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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The sculptures of Joana Vasconcelos condensate the mind/object/body relationship in signifying shapes where fashion plays a distinguished role. The relevance of fashion as work of art is revealed in internationally recognized works, by which the sculptor analyses the world, using icons of her national culture that are also global.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>INTENTO</b>    <br> </p>       <p><b>Joana Vasconcelos: contamina&ccedil;&otilde;es entre escultura e moda</b> </p>     <p> <b>Joana Vasconcelos: Contaminations between Sculpture and Fashion</b>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Alexandra Cabral&#42; </b> </p>     <p> &#42;Portugal, designer de moda freelancer e formadora na Modatex. Mestrado em Design de Moda, Faculdade de Arquitetura da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa (FAUTL). Licenciatura em Arquitectura de Design de Moda (FAUTL, 2004). </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b>    <br> As esculturas de Joana Vasconcelos condensam a rela&ccedil;&atilde;o mente/objecto/corpo em formas significantes onde a moda tem um papel preponderante. A pertin&ecirc;ncia da moda com obra de arte &eacute; desvendada em obras acreditadas internacionalmente, atrav&eacute;s das quais a escultora analisa o mundo, usando &iacute;cones da cultura nacional que s&atilde;o tamb&eacute;m globais.  </p>     <p> <b>Palavras-chave: </b> Joana Vasconcelos, Escultura e Moda, Contamina&ccedil;&otilde;es, Identidade Nacional, Gest&atilde;o da Arte.     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>ABSTRACT</b>    <br> The sculptures of Joana Vasconcelos condensate the mind/object/body relationship in signifying shapes where fashion plays a distinguished role. The relevance of fashion as work of art is revealed in internationally recognized works, by which the sculptor analyses the world, using icons of her national culture that are also global. </p>     <p> <b>Keywords: </b> Joana Vasconcelos, Sculpture and Fashion, Contaminations, National Identity, Art Management.      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>      O tema coloca as obras de Vasconcelos sob o prisma da moda, que tem contribu&iacute;do para a mediatiza&ccedil;&atilde;o e consagra&ccedil;&atilde;o da artista. A validade da cr&iacute;tica social feita &agrave; luz da moda coloca-a como uma nova categoria da arte contempor&acirc;nea. Do percurso da artista nascida em 1971, destacamos o Pr&eacute;mio EDP Novos Artistas, a participa&ccedil;&atilde;o na Bienal de Veneza em 2005 e a retrospectiva no CCB em 2010. A metodologia adoptada foi mista, n&atilde;o intervencionista e qualitativa: pesquisa bibliogr&aacute;fica, an&aacute;lise de obras e fotografias.       </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>1. Os poemas e os objectos que os constituem</b>      	</p>          <p>      A contamina&ccedil;&atilde;o da moda na obra de Vasconcelos tem sido consistente, f&eacute;rtil e abrangente, sempre ligada ao seu papel na sociedade global. Est&aacute; presente desde o in&iacute;cio, porque &eacute; &#34;uma express&atilde;o humana muito importante, tal como &eacute; a arte no sentido das artes pl&aacute;sticas&#34; (Cabral, 2010: 242), como a artista refere. Nas Manobras de Maio de 1994, a artista apresentava <i>Bunis</i> (1994), um desfile de chap&eacute;us de esferovite coloridos e org&acirc;nicos, tais extens&otilde;es do pensamento. J&aacute; aqui, Vasconcelos levava o espectador a experimentar a autonomia induzida pelas formas apresentadas, questionando-se sobre a inquieta&ccedil;&atilde;o que provocavam; colocava os l&eacute;xicos est&eacute;ticos do criador e do fruidor em dicotomia.      </p>          <p>      A tem&aacute;tica enquadrada contempla elementos da identidade nacional, incluindo os da moda, tais como um vestido de noiva, um colar do per&iacute;odo barroco ou um cora&ccedil;&atilde;o de filigrana, porque a artista considera que &#34;fazem parte da nossa cultura. S&atilde;o &iacute;cones &#91;&#8230;&#93; da identidade humana.&#34; (Granja, 2009: 1). Por a moda pertencer ao quotidiano, &eacute;-nos tamb&eacute;m imediata a sugest&atilde;o de cen&aacute;rios da cultura e viv&ecirc;ncia que a contextualizam. Com Dorothy (2007), uma composi&ccedil;&atilde;o de panelas e tampas em forma de sand&aacute;lia, semelhante a uma incrusta&ccedil;&atilde;o de lantejoulas (<a href="#f1">Figura 1)</a>, somos remetidos para o campo de significa&ccedil;&atilde;o da obra. Vasconcelos refere que &#34;a mulher que fica em casa agarrada aos tachos e a tomar conta dos filhos, n&atilde;o &eacute; a mesma que vai para as festas de saltos altos.&#34; (Soromenho, 2008: 41). No entanto, vemos em Dorothy o retrato da mulher actual, que vai a festas e &eacute; simultaneamente dona-de-casa e uma profissional bem-sucedida. Conclu&iacute;mos que aqui o objecto de inspira&ccedil;&atilde;o perdeu o seu uso, mas n&atilde;o sua simbologia de sensualidade adquirida em sociedade. Como nos diz Barthes (1999: 293), &#34;o objecto cultural possui, pela sua natureza social, uma esp&eacute;cie de voca&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica: nele, o signo, est&aacute; sempre pronto a separar-se da fun&ccedil;&atilde;o e a operar sozinho&#34; &#8211; um signo cuja conota&ccedil;&atilde;o &eacute; exacerbada aqui pela escala. 	      </p>          <p>&nbsp;</p>      <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a44f1.jpg"></a>          
<p>&nbsp;</p>          <p>      Para Vasconcelos, os objectos n&atilde;o se transformam em obras de arte, o que se altera &eacute; a leitura e o uso que deles fazemos (Nobre, 2009: 33-34). Para tal, opta por um teor figurativo nas formas, que atrai e confunde: emprega objectos de uso quotidiano para torn&aacute;-las menos &#34;indecifr&aacute;veis&#34;, mas a sua contextualiza&ccedil;&atilde;o origina novas leituras. Diz: &#34;Quando pego nos objectos n&atilde;o os transformo, utilizo e massifico. O pequeno toque &eacute; o que faz as pessoas darem-lhe outros significados.&#34; (Nobre, 2007: 3). Encerrar as obras da artista numa defini&ccedil;&atilde;o seria ent&atilde;o um acto redutor, por isso a revista Art Actuel (2005: 1) definiu-as como poemas-objectos.      </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>2. Questionar barreiras da cultura</b>      </p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>      O acto de se eleger um elemento de uso quotidiano para lhe alterar o significado com um novo t&iacute;tulo, materiais e escala &eacute; semelhante ao do processo criativo em design de moda, na correspond&ecirc;ncia entre tema, mat&eacute;rias-primas e silhuetas. A transposi&ccedil;&atilde;o de barreiras entre &#34;alta&#34; e &#34;baixa&#34; culturas, que se pretende em moda como obra de arte, verifica-se quando Vasconcelos d&aacute; uma leitura erudita a objectos triviais. A artista adapta materiais e conhecimentos &agrave;s realidades das suas pe&ccedil;as e questiona a sua potencialidade: &#34;por que raz&atilde;o este material, pouco nobre, n&atilde;o pode ganhar nobreza?&#34; (Rodrigues, 2009: 50). Tal ocorre na s&eacute;rie <i>Cora&ccedil;&atilde;o Independente</i> (2004-2006), tr&ecirc;s cora&ccedil;&otilde;es gigantes inspirados nos de Viana do Castelo (<a href="#f2">Figura 2</a>); o rigor e min&uacute;cia adv&ecirc;m de um saber que produz pe&ccedil;as de joalharia, mas a concep&ccedil;&atilde;o como &#34;esculturas-j&oacute;ias&#34;, feitas de pl&aacute;stico, decorre da sua vis&atilde;o cr&iacute;tica.       </p>          <p>&nbsp;</p>      <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a44f2.jpg"></a>          
<p>&nbsp;</p>          <p>      No <i>atelier</i> da artista, assistimos ao acto de vestir figuras de loi&ccedil;a com croch&eacute; comprado nas feiras. Identificamos uma reciclagem aliada ao pensamento criativo: processo com origem na simetria de vestir um corpo humano e de adequar motivos geom&eacute;tricos e cores a loi&ccedil;as particulares. Os motivos florais destinam-se aos sapos e os geom&eacute;tricos e angulosos aos lobos (<a href="#f3">Figura 3</a>). Quando um touro veste uma pe&ccedil;a de croch&eacute; vermelha ou um cavalo uma pe&ccedil;a branca, existe uma liga&ccedil;&atilde;o evidente: esse &#34;vestir&#34; &eacute; compar&aacute;vel ao acto de vestir pessoas, onde estilo e personalidade se fundem no visual criado. Contudo, o uso do t&ecirc;xtil reveste-se de v&aacute;rios  significados e  por isso <i>Varina</i> (2008)  &eacute;  uma  colcha  feita  de raiz (<a href="#f4">Figura 4</a>), onde as 1500 executantes de St&ordf; Maria da Feira registaram os seus conhecimentos. Pela dimens&atilde;o desmesurada, a obra artesanal comporta uma liga&ccedil;&atilde;o ir&oacute;nica com a l&oacute;gica repetitiva da produ&ccedil;&atilde;o em massa. Passamos, assim, para a vertente consumista da moda, facilitada pelo design e pela produ&ccedil;&atilde;o em s&eacute;rie, que a artista igualmente explora. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a44f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a44f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>3. Moda e consumismo: design e arte</b>      	</p>          <p>      Vasconcelos relaciona-se com a moda ao criticar a sociedade de consumo, por ser paradigm&aacute;tica dos seus excessos. Fala-nos sobre a vaidade que nos impele e sobre o del&iacute;rio incontrol&aacute;vel do consumo desenfreado, usando secadores de cabelo em <i>Spin</i> (2001) ou centenas de collants em <i>Wash and Go</i> (1998) (<a href="#f5">Figura 5</a>). Em <i>Airflow</i> (2001), cria um expositor de gravatas agitadas pelo vento, feito com acess&oacute;rios do pr&oacute;prio cliente (<a href="#f6">Figura 6</a>).       </p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a44f5.jpg"></a>          
<p>&nbsp;</p>      <a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a44f6.jpg"></a>          
<p>&nbsp;</p>          <p>      Conjuga duas liga&ccedil;&otilde;es, a da arte com a vida e a da arte com o design e confronta-nos com uma redund&acirc;ncia que a pr&oacute;pria comenta: &#34;A pessoa &#91;&#8230;&#93; comprou desesperadamente uma atitude consumista.&#34; (Cabral, 2010: 241). O cliente adquire uma obra de arte funcional, tal como acontece na moda ou em <i>Plastic Party</i> (1997), que Vasconcelos descreve como tendo &#34;duas vidas, uma pr&aacute;tica e uma abstracta (mais conceptual, digamos assim)&#34; (Cabral, 2010: 241).     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>4. A moda como instrumento de cr&iacute;tica social</b>      </p>          <p>      O poder aprisionador da moda e do vestu&aacute;rio &eacute; escrutinado. Em <i>Burka</i> (2002), a artista apela aos direitos humanos, pondo a nu as opress&otilde;es que sofrem as mulheres, usando v&aacute;rias sobreposi&ccedil;&otilde;es de fatos oriundos de pa&iacute;ses diferentes, tal saia-da-Nazar&eacute; (<a href="#f7">Figura 7</a>); mostra-nos que muitos c&oacute;digos do vestir feminino s&atilde;o influenciados ou impostos pela cultura e pelo sexo masculino: &#34;&eacute; uma alegoria a uma condi&ccedil;&atilde;o feminina que existe ainda no mundo e, apesar disso, &eacute; um objecto de moda, completamente carism&aacute;tico, uma vestimenta que &eacute; tamb&eacute;m uma pris&atilde;o, &eacute; tanta coisa!&#34; (Cabral, 2010: 239). Desse modo, <i>Super Napron</i> (2005) encerra uma ironia &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es masculinas: um homem &eacute; subjugado ao poder feminino, pac&iacute;fica e subtilmente, quando completamente revestido a croch&eacute;. O resultado &eacute; inquietante, no limbo da parecen&ccedil;a entre dois super-homens: um delicado como o material t&ecirc;xtil, outro vigoroso, pelo ar fetiche da pele que se vislumbra.       </p>           <p>&nbsp;</p>       <a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a44f7.jpg"></a>           
<p>&nbsp;</p>          <p>      A associa&ccedil;&atilde;o da moda ao estatuto social &eacute; evidenciada no cen&aacute;rio amargo de <i>Men&uacute; do Dia</i> (2001), onde luxuosos casacos de peles s&atilde;o pendurados em portas de frigor&iacute;fico desprovidas de alimentos. A sensa&ccedil;&atilde;o entre calor e frio torna arrepiante o contraste sugerido entre ostenta&ccedil;&atilde;o e pobreza extrema, coexistentes na sociedade. O uso de vestu&aacute;rio alude &agrave; presen&ccedil;a humana: ser&atilde;o pessoas famintas ou pessoas ricas e viciadas no consumo, atitude fr&iacute;vola insinuada pelas portas vazias? A obra consegue, com um n&uacute;mero m&iacute;nimo de elementos, expor factores sociais, aludir &agrave; moda e recriar sensa&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas. A relev&acirc;ncia de um retrato social feito &agrave; luz da linguagem da moda, tamb&eacute;m acontece em Noiva (2001) que p&otilde;e em confronto o individual e o colectivo (<a href="#f8">Figura 8</a>). A escultura, feita de tamp&otilde;es e em forma de lustre, &eacute; compar&aacute;vel a um vestido de noiva. Vasconcelos associa Noiva &agrave; &#34;condi&ccedil;&atilde;o da mulher &#91;que&#93; j&aacute; n&atilde;o &eacute; o que era. Porque h&aacute; tamp&otilde;es, porque h&aacute; a p&iacute;lula.&#34; (Ribeiro, 2005: 60), e a um mundo global de gestos de consumo semelhantes e excessivos. Analisando tamb&eacute;m <i>Valqu&iacute;ria Vict&oacute;ria</i> (2008), feita em veludo, lantejoulas e dezenas de outros acess&oacute;rios (<a href="#f9">Figura 9</a>), encontramos mais uma conota&ccedil;&atilde;o do vestu&aacute;rio adquirida em contexto social: &#34;Ao contr&aacute;rio das minhas outras &#39;valqu&iacute;rias&#39; &#91;&#8230;&#93; concebi para Paris uma toda de preto. &Eacute; mais chique.&#34; (Soromenho, 2008: 37).  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a44f8.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f9"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a44f9.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>  <b>5. Moda e corpo usados como meio</b>      </p>          <p>      N&atilde;o podemos falar de moda sem referir o uso do corpo como meio, t&atilde;o comum entre as valqu&iacute;rias de Vasconcelos. Em <i>Joujoux</i> (2007), criada como cen&aacute;rio de bailado, vemos o estreitar da liga&ccedil;&atilde;o entre conceito, objecto, mente e corpo. Enorme, imponente e observada no conjunto do movimento dos corpos, a pe&ccedil;a, que j&aacute; em si se refere a eles, funde-se na sua performance art&iacute;stica. <i>Umbiga</i> (2004), embora mais pequena, &eacute; inclusivamente descrita por Rubio (2004: 17) como &#34;eco do corpo que se converte numa apari&ccedil;&atilde;o de diversos ap&ecirc;ndices.&#34; Assim, os objectos criados por Vasconcelos ganham vida pr&oacute;pria por &#34;vestirem&#34; uma ideia. Nesta alegoria, somos valqu&iacute;rias, personificamos loi&ccedil;as revestidas a croch&eacute;, cobi&ccedil;amos o vestido de noiva para sermos um objecto luxuoso. Neste momento transitivo e transpositivo da rela&ccedil;&atilde;o entre a escultura/corpo vestido, d&aacute;-se a &#34;transforma&ccedil;&atilde;o&#34; da escultura em moda.      <p>&nbsp;</p>     <p> <b>6. Vasconcelos une moda e arte</b>      </p>          <p>      A artista diz-nos que moda e arte s&atilde;o um importante contributo para a sociedade, essencial para criticar as atitudes humanas. Nas obras que idealiza, Vasconcelos tenta reflectir aquilo que preconiza como futuro da moda e da arte: &#34;um futuro de maior capacidade de an&aacute;lise da realidade e &#91;&#8230;&#93; daquilo que, de facto, n&oacute;s precisamos para mudar.&#34; (Cabral, 2010: 242)       </p>          <p>      A sua actua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se restringe ao plano das ideias, reflecte a conjuga&ccedil;&atilde;o entre &#34;a ideia de marca &#91;&#8230;&#93; e a ideia de autoria &#91;&#8230;&#93; praticada no circuito da arte contempor&acirc;nea.&#34; (Melo, 2001: 33) e no da moda, gerando bens de consumo com valor cultural &#8211; que t&ecirc;m sido reconhecidos pelo p&uacute;blico e legitimados pelas institui&ccedil;&otilde;es. Assim, Vasconcelos criou a sua pr&oacute;pria &#34;ind&uacute;stria criativa&#34;, integrando mecanismos de produ&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o, nacional e internacional, que resultam da sua faceta multidisciplinar e da sua capacidade de gest&atilde;o da arte.      </p>          <p>&nbsp;</p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <b>Conclus&atilde;o</b>      </p>          <p>      A diversidade de linguagens pl&aacute;sticas que Joana Vasconcelos combina atrav&eacute;s da escultura &eacute; equipar&aacute;vel &agrave; do universo da moda como arte. Ao descontextualizar os seus significados para criar novos signos e mensagens, comprova a exist&ecirc;ncia de processos e argumentos na pr&aacute;tica art&iacute;stica em moda &#8211; afirma-se a moda como obra de arte.      </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b>    </p>     <p> &#39;Banco! Joana Vasconcelos&#39; (2005) <i>Art actuel, le magazine d&ecirc;s arts contemporains</i>, n&ORDM; 36 (Jan/Fev), 1p., &#91;Consult. 2009-03-15&#93;  Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.joanavasconcelos.com" target="_blank">www.joanavasconcelos.com</a> </p>     <!-- ref --><p> Barthes, R (1999) <i>Sistema da Moda. </i> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444053&pid=S1647-6158201200010004400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Cabral, A. (2010) <i>Moda e Obra de Arte Contempor&acirc;nea: Processos, Percursos e Contamina&ccedil;&otilde;es na Obra de Joana Vasconcelos</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado. Faculdade de Arquitectura da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444055&pid=S1647-6158201200010004400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Granja, V. (2009) &#39;Cora&ccedil;&atilde;o Independente&#39;, <i>VISUAIS & BARULHOS</i>, 43 (Abr), &#91;Consult. 2009-08-07&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ruadebaixo.com/coracao-independente.html" target="_blank">http://www.ruadebaixo.com/coracao-independente.html</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444057&pid=S1647-6158201200010004400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Melo, A (2001) <i>Arte</i>. Coimbra: Quimera Editores,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444059&pid=S1647-6158201200010004400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p> Nobre, S (2007) &#39;Lugar de Passagem&#39;, <i>TABU, </i> suplemento do seman&aacute;rio Sol, Newshold S.A, Lisboa, (24 Fev) 3p., &#91;Consult. 2009-03-15&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.joanavasconcelos.com" target="_blank">http://www.joanavasconcelos.com</a> </p>     <p> Nobre, S (2009) &#39;Ningu&eacute;m me Leva a S&eacute;rio&#39;, Lisboa: <i>TABU</i>, Newshold S.A., 121 (3 Jan) pp.32-38, 7p. </p>     <p> Soromenho, A (2008) &#39;A Marca de Joana Vasconcelos e a Artista &#34;Made In Portugal&#34;&#39;, Lisboa: <i>&UACUTE;NICA</i>, suplemento do Jornal Expresso, Sociedade Jornal&iacute;stica e Editorial S.A., 1838 (19 de Janeiro) pp.32-36 e pp.37-43. </p>     <p> Ribeiro, A M (2005) &#39;Joana Vasconcelos: Um Novo Objectivismo.&#39; Lisboa: <i>ELLE</i>, Hachette Filipacchi. Publica&ccedil;&otilde;es, 202 (Jul) pp. 58-61, 4p. &#91;Consult. 2009-03-15&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.joanavasconcelos.com" target="_blank">http://www.joanavasconcelos.com</a>. </p>     <p> Rodrigues, C S (2009) &#39;Joana Vasconcelos, Quinze Anos a Trabalhar&#39;, <i> NOT&Iacute;CIAS MAGAZINE, </i> suplemento do Di&aacute;rio de Not&iacute;cias, Controlinveste Media SGPS, S.A., Lisboa 50 (Mar) p.50, 1p. </p>     <!-- ref --><p> Rubio, A P (2004) <i>Joana Vasconcelos</i>. Porto: Mimesis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444066&pid=S1647-6158201200010004400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:cabral.fashion@yahoo.com"> cabral.fashion@yahoo.com</a>  (Alexandra Cabral).</p>      ]]></body><back>
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