociais que aparecem como resposta a uma perda, seja real ou imaginativa (perda de um ideal, de uma expetativa), seja uma perda por morte ou pela cessa&ccedil;&atilde;o/diminui&ccedil;&atilde;o de uma fun&ccedil;&atilde;o, possibilidade ou oportunidade. O luto &eacute; uma resposta natural &agrave; perda de um ente querido, sendo este um acontecimento stressante que, a maioria das pessoas, ter&aacute; que enfrentar ao longo da vida. Uma grande perda &eacute; um processo de transi&ccedil;&atilde;o que obriga as pessoas a adaptarem &agrave;s suas conce&ccedil;&otilde;es sobre o mundo e sobre si pr&oacute;prias (Parkes, 1998).</p>

	    <p>Por vezes, os casos de luto podem evoluir desfavoravelmente, resultando em consequ&ecirc;ncias severas que afetam a sa&uacute;de mental e f&iacute;sica dos enlutados. S&atilde;o as formas de Luto Complicado (LC) em que a maior associa&ccedil;&atilde;o diz respeito a problemas de sa&uacute;de como depress&atilde;o, ansiedade, abuso de &aacute;lcool e/ou medicamentos, risco de doen&ccedil;as e suic&iacute;dios. Os sintomas de LC predizem, a longo prazo, uma incapacidade funcional de adapta&ccedil;&atilde;o (Prigerson <i>et al</i>. 1995).</p>

	    <p>Jordan e McIntosh (2011) propuseram v&aacute;rios n&iacute;veis de rea&ccedil;&atilde;o ao luto por suic&iacute;dio, tais como: a tristeza e o desejo de se reunir com o falecido (carater&iacute;sticas ap&oacute;s mortes inesperadas), o choque, nomeadamente a sensa&ccedil;&atilde;o de irrealidade sobre a morte e o trauma de encontrar um corpo mutilado e destru&iacute;do. Para al&eacute;m destas rea&ccedil;&otilde;es comuns, os sobreviventes de suic&iacute;dio vivenciam carater&iacute;sticas que parecem ser &uacute;nicas do luto por suic&iacute;dio como, a raiva do falecido em "escolher" a morte sobreposta &agrave; vida e o sentimento de abandono.</p>

	    <p>Sveen e Walby (2008) acrescentam ainda que as rea&ccedil;&otilde;es dos sobreviventes diferem em consequ&ecirc;ncia da hist&oacute;ria anterior de suic&iacute;dio do falecido e a expetativa de morte, ou seja, podem vivenciar depois do suic&iacute;dio o sentimento de al&iacute;vio (muitas vezes, subjetivamente percebido como inaceit&aacute;vel e juntamente com culpa), assim como, podem reagir com um choque acompanhado por entorpecimento e descren&ccedil;a (naqueles para quem a morte do falecido aconteceu inesperadamente).</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De fato, uma morte por suic&iacute;dio pode afetar as pessoas nos mais variados tipos de relacionamento e, alterar as rela&ccedil;&otilde;es entre os membros da fam&iacute;lia para com os parentes mais distantes, amigos, vizinhos e empregadores. J&aacute; foram feitas v&aacute;rias tentativas em avaliar o n&uacute;mero de sobreviventes de suic&iacute;dio. Por exemplo, Shneidman sugeriu uma m&eacute;dia de seis sobreviventes enlutados por suic&iacute;dio, por outro lado Wrobleski (2002), sugeriu que havia dez sobreviventes deixados ap&oacute;s a morte por suic&iacute;dio. A primeira estimativa sistem&aacute;tica do n&uacute;mero de sobreviventes de suic&iacute;dio foi feita numa pesquisa entre os membros de grupos de apoio de sobrevivente de suic&iacute;dio e, de acordo com Berman (2011), descobriu que o n&uacute;mero varia consideravelmente, dependendo do tipo da rela&ccedil;&atilde;o, da frequ&ecirc;ncia de contacto entre o falecido e os enlutados e da idade do falecido. &Eacute; importante consciencializar que o luto &eacute; um processo din&acirc;mico, ativo, que varia de pessoa para pessoa e que os sobreviventes experienciam in&uacute;meras viv&ecirc;ncias de luto.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Estudo Emp&iacute;rico: Metodologia</b></p>

	    <p>O estudo foi desenhado com a inten&ccedil;&atilde;o de responder &agrave; seguinte quest&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o: Quais s&atilde;o as viv&ecirc;ncias sentidas pelos familiares no processo de luto dos idosos que se suicidaram, na Cova da Beira?</p>

	    <p>No presente estudo, foi utilizada uma amostra n&atilde;o probabil&iacute;stica por acessibilidade em sintonia com os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o, nomeadamente, familiares de idosos residentes na Cova da Beira, que se suicidaram no per&iacute;odo compreendido entre 2005 a 2011.</p>

	    <p>A recolha da amostra foi feita atrav&eacute;s das seguintes formas:</p>

	    <p>    <li>Contacto com os Presidentes de Junta de Freguesia e popula&ccedil;&atilde;o residente nas freguesias, no sentido de referenciarem casos que se inclu&iacute;ssem no estudo;</li></p>

	    <p>    <li>Pedido de autoriza&ccedil;&atilde;o ao Comando Territorial de Castelo Branco no sentido de referenciar casos que integrassem o estudo. As respetivas autoridades entraram em contacto com os familiares, solicitando autoriza&ccedil;&atilde;o para a participa&ccedil;&atilde;o no estudo. Ap&oacute;s ter sido dada autoriza&ccedil;&atilde;o por parte dos familiares foi feito contacto pr&eacute;vio, pelo entrevistador, para agendamento da entrevista.</li></p>
	
	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O per&iacute;odo de colheita de dados realizou&#45;se entre os meses de agosto e setembro de 2012.</p>

	    <p>Como instrumento de colheita de dados foi utilizada a entrevista semiestruturada, face a face, dada a sensibilidade da tem&aacute;tica. O gui&atilde;o da entrevista semiestruturada seguiu a seguinte estrutura&ccedil;&atilde;o: Partes A e B referem&#45;se aos dados de identifica&ccedil;&atilde;o que permitem fazer uma carateriza&ccedil;&atilde;o pessoal e sociodemogr&aacute;fica do familiar do idoso que se suicidou. Integraram tamb&eacute;m perguntas abertas, nomeadamente, a descri&ccedil;&atilde;o de um dia tipo e de que forma o suic&iacute;dio o/a afetou. Para a an&aacute;lise destas duas perguntas foi realizada an&aacute;lise de conte&uacute;do.</p>

	    <p>Utilizaram&#45;se como instrumentos de investiga&ccedil;&atilde;o de suporte ao estudo: o Invent&aacute;rio de Luto Complicado de Prigerson <i>et al</i>. (1995) traduzido por Frade (2010); a Escala de Depress&atilde;o Geri&aacute;trica, GDS&#45;30 de Yesavage et al.(1983) traduzida por Barreto, Leuschner, Santos e Sobral (2008); a Escala de Satisfa&ccedil;&atilde;o Social (ESSS) de Ribeiro (1999) e a Escala de Apgar Familiar de Smilkstein (1978) vers&atilde;o portuguesa de Agostinho e Rebelo (1988).</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Resultados</b></p>

	    <p>Nas tabelas seguintes s&atilde;o apresentados os dados do estudo no que diz respeito &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o e carateriza&ccedil;&atilde;o da amostra (<a href="#t1">Tabela 1</a>), ao ano de ocorr&ecirc;ncia do suicidio (<a href="#t2">Tabela 2</a>) e &agrave;s viv&ecirc;ncias dos familiares dos suicidas (<a href="#t3">Tabela 3</a>).</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	<a name="t1">

	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n12/n12a03t1.jpg"></p>

	    
<p>&nbsp;</p>

	<a name="t2">

	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n12/n12a03t2.jpg"></p>

	    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>

	<a name="t3">

	    <p><img src="/img/revistas/rpesm/n12/n12a03t3.jpg"></p>

	    
<p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Discuss&atilde;o</b></p>

	    <p>No que diz respeito &agrave; carateriza&ccedil;&atilde;o da amostra, &eacute; constitu&iacute;da por 17 familiares enlutados de idosos que se suicidaram, no per&iacute;odo compreendido entre 2005 a 2011. O ano com mais casos notificados foi 2010, com cinco casos, seguidamente de 2005 com quatro casos, 2009 e 2011 com tr&ecirc;s casos, respetivamente, e 2006 e 2007 com um caso notificado.</p>

	    <p>&nbsp;Em termos da vari&aacute;vel idade dos familiares enlutados, esta variou dos 35 aos 72 anos, cuja idade m&eacute;dia foi de 59 anos. &Eacute; uma amostra com predomin&acirc;ncia do g&eacute;nero feminino e do estado civil vi&uacute;vo. Dos familiares vi&uacute;vos, seis vivem sozinhos, tendo ajuda do(s) filho(s) que, na maioria dos casos vive distante, noutro distrito ou mesmo pa&iacute;s. Ainda dos familiares vi&uacute;vos, sete s&atilde;o mulheres, ou seja, esposas do suicida. A idade, o g&eacute;nero e o estado civil s&atilde;o considerados fatores sociais e demogr&aacute;ficos precipitantes dos comportamentos suicid&aacute;rios(SPS, 2008). No que se refere ao g&eacute;nero, como fator de vulnerabilidade para o suic&iacute;dio em idosos, os estudos identificam o sexo masculino como tendo maior probabilidade para a manifesta&ccedil;&atilde;o desse comportamento (Cattell, 2000; Quan, Arboleda&#45;Fl&oacute;rez, Flick, Stuart, Love<i>,</i> 2002; Lamprecht, Pakrasi; Gash; Swann, 2005).</p>

	    <p>Pode&#45;se referir que, na amostra da Cova da Beira, houve uma maior representatividade do meio rural com 11 familiares. De acordo com os dados obtidos na revis&atilde;o te&oacute;rica a respeito da epidemiologia, verifica&#45;se que na Cova da Beira existe um predom&iacute;nio do meio rural.</p>

	    <p>Quanto ao n&iacute;vel de escolaridade da amostra, o ensino prim&aacute;rio &eacute; predominante em seis casos, seguindo&#45;se o n&iacute;vel secund&aacute;rio e universit&aacute;rio em tr&ecirc;s casos e, dois casos cujo ensino &eacute; o preparat&oacute;rio. Duas pessoas n&atilde;o frequentaram a escola e uma n&atilde;o completou o ensino prim&aacute;rio.</p>

	    <p>No que se refere &agrave; presen&ccedil;a de doen&ccedil;as, 10 familiares de suicidas t&ecirc;m doen&ccedil;as cr&oacute;nicas. As doen&ccedil;as cr&oacute;nicas mais referidas foram a depress&atilde;o, os problemas osteoarticulares e card&iacute;acos. Pires <i>et al</i>. (2009) consideram a depress&atilde;o como um aspeto predisponente ao comportamento suicid&aacute;rio, na faixa et&aacute;ria dos idosos.</p>

	    <p>No que diz respeito &agrave; religiosidade, 15 familiares responderam ter religi&atilde;o, sendo a religi&atilde;o cat&oacute;lica a que predomina. Apenas um familiar &eacute; testemunha de Jeov&aacute;. Destaca&#45;se a religi&atilde;o como fator protetor da amostra.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na amostra, o m&eacute;todo mais utilizado pelo idoso suicida foi o enforcamento, ocorrendo em 12 casos, dos quais cinco ocorreram em casa. Em rela&ccedil;&atilde;o aos restantes, houve dois casos por afogamento fora de casa e dois casos de atropelamento na linha f&eacute;rrea. Estes dados v&ecirc;m ao encontro do registado para a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa onde o enforcamento &eacute; o m&eacute;todo mais comum.</p>

	    <p>No que diz respeito &agrave; figura de refer&ecirc;ncia quando os familiares dos suicidas precisam de ajuda s&atilde;o os filhos os mais procurados (seis casos) contudo, outras pessoas foram referidas tais como, o padre, linha de atendimento Sa&uacute;de 24, o psic&oacute;logo. Salienta&#45;se aqui o papel preponderante da fam&iacute;lia na p&oacute;sven&ccedil;&atilde;o. Os t&eacute;cnicos de sa&uacute;de s&atilde;o pouco referenciados pelos familiares que constituem a amostra, o que enfatiza a import&acirc;ncia da rede de suporte social.</p>

	    <p>Pode&#45;se visualizar a import&acirc;ncia de que se reveste cada vari&aacute;vel para o familiar enlutado num comportamento suicida. Verifica&#45;se a predomin&acirc;ncia de alguns fatores de prote&ccedil;&atilde;o, nesta amostra, nomeadamente o suporte social e familiar, cren&ccedil;as culturais e religiosas (<i>Department of Health and Human Services</i> &#91;DHHS&#93;, 1999).</p>

	    <p>Ainda no que diz respeito &agrave; carateriza&ccedil;&atilde;o da amostra, em termos de resultados obtidos atrav&eacute;s dos instrumentos de investiga&ccedil;&atilde;o aplicados, chega&#45;se &agrave; conclus&atilde;o que em rela&ccedil;&atilde;o ao LC existem 12 familiares num processo de LC, cujas dificuldades mais sentidas s&atilde;o as dificuldades de separa&ccedil;&atilde;o, seguidas das dificuldades de nega&ccedil;&atilde;o e revolta e das dificuldades traum&aacute;ticas. As restantes dimens&otilde;es (depressivas e psic&oacute;tica) est&atilde;o presentes, contudo em menor percentagem. Apesar das suas particulares carater&iacute;sticas vinculativas, la&ccedil;os afetivos inatos criados unidirecionalmente, pela familiaridade e proximidade com as figuras parentais &eacute; perante uma perda que um desequil&iacute;brio pode, de fato, acontecer (Bowlby 1980; Sanders, 1999). Encontramos as respostas para este poss&iacute;vel desequil&iacute;brio na rea&ccedil;&atilde;o individual de cada membro, no seu modo particular de reagir e lidar com a perda. Assim, n&atilde;o &eacute; s&oacute; o impacto da perda, normalmente intenso e prolongado, mas tamb&eacute;m as suas consequ&ecirc;ncias n&atilde;o reconhecidas pelo sistema familiar que podem levar &agrave; rutura no equil&iacute;brio familiar (Brown, 1989).</p>

	    <p>Prigerson <i>et al</i>., (1995) salientam que os sintomas de LC predizem, a longo prazo, uma incapacidade funcional de adapta&ccedil;&atilde;o. Existe um conjunto de fatores que fazem com que o luto seja mais duradouro do que seria de esperar.</p>

	    <p>No caso da GDS&#45;30, verifica&#45;se a presen&ccedil;a de depress&atilde;o grave em quatro familiares, e depress&atilde;o ligeira noutros 4 familiares e nos restantes verifica&#45;se aus&ecirc;ncia de depress&atilde;o.</p>

	    <p>Contrapondo com a literatura os resultados obtidos na amostra, h&aacute; perdas t&atilde;o significativas ou traum&aacute;ticas que podem nunca chegar a ser totalmente resolvidas, resultando em processos de depress&atilde;o grave (Prigerson <i>et al</i>., 1995). Os resultados mostram, concomitantemente que, quanto maior &eacute; a sintomatologia depressiva, maior era tamb&eacute;m a autoperce&ccedil;&atilde;o de solid&atilde;o e menor era a autoperce&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de.</p>

	    <p>No que diz respeito &agrave; ESSS, ou seja, ao suporte social percebido para a sa&uacute;de, bem&#45;estar, qualidade de vida e mal&#45;estar, com v&aacute;rias dimens&otilde;es SA (satisfa&ccedil;&atilde;o com os amigos), IN (intimidade), SF (satisfa&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia), e AS (atividades sociais), apenas cinco familiares apresentam uma perce&ccedil;&atilde;o mais baixa de suporte social, cujo resultado m&iacute;nimo &eacute; de 31, apresentando as restantes fam&iacute;lias maior suporte social, cujo resultado m&aacute;ximo &eacute; de 68. Fica a d&uacute;vida se &eacute; devido ao meio rural, o que necessitaria de um estudo para se poder correlacionar vari&aacute;veis.</p>

	    <p>No que se refere &agrave; Escala de Apgar, ou seja, a funcionalidade familiar, nove fam&iacute;lias apresentam&#45;se altamente funcionais, seis com uma disfun&ccedil;&atilde;o leve e duas com uma disfun&ccedil;&atilde;o severa. Os dados nesta escala encontram&#45;se em conson&acirc;ncia com os dados obtidos atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o da escala ESSS, pelo que pode&#45;se afirmar que n&atilde;o houve falsas respostas. Tamb&eacute;m se pode salientar, tal como &eacute; referido na revis&atilde;o te&oacute;rica, a import&acirc;ncia dos la&ccedil;os, da estrutura e do suporte social e familiar.</p>

	    <p>No que diz respeito ao estudo qualitativo do agregado familiar, mais particularmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s viv&ecirc;ncias por parte dos familiares de idosos que se suicidaram, verificou&#45;se que a saudade foi a viv&ecirc;ncia referida pela totalidade dos familiares suicidas. Seguidamente foram referidas viv&ecirc;ncias como a tristeza, o choque, o abandono, a ang&uacute;stia, o desamparo, a solid&atilde;o, o evitamento, a revolta, a incredibilidade, a aceita&ccedil;&atilde;o, a ansiedade, a d&uacute;vida e a impot&ecirc;ncia. Estas viv&ecirc;ncias podem ser salientadas pelos seguintes relatos dos familiares suicidas: "no geral afetou tudo, h&aacute; momentos em que n&atilde;o acredito e estou &agrave; espera que ele chegue"; "sinto&#45;me cada vez pior, fiquei mais nervosa, sinto&#45;me angustiada, fiquei com a imagem dele enforcado, tenho pesadelos durante a noite, n&atilde;o consegui ir ao funeral, n&atilde;o consigo ir a casa"; "n&atilde;o h&aacute; palavras que expliquem"; "reagi com tristeza"; "sinto muito a falta dele, foi uma grande perda"; senti&#45;me e sinto&#45;me como se tivesse perdido muitos anos da minha vida"; "o mundo parece que tinha desabado para mim"; "&eacute; algo que fica para o resto da vida e que nunca se esquece, &eacute; uma revolta".</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os resultados da amostra focalizam alguns dos resultados pesquisados na revis&atilde;o te&oacute;rica, nomeadamente em que, Jordan e McIntosh (2011), propuseram v&aacute;rios n&iacute;veis de rea&ccedil;&atilde;o ao luto, tais como a tristeza e o desejo de se reunir com o falecido, o choque e a sensa&ccedil;&atilde;o de irrealidade sobre a morte. Para al&eacute;m destas rea&ccedil;&otilde;es comuns, os sobreviventes de suic&iacute;dio vivenciam carater&iacute;sticas que parecem ser &uacute;nicas do luto por suic&iacute;dio como, a raiva do falecido em "escolher" a morte sobreposta &agrave; vida (que na amostra traduziu&#45;se pela viv&ecirc;ncia de revolta) e o sentimento de abandono.</p>

	    <p>A an&aacute;lise de conte&uacute;do realizada tamb&eacute;m vai ao encontro dos estudos que Boelen, Bout e Hout (2003) realizaram a respeito da rela&ccedil;&atilde;o entre cogni&ccedil;&otilde;es negativas e os problemas emocionais ap&oacute;s o luto, com o intuito de adquirirem um maior conhecimento acerca dos mecanismos psicol&oacute;gicos subjacentes que est&atilde;o envolvidos no desenvolvimento e persist&ecirc;ncia dos problemas emocionais em que, apesar da perda de uma pessoa amada ser geralmente considerada como um dos acontecimentos de vida mais stressantes que a pessoa pode experimentar, a maioria dos indiv&iacute;duos recuperam da perda sem ajuda profissional. Por&eacute;m, algumas pessoas n&atilde;o recuperam e experimentam altera&ccedil;&otilde;es constantes na sa&uacute;de mental. Os problemas comummente observados incluem depress&atilde;o, sintomas da perturba&ccedil;&atilde;o de p&oacute;s&#45;stresse traum&aacute;tico e outras perturba&ccedil;&otilde;es ansiosas e sentimentos de culpa.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Conclus&otilde;es (Implica&ccedil;&otilde;es para a Pr&aacute;tica Cl&iacute;nica)</b></p>

	    <p>Indo ao encontro do objetivo inicialmente proposto, conhecer as viv&ecirc;ncias sentidas pelos familiares no processo de luto dos idosos que se suicidaram, pode&#45;se referir que os familiares enlutados&nbsp; da amostra estudada vivenciaram sentimentos de solid&atilde;o, desamparo, incredibilidade, abandono, ang&uacute;stia, tristeza, choque e saudade do falecido. A amostra apresentou alguns fatores de prote&ccedil;&atilde;o, nomeadamente o meio rural, a religi&atilde;o, a rede de suporte familiar e social, a aus&ecirc;ncia de h&aacute;bitos alco&oacute;licos e outros consumos. Contudo, a amostra, revelou tamb&eacute;m ter alguns fatores de risco, nomeadamente o isolamento, a solid&atilde;o, a ang&uacute;stia, a no&ccedil;&atilde;o de abandono, assim como, apresentou n&iacute;veis elevados de LC e depress&atilde;o.</p>

	    <p>O acompanhamento desta popula&ccedil;&atilde;o de forma sistematizada, com proximidade e promovendo a sua acessibilidade aos cuidados de sa&uacute;de poderia prevenir comportamentos suicid&aacute;rios no futuro. O refor&ccedil;o da rede de suporte social, fator protetor identificado, poderia tamb&eacute;m ser ajustado para esta popula&ccedil;&atilde;o.</p>

	    <p>Desta forma, &eacute; importante pensar e agir na promo&ccedil;&atilde;o, interven&ccedil;&atilde;o e p&oacute;sven&ccedil;&atilde;o e, somente ser&aacute; poss&iacute;vel, com um conhecimento profundo da sociedade e dos seus eventos de vida.</p>

	    <p>O papel dos t&eacute;cnicos de sa&uacute;de na identifica&ccedil;&atilde;o precoce de sinais de risco, encaminhamento e interven&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica nos contextos comunit&aacute;rios e hospitalares &eacute; determinante para a redu&ccedil;&atilde;o de suic&iacute;dios. Assim, a resposta a este problema implica intera&ccedil;&otilde;es multissetoriais, multiculturais e multiprofissionais onde deve mobilizar t&eacute;cnicos a trabalhar em contextos de sa&uacute;de p&uacute;blica e hospitalar, com a&ccedil;&otilde;es direcionadas para o indiv&iacute;duo, fam&iacute;lia e comunidade.</p>

	    <p>Torna&#45;se fundamental definir um plano de preven&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio para cada regi&atilde;o de acordo com o padr&atilde;o de suicidalidade, adequar os planos de interven&ccedil;&atilde;o, nomeadamente na identifica&ccedil;&atilde;o de casos de risco, da desesperan&ccedil;a, a formula&ccedil;&atilde;o de protocolos com as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, assim como, se evidencia a necessidade de existirem meios de diagn&oacute;stico adequados &agrave; faixa et&aacute;ria.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>

	    <!-- ref --><p>Berman, A. L. (2011). Estimating the population of survivors of suicide: Seeking an evidence base. <i>Suicide</i> and <i>Life</i>&#45;<i>Threatening Behavior</i>(41), 110&#45;116.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1647-2160201400030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Boelen, P. A., Bout J., &amp; Hout, M. A. (2003). The role of cognitive variables. In psychological functioning after the death of a first degree relative. <i>Behaviour</i> <i>Research and Therapy</i>(41), 1123&#45;1136.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1647-2160201400030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Bowlby, J. (1980). <i>Attachment and loss</i>, vol. 3: Loss, sadness and depression. New York: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1647-2160201400030000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Brown, F. H. (1989). The Impact of Death and Serious Illness on the Family Life Cycle. In Carter &amp; MacGoldrick (Eds.), <i>The Changing Family Life Cycle</i> (2nd ed.). Boston: Allyn and Bacon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1647-2160201400030000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <!-- ref --><p>Cattell, H. (2000). Suicide in the elderly. <i>Advances In Psychiatric Treatment</i>(6), 102&#45;108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1647-2160201400030000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <p>Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (2011, 2013). Acedido em <a href="http://www.ine.pt/"target="_blank">http://www.ine.pt/</a></p>

	    <!-- ref --><p>International Association for Suicide Prevention (2012). Acedido em <a href="http://www.iasp.info"target="_blank">http://www.iasp.info</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1647-2160201400030000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jordan, J. R., &amp; McIntosh, J. L. (2011). Suicide Bereavement: Why Study survivors of Suicide Loss? In J. R. Jordan, &amp; J. L. McIntosh (Eds.), <i>Grief after Suicide</i> (pp. 3&#45;17). Routledge: New York, NY, USA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1647-2160201400030000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <p>Kristjanson, L., Lobb, E., Aorun, S., &amp; Monterosso L. (2006). <i>A Systematic review of the literature on complicated grief</i>. Edit Cowan University, Commonwealth of Australia &#150; Camberra: Department of Heath &amp; Ageing.</p>

	    <!-- ref --><p>Lamprechtl, H., Pakrasi, S., Gash, A., &amp; Swann, A.(2005). Deliberate self&#45;harm in older people revisited. <i>International Journal of Geriatric Psychiatry</i> (20), 1090&#45;1096.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1647-2160201400030000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

	    <p><i>Mental Health: A Report of the Surgeon General&nbsp;</i>(U.S. Department of Health and Human Services &#91;DHHS&#93;), 1999. Acedido em <a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/"target="_blank">http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/</a></p>

	    <!-- ref --><p>Minayo, M. C. S., &amp; Cavalcante, F. G. (2010). Suic&iacute;dio entre as pessoas idosas: Revis&atilde;o de literatura. <i>Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica, 44</i>(4), 750&#45;757.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1647-2160201400030000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>Recebido a 30 de mar&ccedil;o de 2014</p>

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