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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b>    <br> </p>  	    <p><b>Quando verdejar</b>  	</p>    <p><b>When greening: an auto biographic work</b> 		</p>    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>S&oacute;nia Leite de Assis Fonseca&#42; &amp; Rosvita Kolb&#42;&#42;</b> 	</p>    <p>&#42;S&oacute;nia Leite de Assis Fonseca: Brasil, artista visual. Brasil, artista visual. Mestrado em Artes, Escola de Belas Artes, Universidade Federal de Minas Gerais (EBA, UFMG). 	</p>    <p>&#42;&#42;Rosvita Kolb: Brasil, artista visual. Licenciatura em Desenho e Pl&aacute;stica pelo Centro Universit&aacute;rio Feevale, Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o (Curr&iacute;culo) pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo. Doutora em Educa&ccedil;&atilde;o pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professora da Escola Bal&atilde;o Vermelho e professora efetiva da Escola Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Foi professora do curso de Estilismo e Moda da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Experi&ecirc;ncia em Ensino de Arte, Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica e forma&ccedil;&atilde;o de professores. 	</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> 	<a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>RESUMO</b> 	    <br>A obra &quot;Quando verdejar&quot;, que &eacute; de cunho autobiogr&aacute;fico, tem uma rela&ccedil;&atilde;o direta com a vida. A artista apresenta um processo de cria&ccedil;&atilde;o onde mat&eacute;ria e mem&oacute;ria se confundem. Fazem parte da sua obra 50 cadernos, 1095 desenhos de flores. Envolvida por um sentimento de perda, ela segue com o desejo de atravessar lembran&ccedil;as, construindo 1095 potes de gesso que abrigam 1095 flores de hibisco. 	</p>    <p><b>Palavras-chave:</b> Arte, Autobiografia, Mem&oacute;ria 		</p>    <p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>ABSTRACT</b> 	    <br>The autobiographical work &quot;When greening&quot; has a direct relationship with life. The artist presents a creation process where matter and memory mingle. Part of her work consists in 50 notebooks and 1095 drawings of flowers. Taken by a sense of loss, she follows with the desire of crossing memories, building 1095 plaster pots that house 1095 hibiscus flowers. 	</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Art, Autobiography, Memory 	</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>    <p> Scheilla Ramos, jovem artista, mineira, brasileira, de jeito simples, &eacute; pessoa&#47;cora&ccedil;&atilde;o, &eacute; sorriso que cativa, &eacute; pura poesia. &quot;Quando Verdejar&quot; &eacute; o t&iacute;tulo da sua obra de cunho autobiogr&aacute;fica. </p>    <p> Scheilla dedica seu trabalho ao tempo e ao outro, principalmente &agrave;s mulheres. Inicia sua trajet&oacute;ria art&iacute;stica durante seu curso de Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica na Escola Guignard, Escola de Arte da Universidade do Estado de Minas Gerais, Brasil. </p>    <p> &Eacute; uma artista que busca em camadas submersas da arte e da vida os momentos de espera e solid&atilde;o, o que traz &aacute; tona reflex&otilde;es e discuss&otilde;es da arte contempor&acirc;nea, da arte relacional, entrela&ccedil;ando a vida com a arte. </p>    <p> A sua obra inspira-se no artista brasileiro Jos&eacute; Bechara e na francesa Sophie Calle. &Eacute; composta de repeti&ccedil;&otilde;es que constroem a m&eacute;trica de uma mostra com infinitas possibilidades, ao colecionar 1095 flores de hibisco (<a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>). S&atilde;o flores sobre pap&eacute;is; pap&eacute;is que viram cadernos, cadernos com manchas de flores e flores como lembran&ccedil;as de sua m&atilde;e &#8211; &quot;quando verdejar&quot;! Apresenta mil e noventa e cinco vezes &#8211; desenhos, mil e noventa e cinco &#8211; proje&ccedil;&otilde;es em mesas vitrines, em mesas recheadas, entrelinhas que testemunham um viver intenso, desnudada na terra em transe. </p>      <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a18f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a18f2.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p> <b>1. A mat&eacute;ria da mem&oacute;ria</b> </p>    <p> A artista&#47;professora apresenta em seu processo de amadurecimento art&iacute;stico, um inquieto processo de cria&ccedil;&atilde;o onde mat&eacute;ria e mem&oacute;ria se confundem. Fazem parte da sua obra muitos cadernos onde pigmentos de flores oxidaram e, posteriormente, sugeriram novas formas para as flores redesenhadas. Segundo a artista: </p>    <p>     <blockquote><i>As flores brotam em outra superf&iacute;cie promovendo a altera&ccedil;&atilde;o de um estado aprisionado da espera. As 1095 flores depositadas ao fundo de potes de gesso, sua aura transposta a 50 cadernos e a eterniza&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;rias compostas de 1095 desenhos solidificam a exposi&ccedil;&atilde;o na Galeria de arte Archidy Picado do governo de Para&iacute;ba que teve abertura no dia 10 de novembro de 2011.</i></blockquote> </p>    <p> Seus cadernos, para al&eacute;m das oxida&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o tamb&eacute;m testemunhos de sua busca, s&atilde;o como a pot&ecirc;ncia contida em escolhas, um misto de dor, tristeza, alegria, poesia em estado de busca (<a href="#f3">Figura 3</a>).  </p>      <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a18f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>  Segundo Salles </p>     <blockquote><i>A obra de arte &eacute;, com raras exce&ccedil;&otilde;es, resultado de um trabalho que se caracteriza por transforma&ccedil;&atilde;o progressiva, que exige, por parte do artista, investimento de tempo, dedica&ccedil;&atilde;o e disciplina. A obra &eacute; precedida por um complexo processo feito de corre&ccedil;&otilde;es infinitas, pesquisas, esbo&ccedil;os e planos. Os rastros deixados pelo artista de seu percurso criador s&atilde;o a concretiza&ccedil;&atilde;o deste processo de cont&iacute;nua metamorfose</i> (Salles, 2000: 22).  </blockquote>      <p> Envolvida no seu sentimento de perda, por conta de uma desilus&atilde;o amorosa, ela segue com o desejo de atravessar lembran&ccedil;as, construindo 1095 potes de gesso que abrigam as flores mortas, promovendo a altera&ccedil;&atilde;o de um estado de espera para a eterniza&ccedil;&atilde;o de suas mem&oacute;rias. </p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Foram 1095 desenhos, 1095 flores, 1095 dias de conviv&ecirc;ncia com o outro. </p>    <p> Segundo a artista, a exposi&ccedil;&atilde;o autobiogr&aacute;fica &quot;Quando verdejar&quot;, entrela&ccedil;a a sua obra com a vida, ao expor seus objetos, desenhos, pinturas. A artista revela a sua intimidade ao afirmar que &quot;No momento de expor a minha obra, desfa&ccedil;o e divido as minhas mem&oacute;rias com os outros, provocando um sentimento de desnudar-me&quot; (Ramos, 2011: 41; <a href="#f4">Figura 4</a>). </p>      <p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a18f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>      <p> Se por um lado, ela desvela a sua intimidade, a sua dor, por outro lado, os impulsos oferecidos para a constru&ccedil;&atilde;o da sua obra t&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o direta com a vida. Ela transp&otilde;e para o papel a ess&ecirc;ncia das flores mortas, coletadas, guardadas, procurando, como ela mesmo destaca, &quot;&#91;...&#93; n&atilde;o procuro apenas o registro, mas a alma do que j&aacute; deixou de ser.&quot; (Ramos, 2011: 31). Essa rela&ccedil;&atilde;o direta com a vida que se manifesta na sua obra, faz com que nosso olhar vire-se para outros artistas brasileiros como Rivane Neuenschwander, Alexandre Siqueira, Jos&eacute; Bechara e da francesa Sophie Calle, que de alguma forma, trouxeram nas suas obras quest&otilde;es que foram fonte de inspira&ccedil;&atilde;o para esta jovem artista. E &eacute; neste sentido que ela destaca que, &quot;Me espelho em Calle por me portar como sujeito&#47;objeto da pr&oacute;pria vida sobre mim. Meu arquivo particular &eacute; aberto ao olhar do outro e minhas fragilidades e impossibilidades podem ser vistas&quot; (Ramos, 2011: 42). </p>    <p> Como forma de dar continuidade &agrave; sua obra autobiogr&aacute;fica, observamos a presen&ccedil;a do desenho de uma cadeira no canto da p&aacute;gina em um de seus in&uacute;meros cadernos. A cadeira-desenho nos revela nada mais do que um processo de observa&ccedil;&atilde;o, de continuidade e espera em que a presen&ccedil;a e, tamb&eacute;m, a aus&ecirc;ncia, confirmam a a&ccedil;&atilde;o do tempo sem atrelar a ele a ideia do antes e do depois, num estado absoluto de acolhimento. </p>    <p> Segundo Agostinho &quot;&#91;...&#93; a pobreza da intelig&ecirc;ncia humana se manifesta na abund&acirc;ncia de palavras porque a busca requer mais palavras que a descoberta &#91;...&#93;&quot; (1984: 361). </p>    <p> Assim, a intensidade contida nos seus cadernos, com os desenhos, marcas, escritos sobre tecido, demonstra que a artista est&aacute; para al&eacute;m da pobreza da intelig&ecirc;ncia humana, conforme apontado por Agostinho (1984), quando indica que para o cr&iacute;tico pesquisador o processo criativo insiste na abund&acirc;ncia do fazer que desnuda a si pr&oacute;prio. A artista obedece aos impulsos da sua mem&oacute;ria, da identidade do tempo, da transposi&ccedil;&atilde;o, da travessia, e principalmente do afeto (<a href="#f5">Figura 5</a>; <a href="#f6">Figura 6</a>; <a href="#f7">Figura 7</a>). </p>      <p>&nbsp;</p> <a name="f5"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a18f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f6"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a18f6.jpg"></a>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f7"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a18f7.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>  Ainda segundo Agostinho que registrou em sua obra &quot;Confiss&otilde;es&quot; que a sua busca e a sua ang&uacute;stia serviam para a compreens&atilde;o de mat&eacute;ria, verdade, c&eacute;u e Deus; Scheilla vai de encontro a esse pensamento ao registrar a subst&acirc;ncia da cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, sua forma, sua verdade, sua origem. N&atilde;o existe inten&ccedil;&atilde;o de igual&aacute;-la a estes autores, mas a de criar identidades no estado de sua busca, e assim uma indaga&ccedil;&atilde;o surge aqui: de onde prov&eacute;m o impulso criativo de Scheilla? Como se fomenta esse processo nesta artista? Da dor? Da desilus&atilde;o amorosa? Do desejo de produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e, dessa forma, todos os impulsos s&atilde;o apenas pontos de partida? </p>    <p> Quanto &agrave; mem&oacute;ria, na problem&aacute;tica do reconhecimento, Ricoeur assume que &quot;&#91;...&#93; n&oacute;s nos aproximaremos ainda mais do que gosto de chamar de pequeno milagre do reconhecimento se discernirmos a solu&ccedil;&atilde;o do mais antigo enigma da problem&aacute;tica da mem&oacute;ria, a saber, o da representa&ccedil;&atilde;o presente de uma coisa ausente&quot; (2006: 136).   </p>    <p>   Conclu&iacute;mos este artigo, afirmando que o espa&ccedil;o m&aacute;gico que eclode do ser sens&iacute;vel da artista predisp&otilde;e uma obra onde a mem&oacute;ria se traduz na escolha da mat&eacute;ria que reconstr&oacute;i a coisa ausente (<a href="#f7">Figura 7</a>). N&atilde;o importa se a representa&ccedil;&atilde;o corresponde ao objeto da mem&oacute;ria, mas com ela se constr&oacute;i a po&eacute;tica, sempre presente que em algum lugar misterioso se alojou em sentimentos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>    <p> Agostinho, Santo (1984) <i>Confiss&otilde;es.</i> S&atilde;o Paulo: Paulus. </p>    <p> Ricoeur, Paul (2006) <i>Percurso do reconhecimento</i>. S&atilde;o Paulo: Loyola. </p>    <p> Salles, Cec&iacute;lia (2000) <i>Cr&iacute;tica Gen&eacute;tica. </i> S&atilde;o Paulo: EDUC. 		</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p>      <p>Artigo completo recebido a 13 de janeiro e aprovado a 30 de janeiro de 2013.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:rnf.bhz@terra.com.br"> rnf.bhz@terra. com.br </a> (Rosvita Kolb). </p>      ]]></body>
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