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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to establish a reflection on the landscape in order to explore the concept of fiction associated to the poetic construction process of the Mexican artist Sebastián Romo during his artistic residency in 8th Mercosul Biennial in 2011.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>    <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Fic&ccedil;&otilde;es em torno da paisagem</b></p>     <p><b>Fictions about the landscape</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Paula Cristina Somenzari Almozara&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, Artista visual, professora e pesquisadora (linha de pesquisa: Linguagens Po&eacute;ticas/ Artes Visuais). Doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o, na &Aacute;rea de Educa&ccedil;&atilde;o, Conhecimento, Linguagem e Arte, Universidade Estadual de Campinas, unicamp. Mestrado em Artes, unicamp. Licenciatura e Bacharelado em Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica com Habilita&ccedil;&atilde;o em Artes Pl&aacute;sticas, unicamp. http:// www.paulaalmozara.art.br</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Campinas. Faculdade de Artes Visuais. Centro de Linguagem e Comunica&ccedil;&atilde;o. Campus I &#8211; Pr&eacute;dio Administrativo II, Rodovia D. Pedro I, km 136, Parque das universidades &#8211; Campinas &#8211; SP, CEP: 13086-900, Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>Este artigo pretende estabelecer uma reflex&atilde;o sobre a paisagem de modo a explorar o conceito de fic&ccedil;&atilde;o associado ao processo de constru&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica do artista mexicano Sebasti&aacute;n Romo em sua resid&ecirc;ncia art&iacute;stica na 8&ordf; Bienal do Mercosul em 2011. </p>     <p><b><b>Palavras-chave:</b></b> paisagem / fic&ccedil;&atilde;o / fronteira / instala&ccedil;&atilde;o / Sebasti&aacute;n Romo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b>    <br> </p>     <p>This article aims to establish a reflection on the landscape in order to explore the concept of fiction associated to the poetic construction process of the Mexican artist Sebasti&aacute;n Romo during his artistic residency in 8th Mercosul Biennial in 2011. </p>     <p><b>Keywords:</b> landscape / fiction / frontier / installation / Sebasti&aacute;n Romo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>"Definir a paisagem, em fun&ccedil;&atilde;o apenas da ideia de s&iacute;tio ou lugar, como tradicionalmente se fixou, limita demasiadamente as perspectivas de an&aacute;lise" (Silvestre, 2007: 19). Portanto, a paisagem na arte contempor&acirc;nea n&atilde;o &eacute; simplesmente mais um g&ecirc;nero ou uma categoria ligada &agrave; representa&ccedil;&atilde;o de uma vista natural, mas afirma-se como um potente detonador de experi&ecirc;ncias (Maderuelo, 2008) a partir do qual o artista explora sua rela&ccedil;&atilde;o com o mundo e com os elementos historicizados (Bourriaud, 2009).</p>     <p>Assim contextualizada, a paisagem pode ser pensada como "a manifesta&ccedil;&atilde;o do movimento interno do mundo" (Besse, 2011: 112), em que a atitude est&eacute;tica n&atilde;o se fixa no car&aacute;ter de realidade ou representa&ccedil;&atilde;o das coisas dispersas na natureza exterior ou mesmo no conhecimento cient&iacute;fico sobre essas coisas, mas se entret&eacute;m na multiplicidade de situa&ccedil;&otilde;es potenciais que cada sujeito, detentor de um repert&oacute;rio, &eacute; capaz de perceber e submeter a um livre jogo de liga&ccedil;&otilde;es que, afinal, conferir&aacute; unidade, coer&ecirc;ncia e significa&ccedil;&atilde;o a uma imagem mental: </p>     <blockquote><i>percorrer um lugar ou uma fotografia, pelo menos em determinadas ocasi&otilde;es, deveria ser um ato consciente e ativo a partir do qual se constr&oacute;i a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia, sobretudo se partirmos da ideia de que a paisagem, real ou representada, est&aacute; no olhar de quem contempla ou transita e n&atilde;o no lugar que motiva em si esse pensamento</i> (Bleda & Rosa, 2007: 177).</blockquote></p>     <p>A utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito de "fic&ccedil;&atilde;o" &#8211; ressignificado para o contexto das po&eacute;ticas visuais &#8211; pretende, nesse sentido, amplificar as possibilidades de reflex&atilde;o sobre as rela&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas e formais que est&atilde;o presentes na maneira como lidamos com a constitui&ccedil;&atilde;o poliss&ecirc;mica do termo paisagem, na qual a mimeses cede lugar &agrave;s experi&ecirc;ncias s&iacute;gnicas.</p>     <p>A fic&ccedil;&atilde;o evoca a constitui&ccedil;&atilde;o de uma nova realidade que parte de especula&ccedil;&otilde;es imaginativas, levando em conta a exacerba&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias pessoais, hist&oacute;ricas e culturais, considerando que a realidade est&aacute; vinculada, segundo C. G. Jung (2000), ao que n&oacute;s pr&oacute;prios entendemos ou sentimos como tal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Cadernos de viagem: supor te ficcional/documentos de percurso</b></p>     <p>O termo "fic&ccedil;&atilde;o", como um constructo, tamb&eacute;m remete &agrave;s narrativas de viagens fant&aacute;sticas e a um certo paralelismo entre a hist&oacute;ria da arte e literatura, colocando em pauta as viagens de estudo dos artistas, as narrativas sobre lugares imagin&aacute;rios e o papel do deslocamento como met&aacute;fora para transforma&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de evocar a paisagem como base na elabora&ccedil;&atilde;o de um ide&aacute;rio est&eacute;tico sobre territ&oacute;rios desconhecidos. Viajar, descobrir novos s&iacute;tios e sobretudo registrar a experi&ecirc;ncia, se converte em um ponto fundamental na constitui&ccedil;&atilde;o de documentos de percurso e na elabora&ccedil;&atilde;o do lugar como um potente espa&ccedil;o ficcional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesse caso, a express&atilde;o "cadernos de viagem" &eacute; um elemento importante na an&aacute;lise dos processos e po&eacute;ticas relacionados &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da paisagem. Historicamente, os "cadernos de viagem" s&atilde;o suportes que acompanham os artistas em seus percursos, sendo meios tradicionais de registro de experi&ecirc;ncias e descobertas, caracterizando-se como uma esp&eacute;cie de arquivo, feito por desenhos, anota&ccedil;&otilde;es escritas, fragmentos de materiais bidimensionais coletados (como plantas), fotografias instant&acirc;neas etc. e que s&atilde;o contentores mnem&ocirc;nicos associados a <i>images de pens&eacute;e</i> (Carr&auml;es; Marchand-Zanartu, 2011).</p>     <p>Sugestivamente, "cadernos de viagem" foi o t&iacute;tulo utilizado para um dos componentes da 8a Bienal do Mercosul (2011), sob coordena&ccedil;&atilde;o da curadora chilena Alexia Tala, que convidou v&aacute;rios artistas para realizarem viagens de resid&ecirc;ncia art&iacute;stica ao extremo sul do Brasil, desenvolvendo projetos pessoais em torno do bin&ocirc;mio paisagem-deslocamento.</p>     <p>Entre eles, interessa-me particularmente, o trabalho do artista mexicano Sebasti&aacute;n Romo (1973, Cidade do M&eacute;xico), justamente pelo modo como ele articula a ideia de fic&ccedil;&otilde;es em torno da paisagem, elaborando visualmente situa&ccedil;&otilde;es paradigm&aacute;ticas que colocam, lado a lado, as diversas no&ccedil;&otilde;es abstratas que se referem ao conceito de fronteira, seja o disseminado pela categoriza&ccedil;&atilde;o de processos, de linguagens, de produtos, ou o determinado por meio de associa&ccedil;&otilde;es mais prim&aacute;rias, presentes nas rela&ccedil;&otilde;es entre as palavras: "fic&ccedil;&atilde;o-cinema", "barreira-passagem", etc.; abordando finalmente, no caso da Bienal do Mercosul, o conceito geopol&iacute;tico de fronteira.</p>     <p>No trabalho de Romo, os "cadernos de viagem" s&atilde;o uma esp&eacute;cie de ateli&ecirc; port&aacute;til &#8211; segundo a pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o do artista &#8211; e usados sistematicamente em sua produ&ccedil;&atilde;o, ocupando um lugar central, n&atilde;o apenas nos percursos, mas principalmente nas exposi&ccedil;&otilde;es realizadas por ele.</p>     <p>Nos cadernos desse artista &eacute; poss&iacute;vel observar que a imagem fotogr&aacute;fica impressa (de jornais, postais ou revistas) e a fotografia instant&acirc;nea (<a href="#f1">Figura 1</a>) realizada com uma c&acirc;mara Polaroid s&atilde;o aforismos que contribuem para que os registros gerados e observados <i>in loco sejam arquivados nos cadernos no momento exato em que foram vivenciados nos percursos, nas viagens e/ou situa&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de trabalho</i>.</p>     <p>Com tais recursos o artista explora, a partir dos cadernos, os pequenos "frames" (<a href="#f1">Figura 1</a>) temporais sugeridos em cada instant&acirc;neo fotogr&aacute;fico, exacerbando o princ&iacute;pio f&iacute;lmico do "quadro a quadro" e das t&eacute;cnicas relacionadas aos antigos aparelhos cinematogr&aacute;ficos.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a12f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Em geral, Romo trata intermitentemente em sua obra de uma alus&atilde;o &agrave; hist&oacute;ria dos processos tecnol&oacute;gicos primordiais da apresenta&ccedil;&atilde;o de imagens em movimento. Seu interesse pelos aparelhos antigos como o zootr&oacute;pio (m&aacute;quina estrobosc&oacute;pica criada em 1834 por William George Horner), o cinemat&oacute;grafo (patenteado em 1895, pelos irm&atilde;os Lumi&egrave;re), determina incisivamente os relacionamentos hist&oacute;rico-conceituais entre fotografia e audiovisual presentes em diversas de suas obras.</p>     <p>N&atilde;o &eacute; por acaso que, no trabalho final realizado para a 8a Bienal do Mercosul, o artista tomou o cinema como refer&ecirc;ncia expl&iacute;cita, para ressaltar a ideia de fronteira como uma fic&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; paisagem do Sul do Brasil, na regi&atilde;o de Santana do Livramento e Rivera (Uruguai).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. M&aacute;quina aceleradora de fic&ccedil;&otilde;es</b></p>     <p>Considerando o percurso, as anota&ccedil;&otilde;es dos cadernos bem como a rela&ccedil;&atilde;o de Romo com a fotografia e o cinema em conex&atilde;o com a paisagem do extremo Sul do Brasil, a instala&ccedil;&atilde;o "M&aacute;quina aceleradora de fic&ccedil;&otilde;es" (Figuras 2, <a href="#f3">Figura 3</a>) marca decisivamente a experi&ecirc;ncia do artista em sua resid&ecirc;ncia do componente "Cadernos de viagem" da 8a Bienal do Mercosul (2011).</p>     <p>O projeto da obra em quest&atilde;o (<a href="#f2">Figura 2</a>) apresenta uma instala&ccedil;&atilde;o que est&aacute; dividida em duas se&ccedil;&otilde;es por uma parede:</p>     <blockquote><i>De um lado h&aacute; uma coisa que corresponde a um "set" f&iacute;lmico e o outro lado corresponde a um atelier de um artista, e nesta se&ccedil;&atilde;o est&atilde;o todos os materiais que se usaram para a pesquisa durante a viagem em Livramento, onde se podem ver as polar&oacute;ides, os mapas topogr&aacute;ficos, os cadernos, uma s&eacute;rie de notas e pap&eacute;is, fotografias em grande formato e ao abrir esta porta (Romo aponta para o centro do esbo&ccedil;o) aparece esta casa que supostamente seria do guarda da fronteira, que num ato de reflex&atilde;o diante da paisagem e do espa&ccedil;o aberto descobre que a fronteira era somente uma inven&ccedil;&atilde;o dos homens e decide abandonar a casa </i> (Atelier Romo, 2011)</blockquote></p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a12f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>"M&aacute;quina aceleradora de fic&ccedil;&otilde;es" (2011) investe em um conjunto intermitente de narrativas que est&atilde;o conectadas por rela&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas, na forma como a paisagem foi sentida e experimentada pelo artista, e tamb&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, e que, nesse caso, n&atilde;o evocam apenas a hist&oacute;ria relativa &agrave; regi&atilde;o &#8211; embora a partida aparentemente seja essa &#8211;, mas a hist&oacute;ria relacionada a todos os processos e aparatos usados na instaura&ccedil;&atilde;o da obra (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a12f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; poss&iacute;vel ressaltar tais rela&ccedil;&otilde;es, por exemplo, no uso que Romo faz do "matte" (<a href="#f4">Figura 4</a>), nome t&eacute;cnico de uma pintura utilizada pelo cinema nos anos de 1950 em substitui&ccedil;&atilde;o &agrave;s custosas loca&ccedil;&otilde;es em s&iacute;tios espec&iacute;ficos. Esse processo de pintura em vias de extin&ccedil;&atilde;o (como &eacute; &#91;ou era&#93; o filme instant&acirc;neo) &eacute; recuperado pelo artista na constru&ccedil;&atilde;o das diversas camadas de leituras propostas pela obra:</p>     <blockquote><i>Eu comecei a trabalhar nos "mattes" porque me pareceram uma coisa muito, muito interessante, porque &eacute; uma pintura conhecida dos anos 50, quando houve uma crise econ&ocirc;mica nos est&uacute;dios de cinema e ent&atilde;o as produ&ccedil;&otilde;es cinematogr&aacute;ficas j&aacute; n&atilde;o podiam viajar a loca&ccedil;&otilde;es naturais para filmar as pel&iacute;culas e a solu&ccedil;&atilde;o que encontraram foi a de pintar paisagens ou loca&ccedil;&otilde;es</i> &#91;...&#93;<i> a pintura "matte" toma o nome de "matte" porque tem que ser opaca para poder ser fotografada. E eu creio que esta &eacute; uma das caracter&iacute;sticas desse tipo de pintura que me parecem como a mais interessante, porque &eacute; uma pintura que est&aacute; intrinsecamente relacionada a tradi&ccedil;&atilde;o da paisagem e por outro lado est&aacute; relacionada ao muralismo, porque sempre h&aacute; de ter formatos muito grandes para poder atuar dentro dela. Pretende imitar a realidade, mas sem ser nunca pretender ser hiperrealista, porque &eacute; um tipo de pintura que foi concebida para ser fotografada e n&atilde;o &eacute; uma pintura que foi concebida para ser vista</i> (Romo, 2012 &#91;manteve-se o tom coloquial da entrevista&#93;)</blockquote></p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a12f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Por meio dessas rela&ccedil;&otilde;es, Romo leva a termo a ideia exacerbada de fic&ccedil;&atilde;o impondo uma conex&atilde;o expl&iacute;cita com o cinema ao pensar em uma parte da estrutura de sua instala&ccedil;&atilde;o como um <i>set</i> de filmagem contrapondo-a a uma outra parte que representa uma esp&eacute;cie de simulacro do atelier do artista no qual os documentos de processos est&atilde;o colocados, criando, dessa forma, um desdobramento espacial dos cadernos de viagem.</p>     <p>A fronteira como uma constru&ccedil;&atilde;o ficcional perpassa todo o conjunto; vai da met&aacute;fora da separa&ccedil;&atilde;o estabelecida entre o trabalho de atelier e trabalho de campo at&eacute; a constru&ccedil;&atilde;o cenogr&aacute;fica e real&iacute;stica da casa de um guarda de fronteira que, na "hist&oacute;ria" elaborada pelo artista, abandona seu posto ap&oacute;s perceber que o conceito de limite entre territ&oacute;rios e na&ccedil;&otilde;es &eacute; uma quest&atilde;o firmada apenas por uma conven&ccedil;&atilde;o, por uma inven&ccedil;&atilde;o humana, na qual a fronteira &eacute; uma ilus&atilde;o imposta por estruturas de poder e produ&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A fic&ccedil;&atilde;o, nesse caso, tem o poder de potencializar os aspectos imaginativos ligados &agrave; ideia de paisagem, interferindo no campo de rela&ccedil;&otilde;es mnem&ocirc;nicas e emocionais associadas ao repert&oacute;rio geogr&aacute;fico, que est&aacute;, bem ou mal, impregnado em nosso imagin&aacute;rio ou inconsciente.</p>     <p>Sob esse contexto, o percurso do artista constituiu-se como uma experi&ecirc;ncia fundada na realidade, mas cujas conex&otilde;es e proje&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas, imaginativas e culturais criaram camadas de significados que est&atilde;o al&eacute;m de dados meramente perceptivos. A ideia de fic&ccedil;&otilde;es em torno da paisagem estrutura-se como um detonador ou gerador de possibilidades po&eacute;ticas vinculadas ao repert&oacute;rio do observador e do artista, a partir das quais a paisagem &eacute; a geografia emocionalmente reconhecida (Dardel, 2011), contentora de manifesta&ccedil;&otilde;es po&eacute;ticas, pol&iacute;ticas e hist&oacute;ricas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>8a Bienal do Mercosul (2011). <i>Porto Alegre</i>. &#91;Consult. 2013-03-30&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://bienalmercosul.siteprofissional.com/" target="_blank">http://bienalmercosul.siteprofissional.com/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427644&pid=S1647-6158201300020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Atelier Romo (2011). Depoimento de Sebasti&aacute;n Romo sobre seu trabalho para "Cadernos de Viagem" na 8a Bienal do Mercosul.V&iacute;deo. Ano: 2011. &#91;Consult. 2012/01/05&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=943lBGF834u" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=943lBGF834u</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427645&pid=S1647-6158201300020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Besse, Jean-Marc (2011). "Geografia e Exist&ecirc;ncia, a partir da obra de Eric Dardel". In: Dardel, Erik (2011). <i>O homem e a terra, natureza da realidade geogr&aacute;fica</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva. ISBN: 978-85-273-0924-0.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427646&pid=S1647-6158201300020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bleda & Rosa (2007). "Un paseo pola memoria ou como pensar a paisaxe." IN: <i>Paseantes, Viaxeiros, Paisaxes</i>. Xunta de Galicia: Centro Galego de Arte Contempor&aacute;nea. ISBN: 978-84-453-4506-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427648&pid=S1647-6158201300020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bourriaud, Nicolas (2009). <i>P&oacute;s-produ&ccedil;&atilde;o, como a arte reprograma o mundo contempor&acirc;neo</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. ISBN: 978-85-61635-11-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427650&pid=S1647-6158201300020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cara&euml;s, Marie-Claude; Marchand-zanartu, Nicole (2011). <i>Images de pens&eacute;e</i>. Paris: Editions de la R&eacute;union des mus&eacute;es nationaux. ISBN: 978-2-71185804-0.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427652&pid=S1647-6158201300020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dardel, Erik (2011). <i>O homem e a terra, natureza da realidade geogr&aacute;fica.</i>S&atilde;o Paulo: Perspectiva. ISBN: 978-85-273-0924-0.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427654&pid=S1647-6158201300020001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jung, Carl Gustav (2000). <i>Mem&oacute;ria, sonhos e reflex&otilde;es</i>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. ISBN-13:9788520904510.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427656&pid=S1647-6158201300020001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Maderuelo, Javier (2008). <i>La Construcci&oacute;n del paisaje contemporr&aacute;neo</i>. Huesca, Espanha: CDAN. ISBN: 978-84-612-3759-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427658&pid=S1647-6158201300020001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Romo, Sebasti&aacute;n (2012). <i>Entrevista de Sebasti&aacute;n Romo por motivo de sua participa&ccedil;&atilde;o na exposi&ccedil;&atilde;o: Alrededor de algo que nos piensa, alrededor</i>. San Carlos Centro Cultural. Mexico DF, 2012. &#91;Consult. 2013-07-30&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://vimeo.com/47452811" target="_blank">http://vimeo.com/47452811</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427660&pid=S1647-6158201300020001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Silvestre, Federico L&oacute;pez (2007). "Introduci&oacute;n: Por unha filosofia n&oacute;made da paisaxe". In: <i>Paseantes, Viaxeiros, Paisaxes</i>. Xunta de Galicia: Centro Galego de Arte Contempor&aacute;nea. ISBN: 978-84-453-4506-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427661&pid=S1647-6158201300020001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 9 de setembro e aprovado a 24 de setembro de 2013</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:almozara@puc-campinas.edu.br">almozara@puc-campinas.edu.br</a> (Paula Almozara)</p>      ]]></body><back>
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