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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Faculdade de Belas-Artes Centro de Investigação e Estudos de Belas Artes (CIEBA)]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to highlight aspects of Orlando Franco's work that are relate to the understanding of Landscape as molding material by man, animal and machine actions, based on the concept of time. It's also a topical approach to different concepts of various fields such as Physics or Geography.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>    <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Orlando Franco: de Passagem pela Paisagem</b></p>     <p><b>Orlando Franco: Passing Through the Landscape</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Palma Rodrigues&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Portugal, Artista Visual. Licenciatura em Pintura, Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), Mestrado em Pintura (FBAUL). Frequenta doutoramento em Belas Artes (FBAUL).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa. Faculdade de Belas-Artes. Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos de Belas Artes (CIEBA). Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>Este artigo pretende destacar aspetos na obra de Orlando Franco que se relacionam com o entendimento da Paisagem como mat&eacute;ria model&aacute;vel pelo homem, o animal e a m&aacute;quina, tendo por base o conceito de tempo e aflorando &aacute;reas diversas tais como a F&iacute;sica ou a Geografia.</p>     <p><b><b>Palavras-chave:</b></b> animal / homem / m&aacute;quina / paisagem / tempo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b>    <br> </p>     <p>This paper aims to highlight aspects of Orlando Franco&#39;s work that are relate to the understanding of Landscape as molding material by man, animal and machine actions, based on the concept of time. It&#39;s also a topical approach to different concepts of various fields such as Physics or Geography. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> animal / landscape / machine / man / time.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Orlando Franco (Santar&eacute;m, 1977) tem vindo a desenvolver a sua atividade art&iacute;stica sobretudo nos dom&iacute;nios da v&iacute;deo-instala&ccedil;&atilde;o, fotografia e desenho, pertencendo a uma primeira gera&ccedil;&atilde;o de artistas, sa&iacute;da da ESAD.CR (Caldas da Rainha) que se evidenciou de modo significativo no meio da arte multim&eacute;dia. Paralelamente &agrave; sua atividade como artista, tem desenvolvido projetos de curadoria, programa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e media&ccedil;&atilde;o cultural. De entre as suas exposi&ccedil;&otilde;es mais recentes, destaca-se a individual, <i>BurnOut</i>, na <i>Plataforma Project 2</i>.</p>     <p>Em 2013, foi escolhido para a 5&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o do <i>LandArt Cascais</i>, juntamente com Jos&eacute; Pedro Croft, Andr&eacute; Banha e Miguel &Acirc;ngelo Rocha.</p>     <p><i>Tempo, peso, movimento</i>, ou marca s&atilde;o alguns dos conceitos presentes na obra de Orlando Franco. Nos seus trabalhos, a m&aacute;quina, o homem e o animal surgem unidos sob a ideia de potencial mec&acirc;nico. Esse potencial &eacute; assinalado atrav&eacute;s dos efeitos produzidos pela energia criativa do artista aliada ao exerc&iacute;cio das for&ccedil;as mec&acirc;nicas sobre o espa&ccedil;o, por meio do movimento dos corpos, dos seus tempos de a&ccedil;&atilde;o e/ou in&eacute;rcia, dos seus deslocamentos ou da inscri&ccedil;&atilde;o dos seus gestos num determinado campo de a&ccedil;&atilde;o, neste caso, na paisagem.</p>     <p>A paisagem &eacute; aqui entendida como uma parcela de natureza, um detalhe enquadrado ou recortado no espa&ccedil;o e no tempo, com limites definidos, &eacute; uma demarca&ccedil;&atilde;o &#39;num horizonte moment&acirc;neo ou duradouro&#39; (Simmel, 2009: 6).</p>     <p>Pretende-se ent&atilde;o analisar de que forma a paisagem pode tamb&eacute;m ser entendida como suporte para a impress&atilde;o, como uma folha de papel numa gravura, atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o direta do homem e das m&aacute;quinas por ele criadas, dos animais (sobretudo dos animais ao servi&ccedil;o do homem) e da pr&oacute;pria passagem do tempo.</p>     <p>A partir de <i>Untitled (Competition)</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>), tencionamos demonstrar como Orlando Franco pensa a paisagem nos seus limites temporais, como fronteira entre o rural e urbano, entre os resqu&iacute;cios de agricultura e os ind&iacute;cios da industrializa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a37f1.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. De Passagem</b></p>     <p><i>Untitled (Competition)</i> &eacute; uma obra que consiste em duas interven&ccedil;&otilde;es concebidas para a Quinta do Pis&atilde;o, aquando do <i>LandArt Cascais</i>, remetendo para as interven&ccedil;&otilde;es na paisagem de finais dos anos 60 (<a href="#f2">Figura 2</a>), nomeadamente para <i>A Line Made by Walking</i> (1967), de Richard Long.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a37f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>A maioria dos conceitos com os quais Orlando Franco opera prov&ecirc;m da F&iacute;sica. Neste projeto o artista arquiteta implicitamente uma narrativa cujo objeto central &eacute; o <i>tempo</i> (Franco, 2013a), materializando-o geogr&aacute;fica e geometricamente.</p>     <p>O <i>tempo</i> relaciona-se com o <i>espa&ccedil;o</i> tridimensional, dando origem a uma quarta dimens&atilde;o denominada <i>espa&ccedil;o-tempo</i>.</p>     <p>A proposta do artista (<a href="#f3">Figura 3</a>), delineia zonas de interven&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de pisoteio e/ou passagem de trator. As formas inscritas no espa&ccedil;o decorrem da a&ccedil;&atilde;o coincidente do homem, do animal (cavalo e burro) e do trator no solo. Da&iacute; resultam <i>marcas</i> obtidas por interm&eacute;dio do <i>movimento</i> num percurso repetitivo em circuito fechado.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a37f3.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Definindo-se pela sua resist&ecirc;ncia ao <i>tempo</i> (Babo, s. d.), a <i>marca</i> deixada na terra procede da mem&oacute;ria da superf&iacute;cie na qual fica impressa (por meio do <i>peso</i>, da <i>for&ccedil;a</i> e do <i>tempo</i> da a&ccedil;&atilde;o do corpo).</p>     <p>Ap&oacute;s a sua <i>performance</i>, que evidencia a rela&ccedil;&atilde;o <i>espa&ccedil;o-tempo</i>, o que resta &eacute; a impress&atilde;o &#8211; a transfer&ecirc;ncia dos corpos, em negativo, para o suporte (o solo da Quinta do Pis&atilde;o). O espa&ccedil;o vazio (<a href="#f4">Figura 4</a>), pressup&otilde;e o cheio; isto &eacute;, o volume que pressionou a mat&eacute;ria.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a37f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>A &#39;mat&eacute;ria &eacute; mem&oacute;ria&#39; (Didi-Huberman, 2009: 55). A <i>marca</i> constitui-se ent&atilde;o como consci&ecirc;ncia de uma aus&ecirc;ncia, ou mn&eacute;se da presen&ccedil;a de um ou mais corpos e da sua diferida a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A energia criativa de Orlando Franco traduz-se numa energia posta em movimento para transformar o espa&ccedil;o, pela introdu&ccedil;&atilde;o de um conceito chamado trabalho.</p>     <p>Em F&iacute;sica trabalho &eacute; &#39;energia em tr&acirc;nsito&#39; (Dias de Deus et al., 1992: 291). Para produzir a <i>marca</i>, &eacute; preciso realizar trabalho. Estas <i>marcas</i>, &agrave;s quais podemos chamar desenhos, incitam o espetador a repetir a a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A primeira, em forma de pista ol&iacute;mpica desafia o observador a percorr&ecirc;-la, aludindo a uma competi&ccedil;&atilde;o aparentemente sem meta. &#39;O que importa &eacute; participar,&#39; diz-se. Diremos n&oacute;s tamb&eacute;m se considerarmos que <i>Untitled (Competition)</i> cria uma <i>situa&ccedil;&atilde;o</i> (Debord, 1960) que apela &agrave; participa&ccedil;&atilde;o e ao agenciamento do p&uacute;blico. A segunda tem a configura&ccedil;&atilde;o de um alvo, conduzindo, esse sim, &agrave; ideia de objetivo, de fim a atingir.</p>     <p>Situada no espa&ccedil;o p&uacute;blico, esta obra promove a rela&ccedil;&atilde;o entre espectador e paisagem de uma maneira inesperada, a que poder&iacute;amos chamar <i>deriva</i>, potenciada atrav&eacute;s de um percurso sem pontos de partida de chegada definidos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Tr&iacute;ade <i>versus</i> Paisagem</b></p>     <blockquote><i>The marks on earth are primary actions undertaken consciously and / or unconsciously. They witness an action, a conflict, an event, a competitive event or the simple daily passage, repetitive</i> (Franco, 2013a).</blockquote></p>     <p>Em tempos ancestrais, a passagem dos grupos n&oacute;madas, deixando um rasto de pegadas nos caminhos trilhados, era j&aacute; a primitiva marca indel&eacute;vel do homem sobre a terra. Ao fixarem-se, as sociedades primitivas passaram a organizar o <i>tempo</i> e a <i>natureza</i>, atrav&eacute;s do cultivo e da domestica&ccedil;&atilde;o dos animais. De recolector, o homem passou a produtor e reprodutor. A agricultura ter&aacute; sido a primeira a&ccedil;&atilde;o dominante do homem, subjugando a natureza e demais esp&eacute;cies ao seu &iacute;mpeto de se tornar criador.</p>     <p>A tentativa de dominar o <i>tempo</i> ocorreu ap&oacute;s a compreens&atilde;o dos seus ciclos, facto que se evidenciou quando os grupos se fixaram nos <i>lugares</i>.</p>     <p>As desloca&ccedil;&otilde;es sazonais das sociedades, perseguindo climas mais favor&aacute;veis, deram lugar &agrave; c&iacute;clica &#39;repeti&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de gestos&#39; num mesmo <i>lugar</i> (Debord, 1992: 127). Essa reprodu&ccedil;&atilde;o de gestos e a&ccedil;&otilde;es continuadas nos lugares habitados, foi produzindo <i>marcas</i> de ocupa&ccedil;&atilde;o e de apropria&ccedil;&atilde;o da superf&iacute;cie terrestre. A a&ccedil;&atilde;o humana, modeladora da Terra, &eacute; pois objeto de estudo da Geografia.</p>     <p>A primeira cis&atilde;o entre o Homem e o Natureza deu-se ainda na pr&eacute;-hist&oacute;ria pelo abrandamento da <i>desloca&ccedil;&atilde;o</i> dos indiv&iacute;duos; isto &eacute;, quando ficaram preso a um lugar e iniciaram a explora&ccedil;&atilde;o dos seus recursos. Um dos fatores que distinguia os seres humanos e os animais, das esp&eacute;cies vegetais e minerais (fixas &agrave; terra), era a capacidade de se <i>deslocar</i>. H&aacute; movimento nas rochas e nas &aacute;rvores, mas esse movimento &eacute; evolu&ccedil;&atilde;o e altera&ccedil;&atilde;o do seu aspeto (Dias de Deus et al., 1992: 146), n&atilde;o desloca&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A rutura decisiva deu-se no Modernismo: fim da ruralidade e in&iacute;cio da industrializa&ccedil;&atilde;o, substituindo homem e animal pela m&aacute;quina, obrigando ao &ecirc;xodo dos campos e a novos fluxos migrat&oacute;rios em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; cidade.</p>     <p>Surgiram os ve&iacute;culos de transporte, como o comboio e o autom&oacute;vel, m&aacute;quinas que encurtaram as dist&acirc;ncias, a dura&ccedil;&atilde;o e o esfor&ccedil;o despendido nas desloca&ccedil;&otilde;es das sociedades modernas. Tamb&eacute;m elas libertaram o animal da tarefa da locomo&ccedil;&atilde;o, afastando-o cada vez mais do homem, destinando-o apenas &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o, domestica&ccedil;&atilde;o, ou atividades desportivas e de lazer, como a equita&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Por sua vez, a paisagem natural passou a ser muito mais um destino tur&iacute;stico, do que um local de trabalho ou um lugar para viver.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A paisagem passou a ser uma &#39;categoria mental&#39; (Simmel, 1913). O sentimento de n&atilde;o pertencer &agrave; natureza, a nostalgia da vida no campo, o regresso &agrave; paisagem e a ideia de &#39;para&iacute;so perdido&#39; nunca foi t&atilde;o forte como no auge da Idade Moderna.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p><i>Untitled (Competition)</i>, obra potenciadora da a&ccedil;&atilde;o do espectador, reestabelece liga&ccedil;&otilde;es entre o homem, o animal, a m&aacute;quina e o <i>tempo</i>, no que diz respeito &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o da paisagem, agregando todas essas entidades fragmentadas sobretudo pela modernidade.</p>     <p>Se pensarmos numa <i>matriz</i> impressora do seu pr&oacute;prio volume na superf&iacute;cie, esta interven&ccedil;&atilde;o de Orlando Franco pode ser vista como uma &#39;gravura&#39; na paisagem. As <i>matrizes</i> (pegada humana e animal e trilho de trator) deram forma &agrave;s marcas/desenhos no solo.</p>     <p>Nas gravuras rupestres eram j&aacute; evidentes os sinais da tr&iacute;ade homem/animal/m&aacute;quina, exibindo rudimentares inven&ccedil;&otilde;es auxiliadoras e, mais tarde, substitutas do indiv&iacute;duo em atividades de for&ccedil;a bra&ccedil;al. Segundo Orlando Franco: &#39;A m&aacute;quina mimetiza a vida&#39; (Franco apud Rocha de Oliveira, 2009), imitando os gestos dos homens e animais na realiza&ccedil;&atilde;o das suas tarefas.</p>     <p>Assim sendo, analis&aacute;mos esta obra aflorando conceitos vindos da F&iacute;sica e da Geografia como: <i>trabalho</i> ou <i>modela&ccedil;&atilde;o da paisagem</i>, salientando a presen&ccedil;a de gestos primordiais de inscri&ccedil;&atilde;o sobre o solo, aqui impressos sob a forma de <i>marcas</i> gravadas na terra.</p>     <p>Em obras como esta que privilegiam a entropia, tendo em conta a passagem do tempo e os ciclos da natureza, o seu apagamento ser&aacute; inevit&aacute;vel. Quanto tempo permanecer&atilde;o as suas <i>marcas</i>?</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Babo, Maria Augusta (s. d.) "Marca". In <i>Dicion&aacute;rio Cr&iacute;tico de Arte, Imagem. Linguagem e cultura</i> &#91;Consult. 2013-09-04&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.arte-coa.pt/index.php?Language=pt&Page=Saberes&SubPage=ComunicacaoELinguagemLinguagem&Menu2=Escrita&Slide=71&Filtro=71" target="_blank">http://www.arte-coa.pt/index.php?Language=pt&Page=Saberes&SubPage=ComunicacaoELinguagemLinguagem&Menu2=Escrita&Slide=71&Filtro=71</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429851&pid=S1647-6158201300020003700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Debord, Guy (1960) "Manifesto da Internacional Situacionista." In <i>Internacional Situacionista 4.</i> &#91;Consult. 2013-09-04&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://guy-debord.blogspot.pt/2009/06/manifestointernacional-situacionista.html" target="_blank">http://guy-debord.blogspot.pt/2009/06/manifestointernacional-situacionista.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429852&pid=S1647-6158201300020003700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Debord, Guy (1992) <i>La Soci&eacute;t&eacute; du Spectacle.</i> Paris: Gallimard. ISBN: 978-2-07-039443-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429853&pid=S1647-6158201300020003700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Dias de Deus, J., Pimenta, M., Noronha, A., Pe&ntilde;a and Brogueira, P (1992) <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; F&iacute;sica.</i> Lisboa: McGraw-Hill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429854&pid=S1647-6158201300020003700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Didi-Huberman, Georges (2009) "Ser Escava&ccedil;&atilde;o". In <i>Ser Cr&acirc;nio.</i> Belo Horizonte: C/Arte, pp. 53-58. ISBN: 978-85-7654-089-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429856&pid=S1647-6158201300020003700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Firmino de S&aacute;, Rita (2013) "BurnOut: Orlando Franco". <i>Artecapital</i> &#91;Consult. 2013-03-02&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.artecapital.net/plataforma_project.php?id=4" target="_blank">http://www.artecapital.net/plataforma_project.php?id=4</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429857&pid=S1647-6158201300020003700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Franco, Orlando (2013a) <i>Untitled (Competition)Orlando Franco | Projetos.</i> &#91;Consult. 2013-09-04&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://orlandofranco.wordpress.com/2013/05/07/land-artecascais2013/" target="_blank">http://orlandofranco.wordpress.com/2013/05/07/land-artecascais2013/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429858&pid=S1647-6158201300020003700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Franco, Orlando (2013b) <i>Untitled (Competition)</i> &#91;Consult. 2013-09-02&#93; Fotografia. Dispon&iacute;vel em <a href="http://orlandofranco.wordpress.com/2013/05/07/land-artecascais2013/" target="_blank">http://orlandofranco.wordpress.com/2013/05/07/land-artecascais2013/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429859&pid=S1647-6158201300020003700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rocha de Oliveira, Margarida (2009) <i>Orlando Franco "Tyred", Orlando Franco | Projetos. 15 de junho 2009</i> &#91;Consult. 2013-09-03&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://orlandofranco.wordpress.com/2009/06/15/tyredorlando-franco-projeto-a-sala-travessaconvento-da-encarnacao-n&ordm;-16-3&ordm;-lisboa/" target="_blank">http://orlandofranco.wordpress.com/2009/06/15/tyredorlando-franco-projeto-a-sala-travessaconvento-da-encarnacao-n&ordm;-16-3&ordm;-lisboa/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429860&pid=S1647-6158201300020003700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Simmel, Georg (2009) <i>A Filosofia da Paisagem.</i> Covilh&atilde;: Universidade da Beira Interior. &#91;Consult. 2013-09-03&#93;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www2.uefs.br/filosofiabv/pdfs/simmel_01.pdf" target="_blank">http://www2.uefs.br/filosofiabv/pdfs/simmel_01.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1429861&pid=S1647-6158201300020003700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 9 de setembro e aprovado a 24 de setembro de 2013</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:teresapr@gmail.com">teresapr@gmail.com</a>(Teresa Palma Rodrigues)</p>      ]]></body><back>
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