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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Processo e Conceção Escultórica - a propósito de alguns desenhos de Salvador Barata Feyo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Apropos five preparatory drawings of Salvador Barata Feyo considerations are made upon the role of drawing in the sculpture creative process.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b>    <br> </p>  	    <p><b>Processo e Conce&ccedil;&atilde;o Escult&oacute;rica &#8211; a prop&oacute;sito de alguns desenhos de Salvador Barata Feyo</b>  	</p>    <p><b>Process and Conception in Sculpture &#8211; Apropos Some of Salvador Barata Feyo Drawings</b> 	</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>Raquel Pelayo&#42;</b> 	</p>    <p>&#42;Portugal, artista visual. Doutorada em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, mestre em Hist&oacute;ria de Arte, licenciada em Artes Pl&aacute;sticas &#8211; Pintura. Professora na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e investigadora no i2ads &#8211; Instituto de Investiga&ccedil;&atilde;o em Arte, Design e Sociedade da mesma Faculdade. 	</p>    <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a> 	</p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>RESUMO</b>    <br>A partir de cinco desenhos preparat&oacute;rios de Salvador Barata Feyo reflete-se sobre o papel do desenho no processo criativo da escultura.   	</p>    <p><b>Palavras chave: </b> desenho, processo criativo, Barata Feyo, escultura, oficinal.  		</p>    <p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 		    <p><b>ABSTRACT</b>    <br>Apropos five preparatory drawings of Salvador Barata Feyo considerations are made upon the role of drawing in the sculpture creative process.  		</p>    <p><b>Keywords:</b> drawing, creative process, Barata Feyo, sculpture, craft.  	&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> </p>    <p> Neste artigo propomo-nos refletir sobre os modos como o desenho opera no contexto de um processo de cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, efetivando uma rela&ccedil;&atilde;o concetual e oficinal do artista com a sua obra. Para tal, centramo-nos numa s&eacute;rie de cinco desenhos do escultor portugu&ecirc;s Salvador Barata Feyo (1898-1990) preparat&oacute;rios da monumental est&aacute;tua de bronze de V&iacute;mara Peres, obra de 1968 ao terreiro da S&eacute; do Porto (<a href="#f1-2">Figuras 1 e 2</a>).  &nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1-2"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a27f1-2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p> Feyo foi um prol&iacute;fico escultor, ativo nas d&eacute;cadas de 30 a 60 do s&eacute;culo xx. Formado em escultura na Escola de Belas Artes de Lisboa, foi professor de escultura na Escola de Belas Artes do Porto. Mais do que escultor Feyo foi um estatu&aacute;rio, tendo produzido obras de grande porte, concebidas para espa&ccedil;os p&uacute;blicos citadinos, motivo pelo qual intensamente ter&aacute; integrado o desenho no seu processo oficinal, tornando o seu caso particularmente &uacute;til a uma reflex&atilde;o sobre o papel do desenho na pr&aacute;xis art&iacute;stica. </p>     <p> Na sua obra, onde se encontram influ&ecirc;ncias tanto da tradi&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica como da idade m&eacute;dia, Feyo reinventa formas e volumes por processos de nivela&ccedil;&atilde;o e/ou acentua&ccedil;&atilde;o, em exerc&iacute;cios formais que articulam entre si diversos n&iacute;veis de representa&ccedil;&atilde;o e de abstra&ccedil;&atilde;o, resultando numa figura&ccedil;&atilde;o modernista de claro cunho pessoal.   &nbsp;</p>    <p> Este artigo desenvolve-se em tr&ecirc;s partes, onde se discute o uso do desenho no processo criativo do artista. Para tal utilizou-se uma in&eacute;dita reflex&atilde;o manuscrita pelo pr&oacute;prio cerca de 1966 em Fran&ccedil;a. Na primeira parte incide-se no desenho como m&eacute;dium para o desconhecido. Numa segunda parte reflete-se sobre a ordem temporal dos processos f&iacute;sicos e cognitivos em jogo. Por fim, verifica-se como os dispositivos oficinais t&atilde;o distintos do desenho e da escultura se completam harmoniosamente. Conclui-se com enuncia&ccedil;&atilde;o das propriedades do desenho que servem o desenvolvimento do processo criativo. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>1. Do Exerc&iacute;cio da D&uacute;vida</b> &nbsp;</p>      <blockquote><i>Naquilo que fa&ccedil;o move-me sempre o humano e o abstracto&#8230; Isto n&atilde;o &eacute; novo, j&aacute; os gregos o fizeram h&aacute; 2 mil e tantos anos. E n&atilde;o se admirem das minhas d&uacute;vidas, constantes que se prendem ao que fa&ccedil;o como a raiz &agrave; &aacute;rvore ou as folhas aos ramos. J&aacute; Miguel &Acirc;ngelo, segundo dizem, era um po&ccedil;o de d&uacute;vidas mesmo no fim da vida. Os outros, os maiores duvidaram sempre h&aacute; mil&eacute;nios como hoje. Tudo, seja desenhado ou modelado &eacute; sempre uma adapta&ccedil;&atilde;o. &Agrave;s vezes, talvez por neglig&ecirc;ncia, esque&ccedil;o-me de duvidar. Isso &eacute; muito mau. Basta um instante para, n&atilde;o digo perder tudo, mas perder muito</i> (Feyo, s.d.).    </blockquote>      <p> Nestas notas pessoais, Feyo j&aacute; sexagen&aacute;rio reflete sobre o seu processo criativo e de como este se estrutura a partir do ato de duvidar, ou seja, de uma procura sistem&aacute;tica do novo, do desconhecido, que carateriza um processo aberto de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas em pleno exerc&iacute;cio da criatividade. O problema eternamente em resolu&ccedil;&atilde;o, que despoleta esta reflex&atilde;o &eacute; o da explora&ccedil;&atilde;o dum jogo formal entre o esquema mental abstrato, de cariz proposicional (o abstrato) e a riqueza de um realismo proveniente da plena experi&ecirc;ncia sensorial do mundo (o humano) (<a href="#f3">Figura 3</a>; <a href="#f4">Figura 4</a>).        <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a27f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a27f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p> Na s&eacute;rie de desenhos para a est&aacute;tua de V&iacute;mara Peres podemos observar cinco momentos dessa luta contra o estere&oacute;tipo ou solu&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil. O uso de carv&atilde;o e escala do desenho (cerca de 70x50) propiciam o fazer e o desfazer da imagem, assim como a sua realiza&ccedil;&atilde;o em gestos largos e manchas nebulosas que exibem apagamentos a pano ou &agrave; m&atilde;o e alternativas de posi&ccedil;&otilde;es dentro do mesmo desenho que revelam a sistem&aacute;tica insatisfa&ccedil;&atilde;o, a procura de outras solu&ccedil;&otilde;es alternativas e mais justas. Por detr&aacute;s do &uacute;ltimo desenho encontra-se, de seu punho, um coment&aacute;rio &quot;muito igual ao D&oacute;rdio Gomes&quot; que demonstra, mais uma vez, sua insatisfa&ccedil;&atilde;o, seu duvidar sistem&aacute;tico e sua exig&ecirc;ncia criativa.  &nbsp;</p>    <p> De uns desenhos para os outros observam-se figura&ccedil;&otilde;es alternativas que ensaiam a posi&ccedil;&atilde;o do cavalo e a pose do cavaleiro, o n&iacute;vel e lugares do realismo e do abstrato (entre as figuras, as texturas ou os adere&ccedil;os) e ainda as linhas de for&ccedil;a da composi&ccedil;&atilde;o, crescentemente triangular, que se parecem afirmar pela posi&ccedil;&atilde;o da capa, elemento que na est&aacute;tua final quase desaparece cedendo sua fun&ccedil;&atilde;o compositiva ao expressivo erguer do bra&ccedil;o do her&oacute;i (<a href="#f5-8">Figuras 5, 6 e 7</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5-8"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a27f5-8.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Nestes desenhos o bra&ccedil;o sofreu v&aacute;rias altera&ccedil;&otilde;es em termos de ser mais ou menos fletido e, s&oacute; naquele que supomos ser o &uacute;ltimo desenho (<a href="#f5-8">Figura 8</a>) do conjunto, o bra&ccedil;o projeta-se para cima, num movimento de acentua&ccedil;&atilde;o da verticalidade do conjunto, &quot;aguentando&quot; a nova posi&ccedil;&atilde;o do observador que o desenho adota, j&aacute; n&atilde;o lateral mas de cima para baixo, vista a figura a dois ter&ccedil;os por tr&aacute;s. Aqui, a m&atilde;o que apenas segurava o estandarte/lan&ccedil;a ergue-se, j&aacute; este n&atilde;o cabendo na folha de cart&atilde;o, fornecendo atitude e significado &agrave; figura do her&oacute;i hist&oacute;rico anterior &agrave; nacionalidade.  &nbsp;</p>     <p> O cavalo, agora parado, cede protagonismo ao gesto do cavaleiro, sublinhando-o ao cumprir agora, de patas bem estendidas, o papel de base da piramidal da composi&ccedil;&atilde;o tridimensional. Do lado inverso do cart&atilde;o deste desenho encontra-se uma nota escrita que refor&ccedil;a esta interpreta&ccedil;&atilde;o &quot;&#43; alto s&oacute; em cima e em baixo&quot;.  &nbsp;</p>    <p> Neste poderoso desenho (<a href="#f5-8">Figura 8</a>), atrav&eacute;s do qual o artista cria/descobre a formaliza&ccedil;&atilde;o da ideia para a est&aacute;tua, as poses e gestos das figuras representadas, desprovidas de qualquer detalhe ou adere&ccedil;os, encontram harmonia com a composi&ccedil;&atilde;o das massas e definem uma linha estruturante de for&ccedil;a ascendente que contraria com graciosidade o pesado volume do cavalo, providenciando simultaneamente justo e expressivo significado iconogr&aacute;fico &agrave; obra. &nbsp;</p>    <p>&nbsp;  </p>    <p> <b>2. Do Tempo Cognitivo e do Tempo Operativo</b> &nbsp;</p>      <blockquote><i>O desenho, especialidade que tantas vezes pratico, fa&ccedil;o-o para aprender. N&atilde;o h&aacute; como esse exerc&iacute;cio para compreender melhor o que era, ou podia ser, uma vis&atilde;o vaga. Delinear numa folha de papel plana sem espessura sens&iacute;vel&#8230; Eu s&oacute; queria desenhar com a espontaneidade com que penso. Era assim que dev&iacute;amos desenhar, todos n&oacute;s, como se pens&aacute;ssemos. Essa rela&ccedil;&atilde;o directa, imediata, r&aacute;pida, seria o melhor trunfo neste jogo, no qual frequentemente perco</i> (Feyo, s.d.).  </blockquote>         <p> Com a lucidez que s&oacute; a experi&ecirc;ncia di&aacute;ria do desenho traz, Feyo elege como fator mais determinante do desenho a rapidez de execu&ccedil;&atilde;o que lhe &eacute; pr&oacute;pria. Esta rapidez operativa permite acompanhar o ritmo mais acelerado das opera&ccedil;&otilde;es cognitivas, mesmo quando se trata do mais veloz e impreciso vislumbre. A imediaticidade do desenho permite fixar em imagem rapid&iacute;ssimas (Pelayo, 2002) moment&acirc;neos pensamentos visuais, quase inconscientes, os quais de outra maneira permaneceriam inacess&iacute;veis. Ligando espontaneidade e aprendizagem, Feyo valoriza o conhecimento intuitivo e seu papel de relevo na pr&aacute;xis do desenhar. &nbsp;</p>    <p> Por vezes as ideias surgem quando fazemos outras coisas e anotam-se esquissando num qualquer peda&ccedil;o de papel &agrave; m&atilde;o, dada a prem&ecirc;ncia em n&atilde;o deixar escapar o vislumbre fugidio. Noutras vezes, ou ap&oacute;s essa imprecisa ideia inicial, o esbo&ccedil;o proporciona o meio para uma procura sistem&aacute;tica e plenamente volunt&aacute;ria de for&ccedil;ar o desenvolvimento das ideias.  &nbsp;</p>    <p> A s&eacute;rie de desenhos em an&aacute;lise exibe esbo&ccedil;os que variam em tempo operativo aproximado de 15&#39; (<a href="#f3">Figura 3</a>) a 30&#39; (<a href="#f5-8">Figura 7</a>) no m&aacute;ximo. O desenho linear pode ter sido abandonado por a figura estar encostada ao lado esquerdo da folha limitando o levantamento da pata do cavalo, mas documenta o arranque linear dos desenhos desta s&eacute;rie. &nbsp;</p>    <p> O mesmo ponto de partida &eacute; retomado no desenho da <a href="#f5-8">Figura 5</a>, agora centrado e que, conjuntamente com o desenho seguinte (<a href="#f5-8">Figura 6</a>), marcam uma primeira fase do processo de conce&ccedil;&atilde;o escult&oacute;rico da est&aacute;tua. Para o artista tratar-se-&aacute; de conhecer plenamente o problema, os seus elementos e sua complexidade, onde se oferece possibilidade de detetar padr&otilde;es ou liga&ccedil;&otilde;es entre dados. De facto, em quase nada se parecem estes desenhos com o produto final, a n&atilde;o ser o elenco de grande n&uacute;mero de elementos que s&atilde;o convocados: um cavalo, um cavaleiro medieval, um pedestal, um terreiro urbano, elmo, espada, malha, capa, arreios e la&ccedil;arotes numa miscel&acirc;nea de mem&oacute;rias e reminisc&ecirc;ncias. &nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Um segundo grupo que pensamos ser posterior (<a href="#f5-8">Figura 7</a>, <a href="#f5-8">Figura 8</a>) mostra varia&ccedil;&otilde;es na posi&ccedil;&atilde;o de observa&ccedil;&atilde;o da escultura, sempre inserida no espa&ccedil;o urbano, que permanentemente fornece o contexto e escala nos quais ela &eacute; pensada. Nestes interessant&iacute;ssimos dois desenhos tudo muda. &Eacute; o pr&oacute;prio Feyo quem esclarece a complexidade do processo em jogo quando diz:  &nbsp;</p>     <p>      <blockquote><i>Em todas as pe&ccedil;as que executei fiz por discernir propor&ccedil;&otilde;es, por dar densidade aos volumes, grandeza ao conjunto, resist&ecirc;ncia ao conte&uacute;do e for&ccedil;a a uma ideia a que sempre inundei de mim pr&oacute;prio. Nunca me comprazi em fazer deforma&ccedil;&otilde;es por capricho, nem t&atilde;o pouco me contentei facilmente</i> (Feyo, 1956).  </blockquote>      <p> No primeiro deles o cavalo estanca e enrijece, os p&eacute;s do cavaleiro esticam-se numa ordem ao cavalo e o conjunto ganha unidade. Apenas as cabe&ccedil;as das duas figuras continuam a elencar adere&ccedil;os e tudo o resto s&atilde;o sombras desfocadas: tomada de consci&ecirc;ncia da recusa das hip&oacute;teses que se insinuavam nos desenhos anteriores e o assumir desse vazio no qual o desconhecido revela-se, indicando o lugar de novas quest&otilde;es. &nbsp;</p>    <p> No derradeiro desenho insiste-se na posi&ccedil;&atilde;o do desenho anterior para cavalo e cavaleiro e, mudando arrojadamente o ponto de vista, como quem quer ver melhor, resolve-se a posi&ccedil;&atilde;o da cabe&ccedil;a do cavalo e afirma-se o erguer da haste do cavaleiro. O, agora sim, her&oacute;i lend&aacute;rio estanca-se saudando o p&oacute;rtico da S&eacute;. Vemos aqui a substitui&ccedil;&atilde;o do negrume anterior por uma luz baixa mas intensa que cria ambi&ecirc;ncia espacial e representa bem o terreiro da S&eacute; e sua dist&acirc;ncia &agrave; est&aacute;tua. As grandes quest&otilde;es de conce&ccedil;&atilde;o da forma da escultura est&atilde;o resolvidas j&aacute; que sentido e forma entram, neste vigoroso desenho, em plena sintonia. &nbsp;</p>    <p>&nbsp;  </p>    <p> <b>3. Do Incorp&oacute;reo e do Perene</b> &nbsp;</p>      <blockquote><i>O desenho consegue ser transparente, mais leve. A folha de papel oferece todas as profundidades que soubermos encontrar-lhe. Portanto a&iacute; &eacute; mais f&aacute;cil certamente descobrir o esp&iacute;rito (alma) do retratado e vesti-lo de ossos, nervos e roupa traduzidos em formas e somando estas num todo un&iacute;ssono. &Eacute; mais f&aacute;cil apagar com um pano leve o carv&atilde;o de uma folha de papel do que destruir uma forma modelada. Esta necessita de uma estrutura/esqueleto de ferro, cruzetas e barro enquanto que o desenho precisa apenas de uma folha de papel e carv&atilde;o. Isso basta</i> (Barata Feyo, s.d.).  </blockquote>         <p> As dificuldades oficinais da escultura e de forma mais acutilante da estatu&aacute;ria s&atilde;o aquelas da qual este meio retira a sua especificidade ou seja o desejo do perene, no sentido de imortalizar e perpetuar algo. Mobiliza para tal os mais duradouros materiais que se caracterizam pelo seu peso, massa e escala. No caso do metal, recorre-se a um material mold&aacute;vel, o barro. Depois faz-se um molde em gesso que servir&aacute; para moldar a pe&ccedil;a met&aacute;lica final. Naturalmente que quanto maior a escala da pe&ccedil;a mais dif&iacute;cil e complexo se torna o empreendimento e arrependimentos estruturais inviabilizam o processo.  &nbsp;</p>    <p> &Eacute; neste contexto que o desenho, malgrado a sua efemeridade, traz sua quase incorporeidade ao processo e com ela a imediaticidade e a simplicidade que facilita os arrependimentos, as altera&ccedil;&otilde;es e o lan&ccedil;amento de novas preposi&ccedil;&otilde;es. Sua enorme maleabilidade n&atilde;o se v&ecirc; limitada, como aponta Feyo, pela sua bidimensionalidade j&aacute; que esta &eacute; pass&iacute;vel de ser simulada.  &nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ao contr&aacute;rio do modelo em escala reduzida, qual <i>bibelot</i> indutor de gigantismo e desmedida propor&ccedil;&atilde;o aquando da infeliz subida ao pedestal da pra&ccedil;a p&uacute;blica (Mendes, s.d), o desenho permite, como se constata na s&eacute;rie de desenhos da est&aacute;tua de V&iacute;mara Peres, conceber a obra considerando o local para onde ela se destina, contemplando desde logo sua escala. Ele permite ainda a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o virtual, visualiz&aacute;vel de diferentes pontos de vista, que considera est&aacute;tua e seu entorno, permitindo uma conce&ccedil;&atilde;o sempre em controlo das quest&otilde;es em jogo na estatu&aacute;ria.  &nbsp;</p>    <p>&nbsp;  </p>    <p> <b>Conclus&atilde;o</b> &nbsp;</p>    <p> Gra&ccedil;as &agrave; sua debilidade e simplicidade mat&eacute;rica, o desenho oferece imediaticidade operativa e cognitiva ao processo criativo de resolu&ccedil;&atilde;o de complexidades ou, dito &agrave; maneira de Barata Feyo, ao exerc&iacute;cio da d&uacute;vida. &nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p>    <p> <b>Refer&ecirc;ncias </b> &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Feyo, Salvador B. (s.d.) <i>Naquilo que fa&ccedil;o move-me sempre o humano e o abstracto... </i> Anota&ccedil;&atilde;o escrita em papel A4. Esp&oacute;lio de Salvador Barata Feyo. Fam&iacute;lia Barata Feyo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1425896&pid=S1647-6158201300010002700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Feyo, Salvador B. (1956) &quot;A exposi&ccedil;&atilde;o da obra do estatu&aacute;rio Mestre Barata Feyo no museu Municipal de Viana do Castelo&quot; in <i>Mestre Barata Feyo &#8211; Exposi&ccedil;&atilde;o Retrospectiva. </i> Porto. Escola Superior de Belas Artes do Porto, (Outubro de 1981). Cat&aacute;logo de exposi&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1425898&pid=S1647-6158201300010002700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Mendes, Manuel (s.d.) &quot;Sobre a Est&aacute;tua Equestre de D.Jo&atilde;o VI da autoria de Barata Feyo&quot; in <i>Mestre Barata Feyo &#8211; Exposi&ccedil;&atilde;o Retrospectiva</i>. Porto. Escola Superior de Belas Artes do Porto, (Outubro de 1981). Cat&aacute;logo de exposi&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1425900&pid=S1647-6158201300010002700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Pelayo, Raquel (2002) &quot;Campo de ac&ccedil;&atilde;o e imediaticidade do desenho&quot; in </i>Psiax &#8211; Estudos e Reflex&otilde;es sobre Desenho e Imagem</i>, (n&ordm;1), FAUP e FBAUP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1425902&pid=S1647-6158201300010002700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &nbsp;</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p>   Artigo completo recebido a 13 de janeiro e aprovado a 30 de janeiro de 2013.     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:mpelayo@arq.up.pt">mpelayo@arq.up.pt</a> (Raquel Pelayo). </p>      ]]></body><back>
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