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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Joana Vasconcelos e Rafael Bordalo Pinheiro: uma relação "à flor da pele"]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Ready-made and fashion have been used in Joana Vasconcelos' work as constant resources. The artist recycles Rafael Bordalo Pinheiro's animal shaped faience figures, by fully covering them in crochet, so as to enhance his peer's social critique. Thus, the ceramist's art pieces acquire not only a second-skin but also new readings, since the textile is, in itself, bearer of meanings.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b>    <br> </p>   	    <p><b>Joana Vasconcelos e Rafael Bordalo Pinheiro: uma rela&ccedil;&atilde;o &quot;&agrave; flor da pele&quot;</b> 	</p>    <p><b>Joana Vasconcelos and Rafael Bordalo Pinheiro: a &quot;skin-deep&quot; relationship</b> 		</p>    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Alexandra Cabral&#42;</b></p> 	    <p>&#42;Portugal, design de moda. Frequenta o doutoramento em Design (vertente Moda) na Faculdade de Arquitectura de Lisboa (FAUTL). Mestre em Design de Moda (FAUTL) Licenciada em Arquitectura de Design de Moda (FAUTL). 	</p>    <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>RESUMO</b>    <br>O recurso ao ready-made e &agrave; moda tem sido recorrente na obra de Joana Vasconcelos. As faian&ccedil;as de Rafael Bordalo Pinheiro s&atilde;o recicladas pela artista atrav&eacute;s do revestimento a croch&eacute;, de modo a destacar a cr&iacute;tica social que este faz. As pe&ccedil;as do ceramista adquirem assim uma segunda-pele e, com ela, novas leituras, porque o t&ecirc;xtil &eacute;, em si, portador de significados. 	</p>    <p><b>Palavras chave:</b> Joana Vasconcelos, Rafael Bordalo Pinheiro, Croch&eacute;, Arte Contempor&acirc;nea, Autoria. 		</p>    <p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>ABSTRACT</b>    <br> Ready-made and fashion have been used in Joana Vasconcelos&#39; work as constant resources. The artist recycles Rafael Bordalo Pinheiro&#39;s animal shaped faience figures, by fully covering them in crochet, so as to enhance his peer&#39;s social critique. Thus, the ceramist&#39;s art pieces acquire not only a second-skin but also new readings, since the textile is, in itself, bearer of meanings.  	</p>    <p><b>Keywords:</b> Joana Vasconcelos, Rafael Bordalo Pinheiro, Crochet, Contemporary Art, Authorship.  		</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>  	&nbsp;</p>    <p> 	Rafael Bordalo Pinheiro incutiu cariz art&iacute;stico no ramo industrial das faian&ccedil;as, no &acirc;mbito da Arte Nova, seguindo a mesma tend&ecirc;ncia de William Morris, que fundou o Grupo de Artes e Of&iacute;cios para preservar o artesanato em circunst&acirc;ncias de produ&ccedil;&atilde;o colectiva. A desvaloriza&ccedil;&atilde;o do artesanato face &agrave; produ&ccedil;&atilde;o industrial e a validade das obras de arte reprodut&iacute;veis s&atilde;o assim quest&otilde;es levantadas desde o surgimento da reprodutibilidade t&eacute;cnica, posteriormente escrutinada por Walter Benjamin. Actualmente, a t&eacute;cnica permite evidenciar o valor acrescentado do artesanato no pr&oacute;prio design, nas vertentes etnogr&aacute;ficas e culturais. Artistas como Joana Vasconcelos usam objectos dos dois universos, reciclando-os em recontextualiza&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas. No caso das faian&ccedil;as decorativas de Rafael Bordalo Pinheiro, a artista f&aacute;-lo com recurso ao ready-made e &agrave; moda. O revestimento a croch&eacute; confere um novo car&aacute;cter est&eacute;tico &agrave;s pe&ccedil;as, atrav&eacute;s de significa&ccedil;&otilde;es de segunda-pele, como podemos observar em Cle&oacute;patra (2009) ou Mamba (2012). A escultora, nascida em Paris em 1971, est&aacute; entre os artistas nacionais mais internacionalizados. Do percurso mais recente, destacamos a exposi&ccedil;&atilde;o no Pal&aacute;cio de Versalhes (2012), onde obras que integraram faian&ccedil;as de Rafael Bordalo Pinheiro estiveram presentes, nomeadamente em Le Dauphin et La Dauphine (2012). Tamb&eacute;m &eacute; de referir que Joana Vasconcelos foi convidada para representar Portugal na Bienal de Arte de Veneza 2013.  	&nbsp;</p>    <p> 	    <p>&nbsp;</p>  <b>1. Naperonizando&#8230;</b> &nbsp;</p>    <p> Joana Vasconcelos possui tr&ecirc;s linhas mestras com que orienta a sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica (Cunha, 2005). A primeira foca o tema do consumismo e da urbanidade, da banalidade dos objectos do quotidiano. A segunda diz respeito &agrave; mulher, ao car&aacute;cter da sua exist&ecirc;ncia na sociedade, segundo uma postura anti feminista. A &uacute;ltima relaciona-se com o Novo Realismo, ou seja, assuntos sociais e pol&iacute;ticos. As duplas leituras, em que v&aacute;rios assuntos se misturam, s&atilde;o, no entanto, caracter&iacute;sticas distintivas da sua obra. Na rela&ccedil;&atilde;o Â«&agrave; flor da peleÂ» com Rafael Bordalo Pinheiro, Joana Vasconcelos consegue conjugar as duas &uacute;ltimas, sem se afastar da primeira. Atavios pouco urbanos a que nos prendemos s&atilde;o eles, para al&eacute;m do croch&eacute;, tamb&eacute;m figuras de loi&ccedil;a. A artista j&aacute; nos habituou a trazer a p&uacute;blico o universo privado, dando visibilidade a objectos ou pr&aacute;ticas do mundo globalizado, usando assim tamp&otilde;es, panelas, garfos ou garrafas de vidro. Com a utiliza&ccedil;&atilde;o das faian&ccedil;as de Rafael Bordalo Pinheiro como ready-made, acaba por colocar a esfera p&uacute;blica no universo privado, aludindo ao consumo de bibelots relativos a determinados animais, que ela pr&oacute;pria faz quest&atilde;o de naperonizar (<a href="#f1">Figura 1</a>). Esse termo que inventa traduz o acto de revestir, forrar objectos para embelez&aacute;-los ou preserv&aacute;-los, como se tal gesto proporcionasse um sentimento de conforto: uma maneira portuguesa de depend&ecirc;ncia a determinadas coisas que nos fazem sentir melhor, apesar de n&atilde;o resolvem as nossas vidas (Cabral, 2010:150). &Eacute; esse gesto que coloca em destaque a utiliza&ccedil;&atilde;o da obra de Rafael Bordalo Pinheiro, porque a artista sabe, tal como o ceramista sabia, que ao proteger animais atrav&eacute;s da sua arte, tal n&atilde;o impede os seus maus-tratos (apesar de delat&aacute;-los). A nova est&eacute;tica serve de alerta para uma realidade menos bela, pois ficamos sem saber o que pensar da nossa condi&ccedil;&atilde;o.     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a24f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p> &Eacute; o gesto de naperonizar que conjuga a produ&ccedil;&atilde;o em s&eacute;rie com a produ&ccedil;&atilde;o artesanal, na obra de Joana Vasconcelos. Esse processo &eacute; tamb&eacute;m, em si, uma &acirc;nsia incontida que destaca uma aproxima&ccedil;&atilde;o ao ceramista que a mesma venera. Ao contr&aacute;rio do que diz sobre a sua obra, &quot;quando pego nos objectos n&atilde;o os transformo, utilizo e massifico. O pequeno toque &eacute; o que faz as pessoas darem-lhe outros significados&quot; (Nobre, 2007), aqui Joana Vasconcelos pega e transforma, sem massificar. O pequeno toque &eacute;, neste caso, uma pequena contradi&ccedil;&atilde;o, pois a subtileza de escolher padr&otilde;es espec&iacute;ficos para determinados animais, revela uma atitude deliberada na caracteriza&ccedil;&atilde;o da sua personalidade (Cabral, 2012: 264). Por usar uma t&eacute;cnica artesanal, o croch&eacute;, cada obra acaba por ser ligeiramente diferente da anterior. Que diferen&ccedil;as identificamos nos lobos Garibaldi (2012), Rabelais (2011) ou Blue Night (2008), todos eles resultantes da naperoniza&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;as de faian&ccedil;a id&ecirc;nticas? Conceptualmente poucas, mas analisadas &agrave; lupa, mais do que as que conseguimos identificar entre Marilyn (2009) ou Dorothy (2007), sapatos-esculturas feitos de tachos, obras 100% reprodut&iacute;veis. No croch&eacute;, diz-nos Joana Vasconcelos, &quot;h&aacute; pe&ccedil;as que t&ecirc;m uma forma estranha, portanto at&eacute; na forma podem ser diferentes&quot; (Cabral, 2010: 238). &nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O acto de cobrir a croch&eacute; n&atilde;o dissimula apenas, mas transforma verdadeiramente a pe&ccedil;a original, sem no entanto encobrir a sua origem. &Eacute; talvez esse o motivo pelo qual esta vertente da sua obra n&atilde;o tenha estado presente na sua retrospectiva Sem Rede (2010) no Centro Cultural de Bel&eacute;m. A esse respeito, &quot;a exposi&ccedil;&atilde;o teve todo o cuidado com a organiza&ccedil;&atilde;o e com a escolha das pe&ccedil;as (&#8230;) &#91;e com&#93; a op&ccedil;&atilde;o de excluir as obras em croch&eacute;&quot; (Bieger, 2011: 72). Por outro lado, se os objectos n&atilde;o se transformam em obras de arte, o que se altera &eacute; a forma como os vemos, como se lhes d&eacute;ssemos a oportunidade de terem um novo uso (Nobre, 2009: 33-34), e aqui Joana Vasconcelos incute-nos, sem d&uacute;vida, essa necessidade de releitura dos mesmos. Pensemos em Rafael Bordalo Pinheiro e na t&eacute;cnica magistral da sua arte, revelada pela superf&iacute;cie do vidrado, realista e vibrante, dando Â«vidaÂ» aos animais que molda em cer&acirc;mica. Por que os cobre ent&atilde;o Joana Vasconcelos? Julgamos que os detalhes s&atilde;o suprimidos para darem lugar de destaque &agrave; forma, reciclando a necessidade de criticar actos sociais que nunca deixaram de existir. A apar&ecirc;ncia das obras naperonizadas assemelha-se &agrave;quela das obras marcadamente exuberantes, em que &quot;Joana Vasconcelos opta pelo oposto da beleza ou da bela apar&ecirc;ncia, reivindicando, ao faz&ecirc;-lo, uma est&eacute;tica da fealdade&quot; (Vasconcelos & Lageira, 2007:27). Atrai-nos, desse modo, ao consumismo de algo que tem realmente valor: objectos que representam coisas que n&atilde;o conseguimos controlar (Almeida, 2008:36), mas que insistimos em dominar &#8211; reproduzindo assim a postura acutilante e certeira que o ceramista teve perante a sociedade da sua &eacute;poca. &nbsp;</p>    <p> Esta quest&atilde;o do dom&iacute;nio, revelada atrav&eacute;s do croch&eacute;, est&aacute;, na obra de Joana Vasconcelos, intimamente relacionado com a sua cr&iacute;tica ao feminismo, embora a artista acabe por, em alguns momentos, apoderar-se dele, quando, na obra Super Napron (2005) reveste (subliminarmente) um homem a croch&eacute;. Esse poder, de quem subjuga outro ao seu des&iacute;gnio, pode tamb&eacute;m ser interpretado como maternal, transposto para a protec&ccedil;&atilde;o dos animais que atacamos. Assim, tanto as loi&ccedil;as como os bordados que s&atilde;o hoje obsoletos, parecem afinal ser reveladores de determinada intelig&ecirc;ncia e saber t&eacute;cnico. A pr&oacute;pria artista interroga-se sobre o poder do croch&eacute;, dizendo: &quot;Comecei por explorar esta t&eacute;cnica usada pelas mulheres sempre em bordadinhos e questionei-me: por que raz&atilde;o este material, pouco nobre, n&atilde;o pode ganhar nobreza?&quot; (Rodrigues, 2009: 50).  &nbsp;</p>    <p> Contudo, o objectivo de Joana Vasconcelos em &quot;trasladar a low culture &agrave; high culture, ligando uma coisa banal, quotidiana e sem valor, ao conceito de escultura contempor&acirc;nea&quot; (R&uacute;bio, 2007: 45) &eacute;, no caso da adapta&ccedil;&atilde;o das obras de Rafael Bordalo Pinheiro, redundante, pois as pe&ccedil;as desse artista eram mais do que simples pe&ccedil;as decorativas. Aqui n&atilde;o &eacute; a nossa cultura, expressa atrav&eacute;s da moda (acto de vestir) que est&aacute; em destaque, mas &eacute; a que nos toca atrav&eacute;s da cer&acirc;mica: aquilo que faz realmente parte da nossa identidade revela-se na contribui&ccedil;&atilde;o de Rafael Bordalo Pinheiro (Bieger, 2011: 66). O trabalho feminino de outrora, nomeadamente o de bordar, era uma forma de express&atilde;o dentro de casa, traduzindo uma produ&ccedil;&atilde;o intimista de mulheres que poucas hip&oacute;teses tinham de se expressarem socialmente. No entanto, as pe&ccedil;as que revestem as cer&acirc;micas s&atilde;o compradas nas feiras, podendo ser reprodu&ccedil;&otilde;es de motivos veiculados por revistas, porque o croch&eacute; &eacute;, afinal, uma t&eacute;cnica global. A biblioteca t&ecirc;xtil do atelier de Joana Vasconcelos, organizada por caixas etiquetadas por cores e tipos de materiais, condiz com a diversidade de figuras de cer&acirc;mica &agrave; espera de serem revestidas, e por momentos esquecemo-nos que estamos num atelier de uma escultora (Cabral, 2010: 164). Estar&aacute; a artista a apegar-se a atavios pouco urbanos, mas que a fazem sentir-se melhor? &nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b> &nbsp;</p>    <p> Nas fronteiras indefinidas da arte contempor&acirc;nea podemos usar o ready-made, incorrer na facilidade da t&eacute;cnica, incutir a originalidade atrav&eacute;s de uma roupagem. O papel da criatividade na arte contempor&acirc;nea est&aacute;, repetidamente, na reciclagem de ideias e materiais pr&eacute;-concebidos. Assim, as fronteiras daquilo que &eacute; autoral ou copiado, reconvertido ou transformado, parecem estar patentes numa abordagem de curadoria, aqui explorada por Joana Vasconcelos. A rela&ccedil;&atilde;o &quot;&agrave; flor da pele&quot; pode ser tamb&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o &agrave; flor da nossa pele, enquanto artistas, de encontrarmos um caminho na arte.  &nbsp;</p>    <p> O croch&eacute; inverte a cr&iacute;tica social, relativamente &agrave; da &eacute;poca de Rafael Bordalo Pinheiro. O papel masculino, da protec&ccedil;&atilde;o, foi substitu&iacute;do pelo feminino, maternal. &Eacute; novamente uma cr&iacute;tica ao feminismo, habitual em Vasconcelos, mas com &acirc;mago de cr&iacute;tica ao sistema social em que vivemos, e n&atilde;o como cr&iacute;tica ao feminismo em si. Por outro lado, na rela&ccedil;&atilde;o &quot;&agrave; flor da pele&quot; com Rafael Bordalo Pinheiro, Joana Vasconcelos revela-se, tal como ele, em Z&eacute; Povinho. O ceramista, embora n&atilde;o se identificando com a estatueta, faz parte do universo a que ela alude. Igualmente, numa rela&ccedil;&atilde;o de amor-desamor, Joana Vasconcelos leva as cer&acirc;micas naperonizadas a Versailles, fazendo-nos novamente a caricatura: mostrando que continuamos pitorescos, mas iguais a n&oacute;s pr&oacute;prios. E a rela&ccedil;&atilde;o de &quot;co-autoria&quot; entre Joana Vasconcelos e Rafael Bordalo Pinheiro &eacute; assim&#8230; desvendada. </p>    <p>     <p>&nbsp;</p>  <b>Refer&ecirc;ncias</b>  </p>    <p> Almeida, J P (2008) &#39;N&atilde;o Conhe&ccedil;o Ningu&eacute;m Como Eu&#39;, ARTES & LEIL&Otilde;ES, Artes & Leil&otilde;es, Sociedade Editorial S.A., Lisboa, Issn 1646-8139, 10 (Set), pp.34-37, 4p. &nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Bieger, I (2011) Paradigmas do Feminismo e da Educa&ccedil;&atilde;o pela Arte: O Caso Joana Vasconcelos. Tese de Mestrado. Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1425615&pid=S1647-6158201300010002400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Cabral, A. (2010) Moda e Obra de Arte Contempor&acirc;nea: Processos, Percursos e Contamina&ccedil;&otilde;es na Obra de Joana Vasconcelos. Mestrado. Faculdade de Arquitectura da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1425617&pid=S1647-6158201300010002400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Cabral, A. (2012) &#39;Joana Vasconcelos: Contamina&ccedil;&otilde;es entre Escultura e Moda&#39;, Revista Est&uacute;dio, vol.5, pp.260-268. Lisboa: Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e de Estudos em Belas Artes, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1425619&pid=S1647-6158201300010002400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  &nbsp;</p>    <p> Cunha, N (2005) &#39;Joana Vasconcelos&#39;, DOMINGO MAGAZINE, suplemento do Correio da Manh&atilde;, Presslivre S.A, Lisboa, 9493 (22 de Maio) pp.28-34, 7p, &#93;.&#91;Consult. 2009-03-15&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.joanavasconcelos.com" target="_blank">http://www.joanavasconcelos.com</a> &nbsp;</p>    <p> Nobre, S (2007) &#39;Lugar de Passagem&#39;, TABU, suplemento do seman&aacute;rio Sol, Newshold S.A, Lisboa, (24 Fev) 3p., &#93;.&#91;Consult. 2009-03-15&#93; Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.joanavasconcelos.com" target="_blank">http://www.joanavasconcelos.com</a> &nbsp;</p>    <p> Nobre, S (2009) &#39;Ningu&eacute;m me Leva a S&eacute;rio&#39;, TABU, Newshold S.A., Lisboa, 121 (3 Jan) pp.32-38, 7p. &nbsp;</p>    <p> Rodrigues, C S (2009) &#39;Joana Vasconcelos, Quinze Anos a Trabalhar&#39;, NOT&Iacute;CIAS MAGAZINE, suplemento do Di&aacute;rio de Not&iacute;cias, Controlinveste Media SGPS, S. A., Lisboa (Mar) p.50, 1p. &nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Rubio, A P (2007) &#39;Do Micro ao Macro e Vice Versa&#39;, in: Adiac Portugal: Corda Seca, Joana Vasconcelos, pp.38-61.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1425625&pid=S1647-6158201300010002400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Vasconcelos, J & Lageira, J (2007) Joana Vasconcelos, Adiac Portugal: Corda Seca, Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1425627&pid=S1647-6158201300010002400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 13 de janeiro e aprovado a 30 de janeiro de 2013.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:cabral.fashion@yahoo.com">cabral.fashion@yahoo.com</a> (Alexandra Cabral). </p>     ]]></body>
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