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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mergulho na Meia-Praia em visita a Joaquim Bravo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this text I try to show the multiplicity of view points which landscape as a art genre conveys to contemplation, mirroring a thematic universality capable to transform it in a medium, i.e. a way how to look at and depict the world. Joaquim Bravo pictures in landscape what he is feeling and reflecting about it. His work arises in me a duality: exhilaration from the heart and intellectual challenge which demands my insight.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>    <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Mergulho na Meia-Praia em visita a Joaquim Bravo</b></p>     <p><b>Diving at Meia-Praia when visiting Joaquim Bravo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jo&atilde;o Lu&iacute;s Antunes Sim&otilde;es&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Portugal, pintor e desenhador. Licenciatura em Arquitectura, Faculdade de Arquitectura da Universidade T&eacute;cnica de Lisboa. Mestrado em Pintura, Faculdade de Belas-Artes Universidade de Lisboa. Frequenta o curso de doutoramento nesta Faculdade. Professor de Artes-Visuais do Ensino B&aacute;sico e Secund&aacute;rio.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes. Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>Neste artigo tento mostrar a multiplicidade de pontos de vista que a paisagem como g&eacute;nero pictural oferece &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o, espelhando uma universalidade tem&aacute;tica, que a transforma em m&eacute;dium, i.e. meio art&iacute;stico de olhar e de figurar o mundo. Joaquim Bravo pinta o seu sentir e reflex&atilde;o sobre a paisagem. A sua obra provoca-me uma dualidade: o entusiasmo que nasce do cora&ccedil;&atilde;o e o desafio intelectual que exige ao meu discernimento. </p>     <p><b><b>Palavras-chave:</b></b> paisagem / Joaquim Bravo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b>    <br> </p>     <p>In this text I try to show the multiplicity of view points which landscape as a art genre conveys to contemplation, mirroring a thematic universality capable to transform it in a medium, i.e. a way how to look at and depict the world. Joaquim Bravo pictures in landscape what he is feeling and reflecting about it. His work arises in me a duality: exhilaration from the heart and intellectual challenge which demands my insight.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> landscape / Joaquim Bravo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Visitar Joaquim Bravo no Ver&atilde;o era um ritual de muitos amigos seus de Lisboa, um mergulho na Meia-Praia fazia, decerto, parte da estadia. Vim a conhec&ecirc;-lo mais tarde, quando vi na Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian em 2000 uma retrospectiva da sua obra intitulada "Joaquim Bravo". Por coincid&ecirc;ncia, ou sincronia dos elementos, esta exposi&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m aconteceu no Ver&atilde;o desse ano. A&iacute;, aceitei a sua hospitalidade criativa, mergulhei na sua obra e claro est&aacute; na sua Meia-Praia.</p>     <p>Joaquim Bravo nasce em &Eacute;vora a 7 de Dezembro de 1935. Nessa cidade &eacute; colega de liceu de &Aacute;lvaro Lapa e anos mais tarde conhece Ant&oacute;nio Palolo. Participa no VI sal&atilde;o de Arte Moderna na SNBA em 1963, onde conhece Ant&oacute;nio Areal que se interessa pelo seu trabalho. A amizade com Ant&oacute;nio Areal abre-lhe perspectivas art&iacute;sticas e expressivas, que est&atilde;o subjacentes &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do seu pensamento pictural, cuja natureza &eacute; abstracta quer em termos de formas, quer no modo como conceptualiza a realidade vis&iacute;vel, &agrave; qual nunca deixou de prestar cuidada aten&ccedil;&atilde;o. De 1964 a 66 reside na Alemanha onde toma contacto com a pintura contempor&acirc;nea internacional. Bravo procura uma linguagem pr&oacute;pria, que expresse sua originalidade, tem a seu favor uma cultura art&iacute;stica consistente, que enquadra teoricamente o seu processo pl&aacute;stico. &Eacute; um leitor atento de temas versando as artes pl&aacute;sticas e a literatura. O seu processo pict&oacute;rico funda-se numa perspectiva da arte enquanto experi&ecirc;ncia f&iacute;sica, mais do que num olhar constru&iacute;do a partir da est&eacute;tica. Contudo arte n&atilde;o ilustra viv&ecirc;ncias, mas &eacute; o produto da sedimenta&ccedil;&atilde;o e s&iacute;ntese da experi&ecirc;ncia do olhar e do sentir. Em 1966 regressa a Portugal e fixa resid&ecirc;ncia em Lagos. &Eacute; nos anos 80 que Bravo atinge a sua maturidade art&iacute;stica e realiza uma s&eacute;rie de exposi&ccedil;&otilde;es individuais. Participa na 19&ordf; edi&ccedil;&atilde;o da Bienal de S&atilde;o Paulo de 1987. As exposi&ccedil;&otilde;es multiplicam-se dentro e fora do pa&iacute;s. Morre em Lisboa em 1990.</p>     <p>O conceito de paisagem &eacute; nas palavras de James Elkins <i>confuso</i> (DeLue, 2008). Essa confus&atilde;o adv&eacute;m da sua natureza ser t&atilde;o geral e contradit&oacute;ria sendo dif&iacute;cil encontrar uma linha de estudo orientadora, pois abre-se a uma diversidade de saberes e de olhares. Elkins observa que n&oacute;s n&atilde;o a conseguimos ver porque estamos imersos nela. Nessa imers&atilde;o aloja-se a experi&ecirc;ncia e por isso a obra de Bravo radica-se na universalidade deste conceito que espelha a complexidade do relacionamento humano consigo pr&oacute;prio e com o outro; o desenho tem uma natureza &iacute;ntima, a pintura dirige-se ao espectador, na rela&ccedil;&atilde;o com o qual Bravo formula nos seus cadernos: "Desenho dist&acirc;ncia. Pintura aproxima&ccedil;&atilde;o." A paisagem &eacute; um g&eacute;nero pictural e tamb&eacute;m &eacute; um meio de express&atilde;o art&iacute;stica que figura os olhares que dirigimos &agrave; natureza e &agrave;s sensa&ccedil;&otilde;es que recebemos de volta. W.J.T.Mitchell diz que: "a paisagem n&atilde;o &eacute; um g&eacute;nero art&iacute;stico mas um medium" (DeLue, 2008). Dessa afirma&ccedil;&atilde;o uma ponte evolui ligando tudo &agrave; paisagem. Se organizarmos esse "tudo" por disciplinas vemos como todas se correspondem com ela: pintura, natureza, ci&ecirc;ncias humanas, m&iacute;tica, simb&oacute;lica, geometria e matem&aacute;tica, para apenas citarmos algumas. Falar da paisagem &eacute; descortinar dentro de m&uacute;ltiplos pontos de vista, qual o que nos interessa destacar. Qual &eacute; o que interessava a Bravo? Tentamos dar resposta quando falarmos da sua po&eacute;tica.</p>     <p>Este artigo divide-se em tr&ecirc;s cap&iacute;tulos.</p>     <p>No primeiro queremos alcan&ccedil;ar a Meia-Praia pelos caminhos pict&oacute;ricos que Bravo abriu at&eacute; l&aacute;. O processo pict&oacute;rico de Bravo &eacute; fascinante de seguir, de uma forma concisa podemos v&ecirc;-lo orientado ao longo de tr&ecirc;s eixos. O primeiro deve a Mal&eacute;vitch, &agrave; nova abstrac&ccedil;&atilde;o e ao minimalismo a liberta&ccedil;&atilde;o do imperativo da expressividade; o segundo vai buscar a origem de uma displic&ecirc;ncia est&eacute;tica a Dada e a Duchamp; finalmente o terceiro reside numa po&eacute;tica de oposi&ccedil;&otilde;es que criam cintila&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No segundo cap&iacute;tulo detemo-nos na visualidade da po&eacute;tica do pintor. A partir de alguns desenhos duplos do artista, podemos ver os conceitos po&eacute;ticos nascidos de met&aacute;foras liter&aacute;rias.</p>     <p>No terceiro cap&iacute;tulo somos chegados &agrave; Meia-Praia, a&iacute; ensaiaremos uma interpreta&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel desta obra pict&oacute;rica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Procuramos ver o que encerra esta pintura, concordando com Bravo, que no final sobra sempre o quadro (Freitas, 2000).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Chegar &agrave; Meia-Praia</b></p>     <p>A atitude de displic&ecirc;ncia est&eacute;tica que vemos nesta pintura de Bravo, radica-se numa reflex&atilde;o continuada sobre o discurso e a realiza&ccedil;&atilde;o pictural sobretudo o das vanguardas do s&eacute;c. XX. Displic&ecirc;ncia no acto art&iacute;stico e n&atilde;o face &agrave; experi&ecirc;ncia de vida que &eacute; vista como s&iacute;mbolo de um ponto de vista original sobre o mundo. A Meia-Praia pertence ao conjunto das obras maduras do artista. Os caminhos at&eacute; a&iacute; chegar, foram passados pelo crivo da experi&ecirc;ncia, pautada por tr&ecirc;s eixos orientadores. Das experi&ecirc;ncias abstracto-expressionistas (<a href="#f1">Figura 1</a>), Bravo reteve a liberdade do gesto, a certeza de uma rela&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e ritual com a pintura e a convic&ccedil;&atilde;o de um sabor abstracto na sua obra.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a19f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>O primeiro eixo surge da reflex&atilde;o sobre o suprematismo de Mal&eacute;vitch e a escultura minimalista que lhe oferece o sentido da forma. Forma que imana do referente vis&iacute;vel e tem com ele uma rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o imitativa, mas a procura de sua energia essencial. O segundo trata da experimenta&ccedil;&atilde;o Dada e do gesto humorado de Duchamp, que investem leveza e simplicidade &agrave; figura dessa ess&ecirc;ncia, esta radica-se no concreto da estrutura do motivo e n&atilde;o numa vis&atilde;o metaf&iacute;sica inef&aacute;vel. No terceiro, gesto e forma tornam-se os pilares da sua linguagem pl&aacute;stica (<a href="#f2">Figura 2</a>), ambos s&atilde;o insuflados por uma po&eacute;tica que Bravo tornou visual.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a19f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. os desenhos duplos</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>H&aacute; uma po&eacute;tica imanente na obra de Bravo que se estrutura atrav&eacute;s de pares de elementos em oposi&ccedil;&atilde;o, a&iacute; reflecte-se a qualidade do n&uacute;mero 2, como nos explica Elkins. As d&iacute;ades s&atilde;o pares de elementos que cumprem o princ&iacute;pio da oposi&ccedil;&atilde;o, por exemplo masculino e feminino, deste universo exclui-se um par como sal e pimenta que consideramos opostos por conven&ccedil;&atilde;o (Elkins, 1999).</p>     <p>No n&uacute;mero 2 inscreve-se a paisagem. Ela tem uma natureza d&uacute;plice, porque est&aacute; em redor de n&oacute;s e nela nos encontramos (DeLue, 2008). &Eacute; nesse exterior e interior que reside a motiva&ccedil;&atilde;o de a pintar e de tudo ver como paisagem.</p>     <p>A po&eacute;tica de Bravo, na sua estrutura, releva da dualidade de for&ccedil;as opostas. Elkins explica que o 2 &eacute; um n&uacute;mero inst&aacute;vel ou se dirige para o 1, ou se conjuga numa tr&iacute;ade (Elkins, 1999). No caso de Bravo o dois mant&eacute;m sua instabilidade formal mas tende para um como a energia dela resultante. Nessa irresolu&ccedil;&atilde;o Bravo v&ecirc; o princ&iacute;pio do gesto criativo e a for&ccedil;a pictural da cintila&ccedil;&atilde;o. <i>Um quase nada de cintila&ccedil;&atilde;o</i> era o que o pintor desejava ver surgir na sua obra, o que a tornava eficaz. A cintila&ccedil;&atilde;o &eacute; a voz da sua po&eacute;tica visual e radica-se num verso de Rimbaud, que o pintor faz seu e que fala do movimento ascendente do mar em direc&ccedil;&atilde;o ao sol. A massa (do mar) ganha a leveza da ascens&atilde;o (para o sol).</p>     <p>O par gesto e forma pictural traduz todas as oposi&ccedil;&otilde;es e mostram a din&acirc;mica impar&aacute;vel dos elementos gr&aacute;ficos sobre o suporte. Na recep&ccedil;&atilde;o da obra o espectador sente no seu corpo esse movimento. O fazer do pintor &eacute; consequ&ecirc;ncia desta po&eacute;tica, por isso ela &eacute; poi&eacute;sis, &eacute; um acto de dar a ver, ou como disse Heidegger um "trazer para diante" (Poiesis, http). E Bravo traz <i>para diante</i> de n&oacute;s essa for&ccedil;a que detecta &agrave; sua volta.</p>     <p>Bravo trabalhava por s&eacute;ries de desenhos que poderiam ou n&atilde;o colapsar numa pintura. O desenho n&atilde;o prepara a pintura, &eacute; um caminho que se abre no imagin&aacute;rio, aqui e ali pontuado por pinturas. A algumas dessas s&eacute;ries o artista chamou desenhos duplos, o que vemos neles s&atilde;o investiga&ccedil;&otilde;es pl&aacute;sticas da duplicidade da paisagem que estava em seu esp&iacute;rito. Cada um dos desenhos &eacute; tratado de modos opostos. No desenho "Sem T&iacute;tulo," 1982 (<a href="#f3">Figura 3</a>) v&ecirc;-se uma mesma forma duplicada, a de cima sugerindo uma tridimensionalidade, a de baixo &eacute; plana, ambas sugerem uma sensa&ccedil;&atilde;o de flutuar, uma montanha flutuante. Em "Sem T&iacute;tulo," 1981 (<a href="#f4">Figura 4</a>) o desenho superior tem natureza gestual, enquanto o inferior &eacute; linear e t&eacute;cnico.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a19f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a19f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Meia-Praia</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O desenho duplo, intitulado "Sem T&iacute;tulo (O Algarve n&atilde;o &eacute; assim t&atilde;o bonito)," c. 1980, (<a href="#f5">Figura 5</a>) mostra o perfil de uma montanha <i>belamente ocupada consigo pr&oacute;pria</i> &#8211; parafraseando a express&atilde;o como Rilke descreve os motivos pintados por C&eacute;zanne (Rilke, 1952). Uma montanha indiferente &agrave; sobreposi&ccedil;&atilde;o ca&oacute;tica de marcas que parecem invadi-la por baixo. Este conflito gr&aacute;fico espelha um outro de que Meia-Praia &eacute; porta-voz.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a19f5.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Na pintura que nos importa temos a presen&ccedil;a da duplicidade nas duas &aacute;reas iguais pintadas de azul. Em cima a cor &eacute; lisa, em baixo tem uma textura linear horizontal que evoca a superf&iacute;cie do mar. Esta tranquilidade &eacute; ferida por aquilo que se assemelha a um barco, mas tamb&eacute;m &eacute; um colarinho arrancado a uma velha camisa. Meia-Praia evoca a duplicidade das duas metades da composi&ccedil;&atilde;o a leveza do c&eacute;u, a densidade do mar, o cima e o baixo, o pintado e o colado e cujo t&iacute;tulo desliza do concreto &#8211; o nome da praia que une Lagos a Portim&atilde;o &#8211; para o metaf&oacute;rico &#8211; uma praia que sendo meia, deixou de ser inteira. O pr&oacute;prio colarinho parece seguir-lhe o exemplo sendo apenas parte da camisa. Nos &uacute;ltimos versos da Mensagem, Pessoa escreve: "tudo &eacute; disperso, nada &eacute; inteiro. &Oacute; Portugal, hoje &eacute;s nevoeiro&#8230;" (Pessoa, 1987).</p>     <p>Michael Taussig diz que perdemos a experi&ecirc;ncia f&iacute;sica do mar. Utilizamo-lo como fun&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o como elemento natural transformador. Isso acontece com a radicaliza&ccedil;&atilde;o da sociedade capitalista e de consumo em que vivemos. Tudo &eacute; visto em fun&ccedil;&atilde;o das leis do mercado. A praia substituiu o mar, e se ela j&aacute; foi templo de introspec&ccedil;&atilde;o hoje &eacute; mercado para o turismo de massas (Mitchell, 2002).</p>     <p>O colarinho evoca o barco b&ecirc;bado da poesia de Rimbaud, tamb&eacute;m ele em fuga da funcionalidade humana procurando a aventura do desregulamento dos sentidos, que espelha a alquimia da alma. O barco est&aacute; no poema pelo homem, um homem estropiado como o profetizou Rimbaud, como Bravo o d&aacute; a ver nesta ru&iacute;na de vestu&aacute;rio. Mas h&aacute; um brilho, uma luz nestes azuis que d&atilde;o esperan&ccedil;a &agrave; mente e ao corpo da ru&iacute;na a que chamamos ser humano. O homem ocidental, o mesmo de Rimbaud, que abre o colarinho n&atilde;o para ir para o escrit&oacute;rio mas para se aventurar no mar. "&Eacute; a hora!" (Pessoa, 1987).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>A paisagem para Bravo compreende a dimens&atilde;o art&iacute;stica, a cr&iacute;tica social e pol&iacute;tica radicada numa poi&eacute;sis fundada no sentir, que confere &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o e &agrave; recep&ccedil;&atilde;o da obra uma dimens&atilde;o ritual e simb&oacute;lica. Nela reside <i>um quase-nada de cintila&ccedil;&atilde;o</i> for&ccedil;a pictural que traduz uma vis&atilde;o po&eacute;tica do mundo. Interessou-nos neste artista ver, na simplicidade do seu gesto pictural, na displic&ecirc;ncia est&eacute;tica como s&atilde;o combinados os elementos estruturantes, a complexidade da sua experi&ecirc;ncia humana e art&iacute;stica que se espelha na Meia-Praia. Ainda que o meu texto possa pecar por alguma subjectividade na interpreta&ccedil;&atilde;o da obra ela baseia-se na poesia que Bravo gostava e &eacute; enquadrada por estudos te&oacute;ricos sobre a paisagem, no final de tudo dito <i>sobra sempre o quadro</i>: possamos n&oacute;s mergulhar no mar inspirado que o pintor nos oferece.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bravo, Joaquim (1963) <i>Sem T&iacute;tulo</i>. Colec&ccedil;&atilde;o Particular. Exposi&ccedil;&otilde;es: Galeria da Livraria Escolar Editora (111), 1964; Anos 60, anos de ruptura, 1994; Artistas em &Eacute;vora no s&eacute;c. XX, 1996.Reprodu&ccedil;&atilde;o de pintura dispon&iacute;vel em: Freitas, Helena e Leonor Nazar&eacute; &#8211; Cat&aacute;logo da Exposi&ccedil;&atilde;o "Joaquim Bravo". Centro de Arte Moderna da Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. 15 de Junho a 31 de Agosto 2000. p. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428260&pid=S1647-6158201300020001900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bravo, Joaquim (1977) <i>Sem T&iacute;tulo</i>. Colec&ccedil;&atilde;o Particular. Exposi&ccedil;&otilde;es: 56 Desenhos 1977/80, 1991. Reprodu&ccedil;&atilde;o de pintura dispon&iacute;vel em: Freitas, Helena e Leonor Nazar&eacute; &#8211; Cat&aacute;logo da Exposi&ccedil;&atilde;o "Joaquim Bravo". Centro de Arte Moderna da Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. 15 de Junho a 31 de Agosto 2000. p. 95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428262&pid=S1647-6158201300020001900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bravo, Joaquim (1982) <i>Sem T&iacute;tulo</i>. Colec&ccedil;&atilde;o Particular. Reprodu&ccedil;&atilde;o de pintura dispon&iacute;vel em: Freitas, Helena e Leonor Nazar&eacute; &#8211; Cat&aacute;logo da Exposi&ccedil;&atilde;o "Joaquim Bravo". Centro de Arte Moderna da Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. 15 de Junho a 31 de Agosto 2000. p. 102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428264&pid=S1647-6158201300020001900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Bravo, Joaquim (1981) Sem T&iacute;tulo. Colec&ccedil;&atilde;o Particular. Reprodu&ccedil;&atilde;o de pintura dispon&iacute;vel em: Freitas, Helena e Leonor Nazar&eacute; &#8211; Cat&aacute;logo da Exposi&ccedil;&atilde;o "Joaquim Bravo". Centro de Arte Moderna da Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. 15 de Junho a 31 de Agosto 2000. p. 103.</p>     <!-- ref --><p>Bravo, Joaquim (c.1980) <i>Sem T&iacute;tulo</i> (O Algarve n&atilde;o &eacute; assim t&atilde;o bonito). Colec&ccedil;&atilde;o Particular. Reprodu&ccedil;&atilde;o de pintura dispon&iacute;vel em: Cat&aacute;logo da Exposi&ccedil;&atilde;o: Modos Afirmativos e Declina&ccedil;&otilde;es: Alguns Aspectos do Desenho na D&eacute;cada de Oitenta. Minist&eacute;rio da Cultura &#8211; Instituto de Arte Contempor&acirc;nea. Museu de &Eacute;vora, 18 Maio a 8 Julho 2001; Museu Arqueol&oacute;gico e Lapidar D. Henrique e Galeria Trem, Faro, 11 Agosto a 14 Outubro 2001; Museu Municipal Amadeo Sousa Cardoso, Amarante, 17 Novembro a 13 Janeiro 2002. p. 141.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428266&pid=S1647-6158201300020001900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bravo, Joaquim (1980) <i>Meia-Praia.</i> Colec&ccedil;&atilde;o Maria Nobre Franco. Exposi&ccedil;&otilde;es: Galeria Municipal de Artes Visuais, Set&uacute;bal, 1982. Reprodu&ccedil;&atilde;o de pintura dispon&iacute;vel em: Cat&aacute;logo da Exposi&ccedil;&atilde;o "Joaquim Bravo". Centro de Arte Moderna da Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. 15 de Junho a 31 de Agosto 2000. p. 98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428268&pid=S1647-6158201300020001900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DeLue, Rachael Ziady, James Elkins (2008)<i>Landscape Theory.</i> New York, London; Routledge. ISBN10: 0-415-96054-1 (pbk).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428270&pid=S1647-6158201300020001900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Elkins, James (1999) <i>What Painting Is</i>. New York, London: Routledge. ISBN: 0-415-92113-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428272&pid=S1647-6158201300020001900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Freitas, Helena & Nazar&eacute;, Leonor (2000) <i>Joaquim Bravo</i>. Cat&aacute;logo. Centro de Arte Moderna da Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. 15 de Junho a 31 de Agosto 2000. ISBN: 972-635-125-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428274&pid=S1647-6158201300020001900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Michael Taussig (2002) "The Beach (A Fantasy)", in: Mitchell, W.J.T. (ed.) <i>Landscape and Power</i>. Chicago. London: The University of Chicago Press, Second Edition. ISBN: 0-226-53205-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428276&pid=S1647-6158201300020001900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pessoa, Fernando (1987) <i>Mensagem.</i> Lisboa, Editora &Aacute;tica, 14&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428278&pid=S1647-6158201300020001900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>Poiesis</i> <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Poiesis" target="_blank">http://en.wikipedia.org/wiki/Poiesis</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428280&pid=S1647-6158201300020001900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rilke, Rainer Maria (2002) <i>Letters on Cezanne.</i> New York: North Point Press. ISBN-13: 978-0-86547-639-4. (Originalmente publicado em Frankfurt: Insel Verlag 1952).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428281&pid=S1647-6158201300020001900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 5 de setembro e aprovado a 24 de setembro de 2013.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:simoes.joaoluis@gmail.com">simoes.joaoluis@gmail.com</a> (Jo&atilde;o Lu&iacute;s Sim&otilde;es)</p>     ]]></body>
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