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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental]]></journal-title>
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<article-id>S1647-21602016000300001</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.19131/rpesm.0151</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cuidados paliativos para utentes com demência avançada: Reflexões sobre a sua implementação]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Palliative care to people with advanced dementia: Issues of implementation]]></article-title>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Cuidados paliativos para los usuarios con demencia avanzada: Reflexiones sobre su implementación]]></article-title>
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<surname><![CDATA[Abreu]]></surname>
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<institution><![CDATA[,Escola Superior de Enfermagem do Porto  ]]></institution>
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<country>Portugal</country>
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</front><body><![CDATA[ 
	    <p align="right"><b>EDITORIAL CONVIDADO</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Cuidados paliativos para utentes com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada: Reflex&otilde;es sobre a sua implementa&ccedil;&atilde;o</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Palliative care to people with advanced dementia: Issues of implementation</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Cuidados paliativos para los usuarios con demencia avanzada: Reflexiones sobre su implementaci&oacute;n</b></p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Wilson Correia de Abreu*</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>*PhD; Professor Coordenador Principal na Escola Superior de Enfermagem do Porto, Rua Dr. Ant&oacute;nio Bernardino de Almeida, 4200&#45;072 Porto, Portugal. E&#45;mail: <a href="mailto:wjabreu@esenf.pt">wjabreu@esenf.pt</a></p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p>Estima&#45;se que atualmente mais de 36 milh&otilde;es de pessoas vivam com dem&ecirc;ncia, podendo este n&uacute;mero chegar a 80 milh&otilde;es em 2040. Em 2008, o custo calculado da dem&ecirc;ncia na Europa (UE27) era de 160,3 mil milh&otilde;es de euros, o que equivalia a 22.194 euros por pessoa com dem&ecirc;ncia (Alzheimer&rsquo;s Disease International, 2011). Entende&#45;se porque raz&atilde;o esta realidade se transformou num alarme global para os pa&iacute;ses. N&atilde;o est&atilde;o em causa apenas os gastos diretos com os cuidados de sa&uacute;de. Mais do que uma s&iacute;ndrome, a dem&ecirc;ncia &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o social que se interliga com problemas demogr&aacute;ficos, assist&ecirc;ncia social, problemas com os cuidadores familiares, com a capacidade de trabalho destes e, n&atilde;o menos importante, com a dignidade e Direitos Humanos. As s&iacute;ndromes demenciais, designadamente em situa&ccedil;&otilde;es mais avan&ccedil;adas, conduzem inevitavelmente a aumentos substanciais nos custos dos cuidados de sa&uacute;de e de assist&ecirc;ncia social.</p>

	    <p>Em termos cl&iacute;nicos, a dem&ecirc;ncia &eacute; uma s&iacute;ndrome de etiologia muito diversa, mas que conduz progressivamente a um decl&iacute;nio cognitivo e a uma perda da capacidade funcional e depend&ecirc;ncia no autocuidado. Como ocorre normalmente em idades avan&ccedil;adas, &eacute; acompanhada de co&#45;morbilidades e n&atilde;o raro dor e compromisso dos diversos &oacute;rg&atilde;os. Em situa&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ada e severa, a s&iacute;ndrome compromete tamb&eacute;m os familiares cuidadores, pois cuidar de um utente com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada &eacute; diferente e mais exigente de que cuidar de utentes com outras patologias. Dadas as circunst&acirc;ncias em que a s&iacute;ndrome decorre, &eacute; claramente subestimada a necessidade das pessoas com dem&ecirc;ncia usufru&iacute;rem de cuidados paliativos.</p>

	    <p>Em todos os pa&iacute;ses europeus e nos pa&iacute;ses mais desenvolvidos em geral, a oferta de cuidados paliativos tem conquistado progressivamente um espa&ccedil;o mais proeminente nos Servi&ccedil;os Nacionais de Sa&uacute;de. Entendemos por Cuidados Paliativos a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados aos doentes com doen&ccedil;as graves e/ou avan&ccedil;adas e progressivas com o objetivo de promover o seu bem&#45;estar e qualidade de vida; os cuidados paliativos s&atilde;o um elemento qualitativo essencial do sistema de sa&uacute;de, devendo garantir&#45;se o seu adequado desenvolvimento na continuidade dos cuidados de sa&uacute;de, tendo por base os princ&iacute;pios de equidade e de cobertura universal, de acordo com a estrat&eacute;gia do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de em Portugal (Comiss&atilde;o Nacional de Cuidados Paliativos, 2016),</p>

	    <p>Temos hoje em nosso puder m&uacute;ltiplas evid&ecirc;ncias de investiga&ccedil;&atilde;o que demonstram que os Cuidados Paliativos (CP) se traduzem em benef&iacute;cios para os doentes e suas fam&iacute;lias, facilitando a gest&atilde;o de sinais e sintomas, gest&atilde;o do regime terap&ecirc;utico, a oferta de apoio espiritual e diminuindo a sobrecarga dos familiares. Os CP permitem ainda a diminui&ccedil;&atilde;o dos tempos de internamento hospitalar, os reinternamentos, a futilidade terap&ecirc;utica, o recurso aos servi&ccedil;os de urg&ecirc;ncia e aos cuidados intensivos e, consequentemente, diminuem os custos em sa&uacute;de (Comiss&atilde;o Nacional de Cuidados Paliativos, 2016).</p>

	    <p>A resposta social e familiar perante utentes com dem&ecirc;ncia varia muito de acordo com os padr&otilde;es culturais. Nos pa&iacute;ses do Sul da Europa, h&aacute; uma tend&ecirc;ncia crescente para manter os utentes no seio da fam&iacute;lia, enquanto nos pa&iacute;ses Escandinavos esta realidade &eacute; menos evidente e aposta&#45;se mais na oferta de institucionaliza&ccedil;&atilde;o, que &eacute; em geral bem aceite pelos pr&oacute;prios e pelos familiares. &Eacute; evidente nestas sociedades um apoio mais consistente em lares protegidos que permitam proporcionar conforto e preservar a qualidade de vida. A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de deixa claro que a necessidade de apoiar os utentes com dem&ecirc;ncia deve ser acompanhada de uma pol&iacute;tica de apoio aos familiares cuidadores; aconselha os governos n&atilde;o s&oacute; a proporcionarem cuidados de qualidade mas tamb&eacute;m a apostarem na forma&ccedil;&atilde;o das equipes de sa&uacute;de para lidarem com a dem&ecirc;ncia (World Health Organization &#91;WHO&#93;, 2012), aspeto tamb&eacute;m refor&ccedil;ado pelo Parlamento Europeu .</p>

	    <p>Um olhar atento &agrave;s evid&ecirc;ncias de investiga&ccedil;&atilde;o mostra que h&aacute; uma tend&ecirc;ncia para os utentes com dem&ecirc;ncia usufru&iacute;rem de uma assist&ecirc;ncia mais consistente, desvalorizando a sua situa&ccedil;&atilde;o global de sa&uacute;de (Mitchell, Kiely, &amp; Hamel, 2004). Ao contr&aacute;rio do que acontece com utentes portadores de outras patologias, a dor &eacute; frequentemente subavaliada (Barry,&nbsp;Parsons,&nbsp;Passmore,&nbsp;&amp; Hughes, 2014; Mitchell <i>et al.</i>, 2009). Os utentes ficam mais expostos a desenvolverem complica&ccedil;&otilde;es, internamentos repetidos e n&atilde;o raro terap&ecirc;uticas invasivas de interesse muito duvidoso (Dasgupta &amp; Dumbrell, 2006; Robinson <i>et al.</i>, 2009; <i>Witlox et al.</i>, 2010; Fick, Steis,&nbsp;Waller, &amp;&nbsp;Inouye, 2013;). Nestas situa&ccedil;&otilde;es, os cuidados paliativos reduzem a exposi&ccedil;&atilde;o ao contexto hospitalar, reduzem os custos globais com os cuidados de sa&uacute;de, suscitam mais conforto e bem&#45;estar para os utentes e para a fam&iacute;lia (El&#45;Jawahri, Greer, &amp; Temel, 2011). O paradoxo &eacute; que se os cuidados paliativos para utentes com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada possuem tantos benef&iacute;cios associados, estes n&atilde;o s&atilde;o devidamente considerados mesmos nas atuais pol&iacute;ticas e crit&eacute;rios de referencia&ccedil;&atilde;o para cuidados paliativos. Por outro lado, dado que podemos estar perante utentes que podem usufruir de cuidados durante um per&iacute;odo mais alargado ("extended palliative period") justifica&#45;se que os utentes sejam acompanhados por profissionais com forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em cuidados paliativos para utentes com dem&ecirc;ncia.</p>

	    <p>No contexto de um projeto europeu terminado em 2016 definiram&#45;se um conjunto de boas pr&aacute;ticas para utentes com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada (Dementia Palliare Best Practice Statement &#45; BPS) destinado a fornecer orienta&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica e promover uma abordagem consistente para a assist&ecirc;ncia a utentes com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada (Holmerov&aacute; <i>et al.</i>, 2016). Esta BPS, que remete para uma abordagem integrada, surge num contexto em que a maioria dos pa&iacute;ses da UE n&atilde;o disp&otilde;e de planos de a&ccedil;&atilde;o nacionais na &aacute;rea da dem&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, as Diretrizes Nacionais n&atilde;o preconizam a exist&ecirc;ncia de cuidados paliativos espec&iacute;ficos para pessoas com dem&ecirc;ncia.</p>

	    <p>A BPS inclui a identifica&ccedil;&atilde;o de boas pr&aacute;ticas dirigidas a pessoas com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada, mas que ainda n&atilde;o exigem cuidados em fim de vida. Trata&#45;se n&atilde;o de uma norma, mas de orienta&ccedil;&otilde;es e recursos para aprendizagem de profissionais que lidam com pessoas com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada. No projeto supracitado, realizado em contexto Europeu, verificamos ser escassa na maioria dos pa&iacute;ses a forma&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel graduado e p&oacute;s&#45;graduado sobre dem&ecirc;ncia e ainda mais escassa a forma&ccedil;&atilde;o sobre cuidados paliativos para utentes com dem&ecirc;ncia.</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Van der Steen <i>et al.</i> (2014) produziram um documento que &eacute; sem d&uacute;vida uma refer&ecirc;ncia para a abordagem dos cuidados paliativos para utentes com dem&ecirc;ncia: "(White paper defining optimal palliative care in older people with dementia: a Delphi study and recommendations from the European Association for Palliative Care"). Os investigadores apresentam a primeira defini&ccedil;&atilde;o de cuidados paliativos para pessoas dem&ecirc;ncia, baseada em evid&ecirc;ncias e consensos. O estudo pretende constituir&#45;se num quadro de refer&ecirc;ncias para a pr&aacute;tica cl&iacute;nica, orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e pesquisa. Foi realizado um estudo de Delphi em cinco rodadas ("rounds"). Partindo da literatura dispon&iacute;vel, um grupo de 12 peritos de 6 pa&iacute;ses identificou um conjunto de dom&iacute;nios estruturantes com recomenda&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas por dom&iacute;nio. Posteriormente, 89 especialistas de 27 pa&iacute;ses avaliaram os procedimentos atrav&eacute;s de question&aacute;rio online com feedback. O consenso final foi conseguido a partir de crit&eacute;rios pr&eacute;&#45;definidos. Por fim, os resultados foram discutidos com a European Association for Palliative Care.</p>

	    <p>Basicamente, parte&#45;se da premissa de que as trajet&oacute;rias de doen&ccedil;a de utentes que necessitam de cuidados paliativos s&atilde;o muito diferentes e exigem respostas diferenciadas (Lunney <i>et al.</i>, 2003; Gill, Gahbauer, Han, &amp; Allore, 2010; van der Steen <i>et al.</i>, 2014). A necessidade em cuidados paliativos pode persistir durante anos 18. Muitos estudos apontam per&iacute;odos de dez ou mais anos (Zanetti, Solerte, &amp; Cantoni, 2009; van der Steen, 2010). Em muitos casos, a morte ocorre pela presen&ccedil;a de outras patologias como pneumonia, desidrata&ccedil;&atilde;o ou fal&ecirc;ncia de &oacute;rg&atilde;os vitais (Koopmans, van der Sterren, &amp; van der Steen, 2007; van der Steen, Deliens, Ribbe, &amp; Onwuteaka&#45;Philipsen, 2012). Podem surgir associados outros sintomas neuropsiqui&aacute;tricos tais como a depress&atilde;o.</p>

	    <p>No que se refere aos dom&iacute;nios estudados, apresentam&#45;se em seguida as recomenda&ccedil;&otilde;es mais evidentes para a configura&ccedil;&atilde;o dos cuidados paliativos a utentes com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada:</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Referencia&ccedil;&atilde;o para Cuidados Paliativos</b></p>

	    <p>A dem&ecirc;ncia deve ser considerada uma condi&ccedil;&atilde;o, geralmente presente em popula&ccedil;&otilde;es de idosos, que pode prolongar&#45;se por longos per&iacute;odos, mesmo na presen&ccedil;a de forte decl&iacute;nio funcional e cognitivo. Os cuidados paliativos devem proporcionar qualidade de vida (poss&iacute;vel) e promover o conforto, permitindo identificar necessidades e gerir os sinais e sintomas.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Cuidados Personalizados e Tomada de Decis&atilde;o</b></p>

	    <p>O diagn&oacute;stico cl&iacute;nico de dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada por vezes remete para a decis&atilde;o "pelo utente", quando frequentemente ele ainda mant&eacute;m essa capacidade. &Eacute; necess&aacute;rio promover a aten&ccedil;&atilde;o centrada na pessoa e insistir num modelo de tomada de decis&atilde;o compartilhada entre o utente e a fam&iacute;lia, considerando o familiar cuidador como parceiro nos cuidados. Torna&#45;se necess&aacute;rio passar de um modelo de avalia&ccedil;&atilde;o de necessidades pelo cuidador para outro de necessidades e prefer&ecirc;ncias expressas pelo utente / fam&iacute;lia. H&aacute; todo o benef&iacute;cio, sempre que poss&iacute;vel, de abordar o utente e a fam&iacute;lia no seu contexto habitual (domic&iacute;lio).</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Planeamento das Interven&ccedil;&otilde;es e Resultados Esperados</b></p>

	    <p>Sabendo que a dem&ecirc;ncia &eacute; irrevers&iacute;vel (com os conhecimentos que atualmente possu&iacute;mos) e que a prioridade deve ser concedida ao conforto, qualidade de vida, limita&ccedil;&atilde;o da dor e apoio espiritual, na defini&ccedil;&atilde;o de prioridades para os cuidados dever&aacute; apostar&#45;se na antecipa&ccedil;&atilde;o da progress&atilde;o da doen&ccedil;a, preparando o utente e os familiares (planeamento proactivo). Atender &agrave; esfera espiritual, prefer&ecirc;ncias do utente, cren&ccedil;as, valores, apoio &agrave; decis&atilde;o e envolver a equipe multidisciplinar otimizam a dignifica&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia, humaniza&ccedil;&atilde;o dos cuidados e respeito pela pessoa e pelos seus familiares.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Continuidade dos Cuidados</b></p>

	    <p>Deve existir continuidade de cuidados, mesmo perante epis&oacute;dios de internamento. Esta no&ccedil;&atilde;o de continuidade de cuidados reporta&#45;se &agrave; n&atilde;o interrup&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m ao apoio cont&iacute;nuo dos diferentes profissionais da equipe multidisciplinar e trabalho sistem&aacute;tico com os cuidadores familiares.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Progn&oacute;stico e Reconhecimento do Momento da Morte</b></p>

	    <p>Os cuidados paliativos n&atilde;o t&ecirc;m como destinat&aacute;rios apenas o utente com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada. A fam&iacute;lia deve estar preparada para lidar com a progressividade da s&iacute;ndrome e a proximidade da morte, de forma a resolver eventuais problemas familiares, preparar o luto e facilitar o ajustamento ap&oacute;s a morte, o que implica uma discuss&atilde;o atempada da situa&ccedil;&atilde;o terminal da doen&ccedil;a. O regime terap&ecirc;utico deve ser revisto com regularidade, associado a uma boa observa&ccedil;&atilde;o de sinais e sintomas muitas vezes negligenciados nestes utentes, incluindo a dor, desconforto devido &agrave; fraca mobilidade, infe&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias, nutri&ccedil;&atilde;o e estado de hidrata&ccedil;&atilde;o, que interferem com a funcionalidade dos &oacute;rg&atilde;os. A gest&atilde;o do regime terap&ecirc;utico deve ser cuidadosamente pensada e discutida tendo como refer&ecirc;ncia a esperan&ccedil;a de vida estimada e os efeitos e os efeitos secund&aacute;rios do tratamento. H&aacute; diverg&ecirc;ncias sobre o recurso &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o ent&eacute;rica mas a acuidade respirat&oacute;ria deve ser preservada, mesmo com recurso a antibi&oacute;ticos se existirem infe&ccedil;&otilde;es do trato respirat&oacute;rio.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Conforto e Gest&atilde;o de Sinais e Sintomas</b></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta &eacute; uma &aacute;rea importante porque normalmente a exist&ecirc;ncia de co&#45;morbilidades indicia a presen&ccedil;a de um vasto conjunto de sinais e sintomas geradores de dor, desconforto e comprometimento / integridade cut&acirc;nea. Dado o comprometimento da funcionalidade, os efeitos colaterais podem ser mais evidentes e podem ser necess&aacute;rios ajustamentos terap&ecirc;uticos. Os enfermeiros t&ecirc;m um papel insubstitu&iacute;vel nesta mat&eacute;ria e dever&atilde;o estar preparados para interven&ccedil;&otilde;es aut&oacute;nomas n&atilde;o invasivas e n&atilde;o medicamentosas que proporcionem estimula&ccedil;&atilde;o dos sentidos e conforto. O conforto espiritual &eacute; fundamental porque interfere n&atilde;o apenas com as cren&ccedil;as, mas tamb&eacute;m com a atitude perante a morte e processo de luto. A promo&ccedil;&atilde;o do conforto deve ser, portanto, estendida aos cuidadores familiares e, em rela&ccedil;&atilde;o a estes, a identifica&ccedil;&atilde;o de sobrecarga, as perturba&ccedil;&otilde;es emocionais e a facilita&ccedil;&atilde;o de per&iacute;odos de descanso, dimens&otilde;es que devem estar presentes no planeamento dos cuidados.</p>

	    <p><b>&nbsp;</b></p>

	    <p><b>Estrat&eacute;gias Nacionais para a Dem&ecirc;ncia e Cuidados Paliativos para Utentes com Dem&ecirc;ncia</b></p>

	    <p>A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) criada em 2006 (Decreto&#45;Lei n&ordm; 101/2006 de 6 de Junho) (Assembleia da Rep&uacute;blica, 2006) ciou as condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas para cuidados dignos a utentes com dem&ecirc;ncia, ao consignar pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a social que permitam desenvolver a&ccedil;&otilde;es mais pr&oacute;ximas das pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia, investir no desenvolvimento de cuidados de longa dura&ccedil;&atilde;o, qualificar e humanizar a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados, criar servi&ccedil;os comunit&aacute;rios de proximidade e ajustar ou criar respostas adequadas &agrave; diversidade que caracteriza o envelhecimento individual e as altera&ccedil;&otilde;es de funcionalidade. Como se refere no referido dispositivo legal, pretende&#45;se assegurar "a provis&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de conforto e qualidade de vida, mesmo em situa&ccedil;&otilde;es irrecuper&aacute;veis" &#91;(art.&ordm; 5&ordm;, n&ordm; 1, a) e b)&#93;.</p>

	    <p>No entanto, Lopes (2016) indica duas condi&ccedil;&otilde;es essenciais que, passados estes anos, ser&aacute; essencial para a Reforma desta Rede. Primeiro, preservar a matriz da RNCCI, aprofundando de forma integrada as respostas sociais e da sa&uacute;de. Segundo, garantir uma articula&ccedil;&atilde;o permanente com os outros dois n&iacute;veis de cuidados (Cuidados de Sa&uacute;de Prim&aacute;rios e Cuidados Hospitalares), com o objetivo de consolidar a continuidade de cuidados.</p>

	    <p>N&atilde;o t&ecirc;m faltado dispositivos legais que permitam concretizar e desenvolver boas pr&aacute;ticas assistenciais a utentes com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada. Se dotados de recursos suficientes e bem preparados, espera&#45;se que as unidades e equipas de cuidados continuados integrados de sa&uacute;de sejam mais valias nesta mat&eacute;ria. Muitos dos dispositivos criados n&atilde;o funcionaram ou funcionaram de forma incipiente e pouco articulada.</p>

	    <p>A resposta dos Cuidados Continuados em Sa&uacute;de Mental dever&aacute; assumir uma orienta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica de proximidade, concretizada atrav&eacute;s de equipas multidisciplinares em estreita articula&ccedil;&atilde;o com os Servi&ccedil;os Locais de Sa&uacute;de Mental (Lopes, 2016). As estruturas multidisciplinares que prestam cuidados continuados integrados de sa&uacute;de mental s&atilde;o de tr&ecirc;s tipos: equipas de apoio domicili&aacute;rio, unidades s&oacute;cio&#45;ocupacionais e unidades residenciais.</p>

	    <p>N&atilde;o se compreende que ap&oacute;s anos de debate sobre a dem&ecirc;ncia como s&iacute;ndrome e condi&ccedil;&atilde;o social, Portugal n&atilde;o possua um plano Nacional para a Dem&ecirc;ncia. &Eacute; certo que existem diretivas nacionais e diversos dispositivos legais que permitem a&ccedil;&otilde;es consistentes no apoio a utentes com dem&ecirc;ncia, mas corre&#45;se sempre o risco de se definirem orienta&ccedil;&otilde;es pouco articuladas e adequadas &agrave;s pessoas e &agrave;s fam&iacute;lias.</p>

	    <p>Porque estamos a falar de cuidados paliativos para utentes com dem&ecirc;ncia, o Plano Estrat&eacute;gico para o Desenvolvimento dos Cuidados Paliativos para 2017&#45;2018 promete uma particular aten&ccedil;&atilde;o e est&iacute;mulo &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o das Equipas Comunit&aacute;rias de Suporte em Cuidados Paliativos (Comiss&atilde;o Nacional de Cuidados Paliativos, 2016). Para al&eacute;m disso, como refere o Plano, todos os hospitais do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de dever&atilde;o ter uma Equipa Intra&#45;Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos e nos hospitais dos grupos E e F dever&aacute; haver Unidades de Cuidados Paliativos de refer&ecirc;ncia (Comiss&atilde;o Nacional de Cuidados Paliativos, 2016). Esperamos que o conjunto de iniciativas tendo em vista a forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais de sa&uacute;de em cuidados paliativos e a inclus&atilde;o de cuidados paliativos a utentes com dem&ecirc;ncia nos curr&iacute;culos dos cursos p&oacute;s graduados em enfermagem de sa&uacute;de mental e cuidados paliativos sejam mais valias para as realidades assistenciais, assim como a defini&ccedil;&atilde;o de dota&ccedil;&otilde;es seguras de pessoal para trabalhar nas equipas que est&atilde;o previstas.</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Nota Final</b></p>

	    <p>A investiga&ccedil;&atilde;o e diversos estudos epidemiol&oacute;gicos demonstram que os utentes com dem&ecirc;ncia avan&ccedil;ada t&ecirc;m menor possibilidade para usufruir de cuidados paliativos, dado que n&atilde;o cumprem os crit&eacute;rios fixados pelos diversos Servi&ccedil;os Nacionais de Sa&uacute;de. Muitos dos seus sinais e sintomas s&atilde;o subavaliados e &eacute; negligenciada a necessidade de usufru&iacute;rem de conforto espiritual.</p>

	    <p>H&aacute; progressivamente mais estudos sobre esta mat&eacute;ria e os desenvolvimentos mais recentes em cuidados paliativos para utentes com dem&ecirc;ncia incluem a constru&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o de instrumentos que permitem avaliar a funcionalidade, o progn&oacute;stico, as necessidades dos utentes e apoiar a decis&atilde;o cl&iacute;nica.&nbsp;</p>

	    <p>Uma palavra final no que se refere &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma Academia Europeia sobre dem&ecirc;ncia, preconizado no projeto Europeu Palliare com apoio da Comiss&atilde;o Europeia: "We all understand how important it is that the person with dementia and their family remain as the main focus of care and learned of different ways we could do this, with the Academy having an overarching role in advancing dementia education across Europe. There is potential for the Academy to oversee new training development, short courses, to reach even more of the dementia workforce" (Abreu, 2016).</p>

	    <p>&nbsp;</p>

	    <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>

	    <p>Abreu, W., Tolson, D., Touzery, S., Hanson, E., Merta, A., Lillo&#45;Crespo, M., &amp; Holmerova, I. (2016). <i>Interprofessional experiential learning solutions: Equipping the qualified dementia workforce to champion evidence informed improvement to advanced dementia care and family caring. Sustainability Plan</i>. EU, Erasmus Plus, Palliare Project.</p>

	    <p>Alzheimer&rsquo;s Disease International. (2011). <i>World Alzheimer Report 2010.</i> <i>The Global Economic Impact of Dementia</i>. Londres: ADI.</p>

	    <p>Assembleia da Rep&uacute;blica. (2006). <i>Decreto&#45;Lei n.&ordm; 101/2006, 1&ordf; S&eacute;rie Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica 3856&#150;3865</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.acss.min-saude.pt/wp-content/uploads/2016/10/Decreto-Lei_101_2006-1.pdf"target="_blank">http://www.acss.min-saude.pt/wp-content/uploads/2016/10/Decreto-Lei_101_2006-1.pdf</a></p>

	    <p>Barry, H. E.,&nbsp;Parsons, C.,&nbsp;Passmore, A. P.,&nbsp;&amp; Hughes, C. M. (2014). Pain in care home residents with dementia: An exploration of frequency, prescribing and relatives&rsquo; perspectives. <i>International Journal of Geriatric Psychiatry</i>.</p>

	    ]]></body>
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