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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Da terra e do mar, para outro lugar: Da terra e do mar, eis o lugar: 8º53’39,3378’’ W - 37º10’59,678’’ N]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Paula Rito inherited a taste for the sketchbook from Lagoa Henriques. From the many dozens (hundreds?) of sketchbooks she keeps, we chose the ones that repeat the same kind of place, year after year. Each one of these sketchbooks shares a vision because the body learns and so does the vision. The cover may come later, seen from a distance, enveloped by the memory and the matter that also inhabit these sketchbooks.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>&Uacute;NICOS</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>UNIQUE</b>    <br> </p>       <p> <b>Da terra e do mar, para outro lugar. Da terra e do mar, eis o lugar: 8&ordm;53&rsquo;39,3378&rsquo;&rsquo; W &ndash; 37&ordm;10&rsquo;59,678&rsquo;&rsquo; N</b></p>      <p><b>From land and sea, towards some other place: From land and sea, the place is: 8&ordm;53&rsquo;39,3378&rsquo;&rsquo; W &ndash; 37&ordm;10&rsquo;59,678&rsquo;&rsquo; N</b></p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>Isabel Maria Ventura Tavares&#42;</b></p>      <p>&#42;Portugal, pintora. Professora, gradua&ccedil;&atilde;o, mestrado em Pintura, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>       <p> <b>RESUMO:</b>    <br>Do mestre Lagoa Henriques, Paula Rito herdou o gosto pelo di&aacute;rio gr&aacute;fico. Das muitas dezenas (centenas?) de cadernos que guarda, escolhemos os que repetem ano ap&oacute;s ano, um mesmo lugar. Cada um destes cadernos partilha um olhar porque o olhar aprende e o corpo aprende. A capa pode vir depois, olhada &agrave; dist&acirc;ncia, mas reveste-os ainda, de mem&oacute;ria e de mat&eacute;ria e habita-os tamb&eacute;m.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> di&aacute;rio gr&aacute;fico, desenho, pintura, work-in-progress.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>ABSTRACT:</b>    <br>Paula Rito inherited a taste for the sketchbook from Lagoa Henriques. From the many dozens (hundreds?) of sketchbooks she keeps, we chose the ones that repeat the same kind of place, year after year. Each one of these sketchbooks shares a vision because the body learns and so does the vision. The cover may come later, seen from a distance, enveloped by the memory and the matter that also inhabit these sketchbooks.</p>     <p> <b>Keywords:</b> sketchbook, drawing, painting, work-in-progress.</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>  Paula Rito &eacute; licenciada em Pintura e mestre em Teorias de Arte pela FBAUL e mant&eacute;m, paralelamente &agrave; doc&ecirc;ncia, uma atividade art&iacute;stica regular. O di&aacute;rio gr&aacute;fico que sempre a acompanha para onde quer que v&aacute;, faz jus ao pensamento de Apeles <i>&quot;nulla dies sine l&iacute;nea,&quot;</i> descrito por Pl&iacute;nio, o Velho, na <i>Hist&oacute;ria Natural</i>.</p>     <p>  Ser&aacute; da terra, ser&aacute; da gente? De ambos certamente e da autora implicitamente. Ritualizado e h&aacute;ptico, o olhar &eacute; presente e o gesto predisp&otilde;e-se <i>sur le motif</i>: s&atilde;o sobretudo paisagens, da terra e do mar, desenhadas num minuto breve porque est&aacute; sol e &eacute; a hora do calor ou numa hora prolongada porque se est&aacute; bem &agrave; sombra, em pleno ver&atilde;o. H&aacute; uma possibilidade para os cadernos, ap&oacute;s a descoberta do lugar, h&aacute; um quarto de s&eacute;culo atr&aacute;s, o de ganharem corpo, por partilharem o corpo do mundo.</p>      <p>Face a face, olhar sobre o olhar e recome&ccedil;ar a representar, reiterando a natureza da representa&ccedil;&atilde;o <i>d&rsquo;apr&egrave;s nature</i>. &Eacute; uma partida do desenho, para encontrar novas possibilidades para o desenho e para a pintura, um reconhecimento da representa&ccedil;&atilde;o como ritual propiciat&oacute;rio e matricial, partindo de anteriores modos de ver, para novos modos de fazer. Envolver-se e desviar-se pelo gesto treinado do exerc&iacute;cio permanente, quotidiano, investindo no desenho como territ&oacute;rio privilegiado, onde pode exercitar at&eacute; ao limite, todas as possibilidades de desdobramento do seu pensamento pl&aacute;stico. Os cadernos s&atilde;o j&aacute;, os princ&iacute;pios geradores da obra, um corpo duplo que se quer afirmar como ponto de vista aberto ao mundo (Heidegger, 1991: 38).</p>     <p> A precis&atilde;o diarista, dos cadernos deste lugar, n&atilde;o fixa o olhar nem o lugar mais rec&ocirc;ndito do desenho que &eacute; o seu &quot;n&atilde;o lugar&quot;. Feito na imediaticidade dos sentidos, continua a resistir &agrave; cor, em jogos de luz e sombra que acentuam o claro/escuro dos volumes, afirmando porventura que &eacute; uma esp&eacute;cie de afago dos sentidos entre o corpo que se v&ecirc; e o corpo que pode ser visto; um corpo que espera, que busca, que procura encontrar, j&aacute; n&atilde;o a descoberta do lugar, mas o lugar da descoberta.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>1. A superf&iacute;cie da terra &eacute; uma paisagem com a face sempre mutante</b></p>     <p> O que &eacute; descoberto &eacute; somente um <i>fundamento</i>, um meio para tornar infinita a representa&ccedil;&atilde;o entre o excesso e a defici&ecirc;ncia da diferen&ccedil;a ao id&ecirc;ntico, onde a representa&ccedil;&atilde;o infinita n&atilde;o afirma a diverg&ecirc;ncia nem o descentramento porque tem necessidade de um mundo convergente, de uma raz&atilde;o fundamento (Deleuze, 2000: 421). Na procura de uma identidade sempre assombrada e dominante, a autora questiona a paisagem e constr&oacute;i por envolvimento, os registos singulares, motivados, como oscila&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o a uma mat&eacute;ria sempre rebelde que torna poss&iacute;vel o desdobramento da representa&ccedil;&atilde;o e desvela a condi&ccedil;&atilde;o do sujeito pensante com o mesmo princ&iacute;pio de identidade, para com o conceito geral.</p>     <p>   A profunda fenda do <i>Eu</i> leva a autora a pensar a paisagem como modo, representando-a desigual e singular no momento, mas tornada id&ecirc;ntica e plural quando vista &agrave; dist&acirc;ncia. Como sujeito coimplicado, Paula Rito pensa a forma como desejo tang&iacute;vel de pensar-se e os cadernos do lugar adquirem um saber cumulativo da espera, de uma oportunidade para o encontro. O exerc&iacute;cio permanente do desenho torna-se uma absorvente descoberta, raz&otilde;es de sentido e de esperan&ccedil;a de um permanente <i>poder ser</i>; espera por natureza algo que transcenda a sua natureza, uma identidade sempre inacabada, em que o horizonte da satisfa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o permanece uma fronteira fixa, mas algo para onde se viaja e que se afasta proporcionalmente, na medida em que o sujeito dele se aproxima, mas ainda assim, n&atilde;o deixa de o perseguir (Borges, 2011: 52).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>   A sua pintura &eacute; feita a partir de cadernos de desenho, di&aacute;rios gr&aacute;ficos, cadernos de viagem, territ&oacute;rios m&iacute;nimos que funcionam como localiza&ccedil;&otilde;es. &Eacute; aqui, na terra t&atilde;o perto do denominado &quot;O fim do mundo&quot; que ano ap&oacute;s ano, o regresso &agrave; pequena aldeia implantada num conjunto de cerros e envolta pelo cord&atilde;o dunar lhe proporciona ir caminhando e desenhando, desde a aldeia at&eacute; ao Pontal ou mais al&eacute;m, na orla das arribas, onde se distinguem os xistos predominantes e se avistam os cumes dos cerros ou os matagais e a mancha do pinhal velho que sempre a si chama, como chamados s&atilde;o os trilhos dos aromas e das mar&eacute;s ou o gosto por uma terra com sabor a mar (<a href="#f1">Figura 1</a>, <a href="#f2">Figura 2</a>, <a href="#f3">Figura 3</a>, <a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>          <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a12f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a12f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a12f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a12f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p> Distintos e aproximados os muitos cadernos guardados, encerram lugares de um mesmo lugar, imagem de origem e camadas de um sujeito nunca satisfeito, a sua predisposi&ccedil;&atilde;o e temporalidade, o seu corpo que insiste em n&atilde;o lhe ser conforme, por excesso face ao mundo, na medida em que ao olhar-nos nos obriga a olhar verdadeiramente para o seu fundo, n&atilde;o para o rever, mas para o constituir (Didi-Huberman, 2011: 144).</p>     <p>  Confidente, o di&aacute;rio gr&aacute;fico &eacute; uma pr&aacute;tica acad&eacute;mica, um campo de experimenta&ccedil;&atilde;o, observa&ccedil;&atilde;o e verifica&ccedil;&atilde;o do olhar que nunca &eacute; neutro nem passivo (Merleau-Ponty, 2009: 56). Olhar para o fundo, para o <i>lugar</i> daquilo que nos olha e destacar a figura da superf&iacute;cie que a suporta e nos suporta &eacute; como se a nossa figura se identificasse com a imagem que reciprocamente nos &eacute; c&uacute;mplice e nos implica em exerc&iacute;cios de autorrepresenta&ccedil;&atilde;o, autobiografia e autorreferencialidade (<a href="#f5-6">Figuras 5, Figura 6</a>).</p>      <p>&nbsp;</p> <a name="f5-6"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a12f5-6.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Uma vez fixado o momento, come&ccedil;a a err&acirc;ncia da representa&ccedil;&atilde;o, da proje&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio corpo no corpo do mundo (Merleau-Ponty, 2011: 48). A vis&atilde;o colide sempre com a experimenta&ccedil;&atilde;o t&aacute;ctil. O di&aacute;rio gr&aacute;fico &eacute; j&aacute; um suporte antes do suporte pict&oacute;rico, uma presen&ccedil;a constante do processo art&iacute;stico que surge como emerg&ecirc;ncia da proje&ccedil;&atilde;o do desenho que antecede a obra.</p>    <p>  Normalmente, Paula Rito usa a analogia do trabalho como se fosse um territ&oacute;rio ou mapa. N&atilde;o encontramos uma sucess&atilde;o de momentos que v&atilde;o evoluindo em fun&ccedil;&atilde;o uns dos outros, mas uma possibilidade de criar um terreno, onde se pode explorar determinadas mat&eacute;rias, num alargamento e aprofundamento do territ&oacute;rio sempre recuper&aacute;vel. O trabalho da autora n&atilde;o funciona por etapas, mas sim por s&eacute;ries. No seu percurso art&iacute;stico, tem voltado aos mesmos temas vezes sem conta, &eacute; como voltar ao passado, mas j&aacute; com hist&oacute;ria do futuro. H&aacute; a constitui&ccedil;&atilde;o de um mapa de interesses, de uma aprendizagem visual e corporal porque na pintura e no desenho, o olhar aprende e o corpo aprende; h&aacute; uma adapta&ccedil;&atilde;o do corpo e da vis&atilde;o que s&atilde;o modos de relacionamento com o mundo e que constituem um patrim&oacute;nio que vai adquirindo que vai sendo recuperado, refeito e repensado.</p>     <p>  O <i>eu</i> frontal parece n&atilde;o lhe ser conforme, assombrada com a ideia de materialidade, de um mundo concreto, em que o corpo se relaciona com o corpo do mundo, espesso e t&aacute;ctil. Na pintura e no desenho, fixado o lugar, escolhe os corpos e consegue destacar o objeto do fundo, mas o interesse reside na escolha que faz, que corpo destaca e como se constitui. O tema da paisagem possui para si, uma possibilidade constante de adequa&ccedil;&atilde;o, de corporiza&ccedil;&atilde;o do seu objeto. Criar um objeto &eacute; dar um salto na linguagem, sendo esta limitada. No fundo, continua a tratar-se da mesma problem&aacute;tica de forma&ccedil;&atilde;o do objeto, visto este como acontecimento (Merleau-Ponty, 2012: 95).</p>     <p>   Tomando a met&aacute;fora paisag&iacute;stica como meio operativo, a sua pintura &eacute; um exerc&iacute;cio permanente sobre as condi&ccedil;&otilde;es de procedimento da pr&oacute;pria pintura, sobre a liga&ccedil;&atilde;o da imagem pict&oacute;rica com o mundo vis&iacute;vel e a fenomenologia da vis&atilde;o, mas tamb&eacute;m uma reflex&atilde;o, sobre o corpo que pinta e sobre o corpo que v&ecirc;.</p>    <p>   A consciencializa&ccedil;&atilde;o da subjetividade nos processos de representa&ccedil;&atilde;o, a partir da relatividade da localiza&ccedil;&atilde;o espacial, revela-nos a &iacute;ntima liga&ccedil;&atilde;o da autora, &agrave; pr&aacute;tica do desenho como disciplina. O di&aacute;rio gr&aacute;fico constitui-se como atividade de inscri&ccedil;&atilde;o e exerc&iacute;cio program&aacute;tico estrutural da pr&aacute;tica art&iacute;stica com forte liga&ccedil;&atilde;o ao gesto, mas uma atividade fisicamente investida, cuja natureza &eacute; rigorosamente conceptual. O processo cognitivo deriva de um jogo de sentido entre interior e exterior que pode ser reinventado linguisticamente e que se pode expandir permanentemente.</p>     <p>  Os desenhos da paisagem nos di&aacute;rios gr&aacute;ficos guardam uma aten&ccedil;&atilde;o ao vivido, &agrave; viv&ecirc;ncia percetiva, habitada e continuada; s&atilde;o tentativas de moldar a forma, por uma vis&atilde;o constituinte dos objetos, ligada &agrave; materialidade e s&atilde;o ainda, o modo como o corpo que &eacute; o nosso v&ecirc; o corpo da pintura que est&aacute; a ser visto. Na medida em que nos representamos no que est&aacute; perante n&oacute;s, cada paisagem transmutada pode ser um lugar de aprendizagem do olhar sobre o mundo e sobre as condi&ccedil;&otilde;es de procedimento da pr&oacute;pria pr&aacute;tica da pintura. A viv&ecirc;ncia da perce&ccedil;&atilde;o &eacute; habitada por um corpo e por um mundo de espessura rec&iacute;proca (<i>Ineinander</i>).</p>     <p>  Reaprender a ver, recome&ccedil;ar escavando, regressar &agrave; paisagem e estar atento &agrave; espessura que nos separa da obra, s&atilde;o os princ&iacute;pios geradores do desenho e da pintura de Paula Rito, uma forma de transforma&ccedil;&atilde;o que pode ser um lugar m&iacute;tico, retornado, di&aacute;rio gr&aacute;fico do lugar onde as coordenadas espaciais se fendem e se abrem diante de n&oacute;s, acabando por se abrir em n&oacute;s e assim, nos incorporam, por inteiro. &Eacute; quando uma obra d&aacute; lugar a outras plurais que percebemos que as coisas visuais s&atilde;o sempre j&aacute; <i>lugares</i> (<a href="#f7-8">Figura 7, Figura 8</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7-8"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a12f7-8.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Borges, Anselmo (2011) <i>Corpo e transcend&ecirc;ncia</i>. Coimbra: Almedina. ISBN: 978-972-40-4650-1  Deleuze,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1421268&pid=S1647-6158201200020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Gilles (2000) <i>Diferen&ccedil;a e repeti&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Rel&oacute;gio D&rsquo;&Aacute;gua. ISBN: 972-708-595-4</p>      <!-- ref --><p>Didi-Huberman, Georges (2011) <i>O que n&oacute;s vemos, O que nos olha</i>. Porto: Dafne Editora. ISBN: 978-989-8217-12-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1421270&pid=S1647-6158201200020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>  Heidegger, Martin (1991) <i>A origem da obra de arte</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70. ISBN: 972-44-0524-9 Merleau-Ponty,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1421271&pid=S1647-6158201200020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Maurice (2011) <i>Le visible et l&rsquo;invisible</i>. Mesnil-sur-l&rsquo;Estr&eacute;e: Gallimard. ISBN: 978-2-07-028625-6</p>     <!-- ref --><p> Merleau-Ponty, Maurice (2009) <i>O olho e o esp&iacute;rito</i>. &#91;s.l.&#93;: Vega. ISBN: 972-699-352-0  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1421273&pid=S1647-6158201200020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Merleau-Ponty, Maurice (2012) <i>Ph&eacute;nom&eacute;nologie de la perception</i>. Mesnil-sur-l&rsquo;Estr&eacute;e: Gallimard. ISBN: 978-2-07-029337-7</p>     <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Artigo completo recebido a 8 de setembro e aprovado a 23 de setembro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:isabelventurat@gmail.com">isabelventurat@gmail.com</a> (Isabel Ventura).</p>           ]]></body><back>
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