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<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[De Pampilhosa au granite]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>De Pampilhosa au granite </b></p>     <p>(observations géologiques en voyage par la ligne Coimbra – Sta. Comba Dão –    Guarda – frontière espagnole) </p>     <p>Paul Choffat</p>     <p>From Pampilhosa to granites area (geologic observations on a railway-trip through    Coimbra – Sta. Comba Dão – Spanish boundary)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Resumo</i></p>     <p>Relato sucinto das duas viagens de comboio que P. Choffat efectuou no princípio    do séc. XX ao Maciço Hespérico, provavelmente para reconhecimento da geologia    regional, com observações geológicas e geográficas e ainda sobre a sua vegetação,    agricultura e arquitectura.</p>     <p><i>Palavras-chave: </i>P. Choffat, reconhecimento geológico, Maciço Hespérico,    geologia, geomorfologia. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Resumé</i></p>     <p>Notes recueillis par P. Choffat au debout du siècle XXème, dans le massif Hespérique    pour faire une première reconnaissance de la géologie et géographie portugaises    et avoir une idée générale sur la végétation, la agriculture et architecture    du pays. </p>     <p><i>Mots-clés: </i>P. Choffat, observations géologiques, Massif Hespèrique,    géologie, géomorfologie. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Abstract</i></p>     <p>Notes taken during the two voyages made by P. Choffat at the beginning of the    XX century in the portuguese Hesperic Massif, probably for a personal reconnaissance    of the pre-Mesozoic regional geology, also with notes on vegetation, agriculture    and architecture. </p>     <p><i>Keywords: </i>P. Choffat, geological overview, Hesperic Massif, geology,    geomorphology. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODUÇÃO</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando nos referimos à actividade de Paul Choffat, associamo-la invariavelmente    aos seus trabalhos sobre o Mesozóico. </p>     <p>No entanto, Choffat, como geólogo plurifacetado, interessou-se, igualmente,    pelo Cenozóico e pelas rochas eruptivas nomeadamente da região de Sintra e da    Estremadura, tendo sido frequente a sua correspondência com petrólogos estrangeiros,    em especial com Lacroix. </p>     <p>Por outro lado, Choffat escreveu vários trabalhos sobre a geologia geral de    Portugal, como os de 1885 e 1900. Nos seus “Apontamentos Inéditos”, guardados    no Arquivo Histórico do LNEG/LGM encontram-se muitas páginas que seriam destinadas    a um trabalho sobre a geologia de Portugal continental. O seu conteúdo é mais    completo que o do trabalho de 1900 – “Aperçu de la Géologie du Portugal” – o    que nos leva a pensar que aquele autor continuava empenhado em produzir uma    publicação mais vasta. </p>     <p>Foi, talvez, com a intenção de conhecer melhor os terrenos antigos portugueses,    que aquele geólogo empreendeu uma viagem de comboio de Coimbra a Vilar Formoso,    viagem essa que repetiu passado cerca de um mês, conforme se depreende do texto.  </p>     <p>Essas viagens devem ter sido efectuadas em finais de Setembro e em 25 de Outubro,    em ano que não pudemos precisar, mas certamente posterior a 1904, uma vez que    ele refere, para esse ano, o recomeço do restauro da Sé da Guarda, monumento    que visitou, talvez, na sua 1.ª deslocação. Há, no entanto, que esclarecer esse    ponto. O restauro da Sé da Guarda foi retomado em 1899 e prolongou-se até 1921    com base no proposto na Memória de Rosendo Carvalheira, trabalho datado de 1897.  </p>     <p>O relato dessa viagem, agora divulgado, está incluído nos “Apontamentos” atrás    referidos, passados à máquina pelo seu filho Jules Choffat, o qual inclui alguns    desenhos que este deve ter copiado do manuscrito de seu pai, exceptuando, talvez,    a vista panorâmica da Serra da Estrela desenhada a partir da estação de comboio    de Gouveia e que poderá ser original de Paul Choffat. </p>     <p>É particularmente interessante a observação sobre as consequências dos trabalhos    de C. Ribeiro na prospecção de hulha de mina de Sta. Cristina e da sua correspondência    com D. Sharpe a esse propósito e que Choffat considera “comme le point de départ    de la géologie portugaise”. </p>     <p>Embora o texto seja muito sucinto, revela o interesse de Choffat pelos aspectos    da morfologia e da paisagem em relação com a geologia, bem como por certos aspectos    da vida das populações. </p>     <p>De referir ainda, o interesse, também, manifestado pelas características arquitectónicas    da Guarda, nomeadamente da Sé, o que faz considerar a sua pernoita nessa cidade,    talvez para não fazer a viagem sem luz do dia. </p>     <p>O documento possui 11 páginas dactilografadas, a um espaço, por Jules Choffat,    com 22x17 cm de dimensão, correspondendo aos números 6043 a 6060 dos “Apontamentos    Inéditos” atrás referidos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Embora mantendo a ortografia original foram introduzidas pequenas correcções    em gralhas manifestas daquela cópia. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b> </p>     <p>CARVALHEIRA, ROSENDO G. A. (1897) – Memória sobre a Sé Cathedral da Guarda    e sua possível restauração. <i>Documento inédito citado em Rosas, 1996. </i></p>     <p>CHOFFAT, PAUL (1885) – Portugal. Esquisse géologique. <i>Annuaire Géologique    Universel</i>, p. 1-8. </p>     <p>CHOFFAT, PAUL (1895) – Promenade au Gerez. Souvenirs d’un géologue. <i>Imprimerie    Nationale</i>, p. 1-18. </p>     <p>CHOFFAT, PAUL (1900) – Aperçu de la géologie du Portugal. “Le Portugal du point    de vue agricole”, <i>Imprimerie Nationale</i>, p. 1-48. </p>     <p>ROSAS, LÚCIA M. C. (1996) – O restauro da Sé da Guarda: Rosendo Carvalheira    e o poder sugestivo da Arquitectura. <i>Ver. Fac. Letras, História, </i>n.º    13, p. 535 – 559, Porto. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Miguel M. Ramalho </i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>De Pampilhosa au granite</b></p>     <p>(observations géologiques en voyage par la ligne Coimbra – Sta. Comba Dão –    Guarda – frontière espagnole)</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p>En sortant de la gare de Pampilhosa vue sur leBussaco; on distingue la croix    qui se trouve au point culminant. Composée de Silurique avec enclaves de Sénonien.    La ligne en contourne le pied vers le Nord.</p>     <p>De Pampilhosa à Luzo il vaut mieux être à droite pourvoir Luzo et le Bussaco,    mais par le train du matin on a le soleil (dans les yeux); il faudrait donc    pouvoir passer à gauche après avoir dépassé la station de Luzo. En venant de    Guarda à Pampilhosa, comme c’est après-midi il vaut mieux être au Nord, soit    à droite.</p>     <p>La station de Pampilhosa est située au bord d’une plaine encaissée par collines    de graviers pliocènes jaunâtres en dessous desquels pointent par place des graviers    crétaciques, blancs. Du côté occidental de la voie cês graviers contiennent    une intercallation d’argiles exploitées par trois fabriques de tuiles (fausse    stratification).</p>     <p>Les collines sont couvertes de pins, tandis que la plaine donne lieu à des    cultures variées.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>On entre ensuite dans un complexe de grès dont la partie supérieure appartient    à l’Infralias, tandis que la base représente le Trias.</p>     <p>Une profonde tranchée entame la partie supérieure, plongeant vers l’Ouest sous    une inclinaison de 15 à 20º. Ce sont des grès bien lités, d’abord blancs, puis    passant au rouge. Ils ont fourni en ce point une belle flore fossile dont la    description par Oswald Heer a été publiée par le Service géologique du Portugal.</p>     <p>L’inclinaison devient de plus en plus faible, et on coupe des grès terreux    à gros galets, de couleur rouge, plus ou moins intense, dans lesquels se trouvent    deux vallées larges, mais courtes avec un village.</p>     <p>La ligne passe ensuite dans des schistes luisants d’âge archaique. Sur la droite    on voit une série de moulins les uns au dessus des autres. Ils sont activés    par la source de naissant à Luzo.</p>     <p>Tunnel dans les schistes, puis conglomérat à peine visible, carbonique; puis    station de LUSO.</p>     <p>Ces conglomérats permo-carboniques sont des strates qui contiennent la houille    du Bussaco, qui a donné lieu à un commencement d’exploitation à Sa. Christina    et qu’on a traversée dans le tunnel de Luso. Malheureusement la couche est trop    peu puissante pour donner lieu à une exploitation. En, Carlos Ribeiro, travaillant    pour le Conte de Farrobo fit faire un commencement de sondage dans la plaine    pour atteindre le banc de houille au dessous des terrains mésozoïques. Il semble    que ce travail a été abandonné à une profondeur de beaucoup trop faible pour    arriver à une conclusion affirmative ou négative.</p>     <p>Si cette entreprise n’a pas eu de résultats au point de vue industriel, elle    n’a pas moins été d’une grande importance pour le Portugal, car on peut pour    ainsi dire lan considérer comme le point de départ de la géologie portuguaise.    C. Ribeiro ne voulant pas risquer d’entrainer son client dans des dépenses inutiles    et ne se sentant pás assez sûr de rencontrer la houille se mit en relation avez    le géologue anglais Daniel Sharpe, qui avait déjà écrit une petite brochure    sur le Portugal. C’est sa correspondance avec ce naturaliste qui décida de sa    vocation scientifique.</p>     <p>Après avoir admiré la magnifique végétation de Luzo nous nous engageons sur    un viaduc depuis lequel la vue s’étend sur la forêt du Bussaco.</p>     <p>On traverse trois tunnels dans les schistes et les conglomerates permo-carbonifères    que l’on voit formant des arêtes à la surface du sol, puis on s’engage dans    les schistes cambriques que l’on ne quittera que près de Sa. Comba Dão, sauf    le petit ilôt de grès crétaciques et de quaternaire de Mortágua.</p>     <p>Le paysage des schistes est en général monotone, de formes et de cultures.    Les sommets sont arrondis ainsi que les versants coupés par des ravins peu profonds,    sauf près de Luzo, naissant par ramifications assez près des sommets. Le tout    est recouvert de broussailles, parfois de forêts de pins. C’est un paysage monotone    de terrains imperméables. On traverse deux viaducs et cinc tunnels dans ces    strates.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Seuls les thalwegs montrent des oliviers dans les parties supérieures et de    rares cultures dans les bas-fond qui sont étroits mais fertiles par suite de    l’accumulation de l‘humus entrainé par les eaux de ruissellement. Par contrante    on y voit une magnifique verdure au printemps.</p>     <p>Tranchées dans des marnes rouges clair et jaunes. Ce sont des affleurements    de grès sénoniens recouverts par le Pliocène. Les conglomérats sont recouverts    par des pins et des broussailles, mais de nombreuses vallées sont bien cultivées.    C’est le commencement du bassin de Mortágua.</p>     <p>Le bassin de sables crétaciques et pliocènes de Mortágua forme un oásis au    milieu de ce désert. C’est une large plaine fertile avec belles cultures de    céréales et de vignes. Est-ce un bassin d’affondrement ou bien un synclinal    au milieu des schistes?</p>     <p>Les grès présentent comme à Salamanque une alternance de bancs compacts, blancs,    et de couches plus marneuses rougeâtres, mais ils ne montrent ni la roche blanche    à aspect de porcelanite de Salamanque, ni les couches résistantes dont on extrait    des meules à Bussaco et à S. Pedro de Murcella.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/cg/n96/n96a10i1.jpg" width="392" height="121"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Après avoir traversé ce bassin de Mortágua on retombe dans les shistes cambriques;    on trouve deux viaducs dont le second est sur la limite entre les grès et le    granite.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><u>Région granitique. – Partie basse. </u></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Le paysage change subitement avec l’apparition du granite qui correspond au    passage du Dão que l’on traverse sur un viaduct peu avant Sa. Comba; son lit    est profondément creusé et ses versants présentent des cultures montrant que    l’on a utilisé les plus petites parcelles cultivables. De gros blocs arrondis    se trouvent sur les versants. Les ravins sont profonds, les cultures sont belles.</p>     <p>Les stations sont généralement éloignées des localités dont elles portent le    nom alors que ces localités sont pourtant bien espacées et semblent aisées;    couleur sombre des maisons, quantité de construction et murs de petits ponts    en pierre sèche. On voit dans la plaine dês quantités de puits avec grues pour    arroser.</p>     <p>Les cultures sont beaucoup plus étendues que dans la région des grès  mais    il y a pourtant de grands espaces deserts. Le terrain paraît fertile, il l’est    en tout cas beaucoup plus que dans les régions élevées dans lesquelles on arrivera    bientôt, et qui pourtant paraissent formées par le même granite.</p>     <p>Bref le tout prend un aspect pittoresque rehaussé par la présence de gros blocs    jetés comme au hazard. Ces blocs sont naturellement plus abondants sur les versants    que sur les plateaux, les arênes étant enlevées par le ruissellement de l’eau    à mesure qu’elles se forment. Les tranchées de la voie et surtout les emprunts    permettent de se rendre compte de cette formation. Exploitation du granite par    fentes. Ces blocs sont très nombreux par places mais en général il y en a moins    qu’à partir de Mangoalde.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/cg/n96/n96a10i2.jpg" width="733" height="93"></p>     
<p><u>Serra d’Estrella. – Depuis la gare de Gouveia</u> (vue ci-contre on voit    une grande extension de la chaîne mais il semble que c’est plutôt un contrefortque    la montagne principale. Celle-ci serait à peine découverte (sommet avec neige)    depuis la station, mais plus à l’Ouest elle apparaît plus développée.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/cg/n96/n96a10i3.jpg" width="398" height="91"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>En somme, alternance de prairies, de champs de céréales et de forêts de pins;    on voit en outre des chênes à feuilles caduques et quelques chênes-lièges, des    oliviers, des arbres fruitiers nombreux. Il y a plus de forêts dans cette région    relativement plate que dans la région montagneuse.</p>     <p>A partir de Mortágua on voyait sur la gauche la chaîne du Caramullo à faîte    bien dentelé, que l’on aperçoit jusque vers Guarda, tandis que sur la droite    on voit la Serra d’Estrella, mieux visible du reste au retour à cause de la    lumière. Du Nord ses versants sont moins inclinés que vus du Sud parce qu’on    ne voit pas les parties les plus élevées; la ligne de faîte est beaucoup moins    découpée que certaines montagnes granitiques comme la Serra de Cintra ou le    Gerez.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><u>Partie élevée de la montagne</u>.</p>     <p>Depuis Mangoalde on côtoie la Serra d’Estrella jusqu’à Villa Franca das Neves,    en direction du NE, puis la ligne fait un coude brusque vers le Sud pour arriver    à Guarda.</p>     <p>Depuis Gouveia on longe le Mondego que l’on aperçoit de place en places. Il    est fort étroit, par endroits encaissé et sauvage entre les rochers, par endroit    large et déposant beaucoup de graviers (fin de septembre: fort peu d’eau) ce    qui est aussi le cas pour les torrents qui y aboutissent.</p>     <p>Cultures en gradins. L’ensablement et la surelévation du lit dans la plaine    aurait été entravés par l’arborisation. Gués; nombreux barrages pour briser    la force de l’eau, canaux de déviation. Le paysage est pitoresque mais il y    a beaucoup de poussière (micacée) en été.</p>     <p>Avant Celorico da Beira (400 m) (fin des eucalyptus), on quitte le Mondego    pour remonter ses affluents jusqu’à Villa Franca das Naves (500 m) où l’on se    trouve dans les affluents du Coa, (affluent du Douro) courant vers le Nord (Ra.    de Massueime).</p>     <p>Après Pinhel la ligne suit une crête entre deux vallées, tantôt larges, tantôt    fort étroites et avec beaucoup de blocs ce qui est aussi le cas sur le versant    de la vallée de gauche dont le sol ondulé est divisé en une quantité de petites    dépressions latérales. C’est un affluent du rio Massueime qui se jette dans    le Douro, tandis que sur la droite une autre vallée, aussi parallèle à la voie    ferrée, coule vers le Sud pour se jeter dans le Mondego.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Puis l’oeil plonge jusque dans la vallée du Mondego, très large, au dessus    de laquelle s’élève majestueusement la serra d’Estrella. On descend ensuite    rapidement sur Guarda.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><u>Guarda</u>– (station 800m) Enfin on aperçoit la vieille ville de Guarda    dont l’altitude s’élève de 980 à 1057 mètres. Les restes de ses anciennes fortifications    et sa cathédrale lui donnent un aspect fort pittoresque, mais on ne peut pas    la comparer à un nid d’aigle perché sur un rocher, car la montagne forme un    dos arrondi et non pas un escarpement. De la station à la ville il faut compter    3/4 d’heure à pied.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/cg/n96/n96a10i4.jpg" width="524" height="279"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><u>Cathédrale </u>(Sé)  de Guarda. – C’est un mélange de différents styles:    portail principal manuelino; trois nefs à pleine voute très hautes surmontées    d’un arc gothique; près du maître-autel colonnes torses, le tout en granite;    semble mélange Renaissance pure (autels latéraux), manuelin (autel, voutes),    gothiques (gargouilles); il y a un pur Renaissance italienne, avec sculptures    multiples (une chapelle latérale); les autres sont en Renaissance ligne droite.    Tombeaux de 1593-1560. Al’extérieur 4 rangs de gargouilles grotesques; dans    le rang  supérieur elles sont mélangées (simulacres) de canons (l’une montre    un postérieur présentant son enorme anus du côté de l’Espagne). La restauration    importante commencée en 1904 est faite sous la direction de Rezenda de Carvalheiro    (mémoire publié).</p>     <p>La tour romaine est le point le plus élevé, mais le panorama est en partie    masqué; on ne voit pás entièremente S. Malcata.</p>     <p>Observatoire météorologique sur une tour carrée.</p>     <p>Rues étroites, fort curieuses, beaucoup de maisons avec restes de sculptures;    au point culminant tour polygonale paraissant une vigie romaine; les restes    des fortifications sont rares. Maisons de style moderne et éclairage électrique    jurant avec le reste. Dans ce cas est la Miséricorde (style Donna Maria II ?)    dont les habitants font grand cas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cette ville s’est remarquablenent embellie depuis une vingtaine d’années; avant    l’ouverture du ch.de fer la chaux était très chère car elle venait de Salamanque    par voitures trainées par des boeufs. La plupart des maisons n’étaient pas blanchies.</p>     <p>Magnifique panorama depuis la tour romane et depuis une place élevée, au NE.    Le plateau du côté de l’Espagne paraît plutôt une suite de colline. La sur la    Serra  d’Estrella  n’est pas découpée. Au loin, Serra de Caramullo.</p>     <p>Sur le versant, magnifique chataigner de grosseur enorme. Exportation de pommes    de terre. Une ou deux treilles comme curiosité, le raisin arrive raremente à    maturité.</p>     <p>Air très pur, refroidissement de température à 5 ou 6 heures du soir puis température    douce jusque vers 11 heures.</p>     <p>Egoûts pour les eaux de pluie seulement; quelques anciennes maisons ont des    fosses non cimentées, les autres vident (leurs eaux) dans des voitures passant    à 11 heures du soir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><u>Sources de la vallée</u>. – (voir feuille spéciale)</p>     <p>Ami-côte de la gare un paysan creuse un puits dans le granite; il a une profondeur    de 8 mètres, et il creuse encore pour obliger une veine d’eau à venir dans son    puits de l’autre côté de la maison  (avril 1902; en 1903 il n’avait pas d’eau).    Il dit que dans la ville il y a de l’eau partout il suffit de creuser un puits.</p>     <p>Le sommet sur lequel se trouve le château envoie ses eaux dans 3 directions:    le Coa, affluent du Douro; le Mondego; et le Zezere affluent du Tage.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><u>De Guarda à Villar Formosa </u></p>     <p>De Guarda à Villar Formosa on suit la vallée de Nocime jusqu’à sa jonction    avec le rio Coa, puis la ligne coupe en direction Est-Ouest, perpendiculairement    aux affluents du Coa pour atteindre le plateau de Villar-Formosa, incliné et    limité par de faibles reliefs. </p>     <p>(Arrangement du texte de divers paragraphes par Ph.Choffat) </p>     <p>A Villa Fernando (778m) la vallée est large et ses flancs passent insensiblement    aux hauters rocheuses par des pentes semées d’énormes blocs arrondis, en granite,    exploités en partie comme pierre de taille. Elle est bien cultivée; le terrain    parait profond et par place fort arénacé, mais les terres sont pauvres et ne    donnent que du seigle et des pommes de terre; des vignes, surélevées, en majeure    partie minées, donnent un “vinho verde”qui ne se conserve pas d’une année à    l’autre. On y voit encore des genets blancs, de grands dépôts de sable et plus    loin du roc.</p>     <p>Continuant à descendre, vers le pont sur le Nocine, on voit des schistes reposant    sur le granite, probablement une inclusion de cambrique paraissant avoir 1 kilomètre    d’extension, puis on retrouve le granite.</p>     <p>Immédiatement avant Cerdeira, tranchée dans les schistes puis granite. Cinq    cents mètres après la station de Cerdeira la tranchée laisse voir un filon de    roche globulaire noirâtre dans le granite. Ce village, assez pittoresque, possède    les ruines d’un château fort. – De grandes étendues de terrain sont formées    par les roches et demanderaient à être arborisées. Cultures entre les roches,    par places pins et nombreaux oliviers. Il y a ici beaucoup moins de terres cultivables.    La rivière est étroite, encaissée dans les roches, les flancs arides.</p>     <p>On quitte la vallée. Pont (625m), tranchées dans le granite. </p>     <p>Pont sur le rio Nocine et pont sur le rio Coa à un kilomètres l’un de l’autre.  </p>     <p>On monte alors fortement, mais lentement vers un grand plateau granitique dont    de larges espaces cultivés commencent un peu avant Freineda. C’est d’abord un    plateau découpé par le thalweg qui permet de voir des affleurements de roches    sous forme de blocs ou de voutes basses qui sont probablement de gros blocs    sphériques enterrés, tandis que la roche ambiante est décomposée et donne lieu    à un terrain cultivable. On rencontre des carrières de dalles de granite. La    paysage est moins triste, montrant des prairies et des cultures, quelques vignes;    près d’un hameau, quantité de petites cultures entourées de murs. </p>     <p>A gauche, sur une montagne granitique isolée s’aperçoit à 3 ou 4 kilomètres,    Castel-Bom: plusieurs maisons blanchies à la chaux. Les cultures prennent maintenant    des dimensions de plus en plus grandes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A gauche aussi on voit le signal géodésique de VillarFormoso (816m), puis on    traverse la Ra. dos Tourões, affluent du Douro qui ne se jette pas dans le Coa,    sur laquelle se trouve le grand village de Villar Formosa, à 500 mètres de la    station, montrant son église à clocher carré.</p>     <p>Tandis que toute la région que l’on vient de parcourir avant le plateau est    pauvre, ne montre que peu d’habitations, et est coupée par des vallées profondes,    l’aspect change complètement maintenant, qu’on arrive sur le grand plateau espagnol    qui commence avec Castello-Bom par des roches granitiques profondement décomposées,    sans présenter de noyeaux formant les gros blocs, ce que  l’on peut bien observer    à Fuentes d’Onorio.</p>     <p>Cette masse granitique est blanche, très micacée, et a presque l’air de gneiss    décomposé. On la prendrait à première vue pour un grès mais elle est traversée    par des veines de quartz. Au dessus se trouve 30 à 40cm de sable avec cailloux    roulés.</p>     <p>Cent mètres plus loin on voit ces arènes granitiques reposer sur un grès compact.    On se maintient pendant 2 à 3 kilomètres dans le grès et pourtant le terrain    est plan et cultivé et on voit plus d’affleurements de granite compacte.</p>     <p>Il y a plus de différence entre le plateau portuguais et le plateau espagnol    qu’entre la partie granitique et la partie tertiaire du plateau espagnol. La    partie granitique de ce dernier plateau est plus plane; elle ne s’étend du reste    que peu après Fuentes d’Onorio. Du reste cette grande planimètrie du plateau    Espagnol cesse après Espeja; depuis là c’est plus ondulé.</p>     <p>La partie portuguaise est pourtant plus accidentée que la partie espagnole;    elle est moins arborisée. On n’y voit pas les belles plantations de gros chênes    taillés (azinheira, montados) mais seulement de jeunes chênes en forêts; les    bouquets de pins sont frequents en Portugal entre Guarda et Vilar Formoso, très    rares plus à l’Est.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><u>Résumé</u><u> de Guarda à Vilar Formoso.</u></p>     <p>Depuis la station de Guarda (800m) la ligne descend jusqu’à la rivière de Nocime,    que l’on traverse à l’altitude approximative  de 720 mètres, un peu avant la    station de Cerdeira, puis elle suit cette jolie rivière sur une douzaine de    kilomètres  jusqu’à sa jonction avec le rio Coa, qu’elle traverse près de S.    Caetano à l’altitude approximative de 625m; de la elle quitte la vallée, gravit    la montagne en faisant des zig-zags, traversant des affluents du Coa sur des    viaducs fort pittoresques, et atteint enfin le plateau de Vilar Formoso où elle    doit être à l’altitude de 800 mètres. C’est le grand plateau espagnol commençant    en Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><u>Résumé sur le Granite</u>. – En somme toute cette région granitique est    formée par des dos ou plateaux  arrondis; la décomposition donne lieu à des    bloc. plus ou moins sphériques souvent entassés les uns au dessus des autres,    mais on n’aperçoit pas de pics escarpés.</p>     <p>Le Granite paraît être pur depuis Sa. Comba jusqu’au delà de Guarda, puis il    présente des inclusions de schistes probablement cambriques, tandis que près    de Villar Formoso il ne contient plus de parties dures et se décompose profondément.</p>     <p>Freineda et Villar Formoso on atteint le plateau espagnol proprement dit, qui    dans son bord est encore granitique. C’est un beau plateau, cultivé (céréales    et pâturages), les pierres ne se voient en géneral plus que dans les murs des    propriétés ce qui indique soit des dépôts superficiels, soit une décomposition    profonde de la roche.</p>     <p>La transition de la région rocheuse au plateau plan n’est pas brusque.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><u>Végétation</u>.– La partie élevée de la région granitique est loin d’être    aussi fertile que la partie basse, et pourtant on a cultivé tous les lambeaux    de terrain susceptibles de l’être; non seulement les thalwegs mais souvent aussi    les versants sur lesquels on a amassé de gros blocs pour former des gradins    empèchant l’entraînement des terres; on  voit même cultivés des lambeaux de    quelques métres de largeur au milieu des blocs de granite.</p>     <p>En général l’arborisation atteint les sommets, plusieurs d’entre eux ne sont    pourtant couverts que de broussailles. Pins??</p>     <p>Nous avons vu le chêne liège entre Mangoalde et Celorico, tandis que le chêne    (à gland doux?) est abondant sur les rives du Coa.</p>     <p>Les cultures consistent principalement en orge, lav igne est très rare et assez    maigre, quoique l’on choisisse évidement les sites les mieux abrittés. On en    voit à Célorico à environ 400 mètres, mais elle réapparaît à Cerdeira et à Freineda,    soit á une altitude de 740 mètres! (à mon retour, 25 octobre, les céreales poussaient    déjà).</p>     <p>Je remarquerai que les environs de la station de Pinhel paraissent particulièrement    pauvres, malgré l’abondance des gros feldspath.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(Notes)</p>     <p>– Bruyère blanche sur granite? et schistes. </p>     <p>– Genêt blanc (fleurit avant le jaune) sur le granite depuis Sa. Comba; le    8 mai de genêt jaune commence à peine à fleurir à Guarda, tandis qu’il en pleine    floraison à Nellas; le blanc est en fleur partout.</p>     <p>– Moutons bruns jusqu’à Gouveia tandis que plus haut ce sont des blancs mais    on voit rarement des merinos.</p>     <p>– Le paysan portuguais est vêtu d’une bure brune sans coupe spéciale et son    aspect contraste avec le costume pittoresque de l’espagnol.</p>     <p>– Eucalyptus jusqu’à Fornos d’Algadas, (deux à Fuantes d’Onoro), en a-t-on    planté plus haut?</p>     <p>– Oliviers. – Le réviseur dit qu’il passe au dela de Guarda? Un sur la hauteur    près d’un village avant Villar Formoso.</p>     <p>– Vignes au dela (à l’Est) d’Espeja.</p>     <p>– Quelques arbres fruitiers un peu plus bas.</p>     <p>– Cigognes</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><u>Différences entre les versants portuguais et le Norddes Pyrennées</u>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><u>Versant portuguais</u>: nombreuses parties incultes et même nues par suite    de la nature de la roche; bois de pins, extension des genêts; le tout vert-jaunâtre    ou grisâtre. Maigres pâtures; habitations rassemblées en rares villages et seulement    là se trouvent des arbres fruitiers.</p>     <p><u>Versant pyrennéen</u>: sol entièrement couvert de verdure, d’une fraicheur    remarquable; habitations dispersées, arbres fruitiers partout où il y a une     maison et même fort loin des habitations. Gras pâturages.</p>     <p>Il est incontestable que le premier a un air de pauvreté et le second un air    de misère, quoiqu’il soit bien beau en comparaison de la plaine portuguaise.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>(Arquivo Histórico do LNEG)</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Artigo recebido em Maio de 2009</i></p>     <p><i>Aceite em Maio de 2009</i></p>      ]]></body>
</article>
