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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pina Bausch, de referência mundial ao trabalho social: Kontakthof através das gerações]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[PinaBausch, from world referenceto social work: "Kontakthof"through generations]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article seeks tocontextualizethe work of Pina Bausch (1940-2009), a world reference in Tanztheater, focusing in her piece Kontakthof (1978).With this project,Bausch appropriates social work, calling to integrate her piece, non-professionals,aged over 65 years and teenagers, residents of the city of Wuppertal, questioning what is art and who are the artists.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	 	    <p align="right"><b>LUGAR</b>    <br> </p> 	 	         <p><b>Pina Bausch, de refer&ecirc;ncia mundial ao trabalho social &#8211; <i>Kontakthof</i> atrav&eacute;s das gera&ccedil;&otilde;es</b> </p>     <p> <b>PinaBausch, from world referenceto social work: &#34;Kontakthof&#34;through generations</b>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Marina Milito de Medeiros&#42;</b> & <b>Sayonara Sousa Pereira&#42;&#42;</b> </p>     <p> &#42;Marina Milito de Medeiros: Brasil, atriz. Mestranda em Artes da Cena pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e bacharel em Artes c&ecirc;nicas pela UNICAMP.  </p>     <p> &#42;&#42;Sayonara Sousa Pereira (Say&ocirc; Pereira): Brasil, bailarina, core&oacute;grafa, professora efetiva na Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes &#8211; Departamento de Artes C&ecirc;nicas &#8211; da Universidade de S&atilde;o Paulo &#8211; ECA/ CAC/ USP. Doutora em Artes-Dan&ccedil;a pela UNICAMP/2007. Na Alemanha, a convite de SusanneLinke, especializou-se na FolkwangHochschule- Essen, escola dirigida por Pina Bausch, e licenciou-se em Pedagogia da Dan&ccedil;a na HochschuleF&uuml;rMusik-Tanz / K&ouml;ln (Col&ocirc;nia). Coordena o LAPETT (Laboratorio de Estudos e Pesquisas em Tanztheater &#8211; ECA-USP). </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b>    <br> O presente artigo pretende contextualizar o trabalho de Pina Bausch (1940-2009), refer&ecirc;ncia mundial do Tanztheater, aprofundando em sua obra <i>Kontakthof</i> (1978). Com esse trabalho, Bausch se apropria de um seguimento que inclui o trabalho social, chamando para integrar o espet&aacute;culo, n&atilde;o profissionais com idade acima de 65 anos e adolescentes, moradores da cidade de Wuppertal, questionando o que &eacute; arte e quem s&atilde;o os artistas.  </p>     <p> <b>Palavras chave: </b> Pina Bausch, Kontakthof, Gera&ccedil;&otilde;es.     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>ABSTRACT</b>    <br>This article seeks tocontextualizethe work of Pina Bausch (1940-2009), a world reference in Tanztheater, focusing in her piece <i>Kontakthof</i>  (1978).With this project,Bausch appropriates social work, calling to integrate her piece, non-professionals,aged over 65 years and teenagers, residents of the city of Wuppertal, questioning what is art and who are the artists. </p>     <p> <b>Keywords: </b> Pina Bausch, Kontakthof, Generations     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Pina Bausch e o <i>tanztheater</i></b>       </p>           <p>       Pina Bausch nasceu em 1940, em Solingen, Alemanha, iniciando muito cedo sua forma&ccedil;&atilde;o no ballet cl&aacute;ssico. Aos 15 anos foi estudar na FolkwangSchule, na cidade de Essen, na &eacute;poca dirigida por Kurt Jooss (1901-1979), tendo uma forma&ccedil;&atilde;o profissionalizante de quatro anos em dan&ccedil;a.        </p>           <p>       Como aluna-mestra de Kurt Jooss, Bausch recebeu, inicialmente, forte influ&ecirc;ncia da filosofia e pedagogia de trabalho de seu Mestre, e a partir dessa rela&ccedil;&atilde;o desenvolveu seu pr&oacute;prio trabalho, utilizando no decorrer dos anos, cada vez mais elementos do teatro e de outras linguagens art&iacute;sticas em suas pe&ccedil;as coreogr&aacute;ficas. Com uma abordagem muito pr&oacute;pria, a core&oacute;grafa incorporou elementos do teatro, e  da dan&ccedil;a moderna americana, da d&eacute;cada de 1960, os quais p&ocirc;de experimentar no per&iacute;odo em que estudou em Nova York, em di&aacute;logo com elementos da dan&ccedil;a moderna alem&atilde;.        </p>           <p>       Em 1973, aos 33 anos, j&aacute; de volta a Alemanha, assumiu o cargo de core&oacute;grafa-residente na &Oacute;pera de Wuppertal. Ao aceitar este cargo modificou o nome do estabelecimento para TanztheaterWuppertal, e incrementou a maneira como a dan&ccedil;a passou a ser pensada e realizada em Wuppertal e no mundo.       </p>           <p>       No <i>tanztheater</i> (Dan&ccedil;a Teatral), a personalidade, as hist&oacute;rias e as viv&ecirc;ncias dos int&eacute;rpretes permeiam o processo de cria&ccedil;&atilde;o das obras (Pereira, 2010). Bausch verticalizou seu trabalho nesse sentido, buscando expor o lado mais humano de seus bailarinos, a fragilidade, suas d&uacute;vidas e inquieta&ccedil;&otilde;es, fazendo com que o p&uacute;blico se identifique com o ser humano &agrave; sua frente, sem impedir que o bailarino se utilize das diferentes t&eacute;cnicas apreendidas ao longo de sua carreira.            <p>&nbsp;</p>           <p>      <b>1. <i>Kontakthof</i> &#8211; 3 vers&otilde;es</b>       </p>           <p>      <i>Kontakthof</i> &#8211; p&aacute;tio de contatos, lugar de encontro, espa&ccedil;o de troca, de busca pelo outro. Segundo Climenhaga (2009: 73), o termo traduzido do alem&atilde;o pode tanto significar lugar de encontro, normalmente se referindo a p&aacute;tios de escola ou de pris&otilde;es, como pode ser utilizado para se referir ao local em que as prostitutas encontram seus clientes. Est&aacute; entre as primeiras pe&ccedil;as de Pina Bausch com o WuppertalTanztheater, criada  a partir de um tema e constru&iacute;da com material trazido pelos bailarinos, formato esse, que a core&oacute;grafa lapidou ao longo de mais de 30 anos de trabalho junto &agrave; Companhia e que se tornou sua marca registrada.        </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       A cria&ccedil;&atilde;o de <i>Kontakthof</i> girou em torno de conflitos inerentes &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es humanas, rela&ccedil;&otilde;es de poder, de carinho, de submiss&atilde;o, de descoberta e de exposi&ccedil;&atilde;o. Segundo Bausch; &#39;Ternura e o que nasce dela foram temas importantes no trabalho&#39; (L&#39;arche, 2007: 8); &#39;O que &eacute; isso? Como algu&eacute;m demonstra? Para onde vai? E qu&atilde;o longe a ternura pode ir?&#39; (Climenhaga, 2009: 72), foram algumas das perguntas feitas aos bailarinos ao longo do processo de cria&ccedil;&atilde;o.       </p>           <p>       A pe&ccedil;a &eacute; extremamente teatral e se utiliza de movimentos simples, como colocar as m&atilde;os no bolso, esfregar as m&atilde;os, co&ccedil;ar a orelha e segurar os cabelos, que realizados em coro pelos bailarinos, ganham nova for&ccedil;a e sentido. Praticamente toda a coreografia &eacute; constru&iacute;da a partir de gestos cotidianos, estejam eles em sua forma realista, deslocados de seu contxto original ou estilizados dentro de uma c&eacute;lula coreogr&aacute;fica.        </p>           <p>       <i>Kontakthof</i>  foi apresentado pela primeira vez com os bailarinos do WuppertalTanztheater, em 1978. Em 2000, estreou uma vers&atilde;o realizada por senhores e senhoras maiores de 65 anos, e no final de 2008, 30 anos depois de sua primeira premiere, estreou uma nova vers&atilde;o, realizada por adolescentes com idade entre 14 e 17 anos. &Eacute; uma das pe&ccedil;as mais conhecidas de Bausch e vem sendo apresentada h&aacute; mais de 30 anos, sem perder sua for&ccedil;a e qualidade dram&aacute;tica, independente do grupo que o executa.               </p>           <p>      <b>1.1 <i>Kontakthof</i> ao longo das gera&ccedil;&otilde;es</b>       </p>           <p>       No final da d&eacute;cada de 1990, Bausch deu in&iacute;cio a esse projeto inovador. Ela, que desde o in&iacute;cio de sua carreira arriscou em suas abordagens po&eacute;ticas, mais uma vez surpreendeu ao iniciar o trabalho de montar <i>Kontakthof</i> com senhores e senhoras acima de 65 anos. Depois de uma carreira j&aacute; consolidada e de ter se tornado uma refer&ecirc;ncia mundial da cena contempor&acirc;nea, Bausch se apropria de um seguimento que inclui o trabalho social.       </p>           <p>       O trabalho que Bausch havia desenvolvido at&eacute; ent&atilde;o j&aacute; apresentava como caracter&iacute;stica diferencial em rela&ccedil;&atilde;o a outras Companhias de dan&ccedil;a, o fato de permitir que seu elenco continue dan&ccedil;ando indeterminadamente, independente da idade que atinjam (Dominique Mercy, um de seus principais bailarinos, tem hoje mais de 60 anos). A core&oacute;grafa soube valorizar qualidades que s&oacute; a idade p&ocirc;de trazer para os int&eacute;rpretes, saberes que s&oacute; o passar dos anos s&atilde;o capazes de produzir e colocar em cena.       </p>           <p>       No projeto com senhores e senhoras, ela amplia esse conceito, mostrando que al&eacute;m de n&atilde;o existir limite de idade pra dan&ccedil;ar, n&atilde;o existem limites para a dan&ccedil;a. Qualquer um pode dan&ccedil;ar, n&atilde;o apenas bailarinos profissionais. Bausch demonstra a id&eacute;ia, muitas vezes defendida por Laban, de que o movimento &eacute; algo inerente aos animais, portanto a dan&ccedil;a &eacute; inerente ao Homem.        </p>           <p>       O corpo dos senhores e senhoras est&aacute; impregnado de Hist&oacute;rias, cada uma das rugas expostas s&atilde;o anos de experi&ecirc;ncia, de viv&ecirc;ncia e de conhecimentos que v&ecirc;m embutidos na cena, trazendo uma nova carga afetiva para o espet&aacute;culo.         </p>           <blockquote> <i>Como core&oacute;grafa, Bausch n&atilde;o tinha nada haver com o politicamente correto, mas nesse ato brilhantemente inventivo de sele&ccedil;&atilde;o de elenco, ela exp&ocirc;s a pobreza da nossa cultura anti-idade &#8211; particularmente quando aplicada &agrave; dan&ccedil;a. Os homens e mulheres acima de 65 anos que interpretaram Kontakthof n&atilde;o s&oacute; tornaram falsa a no&ccedil;&atilde;o de que nos tornamos invis&iacute;veis ao envelhecer; eles demonstraram que podemos nos tornar significativamente mais vitais e vivos</i> (Mackrell, 2010). </blockquote>           <p>       Segundo Jo Ann Endicott (1950), os bailarinos da companhia costumavam afirmar que <i>Kontakthof</i> seria a pe&ccedil;a que eles dan&ccedil;ariam at&eacute; a velhice. Em entrevista (Endicott, 2010) ela afirmou que esse seria provavelmente a &uacute;nica pe&ccedil;a da companhia que bailarinos n&atilde;o profissionais conseguiriam dan&ccedil;ar. Talvez por esses e outros motivos, Bausch tenha tido a id&eacute;ia de realizar uma vers&atilde;o do espet&aacute;culo com as senhoras e senhores. A pr&oacute;pria Bausch j&aacute; estava com 59 anos na &eacute;poca em que realizou a montagem e se aproximava cada vez mais dessa gera&ccedil;&atilde;o com a qual iniciaria um trabalho; talvez algumas quest&otilde;es trazidas pela terceira idade come&ccedil;assem a inquiet&aacute;-la.       </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> <i>O meu desejo de ver essa pe&ccedil;a, dessa vez mostrada por senhoras e senhores com mais experi&ecirc;ncia de vida, cresceu ainda mais forte com o tempo. Ent&atilde;o eu encontrei coragem para dar Kontakthof para as pessoas mais velhas acima de &#39;65&#39;. Pessoas de Wuppertal. Nem atores. Nem dan&ccedil;arinos</i> (Pina Bausch, L&#39;arche, 2007: 8).       </blockquote>           <p>       Em 1998, Pina Bausch iniciou o trabalho de montar a pe&ccedil;a com senhores acima de 65 anos, pessoas comuns, moradores de Wuppertal, sem experi&ecirc;ncia com teatro ou dan&ccedil;a, por&eacute;m com desejo de novas descobertas e novos desafios. A core&oacute;grafa colocou um an&uacute;ncio no jornal local convocando os moradores interessados para participar da sele&ccedil;&atilde;o. Os &uacute;nicos pr&eacute;-requisitos para participar da sele&ccedil;&atilde;o era que fossem maiores de 65 anos e moradores de Wuppertal.        </p>           <p>       A artista tinha uma preocupa&ccedil;&atilde;o e aten&ccedil;&atilde;o especial com seus int&eacute;rpretes, incluindo os senhores e os adolescentes, sempre que podia estava presente e entregava flores para eles ao fim das apresenta&ccedil;&otilde;es. E quando n&atilde;o podia, enviava uma rosa para cada, e uma carta:         </p>            <blockquote> <i>Queridos,    <br> De Nova York eu envio para todos voc&ecirc;s todo meu amor, pensamentos carinhosos e os melhores desejos. Eu desejo a todos voc&ecirc;s uma Performance maravilhosa em G&ecirc;nova. Eu estou com todo meu cora&ccedil;&atilde;o com voc&ecirc;s. Dancem lindamente. Boa sorte. Eu os envolvo com amor.     <br>Sua Pina     <br></i> (Pina Bausch 18.11.2004 &#8211; L´arche, 2007: 26). </blockquote>            <p>       No trecho de outra carta para os senhores, Bausch fala um pouco de uma de suas buscas, de um de seus desejos com essa obra, o desejo de fazer de cada uma daquelas pessoas, uma fonte de inspira&ccedil;&atilde;o para os moradores de Wuppertal;         </p>             <blockquote><i>Eu estarei com voc&ecirc;s e pensando carinhosamente em voc&ecirc;s quando voc&ecirc;s Performarem essa noite e inspirarem de novo as pessoas de Wuppertal e os muitos amigos que estar&atilde;o assistindo </i> (Pina Bausch 17.02.2006 &#8211; L´arche, 2007: 27). </blockquote>                  <p>       No final de 2007, Pina Bausch iniciou uma sele&ccedil;&atilde;o com adolescentes, estudantes das escolas de ensino tradicional e p&uacute;blico de Wuppertal, para realizar uma nova montagem de <i>Kontakthof</i>, dessa vez com jovens a partir de 14 e at&eacute;, no m&aacute;ximo, 17 anos.Dessa vez, a core&oacute;grafa vai para o outro lado do &#34;trabalho social&#34; atingindo os &#34;netos&#34; dos senhores e senhoras com quem come&ccedil;ou a trabalhar quase 10 anos antes.        </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       Wuppertal &eacute;, basicamente, uma cidade industrial, com um cen&aacute;rio cultural restrito e muitos de seus moradores, at&eacute; os dias atuais, n&atilde;o conhecem o trabalho de Bausch e da Companhia, um dos principais meios de difus&atilde;o do nome da cidade pelo mundo afora. Por&eacute;m com as experi&ecirc;ncias de <i>Kontakthof</i> Bausch movimentou tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es de sua cidade. Desenvolveu um trabalho com a terceira idade e com os jovens e, inevitavelmente, envolveu v&aacute;rios adultos, uma vez que seus filhos e/ou pais, conhecidos, ou parentes, se tornaram protagonistas da pe&ccedil;a, e desta maneira, a cidade passa a &#34;fazer parte da Companhia.&#34;       </p>           <p>       Houve  uma transforma&ccedil;&atilde;o do envolvimento da comunidade com a core&oacute;grafa e com o WuppertalTanztheater. Devido a estes projetos os bailarinos da companhia se tornaram, ao mesmo tempo, atores e espectadores da comunidade que dan&ccedil;a a obra criada por eles, gerando uma nova rela&ccedil;&atilde;o com a comunidade local;         </p>           <blockquote> <i>O melhor de tudo, os 26 dan&ccedil;arinos de cada elenco emergem totalmente como pessoas, a integridade da intera&ccedil;&atilde;o deles &eacute; um testemunho do poder duradouro do legado de Bausch</i> (Crompton, 2010). </blockquote>           <p>&nbsp;</p>           <p>      <b>Conclus&atilde;o</b>        </p>           <p>       Ao assistirmos o espet&aacute;culo com os adolescentes, nos perguntamos: o que Bausch estaria buscando ao realizar um mesmo espet&aacute;culo com tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es diferentes? A resposta para essa pergunta, n&atilde;o conseguimos obter em palavras fechadas. Por&eacute;m, a partir desse questionamento e analisando o material levantado em pesquisa de campo, observamos que o mesmo espet&aacute;culo, as mesmas cenas, interpretadas por gera&ccedil;&otilde;es diferentes ganharam leituras diferentes. Assim, vemos como um interessante campo de pesquisa a an&aacute;lise das poss&iacute;veis diferentes leituras de uma mesma cena, realizada pelos distintos grupos de int&eacute;rpretes.  </p>     <p>Com esse trabalhou Pina Bausch modificou as perspectivas e o ponto de vista dos senhores e senhoras e dos adolescentes. A  maioria deles nunca havia subido em um palco ao longo da vida. A core&oacute;grafa colocou a comunidade falando para a comunidade, questionando o que &eacute; arte e quem s&atilde;o os &#34;verdadeiros artistas&#34;, colocando todos no mesmo n&iacute;vel e mostrando que a verdadeira poesia est&aacute; no que h&aacute; de mais humano em cada um de n&oacute;s.        </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b>  </p>     <!-- ref --><p> Climenhaga, Royd (2009) <i>Pina Bausch. </i>London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441392&pid=S1647-6158201200010001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Crompton, Sarah (2010) <i>Pina Bausch at the Barbican, London, review</i>.&#91;Consult. 2011-11-24&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.telegraph.co.uk/culture/theatre/dance/7556364/Pina-Bausch-at-the-Barbican-London-review.html" target="_blank">http://www.telegraph.co.uk/culture/theatre/dance/7556364/Pina-Bausch-at-the-Barbican-London-review.html</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441394&pid=S1647-6158201200010001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Endicott, Jo Ann (2010) <i>Dancing Dreams</i>.&#91;Consult. 2011-11-24&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.facebook.com/video/video.php?v=1587508360885" target="_blank">http://www.facebook.com/video/video.php?v=1587508360885</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441395&pid=S1647-6158201200010001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> L´arche (2007) <i>Kontakthof with ladies and gentleman over</i> &#34;65&#34;.Paris: L´arche.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441396&pid=S1647-6158201200010001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p> Mackrell, Judith (2010) <i>Give me an over-65 dancer any day</i> &#91;Consult. 2011-11-24&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.guardian.co.uk/culture/2010/apr/07/critics-notebook-judith-mackrell" target="_blank">http://www.guardian.co.uk/culture/2010/apr/07/critics-notebook-judith-mackrell</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441398&pid=S1647-6158201200010001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Pereira, Sayonara (2010) <i>Rastros do Tanztheater no Processo Criativo de ES-BO&Ccedil;O: Espet&aacute;culo C&ecirc;nico com alunos do Instituto de Artes da UNICAMP. </i>S&atilde;o Paulo: AnnaBlume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1441399&pid=S1647-6158201200010001600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:marinamilito@yahoo.com">marinamilito@yahoo.com</a>(Marina Milito).</p>      ]]></body><back>
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