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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O lugar da casa: viagem num Livro-Pintura de EMA M]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to underline the concepts of place and house in EMA M’s work, examining (supporting us on the author’s words) one of her artist's books, the Book-Painting # 1, by means of a kind of journey through its pages.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>&Uacute;NICOS</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>UNIQUE</b>    <br> </p>       <p> <b>O lugar da casa: viagem num Livro-Pintura de EMA M</b></p>     <p> <b>The place of the house: journey in a book-painting of EMA M</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Teresa Palma Rodrigues&#42;</b></p>      <p>&#42;Portugal, artista visual. Membro do CIEBA, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e estudos de Belas-Artes / Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL). Licenciatura em Pintura (FBAUL), Mestrado em Pintura (FBAUL).</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>RESUMO:</b>    <br>Este artigo pretende salientar de que forma os conceitos de lugar e de casa se fazem sentir na obra de EMA M, analisando (com base nas palavras da autora) um dos seus livros de artista, o Livro-Pintura #1, atrav&eacute;s de uma esp&eacute;cie de viagem pelas suas p&aacute;ginas.</p>      <p><b>Palavras chave:</b> livro de artista, pintura, lugar, casa. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>ABSTRACT:</b>    <br>This article aims to underline the concepts of place and house in EMA M&rsquo;s work, examining (supporting us on the author&rsquo;s words) one of her artist&#39;s books, the Book-Painting # 1, by means of a kind of journey through its pages.</p>      <p><b>Keywords:</b> artist book, painting, place, house. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>  O trabalho de EMA M conduz-nos, n&atilde;o raramente, a <i>lugares</i>, entendidos aqui como territ&oacute;rios e espa&ccedil;os de viv&ecirc;ncias, sobretudo viv&ecirc;ncias individuais e subjectivas, como o &eacute; a <i>casa</i>.</p>      <p>Assim acontece nos <i>Livros-Pintura</i> que, entre 2005 e 2007, EMA M realiza, em articula&ccedil;&atilde;o com uma ampla pesquisa te&oacute;rica na qual Margarida P. Prieto (ort&oacute;nimo de EMA M) investiga a produ&ccedil;&atilde;o dos &quot;livros-de-artista&quot;, desde os seus prim&oacute;rdios at&eacute; ao dias de hoje, perscrutando conceitos colaterais, tais como: &quot;livro&quot;, &quot;obra&quot;, &quot;&uacute;nico&quot; ou &quot;m&uacute;ltiplo&quot;.</p>      <p>Nascida em Torres Vedras em 1976, Margarida P. Prieto conclui a licenciatura em Pintura em 1999, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, a mesma institui&ccedil;&atilde;o onde, em 2008, apresenta a disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado intitulada <i>O Livro-Pintura</i>.</p>      <p> <i>Livro-Pintura / Pintura-Livro</i>, &eacute; o nome da exposi&ccedil;&atilde;o na Biblioteca Nacional em Lisboa, na qual EMA M apresenta os seus livros-de-artista, propondo uma reflex&atilde;o acerca do entrecruzar da Pintura e da Escrita, encontrando, no livro, um <i>lugar</i> para a pintura. </p>      <p>Este artigo tem por objectivo salientar de que forma o conceito de <i>lugar</i> se faz sentir na obra de EMA M, analisando especificamente um dos seus Livros-Pintura, o <i>Livro-Pintura #1</i>, atrav&eacute;s de uma esp&eacute;cie de viagem pelas suas p&aacute;ginas, que s&atilde;o afinal uma pintura. Uma pintura a &oacute;leo que induz um percurso, t&aacute;ctil, pelo folhear das suas p&aacute;ginas odor&iacute;feras, densas e macias. Port&aacute;til, porquanto nos conduz a detalhes de uma paisagem habitada por folhagens, p&aacute;ssaros e na qual se vislumbra, ao fundo, no centro, uma <i>casa</i>.</p>      <p>Assim, pretendemos analisar de que forma o conte&uacute;do imag&eacute;tico do <i>Livro-Pintura</i> nos reporta ao lugar da casa, atrav&eacute;s da ideia de &lsquo;viagem&rsquo;, alicer&ccedil;ando-nos nas pr&oacute;prias palavras da autora.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b> 1. O <i>Livro-Pintura #1</i></b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No t&iacute;tulo do livro, gravado na chapa met&aacute;lica prateada sobre a preta capa dura, pode ler-se: <i>Livro-Pintura #1</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>). Se pretendemos saber de que trata o livro, temos a informa&ccedil;&atilde;o de que &eacute; o primeiro de uma s&eacute;rie e de que o tema (se &eacute; que o t&iacute;tulo aponta necessariamente um tema) &eacute; um livro que &eacute; pintura, ou &eacute; uma pintura em forma de livro.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a14f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>Visto enquanto livro, o <i>Livro-Pintura #1</i> insere-se na categoria de livro de artista, tal com aponta a autora:</p>      <p>    <blockquote><i>O livro de artista &eacute;, </i>&#91;&#8230;&#93;<i>, todo o livro-pintura, &uacute;nico, assinado e assumido pelo artista enquanto obra, consequ&ecirc;ncia da decis&atilde;o do autor. Distingue-se plasticamente de outras possibilidades de livro de autor sobretudo e principalmente pelo uso significativo e constante da imagem.</i> (Prieto, 2007: 12)</blockquote></p>      <p>Resultando, o <i>Livro-Pintura #1</i>, de um trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pr&aacute;tica, a misteriosa autoria indicada com as iniciais M. P., parece nascer da conjuga&ccedil;&atilde;o de Margarida P. Prieto com o seu pseud&oacute;nimo, EMA M.</p>      <p>Entendido como obra pict&oacute;rica, trata-se, na verdade, de uma extensa pintura paginada. Cada p&aacute;gina virada, tapa as anteriores, ora mostrando, ora escondendo a pintura. O ritmo compassado do seu folhear, vai-nos permitindo v&aacute;rias tentativas de encontrar uma poss&iacute;vel narrativa. </p>      <p>A forma de livro, induz o acto de ler. A superf&iacute;cie pict&oacute;rica, com diversas camadas de tinta, sobreposi&ccedil;&otilde;es e transpar&ecirc;ncias, conduzem-nos &agrave; ideia do <i>fazer</i>. </p>      <p>Como num documento manuscrito, vistas em pormenor, estas p&aacute;ginas t&ecirc;m entranhada a presen&ccedil;a da sua autora. Evidenciam-se as marcas da passagem do pincel desenhando as sinuosas folhagens (<a href="#f2-3">Figura 2, Figura 3</a>). </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2-3"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a14f2-3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>Pode-se tocar nesta pintura, ela apela &agrave; rela&ccedil;&atilde;o t&aacute;ctil com o observador. Impele-nos a abrir cada vez mais o livro, p&aacute;gina a p&aacute;gina, indagando o seu interior.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b> 2.Viagem ao centro do livro</b> </p>      <p>Ao interior do livro, temos acesso atrav&eacute;s da capa, que por sua vez, abre como uma porta. Este pode ser visto, po&eacute;tica e metaforicamente, como um <i>lugar</i>. Um lugar para a narra&ccedil;&atilde;o, mesmo que por imagens e n&atilde;o por palavras. Um objecto que por defini&ccedil;&atilde;o se constitui como um volume de p&aacute;ginas encadernadas, port&aacute;til, que podemos transportar connosco e que, simultaneamente, nos pode transportar a outros lugares, sem que para isso precisemos de nos locomover. Acerca disto, refere Margarida P. Prieto:</p>      <p>    <blockquote><i>Ver um livro &eacute; fruir por etapas, p&aacute;gina a p&aacute;gina. &Eacute;, igualmente, como fazer uma viagem &ndash; uma viagem que n&atilde;o obriga &agrave; desloca&ccedil;&atilde;o real, f&iacute;sica. A Viagem &eacute; a procura, a busca de alguma coisa, o saciar de uma curiosidade, o tentar responder a uma interroga&ccedil;&atilde;o. A casa &eacute; o que se encontra, &eacute; o chegar ao fim da viagem. &Eacute; o lugar. (Prieto, 2007: 39)</i></blockquote></p>      <p>Pensando no percurso e no movimento que o folhear das p&aacute;ginas do livro potencia, podemos associ&aacute;-lo a um trajecto a partir do qual observamos esta pintura. Esse trajecto, acompanhado do manuseamento do livro e do nosso olhar fruidor, &eacute; dirigido na maior parte das vezes, da esquerda para a direita. Nele imp&otilde;e-se uma horizontalidade.</p>     <p>&nbsp;</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3. O lugar da casa</b></p>      <p>    <blockquote><i>A casa &eacute; uma das maiores for&ccedil;as de integra&ccedil;&atilde;o para os pensamentos, as lembran&ccedil;as e os sonhos do homem.</i> (Bachelard, 1993: 26)</blockquote></p>      <p>Em cada par das cinquenta p&aacute;ginas de <i>Livro-Pintura #1</i> (<a href="#f4">Figura 4</a>), vislumbra-se esse <i>lugar</i>, enquadrado por um plano recortado ao centro, como uma moldura, ou janela, que deixa entrever a <i>casa</i>. Os tons frios de cinzento da &lsquo;moldura&rsquo; contrastam com a tonalidade quente do avermelhado quadrado central, em velatura, cuja transl&uacute;cida pel&iacute;cula de tinta desvenda uma estrutura que nos conduz &agrave; ideia de espa&ccedil;o interior e de habit&aacute;culo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a14f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>Rectil&iacute;nea e de telhado triangular, esta <i>casa</i> aparece compartimentada, como se, em cada virar de p&aacute;gina, a espreit&aacute;ssemos de diferentes pontos de vista por um pequeno &oacute;culo quadrangular.</p>      <p> N&atilde;o conseguimos ver a <i>casa</i> por inteiro, mas identificamo-la pelo seu contorno, em corte vertical e al&ccedil;ado, numa atmosfera quente dada pela cor que a invade, como se de um n&uacute;cleo magm&aacute;tico se tratasse.</p>      <p>&Eacute; nesse n&uacute;cleo central que surge esse lugar &iacute;ntimo, sugerido por um rasgo de profundidade numa composi&ccedil;&atilde;o maioritariamente bidimensional (acentuada pelo uso de padr&otilde;es). Os detalhes de uma paisagem ramificada, formada pelos padr&otilde;es inspirados nas cria&ccedil;&otilde;es do artista ingl&ecirc;s, William Morris (1834-1896), ocupam as folhas de papel do livro, alastrando-se com as suas folhagens pelas p&aacute;ginas de par em par.</p>      <p>A utiliza&ccedil;&atilde;o da estrutura repetitiva do padr&atilde;o, geometriza (organizando as formas no espa&ccedil;o de modo sistem&aacute;tico e ritmado) e planifica as figuras representadas, assumindo-as justamente como pintura. Um p&aacute;ssaro pintado n&atilde;o pretende ser a representa&ccedil;&atilde;o naturalista de um dado p&aacute;ssaro, mas sim um desenho de um p&aacute;ssaro ou apenas a sua silhueta.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A casa representada, tamb&eacute;m n&atilde;o define um espa&ccedil;o real, existente, transporta sim, &agrave; ideia gen&eacute;rica de <i>casa</i>, como num desenho de crian&ccedil;a, convocando, como diz Jos&eacute; Miguel Caissotti a prop&oacute;sito de outro trabalho de EMA M, o &quot;imagin&aacute;rio da nossa inf&acirc;ncia&quot; (2007).</p>      <p>O jogo de sobreposi&ccedil;&otilde;es das figuras, resultante do processo pict&oacute;rico da artista, cria diferentes <i>layers</i>. Na maior parte das vezes, o desenho das ramagens dos padr&otilde;es, como que recortado, alastra-se para cima do <i>layer</i> da casa, dando a ilus&atilde;o de que esta est&aacute; a ser observada de fora, a partir de um jardim. Acerca dos referentes desta pintura, Prieto menciona:</p>       <p>    <blockquote><i>A fauna e a flora que neles se faz representar possibilitam que toda a imagem, constru&iacute;da a partir destes padr&otilde;es, represente um jardim. Existe ainda a possibilidade da analogia entre o interior da casa (porque os padr&otilde;es foram, no in&iacute;cio, destinados a papel de parede e consequentemente a sua aplica&ccedil;&atilde;o &eacute; no interior das casas) com o interior do livro, sendo que o miolo (constitu&iacute;do pela totalidade das p&aacute;ginas) &eacute; o interior.</i> (Prieto, 2007: 39)</blockquote></p>      <p>A autora indica a hip&oacute;tese de se associar o interior do livro ao interior da casa, como se as p&aacute;ginas pintadas fossem o revestimento das suas paredes ausentes.</p>      <p>A existir uma narrativa, ela seria certamente sobre estes espa&ccedil;os &lsquo;insinuados&rsquo; que surgem igualmente nos outros &lsquo;livros-pintura&rsquo;; por&eacute;m, a autora elucida-nos:</p>      <p>    <blockquote><i>N&atilde;o existe hist&oacute;ria para narrar. A narratividade poss&iacute;vel adv&eacute;m da visualidade e aparece como o resultado da semelhan&ccedil;a, da apar&ecirc;ncia formal, entre as p&aacute;ginas pintadas de cada um dos livros-pintura.</i> (Prieto, 2007: 114)</blockquote></p>     <p>&nbsp;</p>      <p> <b>Conclus&atilde;o</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O &lsquo;livro-pintura&rsquo; &eacute; assim chamado por se tratar de uma obra pict&oacute;rica que usa o livro como seu suporte; mas n&atilde;o s&oacute;, ela usa-o tamb&eacute;m como conceito e como objecto. Remete para uma hist&oacute;ria ou um texto que n&atilde;o existe, porque ela &eacute; ilustra&ccedil;&atilde;o de si mesma.</p>      <p>Esta pintura em concreto, chamada <i>Livro-Pintura #1</i>, &eacute; um objecto que, para al&eacute;m de levantar quest&otilde;es sobre a pr&oacute;pria leitura da obra de arte, desafia (ainda mais do que um &lsquo;quadro-pintura,&rsquo; ou uma &lsquo;tela-pintura,&rsquo; por assim dizer) a interpreta&ccedil;&atilde;o verbal daquilo que ela representa, porque ela convoca a escrita, ou uma esp&eacute;cie de tradu&ccedil;&atilde;o por palavras daquilo que nos &eacute; dado a ver, atrav&eacute;s de um objecto que vulgarmente nos &eacute; dado a ler.</p>      <p>A leitura que fazemos, e que aqui expressamos, &eacute; a de que este livro &eacute; um objecto que se abre, dando a ver uma pintura. Essa pintura conduz-nos simbolicamente at&eacute; uma casa, um lugar da inf&acirc;ncia, ou n&atilde;o fosse a casa, um dos temas do desenho infantil. E nesse percurso, que &eacute; o folhear das p&aacute;ginas de um livro, este leva-nos at&eacute; onde quisermos que um livro, ou uma pintura, nos deixe chegar.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>      <!-- ref --><p>Bachelard, Gaston (1993) <i>A Po&eacute;tica do Espa&ccedil;o</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1421437&pid=S1647-6158201200020001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>Caissotti, Jos&eacute; Miguel (2007) <i>Casa de Bonecas</i>, in Cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o &lsquo;Casa de Bonecas,&rsquo; Galeria Municipal Pa&ccedil;os do Concelho, Torres Vedras, Mar&ccedil;o de 2007.</p>      <!-- ref --><p>Prieto, Margarida P. (2007) <i>O Livro-Pintura</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado apresentada &agrave; Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1421440&pid=S1647-6158201200020001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Artigo completo recebido a 8 de setembro e aprovado a 23 de setembro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:teresapr@gmail.com">teresapr@gmail.com</a> (Teresa Palma Rodrigues).</p>         ]]></body><back>
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