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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents the Brazilian writer Xavier ValêncioNiculitcheff (São Paulo, 1933), highlighting his conceptual excellence, constructive ability and grooming capacity of his work, with hybrid features, which articulates wonderfully characteristics such as narrative, fictionalization and documentary aspect, including him in the tradition of artists/authors that articulate literature and visual arts into narratives that we can classify as verb-visual.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>AMBIVAL&Ecirc;NCIAS</b>    <br> </p>       <p><b>As narrativas verbivisuais de Val&ecirc;ncio Xavier</b> </p>     <p> <b>TheVal&ecirc;ncio Xavier&#39;s  verb-visual narratives</b>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Paulo C&eacute;sar Ribeiro Gomes&#42; </b> </p>     <p> &#42;Brasil, artista visual, curador independente e professor universit&aacute;rio.Doutor em Artes Visuais &#8211; Po&eacute;ticas Visuais (UFRGS) com est&aacute;gio na EcoledesHautesEtudesenSciencesSociales (2002). Mestre em Artes Visuais &#8211; Po&eacute;ticas Visuais (UFRGS). Gradua&ccedil;&atilde;o: Bacharelado em Artes Pl&aacute;sticas Habilita&ccedil;&atilde;o Desenho pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b>    <br> Este artigo apresenta o artista brasileiro Val&ecirc;ncio Xavier Niculitcheff (S&atilde;oPaulo,1933), destacando sua excel&ecirc;ncia conceitual, a habilidade construtiva e a capacidade de aliciamento de sua obra h&iacute;brida,que articula, com maestria e habilidade, caracter&iacute;sticas como a narrabilidade, a ficcionaliza&ccedil;&atilde;o e o documental, inserindo-o na tradi&ccedil;&atilde;o de artistas/autores que articulam literatura e artes visuais em narrativas que podemos classificar como verbivisuais.  </p>     <p> <b>Palavras-chave: </b> Val&ecirc;ncio Xavier, narrativa visual, arte contempor&acirc;nea      </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>ABSTRACT</b>    <br> This paper presents the Brazilian writer Xavier Val&ecirc;ncioNiculitcheff (S&atilde;o Paulo, 1933), highlighting his conceptual excellence, constructive ability and grooming capacity of his work, with hybrid features, which articulates wonderfully characteristics such as narrative, fictionalization and documentary aspect, including him in the tradition of artists/authors that articulate literature and visual arts into narratives that we can classify as verb-visual. </p>     <p> <b>Keywords: </b> Val&ecirc;ncio Xavier, visual narratives, contemporary art      </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>&nbsp;</p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       &#34;Val&ecirc;ncio Xavier n&atilde;o tem tr&ecirc;s metros de altura, pinos saltando das t&ecirc;mporas nem a pele esverdeada. Mas entre os apelidos que j&aacute; recebeu em 65 anos de vida, um de seus favoritos &eacute; &#39;Frankenstein de Curitiba.&#39;&#34;(Machado, 1999:1)A inusitada apresenta&ccedil;&atilde;o de Cassiano Machadochama a aten&ccedil;&atilde;o do leitor para as caracter&iacute;sticas atribu&iacute;das a Xavier, mais especificamente a sua obra, que foge as classifica&ccedil;&otilde;es tradicionais, n&atilde;o se enquadrando em qualquer dos g&ecirc;neros can&ocirc;nicos, seja na literatura, seja nas artes visuais. &Eacute; precisamente essa caracter&iacute;stica de hibridismo que nos atrai na obra do artista, e sobre a qual nos deteremos.       </p>           <p>       Cassiano Machado escreveuque &#34;o autor apresenta uma esp&eacute;cie bem-acabada do g&ecirc;nero <i>narrativa visual</i>&#34;. D&eacute;cio Pignatari, na mesma mat&eacute;ria, prop&otilde;e que por narrativa visual devemos entender &#34;a arte de contar uma hist&oacute;ria promovendo a intera&ccedil;&atilde;o constante de ilustra&ccedil;&otilde;es e texto&#34; e ainda que a &#34;narrativa visual &eacute; muito nova no mundo; Val&ecirc;ncio &eacute; o pioneiro no mundo todo&#34;. Se isso n&atilde;o define o g&ecirc;nero tem ao menos o m&eacute;rito de registrar o nome da coisa &#8211; narrativa visual.Se esta tentativa de defini&ccedil;&atilde;o pode ser aplicada&agrave;s hist&oacute;rias em quadrinhos e a outros experimentos de narra&ccedil;&atilde;o seq&uuml;encial, ela cabe melhor a uma obra que tem por caracter&iacute;sticas um acentuado car&aacute;ter pl&aacute;stico, a par de uma eficiente narrativa.        </p>           <p>       Em <i>O Mez da Grippe</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>), obra que Val&ecirc;ncio Xavier classifica como <i>novella</i>, s&atilde;o articuladas imagens de origens diversas com textos apropriados e outros do pr&oacute;prio artista. Esta complexa narrativa tem v&aacute;rios n&iacute;veisou v&aacute;rias est&oacute;rias nas quais s&atilde;o narradas, ao mesmo tempo, a apari&ccedil;&atilde;o e a evolu&ccedil;&atilde;o da Gripe Espanholana cidade de Curitiba, nos meses de outubro a dezembro de 1918; os relat&oacute;rios oficiais p&uacute;blicos e secretos; as notas da imprensa (e todo o processo de ocultamento do problema pelas autoridades sanit&aacute;rias); o final da Primeira Grande Guerra e sua repercuss&atilde;o internacional e local; um movimento pr&oacute;-alem&atilde;o, promovido por descendentes de origem germ&acirc;nica na cidade de Curitiba e a conseq&uuml;ente repress&atilde;o pelas autoridades; a evolu&ccedil;&atilde;o dos dramas locais atrav&eacute;s das notas f&uacute;nebres; a vida cotidiana da cidade atrav&eacute;s de suas notas policiais e acontecimentos mundanos; um homem que se aproveita de sua condi&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dico para seduzir e possuir diversas mulheres; o depoimento de uma sobrevivente da peste em 1976; reclames etc.         </p>           <p>&nbsp;</p>       <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a57f1.jpg"></a>           
<p>&nbsp;</p>           <p>       Uma narrativa de uma amplitude quase imensur&aacute;vel, em suas reduzidas 73 p&aacute;ginas,  da vida da provinciana Curitiba, tornadaposs&iacute;vel gra&ccedil;as &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de recortes de jornais, ilustra&ccedil;&otilde;es efotografias antigas, interpoladas com textos do pr&oacute;prio autor.       </p>           <p>       A quest&atilde;o da narrativa pict&oacute;rica, que ocupou artistas e estudiosos por tanto tempo, aparentemente foi equacionada com o decl&iacute;nio da pintura hist&oacute;rica no s&eacute;culo XIX e sua substitui&ccedil;&atilde;o por outras modalidades narrativas, como o cinema e a fotografia. A evolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o das narrativas nas artes pl&aacute;sticas, segundo Marc Jimenez, encontrou seu prolongamentoj&aacute; no s&eacute;culo XX, na &#34;id&eacute;ia de certos partid&aacute;rios do modernismo art&iacute;stico&#34; (Jimenez, 1999:101) como  Clement Greenberg. Sem nos determos na evolu&ccedil;&atilde;o posterior da quest&atilde;o, enfatizamos aqui o aspecto mais not&aacute;vel desse processo, ou seja, a id&eacute;ia da converg&ecirc;ncia das artes como a caracter&iacute;stica fundamental da arte do per&iacute;odo. As aproxima&ccedil;&otilde;es e os interc&acirc;mbios entre as pr&aacute;ticas art&iacute;sticas, al&eacute;m de abolir as fronteiras, abandona a necessidade de classificar, de ordenar, de &#34;administrar o dom&iacute;nio do imagin&aacute;rio e do sens&iacute;vel&#34;. Interroga-nos o mesmo autor se n&atilde;o se estaria sonhando com uma &#34;polissensorialidade&#34; que reatasse, de forma nost&aacute;lgica, com &#34;a obra de arte total&#34; e se esfor&ccedil;asse por unificar a esfera est&eacute;tica?&#34; (Jimenez, 1999: 103). Tamb&eacute;m tratando da quest&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna das artes, o cr&iacute;tico Adriano Pedrosa afirma que &#34;uma das contribui&ccedil;&otilde;es mais not&aacute;veis do pensamento e da pr&aacute;tica p&oacute;s-modernos foi a de subverter e colapsar as modernas categorias que segmentavam as linguagens est&eacute;ticas &#8211; pintura e escultura, nas artes visuais; document&aacute;rio e fic&ccedil;&atilde;o, no cinema; cr&iacute;tica e fic&ccedil;&atilde;o, na literatura&#34; (Pedrosa, 1996: 20-21).        </p>           <p>       Outro aspecto a ser considerado, na an&aacute;lise da obra de Xavier, &eacute; a import&acirc;ncia dos documentos na sua constitui&ccedil;&atilde;o. Se documento &eacute;, conforme o dicion&aacute;rio, algo que serve de prova, para a historiografia contempor&acirc;nea, documento &eacute;a &#34;express&atilde;o de toda e qualquer manifesta&ccedil;&atilde;o humana, comopor exemplo, objetos, paisagens, signos etc., al&eacute;m de documentos escritos&#34; (Vieira, 2000: 74). A &ecirc;nfase que &eacute; dada &agrave; quest&atilde;o da prova &eacute; marca do car&aacute;ter de realidade que o documento deve ter. Numa artistacomo Sophie Calle (Paris, 1953), por exemplo, o que observamos &eacute; que seus documentos s&atilde;o, a princ&iacute;pio, verdadeiros. S&oacute; a princ&iacute;pio, pois quando sabemos como eles foram feitos, temos a real dimens&atilde;o de sua veracidade. No caso de Val&ecirc;ncio Xavier,ao inv&eacute;s de fabrica&ccedil;&atilde;o temos documentos originais, que mant&ecirc;m sua verdade e valor informativos, recontextualizados para o discurso art&iacute;stico, o que nos leva a consider&aacute;-los inv&aacute;lidos enquanto documentos, pois n&atilde;o correspondem estritamente &agrave; verdade que (teoricamente) ele atestam. No caso de Val&ecirc;ncio Xavier, observamos que ele parte do princ&iacute;pio de dar destaque a veracidade das informa&ccedil;&otilde;es documentais utilizadas.       </p>           <p>       Tratando da quest&atilde;o das narrativas pict&oacute;ricas no <i>Nouveau R&eacute;alisme</i>, Jean-Luc Chalumeau informa que estes artistas utilizaram-se de meios e recursos oriundos da hist&oacute;ria em quadrinhos, da fotonovela, de imagens publicit&aacute;rias etc., todas com caracter&iacute;sticas narrativas bastante acentuadas. Mas a narra&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica praticada por eles tornou-se fragment&aacute;ria e de leitura &aacute;rdua, pois &#34;os pintores n&atilde;o se dedicaram sen&atilde;o raramente &agrave; miss&atilde;o de contar diretamente uma hist&oacute;ria &#91;e&#93; trata-se sobretudo de um &#39;tecido narrativo&#39; mais do que de um desenvolvimento preciso.&#34; (Chalumeau, 1981: 157). Como contribui&ccedil;&atilde;o mais importante da arte do per&iacute;odo, Chalumeau destaca aintrodu&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o temporal. Se essa caracter&iacute;stica esteve presente nas artes pl&aacute;sticas em outros per&iacute;odos, conforme podemos constatar nas an&aacute;lises efetivadas por Nelson Goodman (em <i>Of Mind and Other Matters</i>, 1984), ela abandonou o palco no s&eacute;culo XIX e, a produ&ccedil;&atilde;o moderna vai enfatizar o aspecto espacial em detrimento do temporal.        </p>           <p>       Jacques Aumontafirmou que a quest&atilde;o da narrativa est&aacute; ligada &agrave; quest&atilde;o da imagem e de como esta imagem pode conter uma narrativa, implicando, obrigatoriamente, na reflex&atilde;o sobre a quest&atilde;o do tempo, pois &#34;se a narrativa &eacute; um ato temporal, como pode inscrever-se na imagem se ela n&atilde;o &eacute; temporalizada? E, se ela o for, qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre o tempo da narra&ccedil;&atilde;o e o tempo da imagem?&#34; (Aumont, 1993: 244) A rela&ccedil;&atilde;o entre o dizer (verbal) com o mostrar (mim&eacute;tico), encaminha nossa reflex&atilde;o para a a&ccedil;&atilde;o de mostrar ou narrabilidade, ou seja, a possibilidade de narrar por &#34;mostra&ccedil;&atilde;o&#34;, que &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, a retomada de uma forma de express&atilde;o pl&aacute;stica hist&oacute;rica do universo erudito, conforme Goodman, unida a formas que hoje fazem parte do universo das culturas midi&aacute;ticas.       </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       A obra de Val&ecirc;ncio Xavier pode ser colocada no universo h&iacute;brido dos escritores e poetas que, em meados do s&eacute;culo XX, promoveram a intera&ccedil;&atilde;o entre literatura e artes visuais. Dentre estes podemos enumerar o <i>Un Coup de D&eacute;s</i>, poema fundador de uma nova est&eacute;tica litero-visual, de Stephan&eacute; Mallarm&eacute;; <i>Bruges, La Morte</i>, romance com imagens, de Georges Rodenbach; os <i>Calligrammes</i>, de Guillaume Appolinaire e, a <i>Nadja</i>, narrativa com imagens, de Andr&eacute; Breton. S&atilde;o obras nas quais seus autores/artistas, ao articularem imagens e textos, promoveram a integra&ccedil;&atilde;o entre literatura e artes visuais, equa&ccedil;&atilde;o imposs&iacute;vel de ser pensada anteriormente, pois eram &aacute;reas separadas em dois universos distintos: literatura e ilustra&ccedil;&atilde;o.        </p>           <p>       Val&ecirc;ncio Xavier produznarrativasverbivisuais, g&ecirc;nero h&iacute;brido de visualidade e narra&ccedil;&atilde;o, que transitamconfortavelmente no estreito limite entre document&aacute;rio e fic&ccedil;&atilde;o. Uma obra palpitante, resultado da insuper&aacute;vel capacidade de seu autor de transmutar um material que, nas m&atilde;os de outro, teriam o efeito son&iacute;fero de um relat&oacute;rio. Esta capacidade de injetar emo&ccedil;&atilde;o, ou melhor, de fazer pulsar a emo&ccedil;&atilde;o contida nos documentos, &eacute; um dos dados que diferencia as constru&ccedil;&otilde;es verbivisuais de Val&ecirc;ncio Xavier da simples reedi&ccedil;&atilde;o de documentos ou da simples ilustra&ccedil;&atilde;o.        </p>           <p>       A semelhan&ccedil;a dos procedimentos criativos com outros artistas visuais, a aboli&ccedil;&atilde;o das divis&oacute;rias de g&ecirc;neros e &aacute;reas, a associa&ccedil;&atilde;o de materiais heterog&ecirc;neos e, finalmente, a capacidade&#34;de ordenar, de administrar o dom&iacute;nio do imagin&aacute;rio e do sens&iacute;vel&#34; (Jimenez, 1999: 103), nos possibilita inserir a obra de Val&ecirc;ncio Xavier no universo expandido das artes visuais contempor&acirc;neas. Uma obra que, pelo seu resultado h&iacute;brido, alcan&ccedil;a aquela polissensorialidade pretendida por Jimenez, que consegue unificar a esfera est&eacute;tica.       </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b>  </p>     <!-- ref --><p> Aumont, Jacques(1993) <i>A Imagem</i>. SP: Papirus,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444877&pid=S1647-6158201200010005700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.  </p>     <!-- ref --><p> Chalumeau, Jean-Luc(1981) <i>Lectures de l&#39;art</i>. Paris: Ch&ecirc;ne/Hachette. Consultado na tradu&ccedil;&atilde;o francesa L&#39; <i>Art en Th&eacute;orie et en Action. </i> Paris: &Eacute;ditions de L&#39;&Eacute;clat, 1996 (edi&ccedil;&atilde;o que apresenta a tradu&ccedil;&atilde;o dos dois primeiros cap&iacute;tulos do livro citado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444879&pid=S1647-6158201200010005700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Gomes, Paulo C&eacute;sar Ribeiro (2003) <i>Coment&aacute;rios: altera&ccedil;&otilde;es e derivas da narrativa em artes visuais</i> (Tesede doutoramento em Artes Visuais, &ecirc;nfase em Po&eacute;ticas Visuais). PortoAlegre: Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais/Universidade Federal do Rio 	Grande do Sul.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444881&pid=S1647-6158201200010005700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->    </p>     <!-- ref --><p> Goodman, Nelson(1984) <i>Of Mind and Other Matters. Cambridge</i>. Mass.: Harvard Univ. Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444883&pid=S1647-6158201200010005700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Jimenez, Marc (1999) <i>O que &eacute; a est&eacute;tica? </i> S&atilde;o Leopoldo, RS: Editora Unisinos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444885&pid=S1647-6158201200010005700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->   </p>     <!-- ref --><p> Machado, Cassiano Elek(1999) <i>Frankenstein de Curitiba mostra nova cria liter&aacute;ria. </i> Folha de S&atilde;o Paulo Folha Ilustrada, 4&ordm; caderno, p&aacute;gina 1, S&atilde;o Paulo, s&aacute;bado, 20 de mar&ccedil;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444887&pid=S1647-6158201200010005700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p> Pedrosa, Adriano (1996) <i>O lugar da arte brasileira contempor&acirc;nea em tempos de multicuturalismo. </i>S&atilde;o Paulo: Eventual 2, Outubro. p.20-21.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444889&pid=S1647-6158201200010005700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Vieira, Maria do Pilar de Ara&uacute;jo <i>et alii</i> (2000) <i>A Pesquisa em Hist&oacute;ria. </i> SP: Editora &Aacute;tica,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444891&pid=S1647-6158201200010005700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </p>     <!-- ref --><p> Xavier, Val&ecirc;ncio (1998) <i>O Mez da Grippee outros livros</i>. SP: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1444893&pid=S1647-6158201200010005700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:oluapgomes@ibest.com.br">oluapgomes@ibest.com.br</a>  (Paulo Gomes).</p>      ]]></body><back>
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