<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1647-6158</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista :Estúdio]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Estúdio]]></abbrev-journal-title>
<issn>1647-6158</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1647-61582012000100060</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Enquadramento: Palavra]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Context: Word]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alvelos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Heitor]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Belas-Artes ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>3</volume>
<numero>5</numero>
<fpage>356</fpage>
<lpage>357</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1647-61582012000100060&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1647-61582012000100060&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1647-61582012000100060&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>PALAVRA</b>    <br></p>      <p><b>Enquadramento: Palavra</b></p>     <p><b>Context: Word</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Heitor Alvelos&#42;</b></p>     <p> &#42;Conselho editorial; Universidade do Porto, Faculdade de Belas-Artes, Portugal. </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>      A aventura da arte contempor&acirc;nea segue vivendo o paradoxo da atribui&ccedil;&atilde;o de sentido e propriedade a um labirinto de solu&ccedil;&otilde;es que, elas mesmas, negam de raiz, e frequentemente de modo irredut&iacute;vel, uma voca&ccedil;&atilde;o de comunicabilidade objetiva. A arte insiste em ser ve&iacute;culo de pensamento e esteticiza&ccedil;&atilde;o, no arriscado equil&iacute;brio entre a sua suposta subjetividade de que o senso comum se alimenta (e que o senso comum alimenta), e o imperativo, desde logo funcional, de um consenso, &uacute;nica <i>chance</i> de valida&ccedil;&atilde;o e longevidade. Unilateralmente proferida a sua emancipa&ccedil;&atilde;o, regressa ironicamente &agrave; palavra na hora de cumprir a sua voca&ccedil;&atilde;o, de definir e assegurar os seus mecanismos de eco.      </p>          <p>      O que o <i>corpus</i> de determinados artistas nos permitir&aacute;, contudo, &eacute; o avan&ccedil;o mais substancial (ou, pelo menos, mais declarado) em dire&ccedil;&atilde;o a uma efetiva rela&ccedil;&atilde;o com o conhecimento de ambi&ccedil;&atilde;o universal. Curiosamente, esta possibilidade revela-se de forma mais evidente atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o de proto-metodologias de observa&ccedil;&atilde;o, elas mesmas, associ&aacute;veis a universos da ci&ecirc;ncia: a an&aacute;lise comparativa, associativa e contrastante de obras de autoria diversa e contextualmente distintas, permite-nos de s&uacute;bito uma vis&atilde;o clara de como a cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica pode devolver-nos ao espa&ccedil;o do saber de voca&ccedil;&atilde;o universal.       </p>          <p>      As pontes (o trabalho de estabelecimento relacional) entre propostas, s&oacute; aparentemente profundamente d&iacute;spares, que se criam neste processo anal&iacute;tico, negam a vis&atilde;o singular t&atilde;o reclamada por tantos criadores, e ignoram o seu frequente s&iacute;ndroma de resolu&ccedil;&atilde;o circular da obra, que se declara previamente cumprida, permitindo somente uma rela&ccedil;&atilde;o subsidi&aacute;ria para com quem a contempla ou, no limite, com ela interage. Ironicamente, e no seu negar da voca&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca da obra para a sua singularidade, estas pontes atribuem-lhe a chave para a sua decifra&ccedil;&atilde;o convergente e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, universal.       </p>          <p>      Assim &eacute; poss&iacute;vel falar de Gerardo Delgado, que nos finais dos anos 60 ensaiava rela&ccedil;&otilde;es efetivas com o universo da inform&aacute;tica e do c&aacute;lculo automatizado; mas &eacute; a partir daqui igualmente poss&iacute;vel, de modo fractal, verificar que a premissa que compara e contrasta Beuys e Hirst na sua manifesta voca&ccedil;&atilde;o alqu&iacute;mica (ou seja, proto-cient&iacute;fica) &eacute;, na sua ess&ecirc;ncia, an&aacute;loga &agrave; que Delgado propunha na sua ambi&ccedil;&atilde;o de decifra&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica enquanto consequ&ecirc;ncia e comunica&ccedil;&atilde;o do funcional, an&aacute;loga ao espa&ccedil;o que se prop&ocirc;s ocupar, no qual a obra art&iacute;stica se prop&otilde;e e se ensaia, n&atilde;o como outro espa&ccedil;o de conhecimento, mas como uma outra porta para um mesmo conhecimento, &#34;o&#34; conhecimento.       </p>          <p>      A mesma luz relacional prontamente nos permitir&aacute; reconhecer que a obra de Madoz ser&aacute; possivelmente po&eacute;tica e ret&oacute;rica (como argumenta G&oacute;mez), mas igualmente nos aponta para uma possibilidade de observa&ccedil;&atilde;o &#34;produtiva&#34; do quotidiano, algures entre o desenvolvimento de uma perce&ccedil;&atilde;o ativa por parte de cada um e o reconhecimento de que o design (os objetos, as fun&ccedil;&otilde;es, os desejos e necessidades, o cruzamento entre estes) &eacute; ele mesmo uma omnipresen&ccedil;a nesse quotidiano.      </p>          <p>      E da mesma forma, perante a luz relacional proposta, o trabalho de Pijuan e Capucho se encontram e revelam no espa&ccedil;o estruturante da paisagem, esse ato primeiro da civiliza&ccedil;&atilde;o, o da dota&ccedil;&atilde;o geom&eacute;trica do espa&ccedil;o: em Pijuan pela transcri&ccedil;&atilde;o (quase-lingu&iacute;stica) nos terrenos observados, em Capucho pela produ&ccedil;&atilde;o de grelhas que sustentam a palavra. E &agrave; palavra somos devolvidos.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:halvelos@gmail.com">halvelos@gmail.com</a>  (Heitor Alvelos).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
</article>
