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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Corpo-joia: reflexões a partir da série Longing for the Body]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article proposes a reflection from the series 'Longing for the Body,'by Brazilian artist Mirla Fernandes (São Paulo, 1969), whose poetic discusses the relations between body and jewel. The importance of the body in art jewelry is presented through the works chosen, questioning the relationship between the body that makes and the body who wear. These contents allow us to think the notion of 'Body without Organs' (BwO) by Deleuze and Guattari.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>INTENTO</b>    <br> </p>       <p><b>Corpo-joia: reflex&otilde;es a partir da s&eacute;rie <i>Longing for the Body</i></b> </p>     <p> <b>Jewel-body: thinking on the series &#39;Longing for the Body&#39; </b>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Ana Paula de Campos&#42;</b> </p>     <p> &#42;Brasil, artista joalheira. Doutorado em Artes / UNICAMP. Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o, Arte e Hist&oacute;ria da Cultura / Universidade Mackenzie. Gradua&ccedil;&atilde;o: bacharelado em Desenho Industrial / Universidade Mackenzie. </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b>    <br> Este artigo prop&otilde;e uma reflex&atilde;o sobre a s&eacute;rie &#34;Longing for the Body&#34;, da artista brasileira Mirla Fernandes (S&atilde;o Paulo, 1969), cuja po&eacute;tica abre espa&ccedil;o para discutir as rela&ccedil;&otilde;es entre o corpo e joia. A import&acirc;ncia do corpo na arte-joalheria &eacute; apresentada atrav&eacute;s das obras escolhidas, problematizando as rela&ccedil;&otilde;es entre o corpo que faz e o corpo que veste. Esses conte&uacute;dos permitem pensar a no&ccedil;&atilde;o de &#39;Corpo sem Org&atilde;os&#39;(CsO) de Deleuze e Guattari. </p>     <p> <b>Palavras chave: </b> Mirla Fernandes, corpo, arte-joalheria, &#39;corpo sem &oacute;rg&atilde;os&#39; (CsO)     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>ABSTRACT</b>    <br> This article proposes a reflection from the series &#39;Longing for the Body,&#39;by Brazilian artist Mirla Fernandes (S&atilde;o Paulo, 1969), whose poetic discusses the relations between body and jewel. The importance of the body in art jewelry is presented through the works chosen, questioning the relationship between the body that makes and the body who wear. These contents allow us to think the notion of &#39;Body without Organs&#39; (BwO) by Deleuze and Guattari. </p>     <p> <b>Keywords: </b> Mirla Fernandes, body, art-jewelry. &#34;Body without Organs&#34; (BwO)     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>       </p>           <p>       Quando se pensa em joia, a primeira imagem que vem a mente est&aacute; ligada &agrave; joalheria tradicional, de car&aacute;ter ornamental, com gemas e metais preciosos. Entretanto, paralelamente a essa produ&ccedil;&atilde;o comercial, uma outra abordagem de car&aacute;ter conceitual vem se desenvolvendo ao longo dos &uacute;ltimos 40 anos: a arte-joalheria. Trata-se de uma produ&ccedil;&atilde;o que abarca manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas que se valem do corpo como suporte para as obras e cuja &ecirc;nfase est&aacute; na elabora&ccedil;&atilde;o de um discurso po&eacute;tico sobre o universo da joalheria e/ou do objeto-joia em todos os seus desdobramentos simb&oacute;licos e conceituais. Assim a joia n&atilde;o &eacute; entendida por sua materialidade preciosa ou fun&ccedil;&atilde;o decorativa, mas por sua ess&ecirc;ncia enquanto objeto simb&oacute;lico dado &agrave; visibilidade, como um ve&iacute;culo de express&atilde;o do sujeito e de seu tempo. Para al&eacute;m do objeto em si, a joia define-se mais como uma plataforma de manifesta&ccedil;&atilde;o dos desejos individuais e coletivos que, ao ser produzida no campo da arte, almeja destacar-se como um meio de problematiza&ccedil;&atilde;o do sujeito contempor&acirc;neo e de seu contexto.       </p>           <p>       &Eacute; sobre esse territ&oacute;rio que se desenvolve o trabalho de Mirla Fernandes, que se graduou em Bioqu&iacute;mica (1991) e Artes Pl&aacute;sticas (1998) no Brasil, antes de estudar arte-joalheria na Alemanha (Pforzheim, entre 1999 e 2000). Em 2006 teve sua primeira exposi&ccedil;&atilde;o individual na Galerie Biro (Munique) com a s&eacute;rie <i>Longing for the Body</i>, cujo t&iacute;tulo traz expl&iacute;cita referencia &agrave; obra de Ligia Clark na medida em que os trabalhos necessitam claramente de um corpo para completarem seu sentido no mundo.       </p>           <p>      A proposta desse artigo, que nasce como um desdobramento das pesquisas realizadas durante o desenvolvimento da tese de doutorado <i>Arte-Joalheria: uma cartografia pessoal</i> (Unicamp, 2011), &eacute; abordar o papel do corpo na arte-joalheria atrav&eacute;s das obras da artista e, posteriormente, criar conex&otilde;es entre esse campo e a concep&ccedil;&atilde;o de &#39;Corpo sem Org&atilde;os&#39; proposta por Deleuze e Guattari.       </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>       <b>1. Corpo-Joia</b>       </p>           <p>       Num primeiro momento &eacute; preciso pensar no papel do corpo quando se trata da arte-joalheria, pois este se configura como um elemento definidor desta pr&aacute;tica distinguindo-a da escultura ou de outras formas de arte. Isso porque, ainda que n&atilde;o se restrinja &agrave; necessidade de constru&ccedil;&atilde;o e/ou uso de um objeto-joia, essa produ&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre pensada em fun&ccedil;&atilde;o de uma ideia de corpo inerente &agrave; pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o da joia, e que abarca o corpo daquele que faz, daquele que veste e daquele que v&ecirc;.        </p>           <p>       Portanto, a rela&ccedil;&atilde;o com o corpo na joalheria se manifesta como algo a priori e n&atilde;o como uma escolha do artista. O corpo do outro aqui &eacute; pr&eacute;-requisito, &eacute; elemento intr&iacute;nseco ao pensamento po&eacute;tico da disciplina, o que n&atilde;o deve ser confundido com usabilidade e conforto.       </p>           <p>       A abordagem mais comum da rela&ccedil;&atilde;o corpo-joia consiste em entender o corpo como suporte, uma vitrine ambulante &agrave; qual se soma a possibilidade de <i>ir ao encontro do outro</i>. Entretanto, nas primeiras manifesta&ccedil;&otilde;es da arte-joalheria na d&eacute;cada de 70, o corpo deixava de ser meio de exposi&ccedil;&atilde;o para se transformar em meio de atua&ccedil;&atilde;o. Nesse per&iacute;odo, a ideia que mais influenciou essa produ&ccedil;&atilde;o na Europa Ocidental era a de que o objeto tinha que funcionar com o corpo (Dormer e Turner, 1985). O interesse e a potencia dessa pr&aacute;tica tamb&eacute;m reca&iacute;a sobre o car&aacute;ter port&aacute;vel e port&aacute;til da joia, um objeto n&ocirc;made que conferia a obra uma mobilidade singular, somada &agrave; possibilidade de <i>estar no mundo</i> junto do sujeito e sendo vista por seus pares.        </p>           <p>       Outra caracter&iacute;stica inerente ao campo da joalheria &eacute; que, em sua escala, a joia evoca inevitavelmente a ideia de intimidade. &Eacute; claro que a joia &eacute; um objeto que remete ao p&uacute;blico, dado seu inconteste papel simb&oacute;lico de construir visibilidade social. Entretanto o que ela quer colocar &agrave; vista &eacute; sempre da ordem do &iacute;ntimo, daquilo de mais profundo, interior, que pertence ao sujeito em sua forma mais pessoal, pr&oacute;xima ao que se passa dentro de n&oacute;s. Nessa perspectiva compreende-se que ela tem pot&ecirc;ncia de materializar e de dar a ver algo que &eacute; valor para o sujeito.        </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       Ao materializar esse aspecto do &iacute;ntimo, a joia ganha um forte aliado: o tato, que pressup&otilde;e participa&ccedil;&atilde;o, intera&ccedil;&atilde;o. Ele &eacute; o sentido do ser por excel&ecirc;ncia. &#34; <i>O mais profundo &eacute; a pele</i>&#34; (Valery <i>apud</i> Machado, 2009: 35). Sua presen&ccedil;a sobre o corpo pode adquirir tamanha pot&ecirc;ncia a ponto de o objeto tornar-se uma extens&atilde;o do sujeito. Sobre o corpo, na pele, a joia se torna emblem&aacute;tico signo da exist&ecirc;ncia.       </p>           <p>       Por fim, outro aspecto que deve ser considerado na import&acirc;ncia do corpo na arte-joalheria remete a toda pr&aacute;tica art&iacute;stica e consiste em entend&ecirc;-lo como ve&iacute;culo para o processo criativo. Nesse sentido, o corpo do artista &eacute; ponto de partida e destino da joia revelando sua capacidade de falar com, sobre e para o corpo.      </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>       <b>2. Corpo que faz / Corpo que veste</b>       </p>           <p>       A import&acirc;ncia do corpo ganha contornos espec&iacute;ficos na obra de Mirla Fernandes como, por exemplo, em <i>Eu sou a medida</i> (2000) na qual a artista come&ccedil;a a usar o pr&oacute;prio corpo como molde ao inv&eacute;s dos instrumentos usados pelos ourives. Em <i>Longing for the Body</i> (2005) sua inten&ccedil;&atilde;o foi explorar, a partir da escolha do l&aacute;tex como material, uma gestualidade semelhante &agrave; da pintura. Em termos t&eacute;cnicos tratava-se de um l&iacute;quido que aceitava bem pigmentos, uma esp&eacute;cie de tinta que se solidificava e podia estar sobre o corpo. Dessa escolha veio o interesse nas rela&ccedil;&otilde;es entre a ampla gama de cores que o material permitia trazer &agrave;s pe&ccedil;as (o que n&atilde;o acontece na ourivesaria tradicional) e as rela&ccedil;&otilde;es inesperadas nas futuras composi&ccedil;&otilde;es com as roupas das pessoas. Para ela isso serviu para extender a compreens&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o corpo-joia e tomar consciencia do descontrole que haveria sobre a obra. Esses aspectos foram as diretrizes na cria&ccedil;&atilde;o da s&eacute;rie e se apresentam tanto em sua forma de produ&ccedil;&atilde;o quanto no resultado final (Fernandes, 2011).       </p>           <p>      No fazer, o incontrol&aacute;vel e o acaso foram desejados e incoporados &agrave; medida que o material escapava e saia pela borda dos moldes (<a href="#f1">Figura 1</a>), uma pr&aacute;tica que se construiu de modo oposto &agrave; cria&ccedil;&atilde;o vinculada aos processos e t&eacute;cnicas de metalurgia, nos quais as a&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m de ser mais controladas.       </p>     <blockquote> <i>Nessas pe&ccedil;as h&aacute; o gesto expresso nos acidentes que ocorreram ao longo do processo de derramar o l&aacute;tex sobre a superf&iacute;cie plana (vidro) e o gesso (molde aberto feito a partir de modelagem em argila e sulcagem direta sobre o gesso). As minhas pe&ccedil;as saem diretamente da a&ccedil;&atilde;o da minha m&atilde;o sobre o material.Escolhi trabalhar com um m&iacute;nimo de ferramentas, enfatizando a a&ccedil;&atilde;o do corpo sobre os materiais. Assim eu deixo tra&ccedil;os dessa a&ccedil;&atilde;o aparecerem nas pe&ccedil;as,cada uma revela um momento de a&ccedil;&atilde;o muito espec&iacute;fico. </i> (Mirla Fernandes, comunica&ccedil;&atilde;o pessoal). </blockquote>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a43f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p> Ao longo dessa experimenta&ccedil;&atilde;o os resultados estavam distantes dos tamanhos padr&otilde;es, das dimens&otilde;es t&iacute;picas e das solu&ccedil;&otilde;es tradicionais da joalheria. Aquelas pe&ccedil;as n&atilde;o constitu&iacute;am uma defini&ccedil;&atilde;o fechada de anel, pulseira ou colar (<a href="#f2">Figura 2</a> e <a href="#f3">Figura 3</a>). Embora fossem aros, eram aros para que parte do corpo?  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a43f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a43f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>           <p>       Enquanto a pr&oacute;pria artista questionava esses resultados ela percebeu que o outro &eacute; quem deveria responder. Cada pe&ccedil;a era uma pergunta dirigida &agrave;quele que a vestiria. Ao corpo que veste se apresentavam m&uacute;ltiplas possibilidades e instaurava-se o acaso (<a href="#f4-5">Figura 4 e Figura 5</a>).  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4-5"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a43f4-5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p> As pe&ccedil;as dessa s&eacute;rie s&atilde;o convites para um descobrimento, abrindo possibilidades de ocupar lugares no corpo que n&atilde;o est&atilde;o pr&eacute;-determinados e comportando ainda um uso coletivo de algumas pe&ccedil;as (<a href="#f6">Figura 6</a> e <a href="#f7">Figura 7</a>). Seu t&iacute;tulo &eacute; uma homenagem a Ligia Clark.  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a43f6.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a43f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>           <p>       <b>3. Corpo sem Org&atilde;os (CsO) </b>       </p>           <p>       Ainda que a primeira imagem que venha a mente seja a de um corpo oco, uma casca, desprovido de funcionalidade, o Corpo sem Org&atilde;o descrito por Deleuze e Guattari (1996) n&atilde;o consiste na ideia de elimina&ccedil;&atilde;o dos org&atilde;os. &#34;O CsO n&atilde;o se op&otilde;e aos org&atilde;os, mas a essa organiza&ccedil;&atilde;o dos org&atilde;os que se chama organismo&#34; (Deleuze e Guattari, 1996:21). Para os autores o organismo n&atilde;o &eacute; o corpo e sim um sistema composto por formas, fun&ccedil;&otilde;es, liga&ccedil;&otilde;es e organiza&ccedil;&otilde;es dominantes e hierarquizadas que se impoem sobre o corpo.        </p>           <p>       Na matriz da proposi&ccedil;&atilde;o de um CsO est&aacute; o desejo de que a determina&ccedil;&atilde;o funcional implicita na organiza&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica do corpo pode e deve ser desmanchada, de modo que qualquer &#39;maquina&#39; possa se espandir para al&eacute;m de um program&ccedil;&atilde;o pre-determinada.        </p>           <p>       Criar para si um CsO consiste na vital possibilidade de desorganizar, escapar da ordem e abrir o corpo a outras conex&otilde;es, agenciamentos e limiares incritos numa esp&eacute;cie de protocolo de experiencias. &#34;Porque n&atilde;o caminhar com a cabe&ccedil;a, cantar com o sinus, ver com a pele, respirar com o ventre, Coisa simples &#91;&#8230;&#93;&#34; (Deleuze e Guattari, 1996:11).        </p>           <p>       Nesse sentido um CsO se define mais como uma pr&aacute;tica do que como um conceito, um conjunto de pr&aacute;ticas necess&aacute;rias para possibilitar uma liberta&ccedil;&atilde;o das estruturas inerentes &agrave; ideia de organismo. Esse conceito deve ser entendido para al&eacute;m da concep&ccedil;&atilde;o de um corpo f&iacute;sico, abrangendo uma no&ccedil;&atilde;o de corpo menos literal (ex: corpo docente, um governo, a f&aacute;brica, a cidade, etc..). Assim sendo, &eacute; dos limites da organiza&ccedil;&atilde;o, das amarras de qualquer sistema que um corpo deve escapar para permitir &#34;ter sempre um pequeno peda&ccedil;o de uma nova terra&#34; para habitar (Deleuze e Guatari, 1996: 24). 	</p>     <p> A concep&ccedil;&atilde;o dos autores serve aqui para pensar no papel da joia e do corpo transformados pela disciplina da arte-joalheria, o que pode ser exemplificado no trabalho de Mirla Fernandes. Sua s&eacute;rie <i>Longing for the body</i> se configura como uma experimenta&ccedil;&atilde;o que desorganiza a materialidade e o modo de fazer a joia, afastando-se de t&eacute;cnicas, pr&aacute;ticas e tipologias pr&eacute;-determinadas. Ao incorporar a gestualidade, o acaso, o descontrole, ela constr&oacute;i para si um CsO, um campo de imanencia do desejo que resulta em objetos-joia capazes de transformar o sujeito que usa e o que v&ecirc; em espectadores-ativos, refletindo inclusive a essencia coletiva inerente &agrave; propria condi&ccedil;&atilde;o da joia. Nesse sentido as pe&ccedil;as potencializam ainda a constru&ccedil;&atilde;o de outros CsO pois transformam usu&aacute;rios e espectadores em espa&ccedil;os de produ&ccedil;&atilde;o coletiva de novas possibilidades de intera&ccedil;&atilde;o corpo-joia, desorganizando as estruturas tradicionais de ocupa&ccedil;&atilde;o do corpo e uso da joia. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Conclus&atilde;o</b> </p>     <p>       Em <i>Longing for the body</i> Mirla Fernandes evidencia um interesse nas rela&ccedil;&otilde;es entre sujeito e objeto, rela&ccedil;&otilde;es que se constroem para al&eacute;m do controle ou intencionalidade da artista. Por meio de formas que extrapolam a tipologia da joalheria tradicional suas pe&ccedil;as se oferecem como possibilidades, convites para a explora&ccedil;&atilde;o de lugares no corpo e de rela&ccedil;&otilde;es com outros corpos na forma de uso coletivo.        </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       Seu trabalho permite compreender os prop&oacute;sitos da disciplina da arte-joalheria em sua proposta de questionar os valores e significados das joias, banalizados por seu entendimento vinculado apenas a ideia de decora&ccedil;&atilde;o e status. Em sua essencia tanto a arte-joalheria como a serie <i>Longing for the body</i> explicitam desejos de desorganiza&ccedil;&atilde;o das conven&ccedil;oes sociais, servindo de exemplo pr&aacute;tico de constru&ccedil;&atilde;o de um CsO.      </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b>  </p>     <!-- ref --><p> Deleuze, Gilles; Guattari, F&eacute;lix (1996) <i>Mil plat&ocirc;s: capitalismo e esquizofrenia, vol. 3</i> &#8211; S&atilde;o Paulo: Editora 34. ISBN: 978-85-7326-017-3 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1443967&pid=S1647-6158201200010004300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Dormer, Peter; Turner, Ralph (1985) <i>The New Jewelry: Trends</i> &#43; Traditions. Londres: Thames and Hudson. ISBN: 978-0-500-27434-7 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1443968&pid=S1647-6158201200010004300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Fernandes, Mirla (site) &#91;Consult. 2011-12-07&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.mirlafernandes.com" target="_blank">http://www.mirlafernandes.com</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1443969&pid=S1647-6158201200010004300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Fernandes, Mirla (2011) <i>Corpo Presente</i>. S&atilde;o Paulo: Nova Joia. ISBN: n.c.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1443970&pid=S1647-6158201200010004300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Machado, Roberto (2009) <i>Deleuze, a arte e a filosofia</i>. Rio de Janeiro: Zahar. ISBN: 978-85-378-0165-9 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1443972&pid=S1647-6158201200010004300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:dcampos.anapaula@gmail.com">dcampos.anapaula@gmail.com</a>  (Ana Paula de Campos).</p>      ]]></body><back>
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