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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article contextualizes the photo shoot of photographer / Brazilian artist Anna Mariani on the facades of the houses in northeastern Brazil. Color is the main element treated as a phenomenon of visual perception and cultural identity. The work includes the scenario of Brazilian Photography and Contemporary Art.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>    <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Anna Mariani e as casinhas nordestinas</b></p>     <p><b>Anna Mariani and houses northeastern</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Silvia Helena dos Santos Cardoso&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Brasil, artista/fot&oacute;grafa e antrop&oacute;loga. Doutora em Artes e Mestre em Multimeios / Instituto de Artes / UNICAMP e Bacharel em Ci&ecirc;ncias Sociais/Antropologia / FFLCH / uSP. Professora universit&aacute;ria &#8211; Centro universit&aacute;rio Belas Artes de S&atilde;o Paulo e Universidade Nove de Julho.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Nove de Julho. Centro universit&aacute;rio Belas Artes de S&atilde;o Paulo. Centro universit&aacute;rio Belas Artes de S&atilde;o Paulo, CEP: 04018-010, S&atilde;o Paulo, Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>O artigo contextualiza o ensaio fotogr&aacute;fico da fot&oacute;grafa/artista brasileira Anna Mariani acerca das fachadas das casas na regi&atilde;o nordeste do Brasil. A cor &eacute; o principal elemento tratado como fen&ocirc;meno de percep&ccedil;&atilde;o visual e de identidade cultural. A obra contempla o cen&aacute;rio da Fotografia Brasileira e Arte Contempor&acirc;nea.</p>     <p><b><b>Palavras-chave:</b></b> Fotografia / Paisagem / Arte Contempor&acirc;nea / Arte Brasileira / Nordeste Brasileiro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b>    <br> </p>     <p>The article contextualizes the photo shoot of photographer / Brazilian artist Anna Mariani on the facades of the houses in northeastern Brazil. Color is the main element treated as a phenomenon of visual perception and cultural identity. The work includes the scenario of Brazilian Photography and Contemporary Art.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Photography / Landscape / Contemporary Art / Brazilian Art / Brazilian Northeast.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Anna Mariani e a Fotografia Brasileira</b></p>     <p>O primeiro contato com o ensaio fotogr&aacute;fico de Anna Mariani (1935) aconteceu nos anos 80 do &uacute;ltimo s&eacute;culo. As fotografias revelavam certa delicadeza no registro das casas e, especificamente, das t&iacute;picas fachadas coloridas da regi&atilde;o nordestina brasileira. A mem&oacute;ria n&atilde;o &eacute; suficiente para recordar o espa&ccedil;o expositivo da obra, mas aquele conjunto de imagens ficou verdadeiramente gravado como um assunto a ser pesquisado posteriormente.</p>     <p>Naquela data, a cena art&iacute;stica e fotogr&aacute;fica no Brasil atravessava uma transforma&ccedil;&atilde;o: finalmente "as coisas" do pa&iacute;s passavam por uma valoriza&ccedil;&atilde;o e a cultura brasileira come&ccedil;ava ou recome&ccedil;ava a encontrar o seu lugar na hist&oacute;ria da arte latinoamericana. Ao mesmo tempo em que os artistas encontravam espa&ccedil;o para colocar obras de car&aacute;ter universal no ins&iacute;pido mercado de arte, os fot&oacute;grafos come&ccedil;avam a redescobrir a cultura local. &Eacute; verdade que o interesse pela cultura popular &eacute; marcado por um movimento de vai e vem: ora muito valorizada, ora muito desprezada. Contudo, a partir daquelas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a cultura popular brasileira passou a ser encarada com maior seriedade e estima.</p>     <p>Neste contexto, a fot&oacute;grafa soteropolitana Anna Mariani exp&ocirc;s o resultado de in&uacute;meras viagens por sete estados brasileiros &#8211; Bahia, Alagoas, Sergipe, Cear&aacute;, Pernambuco, Para&iacute;ba e Rio Grande do Norte &#8211;, n&atilde;o nesta ordem, mas a Bahia, estado de nascimento da artista, foi o primeiro a revelar a beleza das populares casinhas coloridas. O trabalho come&ccedil;ara em meados dos anos 70 com fotografias pretos e brancos como anota&ccedil;&otilde;es e, posteriormente, com os diapositivos coloridos, pois segundo a fot&oacute;grafa, a cor das fachadas revelava o universo po&eacute;tico do homem nordestino, sempre lembrado por sua for&ccedil;a bruta, &agrave; luz de Euclides da Cunha (1866/1909), escritor de Os Sert&otilde;es (1902). Mariani se dedicou a registrar a paisagem nordestina, mas n&atilde;o o cen&aacute;rio natural, ao contr&aacute;rio, uma paisagem constru&iacute;da: as fachadas frontais das casas. Se o conceito de paisagem &eacute; constru&iacute;do em diferentes te&oacute;ricos, o arquiteto italiano Aldo Rossi (1931/1997) traz a defini&ccedil;&atilde;o de paisagem constru&iacute;da para todas as coisas que s&atilde;o culturalmente criadas (Fortes, 2009). A paisagem da natureza n&atilde;o &eacute; exclusiva, encontramos outras paisagens: a paisagem constru&iacute;da &eacute; aqui o foco, uma vez que as fachadas das casinhas brasileiras s&atilde;o culturalmente idealizadas, como mostra a <a href="#f1">Figura 1</a>.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a27f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A cor como identidade cultural</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O ensaio fotogr&aacute;fico de Anna Mariani foi tratado como uma grande novidade no mundo imag&eacute;tico brasileiro, uma vez que as coloridas fachadas j&aacute; eram conhecidas pelos viajantes estrangeiros e nacionais, mas nunca haviam sido expostas num espa&ccedil;o de arte. A beleza das casinhas atestava a singularidade das fachadas coloridas e denominadas pelo habitante local por pintura. Aquelas pinturas tinham a cal pigmentada como tinta e a sua dilui&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel pelo maior ou menor contraste da cor, ora muito saturada, ora muito suave. N&atilde;o s&oacute; a fachada, mas tamb&eacute;m os ornamentos e os enfeites, conhecidos por platibandas, eram pintados. Estas decora&ccedil;&otilde;es muitas vezes com desenhos florais e/ou elementos vazados, que lembram os cobog&oacute;s, elemento arquitet&ocirc;nico que facilita a passagem do ar e tamb&eacute;m da luz natural e artificial entre o exterior e interior de um ambiente, recebem uma cor diferente. A cor principal da fachada &eacute; associada &agrave;s outras cores, sejam nos ornamentos, nas portas e nas janelas, como na <a href="#f2">Figura 2</a>.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a27f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>A combina&ccedil;&atilde;o entre as cores &#8211; duas ou mais matizes &#8211; revelam certa harmonia: azul/azul claro; rosa/marrom; rosa/amarelo; amarelo/branco; rosa/verde/ branco; entre outros, s&atilde;o reunidos e marca uma identidade, certo temperamento familiar ou do chefe da fam&iacute;lia, um trabalho genu&iacute;no apesar de algumas refer&ecirc;ncias sociais e locais, e muitas vezes religiosas.</p>     <p>Contudo, o que &eacute; a cor para o nordeste brasileiro? Para o homem nordestino? O significado da cor, da pintura &eacute; consciente? S&atilde;o apenas questionamentos. N&atilde;o existe uma resposta precisa, mas sabemos que a constru&ccedil;&atilde;o das fachadas destas casas com cores e detalhes espec&iacute;ficos est&aacute; no dom&iacute;nio do fen&ocirc;meno cultural.</p>     <p>Na publica&ccedil;&atilde;o de Pinturas e Platibandas (2010) de Anna Mariani, volume com cerca de 200 fotografias de habita&ccedil;&otilde;es populares realizadas no per&iacute;odo entre 1976 e 1995, confirmamos que a fatura da pintura tem a cor como elemento diferenciador. A arquitetura &eacute; vernacular e popular, e conta muitas vezes com a simples presen&ccedil;a de uma porta e uma janela, quando n&atilde;o, se observam um elemento decorativo &agrave; luz da natureza &#8211; flores e folhas &#8211; ou a data da constru&ccedil;&atilde;o. Contudo, &eacute; a cor que marca a diferen&ccedil;a: a tonalidade forte acentua certo destaque com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras casas; uma tonalidade mais suave expressa delicadeza, o que tamb&eacute;m chama aten&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do tom pastel.</p>     <p>Nesta paisagem, um jogo competitivo marca a concorr&ecirc;ncia entre os habitantes locais: se internamente as casas s&atilde;o equivalentes quanto &agrave; arquitetura e, especificamente, a divis&atilde;o interna (quartos, sala, cozinha; o banheiro costumava estar fora da casa), externamente, a fachada marca o espa&ccedil;o p&uacute;blico e nesta &aacute;rea todas as singularidades culturais s&atilde;o reveladas. Certa vez, uma moradora disse que &#39;... n&atilde;o consigo entrar um ano sem pintar a fachada da minha casa...&#39;. &Eacute; como uma roupa nova, um vestido novo, como escreveu o cantor brasileiro Caetano Veloso (1942) no cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o (Mariani, 2010), &#39;... a cidade fica endomingada...&#39;, com refer&ecirc;ncia ao domingo quando as pessoas vestem roupas novas, se arrumam para sair. Nestas ocasi&otilde;es, geralmente festas religiosas, as casas e suas fachadas expressam a felicidade dos seus moradores. A fachada acaba por determinar a rela&ccedil;&atilde;o que o morador deseja estabelecer com o visitante externo.</p>     <p>O estudioso su&iacute;&ccedil;o Johannes Itten (1888/1967) escreveu que &#39;cada um tem sua pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o de harmonia crom&aacute;tica&#39; (Barros, 2006: 78). Sendo assim, o gosto e o temperamento s&atilde;o duas caracter&iacute;sticas relevantes para entender a cor e seus usos nas fachadas das casinhas. Al&eacute;m do elemento arquitet&ocirc;nico, j&aacute; escrito, a cor e sua combina&ccedil;&atilde;o revelam certa din&acirc;mica, uma vez que a escolha pode mudar de um ano para outro, a cor da pintura n&atilde;o permanece eternamente, a exce&ccedil;&atilde;o de alguns casos, mas at&eacute; mesmo o tempo &#8211; o desgaste &#8211; d&aacute; conta do esmaecimento da cor, o que acaba por transform&aacute;-la em outra matiz, conseq&uuml;entemente, apontando para outra percep&ccedil;&atilde;o visual e, portanto, cultural, como na <a href="#f3">Figura 3</a>.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a27f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A cor &eacute; um fen&ocirc;meno f&iacute;sico porque depende da luz para existir, como enfatizou o cientista ingl&ecirc;s Issac Newton (1643/1727), contudo n&atilde;o &eacute; s&oacute; isso, &eacute; percep&ccedil;&atilde;o visual tamb&eacute;m &#8211; os olhos e o sistema cerebral s&atilde;o os aparelhos da vis&atilde;o e da interpreta&ccedil;&atilde;o da cor &#8211; e tal percep&ccedil;&atilde;o est&aacute; no universo da cultura, portanto cor pode ser tratada como uma manifesta&ccedil;&atilde;o cultural. Se a cultura &eacute; a ferramenta que orienta o homem, a percep&ccedil;&atilde;o da cor, n&atilde;o est&aacute; s&oacute; no plano fisiol&oacute;gico da vis&atilde;o, mas tamb&eacute;m est&aacute; para a associa&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica da percep&ccedil;&atilde;o visual, somadas &agrave;s suas qualidades est&eacute;ticas, como tratou o estudioso alem&atilde;o Johann Woefgang von Goethe (1749/1832) em Doutrina das Cores (1810).</p>     <p>Goethe apresentou uma vis&atilde;o mais ampla e livre acerca da percep&ccedil;&atilde;o visual e, tamb&eacute;m, da cor, uma vez que reconhecia o elemento subjetivo no processo de cria&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica, e de reconhecimento e combina&ccedil;&atilde;o da cor.</p>     <p>Em &uacute;ltima an&aacute;lise, a cor &eacute; um fen&ocirc;meno fascinante que desperta sensa&ccedil;&otilde;es, interesses e deslumbramentos, como salientou Barros (2006). Neste percurso, o elemento subjetivo deve ser considerado no processo de significa&ccedil;&atilde;o crom&aacute;tica, pois no trabalho criativo a intui&ccedil;&atilde;o &eacute; um instrumental quando do trabalho com cor e cores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></p>     <p>A an&aacute;lise aqui desenvolvida n&atilde;o pretende uma perspectiva redutora. N&atilde;o est&aacute; somente para a Antropologia que estuda a cultura como fator preponderante para a compreens&atilde;o da natureza humana. Como somente para quest&otilde;es relacionadas &agrave; beleza, &agrave; est&eacute;tica e/ou t&eacute;cnicas da fotografia. Contudo, nossa perspectiva &eacute; tentar trazer &agrave; luz a cor como caracter&iacute;stica importante e de destaque na regi&atilde;o nordestina brasileira, como na <a href="#f4">Figura 4</a>.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a27f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>A cor nas fachadas &eacute; tratada como pintura pelos pr&oacute;prios habitantes. A pintura j&aacute; esteve somente sobre a tela, mas agora no cen&aacute;rio contempor&acirc;neo a pintura &eacute; reconhecida em perspectiva expandida: na parede, no mural, no ch&atilde;o, na fachada. Todas s&atilde;o pinturas. O que querem dizer?</p>     <p>As casinhas nordestinas e, especificamente, suas fachadas com suas cores e ornamentos funcionam como cart&atilde;o de visita, um convite, ao menos, para observar a casa. Neste racioc&iacute;nio, a cor representa tamb&eacute;m um fator de sociabilidade &#8211; contempla uma din&acirc;mica social &#8211; uma intera&ccedil;&atilde;o entre os locais e os estrangeiros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artista escoc&ecirc;s David Batchelor (1955), em palestra recente em S&atilde;o Paulo (agosto de 2013), afirmou que &#39;a cor nos exp&otilde;e ao mundo&#39;. Nesta perspectiva, as casinhas coloridas revelam certa percep&ccedil;&atilde;o dos moradores das cidades registradas por Anna Mariani sobre o mundo. N&atilde;o existe um padr&atilde;o &uacute;nico, apesar da semelhan&ccedil;a entre as pinturas; as casas contam muitas vezes com uma porta e no m&aacute;ximo duas janelas, e com alguns ornamentos sim&eacute;tricos, geom&eacute;tricos, florais. Contudo, quase sempre as portas e as janelas est&atilde;o fechadas. Por qu&ecirc;? Tal caracter&iacute;stica tamb&eacute;m foi observada em outras regi&otilde;es de clima muito quente. Ser&aacute; a temperatura um fator determinante?</p>     <p>As pessoas n&atilde;o est&atilde;o presentes nas fotografias de Mariani, entretanto elas est&atilde;o l&aacute;, s&atilde;o representadas atrav&eacute;s das cores: fortes, suaves, contrastadas, vivas, desgastadas, saturadas, como se fossem obras minimalistas. Mas tal refer&ecirc;ncia &#8211; Minimalismo &#8211; &eacute; outra conversa, outro artigo.</p>     <p>A fot&oacute;grafa/artista Anna Mariani inseriu definitivamente a paisagem constru&iacute;da das fachadas coloridas das casinhas nordestinas no contexto imag&eacute;tico da Fotografia Brasileira &#8211; como documento iconogr&aacute;fico e express&atilde;o cultural &#8211;, e acabou por enfatizar a po&eacute;tica visual popular que por muito tempo fora ignorada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Barros, Lilian Ried Miller (2006) <i>A cor no processo criativo: um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de Goethe</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Senac S&atilde;o Paulo. ISBN: 978-85-7359-877-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428927&pid=S1647-6158201300020002700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Batchelor, David (2001) <i>Minimalismo</i>; tradu&ccedil;&atilde;o de C&eacute;lia Euvaldo. S&atilde;o Paulo:Cosac Naify Edi&ccedil;&otilde;es. ISBN: 85-86374-28-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428929&pid=S1647-6158201300020002700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Cauquelin, Anne (2007) <i>A inven&ccedil;&atilde;o da paisagem</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Marcos Marcionilo. S&atilde;o Paulo: Martins. (Cole&ccedil;&atilde;o Todas as Artes). ISBN: 978-85-99102-53-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428931&pid=S1647-6158201300020002700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fortes, Hugo (2009) "Natureza e artificialidade nas paisagens aqu&aacute;ticas contempor&acirc;neas". In: <i>Po&eacute;ticas da Natureza</i>. S&atilde;o Paulo: PGEHA/Museu de Arte Contempor&acirc;nea da Universidade de S&atilde;o Paulo. ISBN: 978-85-7229-637-1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428933&pid=S1647-6158201300020002700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mariani, Anna (2010) <i>Pinturas e Platibandas</i>. S&atilde;o Paulo: Instituto Moreira Salles. ISBN: 978-85-86707-48-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1428935&pid=S1647-6158201300020002700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 9 de setembro e aprovado a 24 de setembro de 2013</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:silvia.cardoso@uninove.br">silvia.cardoso@uninove.br</a> (silvia Cardoso)</p>      ]]></body><back>
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