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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arte e conhecimento: alquimia e o novo paradigma da ciência]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Presentation of the concept of transformation of material in the work of the artists Damien Hirst and Joseph Beuys, taken as a guide for thinking about knowledge and the new paradigm of and science. Some of their works reflect healing possibilities related with alchemy. They point poiesis as a metaphorical procedure of investigation that affects man when he intervenes in its organic dimension.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>PALAVRA</b>    <br> </p>       <p><b>Arte e conhecimento: alquimia e o novo paradigma da ci&ecirc;ncia</b> </p>     <p> <b>Art and knowledge: alchemy and the new paradigm of science</b>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Juliana Alvarenga&#42; </b> </p>     <p> &#42;Brasil, artista visual. Graduada em Artes Pl&aacute;sticas, pela Escola Guignard/UEMG, Belo Horizonte, mestranda em Criac&atilde;o Art&iacute;stica Contempor&acirc;nea na Universidade de Aveiro / UA, Portugal. </p>    <p><a name="topc0"></a><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>    <p>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b>    <br> Apresenta&ccedil;&atilde;o do conceito de transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria nos trabalhos dos artistas Damien Hirst e Joseph Beuys como fio condutor para pensar o conhecimento e o novo paradigma da ci&ecirc;ncia. As obras citadas refletem possibilidades de curas relacionadas com a alquimia e apontam a poiesis como procedimento metaf&oacute;rico de investiga&ccedil;&atilde;o do que afeta o homem quando se interv&eacute;m na sua dimens&atilde;o org&acirc;nica.     </p>     <p> <b>Palavras chave: </b> arte, alquimia, conhecimento, mat&eacute;ria, novo paradigma da ci&ecirc;ncia.       </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>ABSTRACT</b>    <br> Presentation of the concept of transformation of material in the work of the artists Damien Hirst and Joseph Beuys, taken as a guide for thinking about knowledge and the new paradigm of and science. Some of their works reflect healing possibilities related with alchemy. They point poiesis as a metaphorical procedure of investigation that affects man when he intervenes in its organic dimension. </p>     <p> <b>Keywords: </b> art, alchemy, knowledge, material, new paradigm of science.       </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b>       </p>           <p>       A alquimia tem como objetivo a transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria, entendida aqui como os elementos encontrados na natureza e tamb&eacute;m os seres humanos, na qual se unem natureza e ser humano, condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via para aceder-se ao conhecimento.       </p>           <p>       A partir da ci&ecirc;ncia moderna, o acesso ao conhecimento &eacute; estruturado atrav&eacute;s da separa&ccedil;&atilde;o do sujeito do objeto de estudo sem considerar a subjetividade como parte fundamental.       </p>           <p>       A arte se abre para diversidade e complexidade do conhecimento.  O artista ingl&ecirc;s Damien Hirst nascido em 1965 e o artista alem&atilde;o Joseph Beuys (1921-1986) se referem ao conhecimento oriundo da ci&ecirc;ncia moderna, de forma a tematizar a rela&ccedil;&atilde;o do homem com os saberes da natureza na constru&ccedil;&atilde;o de suas po&eacute;ticas visuais.       </p>           <p>       As analogias e met&aacute;foras usadas por Damien Hirst e por Beuys em algumas de suas obras dizem sobre processos naturais e/ou artificiais que interferem na vida. Eles apresentam id&eacute;ias sobre o homem apartado da natureza, sobre cren&ccedil;as e mitos, que podem ser traduzidas na transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria em seu sentido alqu&iacute;mico.      </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>      <b>1. Transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria na alquimia</b>       </p>           <p>       Alquimia &eacute; conhecida como arte alquimica ou como ci&ecirc;ncia herm&eacute;tica, do deus grego Hermes Trismegistro, equivalente ao deus eg&iacute;pcio Thot, o suposto inventor dos hier&oacute;glifos &#8211; forma de express&atilde;o que une imagem e palavra.       </p>           <p>       A arte alqu&iacute;mica tem por objetivo principal a transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria, chamada de a Grande Obra ou Pedra Filosofal, atrav&eacute;s de procedimentos denominados <i>opera&ccedil;&otilde;es</i>. Ao conduzir as opera&ccedil;&otilde;es alqu&iacute;micas, o operador possibilita esta transforma&ccedil;&atilde;o ao transformar-se a si pr&oacute;prio concomitantemente, acessando o conhecimento adormecido em ambos, resgatando suas potencialidades inertes. Paracelso, alquimista do seculo XVI, que denominava macrocosmos o universo natural e microcosmos o universo do filosofo alquimista, ressaltava que esses dois universos s&atilde;o reflexos um do outro.         </p>           <p>       Outro conceito importante da ci&ecirc;ncia herm&eacute;tica &eacute; <i>recomposi&ccedil;&atilde;o</i>: partir do material em putrefa&ccedil;&atilde;o, ou impuro, para buscar o mais puro, reconstruindo assim o uno primordial, em um sentido oposto ao da natureza que parte do uno para a decomposi&ccedil;&atilde;o. A putrefa&ccedil;&atilde;o, chamada de fase <i>nigredo</i>, &eacute; um objetivo primeiro dos procedimentos alqu&iacute;micos, pois sinaliza que a mat&eacute;ria foi despertada e entrou em processo de transforma&ccedil;&atilde;o. O apodrecimento da mat&eacute;ria &eacute; comemorado pelos <i>operadores</i> porque iniciou a sequencia de transforma&ccedil;&atilde;o, seguida da fase <i>albedo</i> onde a mat&eacute;ria &eacute; transmutada em prata.          </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       Jacques Van Lennep, considerado o maior pesquisador da ci&ecirc;ncia herm&eacute;tica como produ&ccedil;&atilde;o de obras de artes, relata que este &eacute; ainda um campo recente e pouco estudado. Van Lennep fala das possibilidades de se fazer uma leitura herm&eacute;tica de certos quadros de alguns pintores como Durer, Rafael, Bosch e Brueghel (Van Lennep, apud Carvalho, 2005). Podem ser tamb&eacute;m poss&iacute;veis leituras herm&eacute;ticas de algumas obras de Damien Hirst e Beuys.      </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>2. Joseph Beuys e Damien Hirst sob uma perspectiva alqu&iacute;mica</b>       </p>           <p>       Joseph Beuys e Damien Hirst t&ecirc;m em comum declara&ccedil;&otilde;es sobre doen&ccedil;a, cura, medicina, ci&ecirc;ncia, rem&eacute;dio e arte, e &eacute; sobre essa perspectiva que procuramos aqui encontrar semelhan&ccedil;as poss&iacute;veis entre alguns de seus trabalhos e determinados preceitos que regem a alquimia.       </p>           <p>       Considerando que a transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria &eacute; a grande orienta&ccedil;&atilde;o da alquimia, Beuys se diz regido por essa arte e diz: &#34;interessam-me as transforma&ccedil;&otilde;es&#34; (Gir&atilde;o, 2001, p.18). Em seu trabalho <i>Cadeira com gordura</i> (1963), o artista exp&otilde;e a gordura em todos os seus estados de transforma&ccedil;&atilde;o (<a href="#f1">Figura 1</a>).  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a61f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>           <p>       A gordura tem um ponto de fus&atilde;o baixo e por isso facilmente tem seu estado alterado; derrete e endurece &agrave; m&iacute;nima altera&ccedil;&atilde;o de temperatura. Segundo o artista, em suas obras &#34;v&aacute;rias opera&ccedil;&otilde;es se d&atilde;o na maior parte delas: rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas, fermenta&ccedil;&otilde;es, mudanca de cor, degrada&ccedil;&atilde;o, ressecamento. Tudo est&aacute; em estado de mudan&ccedil;a&#34; (Beuys, apud Borer, 2001: 26).       </p>           <p>       Damien Hirst tamb&eacute;m trata da transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria, das substancias medicamentosas vinculadas ao organismo humano, em uma den&uacute;ncia da aus&ecirc;ncia do <i>sentido alqu&iacute;mico de cura</i>. No trabalho <i>The Existence of Nothing Causes Nothing</i> (1999), Damien Hirst apresenta um arm&aacute;rio de medicamentos com embalagens vazias, onde o homem pode ser tomado como resultante de efeitos medicamentosos (<a href="#f2">Figura 2</a>).        </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a61f2.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>           <p>       Damien Hirst faz uma cr&iacute;tica &agrave; interfer&ecirc;ncia supressora da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica que trata a cura medicinal como um processo restaurador. De uma forma quase herm&eacute;tica, pode-se pensar que o artista reclama essa uni&atilde;o do homem com a natureza de que trata a alquimia ao sugerir uma falsidade curativa dos medicamentos industrializados como s&iacute;ntese do homem. Damien Hirst fala como a medicina tradicional impede a manifesta&ccedil;&atilde;o humana com sua tentativa de exterminar o desagrad&aacute;vel e desenvolve sua cr&iacute;tica como um alquimista que sabe da necessidade da fase <i>nigredo</i> para que existam as transforma&ccedil;&otilde;es humanas curativas. Segundo ele,       </p>     <blockquote> <i>If you&#39;re happy, you paint a yellow-and-red painting; If you depressed you paint a sombre brown and purple painting; or you&#39;re a smart you give up painting and shared your good feelings with your friends, or when you&#39;re down, cheer up and don&#39;t drag people</i>&#34; (Hirst, 2005: 246). </blockquote>                  <p>       Damien Hirst em seu trabalho <i>A impossibilidade f&iacute;sica da morte na mente de algu&eacute;m que vive</i> (1991), exp&otilde;e um tubar&atilde;o morto em um tanque com formol (<a href="#f3">Figura 3</a>). O artista demonstra assim a interfer&ecirc;ncia humana em processos naturais como a morte e o deterioramento corporal, de modo a querer control&aacute;-los.        </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a61f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>           <p>       O uso da qu&iacute;mica para evitar a decomposi&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica do animal mostra a forma ilus&oacute;ria com que a ci&ecirc;ncia mant&eacute;m a apar&ecirc;ncia de vida em um corpo morto. O fato do corpo do animal ser impedido de mudar de estado decompondo-se organicamente &eacute; a cr&iacute;tica mais pertinente do ponto de vista alqu&iacute;mico, pois n&atilde;o permitir a transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria &eacute; n&atilde;o realizar a obra alqu&iacute;mica.       </p>           <p>       Na obra <i>Coyote, I love America, America likes me</i> (1974), Joseph Beuys tranca-se por 3 dias com um coiote em uma galeria de Nova York e utiliza o feltro e a gordura como elementos alqu&iacute;micos de uma mitologia individual, transitando entre o simb&oacute;lico, o autoterap&ecirc;utico e o autobiogr&aacute;fico (<a href="#f4">Figura 4</a>).        </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a61f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       Com a inten&ccedil;&atilde;o de fazer conex&atilde;o com o conhecimento ancestral xam&acirc;nico, Beuys trata de comunica&ccedil;&atilde;o e reconcilia&ccedil;&atilde;o com a natureza como fundamento para cura individual e social. A forma como o artista se refere &agrave; cura tem o mesmo sentido da alquimia, ele acreditava que a autotransforma&ccedil;&atilde;o gerava tamb&eacute;m a transforma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo e do seu entorno social na medida em que instigava outras transforma&ccedil;&otilde;es em outras mat&eacute;rias e tamb&eacute;m em outras pessoas. O xamanismo para Beuys assemelha-se a uma esp&eacute;cie de alquimia ritual&iacute;stica onde as pr&aacute;ticas laboratoriais s&atilde;o substitu&iacute;das por rituais com o mesmo intuito de se reintegrar &agrave; natureza para restabelecimento de cura. Joseph Beuys se declara um estudioso da alquimia e encontramos em suas palavras uma das leis dessa ci&ecirc;ncia herm&eacute;tica; &#34;&#91;&#8230;&#93; aprender das pr&oacute;prias subst&acirc;ncias as potencialidades que elas encerram e, por conseguinte, as nossas.&#34; (Beuys, citado por Borer, 2001, p.15).       </p>           <p>       A pintura de Damien Hirst intitulada <i>Naja naja</i> (2000) &eacute; parte de uma s&eacute;rie de trabalhos que o artista afirma terem propriedades farmacol&oacute;gicas espec&iacute;ficas (<a href="#f5">Figura 5</a>).        </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v3n5/3n5a61f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>           <p>       <i>Naja naja</i> &eacute; um ant&iacute;doto, fabricado a partir do veneno da cobra naja que gera a cura, o que &eacute; em si um preceito alqu&iacute;mico: buscar no mais impuro o que vai se tornar o mais puro. Arthur Danto relata n&atilde;o perceber na pintura <i>Naja naja</i> rela&ccedil;&atilde;o entre a forma qu&iacute;mica do veneno e o trabalho de Damien Hirst, como acha que o artista n&atilde;o tinha a consci&ecirc;ncia do que &eacute; esse medicamento. Mas o filosofo considera de forma an&aacute;loga que, nas palavras do autor, &#34;&#91;&#8230;&#93; a id&eacute;ia da pintura ser uma forma de farmacologia faz dela a possibilidade literal do artista ser um farmac&ecirc;utico&#34; (Danto, 2000, p38). Do ponto de vista alqu&iacute;mico, onde a cura &eacute; um restabelecimento de uma condi&ccedil;&atilde;o anterior &agrave; deteriora&ccedil;&atilde;o natural, a beleza pode ser considerada fator reconstituinte. Segundo Danto, &#34;Existe &#91;&#8230;&#93; uma verdade que vale a pena considerar, que &eacute; que ambos os trabalhos s&atilde;o extremamente belos, e enquanto eu n&atilde;o sei como conectar a beleza com (o que suponho ser) o aborto, me parece que uma possibilidade &eacute; que a beleza cura&#34; (Danto, 2000, p38.). N&atilde;o se trata aqui de averiguar a verdade, e sim de constatar a verossimilhan&ccedil;a, uma semelhan&ccedil;a capaz de gerar outras poss&iacute;veis narrativas que englobem a alquimia e a arte como mat&eacute;ria de transforma&ccedil;&atilde;o.      </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>3. Conhecimento e intui&ccedil;&atilde;o</b>       </p>           <p>       Segundo Edgard Morin (2007), hoje a ci&ecirc;ncia deveria reatar com a filosofia e ter a reflex&atilde;o sobre o conhecimento adquirido, consistindo este fato em uma impossibilidade para o autor, por ser o m&eacute;todo cientifico baseado na disjun&ccedil;&atilde;o de sujeito e objeto. Tudo o que se diz sobre um objeto parte do sujeito, e que, portanto, n&atilde;o haveria outra forma de abordagem do objeto que n&atilde;o a subjetiva.       </p>           <p>       A passagem da alquimia para a qu&iacute;mica moderna se d&aacute; quando as preocupa&ccedil;&otilde;es humanas deixam de ser <i>entender o que &eacute; o mundo</i> para tornar-se <i>como ele funciona</i>. O pensamento racionalista dos s&eacute;culos XVI e XVII caracteriza a revolu&ccedil;&atilde;o industrial e a passagem do pensamento hol&iacute;stico e sist&ecirc;mico para o mecanicismo especialista. Pode-se dizer que a <i>manipula&ccedil;&atilde;o</i> &eacute; uma das formas na qual mais se manifesta essa mudan&ccedil;a epistemol&oacute;gica. Ao contr&aacute;rio do sentido de manipula&ccedil;&atilde;o alqu&iacute;mica, onde a mat&eacute;ria &eacute; a natureza e o homem, na ci&ecirc;ncia moderna a mat&eacute;ria a ser manipulada &eacute; o <i>m&eacute;todo</i> que atrav&eacute;s da t&eacute;cnica quer manipular a natureza. O m&eacute;todo experimental caracter&iacute;stico da ci&ecirc;ncia moderna &eacute;, nas palavras de Edgar Morin, &#34;um m&eacute;todo de manipula&ccedil;&atilde;o que necessita cada vez mais de t&eacute;cnicas, que permitem cada vez mais manipula&ccedil;&otilde;es&#34; (Morin, 2007, p.19).       </p>           <p>       A alquimia &eacute; um conhecimento onde sujeito e objeto est&atilde;o fundidos. A arte pode tamb&eacute;m ser entendida como uma jun&ccedil;&atilde;o de sujeito e objeto quando a transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria (org&acirc;nica e/ou pensamento) em obra de arte reflete tamb&eacute;m a transforma&ccedil;&atilde;o do artista atrav&eacute;s do processo de produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. A obra de arte reflete o conhecimento acessado pelo artista ao produzi-la.       </p>           ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       No processo de conhecimento das artes e da alquimia, as met&aacute;foras e as analogias s&atilde;o amplamente usadas englobando saberes de outras &aacute;reas. Atrav&eacute;s de analogias, procedimento de transportar rela&ccedil;&otilde;es de um campo do conhecimento para outro, podemos pensar o ato de refletir como m&eacute;todo art&iacute;stico e alqu&iacute;mico. Esses campos de conhecimento diferentes s&atilde;o regidos pelos mesmos preceitos hol&iacute;sticos de integra&ccedil;&atilde;o do homem ao cosmos e por isso guardariam as mesmas rela&ccedil;&otilde;es. Nesse sentido, pode ser que a arte e alquimia sejam parte da inova&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.      </p>           <p>&nbsp;</p>           <p>      <b>Conclus&atilde;o</b>       </p>           <p>       Tanto a pr&aacute;tica art&iacute;stica quanto a pr&aacute;tica alqu&iacute;mica est&atilde;o em acordo com o novo paradigma da ci&ecirc;ncia por ser uma das suas caracter&iacute;sticas fundamentais a jun&ccedil;&atilde;o do sujeito com o objeto. Nesta fus&atilde;o sujeito-objeto, o corpo surge como o espa&ccedil;o onde o conhecimento se d&aacute;, por onde passar&atilde;o os impulsos instintivos e intuitivos da criatividade; segundo Berger: &#34;O saber n&atilde;o &eacute; mais suficiente como tal, ele &eacute; acompanhado de uma intui&ccedil;&atilde;o &#39;org&acirc;nica&#39; &#34; (Berger, 2003: 43). O corpo como organismo &eacute; mat&eacute;ria de transforma&ccedil;&atilde;o na arte e na alquimia, afetado pelo conhecimento refletido na obra.       </p>           <p>       Atrav&eacute;s de um dos fundamentos da alquimia no qual o microcosmos do universo humano est&aacute; refletido no macrocosmos do universo, e com a considera&ccedil;&atilde;o de que a natureza &eacute; determinante dos seus processos mais fundamentais, percebemos como as transforma&ccedil;&otilde;es humanas se d&atilde;o a partir da pr&oacute;pria natureza. Aqui propomos uma alternativa de uma no&ccedil;&atilde;o de natureza na qual se imprime a rela&ccedil;&atilde;o do corpo humano com a vida. </p>     <p> A diferen&ccedil;a entre a alquimia e a qu&iacute;mica que faz Fernando Pessoa (1986) &eacute; an&aacute;loga &agrave; diferencia&ccedil;&atilde;o entre um objeto de arte e o objeto comum que faz Arthur Danto; tendo em vista que s&atilde;o id&ecirc;nticos, apenas a inten&ccedil;&atilde;o poderia separ&aacute;-los. Seria a inten&ccedil;&atilde;o a diferencia&ccedil;&atilde;o de todas as coisas? Possivelmente a arte e a alquimia pretendem ter grandes narrativas sobre o tema.      </p>      <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b>  </p>     <!-- ref --><p> Berger, Ren&eacute; (2003) Tornar-se os primitivos do futuro? In: Domingues, Diana (org.), <i>Arte e vida no s&eacute;culo XXl: tecnologia, ci&ecirc;ncia e criatividade</i>. S&atilde;o Paulo: UNESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1445145&pid=S1647-6158201200010006100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Borer, Alain (2001) <i>Joseph Beuys</i>. S&atilde;o Paulo: Cosac & Naify Edi&ccedil;&otilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1445147&pid=S1647-6158201200010006100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p> Carvalho, J. J. (1995) <i>Mutus Liber. O Livro Mudo da Alquimia</i>. S&atilde;o Paulo: Attar Editorial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1445149&pid=S1647-6158201200010006100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Danto, Arthur C. (2000) <i>Death in the Gallery</i>. Nation. New York: November 20.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1445151&pid=S1647-6158201200010006100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Gir&atilde;o, Jo&atilde;o A. A. (2001) Anatomia de um desenho, <i>Revista Margem</i>. Guimar&atilde;es: Ed. Escola Superior Art&iacute;stica do Porto &#8211; Extens&atilde;o Guimar&atilde;es.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1445153&pid=S1647-6158201200010006100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Hirst, Damien (2005) <i>I want to spend the rest of my life everywhere, with everyone, one to one, always, forever, now</i>. Londres: Ed. Other criteria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1445155&pid=S1647-6158201200010006100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Morin, Edgard (2007) <i>Ci&ecirc;ncia com consci&ecirc;ncia. </i> Rio de Janeiro: Ed. Bertrand Brasil LTDA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1445157&pid=S1647-6158201200010006100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p> Paracelso (1973) <i>A chave da alquimia</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. Tr&ecirc;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1445159&pid=S1647-6158201200010006100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p> Pessoa, Fernando (1986) <i>A procura da verdade oculta</i>. Lisboa: Ed. Europa Am&eacute;rica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1445161&pid=S1647-6158201200010006100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido em 20 de janeiro e aprovado em 8 de fevereiro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p><a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:jualvarengaf@gmail.com">jualvarengaf@gmail.com</a>  (Juliana Alvarenga).</p>      ]]></body><back>
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