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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA['Where Are My Glasses?' 'Where The Fuck Are My Glasses?' A 'Grande Narrativa' a partir do caso de António Olaio]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper focuses on what here is called the 'Grand Narrative.' From the analysis of conversations/interviews with 27 portuguese artists and leveraged by a joint reading of two works of the portuguese artist Antonio Olaio, this paper propose a manifesto called 'The Grand Narrative' acting as a reflexive tool.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>AVANT</b>    <br> </p>        <p><b>&#39;Where Are My Glasses?&#39; &#39;Where The Fuck Are My Glasses?&#39; A &#39;Grande Narrativa&#39; a partir do caso de Ant&oacute;nio Olaio</b> </p>     <p> <b>&#39;Where Are My Glasses?&#39; &#39;Where The Fuck Are My Glasses?&#39;: The &#39;Grand Narrative&#39; from Ant&oacute;nio Olaio&#39;s case</b>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Francisco Cardoso Lima&#42; & Jo&atilde;o Mota&#42;&#42; </b> </p>     <p> &#42;Francisco Cardoso Lima: Artista Visual e professor no Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o e Arte &#8211; Universidade de Aveiro. Licenciatura Artes-Pl&aacute;sticas Pintura &#8211; Faculdade de Belas-Artes do Porto, Mestrado Estudos Art&iacute;sticos &#8211; Universidade de Aveiro. Doutorando Estudo de Art&iacute;sticos &#8211; Universidade de Aveiro &#8211; Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia.  </p>     <p> &#42;&#42;Jo&atilde;o Mota: Portugal, artista visual e professor no Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o e Arte &#8211; Universidade de Aveiro. Director do doutoramento em design, vice-director do mestrado em Cria&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica Contempor&acirc;nea. Membro fundador da Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o ID&#43;. </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b>    <br> Este trabalho centra-se numa abordagem sobre aquilo que aqui se designa como a &#39;Grande Narrativa,&#39; a partir da explora&ccedil;&atilde;o de 27 conversas com artistas pl&aacute;sticos portugueses e alavancado pela leitura conjunta de dois trabalhos do artista portugu&ecirc;s Ant&oacute;nio Olaio. Prop&otilde;em, enquanto ferramenta reflexiva, o manifesto &#39;A Grande Narrativa.&#39; </p>     <p> <b>Palavras chave: </b> Ant&oacute;nio Olaio, grande narrativa, entrevista, a voz do artista, manifesto     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>ABSTRACT</b>    <br>  This paper focuses on what here is called the &#39;Grand Narrative.&#39; From the analysis of conversations/interviews with 27 portuguese artists and leveraged by a joint reading of two works of the portuguese artist Antonio Olaio, this paper propose a manifesto called &#39;The Grand Narrative&#39; acting as a reflexive tool. </p>     <p> <b>Keywords: </b> Ant&oacute;nio Olaio, grand narrative, interview, the artist&#39;s voice, manifesto     <p>&nbsp;</p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>           <p>      <b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b>       </p>           <p>       A partir da an&aacute;lise do caso particular de Ant&oacute;nio Olaio, esta comunica&ccedil;&atilde;o centra-se na explora&ccedil;&atilde;o de 27 entrevistas efectuadas a artistas pl&aacute;sticos portugueses, inseridas nos trabalhos realizados para o doutoramento em Estudos Art&iacute;sticos &#39;O Artista pelo Artista&#39; (UA, FCT).       </p>           <p>       Num primeiro momento pretende-se apresentar uma leitura alargada sobre a &#34;Grande Narrativa,&#34; assunto caro e um dos t&oacute;picos de conversa transversal aos v&aacute;rios encontros tidos com os diversos criadores. Num segundo momento pretende-se avan&ccedil;ar com uma conclus&atilde;o apresentada sob a forma de manifesto, manifesto enquanto ferramenta reflexiva.      </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>      <b>1. O caso Ant&oacute;nio Olaio</b>       </p>           <p>       Ant&oacute;nio Olaio (S&aacute; da Bandeira, Angola, 1963) &eacute; licenciado em Artes-Pl&aacute;sticas &#8211; Pintura (ESBAP, 1988) e doutorado com a tese &#39;O campo da arte, segundo Marcel Duchamp&#39; (FCTUC, 2000).       </p>           <p>       Iniciado nos anos 80, o seu percurso art&iacute;stico, multidisciplinar, revela uma forte coer&ecirc;ncia discursiva e funciona aqui como ponto de partida atrav&eacute;s da leitura conjunta das obras &#39;Where are my glasses?&#39; (A. Olaio, 1985) e &#39;Where The Fuck Are My Glasses?&#39; (A. Olaio, 2010).        </p>           <p>       A vibra&ccedil;&atilde;o causada por esses dois trabalhos, por um lado fortemente ligados por uma mesma procura, e por outro lado claramente separados por um arco temporal de mais de duas d&eacute;cadas, apresenta de forma evidente a import&acirc;ncia atribu&iacute;da por A. Olaio &agrave; grande narrativa. A exist&ecirc;ncia de elementos que se mant&ecirc;m transversais ao seu universo criativo e a forma consciente como recorre &agrave; sua utiliza&ccedil;&atilde;o demonstram a import&acirc;ncia atribu&iacute;da pelo artista &agrave; pr&oacute;pria constru&ccedil;&atilde;o desse grande quadro. Na voz de Ant&oacute;nio Olaio:      </p>           <blockquote> <i>Com o passar do tempo sinto muitas vari&aacute;veis, mas sinto tamb&eacute;m algumas constantes. Encontro sincronias entre passado e presente, como indiv&iacute;duo e como artista, &#91;e enquanto artista,&#93; quando estou a fazer algo, conscientemente visualizo trabalhos que realizei anteriormente</i> (A. Olaio, 2010).       </blockquote>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       Sejam eles o v&iacute;deo, a m&uacute;sica, a performance, a pintura, o desenho, etc&#8230; existe nos objectos art&iacute;sticos de A. Olaio um conjunto de tra&ccedil;os que concorrem e perspectivam um todo maior. Ainda, na sua voz:      </p>           <blockquote> <i>Expus na Galeria Roma e Pavia, em meados de 80, uma pintura que se chamava &#39;Where Are My Glasses?&#39;. Agora, na exposi&ccedil;&atilde;o patente no museu do Neorealismo, est&aacute; exposta uma pintura que se chama &#39;Where The Fuck Are My Glasses?&#39;. &Eacute; como se eu tivesse dito: &#39;Where are my glasses?&#39; e, depois de uma pausa, desse um murro na mesa e voltasse a dizer: &#39;Where the fuck are my glasses?&#39;. Uma pausa de 20 anos</i> (A. Olaio, 2010).       </blockquote>           <p>       A percep&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de uma grande narrativa enquanto constru&ccedil;&atilde;o consciente de uma obra maior, evidente no caso de Ant&oacute;nio Olaio, funciona como motor para a abordagem efectuada neste artigo &agrave;s 27 entrevistas realizadas a artistas pl&aacute;sticos portugueses constitu&iacute;dos em amostra.      </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>      <b>2. A amostra e a &#39;Grande Narrativa&#39; </b>       </p>           <p>       Com a colabora&ccedil;&atilde;o do cr&iacute;tico de arte Miguel von Hafe P&eacute;rez, seleccionou-se uma amostra para estudo com o prop&oacute;sito apresentar um quadro de refer&ecirc;ncia que se pretendeu representativo das artes pl&aacute;sticas contempor&acirc;neas em Portugal. Foram inclu&iacute;dos na amostra os artistas: Alberto Carneiro, Andr&eacute; Cepeda, Andr&eacute; Gon&ccedil;alves, &Acirc;ngela Ferreira, Ant&oacute;nio Olaio, Carla Cruz, Carla Filipe, Cristina Mateus, Daniel Blaufuks, Eduardo Batarda, Fernando Jos&eacute; Pereira, Francisco Queir&oacute;s, Gerardo Brumester, Joana Vanconcelos, Jo&atilde;o Pedro Vale, Jo&atilde;o Tabarra, Jos&eacute; de Guimar&atilde;es, Mafalda Santos, Manuel Santos Maia, Marta de Menezes, Miguel Leal, Miguel Palma, Paulo Mendes, Pedro Calapez, Pedro Proen&ccedil;a, Rui Chafes e Zulmiro Carvalho.       </p>           <p>       Do conjunto dos encontros com os diversos artistas resultou um documento volumoso que re&uacute;ne em mais de 300 p&aacute;ginas o discurso dos criadores, por vezes negligenciado, aqui apresentado &#39;tout court,&#39; de artista para artista, na primeira pessoa. Este registo directo possibilita, julgamos, uma percep&ccedil;&atilde;o t&atilde;o abrangente quanto poss&iacute;vel sobre o panorama das artes pl&aacute;sticas em Portugal, hoje.       </p>           <p>       Pretendeu-se evitar o enfoque te&oacute;rico-filos&oacute;fico que emergiu nas &uacute;ltimas 5 d&eacute;cadas, &agrave; imagem daquele que, por exemplo, Jean-Fran&ccedil;ois Lyotard aborda em &#34;La condition postmoderne: rapport sur le savoir&#34; (1979). Antes, este estudo procura centrar as aten&ccedil;&otilde;es no artista, trazendo para a discuss&atilde;o a sua voz, na primeira pessoa, procurando a sua perspectiva idiossincr&aacute;tica sobre a possibilidade de exist&ecirc;ncia de um &#39;grande quadro&#39; enquanto algo que ultrapassa a fisicalidade do objecto art&iacute;stico, algo que n&atilde;o est&aacute; necessariamente no objecto art&iacute;stico, algo que n&atilde;o o objecto art&iacute;stico. Antes, a grande narrativa como uma grande constru&ccedil;&atilde;o, mais pr&oacute;ximo do processo de cria&ccedil;&atilde;o, mais pr&oacute;ximo do percurso art&iacute;stico, como um todo maior que as partes.       </p>           <p>       Para esta comunica&ccedil;&atilde;o, focamos aten&ccedil;&otilde;es apenas no conjunto de t&oacute;picos que referenciam a rela&ccedil;&atilde;o do artista com a grande narrativa. Procurou-se perceber se existe por parte do artista pl&aacute;stico um olhar retrospectivo sobre o seu percurso art&iacute;stico. Qual a sua import&acirc;ncia e como esse grande corpo afirma ou concorre, consciente ou inconscientemente, para um todo distinto, particular e maior que as partes. Por fim, arriscando uma aproxima&ccedil;&atilde;o especulativa, abriu-se campo para um salto do artista pl&aacute;stico particular para o conjunto de todos os artistas pl&aacute;sticos. Para l&aacute; da &#39;Grande Narrativa,&#39; colocou-se a hip&oacute;tese de existir uma &#39;Metanarrativa&#39; colectiva com autoridade sobre as grandes narrativas &iacute;ntimas, ou para a qual as v&aacute;rias grandes narrativas concorrem, ou a qual &eacute; afirmada/constitu&iacute;da pelas grandes narrativas individuais.       </p>           <p>       Procurou-se uma reflex&atilde;o sobre a rela&ccedil;&atilde;o artista/grande narrativa, pela voz do pr&oacute;prio.      </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>           <p>      <b>3. A &#39;Grande Narrativa&#39; na voz dos pr&oacute;prios artistas</b>       </p>           <p>       A t&iacute;tulo demonstrativo, apresentam-se 3 perguntas exemplo utilizadas para lan&ccedil;ar o tema &agrave; conversa:      </p>           <blockquote> <i>Quando olhas para tr&aacute;s, parece-te que est&aacute;s a criar uma grande constru&ccedil;&atilde;o, um todo maior do que o somat&oacute;rio das partes? </i> (pergunta efectuada a R. Chafes); </blockquote>     <blockquote> <i>Quando olha para a totalidade da sua obra, considera que o conjunto dos seus trabalhos constroem um &#39;grande quadro&#39;? Encontra um sentido transversal? At&eacute;, eventualmente, surpreendente para o pr&oacute;prio criador</i>. (pergunta efectuada a E. Batarda); </blockquote>     <blockquote> <i>Existe uma corrida de fundo no percurso criativo? Que import&acirc;ncia tem esse &#39;grande quadro&#39; na tua pr&oacute;pria pr&aacute;tica. </i>&#91;&#8230;&#93;<i> Trabalhas conscientemente sobre esse &#39;grande quadro&#39;? </i>&#91;&#8230;&#93; (pergunta efectuada a A. Gon&ccedil;alves). </blockquote>                   <p>       Encontra-se em <a href="#a1">Anexo 1</a><a name="topa1"></a> o conjunto das v&aacute;rias respostas apresentadas pelos diferentes artistas. Esse corpo, essa pluralidade de discursos, a voz dos artistas, enforma o conte&uacute;do sobre o qual se pretende reflectir e a partir do qual se construiu uma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; grande narrativa estruturada em forma de manifesto.       </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>      <b>4. Das entrevistas ao manifesto      </b></p>           <p>       Parte de um todo maior, o manifesto aqui proposto resulta da an&aacute;lise qualitativa do documento com o registo de todas as conversas com os 27 artistas pl&aacute;sticos portugueses.       </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       Primeiro, num movimento indutivo, identificaram-se e sistematizaram-se um conjunto de &#39;lugares estruturais comuns&#39; (Hiernaux, 2005), um conjunto de grandes campos de interesse transversais &agrave;s v&aacute;rias entrevistas. Por exemplo: a rela&ccedil;&atilde;o entre pares, o discurso do artista, a grande narrativa, o atelier, a esfera art&iacute;stica&#8230; Os lugares estruturais comuns funcionaram enquanto c&oacute;digos para sistematizar, ordenar, classificar, categorizar a informa&ccedil;&atilde;o (Salda&ntilde;a, 2009).       </p>           <p>       Posteriormente, atrav&eacute;s da &#39;condensa&ccedil;&atilde;o descritiva&#39; (Hiernaux, 2005), e num esfor&ccedil;o de s&iacute;ntese interpretativa, dirigiu-se o sentido veiculado pelas palavras dos artistas (por vezes com n&iacute;veis de abstrac&ccedil;&atilde;o elevados) aos respectivos lugares estruturais comuns do discurso, reconduzindo o conjunto de formas complexas de sentido a unidades de sentido comuns simples. Por exemplo: olhar retrospectivo, olhar prospectivo, consci&ecirc;ncia do &#39;grande quadro,&#39; para l&aacute; da grande narrativa&#8230;       </p>           <p>       Por fim, consequ&ecirc;ncia do processo interpretativo, acrescentou-se por cima dos resultados obtidos uma leitura de dimens&atilde;o pessoal, no dom&iacute;nio do subjectivo, que, embora sediada nas palavras dos artistas, n&atilde;o se sentiu necessariamente vinculada a elas, acrescentando um entendimento autoral pr&oacute;prio, como um discurso sobre os discursos, materializado, num momento de convic&ccedil;&atilde;o, na forma de manifesto art&iacute;stico.        </p>           <p>       O manifesto (e o discurso nele contido, por vezes pass&iacute;vel de ser considerado, ele pr&oacute;prio, objecto art&iacute;stico), cont&ecirc;m em si uma elasticidade cara &agrave;s idiossincrasias contidas nos discurso dos criadores, no discurso art&iacute;stico. Justamente por isso, pela sua natureza afim das estrat&eacute;gias criativas, pela sua clara abertura, pela pr&oacute;pria possibilidade pl&aacute;stica e enquanto ferramenta discutida e reconhecida pela Hist&oacute;ria da Arte, o manifesto &eacute; aqui utilizado, num esfor&ccedil;o de s&iacute;ntese, enquanto instrumento reflexivo e espa&ccedil;o operativo para construir.       </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>     <b>Manifesto &#39;A Grande Narrativa&#39; </b>      </p>              <ol>           <li>O objecto art&iacute;stico &eacute; um objecto que &eacute; art&iacute;stico.       </li>    <li>Enquanto objecto &eacute; coisa. &Eacute; contentor, &eacute; vazio. &Eacute; frio, seco, &aacute;rido.       </li>    <li>N&atilde;o existe narrativa no objecto.       </li>    <li>Enquanto art&iacute;stico possui um muito complexo mecanismo interno, possui artisticidade. Possui artista.       </li>    ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Existe artista no objecto art&iacute;stico. Existe narrativa no artista. Existe narrativa no objecto art&iacute;stico.       </li>    <li>O objecto art&iacute;stico &eacute; a narrativa. O artista &eacute; a Grande Narrativa.       </li>    <li>A Grande Narrativa &eacute; o artista.       </li>    <li>A Grande Narrativa &eacute; o processo, o percurso, a &acirc;nima, o desejo, a ferida, o n&oacute;, o motor.       </li>    <li>O motor &eacute; o artista.       </li>    <li>O artista &eacute; a Grande Narrativa.       </li>    <li>A Grande Narrativa interessa ao artista.       </li>    <li>Quem pensa a Grande Narrativa &eacute; o artista.       </li>    <li>Quem pensa o artista &eacute; o artista, &eacute; o outro o artista.       </li>    <li>O artista pensa o artista. O outro n&atilde;o pensa o artista.       </li>    ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Outro pensa o objecto.       </li>    <li>O artista n&atilde;o &eacute; consciente da Grande Narrativa.       </li>    <li>O artista &eacute; consciente da Grande Narrativa.       </li>    <li>A Grande Narrativa &eacute; o grande interesse aglutinador, &eacute; um entendimento alargado. &Eacute; retrospectiva, &eacute; a exposi&ccedil;&atilde;o retrospectiva, &eacute; prospectiva.       </li>    <li>A Grande Narrativa &eacute; mais do que o conjunto das obras de arte, &eacute; outra coisa que n&atilde;o o conjunto dos objectos art&iacute;sticos.       </li>    <li>A Grande Narrativa &eacute; o artista.       </li>    <li>A Grande Narrativa &eacute; o artista, todo.       </li>    <li>A Metanarrativa &eacute; todos os artistas, &eacute; tudo.       </li>    <li>Existe uma Grande Metanarrativa que &eacute; maior e mais complexa que a Metanarrativa, muito maior e mais complexa que a Grande Narrativa e muito muito maior e mais complexa que a Narrativa.       </li>    <li>A Grande Metanarrativa &eacute; coisa da espiritualidade.       </li>    ]]></body>
<body><![CDATA[<li>A espiritualidade &eacute; a Grande Metanarrativa.       </li>    <li>Sempre existiu uma Grande Metanarrativa!       </li>    <li>Sempre existiram Metanarrativas, Grandes Narrativas e Narrativas.       </li>    <li>Sempre existiram artistas. Existe o artista. </li>    </ol>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b>  </p>     <!-- ref --><p> Hiernaux, J-P. et al. (2005) <i>Pr&aacute;ticas e m&eacute;todos de investiga&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias sociais</i>. Lisboa: Gradiva. ISBN: 9789726625544.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1443730&pid=S1647-6158201200010004000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Olaio, Ant&oacute;nio (2005) <i>Ser um Indiv&iacute;duo Chez Marcel Duchamp</i>. Porto: Dafne Editora. ISBN: 9789729901973.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1443732&pid=S1647-6158201200010004000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Salda&ntilde;a, J. (2009) <i>The Coding Manual for Qualitative Researchers</i>. Los Angeles: Sage Publications. ISBN: 9781847875495.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1443734&pid=S1647-6158201200010004000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p> <a href="#topa1">Anexo 1</a><a name="a1"></a></p>     <p>&#8211; A &#39;Grande Narrativa&#39; na voz dos pr&oacute;prios artistas. </p>     <p>        Elenca-se aqui o conjunto das varias respostas apresentadas pelos diferentes artistas que enforma o conte&uacute;do sobre o qual se pretende reflectir e a partir do qual se construiu uma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; grande narrativa estruturada em forma de manifesto:</p>            <blockquote> &#34;Eu n&atilde;o penso muito nisso &#91;&#8230;&#93; mas consigo perceber que o que me liga &agrave;s coisas &eacute; sempre o mesmo&#8230;&#34; (A. Cepeda, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;As obras tendem a ser cumulativas e nesse sentido, aquilo que fiz antes concorre para um melhor entendimento daquilo que fa&ccedil;o hoje. Algo que tem a ver com perspectiva&#8230; (ou retrospectiva) hist&oacute;rica de uma obra.&#34; (A. Ferreira, 2011); </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> &#34;N&atilde;o &#91;persigo esse &#39;grande quadro&#39;&#93;&#8230; Mas &#91;&#8230;&#93;&#34; (C. Mateus, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;O &#39;grande quadro&#39; como s&uacute;mula do meu percurso&#8230; N&atilde;o sei &#91;&#8230;&#93; Mais do que uma grande constru&ccedil;&atilde;o, consigo ver uma continuidade.&#34; (J. de Guimar&atilde;es, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;No in&iacute;cio n&atilde;o tens essa percep&ccedil;&atilde;o mas ao fim de alguns anos&#8230;&#34; (G. Burmester, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;O meu trabalho, naquilo que diz respeito &agrave; ideia de escultura, mant&eacute;m-se. Procuro as mesmas formas, utilizo o mesmo alfabeto, as mesmas obsess&otilde;es.&#34; (Z. de Carvalho, 2011); </blockquote>     <blockquote>  &#34;Olhando para o meu percurso art&iacute;stico, reconhe&ccedil;o momentos (geralmente passado um certo tempo) que foram particularmente interessantes para o meu desenvolvimento criativo.&#34; (P. Calapez, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;&#91;&#8230;&#93; quando olho retrospectivamente encontro um tema aglutinador. E isso &eacute; estimulante.&#34; (J. P. Vale, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Tenho consci&ecirc;ncia desse percurso maior do que a obra em si. &#91;&#8230;&#93; E a selec&ccedil;&atilde;o das obras que realizo t&ecirc;m em aten&ccedil;&atilde;o o que est&aacute; para tr&aacute;s e o que perspectivo para o futuro&#8230; &#91;&#8230;&#93; Procuro que as minhas pe&ccedil;as fa&ccedil;am sentido nesse percurso&#8230; nesse grande percurso, nesse &#39;grande quadro&#39;.&#34; (A. Gon&ccedil;alves, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;Sim, por vezes tenho a impress&atilde;o &#91;que estou a construir&#93; uma narrativa maior. N&atilde;o &eacute; uma coisa programada&#8230;&#34; (C. Mateus, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;&Agrave;s vezes n&atilde;o tenho d&uacute;vidas nenhumas, &agrave;s vezes parece-me evidente.    <br> E parece-me que sempre estive a fazer isso, mesmo quando n&atilde;o tinha uma no&ccedil;&atilde;o clara que estava a criar essa grande constru&ccedil;&atilde;o&#8230; E essa tomada de consci&ecirc;ncia &eacute;, em si, um processo de constru&ccedil;&atilde;o.&#34; (J. Vasconcelos, 2011); </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> &#34;Essa &#39;grande obra&#39; &eacute; sempre uma constru&ccedil;&atilde;o exterior ao pr&oacute;prio artista. O pr&oacute;prio n&atilde;o tem consci&ecirc;ncia dela. &Eacute;, normalmente, e por necessidade, catalogada por quem &eacute; exterior.&#34; (A. Carneiro, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Pode ler-se alguma coer&ecirc;ncia nas abordagens que fui fazendo. Vejo que h&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o na procura de uma linguagem, uma forma de dizer com um discurso n&atilde;o complexo ou excessivo. Tento utilizar um discurso simples&#8230; E o tempo foi passando e fui deixando coisas para tr&aacute;s &#91;&#8230;&#93; O tempo parece-me sempre insuficiente.&#34; (Z. de Carvalho, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;&#39;A grand jatte&#39;. Um trabalho para a vida &#91;&#8230;&#93; Acho que sim.&#34; (A. Gon&ccedil;alves, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;&#91;&#8230;&#93; Parece-me que sim.&#34; (F. Queir&oacute;s, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;Eu acho que estou a construir uma &#39;grande obra&#39; &#91;&#8230;&#93; e &eacute; interessante o K. Schachter traduzir essa &#39;grande obra&#39; como a caixa do &#39;speakers corner&#39;. &#91;&#8230;&#93; Tudo &eacute; um pretexto para me por em cima de uma caixa de sab&atilde;o &#91;&#8230;&#93; e dizer a toda a gente o que tenho para dizer. E eu imagino-me em cima dela de cuecas ou com o traje Talar.&#34; (A. Olaio, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;&#91;&#8230;&#93; verifico que h&aacute; discursos ou ideias que v&atilde;o transitando de obra para obra. S&atilde;o insist&ecirc;ncias que n&atilde;o desaparecem.&#34; (Z. de Carvalho, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Sempre achei que estava a fazer diferente e come&ccedil;o agora a perceber que tenho andado a tratar sempre das mesmas coisas.&#34; (M. Palma, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;Sem perceber, estou sempre a fazer a mesma coisa&#34; (C. Mateus, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;O artista faz sempre o mesmo trabalho.&#34; (G. Burmester, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Sim, h&aacute;. &#91;&#8230;&#93; Os temas acabam por se repetir, embora sempre de forma diferente. &#91;&#8230;&#93; E eu procuro surpreender-me nas minhas pr&oacute;prias exposi&ccedil;&otilde;es.&#34; (C. Filipe, 2010); </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> &#34;&#91;&#8230;&#93; quando exponho &#91;&#8230;&#93; por vezes surpreendo-me a mim mesmo.&#34; (G. Burmester, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Existe &#91;um grande quadro sobre o qual estou a trabalhar&#93; e parece-me mais importante que as obras individuais.&#34; (P. Mendes, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;Agora, com 70 anos, vejo que tracei um percurso &#91;&#8230;&#93;&#34; (Z. de Carvalho, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;N&atilde;o considero que o meu percurso seja o somat&oacute;rio de pequenos peda&ccedil;os soltos mas tamb&eacute;m n&atilde;o vejo um &#39;grande quadro&#39;. H&aacute; uns anos atr&aacute;s n&atilde;o diria isto, mas agora, olhando para o meu percurso, consigo encontrar linhas de pensamento e obsess&otilde;es pessoais constantes.&#34; (J. Tabarra, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;Por vezes (poucas vezes) tenho consci&ecirc;ncia que acertei. H&aacute; trabalhos que percebo logo que funcionam. Noutros casos s&oacute; tenho essa consci&ecirc;ncia mais tarde&#34;. (G. Burmester, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Espero que o meu trabalho n&atilde;o seja condicionado por essa ideia. E sim, eu tenho um programa.    <br> E percebo que h&aacute; um conjunto de trabalhos que v&atilde;o cosendo um tecido entre si. E &eacute; esse tecido que um dia, n&atilde;o estando necessariamente pronto&#8230; estar&aacute; maior. &#91;&#8230;&#93;    <br> Trabalho os temas que sempre me interessaram (e julgo que me v&atilde;o interessar sempre) mas pelo meio vou fazendo f&eacute;rias&#8230; &#91;&#8230;&#93; Pelo meio fa&ccedil;o desvios conscientes. De quando em vez, percebo que h&aacute; trabalhos que se desviam desse programa. S&atilde;o trabalhos que, intencionalmente quero fazer, exactamente porque n&atilde;o acho que tenha que me limitar a uma &uacute;nica experi&ecirc;ncia.&#34; (D. Blaufuks, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;&#91;&#8230;&#93; Agora, olhando para tr&aacute;s, fico espantado e n&atilde;o consigo perceber o que vejo. De uma forma muito sincera, acredito que vou come&ccedil;ar a perceber o que fiz a partir dos 90 anos, atrav&eacute;s de um olhar retrospectivo mais completo e mais compreensivo. At&eacute; l&aacute;, tudo o que fa&ccedil;o s&atilde;o fragmentos que funcionam como fotogramas de um filme que ainda n&atilde;o est&aacute; montado.&#34; (R. Chafes, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Considero que uma fotografia funciona como uma frase de um texto ao qual ela pertence.&#34; (D. Blaufuks, 2011); </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> &#34;Esse &#39;grande quadro&#39; &eacute; constitu&iacute;do por pequenos bocados.&#34; (G. Burmester, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Essa &#39;grande obra&#39;, o &#39;the big picture&#39;, s&oacute; acontecer&aacute; se tu conseguires continuar a dar pequenos passos s&oacute;lidos.&#34; (J. Vasconcelos, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Gosto de apresentar um corpo de trabalho m&uacute;ltiplo e gosto de ver o espa&ccedil;o bem preenchido pelo trabalho. O que me tem acontecido ultimamente &eacute; que as coisas funcionam muito bem juntas, mas quando elas s&atilde;o deslocadas daquela fam&iacute;lia, quando s&atilde;o apresentadas individualmente, num outro local, perdem &#91;&#8230;&#93; Parecem-me estar todas interligadas num grande percurso. Pode ser apenas uma quest&atilde;o pessoal, pelas rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas durante o processo da sua cria&ccedil;&atilde;o.&#34; (F. Queir&oacute;s, 2010); </blockquote>     <blockquote>  &#34;Vendo-me ao espelho, olhando para o meu trabalho, &eacute; bom sentir que n&atilde;o reprimi um conjunto de coisas que estavam latentes e que acabaram numa pan&oacute;plia de trabalhos. Se isso &eacute; essa &#91;grande&#93; obra, num sentido Wagneriano&#8230; n&atilde;o sei&#8230; e n&atilde;o me preocupo muito&#8230; Gostava de ter uma retrospectiva bem feita para perceber isto mesmo, mas n&atilde;o h&aacute; pressa.&#34; (P. Proen&ccedil;a, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Mais importante do que os trabalhos tomados individualmente &eacute; o conjunto da obra de cada artista, &eacute; o discurso que vai sendo elaborado ao longo dos anos pela sua obra. &#91;&#8230;&#93; O artista est&aacute; a criar uma esp&eacute;cie de fresco sobre a sua &eacute;poca, cruzando a mem&oacute;ria do passado com as reflex&otilde;es do presente.&#34; (P. Mendes, 2010); </blockquote>     <blockquote>  &#34;Para mim &eacute; claro: h&aacute; dois tipos de artistas. Os artistas que t&ecirc;m obras (que podem ser brilhantes) e os artistas que t&ecirc;m obra. A mim interessam-me os artistas que t&ecirc;m obra, uma obra que nasceu algures e continua algures, numa busca constante de qualquer coisa.&#34; (A. Carneiro, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Por vezes tento criar cortes no meu trabalho. Mais tarde, aquilo que me pareceu ser um corte foi, na realidade, a continua&ccedil;&atilde;o de um mesmo percurso. Efectivamente, aquilo que me parecem ser fases diferentes n&atilde;o s&atilde;o assim t&atilde;o distintas. Olhando para tr&aacute;s vejo um fio condutor. Isso acontece de forma inconsciente.&#34; (G. Burmester, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Ou porque me pedem para remontar uma pe&ccedil;a, ou porque arrumo o atelier, ou por uma outra qualquer raz&atilde;o, estou sempre a voltar atr&aacute;s &#91;&#8230;&#93; Nesses momentos descubro, percebo e reconhe&ccedil;o invariantes no meu trabalho. Mas, e embora encontre essas invariantes, n&atilde;o reconhe&ccedil;o nem me identifico com essa imagem do &#34;grande quadro&#34;. N&atilde;o considero que exista uma grande coisa, n&atilde;o encontro uma grande narrativa. Na realidade, muito mais do que essas continuidades &#91;&#8230;&#93;, interessam-me as descontinuidades. Acredito que &eacute; nas descontinuidades que h&aacute; coisas a acontecer.&#34; (M. Leal, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;&#91;&#8230;&#93; tenho dificuldades em ver esse todo. Tenho muitas dificuldades em ver o meu percurso como um grande projecto. Ele n&atilde;o &eacute; planeado nesse sentido. &#91;&#8230;&#93; A estrat&eacute;gia n&atilde;o &eacute; totalmente clara nem completamente definida &agrave; partida. A estrat&eacute;gia vai-se construindo.&#34; (A. Ferreira, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;&#91;Sobre a constru&ccedil;&atilde;o de um &#39;grande quadro&#39;,&#93; creio que n&atilde;o. A menos que essa leitura &#91;transversal&#93; seja um processo de n&atilde;o-entendimento e incompreens&otilde;es, como &eacute; prov&aacute;vel que aconte&ccedil;a. Noto com satisfa&ccedil;&atilde;o alguma variedade nos meus trabalhos, ao mesmo tempo que verifico que aquilo que para mim constitui mudan&ccedil;as &eacute; visto pelos outros como manuten&ccedil;&atilde;o de uma mesma linha de trabalho.&#34; (E. Batarda, 2011); </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> &#34;H&aacute; pouco tempo fiz uma apresenta&ccedil;&atilde;o do meu trabalho ao doutoramento da ESBAL. No final, o Manuel Botelho veio dizer-me que a leitura e o discurso que eu produzi sobre meu trabalho tinha revelado liga&ccedil;&otilde;es entre as diferentes fases do meu trabalho, evidenciando continuidades onde antes pareciam surgir descontinuidades.&#34; (P. Calapez, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Acho que nunca trabalhei no sentido dessa tal &#39;big picture&#39; &#91;&#8230;&#93; N&atilde;o tenho um meio de trabalho espec&iacute;fico. N&atilde;o h&aacute; uma linguagem que me possa definir ou identificar &#91;e&#93; o meu trabalho parecia-me um grande caos o que me provocava alguma frustra&ccedil;&atilde;o. S&oacute; agora come&ccedil;o a encontrar no meu percurso esse &#39;grande quadro&#39;. Consigo agora encontrar e perceber as liga&ccedil;&otilde;es entre os meus trabalhos.&#34; (C. Cruz, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;Cada vez me parece mais importante olhar para os percursos individuais e percebe-los como um corpo cont&iacute;nuo e coerente.&#34; (P. Mendes, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;Sei exactamente o momento em que tomei consci&ecirc;ncia de que estava a tratar as quest&otilde;es de identidade. &#91;&#8230;&#93; A partir dessa altura, e sempre que fa&ccedil;o um novo trabalho, relaciono-o conscientemente com as quest&otilde;es de identidade. &#91;&#8230;&#93; E julgo que os meus trabalhos giram sempre &agrave; volta dessas quest&otilde;es.&#34; (M. de Menezes, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;H&aacute; qualquer coisa que se persegue e que parece ser sempre a mesma coisa. Fazer repetidamente a mesma coisa acaba por criar algo maior. E isso acaba por ser percept&iacute;vel. Em certa medida &#91;acaba por se construir um &#39;quadro maior&#39;&#93;.&#34; (C. Mateus, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;A existir essa ideia maior, ela ser&aacute; consequ&ecirc;ncia de um somat&oacute;rio de momentos e de ideias &#91;&#8230;&#93;&#34; (Z. de Carvalho, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;&Agrave; medida que os anos v&atilde;o passando a minha obra tem evolu&iacute;do em determinados sentidos. Contudo, sinto que existe uma matriz nos diferentes temas que v&atilde;o sendo tratados. Essa matriz, mais acentuada nuns casos do que noutros, est&aacute; presente em praticamente todos os momentos &#91;&#8230;&#93; &#91;e&#93; as ideias anteriores funcionam como sementes para novas ideias germinarem.&#34; (J. de Guimar&atilde;es, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Vou fazendo, vou trabalhando e vou conquistando coisas que previamente n&atilde;o tinha. &#91;&#8230;&#93; As coisas sucedem-se conforme vou respondendo e tentando resolver as interroga&ccedil;&otilde;es que se s&atilde;o colocadas.&#34; (Z. de Carvalho, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Tenho vontade que as minhas obras sigam o seu percurso, aut&oacute;nomas, e possam ajudar a gerar outras obras de outros criadores. Tem a ver com uma ideia de reciprocidade. Talvez isso possa ser a &#39;grande obra&#39;, n&atilde;o limitada &agrave; pessoa que a criou, mas num sentido mais lato de grande/constante transforma&ccedil;&atilde;o.    <br> De resto, sou um artista t&atilde;o miser&aacute;vel como os outros&#8230; mas sou feliz!&#34; (P. Proen&ccedil;a, 2011); </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> &#34;A vida e a obra s&atilde;o a mesma coisa. A obra n&atilde;o se separa do artista. As verdadeiras obras e os verdadeiros artistas s&atilde;o aqueles onde n&atilde;o existe separa&ccedil;&atilde;o entre uma coisa e a outra. As obras constru&iacute;das com sinceridade, seriedade e integridade n&atilde;o s&atilde;o uma obra, s&atilde;o uma vida.    <br> Isto n&atilde;o &eacute; um emprego e a porta do atelier nunca se fecha.&#34; (J. Vasconcelos, 2011); </blockquote>     <blockquote>  &#34;&#91;A Grande Narrativa existe como a&#93; identidade individual da pessoa &#91;e&#93; o &#39;grande quadro&#39; &eacute; a vida organizada.&#34; (G. Burmester, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;As coisas mais pequenas s&atilde;o, por vezes, as mais importantes. Vitais at&eacute;. As grandes quest&otilde;es mant&ecirc;m-se as mesmas e faz sentido que assim o sejam. &#91;&#8230;&#93; Para a exposi&ccedil;&atilde;o &#39;Les Limites du D&eacute;sert&#39; senti necessidade de voltar atr&aacute;s&#8230; de come&ccedil;ar outra vez.&#34; (J. Tabarra, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;N&atilde;o considero que esteja a fazer nada de dramaticamente diferente daquilo que os meus pares fazem. &#91;&#8230;&#93; A identidade foi sempre uma obsess&atilde;o humana (com perfeita raz&atilde;o de ser). E continua a ser relevante trabalhar as quest&otilde;es de identidade. &#91;&#8230;&#93; Trabalhar sobre a minha identidade &eacute; tamb&eacute;m trabalhar sobre a identidade do ser humano. E julgo que os meus trabalhos giram sempre &agrave; volta dessas quest&otilde;es.&#34; (M. de Menezes, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;Quando olho para tr&aacute;s vejo um todo. Vejo um crescimento: vejo uma inf&acirc;ncia, uma pr&eacute;-adolesc&ecirc;ncia, uma adolesc&ecirc;ncia&#8230; &#91;&#8230;&#93; Os problemas que me s&atilde;o apresentados em cada uma desta etapas s&atilde;o em tudo semelhante aos problemas que elas proporcionam nas nossas vidas.&#34; (F. Queir&oacute;s, 2010); </blockquote>     <blockquote> &#34;&#91;&#8230;&#93; naquilo que &eacute; essencial, as quest&otilde;es levantadas pelos artistas s&atilde;o basicamente sempre as mesmas.&#34; (G. Burmester, 2011); </blockquote>     <blockquote> &#34;Percebe-se que outros artistas percorrem os mesmos caminhos.&#34; (P. Calapez, 2011).        </blockquote>            <p>        Excertos do material coligido, decorrente do registo &aacute;udio das conversas tidas com os 27 artistas pl&aacute;sticos (com posterior edi&ccedil;&atilde;o e respectiva revis&atilde;o final por parte dos pr&oacute;prios), no &acirc;mbito do Doutoramento em Estudos de Arte &#39;O Artista pelo Artista na voz do pr&oacute;prio&#39; (Universidade de Aveiro &#8211; com o apoio da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia). Publicado com o consentimento expresso dos artistas.        </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:franciscocardosolima@gmail.com">franciscocardosolima@gmail.com</a>  (Francisco Cardoso Lima).</p>      ]]></body><back>
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<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hiernaux]]></surname>
<given-names><![CDATA[J-P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Práticas e métodos de investigação em ciências sociais]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Gradiva]]></publisher-name>
</nlm-citation>
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<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Olaio]]></surname>
<given-names><![CDATA[António]]></given-names>
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<source><![CDATA[Ser um Indivíduo Chez Marcel Duchamp]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Dafne Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Saldaña]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Coding Manual for Qualitative Researchers]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Los Angeles ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage Publications]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
