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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to highlight the aspects, in Sam The Kid's work, which are responsible for the creation of something transversal in terms of artistic language, focusing on the role that the place may have in the construction of his musics, observing how his work is a result of a intertwined structure of visual and musical references, combined with a deep sense of belonging to a community and to a territory - Chelas neighborhood.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>LUGAR</b>    <br> </p>        <p><b>Chelas, o &#34;s&iacute;tio&#34;: o lugar como refer&ecirc;ncia na identidade e na obra de Sam The Kid</b> </p>     <p> <b>Chelas, the &#34;site&#34;: the place as a reference in the work of Sam The Kid</b>     <p>&nbsp;</p> </p>     <p> <b>Teresa Palma Rodrigues&#42;</b> </p>     <p> &#42;Portugal, artista visual. Mestrado em Pintura, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL). Investigadora do CIEBA. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas / Pintura (FBAUL). </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b>    <br> Este artigo tem por objectivo destacar os aspectos que fazem com que o trabalho de Sam the Kid se apresente como algo transversal em termos de linguagem art&iacute;stica, dando enfoque ao papel que o lugar pode ter na constru&ccedil;&atilde;o da sua obra, verificando como o seu trabalho resulta de uma estrutura de refer&ecirc;ncias visuais e musicais que se entrela&ccedil;am e aliam a um profundo sentimento de perten&ccedil;a a uma comunidade e a um territ&oacute;rio &#8211; o bairro de Chelas. </p>     <p> <b>Palavras chave: </b> Sam the Kid, lugar, territ&oacute;rio, linguagem art&iacute;stica. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </p>     <p> <b>ABSTRACT</b>    <br>This article aims to highlight the aspects, in Sam The Kid&#39;s work, which are responsible for the creation of something transversal in terms of artistic language, focusing on the role that the place may have in the construction of his musics, observing how his work is a result of a intertwined structure of visual and musical references, combined with a deep sense of belonging to a community and to a territory &#8211; Chelas neighborhood. </p>     <p> <b>Keywords: </b> Sam the Kid, place, territory, artistic language.      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b> </p>     <p> Samuel Mira, mais conhecido por Sam  the Kid, &eacute; um m&uacute;sico portugu&ecirc;s, considerado um dos mais importantes <i>rappers</i> e representantes do <i>Hip Hop</i> em Portugal. Nasce em Lisboa, em 1979 e reside desde sempre na freguesia de Marvila, concretamente no bairro de Chelas. O primeiro dos seus seis &aacute;lbuns, com o t&iacute;tulo &#39;Entre(tanto)&#39;, &eacute; inteiramente produzido em casa e posto por ele &agrave; venda em 1999; mas o seu reconhecimento como artista s&oacute; surge em 2002, depois do sucesso entre um p&uacute;blico menos jovem do disco instrumental &#34;Beats Vol. 1: Amor&#34; e de o artista assinar contrato com a <i>Loop:Recordings</i> de Rui Miguel Abreu.  </p>     <p> O trabalho de Sam The Kid &eacute; essencialmente musical, resultando de uma estrutura intrincada de elementos que se entrela&ccedil;am e que v&atilde;o desde: poesia, v&iacute;deo e apropria&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncias visuais e instrumentais, aliadas a um profundo sentimento de perten&ccedil;a a uma comunidade e a um territ&oacute;rio &#8211; o seu pr&oacute;prio bairro. </p>     <p> Pretende-se assim, analisar dois temas de Sam the Kid, &#39;Chelas&#39; &#91;do &aacute;lbum &#39;Sobre(tudo)&#39;, de 2002&#93; e &#39;Negociantes&#39; &#91;do &aacute;lbum &#39;Pratica(mente)&#39;, de 2006&#93;, estabelecendo pontos de contacto entre ambos e reflectindo sobre o papel que a paisagem e as especificidades do lugar podem ter na constru&ccedil;&atilde;o do ser humano e do ser enquanto artista. </p>     <p> Tendo por objectivo evidenciar o que h&aacute; de transversal em termos de linguagem art&iacute;stica no trabalho de Sam The Kid, este artigo salientar&aacute; os elementos de car&aacute;cter imag&eacute;tico que real&ccedil;am a import&acirc;ncia do lugar na sua obra. A metodologia de abordagem que se vai seguir no seu desenvolvimento focar&aacute; aspectos mais ligados &agrave; envolvente visual e urbana que contaminam o universo deste autor. </p>     <p> Suportando-nos em palavras que surgem nas rimas e em imagens dos seus videoclips, pretendemos tamb&eacute;m mostrar como Sam The Kid denuncia e, ao mesmo tempo, influencia uma realidade (sub)urbana, atrav&eacute;s do Hip Hop. </p>     <p>&nbsp;</p> </p>     <p> <b>1. Chelas &#8211; um lugar no Hip Hop</b> </p>     <p> &#34;Eu nasci em Chelas, cresci em Chelas e ainda vivo em Chelas&#34; (Mira, 2011), &eacute; quase sempre desta forma que Sam The Kid se apresenta. Para ele, o seu bairro &#34;&eacute; como se fosse uma aldeiazinha&#34; (Mira, 2006). Talvez o sejam todos os bairros, mas nenhum outro, dentro de Lisboa, ter&aacute; esta rela&ccedil;&atilde;o com o <i>Hip Hop</i>, s&oacute; compar&aacute;vel aquela que existe entre Alfama, ou Mouraria, e o Fado. </p>     <p> Produzida num quarto do 7&ordm;A da Rua Manuel Teixeira Gomes, tanto o tema &#39;Chelas&#39;, como &#39;Negociantes&#39; falam do seu s&iacute;tio, confirmando uma caracter&iacute;stica da linguagem deste estilo art&iacute;stico: o v&iacute;nculo &agrave;s quest&otilde;es relacionadas com a territorialidade. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Importa referir que a cultura <i>Hip Hop</i> se desenvolve em 4 vertentes: a m&uacute;sica, a poesia, a dan&ccedil;a e a pintura (isto &eacute;, o <i>graffiti</i>), existindo sempre uma interac&ccedil;&atilde;o entre as partes, conjugada com o dom&iacute;nio de uma t&eacute;cnica muito pr&oacute;pria e de uma mensagem impl&iacute;cita que se quer fazer passar. </p>     <p> &Eacute; por essa raz&atilde;o que Sam The Kid se apresenta como uma esp&eacute;cie de bandeira, como uma refer&ecirc;ncia para a maioria dos jovens de Marvila. Mas apesar de o seu trabalho ser vincadamente ligado &agrave;s suas experi&ecirc;ncias pessoais e aos problemas da sua zona, n&atilde;o deixa de focar aspectos que s&atilde;o comuns a outras &aacute;reas geogr&aacute;ficas.  </p>     <p> De uma forma geral, todas as letras deste <i>rapper</i> falam sobre o ambiente no qual ele vive. A sua intimidade &eacute; exposta de uma forma muito marcada. Os seus dramas pessoais s&atilde;o comuns a muitos; as hist&oacute;rias do seu passado ou do seu dia-a-dia podiam ser as nossas hist&oacute;rias, a quest&atilde;o &eacute; que o artista faz quest&atilde;o de as contar na primeira pessoa, n&atilde;o inventando personagens, mas falando de pessoas reais e problemas reais, descrevendo o quotidiano do seu bairro (<a href="#f1">Figura 1</a>). A prop&oacute;sito disso, Sam The Kid refere: </p>     <blockquote><i>Chelas &eacute; uma fonte de inspira&ccedil;&atilde;o. Tenho m&uacute;sicas que falam de coisas concretas que s&oacute; as pessoas daqui sabem do que estou a falar. Mas n&atilde;o fa&ccedil;o s&oacute; m&uacute;sica para o bairro</i> (Mira, 2007a). </blockquote>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a12f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p> Em 1993, Samuel Mira come&ccedil;a a fazer batidas &#34;com um org&atilde;ozinho todo podre e uma caixa de ritmos&#34; (Mira: 2007b). A vertente musical, no trabalho de Sam The Kid, comp&otilde;e-se de uma esp&eacute;cie de corte e costura de sons na forma de <i>sample</i> que s&atilde;o retirados das mais diversas fontes. No in&iacute;cio, os seus temas s&atilde;o gravados em formato cassete, <i>mini- disc</i> ou CD-R e muitos s&atilde;o acompanhados pela produ&ccedil;&atilde;o de v&iacute;deos caseiros. Na constru&ccedil;&atilde;o das suas m&uacute;sicas, o artista e produtor recorre sempre ao seu vasto arquivo pessoal de sons recolhidos durante anos em discos, filmes pornogr&aacute;ficos, telenovelas, chamadas telef&oacute;nicas ou at&eacute; discuss&otilde;es em sua casa. </p>     <p> No caso do tema &#39;Chelas&#39;, ele utiliza um excerto de uma vers&atilde;o de Jo&atilde;o Gilberto da m&uacute;sica &#39;Manh&atilde; de Carnaval&#39;, excerto esse que surge repetido durante os mais de cinco minutos de m&uacute;sica. A escolha de &#39;Manh&atilde; de Carnaval&#39; n&atilde;o nos parece despropositada, uma vez que precisamente na zona oriental de Lisboa, por cima do Tejo, despontam todas as manh&atilde;s os primeiros raios de Sol (<a href="#f2">Figura 2</a>). O quarto de Sam The Kid, ao qual ele chama &#39;4&ordm; m&aacute;gico&#39; (2002), tem vista privilegiada para esse acontecimento di&aacute;rio (e &eacute; uma fotografia do nascer do Sol que o artista escolhe para capa do seu disco onde integra esta m&uacute;sica, como se pode ver na <a href="#f3">Figura 3</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a12f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a12f3.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> Acerca da sua liga&ccedil;&atilde;o &agrave; poesia como MC (&#39;Master of Cerimonies&#39;), Sam The Kid declara que se considera um poeta e que o que gosta &eacute; de &#34;brincar com as s&iacute;labas&#34; e depois, &#34;ao interpret&aacute;-las, a matem&aacute;tica do ritmo (Mira, 2007b).&#34;  </p>     <p> O ritmo &eacute; um elemento muito importante nas composi&ccedil;&otilde;es de <i>Hip Hop</i>, tanto na pr&aacute;tica discursiva como na estrutura musical. Herdeiro da m&uacute;sica africana e das ruas dos E.U.A., a sua linguagem assenta numa esp&eacute;cie de identidade tribal que conserva algo de primitivo e ritual&iacute;stico no seu repetitivismo. Jorge Lima Barreto refere que o &#34;repetitivismo &eacute; o principal elemento semiol&oacute;gico das m&uacute;sicas primevas;(...) e qualquer m&uacute;sico utente do computador confronta loops que s&atilde;o m&oacute;dulos repetitivos (s. d.)&#34; </p>     <p> Descrevendo a sua vizinhan&ccedil;a e os seus h&aacute;bitos, a sua tribo, por assim dizer, o autor d&aacute; indica&ccedil;&otilde;es precisas do lugar onde vive, dizendo, na letra de &#39;Chelas&#39;:  </p>     <blockquote><i> A minha inspira&ccedil;&atilde;o surge numa noite escura / na minha rua nem a passadeira &eacute; segura / E queres sab&ecirc;-la? &Eacute; Manuel Teixeira Gomes, / &Eacute; onde eu vivo e onde conheci muitos nomes</i> (Mira, 2002). </blockquote>     <p> Sem subterf&uacute;gios, nomeia o lugar onde vive e onde cresce, fazendo men&ccedil;&atilde;o aos seus pares, que compartilham com ele a viv&ecirc;ncia no bairro. </p>     <blockquote> <i>O s&iacute;tio onde eu moro, o s&iacute;tio onde eu vivo, o s&iacute;tio onde eu paro e fico pensativo... / S&iacute;tio divido em zonas com letras do alfabeto / Zonas divididas em lotes com mau aspecto</i> (Mira, 2002). </blockquote>     <p> O aspecto visual de degrada&ccedil;&atilde;o que muitas zonas deste bairro social apresentam, tem grande peso na forma como os habitantes o sentem. Sam The Kid n&atilde;o &eacute; indiferente &agrave; quest&atilde;o do caos urban&iacute;stico e &agrave;s pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o social. </p>     <p> O bairro foi pensado para alojar funcion&aacute;rios de sectores do Estado; mas a partir do &#34;Ver&atilde;o Quente de 75&#34; muitas das casas come&ccedil;am a ser ocupadas ilegalmente (algumas ainda sem estarem terminadas). O Plano de Urbaniza&ccedil;&atilde;o de Chelas &eacute; assim interrompido, nunca chegando a ser terminado. No princ&iacute;pio dos anos 80, a necessidade de alojar, nos fogos habitacionais, as pessoas vindas de &#39;bairros de lata&#39; e das ex-col&oacute;nias, em conjunto com as continuadas ocupa&ccedil;&otilde;es, geram &#34;graves conflitos entre as diversas vagas de ocupantes&#34; (Silva Dias, 2001:43) e fazem com que esta &aacute;rea da cidade se torne uma esp&eacute;cie de gueto, com v&aacute;rios espa&ccedil;os degradados e ao abandono e sem uma congrega&ccedil;&atilde;o efectiva das referidas zonas, nomeadas nos anos 60, por: I, J, N1, N2 ou M.  </p>     <p>&nbsp;</p> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>2. De &#39;Chelas&#39; a &#39;Negociantes&#39; </b> Sam The Kid parece servir como factor de uni&atilde;o das desagregadas zonas de Chelas, atenuando uma certa tens&atilde;o que se faz sentir, at&eacute; aos dias de hoje, entre os diferentes grupos &eacute;tnicos. O simples facto de, no videoclip de &#39;Negociantes&#39;, o artista aparecer com essas v&aacute;rias zonas como pano de fundo (<a href="#f4-6">Figura 4 a 6</a>), j&aacute; serve simbolicamente como um elemento unificador.  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4-6"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a12f4-6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p> A Feira do Rel&oacute;gio, as instala&ccedil;&otilde;es do Batista Russo profusamente grafitadas e em ru&iacute;nas, ou o sistema de viadutos e t&uacute;neis que esventram a paisagem de Chelas (e que, em termos urban&iacute;sticos isolam as diferentes zonas do bairro, criando v&aacute;cuos, acentuados pelos terrenos baldios em redor), ocupam um papel importante como refer&ecirc;ncias visuais e identit&aacute;rias nas imagens deste <i>videoclip</i> (realizado por Jo&atilde;o Moreira). </p>     <p> Sam The Kid entende como uma miss&atilde;o, dar a conhecer os problemas reais da sociedade, dando como exemplo os da comunidade &agrave; qual pertence. Tem tamb&eacute;m o objectivo de destruir os preconceitos em rela&ccedil;&atilde;o aos habitantes de Chelas. Simultaneamente, ainda que de forma ir&oacute;nica, incentiva os jovens a sa&iacute;rem do tr&aacute;fico de droga e do crime, pegando nas suas frustra&ccedil;&otilde;es, medos ou ang&uacute;stias e transformando-os em algo positivo atrav&eacute;s da arte. </p>     <p> Em &#39;Negociantes&#39;, o artista convida MC Snake a rimar. Este seu amigo ex-recluso residente na Zona N1, opta por falar da sua destrutiva passagem pelo mundo do crime. Os seus &uacute;ltimos versos dizem: </p>     <blockquote> <i>Chelas &eacute; o local do crime, droga e viol&ecirc;ncia / Abre a tua banca para atingires a independ&ecirc;ncia / A moral da hist&oacute;ria / Acabas &#39;broke&#39; na fal&ecirc;ncia (...) / n&atilde;o podemos sair do bairro / eles n&atilde;o nos podem tirar do bairro / n&oacute;s nascemos ali / nascidos e criados / Chelas city... </i> </blockquote>     <p>&nbsp;</p> </p>     <p> <b>Conclus&atilde;o</b> </p>     <p> As composi&ccedil;&otilde;es de Sam The Kid s&atilde;o maioritariamente auto-referenciais, estruturando-se como uma teia de rela&ccedil;&otilde;es e de c&oacute;digos da cultura urbana. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A realidade ocupa um papel fundamental na obra de Sam The kid e o artista faz quest&atilde;o de a mostrar tal como ela &eacute;. </p>     <p> Quatro anos separam os temas &#39;Chelas&#39; e &#39;Negociantes&#39;, mas as refer&ecirc;ncias ao bairro mant&ecirc;m-se. </p>     <p> O m&eacute;todo de apropria&ccedil;&atilde;o e repeti&ccedil;&atilde;o de notas de m&uacute;sicas de outros autores funciona, metaforicamente, como uma ocupa&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rio e uma desloca&ccedil;&atilde;o de poder. </p>     <p> De car&aacute;cter interventivo, o Hip Hop mais puro pretende reivindicar atrav&eacute;s da palavra, valores como: a liberdade de express&atilde;o, a igualdade de direitos e melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida. Mas tem em si uma componente de agressividade e de provoca&ccedil;&atilde;o, fazendo uso da linguagem como uma esp&eacute;cie de arma.  </p>     <p> Esta cultura tem uma g&iacute;ria pr&oacute;pria e, seguindo os seus c&oacute;digos, Sam The Kid verbaliza ritmicamente (ou &#39;cospe&#39; como dizem os rappers) a sua inquieta&ccedil;&atilde;o por vezes de forma quase obscena, n&atilde;o recorrendo a eufemismos. Por meio das palavras contidas nas suas rimas, acaba por intervir tanto na sociedade, denunciando, como no pr&oacute;prio meio onde vive, fazendo resist&ecirc;ncia e apontando novos caminhos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b>  </p>     <!-- ref --><p> Abreu, Rui Miguel (2006) <i>O Regresso de Sam The Kid, </i> 27 de Outubro de 2006, BLITZ. &#91;Consult. 2012-01-07&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://blitz.aeiou.pt/o-regresso-de-sam-the-kid=f2415" target="_blank">http://blitz.aeiou.pt/o-regresso-de-sam-the-kid=f2415</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441827&pid=S1647-6158201200010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Belanciano, V&iacute;tor (2000) <i>Reportagem sobre Hip-Hop Portugu&ecirc;s</i>, 21 de Janeiro de 2000, <i>P&uacute;blico</i>, suplemento Sons. &#91;Consult. 2012 01 07&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.h2tuga.net/hiphop/hiphop-na-imprensa/artigos-em-geral/1957-reportagem-sobre-hip-hop-portugues.html" target="_blank">http://www.h2tuga.net/hiphop/hiphop-na-imprensa/artigos-em-geral/1957-reportagem-sobre-hip-hop-portugues.html</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441828&pid=S1647-6158201200010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Coelho, Bernardo (2007) STK. &#91;Consult. 2012-01-07&#93; Fotografia. Dispon&iacute;vel em <a href="http://a4.ec-images.myspacecdn.com/images02/132/ae2d4a8bebe14d23b0b7663388b45a97/l.jpg" target="_blank">http://a4.ec-images.myspacecdn.com/images02/132/ae2d4a8bebe14d23b0b7663388b45a97/l.jpg</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441829&pid=S1647-6158201200010001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Lima Barreto, Jorge (s. d.), Ritmo. s. l.: s. e.. &#91;Consult. 2012-01-06&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.arte-coa.pt/index.php?Language=pt&Page=Saberes&SubPage=ComunicacaoELinguagemLinguagem&Menu2=Escrita&Slide=80&Filtro=80" target="_blank">http://www.arte-coa.pt/index.php?Language=pt&Page=Saberes&SubPage=ComunicacaoELinguagemLinguagem&Menu2=Escrita&Slide=80&Filtro=80</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441830&pid=S1647-6158201200010001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Mira, Samuel (2002) &#34;Chelas&#34;. <i>Sobre(tudo) </i>. Tema musical.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441831&pid=S1647-6158201200010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Mira, Samuel (2006) &#34;Negociantes&#34;. <i>Pratica(mente) </i>. Lisboa: Edel Records.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441833&pid=S1647-6158201200010001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Mira, Samuel (2007a) <i> Entrevista com Sam The Kid &#8211; Musica.iol.pt, </i>9 de Janeiro de 2007, <i> IOLm&uacute;sica. </i> &#91;Consult. 2012 01 07&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.youtube.com/watch?v=v05k1lH6_f4" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=v05k1lH6_f4</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441835&pid=S1647-6158201200010001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Mira, Samuel (2007b) <i>Os discos s&atilde;o os meus filhos e quero que sejam bem tratados, </i> 28 de Janeiro de 2007, <i>Jornal de Not&iacute;cias</i>. Entrevista de Cristiano Pereira. &#91;Consult. 2012-01-07&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.jn.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=686741" target="_blank">http://www.jn.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=686741</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441836&pid=S1647-6158201200010001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Mira, Samuel (2011) <i>Sam the Kid: &#34;N&atilde;o sei cantar&#34;. Primeira Pessoa, </i> 15 de Dezembro de 2011, <i>Revista S&aacute;bado. </i> Entrevista de Daniel Vidal e imagem de Joana Mouta &#91;Consult. 2012 01 06&#93; V&iacute;deo. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.sabado.pt//Pessoas-Nova/Pessoas/Primeira-Pessoa-(2)/Sam-the-Kid.aspx?id=421847" target="_blank">http://www.sabado.pt//Pessoas-Nova/Pessoas/Primeira-Pessoa-(2)/Sam-the-Kid.aspx?id=421847</a>  </p>     <!-- ref --><p> Silva Dias, Francisco (2001) &#34;Cinco Hist&oacute;rias em Marvila. A Primeira: A Revolu&ccedil;&atilde;o na Rua&#34;. <i>Lisboa Capital do Nada, Marvila 2001: criar, debater, intervir no espa&ccedil;o p&uacute;blico, </i>Lisboa: Extr&#93;muros&#91;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441838&pid=S1647-6158201200010001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> <a name="c0"></a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:teresapr@gmail.com">teresapr@gmail.com</a> (Teresa Palma Rodrigues).</p>      ]]></body><back>
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