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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Raid das Moças e a Cultura da depressão: performance e humor subversivo ou quando Foucalt visita as chanchadas da Atlântida]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Girls' Raid is a female vocal performance group that 20 years ago has served in various cities in Brazil. Our summary seeks to show, based on the last show of their repertoire, "Culture of depression" as a job seemingly innocent and harmless can be loaded with critical and conceptual proposals that legitimize and authorize the mood and performance as modus faciendi of contemporary art.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>TROPICALTERIDADE</b>    <br> </p>        <p><b>Raid das Mo&ccedil;as e a Cultura da depress&atilde;o: performance e humor subversivo ou quando Foucalt visita as chanchadas da Atl&acirc;ntida</b> </p>     <p> <b>Raid das Mo&ccedil;as: performance and subversive humor or when Foucault visits the popular movies of Atlantis</b>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Djalma Thurler&#42;</b> & <b>Marilda Santanna&#42;&#42;</b> </p>     <p> &#42;Djalma Thurler: Brasil, diretor teatral, professor no Instituto de Humanidades, Artes e Ci&ecirc;ncias Prof. Milton Santos, Universidade Federal da Bahia (IHAC &#8211; UFBA), e no programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o multidisciplinar em Cultura e Sociedade, UFBA. Doutorado: Letras, Universidade Federal Fluminense (UFF, Rio de Janeiro). Mestrado: Ci&ecirc;ncia da Arte (UFF); Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes C&ecirc;nicas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uni-Rio).  </p>     <p> &#42;&#42;Marilda Santanna: Brasil, cantora e performer. Professora no Instituto de Humanidades, Artes e Ci&ecirc;ncias Prof. Milton Santos  da Universidade Federal da Bahia (IHAC &#8211; UFBA) e no programa Multisciplinar em Cultura e Sociedade da UFBA. Doutorado em Ci&ecirc;ncias Sociais e Mestrado em Artes C&ecirc;nicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Graduada em Hist&oacute;ria, UFBA. </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b>    <br> O <i>Raid das Mo&ccedil;as</i> &eacute; um grupo perform&aacute;tico vocal feminino que h&aacute; 20 anos vem se apresentando em v&aacute;rias cidades no Brasil. Nosso resumo busca mostrar, com base no &uacute;ltimo espet&aacute;culo de seu repert&oacute;rio, &#34;Cultura da depress&atilde;o&#34;, como um trabalho aparentemente ing&ecirc;nuo e inofensivo pode estar carregado de propostas cr&iacute;ticas e conceituais que legitimam e autorizam o humor e a performance como modus faciendi da arte contempor&acirc;nea. </p>     <p> <b>Palavras chave: </b> Raid das mo&ccedil;as; cultura da depress&atilde;o; est&eacute;tica camp; par&oacute;dia intertextual     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>ABSTRACT: </b>    <br> The Girls&#39; Raid is a female vocal performance group that 20 years ago has served in various cities in Brazil. Our summary seeks to show, based on the last show of their repertoire, &#34;Culture of depression&#34; as a job seemingly innocent and harmless can be loaded with critical and conceptual proposals that legitimize and authorize the mood and performance as modus faciendi of contemporary art. </p>     <p> <b>Keywords: </b> Raid das Mo&ccedil;as; Culture of depression;camp aesthetic; intertextual parody      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>  	</p>     <p> Durante a ditadura militar no Brasil, a resist&ecirc;ncia art&iacute;stica n&atilde;o se deu exclusivamente atrav&eacute;s do engajamento de esquerda. Houve uma tend&ecirc;ncia cultural, detectada por Renato Ortiz (Ortiz, 1988) no ensaio &#34;O popular e o nacional / Do popular nacional ao internacional popular&#34;, que o autor nomeia de &#34;Cultura de Depress&atilde;o&#34;. Diz o autor que:  </p>     <blockquote> <i>Cultura de Depress&atilde;o com varia&ccedil;&otilde;es no irracionalismo, no misticismo, no escapismo, e sob o signo da amea&ccedil;a, eis os tra&ccedil;os essenciais que acompanham alguns setores da produ&ccedil;&atilde;o cultural brasileira a partir de 1969. </i>&#91;&#8230;&#93; <i>Declara-se esp&uacute;ria ou careta a esfera do pol&iacute;tico e, atrav&eacute;s de um argumento equivocado do perigo da recupera&ccedil;&atilde;o via ind&uacute;stria cultural ou pelo establishment, faz-se a profiss&atilde;o de f&eacute; do sil&ecirc;ncio te&oacute;rico, isto &eacute;, a recusa apolog&eacute;tica do discurso conceptualizado sobre a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, sobretudo a musical. Isto tudo mesclado a um culto modernoso do nonsense, a um rep&uacute;dio &agrave; pontilha&ccedil;&atilde;o racional do discurso. Portanto, &ecirc;nfase no sujeito &#34;alienado&#34;, que busca na droga, no misticismo ou na psican&aacute;lise, a forma de expressar sua individualidade; desarticula&ccedil;&atilde;o do discurso, reifica&ccedil;&atilde;o da linguagem, o que equivaleria a uma desvaloriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento racional; recusa em se encarar o elemento pol&iacute;tico</i> (Ortiz,1988: 158).  </blockquote>                  <p>       O presente trabalho apresentar&aacute; um fen&ocirc;meno c&ecirc;nico que, advindo da contracultura dos anos setenta viria a ser, na d&eacute;cada de noventa e depois, alvo de fervorosas discuss&otilde;es e respons&aacute;vel por uma renova&ccedil;&atilde;o da plat&eacute;ia brasileira. H&iacute;brido por natureza e ess&ecirc;ncia, o Raid das Mo&ccedil;as em sua proposta est&eacute;tica apresenta em cena o pastiche, o nonsense costurado por can&ccedil;&otilde;es consideradas brega e/ou cafona da m&uacute;sica popular brasileira destinada &agrave;s consideradas camadas populares. Com uma sonoridade que apresenta s&iacute;ntese da m&uacute;sica eletr&ocirc;nica com baladas de cunho rom&acirc;ntico cujos conte&uacute;dos refletem desilus&otilde;es amorosas e a chamada &#34;dor de cotovelo&#34; alicer&ccedil;ada por interpreta&ccedil;&otilde;es exageradas e melodram&aacute;ticas, coreografias retiradas de filmes das sess&otilde;es da tarde e de dan&ccedil;arinas de programas de audit&oacute;rio, respaldada por um figurino que passeia pelo <i>kitsch</i>, pelos cabar&eacute;s e <i>boites gays</i>; o grupo se debru&ccedil;a neste espet&aacute;culo a mapear a partir de uma linha de tempo hist&oacute;rico com inicio na d&eacute;cada de sessenta at&eacute; a atualidade a re/apresentar cada bloco como pequenos esquetes que n&atilde;o privilegia apenas o lado musical, mas traz ainda um forte apelo de teatralidade e humor que resulta num espet&aacute;culo c&ecirc;nico l&uacute;dico e interativo.     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>1. Par&oacute;dia e Besteirol</b> 	</p>     <p> <i>Teatro Besteirol</i> designa montagens de humor n&atilde;o muito exigentes que buscam antes de tudo cumplicidade com a plat&eacute;ia por debochar de temas cotidianos, contando com atores que n&atilde;o hesitam em assumir a par&oacute;dia at&eacute; o mais infame cabotinismo. Se a isso se incorporar temas escatol&oacute;gicos e uma est&eacute;tica <i>voluntariamente</i> de mal gosto e mal-acabada, estamos no caminho certo para esse come&ccedil;o de conversa.  	</p>     <p> Linda Hutcheon, em <i>Uma teoria da par&oacute;dia</i> (Hutcheon, 1986) assim define a par&oacute;dia: &#39;A par&oacute;dia &eacute; pois, repeti&ccedil;&atilde;o, mas repeti&ccedil;&atilde;o que inclui diferen&ccedil;a; &eacute; imita&ccedil;&atilde;o com dist&acirc;ncia cr&iacute;tica, cuja ironia pode beneficiar e prejudicar ao mesmo tempo&#39; (Hutcheon, 1986: 54). Vers&otilde;es ir&ocirc;nicas de transcontextualiza&ccedil;&atilde;o e invers&atilde;o s&atilde;o os seus principais operadores formais, e o &acirc;mbito de ethos pragm&aacute;tico vai do rid&iacute;culo desdenhoso a homenagem reverencial.        </p>           <p>       Fl&aacute;vio Marinho comenta que o espectador para usufruir do humor do espet&aacute;culo necessita de uma certa forma&ccedil;&atilde;o cultural:        </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> <i>O humor do espet&aacute;culo, no entanto requer uma certa informa&ccedil;&atilde;o cultural do	 espectador e, especialmente, algum conhecimento (ou viv&ecirc;ncia) teatral para melhor curt&iacute;-lo. De outra forma, corre o risco de perder grande parte dos achados c&ocirc;micos. Seja como for, trata-se de espet&aacute;culo altamente recomend&aacute;vel que, devido ao seu car&aacute;ter meio marginal, talvez estivesse melhor abrigado &#8211; e com maiores chances de sucesso em sess&otilde;es de meia-noite do C&acirc;ndido Mendes do que no hor&aacute;rio vespertino do Teatro dos Quatro</i> (Marinho, 1983: Jornal &#39;O Globo&#39;). </blockquote>           <p>       Essa id&eacute;ia esbo&ccedil;ada por ele &#8211; a de que o espectador da pe&ccedil;a precisa de uma certa forma&ccedil;&atilde;o teatral para melhor usufru&iacute;-la &#8211; vem ao encontro do que Affonso Romano de Sant&#39;Anna diz a respeito da assimila&ccedil;&atilde;o da par&oacute;dia, par&aacute;frase e estiliza&ccedil;&atilde;o:        </p>     <blockquote> <i>Os conceitos de par&oacute;dia, par&aacute;frase e estiliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o relativos ao leitor. Isto &eacute;: depende do receptor </i>&#91;&#8230;&#93;<i> Isto equivale a dizer, em outros termos: estiliza&ccedil;&atilde;o, par&aacute;frase e par&oacute;dia (e a apropria&ccedil;&atilde;o, que veremos proximamente) s&atilde;o recursos percebidos por um leitor mais informado. &Eacute; preciso um repert&oacute;rio ou mem&oacute;ria cultural e liter&aacute;ria para decodificar os textos superpostos</i> (Sant&#39;Anna, 2006: 26). </blockquote> 	     <p> Citamos, &agrave; guisa de exemplo, o texto que a atriz K&aacute;tia Leal fala entre a primeira parte do primeiro bloco e a segunda: </p>     <blockquote> <i>Nesse ver&atilde;o n&oacute;s decidimos reviver e recontar uma hist&oacute;ria de sucesso, decidimos ficar em Salvador, na Varanda do SESI tomando nossos bons drink (sic)  nesse ver&atilde;o maravilhoso da Bahia e dividindo com voc&ecirc;s esses momentos nossos. E teve boatos que n&oacute;s ainda est&aacute;vamos na pior, se isso &eacute; t&aacute; na pior, poonrra! O que &eacute; dizer estar bem, n&eacute;? </i> (Th&uuml;rler, 2011: original em c&oacute;pia) </blockquote>     <p> Esse texto, respons&aacute;vel em si, por boa parte do riso do espet&aacute;culo s&oacute; faz sentido para quem conhece o famoso v&iacute;deo da travesti brasileira radicada na It&aacute;lia, Luiza Marilac (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a22f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>           <p>       Outro momento importante &eacute; o que a atriz K&aacute;tia Leal assume o papel da Psicopedagoga especialista em linguagem de libras e traduz a m&uacute;sica <i>Fico assim sem voc&ecirc; </i>, de Claudinho e Buchecha. Guardando algumas mudan&ccedil;as, inser&ccedil;&otilde;es e releituras, o que fazemos &eacute; um processo intertextual e tropicalista como a vers&atilde;o que o ator Raul Franco fez para a mesma m&uacute;sica em seu espet&aacute;culo solo &#34;Sa&iacute;da de emerg&ecirc;ncia&#34;, que ficou em cartaz no teatro Vanucci, no Rio de Janeiro (<a href="#f2">Figura 2</a>).  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a22f2.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>           <p>       Ainda mais radical &eacute; a cena da diversidade, em que a cantora e atriz Marilda Santanna interpreta, invocando a musa Nara Le&atilde;o, uma t&iacute;pica Bossa Nova. At&eacute; a&iacute;, nada de muito especial se n&atilde;o fosse esse n&uacute;mero uma apropria&ccedil;&atilde;o da vers&atilde;o escatol&oacute;gica de Mc  Grizante para o cl&aacute;ssico pop &#34;I Will Survive&#34; de Gloria Gaynor (<a href="#f3">Figura 3</a>).  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a22f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>2. A Est&eacute;tica Camp e o esteticismo escandaloso</b>        </p>           <p>       Foi comum durante os dias de espet&aacute;culo e frente &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o maci&ccedil;a na imprensa brasileira a d&uacute;vida sobre a identidade sexual das <i>performers</i> Claudia Sisan, K&aacute;tia Leal e Marilda Santanna (<a href="#f4">Figura 4</a>. A provoca&ccedil;&atilde;o intencional teve origem atrav&eacute;s do conceito de <i>camp</i>, que para n&oacute;s, pode ser entendido a partir das palavras Halperin (Halperin, 2007), como uma forma de resist&ecirc;ncia cultural que repousa sobre a consci&ecirc;ncia compartilhada de estar situado dentro de um poderoso sistema de significa&ccedil;&otilde;es sociais e sexuais. O camp, segundo o autor, resiste ao poder desse sistema de dentro dele por meio da par&oacute;dia, do exagero, da amplifica&ccedil;&atilde;o, da teatraliza&ccedil;&atilde;o e da explicita&ccedil;&atilde;o de c&oacute;digos t&aacute;citos de conduta &#8211; c&oacute;digos cuja autoridade prov&eacute;m de seu privil&eacute;gio de nunca ser enunciado explicitamente e, por conseguinte, de sua imunidade &agrave; cr&iacute;tica.       </p>           <p>&nbsp;</p>       <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a22f4.jpg"></a>           
<p>&nbsp;</p>           <p>       Contrastando com outras posturas, a est&eacute;tica <i>camp</i> equivale, de alguma forma, &agrave; est&eacute;tica gay, o aspecto <i>camp</i> mais marcante no espet&aacute;culo <i>Cultura da Depress&atilde;o</i>, ali&aacute;s, &eacute; importante lembrar que, muitas vezes, as representa&ccedil;&otilde;es estereotipadas com personagens afeminados e com uma est&eacute;tica camp, que, de acordo com Sontag (1987), pode ser caracterizada pela &#34;predile&ccedil;&atilde;o pelo inatural, pelo artif&iacute;cio e pelo exagero&#34; (1987: 318) ou como &#34;um certo tipo de esteticismo &#91;&#8230;&#93; <i>uma maneira de ver o mundo como fen&ocirc;meno est&eacute;tico</i>&#34; (1987: 327).        </p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b>Conclus&atilde;o</b>       </p>           <p>       O <i>camp</i> &eacute; arte que se prop&otilde;e a si mesmo como s&eacute;ria, mas que exige, para sua recep&ccedil;&atilde;o, uma atitude de valoriza&ccedil;&atilde;o de seu artif&iacute;cio e exagero, sua incorpora&ccedil;&atilde;o nost&aacute;lgica e intelectual do mau gosto. &#34;Cultura da depress&atilde;o&#34; deve ser vista a partir das refer&ecirc;ncias culturais a g&ecirc;neros considerados inferiores na Arte que nos permite visualizar o tema da mem&oacute;ria, a cultura de massa e uma postura <i>kitsch</i> frente aos objetos sobrecarregados mediante um discurso sentimental, s&oacute; assim foi poss&iacute;vel que o Raid das mo&ccedil;as inserisse uma marca pessoal na experimenta&ccedil;&atilde;o autoral com modelos populares. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b>  </p>     <!-- ref --><p> Franco, Raul (2008) &#39;Fico Assim Sem Voc&ecirc;&#39; interpretado por Raul Franco. Grava&ccedil;&atilde;o de m&iacute;mica &#91;Consult. 2011-12-15&#93; Acess&iacute;vel  <a href="http://www.youtube.com/watch?v=YqFygccDgRg" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=YqFygccDgRg</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442508&pid=S1647-6158201200010002200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Halperin, David (2007). <i>San Foucault. Para uma hagiografia gay</i>. Buenos Aires, Ediciones literales.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442509&pid=S1647-6158201200010002200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Hutcheon, Linda (1985). <i>Uma teoria da par&oacute;dia</i>. Rio de Janeiro: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442511&pid=S1647-6158201200010002200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Marilac, Luiza (s.d.) <i>Se isso &eacute; t&aacute; na pior&#8230; porr&atilde;n! q q quer dizer t&aacute; bem n&eacute;? </i> V&iacute;deo &#91;Consult. 2011-12-15&#93; Acess&iacute;vel em <a href="http://www.youtube.com/verify_age?next_url=/watch&#37;3Fv&#37;3D9Gb3TWe6IcE" target="_blank">http://www.youtube.com/verify_age?next_url=/watch&#37;3Fv&#37;3D9Gb3TWe6IcE</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442513&pid=S1647-6158201200010002200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Marinho, Fl&aacute;vio (1983). <i>Quem tem medo de um jogo teatral muito divertido? </i> Jornal O Globo. Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442514&pid=S1647-6158201200010002200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Mc  Grizante, (s.d.) <i>Vai Wilson Vai. </i> Can&ccedil;&atilde;o &#91;Consult. 2011-12-15&#93; Acess&iacute;vel em <a href="http://www.cifras.com.br/cifra/mc-grizante/vai-wilson-vai" target="_blank">http://www.cifras.com.br/cifra/mc-grizante/vai-wilson-vai</a>  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442516&pid=S1647-6158201200010002200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Ortiz, Renato (1988); "O popular e o nacional" &#8211; &#34;Do popular nacional ao internacional popular&#34; In: </i>A moderna tradi&ccedil;&atilde;o brasileira, </i> S&atilde;o Paulo, Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442517&pid=S1647-6158201200010002200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Sant&#39;anna, Affonso Romano de (2006) <i>Par&oacute;dia, Par&aacute;frase & Cia. </i> S&atilde;o Paulo: Editora &Aacute;tica, 7&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442519&pid=S1647-6158201200010002200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Sontag, Susan (1987). &#34;Notas sobre o camp&#34;. In: <i>Contra a interpreta&ccedil;&atilde;o. </i> Porto Alegre: 	L&PM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442521&pid=S1647-6158201200010002200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Th&uuml;rler, Djalma (2011). <i> Cultura da Depress&atilde;o</i>. Salvador: original, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1442523&pid=S1647-6158201200010002200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:djalmathurler@uol.com.br"> djalmathurler@uol.com.br </a>(Djalma Thurler).</p>      ]]></body><back>
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