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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Ulises Carrión contributed for the consolidation of the field of artist's books as a an artistic genre in the seventies. He explores new possibilities which enlarge and expand the codex, the book is not approached exclusively in a literary perspective. His production expanded the material meaning of the book/ the materiality proper to books. The text (meaning) of the book approaches/reaches a plastic dimension, of estesic order.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>M&Atilde;OS</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>HANDS</b>    <br> </p>       <p><b>A materialidade nos livros de artista de Ulises Carri&oacute;n</b></p> <b>Materiality on the books of Ulises Carri&oacute;n</b> </p>    <p>&nbsp;</p>      <p><b>Vicente Mart&iacute;nez Barrios&#42;</b></p>      <p>&#42;Brasil, artista pl&aacute;stico. Docente no Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Arte da Universidade de  Bras&iacute;lia (Brasil), linha de pesquisa Po&eacute;ticas Contempor&acirc;neas. Atualmente &eacute; pesquisador convidado na  SciencesPo. / Centre Nationale de Recherche Scientifique &#8211; CNRS (Paris, Fran&ccedil;a), em p&oacute;s-doutorado (apoio CAPES, Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o do Brasil). Doutor em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (Brasil), Master in Fine Arts pelo Pratt Institute (New York, USA) e Licenciado em Artes Pl&aacute;sticas pela Universidade de Bras&iacute;lia (Brasil).</p> </p>    <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>        <p><b>RESUMO:</b>    <br>Ulises Carri&oacute;n contribuiu para a consolida&ccedil;&atilde;o do livro de artista como um g&ecirc;nero de produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica na d&eacute;cada de 1970. A partir de explora&ccedil;&otilde;es que ampliam as possibilidades do codex, o livro deixa de ser compreendido em uma perspectiva exclusivamente liter&aacute;ria e lingu&iacute;stica. Sua produ&ccedil;&atilde;o expande o sentido da materialidade pr&oacute;pria do livro. O texto-tecido do livro passa a ser colocado numa dimens&atilde;o de ordem pl&aacute;stica, da estesia.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Livro de artista, materialidade, Ulises Carri&oacute;n.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>ABSTRACT:</b>    <br>Ulises Carri&oacute;n contributed for the consolidation of the field of artist's books as a an artistic genre in the seventies. He explores new possibilities which enlarge and expand the codex, the book is not approached exclusively in a literary perspective. His production expanded the material meaning  of the book/ the materiality proper to books. The text (meaning) of the book approaches/reaches a plastic dimension, of estesic order.</p>      <p><b>Keywords:</b> Artists&#39; books, materiality, Ulises Carri&oacute;n.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Ulises Carri&oacute;n, artista mexicano residente em Amsterdam, Holanda, fundou a livraria <i>Others Books and So</i> em 1975, sendo esta considerada a primeira livraria a trabalhar com venda e divulga&ccedil;&atilde;o de livros de artista. Contribuiu para a consolida&ccedil;&atilde;o do livro de artista como g&ecirc;nero de produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica na d&eacute;cada de 1970, como tamb&eacute;m para a expans&atilde;o do circuito alternativo para as artes nesta mesma d&eacute;cada. Em <i>El nuevo arte de hacer libro</i> Carri&oacute;n define o livro como uma &ldquo;sequ&ecirc;ncia coerente de p&aacute;ginas&rdquo; e &ldquo;uma sequ&ecirc;ncia espa&ccedil;o-temporal&rdquo;. Entre os livros publicados por esse artista, analisamos <i>Tell Me What Sort of Wall Paper Your Room Has and I Will Tell You Who You Are e Mirror Box.</i> Em cada um desses livros, analisamos como o conjunto de qualidades pl&aacute;sticas confere unidade ao livro, definido por Carri&oacute;n como &ldquo;uma estrutura&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>1. A vis&atilde;o de Carri&oacute;n sobre o livro</b></p>     <p>Carri&oacute;n tinha prefer&ecirc;ncia por livros de artista que pare&ccedil;am simplesmente livros, despretensiosos, e que fossem de baixo custo. Preferia livros que, como ele mesmo afirmava, n&atilde;o parecessem <i>arty</i>, ou seja, estetizados demais ou, poder&iacute;amos dizer tendo em vista as posi&ccedil;&otilde;es de Carri&oacute;n, &ldquo;bonitinhos&rdquo;. O artista estava interessado em livros &ldquo;que claramente fa&ccedil;am refer&ecirc;ncia a livros comuns&rdquo; (Carri&oacute;n, 2008: 178). A diferen&ccedil;a entre um livro de artista e um livro considerado ordin&aacute;rio estaria nas suas concep&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Embora tivesse dedicado sua trajet&oacute;ria art&iacute;stica a este g&ecirc;nero, Carri&oacute;n n&atilde;o gostava do termo livro de artista (<i>artist&#39;s book</i>) e tinha prefer&ecirc;ncia pelo termo <i>bookwork</i>, por considerar que o termo livro de artista pressup&otilde;e uma associa&ccedil;&atilde;o exclusivamente &agrave; atividade no campo das artes visuais.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>2.<i>Tell me What Sort of Wall paper Your Room Has and I Will Tell You Who You Are</b></i></p> Iniciamos nossa an&aacute;lise com o livro <i>Tell Me What Sort of Wall Paper Your Room Has and I Will Tell You Who You Are</i>, realizado em 1973. Possui capa neutra, em preto fosco, sendo esta cor uniforme e sem qualquer texto ou imagem impressos. Ao abrir o livro, encontramos em seu interior uma diversidade de pap&eacute;is. S&atilde;o vinte p&aacute;ginas em diferentes pap&eacute;is de parede em cores e padr&otilde;es diversificados, sem numera&ccedil;&atilde;o.  Sobre cada p&aacute;gina h&aacute; uma impress&atilde;o em mime&oacute;grafo, em tinta preta e tipografia discreta. Em cada uma das p&aacute;ginas h&aacute; uma pequena legenda identificando e associando cada um dos padr&otilde;es de papel de parede ao respectivo ocupante do quarto onde o papel estaria colocado. Em cada legenda, o texto marca a rela&ccedil;&atilde;o de um sujeito, fict&iacute;cio ou n&atilde;o, e de membros de sua fam&iacute;lia com os quartos aos quais os pap&eacute;is pertencem: <i>my room, parent's room, my sister room, uncle's room, my wife's room</i>. Em seguida, apresenta uma sequ&ecirc;ncia de locais com os quais o mesmo sujeito tem algum tipo de rela&ccedil;&atilde;o profissional: <i>teacher's room, Doctor's room, my account's room, my lawyer's room, my Psychiatrist's room, my boss room</i>. E, ap&oacute;s essa, apresenta uma sequ&ecirc;ncia de quartos de outras pessoas com as quais mant&eacute;m algum tipo de rela&ccedil;&atilde;o pessoal: <i>my lover's room, neighbour's room, servant's room, guest room, their room, your room, a room</i>. Na &uacute;ltima p&aacute;gina, deixa em aberto as possibilidades de pertencimento:  <i>&#8230;'s room</i>. O verso de cada p&aacute;gina preserva e revela as qualidades do verso do papel de parede.</p>     <p>Esse livro de Carri&oacute;n nos proporciona um modo diferente de ler ao integrar numa mesma p&aacute;gina o papel de parede que consideramos fundo, ou suporte, e a tipografia impressa. Neste livro n&atilde;o existe uma rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica entre figura e fundo, entre a tipografia e a p&aacute;gina em branco do livro tradicional. O suporte-p&aacute;gina de papel de parede se torna significante ativo e n&atilde;o mais funciona como um elemento passivo que recebe e sobre o qual &eacute; realizada a impress&atilde;o tipogr&aacute;fica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A constru&ccedil;&atilde;o de sentido do livro, n&atilde;o se da exclusivamente pelo texto impresso, mas sim a partir da intera&ccedil;&atilde;o, da inter-rela&ccedil;&atilde;o e do entrela&ccedil;amento entre a palavra impressa e os elementos visuais e t&aacute;cteis que nos s&atilde;o apresentados e que comp&otilde;em o livro como um todo. Somos conduzidos pelos diversos ambientes &#150; quartos &#150; atravessando cores, formas, texturas e  padr&otilde;es de diferentes pap&eacute;is de parede que revelam os humores, os estados pat&ecirc;micos, bem como o car&aacute;ter de cada um dos seus ocupantes. Na passagem de uma p&aacute;gina para a seguinte, somos conduzidos a sentir os diferentes humores dos ambientes por meio da percep&ccedil;&atilde;o de cores e texturas, pela sequ&ecirc;ncia de elementos escolhidos e apresentados e pela maneira como estes diferentes elementos s&atilde;o colocados em rela&ccedil;&atilde;o no interior do livro. O car&aacute;ter, a personalidade e o humor de cada individuo, bem como seu perfil, nos s&atilde;o tra&ccedil;ados a partir das escolhas realizadas pelo autor. Os contrastes que se estabelecem na sequ&ecirc;ncia das p&aacute;ginas e os padr&otilde;es selecionados, assim como suas cores e texturas, nos ajudam a construir a personalidade de cada um dos ocupantes dos quartos. Conduzem-nos tamb&eacute;m a imaginar suas prefer&ecirc;ncias, seus gostos, seus costumes, sua rotina, seus h&aacute;bitos etc. Alguns s&atilde;o mais delicados, retra&iacute;dos, sonhadores. Outros s&atilde;o joviais e espirituosos. Outros possuem personalidade forte, s&atilde;o possessivos, impetuosos, sangu&iacute;neos. Outros s&atilde;o brumosos, misteriosos. Outros s&atilde;o ing&ecirc;nuos, inocentes, sem mal&iacute;cia.</p>      <p>N&atilde;o podemos deixar de enfatizar a rela&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre esse trabalho e as colagens cubistas, em que eram incorporados pap&eacute;is de parede e fragmentos de jornais ao interior da tela, estabelecendo uma nova rela&ccedil;&atilde;o entre pintura e mundo por meio do uso de elementos da realidade cotidiana, do dia a dia, que migram e passam a ser inseridos no contexto pict&oacute;rico retangular do quadro. N&atilde;o &eacute; casual que Carri&oacute;n aborde no seu texto <i>Bookworks revisited</i> (2008: 157) a diferen&ccedil;a entre a leitura de uma pintura pr&eacute;-cubista, que prev&ecirc; um ponto de vista &uacute;nico e uma linearidade, e a de uma pintura cubista que imp&otilde;e a fragmenta&ccedil;&atilde;o e a simultaneidade do olhar. Por outro lado, retoma tamb&eacute;m procedimentos utilizados por artistas da vanguardas russas do inicio do s&eacute;culo vinte como Vaselii Kamenski, que faz uso tamb&eacute;m de peda&ccedil;os de diferentes tecidos como suporte e p&aacute;gina na confec&ccedil;&atilde;o de livros.</p>     <p>Carri&oacute;n transforma a p&aacute;gina em muro, em parede. Ao retirar o papel de parede do lugar para o qual &eacute; destinado e inser&iacute;-lo no contexto do livro, a p&aacute;gina figurativiza o muro do quarto de cada uma das personalidades retratadas.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>3. <i>Mirror Box</i></b></p>     <p>O segundo livro &eacute; <i>Mirror Box</i>, de 1979. Este livro &eacute; composto de dois volumes confeccionados em material male&aacute;vel: feltro artificial. Cada um dos volumes possui doze p&aacute;ginas, n&atilde;o numeradas como no livro anteriormente analisado, e apresenta diferen&ccedil;as de qualidade. O aspecto geral do livro &eacute; artesanal, de p&aacute;ginas cortadas de forma ligeiramente irregular e encaderna&ccedil;&atilde;o feita com um grampo met&aacute;lico na lateral que se sobrep&otilde;e &agrave; fita preta que recobre a lombada. O primeiro volume, que recebe o t&iacute;tulo <i>Mirror Box</i>, tem as p&aacute;ginas brancas mais amareladas que as do segundo, de material mais branco.  As p&aacute;ginas do primeiro volume de feltro s&atilde;o tamb&eacute;m mais duras que as do segundo, confeccionadas de um feltro mais mole.</p>      <p>Sobre o feltro, em cada p&aacute;gina, o livro apresenta duas figuras impressas manualmente com carimbo que podemos reconhecer como as de dois boxeadores. Cada uma das figuras &eacute; de uma cor diferente, uma &eacute; azul e a outra &eacute; vermelha. As duas figuras est&atilde;o colocadas em posi&ccedil;&atilde;o de confronto e se repetem com ligeiras varia&ccedil;&otilde;es ao longo de todas as p&aacute;ginas, mais ou menos centralizadas.</p>     <p>A leitura do livro se inicia pelo primeiro volume, de p&aacute;ginas de feltro mais r&iacute;gido. Ao toc&aacute;-lo, percebe-se que este n&atilde;o apresenta a mesma rigidez em todas as p&aacute;ginas. Essas apresentam qualidades de rigidez diferenciadas que provocam e estimulam o tato. Atinge-se um cl&iacute;max no meio do livro quando as p&aacute;ginas apresentam uma rigidez maior e, em seguida, a percebe-se que as p&aacute;ginas finais possuem qualidades semelhantes &agrave;s das iniciais.</p>      <p>Ao passar para o segundo livro, elaborado com feltro mais branco e macio, nosso tato &eacute; novamente estimulado pelo contraste com a rigidez-macia do volume anterior. A qualidade de maciez &eacute; explorada com intensidade crescente. A impress&atilde;o realizada com carimbo sobre o feltro produz resultados diferenciados. &agrave;s vezes se obt&eacute;m como resultado uma figura de contorno irregular, manchada, e produz-se uma qualidade aquarelada. Outras vezes produz-se um contorno mais definido e preciso.</p>     <p>As superf&iacute;cies das p&aacute;ginas de feltro s&atilde;o parcialmente transparentes, de tal modo que percebe-se em seu manuseio uma mudan&ccedil;a de cor em decorr&ecirc;ncia da dobra ou da press&atilde;o que &eacute; exercida sobre ela, produzindo varia&ccedil;&otilde;es na luz que incide sobre a superf&iacute;cie. Nessa manipula&ccedil;&atilde;o obt&eacute;m-se uma diversidade de tonalidades de branco.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cria-se no livro um contraste, uma oposi&ccedil;&atilde;o, entre a suavidade e a delicadeza do material das p&aacute;ginas e as imagens impressas. A leitura t&aacute;ctil que a m&atilde;o nos oferece ao entrar em contato com o feltro e reconhecer sua suavidade contrasta com a imagem impressa de dois boxeadores em confronto. A oposi&ccedil;&atilde;o se d&aacute; tamb&eacute;m em termos crom&aacute;ticos: uma das figuras &eacute; azul e a outra vermelha. O feltro &eacute; material d&oacute;cil ao tato, macio, e obediente, e serve para amortizar golpes. &eacute; tamb&eacute;m utilizado na absor&ccedil;&atilde;o de l&iacute;quidos, sendo esta qualidade revelada pelo modo no qual a imagem impressa com carimbo adquire uma apar&ecirc;ncia aquarelada, que contribui para a representa&ccedil;&atilde;o de um confronto f&iacute;sico entre corpos e da a&ccedil;&atilde;o associada &agrave; transpira&ccedil;&atilde;o produzida pelo esfor&ccedil;o da luta. A imagem &eacute; de firmeza e permanente estado de tens&atilde;o. Cada um dos corpos encontra-se em alerta para enfrentar os golpes do advers&aacute;rio. Este enfrentamento &eacute; apaziguado pelo feltro, que neutraliza os contr&aacute;rios ao integr&aacute;-los a um plano maior, o da delicadeza e da suavidade do tato, possuidor de virtudes para dirimir conflitos.</p>     <p>A materialidade do feltro que possui maciez, suavidade e delicadeza, &eacute; met&aacute;fora para o apaziguamento de lit&iacute;gios e conflitos. N&atilde;o &eacute; casual que este livro tenha sido editado por Carri&oacute;n na d&eacute;cada de 1970, per&iacute;odo ainda da Guerra Fria, em um mundo polarizado.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Nesses livros poder&iacute;amos falar de uma leitura do manuseio e n&atilde;o mais de uma leitura alfab&eacute;tica, como diz o artista brasileiro Wladimir Dias Pino (Silveira, 2001: 272). Nessa maneira de ler, a intera&ccedil;&atilde;o entre a m&atilde;o do leitor e o material do livro, bem como cheiro, texturas (visuais ou mat&eacute;ricas) e cores organizam o sentido do texto. O contato com a materialidade especifica e diferenciada de cada p&aacute;gina organiza e constr&oacute;i o sentido de leitura do livro. A materialidade do suporte-p&aacute;gina escolhido e as caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas do livro tornam-se geradoras de sentido.</p>     <p>A p&aacute;gina deixa de ser suporte e fundo para a a&ccedil;&atilde;o narrativa constru&iacute;da por meio da visualidade tipogr&aacute;fica das letras sobre a p&aacute;gina. A p&aacute;gina-suporte passa a desempenhar um papel ativo na constru&ccedil;&atilde;o do livro. Imagem, mat&eacute;ria, cor e tipografia se sobrep&otilde;em, entrela&ccedil;am-se, colidem e se complementam.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Carri&oacute;n, Ulises (2008) <i>Quant  aux livres/ On Book. Geneve</i>: &eacute;ditions H&eacute;ros-Limite. ISBN 978-2-970030-01-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1420706&pid=S1647-6158201200020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carri&oacute;n, Ulises (1992) <i>We have won! Haven't we?</i> Amsterdam: Museum Fodor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1420707&pid=S1647-6158201200020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Drucker, Johanna (1995) <i>The Century of Artists&#39; Books</i>. New York: Granary Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1420709&pid=S1647-6158201200020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lyons, Joan, ed.(1985) <i>Artists&#39; Books: A critical Anthology and Sourcebook</i>. Rochester, N.Y.: Visual Studies workshop Press.  ISBN 0-89822-041-6/0-87905-207-4(Peregrine Smith)/0-87905-280-5(pbk.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1420711&pid=S1647-6158201200020000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->)     <!-- ref --><p>Moeglin-Delcroix, Anne (1997) <i>Esthetique du livre d&#39; artiste 1960/1980</i>. Paris: Jean Michel Place and Biblioth&eacute;que Nationale de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1420713&pid=S1647-6158201200020000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Silveira, Paulo (2001) <i>A pagina violada: Da ternura &agrave; inj&uacute;ria na constru&ccedil;&atilde;o do livro de artista.</i> Porto Alegre: Editora da Universidade Federal de Rio Grande do Sul.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1420715&pid=S1647-6158201200020000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Artigo completo recebido a 8 de setembro e aprovado a 23 de setembro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>    <p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:vmartinezbarrios@gmail.com"> vmartinezbarrios@gmail.com </a> (Vicente Mart&iacute;nez Barrios). </p>           ]]></body><back>
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