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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article has the purpose of presenting three artists’ books that were generated from woodcut and intaglio. What characterizes them is the peculiar - when it comes to engraving - utilization of parts of patterns taken from ancient matrices, apparently abstract, but which are connected in the memory and the relation of the artist, Sandra Correia Favero, to the sea.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>M&Atilde;OS</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>HANDS</b>    <br> </p>        <p><b>Acaso as Avessas</b> </p>    <p><b>Inside out Chance</b>     <p>&nbsp;</p>  </p>    <p><b>Juliana Cristina Pereira&#42;</b></p>      <p>&#42;Brasil, artista visual. Professora na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Bacharel em Artes Pl&aacute;sticas, UDESC, Licenciada em Artes Visuais, UDESC, Mestre em Artes Visuais na linha de Processos Art&iacute;sticos Contempor&acirc;neos, UDESC, doutoranda em Educa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>RESUMO:</b>    <br>Este artigo tem por objetivo apresentar tr&ecirc;s livros de artista que foram gerados a partir de estampas de xilogravuras e gravuras em metal. O que os caracteriza &eacute; a peculiar &#8211; em se tratando de gravura &#8211; utiliza&ccedil;&atilde;o de partes de estampas tiradas de matrizes antigas, aparentemente abstratas, mas que encontram-se conectadas atrav&eacute;s da mem&oacute;ria e da rela&ccedil;&atilde;o da artista Sandra Correia Favero com o mar.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> livro de artista, mem&oacute;ria, gravura em metal, xilogravura.</p>     <p>&nbsp;</p>         <p><b>ABSTRACT:</b>    <br>This article has the purpose of presenting three artists&rsquo; books that were generated from woodcut and intaglio. What characterizes them is the peculiar &ndash; when it comes to engraving &ndash; utilization of parts of patterns taken from ancient matrices, apparently abstract, but which are connected in the memory and the relation of the artist, Sandra Correia Favero, to the sea.  </p>    <p><b>Keywords:</b> artists&rsquo;book, memory, intaglio, woodcut.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>    <p>Sandra Correia Favero nasceu em 1957, em Curitiba, capital do estado de Paran&aacute;, no Brasil. Formou-se em Bacharelado em Pintura na Escola de M&uacute;sica e Belas Artes do Paran&aacute;. Atualmente &eacute; Doutoranda em Po&eacute;ticas Visuais no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes da Universidade de S&atilde;o Paulo. &eacute; professora efetiva da cadeira de Gravura da Universidade do Estado de Santa Catarina. </p>     <p>Os livros de artista aparecem na produ&ccedil;&atilde;o de Sandra Correia Favero desde 2002, desdobram-se em proposi&ccedil;&otilde;es num cont&iacute;nuo que se estabelece cada vez mais na sua produ&ccedil;&atilde;o, como deposit&aacute;rio de mem&oacute;rias, com registro de a&ccedil;&otilde;es, como espa&ccedil;o para um &lsquo;olhar de outra forma&rsquo;&#91;Silveira, 2001: 72&#93;, um mergulhar.  Paulo Silveira &eacute; o primeiro e grande pesquisador brasileiro a pesquisar livro de artista, escreve:</p>       <p>    <blockquote><i>Cada vez que viramos uma p&aacute;gina, temos um lapso e o in&iacute;cio de uma nova onda impressiva. Essa nova impress&atilde;o (e intelec&ccedil;&atilde;o) conta com a mem&oacute;ria das impress&otilde;es passadas e com a expectativa das impress&otilde;es futuras </i>(Silveira, 2001: 72).</blockquote></p>      <p>&Eacute; neste movimento, de um retorno ao passado em prospec&ccedil;&atilde;o ao futuro, que os livros de artista de Sandra Correia Favero se apresentam. As imagens de suas gravuras feitas em tempos passados retornam e se atualizam, trazendo novas camadas atrav&eacute;s de reimpress&otilde;es das estampas que ganham por meio do livro de artista: movimentos, transpar&ecirc;ncias, novas sensa&ccedil;&otilde;es; tanto para a artista, quanto para o espectador que tem a possibilidade de tocar e mergulhar em seus livros.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>1.	Livros como deposit&aacute;rios de mem&oacute;ria</b></p>     <p>Livros como deposit&aacute;rios de mem&oacute;ria. O primeiro, <i>Sem t&iacute;tulo</i> e o segundo intitulado <i>Tempestade</i>, (<a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>)confeccionados com voal de algod&atilde;o estampados por matrizes de xilogravuras, costurados &agrave; m&atilde;o, valorizando o toque, acentuando o lado artesanal t&atilde;o pr&eacute;-conceituado e esquecido na arte contempor&acirc;nea, por&eacute;m, aqui, o artesanal caminha de m&atilde;os dadas com a contemporaneidade, mostrando que, dependendo do que se quer para a obra, &eacute; necess&aacute;rio explorar os materiais e sempre recorrer as t&eacute;cnicas.</p> 	      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a05f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>    <a name="f2"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a05f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>Transpar&ecirc;ncias que se desdobram e modificam a cada movimento a forma tradicional de livro, transformando-se em objeto escult&oacute;rico que pede a interfer&ecirc;ncia e participa&ccedil;&atilde;o do espectador. Um espa&ccedil;o aberto a caminhos com muitas possibilidades onde o tocar se faz necess&aacute;rio.</p>     <p>Segundo a pesquisadora brasileira M&aacute;rcia Sousa:</p>      <p>    <blockquote><i>Os livros de artista, portanto, t&ecirc;m de ser compreendidos a partir de seu interior revelado pelo tocar. Se num livro tradicional a propriedade t&aacute;til &eacute; inconteste, num livro de artista esse aspecto pode ser multiplicado e amplificado, por meio da escolha de materiais, da constitui&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica do livro, das decis&otilde;es envolvidas na feitura da obra, etc</i> (Sousa, 2011: 94).</blockquote></p>  	    <p>Dois meios fundamentais, a gravura em metal e a xilogravura foram utilizados para o mais recente livro, <i>Equil&iacute;brio</i> (2012) (<a href="#f3-4">Figura 3</a> e <a href="#f3-4">Figura 4</a>).     <p>&nbsp;</p> <a name="f3-4"><img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a05f3-4.jpg">     
<p>&nbsp;</p> 	</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Partindo da gravura em metal exatamente do avesso de matrizes j&aacute; gravadas, ao trabalhar &agrave; exaust&atilde;o, a artista teve como inten&ccedil;&atilde;o, extrair possibilidades oferecidas pelas corros&otilde;es geradas pelo acaso. Valendo-se de um di&aacute;logo cont&iacute;nuo entre seu pensamento, seu gesto, o metal/mat&eacute;ria e o mordente, apropria-se dos resultados imag&eacute;ticos que a a&ccedil;&atilde;o do &aacute;cido e do tempo provoca, como se cada matriz condensasse no seu verso um tempo/a&ccedil;&atilde;o/mem&oacute;ria incontrol&aacute;vel, por&eacute;m pass&iacute;vel de invas&atilde;o. Ao gerar imagens gravadas ao acaso, fica presente neste livro a imprecis&atilde;o que temos sobre a gravura, revelando nesta t&eacute;cnica toda sua magia, seu mist&eacute;rio, n&atilde;o apenas nos avessos das matr&iacute;zes como no pr&oacute;prio processo do gravar. Por mais que o gravador domine a t&eacute;cnica, a estampa sempre se torna uma surpresa.</p> 	    <p>Invas&atilde;o essa que faz com que as profundezas da mat&eacute;ria sejam motivo de busca, alcance e encontro com os movimentos internos e externos na sua condi&ccedil;&atilde;o de ser humano. Xilogravuras de grandes propor&ccedil;&otilde;es ganham novos enquadramentos em pequenos formatos, desdobradas nas p&aacute;ginas do livro, sobrepostas a outras estampas, ganham movimentos, ondas, mar&eacute;s&#8230; um ir e vir, sempre posto a um novo, a uma descoberta ao olhar atento.</p>     <p>Junto com as estampas antigas, a novas estampas geradas nos remetem ao mar, lugar em que a artista visita n&atilde;o apenas pela contempla&ccedil;&atilde;o do olhar da vista do quintal de sua casa como tamb&eacute;m em caminhadas semanais, nas quais retirando desse espa&ccedil;o objetos devolvidos pelas mar&eacute;s, muitas vezes, utiliza-se dessa mat&eacute;ria em seus trabalhos. Ao colecionar objetos do mar, impregnados com corais, conchas, etc, novamente o acaso torna-se fator importante para a constru&ccedil;&atilde;o do trabalho.</p>      <p>O mar e seu entorno, paisagem m&oacute;vel de transforma&ccedil;&atilde;o da natureza, movimentos que a instigam na busca por paisagens interiores na sua mem&oacute;ria e objetos afetivos. Como tamb&eacute;m, despertam seu olhar para o seu contexto di&aacute;rio, seu conv&iacute;vio com a paisagem marinha e observa&ccedil;&otilde;es do que se forma e do que se encontra nos limites entre a &aacute;gua e a borda litor&acirc;nea, deles extraindo impress&otilde;es, sejam da pr&oacute;pria natureza, ou, da rea&ccedil;&atilde;o dela para com as p&eacute;ssimas contribui&ccedil;&otilde;es diariamente depositadas pelos homens nesse espa&ccedil;o.</p>      <p>O papel ou o tecido &eacute; rompido com a estampa, ganhando dimens&atilde;o po&eacute;tica, espa&ccedil;os m&oacute;veis da mem&oacute;ria dos trabalhos e da experi&ecirc;ncia da artista como gravadora, cada estampa traz representa&ccedil;&otilde;es que podem servir como dispositivo para acionar diversas rela&ccedil;&otilde;es. O aparente abstrato das imagens, carrega em si a proximidade com o mar, com a natureza, com a vida; nestes livros de artista n&atilde;o h&aacute; s&oacute; a passagem do tempo, como tamb&eacute;m o retorno a ele e o sempre novo de nossas lembran&ccedil;as a partir das rela&ccedil;&otilde;es com o tempo de agora.</p>    <p>&nbsp;</p>      <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; evidenciar neste meta-artigo a produ&ccedil;&atilde;o de livros de artista a partir de um olhar singular de uma artista que se permite experimentar novos espa&ccedil;os para a gravura. Sandra Correia Favero extrai como pot&ecirc;ncia para novas investidas o livro como linguagem para seus trabalhos, rompendo ao tradicionalismo posto &agrave; gravura, gerando imagens que registram passagem de vida, contando com o pr&oacute;prio acaso que &eacute; nossas vidas, como na can&ccedil;&atilde;o do grupo portugu&ecirc;s Madredeus: &lsquo;&eacute; t&atilde;o bonita a onda que vem como a outra que vejo ao fundo, a espuma branca que cada tem &eacute; a vida de todo o mundo&rsquo;. Viver, sentir, expressar atrav&eacute;s da mat&eacute;ria, interagir, refletir. A sensibilidade que redefine constantemente as nossas percep&ccedil;&otilde;es e profundidades, que nos leva a penetrar em espa&ccedil;os e tempos, que exigem simplicidade na complexidade dos contextos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><b>Refer&ecirc;ncias</b>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1420783&pid=S1647-6158201200020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sousa, M&aacute;rcia Regina (2011) <i>O livro de artista como lugar t&aacute;til.</i> Florian&oacute;polis: Editora da UDESC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1420784&pid=S1647-6158201200020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>  Artigo completo recebido a 9 de setembro e aprovado a 23 de setembro de 2012.     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="ju_ceart@yahoo.com.br">ju_ceart@yahoo.com.br</a> (Juliana Pereira).</p>           ]]></body><back>
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