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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RISCO</b>    <br></p>     <p><b>Enquadramento: Risco</b></p>     <p><b>Context: Risk</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Lu&iacute;s Jorge Gon&ccedil;alves&#42;</b> </p>     <p> &#42;Conselho Editorial; Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Portugal. </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A palavra Risco &eacute; um substantivo masculino que pode definir, na l&iacute;ngua portuguesa, probabilidade de perigo ou o tra&ccedil;o sobre uma superf&iacute;cie. H&aacute; aqui um jogo de palavras onde Risco nos conduz por onde um Risco se liga a uma probabilidades e por outro onde Risco nos leva para o tra&ccedil;o, porque somente h&aacute; risco depois do tra&ccedil;o.  </p>     <p> Onde pode estar o tra&ccedil;o, o Risco, sobre uma superf&iacute;cie? O homem sapiens foi a primeira esp&eacute;cie viva dotada de imagina&ccedil;&atilde;o, ou seja, capaz de criar um universo para al&eacute;m do real. As necessidades de sobreviv&ecirc;ncia di&aacute;ria passavam tamb&eacute;m criar hist&oacute;rias e trazer novas vis&otilde;es da realidade vivida. A materializa&ccedil;&atilde;o foi o Risco, nos corpos, nas pequenas placas de pedra, de osso, de madeira, nas superf&iacute;cies parietais das grutas, dos vales dos rios. Foram riscos pintados, gravados, talvez, tatuados, por todos os cantos do planeta onde o homem chegou, desde h&aacute; cerca de trinta mil anos. O Risco revelou uma explos&atilde;o de criatividade e de capacidade inventiva, no entanto, as narrativas por detr&aacute;s do Risco escapam-nos&#8230; </p>     <p> Quando o Homem se tornou agricultor o seu Risco passou tamb&eacute;m para a terra, a m&atilde;e-terra. Era um Risco que rasgava as terras, onde nos sulcos se deitavam as sementes para as plantas receberem &aacute;gua e crescerem. O Risco passou tamb&eacute;m a marcar o solo onde se ergueram as constru&ccedil;&otilde;es humanas, as cabanas, os limites das aldeias, os monumentos constru&iacute;dos para a eternidade. Temos ainda o Risco na superf&iacute;cie das paredes criadas nas constru&ccedil;&otilde;es humanas que se transformam em pintura, em relevo no pal&aacute;cio, no t&uacute;mulo. Tamb&eacute;m o Risco chegou &aacute; superf&iacute;cie de cer&acirc;mica, de papiro, de papel, de pergaminho&#8230;O Risco nas superf&iacute;cies &eacute; um monumento &aacute; imagina&ccedil;&atilde;o humana.  </p>     <p> No conjunto de textos desta sec&ccedil;&atilde;o o Risco est&aacute; na superf&iacute;cie porque em &#34;El arte y las moscas&#34;, de Ignacio Barcia Rodr&iacute;guez, se reflecte, como a partir de uns Riscos num artefacto l&iacute;tico, com quatrocentos anos, se pode discutir sobre a emerg&ecirc;ncia da obra de arte, num homo anterior ao sapiens. Em &#34;Aprehender el lugar: los T&uacute;neles de Nacy Holt&#34;, Paula Santiago Mart&iacute;n de Madrid prop&otilde;e-nos uma viagem pela artista pl&aacute;stica Nacy Holt, com as suas instala&ccedil;&otilde;es que tra&ccedil;am um Risco na paisagem, remetendo-nos para o momento em que o homem come&ccedil;ou a rasgar a m&atilde;e-terra, para dela tirar as suas plantas ou renascer da eternidade. Em &#34;O mundo bate do outro lado&#34;, de Beatriz Furtado, h&aacute; uma proposta da obra de Ticiano Monteiro, em que, nos seus v&iacute;deos capta espa&ccedil;os que transporta para paisagens exteriores naturais e hist&oacute;ricas, onde h&aacute; um Risco da intimidade na geografia colectiva. Trata-se de um mundo virtual, um Risco virtual, sinal dos nossos tempos. Em &#34;Pinturas quentes; Imagens geladas. Sobre a Pintura de Sime&oacute;n Saiz Ruiz&#34;, Carlos Correia revela-nos o trabalho do pintor espanhol, em que as imagens geladas de uma realidade violenta, atrav&eacute;s de um trabalho pixelizado, s&atilde;o transformadas em Riscos quentes que n&atilde;o nos deixam indiferentes pela dureza de uma exist&ecirc;ncia. Finalmente, em &#34;Cuestiones sobre la alteridad en el trabajo de Xavier Ristol&#34;, de Joaquim Cantalozella Planas, leva-nos a um universo tra&ccedil;ado por um Risco na obra de Xavier Ristol onde h&aacute;, por um lado, uma explora&ccedil;&atilde;o autobiogr&aacute;fica e etnogr&aacute;fica, procurando valores &eacute;ticos no campo da arte.  </p>     <p> O Risco acompanha a humanidade. O Risco &eacute; a marca que a humanidade vai legando&#8230; </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:luisjrg@gmail.com"> luisjrg@gmail.com</a> (Lu&iacute;s Jorge Gon&ccedil;alves).</p>      ]]></body>
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