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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arlindo Daibert: o livro como morada das palavras e das ideias]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to analyze the intertextual relations between the book object, Moradas, by the Brazilian artist Arlindo Daibert (1952-1993) and the text of Teresa d'Ávila, Castelo Interior or Moradas. Texts by Leo Hoek provide important references for this study as well as Daibert's personal library. The intention of this article is to continue illuminating the work of this artist, where text and image dialogue in a provocative way.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b>    <br> </p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b>    <br> </p>   	    <p><b>Arlindo Daibert: o livro como morada das palavras e das ideias</b>  	</p>    <p><b>Arlindo Daibert: the book as home of words and ideas</b> 		</p>    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Maria do Carmo de Freitas Veneroso&#42;</b> 	    <p>&#42;Brasil, artista visual e professora na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Bacharelado em Belas Artes (Escola de Belas Artes da UFMG); Master of Fine Arts, Pratt Institute, Nova York, EUA; Doutora em Literatura Comparada, Faculdade de Letras da UFMG. 	</p>    <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p> 		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		</p>    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>RESUMO</b>    <br> O objetivo do artigo &eacute; analisar as rela&ccedil;&otilde;es intertextuais entre o livro objeto, Moradas, do artista brasileiro Arlindo Daibert (1952-1993) e o texto de Teresa d&#39;&Aacute;vila, Castelo Interior ou Moradas. Textos de Leo Hoek fornecer&atilde;o importantes refer&ecirc;ncias para este estudo assim como a biblioteca pessoal do artista. Pretende-se com este artigo continuar a iluminar o trabalho deste artista, em cuja obra o texto dialoga com a imagem de uma forma instigante.  	</p>    <p><b>Palavras chave: </b> Arlindo Daibert, livro objeto, Moradas, palavra e imagem 		</p>    <p>&nbsp;</p> 		    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>ABSTRACT</b>    <br> This paper aims to analyze the intertextual relations between the book object, Moradas, by the Brazilian artist Arlindo Daibert (1952-1993) and the text of Teresa d&#39;&Aacute;vila, Castelo Interior or Moradas. Texts by Leo Hoek provide important references for this study as well as Daibert&#39;s personal library. The intention of this article is to continue illuminating the work of this artist, where text and image dialogue in a provocative way.  	</p>    <p><b>Keywords: </b> Arlindo Daibert, book object, Moradas, word and image 		</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 		</p>    <p> <b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b> &nbsp;</p>    <p> 	A obra do artista brasileiro Arlindo Daibert (1952-1993) inscreve-se em uma forte tend&ecirc;ncia da contemporaneidade, filiando-se ao trabalho de uma linhagem de artistas que trabalham com textos visuais, explorando a visualidade da letra e as rela&ccedil;&otilde;es entre arte e literatura, onde a &quot;cita&ccedil;&atilde;o&quot; liter&aacute;ria &eacute; uma das principais fontes de cria&ccedil;&atilde;o de suas po&eacute;ticas. Afinidades existentes entre seu trabalho e a minha pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica tamb&eacute;m me motivam a investigar sua rica e vasta obra, a fim de melhor compreender o universo deste artista, que deixou um importante legado para a arte brasileira. Na sua breve carreira, Daibert teve uma produ&ccedil;&atilde;o intensa, com a realiza&ccedil;&atilde;o de um grande n&uacute;mero de exposi&ccedil;&otilde;es individuais e coletivas, al&eacute;m de participa&ccedil;&otilde;es e premia&ccedil;&otilde;es em sal&otilde;es de arte. Apesar de j&aacute; ter sido tema de alguns trabalhos cr&iacute;ticos, sua obra, por toda a sua riqueza e complexidade, ainda n&atilde;o recebeu a aten&ccedil;&atilde;o que merece.  &nbsp;</p>    <p> S&atilde;o muitas as possibilidades de abordagem da mesma, e neste artigo, pretende-se analisar as rela&ccedil;&otilde;es intertextuais entre o livro objeto, <i>Moradas</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>), e o texto de Teresa d&#39;&Aacute;vila, <i>Castelo Interior</i> ou <i>Moradas</i>. Textos de Leo Hoek fornecer&atilde;o importantes refer&ecirc;ncias para o estudo da <i>primazia do texto</i> no trabalho citado de Daibert. A biblioteca pessoal do artista tamb&eacute;m desempenha um importante lugar neste trabalho, pois a partir de pesquisas l&aacute; realizadas foi poss&iacute;vel estabelecer rela&ccedil;&otilde;es entre seus livros e refer&ecirc;ncias encontradas na obra analisada. Pretende-se com este artigo continuar a iluminar o trabalho deste artista, que com erudi&ccedil;&atilde;o e sensibilidade construiu uma obra na qual o texto dialoga com a imagem de uma forma instigante.  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a30f1.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>      <p> <b>1. <i>Moradas</i></b> &nbsp;</p>    <p> O objeto de an&aacute;lise deste texto, <i>Moradas</i>, &eacute; um livro objeto criado por Arlindo Daibert em 1992. O livro objeto &eacute; &quot;o objeto tipogr&aacute;fico e/ou pl&aacute;stico formado por elementos de natureza e arranjos variados&quot; (Silveira, 2001: 25). Por&eacute;m, esta defini&ccedil;&atilde;o, ainda que seja muito concisa, como concorda Paulo Silveira, ainda n&atilde;o abarca toda a complexidade do livro objeto. O pr&oacute;prio conceito de livro de artista ainda &eacute; muito problem&aacute;tico, e se encontra em discuss&atilde;o, at&eacute; mesmo por tratar-se de uma categoria recente da arte contempor&acirc;nea. Assim, o livro de artista &eacute; um tema amplo, que pode ser abordado a partir de v&aacute;rias perspectivas. Ampliando o conceito de livro objeto, ele pode abarcar constru&ccedil;&otilde;es h&iacute;bridas, tratando-se geralmente de livros que buscam formas alternativas e tridimensionais, escult&oacute;ricas, muitas vezes explorando solu&ccedil;&otilde;es mat&eacute;ricas. &nbsp;</p>    <p> No caso estudado, <i>Moradas</i>, trata-se de um livro tridimensional, que pode ser manipulado pelo leitor, e ao ser aberto remete a uma forma arquitet&ocirc;nica, uma &quot;morada&quot;, met&aacute;fora presente em v&aacute;rios aspectos da obra, al&eacute;m do t&iacute;tulo. &Eacute; um livro objeto &uacute;nico, constru&iacute;do utilizando papel&atilde;o como suporte, sobre o qual &eacute; feita a colagem de fragmentos de textos impressos e manuscritos. O livro, em forma de sanfona, quando aberto, produz formas triangulares, unidas entre si pelas extremidades, atrav&eacute;s de uma faixa de tecido que d&aacute; flexibilidade &agrave; montagem. Um texto manuscrito, cont&iacute;nuo, atravessa <i>Moradas</i>, conduzindo nossa leitura. &nbsp;</p>    <p> A princ&iacute;pio as refer&ecirc;ncias ao texto, em <i>Moradas</i>, s&atilde;o fragmentadas e disseminadas, n&atilde;o se fazendo t&atilde;o claras. Pode-se perceber fragmentos de p&aacute;ginas de um livro, recortados e colados aleatoriamente. O artista recobre uma forma tridimensional, arquitet&ocirc;nica, que remete a uma &quot;morada&quot;, com a mat&eacute;ria textual, remetendo visualmente ao t&iacute;tulo e ao assunto da obra. S&atilde;o oferecidas v&aacute;rias pistas ao leitor, fazendo com que ele trabalhe numa constru&ccedil;&atilde;o de sentidos. Percebe-se, a princ&iacute;pio, tratar-se de um texto religioso, sendo poss&iacute;vel localizar o fragmento &quot;VIDA DE Sta. TERESA DE JESUS&quot;, que fornece uma primeira chave de leitura. &nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Moradas intertextualiza com o livro <i>Castelo Interior</i> ou <i>Moradas</i> (d&#39;&Aacute;vila, apud Alvarez, 1995), escrito por Teresa d&#39;&Aacute;vila em 1577, no Mosteiro de S&atilde;o Jos&eacute; de &Aacute;vila, no qual s&atilde;o criadas, metaforicamente, sete moradas que a alma deve habitar em uni&atilde;o com Deus. Trata-se de um texto de amor m&iacute;stico, cuja narrativa remonta &agrave; Espanha do s&eacute;culo XVI, cen&aacute;rio da vida de Teresa d&#39;&Aacute;vila. <i>O Castelo Interior</i>, escrito pela monja a mando do seu padre confessor como orienta&ccedil;&atilde;o espiritual, apresenta uma s&eacute;rie de est&aacute;gios a serem seguidos pelas religiosas para que seja alcan&ccedil;ada a perfeita uni&atilde;o com Deus. Assim, as sete moradas correspondem a esses est&aacute;gios, sendo a porta do castelo a ora&ccedil;&atilde;o; nas moradas do centro obt&eacute;m-se passagem &agrave; experi&ecirc;ncia m&iacute;stica: &eacute; a&iacute; que o natural e o sobrenatural se imbricam. A s&eacute;tima morada &eacute; a culmin&acirc;ncia do matrim&ocirc;nio m&iacute;stico da alma com Cristo (Cf. Neto, 2007). Por&eacute;m, sabe-se que Daibert costumava se referir aos textos fonte como &quot;mero pretexto&quot; (1995: 15), e assim ele se apropria do texto de d&#39;&Aacute;vila de uma forma pessoal. Os fragmentos s&atilde;o escolhidos aleatoriamente, de v&aacute;rias partes do livro <i>Obras Completas de Teresa de Jesus</i> (d&#39;&Aacute;vila, 1577, apud Alvarez, 1995), e parecem ter sido colados sem seguir uma ordem espec&iacute;fica, apontando para a import&acirc;ncia da textura gr&aacute;fica na obra. Daibert constr&oacute;i oito moradas, extrapolando as sete moradas originais. Um texto manuscrito, cont&iacute;nuo, atravessa <i>Moradas</i>, conduzindo a nossa leitura da obra. Nota-se que da primeira &agrave; s&eacute;tima &quot;morada&quot; as colagens s&atilde;o dispostas em duas colunas de textos fragmentados. A &uacute;ltima &quot;morada&quot;, por&eacute;m, &eacute; uma montagem ca&oacute;tica de fragmentos sobrepostos em v&aacute;rias dire&ccedil;&otilde;es e sentidos (<a href="#f2">Figura 2</a>).  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a30f2.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     <p> O trabalho &eacute; composto de 17 partes unidas entre si, de modo a formarem os tetos das oito moradas e uma &quot;entrada&quot; estendida no ch&atilde;o. As p&aacute;ginas de papel&atilde;o, forradas frente e verso com recortes do texto, formam duas colunas de &quot;emendas&quot;, separadas por outra faixa, em sentido oposto ao das colunas, de maneira a compor um &quot;fio condutor&quot; que percorre todas as moradas e de onde fluem trechos do relato da Santa, manuscritos pelo artista. Todos os recortes do texto impresso v&ecirc;m de uma edi&ccedil;&atilde;o em l&iacute;ngua portuguesa (d&#39;&Aacute;vila, 1577, In Alvarez, 1995), j&aacute; os trechos manuscritos por Daibert est&atilde;o em espanhol, l&iacute;ngua original do texto de Teresa d&#39;&Aacute;vila.  &nbsp;</p>    <p> Na obra nota-se uma profunda integra&ccedil;&atilde;o entre texto e imagem, fazendo com que o trabalho possa ser lido visualmente. H&aacute; uma densa utiliza&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria textual, criando v&aacute;rias camadas de significa&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, a partir da maneira como Daibert relaciona texto e imagem em <i>Moradas</i> percebe-se a <i>primazia do texto sobre a imagem</i>, considerando as coloca&ccedil;&otilde;es de Leo Hoek (Hoek, 1995, In Arbex, 2006: 177) ao postular sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre a literatura e as artes pl&aacute;sticas, analisadas a partir das suas situa&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o. Na perspectiva da produ&ccedil;&atilde;o, Hoek diz que a situa&ccedil;&atilde;o de comunica&ccedil;&atilde;o estabelecida leva em conta: o &quot;texto existindo antes da imagem, ou a imagem existindo antes do texto&quot; (apud Arbex, 2006: 168). Muitas obras de Daibert, incluindo <i>Moradas</i>, partem da <i>primazia do texto</i>, ao dialogarem com textos j&aacute; existentes. Seus trabalhos lan&ccedil;am novas luzes sobre estes textos, criando outras possibilidades de leitura dos mesmos, ou seja, tradu&ccedil;&otilde;es visuais. Assim, al&eacute;m da obra aqui analisada, pode-se citar a s&eacute;rie <i>Grande Sert&atilde;o: veredas</i>, na qual Daibert intertextualiza com o livro hom&ocirc;nimo de Jo&atilde;o Guimar&atilde;es Rosa, e <i>Macuna&iacute;ma de Andrade</i>, que se refere ao conhecido livro de M&aacute;rio de Andrade, <i>Macuna&iacute;ma</i>.  &nbsp;</p>    <p> A presen&ccedil;a da mat&eacute;ria textual leva &agrave; id&eacute;ia do livro e a forma da obra sugere a &#39;morada&#39; (<a href="#f3">Figura 3</a>): o livro &eacute; a morada da palavra, o livro &eacute; a morada das ideias, mas da rela&ccedil;&atilde;o de Daibert com Teresa d&#39;&Aacute;vila, esse livro-objeto torna-se tamb&eacute;m &quot;morada&quot; da alma. O livro remete metaforicamente &agrave;s muralhas de &Aacute;vila (<a href="#f4">Figura 4</a>), lugar das revela&ccedil;&otilde;es m&iacute;sticas da santa. Esta refer&ecirc;ncia &agrave;s muralhas que cercam a cidade espanhola &eacute; refor&ccedil;ada pelas pesquisas realizadas por Gislane Gomes Neto na biblioteca pessoal do artista, que ofereceu importantes pistas para a leitura de seus trabalhos. A pesquisadora explica que um pequeno exemplar da <i>Colecci&oacute;n Guias Everest: &Aacute;vila</i>, e que traz uma foto bastante significativa das muralhas, &eacute; acompanhado de uma sugestiva legenda: &quot;&Aacute;vila ES el castillo de las Moradas...&quot;, fazendo alus&atilde;o ao texto teresiano. No texto fonte &quot;O castelo tem tra&ccedil;ado linear. Estrutura e processo din&acirc;mico coincidem&quot; (Alvarez, 1995: 436) e Daibert faz constru&ccedil;&atilde;o similar nas suas <i>Moradas</i> (<a href="#f5">Figura 5</a>).  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a30f3.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f4"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a30f4.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f5"> <img src="/img/revistas/est/v4n7/4n7a30f5.jpg"></a>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Conclus&atilde;o</b> </p>     <p> Extrapolando as rela&ccedil;&otilde;es demonstradas entre <i>Moradas</i>, de Daibert, e o livro de Teresa d&#39;&Aacute;vila, &eacute; poss&iacute;vel &quot;ler&quot; a obra do artista tamb&eacute;m atrav&eacute;s da <i>capta&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica</i> (e desconfio que seja essa a maneira de se ler todo texto visual &#39;ileg&iacute;vel&#39;), numa refer&ecirc;ncia &agrave; n&atilde;o intelec&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria do <i>sentido obtuso</i> de que fala Roland Barthes: &quot;gra&ccedil;as ao que, na imagem, &eacute; puramente imagem, &#91;...&#93; podemos passar sem a palavra e continuamos a nos entender&quot; (Barthes, 1990: 55). &nbsp;</p>    <p>&nbsp;  </p>    <p> <b>Refer&ecirc;ncias</b> &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Alvarez, Fr. Tomas, O.C.D. (1995). <i>Obras Completas de Teresa de Jesus. </i> Tradu&ccedil;&atilde;o de Adail Ubirajara Sobral et al. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, Edi&ccedil;&otilde;es Carmelitanas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426128&pid=S1647-6158201300010003000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Andrade, M&aacute;rio de (s/d). <i>Macuna&iacute;ma: O her&oacute;i sem nenhum car&aacute;ter. </i> Rio de Janeiro: Agir.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426130&pid=S1647-6158201300010003000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Barthes, Roland (1990). <i>O &Oacute;bvio e o Obtuso. </i> Tradu&ccedil;&atilde;o de L&eacute;a Novaes. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. ISBN: 85-209-0243-X &nbsp;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426132&pid=S1647-6158201300010003000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Daibert, Arlindo (1995). <i>Caderno de Escritos. </i> GUIMAR&Atilde;ES, J&uacute;lio Casta&ntilde;on (org.). Rio de Janeiro: Sette Letras. ISBN: 85-85625-27-9 &nbsp;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426134&pid=S1647-6158201300010003000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>    <!-- ref --><p> Daibert, Arlindo (1998). <i>Imagens do Grande Sert&atilde;o. </i> Miranda, Wander Melo; Arbach, Jorge (coord.). Belo Horizonte: Ed. UFMG; Juiz de Fora: Ed. UFJF. ISBN: 85-7041-166-9 &nbsp;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426136&pid=S1647-6158201300010003000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>    <!-- ref --><p> Daibert, Arlindo (2001). <i>Macuna&iacute;ma de Andrade. </i> ARBACH, Jorge (coord.). Juiz de Fora: Ed. UFJF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426138&pid=S1647-6158201300010003000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Hoek, Leo H. (1995) &quot;Da Transposi&ccedil;&atilde;o Intersemi&oacute;tica&quot; In: Arbex, M&aacute;rcia (org.) (2006). <i>Po&eacute;ticas do Vis&iacute;vel: ensaios sobre a escrita e a imagem. </i> Belo Horizonte: Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Letras: Estudos Liter&aacute;rios, Faculdade de Letras da UFMG. ISBN: 85-7758-003-2 &nbsp;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426140&pid=S1647-6158201300010003000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>    <!-- ref --><p> Neto, Gislane Gomes (2007) <i>Eros e Babel na obra intermidi&aacute;tica de Arlindo Daibert: processos de leituras intertextuais. </i> Belo Horizonte: Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Artes. Arte e Tecnologia da Imagem. Orientador: Maria do Carmo de Freitas Veneroso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426142&pid=S1647-6158201300010003000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> &nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Rosa, Jo&atilde;o Guimar&atilde;es (1979). <i>Grande Sert&atilde;o: veredas. </i> Rio de Janeiro: Livraria Jos&eacute; Olympio Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426144&pid=S1647-6158201300010003000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  &nbsp;</p>    <!-- ref --><p> Silveira, Paulo (2001). <i>A p&aacute;gina violada: da ternura &agrave; inj&uacute;ria na constru&ccedil;&atilde;o do livro de artista. </i> Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS. ISBN: 85-7025-585-3 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1426146&pid=S1647-6158201300010003000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> </p>    <p>Artigo completo recebido a 13 de janeiro e aprovado a 30 de janeiro de 2013.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="c0"></a></p>     <p>       <a name = "c0">Correio</a> eletr&oacute;nico: <a href="mailto:cacau_freitas@yahoo.com.br">cacau_freitas@yahoo.com.br</a> (Maria do Carmo de Freitas Veneroso). </p>      ]]></body><back>
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