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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Paisagens Íntimas na obra de Brígida Baltar: "Projeto Umidades"]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita filho (UNESP) Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação Departamento de Artes e Representação Gráfica]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents an approach about the production of Brazilian artist Brígida Baltar (1959 -), emphasizing the works that compose the "Project Humidities." The cut proposed prioritizes relations of affection and intimacy that are delineate in the poetics of the artist in actions that move between the inside and outside and give meaning to the landscape while sensory and imaginary permanence.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>    <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Paisagens &Iacute;ntimas na obra de Br&iacute;gida Baltar: "Projeto Umidades"</b></p>     <p><b>Intimate Landscapes in the Works of Br&iacute;gida Baltar: "Project Humidities"</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Joedy Luciana Barros Marins Bamonte&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Brasil, artista pl&aacute;stica. Graduada em Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica &#8211; Universidade Presbiteriana Mackenzie (S&atilde;o Paulo); Mestre em Comunica&ccedil;&atilde;o e Po&eacute;ticas Visuais &#8211; Universidade Estadual Paulista (UNESP, Bauru-SP); Doutora em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidade de S&atilde;o Paulo, Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes (USP / ECA). Pesquisadora e Professora Universit&aacute;ria UNESP (FAAC/DARG).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Estadual Paulista "J&uacute;lio de Mesquita  filho" (UNESP). Faculdade de Arquitetura,  Artes e Comunica&ccedil;&atilde;o. Departamento de Artes e Representa&ccedil;&atilde;o Gr&aacute;fica. Av. Eng Luiz Edmundo Carrijo Coube, n&ordm; 14-01. Bairro: Vargem Limpa, CEP 17033-360 &#8211; Bauru, S&atilde;o Paulo, Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>Esse artigo  apresenta uma  abordagem sobre a produ&ccedil;&atilde;o da artista brasileira Br&iacute;gida Baltar (1959&#8230;), enfatizando-se as obras que comp&otilde;em o "Projeto Umidades". O recorte proposto prioriza as rela&ccedil;&otilde;es de afetividade e intimidade que se delineiam na po&eacute;tica da artista em a&ccedil;&otilde;es que transitam entre o interior e exterior e d&atilde;o sentido &agrave; paisagem enquanto perman&ecirc;ncia sensorial e imagin&aacute;ria. </p>     <p><b><b>Palavras-chave:</b></b> Br&iacute;gida Baltar / arte contempor&acirc;nea / processo de cria&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b>    <br> </p>     <p>This paper presents an approach about the production of Brazilian artist Br&iacute;gida Baltar (1959 -), emphasizing the works that compose the "Project Humidities." The cut proposed prioritizes relations of affection and intimacy that are delineate in the poetics of the artist in actions that move between the inside and outside and give meaning to the landscape while sensory and imaginary permanence.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Br&iacute;gida Baltar / contemporary art / creation process.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es de afetividade na intimidade dom&eacute;stica constituem presen&ccedil;as marcantes na obra de Br&iacute;gida Baltar. Impregnadas de poesia, suas cria&ccedil;&otilde;es surgem na efemeridade da vida como registros femininos do delicado e do silencioso, expans&otilde;es pessoais que ganham significados ao personificarem imagens compartilhadas em um universo de sonhos. Nascida no Rio de Janeiro (1959&#8230;), a artista brasileira multim&iacute;dia tem nos v&iacute;deos e fotos os registros de seu processo criativo, ao passar pela performance, desenhos ou pinturas no ch&atilde;o ou em paredes. Utilizando os materiais em um continuum que os reaproveita, cria a partir do p&oacute; de tijolos, de l&iacute;quidos coletados, entre outros. Da transitoriedade desses materiais e do interesse pelo que n&atilde;o &eacute; valor&aacute;vel, deu origem ao "Projeto Umidades".</p>     <p>Composto por fotografias e v&iacute;deos desenvolvidos entre 1994 e 2001, o "Projeto Umidades" resulta da sequ&ecirc;ncia de tr&ecirc;s s&eacute;ries: Coleta da Neblina, Coleta da Maresia, Coleta do Orvalho. Imagens registram as a&ccedil;&otilde;es na coleta e encapsulamento das umidades atmosf&eacute;ricas e para isso a artista utilizou bal&otilde;es, "pipetas" e pequenos frascos de vidro feitos por ela mesma para armazenar os l&iacute;quidos (<a href="#f1">Figura 1</a>, <a href="#f2">Figura 2</a>, <a href="#f3">Figura 3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a16f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a16f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a16f3.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Em uma abordagem minuciosa, sensa&ccedil;&otilde;es e sentimentos s&atilde;o priorizados como meios para a contempla&ccedil;&atilde;o que constr&oacute;i a paisagem a partir da preserva&ccedil;&atilde;o do intang&iacute;vel e do transit&oacute;rio, como vest&iacute;gios a serem resgatados futuramente.</p>     <p>Interessa-me a constru&ccedil;&atilde;o da paisagem na po&eacute;tica de Br&iacute;gida a partir do registro do ef&ecirc;mero, desafiando a dilui&ccedil;&atilde;o da materialidade e das linguagens art&iacute;sticas como tr&acirc;nsitos da mem&oacute;ria a partir da experi&ecirc;ncia sensorial. Minha &ecirc;nfase est&aacute; no processo de cria&ccedil;&atilde;o e manifesta&ccedil;&atilde;o do fazer art&iacute;stico enquanto contempla&ccedil;&atilde;o do ambiente, durante os quais a natureza ressurje na experi&ecirc;ncia da desmaterializa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o real para o po&eacute;tico, desconstru&ccedil;&otilde;es imateriais &agrave; medida que ocorrem a evapora&ccedil;&atilde;o, a limpeza, a reciclagem, a dilui&ccedil;&atilde;o. &Aacute;gua, ar e terra se transformando em lembran&ccedil;as.</p>     <p>Nas leituras das obras identifico-me com textos de Anne Cauquelin e Gaston Bachelard. Em "A Inven&ccedil;&atilde;o da Paisagem" (2004) e "A Po&eacute;tica do Espa&ccedil;o" (1957) encontro trechos que parecem tratar de momentos descritos pela artista, dando-me suporte &agrave;s reflex&otilde;es sobre a abordagem da natureza no s&eacute;culo XXI e sobre o convite ao espectador por meio dos valores da intimidade. Dessa forma, busco, na cria&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica expressa nas a&ccedil;&otilde;es, a perman&ecirc;ncia da mem&oacute;ria e do imagin&aacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Caminhando pelos campos</b></p>     <p>Olhar para Br&iacute;gida Baltar caminhando pela n&eacute;voa em meio ao campo e &agrave; praia evoca em mim a presen&ccedil;a em sonhos, o adentrar em um ambiente de aconchego e prote&ccedil;&atilde;o existentes somente em rec&ocirc;nditos, o espa&ccedil;o externo presentificando as caracter&iacute;sticas, qualidades do que &eacute; interno, &iacute;ntimo, como se por um instante visualizasse sensa&ccedil;&otilde;es e anseios da alma, personifica&ccedil;&otilde;es das emo&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O "conjunto de umidades" envolve o que &eacute; intr&iacute;nseco &agrave; vida, como se, ao hidratar-nos e ao sentirmos a identifica&ccedil;&atilde;o com a natureza sendo hidratada, lembr&aacute;ssemos de que as nossas almas s&atilde;o as mesmas de nossa inf&acirc;ncia, com as mesmas sede e necessidades. Nessa identifica&ccedil;&atilde;o, a alma contemplativa nos lembra a liberdade e em um gesto po&eacute;tico somos convidados e inseridos naquela paisagem buc&oacute;lica.</p>     <p>Na po&eacute;tica da artista, nossa presen&ccedil;a &eacute; prenhe de expectativas, pois ansiamos pelos gestos, beirando &agrave; co-autoria. Nesse instante, somos espectadores imersos nas paisagens h&iacute;bridas das fotografias e dos v&iacute;deos, conforme nos diz a fil&oacute;sofa e artista pl&aacute;stica francesa Anne Cauquelin. Para ela, "A mescla dos territ&oacute;rios e a aus&ecirc;ncia de fronteiras entre os dom&iacute;nios s&atilde;o uma marca bem pr&oacute;pria do contempor&acirc;neo; a paisagem n&atilde;o foge a essa regra." (Cauquelin, 2007, p.8). Nas obras, vejo essa flexibiliza&ccedil;&atilde;o de fronteiras em v&aacute;rios aspectos: no exterior e interior, no material e emocional; no sensorial e et&eacute;reo. Entretanto, a intimidade parece ser o alinhavo na mescla dos territ&oacute;rios, na imensid&atilde;o da afetividade.</p>     <p>O car&aacute;ter mim&eacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; natureza se dissipa, do ponto de vista realista e ganha um n&iacute;vel emocional e perceptivo, um convite aos sonhos &agrave; altura dos elementos que s&atilde;o coletados nas a&ccedil;&otilde;es da artista: n&eacute;voa, maresia e orvalho. Nesse contexto, h&aacute; um deslocamento do olhar criador enquanto representa&ccedil;&atilde;o sujeita &agrave; perspectiva, que garante a abertura para o que n&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel, mas interno, pessoal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A paisagem de Br&iacute;gida n&atilde;o est&aacute; sujeita a um regime &oacute;tico, n&atilde;o &agrave; mimese realista, mas &agrave; mimese afetiva aberta a aspira&ccedil;&otilde;es da alma, de completude entre o que se retrai e o que se expande. Os registros f&iacute;lmico e fotogr&aacute;fico sinalizam instantes da mem&oacute;ria, res&iacute;duos sensoriais a servi&ccedil;o de constru&ccedil;&otilde;es afetivas e perceptivas, o que nos aproxima do olhar do fil&oacute;sofo franc&ecirc;s Gaston Bachelard. Na contempla&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es po&eacute;ticas, a "Po&eacute;tica do Espa&ccedil;o" &eacute; projetada:</p>     <blockquote><i>Na alma relaxada que medita e sonha, uma imensid&atilde;o parece esperar as imagens da imensid&atilde;o. O esp&iacute;rito v&ecirc; e rev&ecirc; objetos. A alma encontra no objeto o ninho de uma imensid&atilde;o. Teremos v&aacute;rias provas disso se seguirmos os devaneios que t&ecirc;m in&iacute;cio, na alma de Baudelaire, sob o signo da palavra vasto. Vasto &eacute; uma das palavras mais baudelairianas, a palavra que, para o poeta, marca mais naturalmente a infinidade do espa&ccedil;o &iacute;ntimo.</i> (Bachelard, 2008: 196)</blockquote></p>     <p>Leio os vastos espa&ccedil;os nas obras como espa&ccedil;os de intimidade, infinitos em suas proje&ccedil;&otilde;es internas, das quais o encapsulamento se torna uma met&aacute;fora. Bachelard, ao falar da dial&eacute;tica entre exterior e interior, algo extremamente presente na po&eacute;tica que transita entre os espa&ccedil;os da casa enquanto registros de afetividade e os da natureza, menciona met&aacute;foras fossilizadas ao questionar o fechado e o aberto. Entretanto, nos encapsulamentos, a n&eacute;voa, a maresia, o orvalho se encontram "fechados", mas ainda os vemos (<a href="#f4">Figura 4</a>,<a href="#f5">Figura 5</a>, <a href="#f6">Figura 6</a>). Essa &eacute; a garantia para que continuemos experienciando-os.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a16f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a16f5.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a16f6.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Para Br&iacute;gida, o fechado n&atilde;o significa encerrado, aprisionado, mas protegido, envolvido e, nos frascos transparentes, observado e cuidado. Da mesma forma, os v&iacute;deos s&atilde;o apresentados, as fotografias, como encapsulamentos do tempo e da experi&ecirc;ncia. A artista est&aacute; protegida em suas a&ccedil;&otilde;es, "fechada" e preservada em seu universo afetivo e &eacute; exatamente esse o distanciamento que nos permite compartilhar o momento de "fossiliza&ccedil;&atilde;o" dessa experi&ecirc;ncia, quando e onde n&atilde;o h&aacute; lugar para interrup&ccedil;&otilde;es, somente a imers&atilde;o do espectador, adentrando no universo on&iacute;rico, po&eacute;tico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esse "tr&acirc;nsito" parece ser uma devolutiva perfeita para uma artista que iniciou sua carreira no fim do per&iacute;odo de repress&atilde;o militar no Brasil (1988). Contempor&acirc;nea ao grupo que comp&ocirc;s a "Gera&ccedil;&atilde;o 80", Baltar presenciou o momento de anistia no pa&iacute;s, o que parece potencializar o fato de levar &agrave; p&uacute;blico e a espa&ccedil;os compartilhados, conte&uacute;dos pessoais e introspectivos. Nesse contexto, a liberdade &eacute; desfrutada em sua ess&ecirc;ncia e vivenciada, o que a artista relaciona ao descanso, citando Novalis para destacar essa percep&ccedil;&atilde;o na pr&oacute;pria obra: "O pouso da alma &eacute; o lugar em que o mundo exterior e interior se encontram" (Doctors, 2010: 5). Para ela, isso constitui uma internaliza&ccedil;&atilde;o de desejos, a preserva&ccedil;&atilde;o de uma intimidade interior. H&aacute; um lugar seguro, onde a contempla&ccedil;&atilde;o testemunha o repouso e a serenidade.</p>     <p>Essa internaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; levada para as obras que vieram depois, dando suporte &agrave;s constru&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas posteriores. As cria&ccedil;&otilde;es s&atilde;o decorr&ecirc;ncias desse lugar seguro que nasce dos ambientes da casa, das experi&ecirc;ncias de afetividade, da&iacute; a grande carga feminina na obra da artista. H&aacute; um cuidado caracter&iacute;stico natural &agrave; maternidade, que emerge das paredes, do ch&atilde;o, das entranhas da casa constru&iacute;da e biol&oacute;gica dando vida a "Casa de Abelha"(2002), "Utopias e Devaneios" (2005), "Floresta Vermelha" (2006), "Voar" (2012), obras expostas na 25&ordf; Bienal de S&atilde;o Paulo (2002), na 17&ordf; Bienal de Cerveira, em Cerveira, Portugal (2013), na The Nature of things &#8211; Biennial of the Americas, em Denver, EUA (2010), dentre outras mostras.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>A obra de Br&iacute;gida Baltar apresenta reflex&otilde;es do s&eacute;culo atual, questionamentos sobre a materialidade e perman&ecirc;ncia da obra de arte, onde ainda se encontre o que &eacute; singular. Essas quest&otilde;es s&atilde;o apresentadas em ordena&ccedil;&otilde;es, que longe de preservarem a vis&atilde;o mim&eacute;tica da natureza, buscam na experi&ecirc;ncia humana as rela&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das a partir do momento vivido, do valor e das lembran&ccedil;as instauradas nessas viv&ecirc;ncias. A preocupa&ccedil;&atilde;o da artista n&atilde;o &eacute; o registro do que perdura fisicamente na paisagem, mas do que perdura imaterialmente. Nos elementos ef&ecirc;meros como a n&eacute;voa, a maresia, o orvalho, dissipados rapidamente, o momento tamb&eacute;m &eacute; desfeito. Essa paisagem &eacute; composta desde o instante em que os l&iacute;quidos s&atilde;o capturados buscando-se a perman&ecirc;ncia dessa experi&ecirc;ncia na introspec&ccedil;&atilde;o e no guardar, no preservar, a&ccedil;&otilde;es impregnadas de intimidade. Momentos em que a alma, mais que o corpo, passeia pela natureza sem se esquecer de seus rec&ocirc;nditos.</p>     <p>As paisagens se tornam &iacute;ntimas por constituirem a presentifica&ccedil;&atilde;o da liberdade, protegida pela mem&oacute;ria, pelo aconchego, em uma po&eacute;tica que resulta do deslocamento do pessoal, &iacute;ntimo, entre espa&ccedil;os externos e internos. A cria&ccedil;&atilde;o nasce da viv&ecirc;ncia nesses espa&ccedil;os e do retorno aos cantos, ao interior, registrada e dispersa como a bruma, passando a contemplar os espa&ccedil;os da mem&oacute;ria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bachelard, Gaston (2008). <i>A po&eacute;tica do espa&ccedil;o</i>. 2 ed. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. ISBN: 8533624190&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428002&pid=S1647-6158201300020001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baltar, Br&iacute;gida (c. 2010a). <i>Coleta da maresia</i>. &#91;Consult. 2013-06-17&#93; Fotografia. Dispon&iacute;vel em <a href="http://blogmamam.wordpress.com/2010/08/30/programaprofessor-parceiro/900-brigida-baltar/" target="_blank">http://blogmamam.wordpress.com/2010/08/30/programaprofessor-parceiro/900-brigida-baltar/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428003&pid=S1647-6158201300020001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baltar, Br&iacute;gida (c. 2010b). <i>Coleta da neblina</i>. &#91;Consult. 2013-06-17&#93; Fotografia. Dispon&iacute;vel em <a href="http://celezinski.blogspot.com/" target="_blank">http://celezinski.blogspot.com/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428004&pid=S1647-6158201300020001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baltar, Br&iacute;gida (c. 2010c). <i>Coleta de orvalho</i>. &#91;Consult. 2013-06-17&#93; Frame do v&iacute;deo. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.digplanet.com/" target="_blank">http://www.digplanet.com/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428005&pid=S1647-6158201300020001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baltar, Br&iacute;gida (c. 2012a). <i>Galeria Nara Roesler: Br&iacute;gida Baltar</i>. &#91;Consult. 2013-08-21&#93; Texto e fotografia. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.nararoesler.com.br/sobre/brigida-baltar" target="_blank">http://www.nararoesler.com.br/sobre/brigida-baltar</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428006&pid=S1647-6158201300020001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baltar, Br&iacute;gida (c. 2012b). <i>Obvius</i>. &#91;Consult. 2013-08-21&#93; Fotografia. Dispon&iacute;vel em <a href="http://lounge.obviousmag.org/restos/2012/04/brigida-baltar-em-buscado-efemero.html" target="_blank">http://lounge.obviousmag.org/restos/2012/04/brigida-baltar-em-buscado-efemero.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428007&pid=S1647-6158201300020001600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Canton, K&aacute;tia (2009). <i>Espa&ccedil;o e lugar</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. ISBN: 9788578272272&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428008&pid=S1647-6158201300020001600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cauquelin, Anne (2008). <i>A inven&ccedil;&atilde;o da paisagem</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, ISBN: 9789724414041.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428009&pid=S1647-6158201300020001600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Doctors, Marcio (2010). <i>Passagem secreta: livro da obra de Br&iacute;gida Baltar</i> (Pr&ecirc;mio Conex&atilde;o Artes Visuais Funarte). Rio de Janeiro: Circuito. ISBN 10: 8564022001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428011&pid=S1647-6158201300020001600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Instituto Cultural Ita&uacute; (2007). <i>Br&iacute;gida Baltar</i>. &#91;Consult. 2013-08-08&#93; Banco de dados. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=1286&cd_item=2&cd_idioma=28555" target="_blank">http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=1286&cd_item=2&cd_idioma=28555a</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428013&pid=S1647-6158201300020001600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 28 de agosto e aprovado a 24 de setembro de 2013</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:joedy@faac.unesp.br">joedy@faac.unesp.br</a> (Joedy Bamonte)</p>      ]]></body><back>
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