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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The approach to this Installation examines the singularity of the object Book of Hours as an Artist’s book: a piece per se within which an intersection of languages - the word and the trajectory of the gaze - is summoned to the representation. In the context of the relationship between image and word, while kneeling before this book we are led to fictionalize time and space as constitutive elements for the recognition process of theatricality.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EXPANS&Otilde;ES</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>EXPANSIONS</b>    <br> </p>      <p><b>Um Teatro Intimista: ou o jogo entre imagem e palavra no livro de artista</b></p>      <p><b>An Intimate Theatre: or the interplay between image and word in the artist&#39;s book</b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Maria Manuela Bronze da Rocha&#42;</b></p>      <p>&#42;Portugal, artista Pl&aacute;stica e figurinista. Afilia&ccedil;&atilde;o atual: Escola Superior de M&uacute;sica, Artes e Espect&aacute;culo (ESMAE), Instituto Polit&eacute;cnico do Porto. Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Pl&aacute;sticas, Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP); Master of Fine Arts in Costume Design, Boston University, EUA; Doutorada em Artes, Fac. de Belas Artes, Pontevedra, Universidade de Vigo. </p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO:</b>    <br>A abordagem a esta Instala&ccedil;&atilde;o analisa a singularidade do objecto Livro de Horas enquanto Livro de Artista, quer como obra em si, quer no cruzamento de linguagens que a palavra e a trajet&oacute;ria do olhar convocam na representa&ccedil;&atilde;o da palavra e com a palavra. No contexto da rela&ccedil;&atilde;o entre imagem e palavra, quando nos ajoelhamos perante este livro somos levados a ficcionar tempo e espa&ccedil;o como elementos constitutivos do processo de reconhecimento da teatralidade.</p>      <p><b>Palavras chave:</b> Teatralidade, Tempo, Imagem, Palavra</p>     <p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT:</b>    <br>The approach to this Installation examines the singularity of the object Book of Hours as an Artist&rsquo;s book: a piece per se within which an intersection of languages &#8211; the word and the trajectory of the gaze &#8211; is summoned to the representation. In the context of the relationship between image and word, while kneeling before this book we are led to fictionalize time and space as constitutive elements for the recognition process of theatricality.</p>      <p><b>Keywords:</b> Theatricality, Time, Image, Word</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Nesta instala&ccedil;&atilde;o (<a href="#f1">Figura 1</a>) estamos perante um conjunto de elementos que se assumem cenicamente de modo a proporcionar ao espectador uma apresenta&ccedil;&atilde;o e uma proposta performativa. &Eacute; de um <i>teatro intimista</i> que falamos. Face a face, encontram-se o espectador e o Livro de Horas. Ambos habitam a cena, o Livro de Horas enquanto Livro de Artista e o espectador enquanto leitor. Entre os dois, uma narrativa de formas, cores e palavras entrela&ccedil;adas graficamente, questiona a cada virar de p&aacute;gina os limites do tempo atrav&eacute;s de um jogo que n&atilde;o rejeita a sua inerente dimens&atilde;o l&uacute;dica.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/est/v3n6/3n6a36f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>Pousado no altar dourado, um intrigante livro vermelho, em p&eacute;, com uma porta, faz-se maqueta de cen&aacute;rio para outra representa&ccedil;&atilde;o. </p>      <p>Frente ao altar, lado a lado, dois genuflex&oacute;rios, iguais, convidam o espectador a folhear, individualmente, o seu Book of Hours. O altar, lugar ancestral de rituais sagrados, era na Idade M&eacute;dia para muitos o ponto do todo da arte dram&aacute;tica, e o Livro de Horas, manuscrito, iluminado e personificado, era para alguns o compasso da rotina di&aacute;ria. Folhear este livro neste lugar &eacute; ser parte de um processo que nos compele a sentir o espa&ccedil;o real como ficcional. P&aacute;gina a p&aacute;gina, a encena&ccedil;&atilde;o do quotidiano desenvolve uma imag&eacute;tica do tempo que j&aacute; n&atilde;o reconhecemos no Livro de Horas mas onde as refer&ecirc;ncias contempor&acirc;neas constroem, como diria Didi-Huberman, uma esp&eacute;cie de <i>objecto dial&eacute;tico</i>: &lsquo;&rsquo;Une chose &agrave; double face, un battement rythmique. Comment nomer cet object, si le mot &rsquo;&rsquo;anachronisme&rsquo;&rsquo; ne qualifie &eacute;ventuellement qu&rsquo;un versan de son oscillation? &lsquo;&rsquo;    <a href="#f1">Figura 1</a>. &quot;&Agrave; capela/ 2011/ Instala&ccedil;&atilde;o/ Livro vermelho/ 40x40cm/ 1992/2 Book of Hours/ 23,3x17cm/ Sobre genuflex&oacute;rios&rsquo;&rsquo; de Gil Maia, apresentada na capela do Palacete Pinto Leite por ocasi&atilde;o da Mostra de Artes Pl&aacute;sticas: Elipse da Dura&ccedil;&atilde;o, Porto (2011). Livro de Artista: Book of Hours &ndash; 150 copies of this book have been made in coated matt paper, 150g,  numbered and signed by the author; black textile hardcover. Fonte: Elipse da Dura&ccedil;&atilde;o (cat&aacute;logo).</p>      <p>Gil Maia nasceu em Vila do Conde em 1950. Vive e trabalha no Porto. Arquiteto, licenciado pela ESBAP, trabalha sobretudo no dom&iacute;nio das Artes Gr&aacute;ficas. Completou a sua forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica com o Master of Arts in Graphic Design pela Central Saint Martin&rsquo;s College of Art & Design em Londres e Doutorou-se em Design de Comunica&ccedil;&atilde;o pela FBAUP. &Eacute; docente na ESE do IPP .</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>1. O Livro</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Constam do livro: Introdu&ccedil;&atilde;o, &Iacute;ndice, Calend&aacute;rio, Separadores, Textos e Imagens das Horas. </p>      <p>O Calend&aacute;rio comp&otilde;e-se tipograficamente de modo t&atilde;o extremo como a diferen&ccedil;a entre o dia e a noite. Para todos os dias de cada m&ecirc;s, op&otilde;e-se a um fundo negro o recorte branco dos algarismos. E quando os dias se somam em dezenas, subtilmente, na noite que sonha a vida, as estrelas s&atilde;o amarelas, vermelhas, azuis, e uma &eacute; laranja para o dia de fevereiro que os bissextos deixam acontecer. Nada sabemos sobre o novo ano; &agrave; primeira vista, como se a contra-tempo, os dias disp&otilde;em-se em cada linha dos doze horizontes.</p>      <p>Depois, as p&aacute;ginas ocultam e desvendam a sequ&ecirc;ncia das horas: as pares recebem o texto e as &iacute;mpares a imagem que ilumina as divis&otilde;es do dia. Para marcar um ritmo, os separadores anunciam as Matinas e prosseguem com Laudas, Primas, Ter&ccedil;as, Sextas, Nonas, V&eacute;speras e Completas, as oito divis&otilde;es onde cabem as horas dos dias que Gil Maia nos prop&otilde;e. Este Book of Hours &quot;is not meant to recreate the ancient model. &#91;&#8230;&#93; It only has two parts. A calender (always a challenge for celebrations), and a new presentation of the sequence of the hours. This sequence is similar to the one used in the primitive Book of Hours but the hours are as pious as ludic&quot; afirma o autor no pref&aacute;cio. (Maia, 1992: 5) </p>      <p>Horas protegidas pelo desenho das ordens cl&aacute;ssicas da arquitetura, para um espa&ccedil;o que se pretende de constru&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida, protetora e detalhada. Desde sempre projeto para um ambiente a habitar. Na fronteira entre interior e exterior, o olhar reclama o mundo, entre janelas e frontisp&iacute;cios. Perscruta capiteis, c&uacute;pulas e contrafortes. Divaga entre colunas. Separando as horas, o algarismo que ordena a denomina&ccedil;&atilde;o da sequ&ecirc;ncia ocupa toda a p&aacute;gina, vazando, em it&aacute;lico, um fundo neutro.  O corpo visual deste objecto tem uma org&acirc;nica pr&oacute;pria para as tarefas do pensar e do fazer: um miolo de imagens e palavras &mdash; mancha gr&aacute;fica &mdash; aguarelas, desenhos, grafismos, justaposi&ccedil;&otilde;es de imagens, de pap&eacute;is e de objetos (posteriormente fotografados) e caracteres, obviamente, familiares ao <i>Times</i>, com um tamanho de letra constante. O jogo positivo/negativo mant&eacute;m-se em cada p&aacute;gina. A letra capital, mai&uacute;scula, &eacute; consistente e solid&aacute;ria com a imagem total que releva de subdivis&otilde;es rectangulares arquet&iacute;picas. O vermelho visita as p&aacute;ginas, prudentemente, para instruir o nosso olhar.</p>      <p>Neste livro &lsquo;&lsquo;quando tudo quanto ele pode fazer &eacute; dar-nos desejos&rsquo;&rsquo; (Proust, 2003: 35), saem das palavras personagens e engendramos uma contracena: </p>      <blockquote>    <p>&#91;Nonas&#93; &ndash; <i>Par</i> (aquele que h&aacute; muito vive o mundo. Austero, o seu figurino confunde-se com o espa&ccedil;o, e a voz quente e colocada, afirma-se em v&aacute;rios registos t&iacute;mbricos, definidos pela &uacute;nica mai&uacute;scula. Apraz-lhe propor jogos antin&oacute;micos, debitando frases que ro&ccedil;am aforismos. Fala do tempo, o tempo todo e de como o tempo leva a durar, a configurar, a dividir, a ocupar, a partilhar, a transcrever, a traduzir, a escrever, a lembrar, a percorrer, a contar, a ver, a ligar, a acontecer, a esconder, a amar, a imaginar e a medir, depois das palavras se soltarem do tinteiro.)</p> </blockquote>     <blockquote>    <p>&ndash;&lsquo;&lsquo;I kept all your letters in an inkpot. / I forgot all their words and how to get them free. I feel they are constantly searching for a window from where they can see the night coming. / They returned to the place they belong to: the inner place of my memory, the red corner of my paintings. (Maia, 1992: 46, 47)</p> </blockquote>     <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#91;Ao lado&#93; &ndash; <i>Impar</i> (o da express&atilde;o tumultuosa, ensaiada em velaturas e sobreposi&ccedil;&otilde;es empastadas. A cor da sua roupagem invade a superf&iacute;cie do suporte e a fotografia revela transpar&ecirc;ncia e opacidade nos vermelhos do tinteiro e da pena; um outro tinteiro faz de conta que pertenceu a Pandora. A cada &lsquo;deixa&rsquo; de <i>Par</i> uma resposta pronta, serve-se de todos os meios pr&oacute;ximos. Genu&iacute;na e rebelde, revela alguma ingenuidade. <i>Impar</i> &eacute; um recolector. No bul&iacute;cio dos dias, manipula as cores, as linhas, os caracteres, as contas, os instrumentos para desenhar, medir, escrever e focar; os pap&eacute;is e os cristais e os algarismos. Est&aacute; situado no tempo que &eacute; o seu).</p> </blockquote>     <blockquote>    <p>&#91;Voltando atr&aacute;s&#93; &ndash; <i>Par</i> (interpela com uma W capital): </p> </blockquote>     <blockquote>    <p>&ndash;&lsquo;&rsquo;Why do angels have wings if they don&rsquo;t know how to fly?&rsquo;&rsquo;/ &lsquo;&rsquo;What can I say?&rsquo;&rsquo;/ I know that they are never in heaven, and that they do not belong on earth. / Perhaps their wings are meant only to show us that they do not really exist; that they belong nowhere. / I once met a walking angel. He would always walk away from me.&rsquo;&rsquo;(Maia, 1992: 44,45) </p> </blockquote>     <blockquote>    <p>&#91;Ao lado&#93; &ndash; <i>Impar</i> (mant&eacute;m-se silencioso; uma asa expande-se, espessa e texturada, como uma curva esbo&ccedil;ada sobre uma mancha vermelha e laranja na superf&iacute;cie do papel.</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>2. O Modo de Ler</b></p>      <p>Objecto publicado, o livro prop&otilde;e, &agrave; partida, uma leitura individual, por ventura, m&iacute;stica e alheia a cerim&oacute;nias coletivas. E o teatro, por excel&ecirc;ncia um espet&aacute;culo com p&uacute;blico, tem como principal desafio a conquista, a cada &lsquo;fun&ccedil;&atilde;o,&rsquo; dessa esp&eacute;cie de privil&eacute;gio de intimidade que acontece entre a imagem da palavra e <b>cada</b> espectador da assist&ecirc;ncia. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao entrar na pequena capela estamos no lugar universal do ponto de vista &uacute;nico. O convite ao recolhimento re&uacute;ne as condi&ccedil;&otilde;es cenogr&aacute;ficas que fazem da intimidade uma viv&ecirc;ncia est&eacute;tica e espacial. Uma vez l&aacute; dentro, somos compelidos a uma pose devocional, assim se resgatando, no modo Instala&ccedil;&atilde;o, a interatividade de um processo de rela&ccedil;&atilde;o entre dois mundos (F&eacute;ral, 2002) &mdash; uma experi&ecirc;ncia de teatralidade. Da capela com os genuflex&oacute;rios &agrave; figura do Book of Hours ali pousado, a trajet&oacute;ria para um espa&ccedil;o virtual &eacute; uma experi&ecirc;ncia no cen&aacute;rio onde o Livro de Artista nos convida &agrave; articula&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e do tempo, como figuras na representa&ccedil;&atilde;o de uma narrativa. Anulada a dist&acirc;ncia entre a pe&ccedil;a e o espectador, esse espa&ccedil;o semiotizado acolhe a experi&ecirc;ncia de um processo teatralizado. &quot;In this instance, space is the vehicle of theatricality. &#91;&#8230;&#93; It is the simple exercise of watching that reassigns gestures to theatrical space&quot; (F&eacute;ral, 2000: 95). </p>      <p>Necessitamos estar dispon&iacute;veis e c&uacute;mplices para compreender o sentido do que nos &eacute; proposto organicamente, emocionalmente e intelectualmente, dando ao tempo um tempo largo para a experi&ecirc;ncia do adv&eacute;rbio. &quot;More than a property with analyzable characteristics, theatricality seems to be a process that has to do with a &lsquo;gaze&rsquo; that postulates and creates a distinct, virtual space belonging to the other, from which fiction can emerge&quot; (F&eacute;ral, 2000: 97). Na realidade, estamos agora de posse dos elementos formais e materiais que conferem significado ao que vemos. Assim o livro, abandonada a portabilidade que lhe &eacute; inerente, refor&ccedil;a o car&aacute;cter da met&aacute;fora conceptual, j&aacute; contida na sequ&ecirc;ncia das p&aacute;ginas que nos falam sobre &quot;organiza&ccedil;&otilde;es plurais do tempo&quot; para assim se assumir como experi&ecirc;ncia alternativa de leitura. &quot;&Ecirc;tre devant l&rsquo;image, c&rsquo;est &agrave; la fois remettre le savoir en question et remettre du savoir en jeu&quot; (Didi-Hubermam, 2011: 83). </p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>      <p>Estabelecida a transfer&ecirc;ncia do real f&iacute;sico para o ficcional, o car&aacute;cter relacional cria, nesta Instala&ccedil;&atilde;o, a possibilidade da percep&ccedil;&atilde;o da teatralidade. Este processo permite, assim, uma experi&ecirc;ncia pr&oacute;xima da de um teatro intimista (espa&ccedil;o limitado e reduzido; &iacute;ntimo de estilo e conte&uacute;do) e que exige, para a sua compreens&atilde;o, a cumplicidade que lhe valoriza o sentido. Neste jogo, Gil Maia prop&otilde;em-nos, afinal, um objecto de resist&ecirc;ncia onde se reflete sobre a possibilidade de resgatar uma outra forma de entender o tempo. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>      <p>AAVV (2011), &lsquo;&ldquo;;Elipse da Dura&ccedil;&atilde;o&rsquo;&rsquo;, cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o-curadoria F&aacute;tima Lambert, Porto, IPP</p>      <p>Aug&eacute;, M., Didi-Huberman, G., Eco U. (2011), &lsquo;&ldquo; Exp&eacute;rience des Images&rsquo;&rsquo;, Paris, INA &Eacute;ditions</p>      <p>Didi-Huberman, Georges (2000), &lsquo;&ldquo;;Devant le temps&rsquo;&rsquo;, Paris, Les Editions de Minuit </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>F&eacute;ral, Josette e Ronald P. Bermingham (2002), &lsquo;&ldquo;Theatricality: The Specificity of Theatrical Language&rsquo;&rsquo;, in <i>Substance</i>, Vol. 31, No. 2/3, Issue 98/99: Special Issue: Theatricality pp. 94- 108, University of Wisconsin Press </p>      <p>Maia, Gil (1992) &lsquo;&ldquo;Book of Hours&rsquo;&rsquo;, # 34, Porto, Porto Editora</p>      <p>Proust, Marcel (2003), &lsquo;&ldquo;O Prazer da Leitura&rsquo;&rsquo;, trad. Magda B. Figueiredo, Lisboa, Teorema</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> Artigo completo recebido a 8 de setembro, e aprovado a 23 de setembro, 2012.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:manuela.bronze@gmail.com"> manuela.bronze@gmail.com </a> (Manuela Bronze).</p>          ]]></body><back>
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