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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article analyses the series series Paysages Trouvés by Ricardo Cristofaro in a collision that favour reports specific between the referent, the questions which orientate process and analysis of writings in his presentation. The article makes the approach of the operations accomplished by the artist in the semantic building of the notion of landscape by the absence of the context of the object framed in photographs.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>    <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Paisagens latentes em situa&ccedil;&otilde;es tridimensionais</b></p>     <p><b>Latent landscapes in three-dimensional situations</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sandra Rey&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Brasil, artista visual. Professora Associada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Instituto de Artes, Departamento de Artes Visuais, Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Artes visuais e Pesquisadora no Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico de Tecnol&oacute;gico &#8211; CNPQ.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Artes, Departamento de Artes Visuais. Rua Senhor dos Passos 248, 3&ordm; andar. 90020-180 Porto Alegre, RS, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>O artigo analisa os conjuntos de trabalhos da s&eacute;rie Paysages Trouv&eacute;s de Ricardo Cristofaro numa abordagem que privilegia a rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica existente entre o referente externo, as quest&otilde;es que orientam o processo, e a an&aacute;lise da obra na sua forma de apresenta&ccedil;&atilde;o. Aproxima as opera&ccedil;&otilde;es realizadas pelo artista na constru&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica da no&ccedil;&atilde;o de paisagem pela aus&ecirc;ncia do contexto e omiss&atilde;o do entorno do objeto enquadrado nas fotografias.</p>     <p><b><b>Palavras-chave:</b></b> Situa&ccedil;&otilde;es Tridimensionais / Objetos Encontrados / Paisagem Latente / Fotografia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b>    <br> </p>     <p>The article analyses the series series Paysages Trouv&eacute;s by Ricardo Cristofaro in a collision that favour reports specific between the referent, the questions which orientate process and analysis of writings in his presentation. The article makes the approach of the operations accomplished by the artist in the semantic building of the notion of landscape by the absence of the context of the object framed in photographs.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Three-dimensional situations / ready-made / landscape / photography.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Nos encontramos diante da situa&ccedil;&atilde;o na arte contempor&acirc;nea em que qualquer procedimento, material e objeto pode migrar para o campo art&iacute;stico e n&atilde;o h&aacute;, <i>a priori</i>, nenhuma limita&ccedil;&atilde;o de como se deve proceder para criar uma obra de arte, nem como estas devam parecer. A ideia de arte contempor&acirc;nea n&atilde;o &eacute; orientada por um saber fazer espec&iacute;fico do campo ou estilo espec&iacute;fico, nem por uma teoria que possa delimitar o que &eacute; considerado, ou n&atilde;o, arte. Os artistas inventam procedimentos cruzando a&ccedil;&otilde;es, t&eacute;cnicas e conceitos nos seus processos art&iacute;sticos.</p>     <p>Diante da inespecificidade e aus&ecirc;ncia de uma narrativa reguladora da produ&ccedil;&atilde;o (Danto, 2010), na abordagem do objeto art&iacute;stico a reflex&atilde;o deve se colocar a quest&atilde;o fundamental da rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica existente entre o referente externo, as quest&otilde;es que orientam o processo, e a an&aacute;lise da obra na sua forma de apresenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Essas considera&ccedil;&otilde;es encaminham minha aproxima&ccedil;&atilde;o da s&eacute;rie <i>Paysages Trouv&eacute;s</i>, de Ricardo Cristofaro. Comecemos, portanto, perguntando sobre o estatuto do referente apresentado nas fotografias que comp&otilde;em cada um dos grupos de trabalhos que comp&otilde;em a s&eacute;rie. Tr&ecirc;s obras dessa s&eacute;rie foram apresentados na exposi&ccedil;&atilde;o <i>Fazer e Desfazer a Paisagem</i> que circulou em tr&ecirc;s institui&ccedil;&otilde;es culturais no Brasil em 2012 e no Museu de Arte Contempor&acirc;nea, RS, em Porto Alegre, mar&ccedil;o 2013. Inicialmente pode-se dizer que cada conjunto prop&otilde;e o agenciamento de fotografias de objetos encontrados &#8211; pedras, fragmentos de ru&iacute;nas &#8211; articuladas &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o de algum elemento supostamente coletado no territ&oacute;rio onde esses elementos foram fotografados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O objeto isolado do contexto</b></p>     <p>As fotografias apresentam os objetos encontrados (<i>Objets Trouv&eacute;s</i>, o t&iacute;tulo da s&eacute;rie sugere essa refer&ecirc;ncia fazendo men&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita &agrave; opera&ccedil;&atilde;o que est&aacute; impl&iacute;cita nos <i>objets trouv&eacute;s</i> e nos <i>ready-mades</i>) num enquadramento de tal maneira centralizado, que o observador fica impedido de estabelecer rela&ccedil;&otilde;es entre o objeto e o entorno, o que tornaria poss&iacute;vel apreender as dimens&otilde;es reais do objeto (<a href="#f1">Figura 1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a15f1.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Portanto, assim como o artista mostra, tamb&eacute;m oculta. Recorta eliminando o entorno do objeto na paisagem e, por esse corte, n&atilde;o fornece ao observador par&acirc;metros para imaginar as dimens&otilde;es do objeto. A omiss&atilde;o do local em que se encontra s&oacute; faz aumentar a instabilidade do objeto em rela&ccedil;&atilde;o a seu referente quando se observa o terceiro elemento que comp&otilde;e, juntamente com as fotografias, cada grupo da s&eacute;rie: pequenas caixas bidimensionais contendo elementos naturais que instigam relacionar o objeto com entorno das fotografias.</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o proposta pela apresenta&ccedil;&atilde;o desses objetos com as fotografias n&atilde;o &eacute; un&iacute;voca, ao contr&aacute;rio, apresenta-se de maneira ambivalente causando reveses quanto a poss&iacute;veis rela&ccedil;&otilde;es que se pode estabelecer entre os objetos apresentados na fotografia, suas dimens&otilde;es, e a paisagem onde se encontram.</p>     <p>Se por um lado a apresenta&ccedil;&atilde;o das fotografias justapostas ao elemento que, &#8211; presume-se, encontra-se no entorno do referente mostrado na cena &#8211; induz situar esse referente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; paisagem, por outro lado a falta de refer&ecirc;ncias do contexto do objeto na fotografia s&oacute; faz aumentar a instabilidade indicial do que Cristofaro denomina como <i>situa&ccedil;&atilde;o tridimensional encontrada</i> (Cristofaro, 2012).</p>     <p>O objeto assim isolado do contexto em que se encontra estabelece com o observador uma rela&ccedil;&atilde;o ic&ocirc;nica. Essa maneira <i>desdimensionada</i> de apresenta&ccedil;&atilde;o do referente contribui para pensar a dimens&atilde;o escultural de pequenos objetos que podem ser contidos na palma da m&atilde;o, ainda mais devido &agrave;s pequenas dimens&otilde;es da caixa onde se encontram os elementos, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s dimens&otilde;es aumentadas das fotografias.</p>     <p>A reuni&atilde;o de elementos esparsos numa mesma apresenta&ccedil;&atilde;o, em instala&ccedil;&otilde;es bidimensionais, &eacute; uma opera&ccedil;&atilde;o recorrente nas pr&aacute;ticas e procedimentos da arte contempor&acirc;nea, dir&iacute;amos. Mas o que se distingue nesse artista &eacute; a articula&ccedil;&atilde;o de um processo fotogr&aacute;fico cruzado com a apresenta&ccedil;&atilde;o do objeto, numa trajet&oacute;ria que tem origem na escultura.</p>     <p>Seria poss&iacute;vel estabelecer analogias com &agrave;s "Tipologias" de Bernd e Hilla Becher? &Eacute; poss&iacute;vel mas n&atilde;o podemos enquadrar o processo elaborado por Cristofaro numa &uacute;nica t&eacute;cnica ou categoria: se o definirmos como escultor diremos que, no trabalho em quest&atilde;o, &eacute; um escultor que encontra objetos, n&atilde;o um escultor que esculpe. Se o quisermos definir como fot&oacute;grafo teremos de admitir que produz efeitos de esculturas com fotografias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Implica&ccedil;&otilde;es no processo das <i>situa&ccedil;&otilde;es tridimensionais encontradas</i></b></p>     <p>Os trabalhos da s&eacute;rie <i>Paysages Trouv&eacute;es</i>, segundo o pr&oacute;prio artista,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i>se estruturam na possibilidade de uma pr&aacute;tica escult&oacute;rica realizada atrav&eacute;s de processos cruzados: identifica&ccedil;&atilde;o, sele&ccedil;&atilde;o, deslocamento, recorte, organiza&ccedil;&atilde;o e agrupamento de situa&ccedil;&otilde;es tridimensionais encontradas de maneira inesperada em fragmentos abandonados de pedras e estruturas de concreto</i> (Cristofaro, 2012).</blockquote></p>     <p>&Eacute; preciso, portanto, considerar sua proposta a partir de uma <i>defini&ccedil;&atilde;o expandida de escultura e de paisagem</i> para apreender a articula&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as que comp&otilde;em as <i>Paysages Trouv&eacute;es</i>. E para melhor situ&aacute;-las faz-se necess&aacute;rio mencionar que o trabalho que Ricardo Cristofaro vem desenvolvendo (seus primeiros trabalhos no campo da pintura e objetos escult&oacute;ricos datam de 85-88) instaura-se e fecunda-se a partir da pr&aacute;tica da escultura para ampliar-se atrav&eacute;s de investiga&ccedil;&otilde;es de procedimentos fora dos protocolos de pr&aacute;ticas que orientam a elabora&ccedil;&atilde;o de objetos tridimensionais. Pode-se dizer que a tridimensionalidade &eacute; estrutural em seu trabalho, por&eacute;m sua produ&ccedil;&atilde;o abrange obras em pintura, fotografia, anima&ccedil;&otilde;es e <i>web art</i>.</p>     <p>A no&ccedil;&atilde;o de objeto &eacute; cara ao artista. A concretude f&iacute;sica dos objetos inscreve-se na sua hist&oacute;ria pessoal pelo contato, desde crian&ccedil;a, na oficina de conserto de m&aacute;quinas de escrit&oacute;rio de seu av&ocirc; onde, ainda muito jovem, passou a trabalhar. Esses ambientes de m&aacute;quinas, ferramentas e sucatas sempre o fascinou, escreve num depoimento de ordem mais pessoal na introdu&ccedil;&atilde;o de sua tese de doutorado (Cristofaro, 2007).</p>     <p>No processo de trabalho os conceitos de <i>deslocamento, encontro e apropria&ccedil;&atilde;o</i> s&atilde;o caros ao artista. Ele se refere a "encontros inusitados" com objetos. Situa&ccedil;&otilde;es que o olhar percebe algo do cotidiano e o resignifica. Esses encontros se d&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es de deslocamento podendo envolver viagens mais longas, caminhadas na cidade de Juiz de Fora, onde habita, ou deambula&ccedil;&otilde;es em ambiente virtual como quando de sua pesquisa de doutorado. Nas <i>Paysages Trouv&eacute;es</i> o processo se inicia com deslocamentos por territ&oacute;rios conhecidos ou nem tanto, e envolve a observa&ccedil;&atilde;o, coleta de vest&iacute;gios, e registro fotogr&aacute;fico. Deslocar-se para observar e registrar o entorno pr&oacute;ximo, t&atilde;o pr&oacute;ximo quanto dobrar a esquina da rua de casa, e por vezes long&iacute;nquo, t&atilde;o long&iacute;nquo quanto atravessar o oceano; <i>apropriar-se</i> do objeto atrav&eacute;s do registro documental e de vest&iacute;gios de seu entorno, &eacute; parte integrante do processo e t&aacute;tica para o <i>encontro</i> com mat&eacute;rias abandonadas apresentadas nas <i>situa&ccedil;&otilde;es tridimensionais</i>.</p>     <p>Nessas situa&ccedil;&otilde;es, a no&ccedil;&atilde;o de esculturas que as imagens sugerem, d&aacute;-se pelo enquadramento das fotografias isolando o objeto e mostrando o m&iacute;nimo de seu contexto. A paisagem em lat&ecirc;ncia, fora de campo, na fotografia, faz parte da estrat&eacute;gia sem&acirc;ntica das <i>situa&ccedil;&otilde;es tridimensionais</i> (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a15f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Deslocamentos em espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos &eacute; um procedimento recorrente na arte contempor&acirc;nea para produzir experi&ecirc;ncias no campo da arte. Desde as experi&ecirc;ncias da <i>Land Art</i> e da Internacional Situacionista o ateli&ecirc; dos artistas expande-se extra muros e s&atilde;o in&uacute;meros os que realizam caminhadas e deslocamentos como parte integrante de seus processos art&iacute;sticos. Podemos retroceder essa pr&aacute;tica &agrave; primeira "visita", na periferia de Paris, &agrave; Igreja <i>Saint Julien le Pauvre</i>, realizada em 21 de abril de 1921 pelo grupo de artistas dada&iacute;stas reunidos em torno de Andr&eacute; Breton, se quisermos situ&aacute;-la em um contexto hist&oacute;rico. Na esteira desse evento em que ficou registrado a uma elabora&ccedil;&atilde;o coletiva de um processo art&iacute;stico sem produto final, seguiram-se os movimentos <i>Land Art</i>, Minimalismo, <i>Fluxus</i> e Internacional Situacionista que alargaram profundamente a no&ccedil;&atilde;o de arte aproximando-a da vida e incorporando aos processos art&iacute;sticos pr&aacute;ticas de outras disciplinas.</p>     <p>Pode-se considerar o trabalho de Cristofaro a partir dessa genealogia de maneiras que no seu processo &#8211; <i>se deslocar</i> &#8211; constitui ato f&iacute;sico e simb&oacute;lico de ressignifica&ccedil;&atilde;o da paisagem e da pratica da escultura no campo da arte.</p>     <p>Nos seus procedimentos o registro fotogr&aacute;fico e a coleta operam uma sele&ccedil;&atilde;o no entorno, recortam, subtraem e agrupam os elementos encontrados para reorganiz&aacute;-los numa apresenta&ccedil;&atilde;o que articula condi&ccedil;&atilde;o indicial e ic&ocirc;nica para resignificar simbolicamente tanto o campo da escultura quando a percep&ccedil;&atilde;o da paisagem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se sua estrat&eacute;gia envolve, como menciona o artista (Cristofaro, 2012), o uso de dois antigos dispositivos de prospec&ccedil;&atilde;o de novos territ&oacute;rios: a fotografia e a coleta de materiais, recursos n&atilde;o espec&iacute;ficos dos escultores mas comuns aos ge&oacute;logos, antrop&oacute;logos, bi&oacute;logos. Seu interesse incide, no entanto, n&atilde;o na identifica&ccedil;&atilde;o, ordena&ccedil;&atilde;o e classifica&ccedil;&atilde;o mas justamente no deslocamento e desidentifica&ccedil;&atilde;o dos objetos encontrados, para promover um salto simb&oacute;lico na fina camada extra&iacute;da do real.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O desencontro com a paisagem</b></p>     <p>Como s&atilde;o apresentadas essas paisagens encontradas? Em imagens fotogr&aacute;ficas impressas sobre canvas preparado com <i>prime</i> pelo pr&oacute;prio artista, emolduradas e apresentadas sem vidro (como se fossem pinturas) e, como dissemos acima, um pequeno fragmento do local onde situa-se o referente da fotografia, tamb&eacute;m emoldurado em pequenas caixas de vidro.</p>     <p>Os trabalhos que comp&otilde;em a s&eacute;rie s&atilde;o mostrados em conjuntos compostos por duas fotografias emolduradas mais um elemento, d&iacute;spar, coletado no local da tomada das fotos. Revisemos: tr&ecirc;s elementos, portanto, comp&otilde;em essas <i>situa&ccedil;&otilde;es tridimensionais</i>: duas fotografias e algum elemento coletado do local onde as foram captadas. A forma de apresenta&ccedil;&atilde;o agencia assim imagens ic&ocirc;nicas e algum vest&iacute;gio que registra e sinaliza processos de transforma&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria (<a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a15f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>O olhar que o artista lan&ccedil;a ao entorno &eacute; um olhar que gera paisagens pela falha, insufici&ecirc;ncia e omiss&atilde;o, a partir do &iacute;nfimo encontrado na natureza: pedras que trope&ccedil;amos pelo caminho. O que distingue essas paisagens n&atilde;o &eacute; a monumentalidade da natureza ou do entorno, mas a dimens&atilde;o monumental operada pelo enquadramento fotogr&aacute;fico. Pode-se dizer ent&atilde;o que &eacute; o olhar que opera a metamorfose de objetos m&iacute;nimos, o mais das vezes insignificantes, em esculturas monumentais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cristofaro, R. (2007) <i>Objetos Imaturos: por uma arte objetual no contexto da artem&iacute;dia.</i> Tese de Doutorado realizada e defendida no Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais, &Aacute;rea de Concentra&ccedil;&atilde;o Po&eacute;ticas Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427925&pid=S1647-6158201300020001500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cristofaro, R. (2012). In REY: <i>Fazer e Desfazer a Paisagem.</i> Cat&aacute;logo de Exposi&ccedil;&atilde;o 63p. Porto Alegre: Ed. do Autor. ISBN: 978-85-914129-0-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427927&pid=S1647-6158201300020001500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Danto, A. (2010). <i>Ap&oacute;s o fim da arte. A arte contempor&acirc;nea e os limites da hist&oacute;ria</i>. S&atilde;o Paulo: Edusp. ISBN: 85-314-0932-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427928&pid=S1647-6158201300020001500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dubois, P. (2000). <i>O Ato fotogr&aacute;fico.</i> Campinas, SP: Papirus. ISBN 85-308-0246-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1427929&pid=S1647-6158201300020001500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 8 de setembro e aprovado a 24 de setembro de 2012</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:sandra.rey@pesquisador.cnpq.br">sandra.rey@pesquisador.cnpq.br</a> (Sandra Rey)</p>      ]]></body><back>
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