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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This communication proposes an approach to the work of Angolan artist, Helga Gamboa. Her research, as ceramist, discusses the Angolan condition including the legacy of the colonial period, the signs and symbols of a cultural identity, the adversities of the civil war and the fragility of women and children in her society.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	 	 	    <p align="right"><b>TROPICALTERIDADE</b>    <br> </p> 	 	         <p><b>A Condi&ccedil;&atilde;o da mulher em Angola na cer&acirc;mica de Helga Gamboa</b> </p>     <p> <b>The Women&#39;s condition in Angola: on Helga Gamboa Ceramics</b>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Teresa Matos Pereira&#42;</b> </p>     <p> &#42;Portugal, artista visual (artes pl&aacute;sticas, tape&ccedil;aria experimental). Professora no Instituto Polit&eacute;cnico de Set&uacute;bal / Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o. Gradua&ccedil;&atilde;o em Pintura, Mestrado em Teorias da Arte, Doutoramento em Belas-Artes / Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.  </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b>    <br> Esta comunica&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e uma abordagem &agrave; obra da artista pl&aacute;stica angolana, Helga Gamboa. Na sua pesquisa, enquanto ceramista, problematiza a condi&ccedil;&atilde;o angolana, vivida no feminino, incluindo o legado do per&iacute;odo colonial, os sinais e s&iacute;mbolos de uma identidade cultural, as adversidades da guerra civil e a fragilidade de mulheres e crian&ccedil;as na sociedade a que pertence. </p>     <p> <b>Palavras-chave: </b> cer&acirc;mica, Angola, colonialismo, p&oacute;s-colonialismo, identidade      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>ABSTRACT</b> This communication proposes an approach to the work of Angolan artist, Helga Gamboa. Her research, as ceramist, discusses the Angolan condition including the legacy of the colonial period, the signs and symbols of a cultural identity, the adversities of the civil war and the fragility of women and children in her society. </p>     <p> <b>Keywords: </b> ceramics, Angola, colonialism, post-colonialism, identity          <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>1. Rotas</b>      </p>          <p>      Helga Gamboa nasceu em Malange no ano de 1961 e, em Luanda, ir&aacute; realizar os primeiros estudos art&iacute;sticos entre 1978 e 1980, atrav&eacute;s do Curso de Instrutores de Artes Pl&aacute;sticas, promovido pelo Conselho Nacional de Cultura. Na d&eacute;cada de noventa ir&aacute; radicar-se no Reino Unido onde d&aacute; prosseguimento aos estudos, dedicando-se &agrave; cer&acirc;mica.       </p>          <p>      A sua pesquisa pl&aacute;stica enquanto ceramista cruza-se com uma indaga&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o mais aprofundada acerca das ra&iacute;zes e identidade cultural, problematizando a condi&ccedil;&atilde;o angolana vivida no feminino onde a educa&ccedil;&atilde;o e o legado do per&iacute;odo colonial se cruzam com as adversidades da guerra civil e a fragilidade humana (especialmente de mulheres e crian&ccedil;as) repercutidas em imagens que se disseminam atrav&eacute;s das redes de um mundo globalizado, onde a mensagem se dilui numa temporalidade ef&eacute;mera ou se banaliza pela cont&iacute;nua repeti&ccedil;&atilde;o.       </p>          <p>      Atendendo &agrave;s m&uacute;ltiplas temporalidades e viv&ecirc;ncias convocadas na obra de Helga Gamboa, procuraremos ao longo desta breve abordagem, propor leituras de algumas das suas pe&ccedil;as, alicer&ccedil;adas n&atilde;o s&oacute; no testemunho da autora mas igualmente numa articula&ccedil;&atilde;o entre a imagem e os sedimentos extra&iacute;dos da complexa hist&oacute;ria que envolve Angola e Portugal em particular ou &Aacute;frica e a Europa em geral       </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>2. Signos da identidade</b>            </p>          <p>      Reinterpretando as t&eacute;cnicas e formas da cer&acirc;mica tradicional do sul de Angola nomeadamente Kuanhama e Nhaneca-Humbe, Helga Gamboa cria um conjunto de pe&ccedil;as que servem de suporte pl&aacute;stico a inscri&ccedil;&otilde;es e &agrave; impress&atilde;o de imagens fotogr&aacute;ficas reproduzidas em jornais ou revistas &#8211; que advertem para o papel da mulher na sociedade Angolana, a sua vulnerabilidade &#8211; conduzindo uma subtil articula&ccedil;&atilde;o entre a explora&ccedil;&atilde;o das conting&ecirc;ncias da identidade e ra&iacute;zes culturais transformadas e moldadas pelo ciclo vicioso da guerra e da viol&ecirc;ncia que se repete nas imagens de mulheres e crian&ccedil;as mutiladas, rostos que interrogam o observador, ou inscri&ccedil;&otilde;es que denunciam as realidades por detr&aacute;s da desminagem.       </p>          <p>      A artista utilizar&aacute; a cer&acirc;mica como um ve&iacute;culo n&atilde;o s&oacute; de explora&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica mas igualmente como um suporte simb&oacute;lico que possibilita discutir e explorar quest&otilde;es como as dicotomias entre tradi&ccedil;&atilde;o e modernidade, arte e artesanato &#8211; pela recupera&ccedil;&atilde;o quer de modelos tradicionais quer pela apropria&ccedil;&atilde;o de tipologias ocidentais fabricadas industrialmente &#8211; e, acima de tudo avan&ccedil;ar com uma abordagem cr&iacute;tica daquilo que s&atilde;o as conting&ecirc;ncias inerentes &agrave; cria&ccedil;&atilde;o e ado&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias, que se confrontam com uma hist&oacute;ria (n&atilde;o s&oacute; social e pol&iacute;tica mas sobretudo uma hist&oacute;ria de vida) marcada pelo colonialismo, pela revolu&ccedil;&atilde;o, pelo regime socialista p&oacute;s-colonial e pela guerra civil. Estes factos (hist&oacute;ricos) s&atilde;o afirmados por Helga Gamboa n&atilde;o s&oacute; como dados biogr&aacute;ficos mas igualmente como termos que definem as configura&ccedil;&otilde;es com que a sua pr&oacute;pria identidade (enquanto artista e cidad&atilde; angolana) se defronta.        </p>          <p>      A autora lembra ainda que esta viv&ecirc;ncia urbana durante o final do per&iacute;odo colonial, e a subsequente acentua&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de assimila&ccedil;&atilde;o cultural, a impediu de contactar e vivenciar formas culturais end&oacute;genas, nomeadamente ao n&iacute;vel de um conhecimento pr&aacute;tico dos modelos e fun&ccedil;&otilde;es da cer&acirc;mica nas sociedades aut&oacute;ctones. Neste sentido, o contacto e interesse pela cer&acirc;mica angolana quer utilit&aacute;ria quer cerimonial, estabelece-se no espa&ccedil;o da di&aacute;spora, aquando dos estudos no Reino Unido e ironicamente, recorda, foi no plano de uma cultura ex&oacute;gena que aprofunda o conhecimento, ou &#34;desvenda&#34;, a pr&oacute;pria cultura nativa do seu pa&iacute;s.      </p>          <p>      Na verdade, o contacto com a cole&ccedil;&atilde;o de cer&acirc;mica Kuanhama no Powell-Cotton Museum recolhida, na d&eacute;cada de trinta do s&eacute;culo 20 por Diane e Antoinette, filhas do Major Pierce Powell-Cotton no sul de Angola, surge como um momento relevante da sua pesquisa, que a leva a considerar as potencialidades deste conjunto como agente de um despertar da identidade cultural. Posteriormente, procura, atrav&eacute;s de desloca&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o Kwanhama e Nhaneca-Humbe, comparar as modalidades contempor&acirc;neas de fabrica&ccedil;&atilde;o artesanal pelas mulheres ceramistas e os registos efetuados na d&eacute;cada de trinta pelas irm&atilde;s Powell-Cotton, visando aprofundar os conhecimentos t&eacute;cnicos, as poss&iacute;veis altera&ccedil;&otilde;es decorridas ao longo deste intervalo de tempo sem esquecer os seus significados e usos particulares (quer funcionais e econ&oacute;micos, quer cerimoniais).       </p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>      Ao mesmo tempo, esta procura confronta a artista com a complexidade da sua identidade angolana onde emerge uma duplicidade cultural vivida simultaneamente sob o signo da <i>v&iacute;tima</i> e da <i>privilegiada</i>. Como menciona, o seu desconhecimento das culturas end&oacute;genas, das diferentes l&iacute;nguas nacionais &#8211; derivado da educa&ccedil;&atilde;o e da inf&acirc;ncia vivida durante o per&iacute;odo colonial onde a l&iacute;ngua portuguesa e os padr&otilde;es europeus haviam sido impostos como marcas de superioridade &#8211; coloca-a face a um mundo &#34;desconhecido &#34; ao qual pertence enquanto cidad&atilde; angolana. Mas por outro lado n&atilde;o deixa de se sentir privilegiada pelo facto de, atrav&eacute;s da investiga&ccedil;&atilde;o e pesquisa pl&aacute;stica poder reconstituir uma liga&ccedil;&atilde;o (at&eacute; ent&atilde;o inexistente) com as ra&iacute;zes de uma cultura que lhe havia sido sonegada. Nas suas palavras:       </p>     <blockquote><i>More importantly the greatest privilege is the understanding I am gaining about my culture and identity through my art and my research. In a sense I am recovering, or excavating elements of Angolan culture previously hidden from me</i> (Gamboa, 2008). </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>3. A obra como den&uacute;ncia</b>           </p>          <p>      Considerando o seu poder evocativo, pela liga&ccedil;&atilde;o que estabelece com uma t&eacute;cnica e mat&eacute;ria primordial como a terra, a aus&ecirc;ncia ou dificuldade em obter alimentos, o simbolismo e labor feminino &#8211; tanto na confe&ccedil;&atilde;o dos artefactos como na sua utiliza&ccedil;&atilde;o &#8211; as pe&ccedil;as cer&acirc;micas de Helga Gamboa s&atilde;o pensadas n&atilde;o s&oacute; numa perspetiva estritamente tecnol&oacute;gica mas procuram conjugar aspetos de ordem est&eacute;tica e pl&aacute;stica com uma vertente interventiva onde as consequ&ecirc;ncias da guerra s&atilde;o conjugadas no feminino e na inf&acirc;ncia. A sua pesquisa tem por objetivo &#34;criar objetos que n&atilde;o poderiam ser vistos apenas como esteticamente agrad&aacute;veis ou objetos de decora&ccedil;&atilde;o, mas sim, chamar a aten&ccedil;&atilde;o para a luta e dor que muitas mulheres suportam&#34; (Gamboa, 2010).       </p>          <p>      Destacam-se obras como <i>Feeding, Infants</i> ou <i>Aftermath</i> (<a href="#f1">Figura 1;</a> <a href="#f2">Figura 2;</a> <a href="#f4">Figura 4)</a>, que, recuperando e/ou recriando modelos tradicionais e reavendo uma t&eacute;cnica artesanal, em que as mulheres assumem uma import&acirc;ncia como em nenhum outro lugar, Helga Gamboa conjuga o simbolismo matricial das bases arredondadas com o poder masculino da destrui&ccedil;&atilde;o &#8211; figurado nos gargalos alongados &#8211; a evoca&ccedil;&atilde;o da terra-m&atilde;e com a utiliza&ccedil;&atilde;o de modelos europeus e pe&ccedil;as de fabrico industrial como s&iacute;mbolos do colonialismo e da produ&ccedil;&atilde;o em s&eacute;rie &#8211; inclusive de armas como as minas terrestres respons&aacute;veis por um n&uacute;mero elevado de mortes e mutila&ccedil;&otilde;es por entre a popula&ccedil;&atilde;o civil, e que envolve um neg&oacute;cio que vai al&eacute;m da mera comercializa&ccedil;&atilde;o, como veremos.      </p> 	     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a20f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a20f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a20f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>      Este simbolismo expresso nas formas e nas mat&eacute;rias que remete para um universo das ra&iacute;zes ancestrais da identidade cultural, contrap&otilde;e-se &agrave;s refer&ecirc;ncias de uma repeti&ccedil;&atilde;o em s&eacute;rie da tecnologia ocidental, e &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da reprodu&ccedil;&atilde;o de imagens fotogr&aacute;ficas monocrom&aacute;ticas que, compondo frisos, mostram v&iacute;timas da guerra &#8211; mulheres mutiladas pelo rebentamento de minas terrestres, crian&ccedil;as de rua, v&iacute;timas do abandono e da fome &#8211; e que igualmente povoam um imagin&aacute;rio tr&aacute;gico, mas banalizado nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o ocidentais. Estes dois &uacute;ltimos aspetos s&atilde;o denunciados em <i>Infants</i> (<a href="#f2">Figura 2</a>) e numa outra pe&ccedil;a n&atilde;o intitulada (<a href="#f3">Figura 3</a>) onde uma figura de crian&ccedil;a interroga o observador com o olhar. Na primeira, o uso do negro como s&iacute;mbolo da perda e de morte, cobre uma forma onde o fundo arredondado remete para o ventre materno, aspeto igualmente patente na segunda aqui refor&ccedil;ada pelos tons da terra. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a20f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p> A luta pela sobreviv&ecirc;ncia travada pelas mulheres angolanas em meio rural &eacute; o tema da obra <i>Aftermath</i> (<a href="#f4">Figura 4</a>). O contraste entre o preto &#8211; met&aacute;fora da morte e da perda &#8211; e o branco &#8211; met&aacute;fora do colonialismo &#8211; numa alus&atilde;o ao legado do passado no presente, &agrave; domina&ccedil;&atilde;o e subjuga&ccedil;&atilde;o, &eacute; complementado com a viol&ecirc;ncia das imagens de mulheres amputadas em consequ&ecirc;ncia do rebentamento de minas, apoiadas em muletas e denunciando os espantosos esfor&ccedil;os da mulher/m&atilde;e angolana numa conjuntura tr&aacute;gica, de fragilidade e priva&ccedil;&otilde;es v&aacute;rias.          </p>          <p>      A rela&ccedil;&atilde;o entre passado e presente, marcados pela destrui&ccedil;&atilde;o, domina&ccedil;&atilde;o, explora&ccedil;&atilde;o, escravatura e morte, primeiro, provocados pelo colonialismo e posteriormente pela guerra civil s&atilde;o evocados em duas outras pe&ccedil;as, um conjunto intitulado <i>Breakfast Thoughts</i> (<a href="#f5">Figura 5</a>), e outra n&atilde;o intitulada (<a href="#f6">Figura 6</a>). Na primeira, a ceramista recorre ao uso de pe&ccedil;as de loi&ccedil;a industrial habitualmente presentes numa mesa de pequeno-almo&ccedil;o europeia como s&iacute;mbolos do colonialismo e da produ&ccedil;&atilde;o em s&eacute;rie onde imprime repetidamente a azul e branco, a imagem de uma mulher mutilada, apoiada numa muleta. O conte&uacute;do politicamente interventivo &eacute; complementado atrav&eacute;s de inscri&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m a azul (numa subtil alus&atilde;o ao colonialismo portugu&ecirc;s simbolizado pelas cores da azulejaria) que remetem para as hist&oacute;rias de vida destas mulheres num quotidiano marcado pela a&ccedil;&atilde;o devastadora das minas terrestres, pela destrui&ccedil;&atilde;o e morte em massa. A segunda, denuncia, atrav&eacute;s de inscri&ccedil;&otilde;es, a complexa teia de rela&ccedil;&otilde;es que envolve os neg&oacute;cios da guerra, onde a produ&ccedil;&atilde;o de minas terrestres (origin&aacute;rias de mais de 22 pa&iacute;ses diferentes) e a posterior desminagem (realizada n&atilde;o raras vezes por ONG desses mesmos pa&iacute;ses&#8230;) s&atilde;o apenas duas componentes de uma economia, respons&aacute;vel pela mutila&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios milhares de angolanos.      </p>          <p>&nbsp;</p>      <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a20f5.jpg"></a>          
<p>&nbsp;</p>      <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a20f6.jpg"></a>          
<p>&nbsp;</p>          <p>&nbsp;</p>          <p> <b>4. Nota Final</b>      </p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>      A duplicidade ou contraste entre a eleg&acirc;ncia e fluidez das linhas das pe&ccedil;as, o acabamento polido, a escala que adivinha uma possibilidade de manuseamento, a recupera&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas e formas antigas, e o sentido pol&iacute;tico, a dimens&atilde;o catastr&oacute;fica dos conte&uacute;dos expressos (ou indiretamente evocados), o jogo entre o trabalho manual e a produ&ccedil;&atilde;o industrial em s&eacute;rie, a articula&ccedil;&atilde;o entre o passado hist&oacute;rico e o presente dos quotidianos, transforma estes objetos em documentos pl&aacute;sticos que, numa refer&ecirc;ncia direta a um universo particular da mulher &#8211; encarada como esteio familiar e simultaneamente um dos elos mais fr&aacute;geis do tecido social, conjuntamente com as crian&ccedil;as &#8211; alcan&ccedil;am, na obra cer&acirc;mica de Helga Gamboa n&atilde;o s&oacute; uma configura&ccedil;&atilde;o testemunhal, mas incorrem no campo das constru&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias onde dimens&atilde;o autobiogr&aacute;fica n&atilde;o deixa de ser omnipresente.      </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <!-- ref --><p> AAVV (2003). <i>Angola. Tons e Texturas da Angolanidade</i>. Lisboa, F&oacute;rum Picoas &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442376&pid=S1647-6158201200010002000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Gamboa, Helga (2008). An Angolan Heritage: the Ceramics of Helga Gamboa, in <i>Interpreting Ceramics</i>. Cardiff: University of Wales. &#91;Consultado em 6-11-2010&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.uwic.ac.uk/icrc/issue010/articles/06.htm" target="_blank">http://www.uwic.ac.uk/icrc/issue010/articles/06.htm</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442377&pid=S1647-6158201200010002000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Gamboa, Helga. Reprodu&ccedil;&atilde;o de obras em cer&acirc;mica. &#91;Consultado em 6-11-2010&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.helgagamboa.com" target="_blank">http://www.helgagamboa.com</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442378&pid=S1647-6158201200010002000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Nunes, Augusto. Helga Gamboa exp&otilde;e obras de cer&acirc;mica, in </i>O Pa&iacute;s</i> &#91;online&#93; 30 de abril de 2010 &#91;Consultado em 6-2-2011&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.opais.net/pt/opais/?det=12144" target="_blank">http://www.opais.net/pt/opais/?det=12144</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442379&pid=S1647-6158201200010002000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:teresamatospereira@yahoo.com"> teresamatospereira@yahoo.com </a> (Teresa Matos Pereira).</p>      ]]></body><back>
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