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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article focuses on Miguel Rio Branco's (born in Las Palmas, Canary Islands, 1946) photographic and artistic path. The Silent Book (1997), a wordless book, was chosen to think about the relations that Miguel Rio Branco establishes in his work between time, document and the artistic universe. Baroque images that focus on garbage, brothels and decadent boxing gyms fray the photographic document tissue, reflect time and enter the artistic universe. Rouillé (2009), Dubois (1998) and Sousa (2004) will support this reflection To finish, it is hoped to find in these images and its catenation, an explanation of the crystal image concept (Deleuze, 2005; Farorelli, 2003). Miguel Rio Branco currently lives and works in Rio de Janeiro. Some of the images in the book may be seen in www.miguelriobranco.com.br.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>AMBIVAL&Ecirc;NCIAS</b>    <br> </p>        <p><b>Miguel Rio Branco: tempo, arte e documento</b> </p>     <p> <b>Miguel Rio Branco: time, art and document</b>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Sandra Maria L&uacute;cia Pereira Gon&ccedil;alves&#42; </b> </p>     <p> &#42;Brasil, fotografia documental. Professora de fotografia na Faculdade de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pesquisadora. Mestrado e doutorado na Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Gradua&ccedil;&atilde;o na Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ. </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b>    <br> O artigo tem como foco a trajet&oacute;ria fotogr&aacute;fica e art&iacute;stica de Miguel Rio Branco (nasceu em Las Palmas, nas ilhas Can&aacute;rias, em 1946). O livro SilentBook (1997), um livro sempalavras, foi eleito para se pensar acerca das rela&ccedil;&otilde;es que Miguel Rio Branco estabelece em seu trabalho entre o tempo, o documento e o universo da arte. Imagens barrocas com foco no lixo, prost&iacute;bulos e academias de boxe decadentes esgar&ccedil;am o tecido do documento fotogr&aacute;fico, refletem sobre o tempo e adentram o universo da arte. Rouill&eacute; (2009), Dubois (1998) e Sousa (2004) dar&atilde;o suporte a esta reflex&atilde;o. Finalizando, julga-se encontrar nessas imagens e em seus encadeamentos a explicita&ccedil;&atilde;o do conceito de imagem cristal (Deleuze, 2005; Fatorelli, 2003). Miguel Rio Branco vive e trabalha no Rio de Janeiro; algumas das imagens que comp&otilde;em o livro podem ser vistas em www.miguelriobranco.com.br. </p>     <p> <b>Palavras chave: </b> fotografia;documento; arte; tempo; Miguel Rio Branco.      </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>ABSTRACT</b>    <br> This article focuses on Miguel Rio Branco&#39;s (born in Las Palmas, Canary Islands, 1946)  photographic and artistic path. The Silent Book (1997), a wordless book, was chosen to think about the relations that Miguel Rio Branco establishes in his work between time, document and the artistic universe. Baroque images that focus on garbage, brothels and decadent boxing gyms fray the photographic document tissue, reflect time and enter the artistic universe. Rouill&eacute; (2009), Dubois (1998) and Sousa (2004) will support this reflection To finish, it is hoped to find in these images and its catenation, an explanation of the crystal image concept (Deleuze, 2005; Farorelli, 2003). Miguel Rio Branco currently lives and works in Rio de Janeiro. Some of the images in the book may be seen in www.miguelriobranco.com.br. </p>     <p> <b>Keywords: </b> photography, document, art, time, Miguel Rio Branco.       </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>       </p>           <p>       Como proposto no resumo deste artigo tem-se como foco a trajet&oacute;ria fotogr&aacute;fica e art&iacute;stica de Miguel Rio Branco. O livro <i>SilentBook</i> (1997), um livro sem palavras, que re&uacute;ne alguns trabalhos fotogr&aacute;ficos do artista, &eacute; eleito para se pensar acerca das rela&ccedil;&otilde;es que Miguel Rio Branco estabelece entre o tempo (como aquilo que escoa e marca), o documento e o universo da arteem seu trabalho. Imagens de estilo barroco com foco no lixo, prost&iacute;bulos e academias de boxe decadentes esgar&ccedil;am o tecido do documento fotogr&aacute;fico, refletem sobre o tempo e adentram o universo da arte. A partir de classifica&ccedil;&atilde;o proposta por Rouill&eacute; (2009)entre a arte dos fot&oacute;grafos e a fotografia dos artistas buscar-se-&aacute; apresentar o percurso das imagens produzidas por Miguel Rio Branco, do documento &agrave; mat&eacute;ria de express&atilde;o art&iacute;stica. Os conceitos de &iacute;cone, &iacute;ndice e s&iacute;mbolo trabalhados por Dubois (1998) a partir de Pierce auxiliam na constru&ccedil;&atilde;o da proposta. Sousa (2004) e suas reflex&otilde;es sobre a fotografia documental completam o quadro. Finalizando, julga-se encontrar nessas imagens e seus encadeamentos a explicita&ccedil;&atilde;o do conceito de imagem cristal (Deleuze, 2005; Fatorelli, 2003).       </p>           <p>       Miguel Rio Branco, espanhol de nascimento mas cidad&atilde;o do mundo, nasceu em 1946, per&iacute;odo em que as regras do fazer fotodocumental come&ccedil;avam a ser mudadas (Sousa, 2004). Filho de diplomata, teve sua inf&acirc;ncia dividida entre Espanha, Argentina, Portugal, Brasil, Sui&ccedil;a e Estados Unidos. Seu envolvimento com as imagens come&ccedil;ou com o desenho e a pintura, nos anos 60, na Su&iacute;&ccedil;a. Em 1966, estudou no New York Institute of Photography. Em 1968 estudou na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) do Rio de Janeiro, Brasil. Artista multim&iacute;dia, no in&iacute;cio dos anos setenta come&ccedil;ou a trabalhar como fot&oacute;grafo e diretor de fotografia de cinema (filmes esperimentais) nos Estados Unidos. A partir de 1972, passou a expor seus trabalhos de fotografia e cinema. &Eacute; correspondente da Ag&ecirc;ncia francesa Magnum desde os anos oitenta.       </p>           <p>       Considera-se importante ressaltar o tr&acirc;nsito de Miguel Rio Branco entre pintura, fotografia e cinema. Esse tr&acirc;nsito deixa marcas em seu trabalho fotogr&aacute;fico: as imagens expostas no livro apresentado ganham sentidos novos que s&atilde;o proporcionados pela edi&ccedil;&atilde;o e montagem feita pelo artista (heran&ccedil;a do cinema), ultrapassando o dado pela mera refer&ecirc;ncia fotogr&aacute;fica; soma-se a isso a dram&aacute;tica paleta crom&aacute;tica de Miguel Rio Branco, herdada de sua pintura. Em tempo, a aus&ecirc;ncia de um texto que acompanhe as imagens ressalta o carater dial&oacute;gico de seu trabalho; o espectador &eacute; instado a participar da constru&ccedil;&atilde;o da narrativa visual, sempre inst&aacute;vel, ambigua. Tais caracter&iacute;sticas poder&atilde;o ser constatadas no prosseguimento do artigo.        </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>        <b>1. Do documento &agrave; mat&eacute;ria art&iacute;stica</b>       </p>           <p>       Miguel Rio Branco possui no campo da arte-fotografia, a fotografia praticada pelos artistas, uma heran&ccedil;a documental. As imagens apresentadas no livro <i>SilentBook</i> s&atilde;o tribut&aacute;rias dessa heran&ccedil;a. Entretanto, Miguel escapa dessa classifica&ccedil;&atilde;o que, historicamente, considera a fotografia uma c&oacute;pia fiel do mundo; um &iacute;cone, como diria Dubois (1998) ao utilizar a teoria dos signos de Pierce para caracterizar a imagem fotogr&aacute;fica. Essa caracter&iacute;stica marcou o fazer documental at&eacute; os anos cinquenta do s&eacute;culo 56. Entre as d&eacute;cadas de 1940 e 1960, um discurso desconstrutor, oriundo de diferentes &aacute;reas do saber, agiria sobre a leitura das imagens fotogr&aacute;ficas. A fotografia passaria a ser vista como transformadora do real, provocando &#34;efeitos de real&#34;. Esta segunda posi&ccedil;&atilde;o, segundo Dubois (1998), corresponde, na teoria dos signos de Pierce, ao s&iacute;mbolo, aquele que possui com seu referente uma rela&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria. Ou seja, a fotografia &eacute;, para essa corrente, um conjunto de c&oacute;digos (social, cultural, est&eacute;tico entre outros) a serem decifrados. O trabalho de Miguel Rio Branco como fot&oacute;grafo documentarista parece ter uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima com essa segunda corrente epistemol&oacute;gica, que acredita na presen&ccedil;a da subjetividade do fot&oacute;grafo na constru&ccedil;&atilde;o/ composi&ccedil;&atilde;o do real. Seu trabalho tamb&eacute;m encontra eco na terceira posi&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica defendida por Dubois, que v&ecirc; a fotografia como tra&ccedil;o de um real, sem, contudo, a &#39;obsess&atilde;o do ilusionismo mim&eacute;tico&#39; (1998: 53). &Iacute;ndice, &iacute;cone e s&iacute;mbolo perfazem uma hierarquia: primeiro a fotografia &eacute; &iacute;ndice, tra&ccedil;o de um real, depois ela &eacute; um &iacute;cone, semelhan&ccedil;a, e por fim, s&iacute;mbolo, adquire sentido. O trabalho documental de Miguel Rio Branco mescla as tr&ecirc;s posi&ccedil;&otilde;es, ressaltando o car&aacute;ter simb&oacute;lico da imagem. Como coloca Sousa,       </p>           <blockquote> <i>A fronteira entre o documento, no sentido origin&aacute;rio do termo, e a arte estreita-se e esbate-se nesses casos. Os novos documentaristas desenvolvem mais coment&aacute;rios visuais sobre o mundo do que geram not&iacute;cias visuais sobre esse mesmo mundo</i> (Sousa, 2004: 176).        </blockquote>           <p>       Ent&atilde;o, o car&aacute;ter indicial das imagens &eacute; o ponto de partida de Miguel Rio Branco na constru&ccedil;&atilde;o de sua narrativa visual, sem, contudo absolutiz&aacute;-lo, a iconicidade &eacute; intuida e o sentido se faz na apresenta&ccedil;&atilde;o dessa narrativa. Suas imagens assinalam a autoria, trazem para dentro do quadro fotogr&aacute;fico os imateriais, referentes incorporais, que v&atilde;o al&eacute;m dos detalhes t&eacute;cnicos da tomada de imagem e que incluem a viv&ecirc;ncia do fot&oacute;grafo, suas percep&ccedil;&otilde;es, sentimentos e desejos:       </p>           <blockquote> <i>Um fragmento de vida, reminisc&ecirc;ncias de lugares, pessoas, tempo passado e presente, palavras trocadas, uma atmosfera de cheiros, cores, sabores, sons: um tecido fr&aacute;gil que tende a se desfazer se chegarmos perto demais e cuja consist&ecirc;ncia &eacute; a fluidez&#34; </i> (Cauquelin, 2008: 2).       </blockquote>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       Pode-se dizer ent&atilde;o que o trabalho documental de Miguel Rio Branco se qualifica como fotografia express&atilde;o, aquela praticada pelos fot&oacute;grafos, no dizer do te&oacute;rico franc&ecirc;s Andr&eacute; Rouill&eacute; (2009), que nega a certeza do discurso referencial, sendo uma resposta &agrave; crise que assola a imagem documental no contempor&acirc;neo. Esse modo de fazer adere ao discurso do m&uacute;ltiplo, do h&iacute;brido potencializando a outra parte da imagem fotogr&aacute;fica, aquela que n&atilde;o se esgota na refer&ecirc;ncia. Mas a arte-fotografia, aquela pr&aacute;ticada pelos artistas, onde a imagem fotogr&aacute;fica descolada do papel de documento do mundo adquire a fun&ccedil;&atilde;o de mat&eacute;ria para a arte (Rouill&eacute;, 2009), &eacute; o novo lugar das imagens de Rio Branco no livro <i>SilentBook</i>.       </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>        <b>2. SilentBook</b>       </p>           <p>       <i>SilentBook</i>  (1997), um livro sem palavras cuja narrativa se constr&oacute;i no encadeamento das imagens, re&uacute;ne parte do trabalho fotodocumental expressivo de Miguel Rio Branco, desenvolvido em diferentes cidades do mundo durante a d&eacute;cada de 1990. Produzidas para representar a realidade, essas imagens, infi&eacute;is a sua origem, possuem uma pot&ecirc;ncia ficcional n&atilde;o descartada pelo artista. Ao migrarem para o livro, em novos arranjos produzidos na edi&ccedil;&atilde;o e montagem, as imagens transformam-se em mat&eacute;ria art&iacute;stica. O novo encadeamento proposto, cuja pagina&ccedil;&atilde;o se faz quase sempre em d&iacute;pticos (quando aberto, duas imagens s&atilde;o vistas em conjunto), n&atilde;o &eacute; aleat&oacute;rio: o artista constr&oacute;i com ele poemas visuais, prop&otilde;e sua tem&aacute;tica. Novas realidades de forte teor existencial emergem como num palimpsesto. Imagens de boxeadores, prostitutas, objetos descartados, animais, circos e lugares abandonados permeiam as 98 p&aacute;ginas que comp&otilde;em o livro (o livro pode ser visualizado em: <a href="http://www.miguelriobranco.com.br/portu/comercio.asp?flg_Tipo=1#" target="_blank">http://www.miguelriobranco.com.br/portu/comercio.asp?flg_Tipo=1#</a>). Pungentes, falam de dor, de medos, de morte, dos socialmente exclu&iacute;dos. No passar das p&aacute;ginas, &eacute; poss&iacute;vel perceber a tem&aacute;tica recorrente da finitude; ligada ao tempo que escoa e marca, est&aacute; presente de modo incontorn&aacute;vel no trabalho: nos corpos, espa&ccedil;os e objetos apresentados como dejetos. Tudo &eacute; deteriora&ccedil;&atilde;o, o avesso do mundo do simulacro. Nas imagens a seguir (<a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>), paginadas lado a lado (d&iacute;ptico) no livro, pode-se observar o tempo que escoa e marca nas manchas das paredes, bem como a paleta crom&aacute;tica do artista, feita de cores saturadas, num claro-escuro que aumenta a carga dram&aacute;tica das imagens lembrando a atmosfera barroca (<a href="#f1">Figura 1</a>).       </p>           <p>&nbsp;</p>       <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a56f1.jpg"></a>           
<p>&nbsp;</p>       <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a56f2.jpg"></a>           
<p>&nbsp;</p>           <p>       Na segunda imagem (<a href="#f2">Figura 2</a>) observa-se a sobreposi&ccedil;&atilde;o e a montagem, fazendo ressaltar o permear dos corpos do homem e de seu entorno: espelhos desgastados em primeiro plano por sobre imagem de fundo de um boxeador, cujas m&atilde;os enfaixadas seguram as cordas de um ringue, o fundo da imagem &eacute; negro. A presen&ccedil;a do tempo recobre a imagem, a dor da exist&ecirc;ncia emba&ccedil;a o olhar (do boxeador e do leitor da imagem).                 </p>             <p>         Nas duas imagens a seguir (<a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>), mais uma vez um d&iacute;ptico, um novo encadear de imagens na constru&ccedil;&atilde;o deste poema visual que &eacute; <i>Silent Book</i>. Nelas, a quest&atilde;o do tempo se mostra atrav&eacute;s dos corpos borrados, tornados espectros por um tempo avassalador. Na academia de boxe decadente, ambas as imagens falam da imperman&ecirc;ncia, do anonimato daqueles considerados excedentes pelo sistema capitalista contempor&acirc;neo &#8211; contrapartida da sociedade hedonista e narc&iacute;sica, a outra face do narcisismo contempor&acirc;neo, dado n&atilde;o serem suficientemente brancos, bonitos, ricos e civilizados. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a56f3.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a56f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>           <p>       Fatorelli (2003), te&oacute;rico e fot&oacute;grafo brasileiro, qualifica imagens como essas produzidas por Miguel Rio Branco de imagem-cristal. Na constru&ccedil;&atilde;o dessa ideia, o autor tem como base o conceito deleuziano de imagem-cristal (Deleuze, 2005) e como crit&eacute;rio a rela&ccedil;&atilde;o vari&aacute;vel das imagens com o tempo e o espa&ccedil;o. Seriam imagens fotogr&aacute;ficas onde a subservi&ecirc;ncia &agrave; refer&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; o que predomina (presentes principalmente no universo da arte), possuidoras que s&atilde;o de realidades que n&atilde;o se confundem com ela. Segundo o autor,      </p>           <blockquote> <i>aut&ocirc;nomas, abstra&iacute;das do v&iacute;nculo remissivo de origem, essas imagens situam-se num presente sempre renovado que desperta um passado e prenuncia um futuro igualmente abertos</i> (Fatorelli, 2003: 33).       </blockquote>     <p> Essas imagens s&atilde;o como presentifica&ccedil;&otilde;es, atualiza&ccedil;&otilde;es expressas em dados arranjos do vis&iacute;vel. Provocam a suspens&atilde;o do aqui e agora possibilitando nexos com um imaterial, &#34;uma pot&ecirc;ncia de pensamentos &#91;&#8230;&#93; quando o que importa n&atilde;o &eacute; mais reconhecer, mas conhecer&#34; (Idem). A pot&ecirc;ncia dessas imagens est&aacute; em ampliar o universo do vis&iacute;vel, em sua possibilidade de mobilizar m&uacute;ltiplas temporalidades que se realizam nas m&uacute;ltiplas visadas de seus leitores.      </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>        <b>Conclus&atilde;o</b>       </p>           <p>       Ao concluir este artigo, considera-se importante ressaltar a caracter&iacute;stica multimedi&aacute;tica do artista Miguel Rio Branco. Para ele, o meio parece n&atilde;o ser o que importa, mas sim as tem&aacute;ticas e o modo como elas s&atilde;o trabalhadas. Nas imagens fotogr&aacute;ficas do artista, foco deste trabalho, h&aacute; uma busca de transc&ecirc;ndencia do real para ascender a n&iacute;veis simb&oacute;licos. Atrav&eacute;s da luz, da cor (ou de sua aus&ecirc;ncia) e de seus personagens, Miguel Rio Branco faz um convite a quem observa seu trabalho para uma viagem po&eacute;tica e transformadora, ali&aacute;s, como deve ser toda Arte.       </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b>  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Cauquelin, Anne (2008) <i>Frequentar os Incorporais. Contribui&ccedil;&otilde;es a uma Teoria da Arte Contempor&acirc;nea.</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. ISBN: 9788599102749.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444810&pid=S1647-6158201200010005600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Deleuze, Gilles (2005) <i>A Imagem-Tempo</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense. ISBN: 9788511220285.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444812&pid=S1647-6158201200010005600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->Dubois, Philippe (1998) <i>O Ato Fotogr&aacute;fico</i>. S&atilde;o Paulo: Papirus. ISBN: 9788530802462.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444813&pid=S1647-6158201200010005600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Fatorelli, Antonio (2003) <i>Fotografia e Viagem</i>. Rio de Janeiro: Relume-Dumara. ISBN: 9788573163230.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444815&pid=S1647-6158201200010005600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Miguel Rio Branco&#91;Consult. 2011-12-11&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.miguelriobranco.com.br" target="_blank">http://www.miguelriobranco.com.br</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444817&pid=S1647-6158201200010005600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Rio Branco, Miguel  (1997) <i>SilentBook</i>. S&atilde;o Paulo: CosacNaif. ISBN: 9788586374210.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444818&pid=S1647-6158201200010005600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Rouill&eacute;, Andre (2009) <i>A Fotografia. Entre Documento e arte contempor&acirc;nea</i>. S&atilde;o Paulo: Senac. ISBN: 9788573598766.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444820&pid=S1647-6158201200010005600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Sousa, Jorge Pedro (2004) <i>Uma Hist&oacute;ria Cr&iacute;tica do Fotojornalismo Ocidental</i>. Chapec&oacute;/Florian&oacute;polis: Letras Contempor&acirc;nea. ISBN: 9788585775551.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444822&pid=S1647-6158201200010005600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:sandrapgon@terra.com.br">sandrapgon@terra.com.br</a>  (Sandra Gon&ccedil;alves).</p>     ]]></body>
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