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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article proposes a viewpoint on the links of Eduardo Batarda’s works with Book and with literature. Starting from two books produced by him, as well as from two long titles of his own paintings, we will show how the formers should be understood as Artist Books and the seconds as literary creations.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDI&Ccedil;&Otilde;ES</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>PUBLISHING</b>    <br> </p>       <p><b>Correr em Paralelo: Dois Livros e Dois T&iacute;tulos de Eduardo Batarda</b></p>      <p><b>Running in Parallel: Two Books and Two Titles from Eduardo Batarda</b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Carlos Correia&#42;</b></p>      <p>&#42;Portugal, artista visual. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas (ESAD, Caldas da Rainha); Projecto Individual em Pintura (Ar.Co); Mestrado em Artes Visuais / Interm&eacute;dia (Universidade de &Eacute;vora); Doutorando em Belas Artes na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. </p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO:</b>    <br>O presente artigo prop&otilde;e um ponto de vista sobre as liga&ccedil;&otilde;es da obra do pintor Eduardo Batarda com o Livro e com a cria&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria. Partindo de dois livros por si produzidos, bem como de dois longos t&iacute;tulos de pinturas da sua autoria, iremos mostrar como os primeiros podem ser entendidos enquanto Livros de Artista e os segundos enquanto cria&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias.</p>      <p><b>Palavras chave:</b> Livro, pintura, cria&ccedil;&atilde;o, reprodu&ccedil;&atilde;o, c&oacute;pia.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT:</b>    <br>This article proposes a viewpoint on the links of Eduardo Batarda&rsquo;s works with Book and with literature. Starting from two books produced by him, as well as from two long titles of his own paintings, we will show how the formers should be understood as Artist Books and the seconds as literary creations. </p>      <p><b>Keywords:</b> Book, painting, criation, reproduction, copy.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>O Pintor</b></p>      <p> Eduardo Batarda nasceu em Coimbra em 1943. Durante tr&ecirc;s anos (1960-1963) estudou Medicina nessa mesma cidade, mas viria a trocar este curso pelo de Pintura, que concluiu na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (1963-1968). Rumou depois a Londres, como bolseiro da Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, para estudar no Royal College of Art (1971-1974). Regressou a Portugal e foi Professor na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Assumindo desde cedo uma posi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo da arte, tem sido atrav&eacute;s de um requintado sentido de humor que Eduardo Batarda tem marcado a sua presen&ccedil;a no panorama art&iacute;stico nacional, alcan&ccedil;ando uma posi&ccedil;&atilde;o de destaque que &eacute; hoje consensual. Est&aacute; representado nas mais importantes colec&ccedil;&otilde;es portuguesas e recebeu alguns dos mais destacados pr&eacute;mios do nosso pa&iacute;s. Fez cr&iacute;tica de arte, foi autor de muitos dos textos que acompanharam as suas exposi&ccedil;&otilde;es. O tom mordaz e, por vezes, autodepreciativo que apresenta nos seus textos e entrevistas tem sido uma imagem de marca. No texto de apresenta&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o que o Centro de Arte Manuel de Brito lhe dedicou em 2009, h&aacute; uma frase da sua autoria que julgamos poder servir como exemplo da sua postura: &quot;fiz sempre o poss&iacute;vel por agradar, por fazer o que julgo importante para pertencer ao meio, por ser aceite e integrado. Parece-me um bocadinho injusto, e desde h&aacute; tanto tempo, ser o &uacute;nico mau artista do meu pa&iacute;s.&quot;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p> <b>O artigo</b></p>      <p> Propomos uma reflex&atilde;o sobre dois pontos menos comentados da obra de Eduardo Batarda: dois livros produzidos pelo pintor, bastante diferentes entre si mas unidos pela proposta de qualquer um dos dois poder ser entendido enquanto Livro de Artista; e dois t&iacute;tulos que o artista atribuiu a outras tantas pinturas datadas de 2009 e dos quais ressalta a rela&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica entre a imagem e a palavra que, desde sempre, tem pontuado a obra deste artista. Pretendemos, desta forma, abordar o tema do Livro de Artista na obra de Eduardo Batarda, cuja produ&ccedil;&atilde;o mais divulgada junto do grande p&uacute;blico consiste na pintura &#8211; seja ela de telas que se encaixam no cada vez mais escorregadio conceito de abstrac&ccedil;&atilde;o, seja de aguarelas de cariz mais figurativo (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a24f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p> Antes de entrarmos na discuss&atilde;o das referidas obras, parece-nos conveniente fazer uma sucinta abordagem &agrave; no&ccedil;&atilde;o de Livro de Artista. Para tal, enunciaremos dois artistas que, no decorrer das respectivas carreiras, recorreram ao Livro de Artista como meio de express&atilde;o.            <p><b>1. Livros e artistas</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> N&atilde;o descartando a possibilidade da exist&ecirc;ncia de outras interpreta&ccedil;&otilde;es, parecem-nos ser essencialmente duas as actuais classifica&ccedil;&otilde;es da natureza do Livro de Artista: temos, por um lado, os investigadores que consideram que um Livro de Artista deve ser pass&iacute;vel de ser reproduzido e/ou editado sem limita&ccedil;&otilde;es, excluindo desta forma os livros produzidos por processos artesanais. Segundo estes autores, o que o artista diz num Livro de Artista n&atilde;o pode ser dito de outra forma ou por outro m&eacute;dium. Entre os investigadores que defendem estas posi&ccedil;&otilde;es encontram-se Anne Moeglin-Delcroix, Ulisses Carri&oacute;n, Clive Phillpot, entre outros. Um bom exemplo deste tipo de obra parece-nos ser <i>Twentysix Gasoline Stations</i>, obra datada de 1966 e da autoria do pintor Ed Ruscha (<a href="#f2-3">Figura 2</a>). Esta obra &eacute;, por muitos, considerada pioneira no universo dos Livros de Artista.    <a href="#f2-3">Figura 2</a>. Ed Rusha, Twenty Six Gasoline Stations, 1966. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2-3"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a24f2-3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p> Por outro lado temos quem defenda que os Livros de Artista est&atilde;o mais pr&oacute;ximos do livro-objecto, apresentando-se quase sempre em edi&ccedil;&otilde;es muito reduzidas ou mesmo &uacute;nicas. Como diz Jos&eacute; Tom&aacute;s F&eacute;ria &quot;No livro-objecto a narrativa liter&aacute;ria &eacute; substitu&iacute;da por uma narrativa pl&aacute;stica; a estrutura livro d&aacute; lugar &agrave; estrutura pl&aacute;stica, nascendo uma outra forma expressiva&quot; (F&eacute;ria, s.d.). Stephen Bury considera mesmo que os Livros de Artista &quot;s&atilde;o livros, ou objectos com a apar&ecirc;ncia de livros&quot; (Bury, 1995). Os livros produzidos pelo pintor Anselm Kiefer encontram-se nos ant&iacute;podas dos da autoria de Ed Ruscha e, consequentemente, mais pr&oacute;ximos desta no&ccedil;&atilde;o de livro-objecto (<a href="#f2-3">Figura 3</a>).</p>      <p>&nbsp;</p> <b>2. Dois Livros</b></p>      <p> Os livros que trazemos a discuss&atilde;o encontram-se separados cronologicamente por cerca de trinta e sete anos: o primeiro, <i>O Peregrino Blindado</i> data de 1973 (<a href="#f2-3">Figura 3</a>) e o segundo, <i>Eduardo Batarda</i>, de 2010 (<a href="#f4">Figura 4</a>). Apesar de ambos terem sido publicados pela galeria que representa o artista (Galeria111), nenhum dos dois &eacute; cat&aacute;logo ou livro de arte. O segundo cumpre tamb&eacute;m estas duas tarefas, mas passa a ser mais do que isso precisamente pelo facto de nele conter interven&ccedil;&otilde;es de cariz liter&aacute;rio da autoria do pr&oacute;prio artista. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a24f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p> O facto de qualquer um dos dois livros terem sido impressos por processos mec&acirc;nicos e facilmente reprodut&iacute;veis, a aliar &agrave; entidade que os editou, pode levantar algumas d&uacute;vidas quanto &agrave; sua natureza, pois &eacute; mais comum uma galeria editar cat&aacute;logos e livros de arte sobre os artistas que representa. Mas se atentarmos &agrave; descri&ccedil;&atilde;o de Livro de Artista defendida pelos investigadores referidos no primeiro dos dois grupos que apresent&aacute;mos no ponto anterior, essas d&uacute;vidas ser&atilde;o dissipadas. E isto fica a dever-se, acima de tudo, ao seguinte: o que Eduardo Batarda quis dizer com estes livros, n&atilde;o o podia ter dito de outra forma ou em outro suporte. </p>        <p> O livro <i>O Peregrino Blindado</i> &eacute; uma obra de dif&iacute;cil classifica&ccedil;&atilde;o. Apresenta-se como sendo da autoria de Jos&eacute; Lopez Werner e como tendo sido &lsquo;traduzido e adaptado&rsquo; por Batarda Fernandes. Banda desenhada? Reprodu&ccedil;&atilde;o de pinturas em papel sob a forma de um livro? &Eacute; certamente, um Livro de Artista, pois preenche muitos dos requisitos atr&aacute;s enunciados. Sobre esta obra diz Jo&atilde;o Pinharanda o seguinte:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>    <blockquote><i>O Peregrino Blindado &eacute; uma obra complexa, onde o paradoxo e a contradi&ccedil;&atilde;o irrompem como processos conceptuais. Um conjunto heterog&eacute;neo de vozes e de discursos manifesta-se na sua autoria, num mosaico de pseud&oacute;nimos e heter&oacute;nimos</i> (Pinharanda, 2011:18) </blockquote></p>      <p> O segundo livro em quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas composto pelos dois t&iacute;tulos j&aacute; referidos. N&atilde;o deixando de funcionar tamb&eacute;m como um cat&aacute;logo, &eacute; mais do que isso, pois nele o artista diz coisas que n&atilde;o poderia dizer de outra forma. Aqui surge uma aparente contradi&ccedil;&atilde;o, pois os t&iacute;tulos dos quais fal&aacute;mos s&atilde;o tamb&eacute;m apresentados nas habituais etiquetas que costumam acompanhar as obras em exposi&ccedil;&otilde;es. Mas acontece que no referido livro surgem uma s&eacute;rie de outras interven&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias do pintor e, estas sim, carecem do suporte livro para existirem. O livro come&ccedil;a com o texto de apresenta&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o que o Centro de Arte Manuel de Brito (CAMB) dedicou ao pintor em 2009. &Eacute; um texto no qual o autor passa em revista a sua carreira, empreendendo uma viagem pelas obras expostas, n&atilde;o deixando de tecer duras cr&iacute;ticas tanto a si mesmo e ao seu trabalho, como ao mundo da arte no qual este se desenvolveu. Esta passagem constitui um bom exemplo dessa postura:</p>      <p>    <blockquote><i>O curioso &eacute; que um pintor como eu, considerado &quot;comercial&quot; e retr&oacute;grado pelo meio, seja tratado como &quot;dif&iacute;cil&quot; ou inabord&aacute;vel pelo p&uacute;blico, que foge com afli&ccedil;&atilde;o do meu trabalho. H&aacute; quem o leve &quot;&agrave; experi&ecirc;ncia&quot; e o devolve &agrave; galeria</i> (Batarda, 2009:17) </blockquote></p>      <p> Surgem depois os longos t&iacute;tulos j&aacute; referidos (abordados mais &agrave; frente) e h&aacute; ainda lugar para uma interven&ccedil;&atilde;o/conversa do cr&iacute;tico Detlev Schneider, personagem criada por Eduardo Batarda. Esta &eacute;, do princ&iacute;pio ao fim, pontuada pela ostenta&ccedil;&atilde;o de uma intelig&ecirc;ncia acutilante e c&aacute;ustica quanto baste, n&atilde;o deixando (como era manifesta inten&ccedil;&atilde;o do pintor) de &lsquo;entreter e divertir&rsquo; (Batarda, 2009: 7). Como cat&aacute;logo que tamb&eacute;m &eacute;, o livro apresenta reprodu&ccedil;&otilde;es das pinturas expostas na j&aacute; referida exposi&ccedil;&atilde;o do CAMB. Resumindo, o que nos leva a sugerir a possibilidade de considerar esta publica&ccedil;&atilde;o como Livro de Artista e n&atilde;o um mero cat&aacute;logo, &eacute; essencialmente o seguinte: o livro foi escrito pelo artista na sua totalidade e apresenta tr&ecirc;s obras aut&oacute;nomas: os dois t&iacute;tulos e a entrevista ficcionada.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>3. Dois t&iacute;tulos</b></p>      <p> Quanto aos t&iacute;tulos de duas pinturas que Eduardo Batarda pintou em 2009 (<a href="#f5">Figura 5</a>, <a href="#f6">Figura 6</a>, <a href="#f7">Figura 7</a>), podemos dizer que, de t&atilde;o longos e ricos, s&atilde;o pass&iacute;veis de serem considerados obras de pleno direito. Estes dois t&iacute;tulos aparecem no livro <i>Eduardo Batarda</i> de 2010 e, a fim de termos uma ideia da sua natureza liter&aacute;ria, podemos dizer que um deles come&ccedil;a na p&aacute;gina 23 e termina na p&aacute;gina 29 e o segundo come&ccedil;a na p&aacute;gina 31 e estende-se at&eacute; &agrave; 37. Ainda que estes dados possam n&atilde;o representar muito mais do que apenas as inusitadas dimens&otilde;es dos referidos t&iacute;tulos, podemos desde j&aacute; adivinhar que estes v&atilde;o muito al&eacute;m do que habitualmente se espera de um t&iacute;tulo. Nestas duas interven&ccedil;&otilde;es, Batarda recorre &agrave; sua reconhecida erudi&ccedil;&atilde;o e debita um intermin&aacute;vel n&uacute;mero de refer&ecirc;ncias, da alta e da baixa cultura, de modo a apresentar ao espectador um atlas do que pela sua cabe&ccedil;a passou durante a execu&ccedil;&atilde;o das referidas pinturas. Poema, colagem, t&iacute;tulo, seja qual for o termo escolhido para tentar enquadrar estas divaga&ccedil;&otilde;es, elas permanecem inclassific&aacute;veis. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a24f5.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>  <a name="f6"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a24f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>  <a name="f7"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a24f7.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p> Ser&aacute;, porventura, essa impossibilidade de classifica&ccedil;&atilde;o que lhes eleva o estatuto e as coloca, ainda que num desequil&iacute;brio permanente, no limiar do que poder&iacute;amos designar por <i>obra de pleno direito</i>; n&atilde;o j&aacute; um mero t&iacute;tulo que existe apenas para servir uma causa maior (nomear a pintura a si afecta), mas sim para existir enquanto obra aut&oacute;noma.</p>          <p>&nbsp;</p>      <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>      <p> Encontramo-nos, assim, perante dois pontos espec&iacute;ficos retirados da obra de um pintor; dois pontos que se abrem ao universo dos livros e das intrincadas rela&ccedil;&otilde;es que entre pintura e escrita podem ser estabelecidas. Saliente-se o uso de um muito particular e exemplarmente bem articulado processo de montagem que tudo <i>organiza</i> (uma e outra vez o corpo sem &oacute;rg&atilde;os) e que faz funcionar uma m&aacute;quina que s&oacute; o artista sabe manejar e que apenas ele sabe para que serve. Ser&atilde;o Livros de Artista? Bom, Eduardo Batarda &eacute;, sem d&uacute;vida, um artista e os livros foram criados por si. </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>      <!-- ref --><p>Batarda, Eduardo (2010) <i>Eduardo Batarda</i>. Lisboa: Galeria 111.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1422189&pid=S1647-6158201200020002400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Bury, Stephen (1995) <i>The Book as a Work of Art</i>, 1963-1995. Scolar Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1422191&pid=S1647-6158201200020002400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>F&eacute;ria, Jos&eacute; Tom&aacute;s, (s.d.) <i>Livros de Artista</i> [Consult. 2012-07-13]. Dispon&iacute;vel em <a href="http://livrosdeartista.ibn-mucana.com" target="_blank">http://livrosdeartista.ibn-mucana.com</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1422193&pid=S1647-6158201200020002400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Pinharanda, Jo&atilde;o et al, (2011) <i>Outra Vez N&atilde;o</i> &ndash; Eduardo Batarda. Porto: Funda&ccedil;&atilde;o de Serralves / Ass&iacute;rio & Alvim.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p>Artigo completo recebido a 8 de setembro e aprovado a 23 de setembro de 2012.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:corrcarlos@gmail.com">corrcarlos@gmail.com</a> (Carlos Correia).</p>        ]]></body><back>
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