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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Propostas para "o centro do mundo": as pinturas de Ilídio Salteiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Ilídio Salteiro presented, on the 32 rooms of the military museum in Lisbon, a rescue exhibition. His corpus of more than a hundred paintings, prepared between 2007 and 2013, is an interpretation proposition of the global landscape, witch encompasses us all, included, represented, and safe kept. On the context of this exhibition, entitled "The centre of the world," the dialectic of representation and substitution is revisited, under the theme of landscape.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DOSSIER: ARTIGOS ORIGINAIS POR AUTORES CONVIDADOS</b></p>     <p align="right"><b>DOSSIER: INVITED ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Propostas para "o centro do mundo": as pinturas de Il&iacute;dio Salteiro</b></p>     <p><b>Propositions for the centre of the world: the paintings of Il&iacute;dio Salteiro.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jo&atilde;o Paulo Queiroz&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Par acad&eacute;mico interno / diretor da Revista Estudio. Artista Visual e professor universit&aacute;rio. Doutor em Belas-Artes, Universidade de Lisboa.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Portugal, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos de Belas-Artes. Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>Il&iacute;dio Salteiro apresentou, nas 32 salas do Museu Militar em Lisboa uma exposi&ccedil;&atilde;o de resgate. Elaboradas entre 2007 e</p>     <p>2013, as suas mais de 100 pinturas e objectos s&atilde;o uma proposta de interpreta&ccedil;&atilde;o da paisagem global, onde todos estamos inclu&iacute;dos, representados, e salvaguardados. No contexto desta exposi&ccedil;&atilde;o denominada "O centro do mundo" revisita-se a dial&eacute;tica da representa&ccedil;&atilde;o e da substitui&ccedil;&atilde;o, sob o signo da paisagem.</p>     <p><b><b>Palavras-chave:</b></b> Il&iacute;dio Salteiro / Museu Militar / Paisagem / Centro do Mundo.</p>     <p><b>ABSTRACT</b>    <br> </p>     <p>Il&iacute;dio Salteiro presented, on the 32 rooms of the military museum in Lisbon, a rescue exhibition. His corpus of more than a hundred paintings, prepared between 2007 and 2013, is an interpretation proposition of the global landscape, witch encompasses us all, included, represented, and safe kept. On the context of this exhibition, entitled "The centre of the world," the dialectic of representation and substitution is revisited, under the theme of landscape. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b> Il&iacute;dio Salteiro / Museu Militar / Landscape / Centre of the world.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Il&iacute;dio Salteiro (n. Alcoba&ccedil;a 1953) apresentou, em Lisboa, no espa&ccedil;o multi ret&oacute;rico do Museu Militar, em 2013, uma exposi&ccedil;&atilde;o invulgar. Mais que uma exposi&ccedil;&atilde;o, pode-se dizer que se trata de um conjunto de exposi&ccedil;&otilde;es, ocupando amplamente cada sec&ccedil;&atilde;o do museu, cada uma das muitas salas. Sobre as camadas hist&oacute;ricas do edif&iacute;cio &#8211; antiga f&aacute;brica de canh&otilde;es de D. Manuel &#8211; e sobre as suas narrativas museol&oacute;gicas modernas, foi poss&iacute;vel a Il&iacute;dio Salteiro sobrepor, em percurso paralelo e inventivo, o seu projeto de 106 telas de "pintura instalada", em projeto art&iacute;stico de grande f&ocirc;lego.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. o centro do mundo &eacute; aqui</b></p>     <p>Nesta grande exposi&ccedil;&atilde;o, ao longo de mais de 30 divis&otilde;es, toma-se todo o territ&oacute;rio do mundo como motivo e desafio de representa&ccedil;&atilde;o. Determina-se-lhe um ponto de ataque, um ponto de alavanca e assinala-se: "o centro do mundo &eacute; aqui." Aqui, onde a palavra o diz, atrav&eacute;s de d&iacute;sticos s&oacute;brios. O centro do mundo &eacute; falado.</p>     <p>No centro do mundo a fala &eacute; de concerto e desconcerto: &eacute; uma fala que deseja ser, de utopia. Fala de resgate, fala de revolu&ccedil;&atilde;o, fala da Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos do Homem, por exemplo. Fala-se de cidadania, mas recusa-se a geografia pol&iacute;tica. Contraria-se os centrismos modernistas e as rotas econ&oacute;micas. O centro do mundo &eacute; onde <i>eu</i> penso o mundo, o centro do mundo &eacute; onde <i>eu</i> imagino o mundo (<a href="#f1">Figura 1</a>). O centro do mundo manifesta-se <i>aqui</i>.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a42f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este centro do mundo &eacute; uma pintura ou um local? Pode chover dentro de um quadro? Chove no centro do mundo?</p>     <p>Chove, segundo Dante, e na proposta <i>visibilidade</i>, de Italo Calvino (2006: 101):</p>     <blockquote><i>H&aacute; um verso de Dante no Purgat&oacute;rio (XVII, 25) que diz. "Poi Piovve dentro a l&#39;alata fantasia" (Chove dentro da minha fantasia)</i> &#91;&#8230;&#93;<i> a fantasia &eacute; um lugar onde chove l&aacute; dentro.</i></blockquote></p>     <p>Chove como podia chover nas constru&ccedil;&otilde;es proto persp&eacute;ticas de Giotto, tra&ccedil;adas no estuque fresco das paredes da capela Scrovegni, em P&aacute;dua. Salteiro cita-as tamb&eacute;m, com o prazer de as apresentar e de as referir (<a href="#f2">Figura 2</a>). Salteiro abre janelas para a inven&ccedil;&atilde;o, com uma inten&ccedil;&atilde;o de resgate.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a42f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Giotto inventou uma janela e anotou que o c&eacute;u era azul. O c&eacute;u de Salteiro &eacute; a terra, &agrave;s vezes molhada da chuva, com rios e lagos, olhada sempre de cima (<a href="#f3">Figura 3</a>), quase como se o c&eacute;u fosse um <i>mapa mundi</i>.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a42f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. Ocupar o centro</b></p>     <p>Os mapas foram argumento e foram tra&ccedil;ados no passado, por exemplo, pelos Oficiais da Armada Real Portuguesa Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens (1886a; 1886b). Os mapas que, depois da expedi&ccedil;&atilde;o de Angola &agrave; contra-costa, ser&atilde;o pintados de cor-de-rosa, e logo depois a vermelho.</p>     <p>Os mapas tamb&eacute;m podem ser mais ou menos rigorosos. Quanto maior for a sua escala, mais fidelidade encarnam. O mapa perfeito &eacute; um mapa de escala 1:1, que, na mesma escala que o real, a escala do id&ecirc;ntico, logo anula o que representa porque o substitui. No sonho do "conhecimento de si," do id&ecirc;ntico, a s&iacute;ntese absoluta &eacute; o fim da Hist&oacute;ria (Hegel). Melhor que o mapa &eacute; o avatar na ultra alta resolu&ccedil;&atilde;o, em aparelhos onde o avatar s&oacute; existe <i>ligado</i>.</p>     <p>A pintura de Salteiro tamb&eacute;m se apresenta como uma cartografia. Os mapas pintados em grandes suportes s&atilde;o grandes, alusivos a territ&oacute;rios verdadeiros, cartas militares, anota&ccedil;&otilde;es de movimentos e posi&ccedil;&otilde;es, que justificam a e articulam uma "ocupa&ccedil;&atilde;o." A estrat&eacute;gia &eacute; a mesma do jogo de xadrez: ocupar o centro (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a42f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Ocupar o centro do mundo atrav&eacute;s da pintura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Mapa e o rigor da ci&ecirc;ncia</b></p>     <p>Os mapas n&atilde;o s&atilde;o inocentes. Representam dom&iacute;nios onde se quer exercer passagem, ou se quer controlar, se quer construir, se quer designar, ou se quer destruir. Os mapas podem ser perigosos, mesmo nos s&iacute;tios mais opostos. Representar a coisa, desenhar o ser, ter um mapa, pode ser proibido, amea&ccedil;ador, transgressor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No I&eacute;men, at&eacute; aos anos 80, possuir o mapa do pr&oacute;prio territ&oacute;rio era pun&iacute;vel com a pena de morte, pena do castigo por "representar" (Shlain, 1999).</p>     <p>Nos EUA, o mapa em anima&ccedil;&atilde;o computorizada, em representa&ccedil;&atilde;o 3D, torna-se o mais amea&ccedil;ador. Em 2007, por exemplo, um estudante cria o mapa tridimensional do seu espa&ccedil;o escolar, um cen&aacute;rio 3D para aplicar no jogo <i>Counterstrike</i>, um jogo <i>shoot&#39;em up</i>. O jovem &eacute; preso e expulso da sua escola (clementhighschoolmap, 2007).</p>     <p>Os mapas s&atilde;o uma das falas das ci&ecirc;ncias, uma fala sistem&aacute;tica, mas desenhada. Um mapa &eacute; tamb&eacute;m uma perspetiva onde o observador foi catapultado para um local a&eacute;reo. O mapa de Angelo Portulano (It&aacute;lia, 1300) abre a janela da perspetiva, mas l&aacute; no alto, virada para baixo.</p>     <p>O mapa pode parecer rigoroso, at&eacute; se fazer um outro, em escala maior. O territ&oacute;rio, em cartas militares, tem cada vez mais detalhes.</p>     <p>"O rigor da ci&ecirc;ncia" pode arruinar os objetos, como aponta o poema de Borges, de <i>O Fazedor</i>:</p>     <blockquote><i>&#8230; Naquele imp&eacute;rio, a Arte da Cartografia conseguiu tal perfei&ccedil;&atilde;o que o mapa de uma s&oacute; Prov&iacute;ncia ocupava toda uma Cidade e o mapa do Imp&eacute;rio toda uma Prov&iacute;ncia. Com o tempo, esses Mapas desmesurados n&atilde;o satisfizeram e os Col&eacute;gios de Cart&oacute;grafos levantaram um mapa do Imp&eacute;rio que tinha o tamanho do Imp&eacute;rio e coincidia pontualmente com ele. Menos Dadas ao Estudo da Cartografia, as gera&ccedil;&otilde;es Seguintes consideraram que esse dilatado Mapa era In&uacute;til e n&atilde;o sem Impiedade o entregaram &agrave;s Inclem&ecirc;ncias do Sol e dos Invernos. Nos desertos do oeste perduram despeda&ccedil;adas Ru&iacute;nas do Mapa, habitadas por Animais e por Mendigos; n&atilde;o h&aacute; em todo o Pa&iacute;s outra rel&iacute;quia das Disciplinas Geogr&aacute;ficas.    <br>Su&aacute;rez Miranda, <i>Viajes de varones prudentes</i>, IV, cap. XLV, L&eacute;rida, 1658.</i>    <br>&#8211; Jorge Lu&iacute;s Borges (1999a: 223)</blockquote></p>     <p><b>4. os mapas falam de mim</b></p>     <p>Os mapas de agora s&atilde;o r&aacute;pidos e antecedem o real, quase como no Imp&eacute;rio de Borges. O ecr&atilde; do GPS anuncia com candura o local que se segue, e comenta que "est&aacute; a circular em excesso de velocidade." O aparelho calcula e gera pensamentos, gere a rela&ccedil;&atilde;o com o local, com <i>exatid&atilde;o</i> e em tempo real.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O mapa &eacute; hoje fluxo que antecede o real: &eacute; o "mapa que precede o territ&oacute;rio &#8211; precess&atilde;o dos simulacros &#8211; &eacute; ele que engendra o territ&oacute;rio cujos fragmentos apodrecem lentamente sobre a extens&atilde;o do mapa" (Baudrillard, 1991, p. 8). No GPS, no lugar da minha posi&ccedil;&atilde;o est&aacute; um avatar. E o mapa fala comigo.</p>     <p>No mesmo des&eacute;rtico I&eacute;men onde os mapas eram banidos, hoje os <i>drones</i> que o sobrevoam calculam mapas em tempo real, e transformam figuras reais em mapas de <i>bits</i>. Atuam e liquidam sujeitos, primeiro no <i>bitmap</i> e, em simult&acirc;neo, no mapa real. Benjamin, em p&eacute; de p&aacute;gina, esclarece que as grandes audi&ecirc;ncias correspondem ao olhar tecnol&oacute;gico:</p>     <blockquote><i>Os movimentos das massas apresentam-se mais nitidamente, em geral, &agrave;s aparelhagens do que ao olhar. Enquadramentos de centenas de milhares de pessoas apreendem-se melhor de uma perspectiva a&eacute;rea. E mesmo que esta perspetiva tamb&eacute;m seja acess&iacute;vel ao olho humano, a imagem obtida pelo olhar n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel da reprodu&ccedil;&atilde;o que a fotografia possibilita. Quer isto dizer que os movimentos de massas, incluindo a guerra, representam uma forma particular de correspond&ecirc;ncia do comportamento humano &agrave; t&eacute;cnica dos aparelhos</i> (Benjamin, 1992: 111).</blockquote>     <p>As m&aacute;quinas de ocupa&ccedil;&atilde;o e de guerra, os sonhos da "metaliza&ccedil;&atilde;o do corpo humano" (Benjamin, 1992) surgem nos mapas de Salteiro como anota&ccedil;&otilde;es de movimenta&ccedil;&otilde;es t&aacute;ticas &#8211; os planos de batalha.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>5. Regravar o &Iacute;cone, ou a substitui&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Prop&otilde;e-se, na exposi&ccedil;&atilde;o de Salteiro, nas salas dedicadas ao &iacute;cone, a incarna&ccedil;&atilde;o revivida por cada um, sem misticismo nem mist&eacute;rio. Afirma o autor (Salteiro, 2013: 37): "se a um her&oacute;i corresponde a imagem, e se afinal o importante &eacute; a sua imagem, por que n&atilde;o fazer-se primeiro a imagem e aguardar que posteriormente os her&oacute;is se abeirem dela e a incorporem?" O projeto &eacute; tornar acess&iacute;vel a dignidade do representado, de modo a que "os her&oacute;is de cada um" sejam "n&oacute;s pr&oacute;prios" e assim, connosco e em cada um, <i>o centro do mundo</i>.</p>     <p>A proposta &eacute; aparentemente alegre e p&oacute;s moderna, mas pode ser um pouco perversa. Elogia-se a tenta&ccedil;&atilde;o de "desencarna&ccedil;&atilde;o," ou melhor, de substitui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No desafio do &iacute;cone pode estar uma par&oacute;dia da imita&ccedil;&atilde;o. Quando ao verdadeiro prefere-se o falso, &agrave; identidade o avatar, ent&atilde;o, ao eu prefere-se o seu &iacute;cone. E as p&aacute;ginas de facebook preenchem muitos destes requisitos. Revisita-se Debord (1991, cap. 1) quando aponta que a crise n&atilde;o &eacute; dos significantes, mas sim dos seres vivos:</p>     <blockquote><i>O espet&aacute;culo n&atilde;o &eacute; um conjunto de imagens, mas uma rela&ccedil;&atilde;o social entre pessoas, mediatizada por imagens </i>(1991, cap. 1, &sect;2).</blockquote></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As imagens especializaram-se na sua efic&aacute;cia a servirem de rela&ccedil;&atilde;o entre as pessoas. Esta especializa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma substitui&ccedil;&atilde;o, do ser pelo inerte. Uma separa&ccedil;&atilde;o da vida real:</p>     <blockquote><i>A especializa&ccedil;&atilde;o das imagens do mundo acaba numa imagem autonomizada, onde o mentiroso mente a si pr&oacute;prio. O espet&aacute;culo em geral, como invers&atilde;o concreta da vida, &eacute; o movimento aut&ocirc;nomo do n&atilde;o-vivo</i> (1991, cap. 1, &sect;4).</blockquote></p>     <p>A substitui&ccedil;&atilde;o tem como movimento completo a falsifica&ccedil;&atilde;o do corpo, "invertido como na c&acirc;mara escura" (Marx e Engels 1976: 25):</p>     <blockquote><i>No mundo realmente invertido, o verdadeiro &eacute; um momento do falso </i>(1991, cap. 1, &sect;9).</blockquote></p>     <p>A mediatiza&ccedil;&atilde;o torna-se o fim da economia das mercadorias, pacto de Fausto onde as coisas valem mais que as pessoas:</p>     <blockquote><i>No espet&aacute;culo da imagem da economia reinante, o fim n&atilde;o &eacute; nada, o desenvolvimento &eacute; tudo. O espet&aacute;culo n&atilde;o quer chegar a outra coisa sen&atilde;o a si mesmo</i> (1991, cap. 1, &sect;14).</blockquote></p>     <p>O ant&iacute;doto &eacute; proposto por Salteiro nas salas do Stress.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>6. Stress e encarna&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O <i>stress</i> &eacute; definido por Salteiro como a possibilidade de criar, de pintar, de agir como artista. &Eacute; o desafio feito a cada um dos presentes no Centro do Mundo, portadores de um exemplar dos Direitos do Homem. Em mesa / atelier podem fazer composi&ccedil;&otilde;es recorrendo a alguns carimbos. O desenho &eacute; autenticado e registado em livro, o seu possuidor produziu um original aut&ecirc;ntico de Salteiro, e pode lev&aacute;-lo consigo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Convida-se o ser a regressar ao corpo e a voltar a ser um s&oacute;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>7. o Museu apresenta um Museu</b></p>     <p>Mas numa sala espec&iacute;fica do museu est&aacute; presente o projeto mais desconcertante: o Museu. Este &eacute; um dos quatro trabalhos que Salteiro chamou "Designar".</p>     <blockquote><i>Designar I, corresponde a um trabalho de arte p&uacute;blica com pend&otilde;es que sinalizam o exterior do Museu Militar e o nomeiam como Centro do Mundo. Designar II, corresponde a uma conce&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica de um panfleto, para distribui&ccedil;&atilde;o gratuita durante a exposi&ccedil;&atilde;o, no qual a Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos do Homem &eacute; o objeto que se se nomeia como Centro do Mundo, numa exalta&ccedil;&atilde;o clara e &oacute;bvia do c&acirc;none da humanidade que se pretende ideal</i> &#91;&#8230;&#93;<i>Designar III, corresponde &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um Museu M&oacute;dulo, industrialmente reprodut&iacute;vel, envolvendo arquitectura, propriedade industrial (ver anexo) e integr&aacute;vel em diversos ambientes, interiores e exteriores, apetrechado de meios de sustentabilidade que garantam um m&iacute;nimo de manuten&ccedil;&atilde;o. E finalmente Designar IV corresponde a este objeto-livro que acabou de ler </i>&#91;&#8230;&#93; (Salteiro, 2013: 42).</blockquote></p>     <p>O Museu foi concretizado e apresentado &agrave; escala, e foi registado pelo autor no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, sendo um contentor destinado ao resgate e salvaguarda modular de qualquer esp&oacute;lio. Cada um pode ser um autor, um her&oacute;i, um &iacute;cone. Qualquer um pode salvaguardar o esp&oacute;lio numa c&aacute;psula, onde se garante, como num dos planetas do <i>Petit Prince</i>, as "condi&ccedil;&otilde;es ideais para a conserva&ccedil;&atilde;o das pe&ccedil;as colecionadas" possuindo ainda "um regulador de temperatura," "um regulador de humidade," "uma c&acirc;mara de vigil&acirc;ncia interna." A c&acirc;mara-c&aacute;psula possui ainda uma "&aacute;rea de circula&ccedil;&atilde;o e de apoio que apenas possibilita o trabalho de uma pessoa" e est&aacute; "equipada com secret&aacute;ria," "cadeira" e "computador" destinados ao "estudo, an&aacute;lise e inventaria&ccedil;&atilde;o, das cole&ccedil;&otilde;es ou dos acervos" (Salteiro, 2013: 46). Salteiro prop&otilde;e um outro Museu Imagin&aacute;rio, algo diferente do de Andr&eacute; Malraux.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>8. Conclus&atilde;o, cheia de <i>stress</i></b></p>     <p>Aproximo-me do Museu de Salteiro como Bernardo Juan se aproxima do jovem Ireneo, no conto <i>Funes ou a mem&oacute;ria</i>, de Borges e como ele penso: "agora chego ao ponto dif&iacute;cil da minha hist&oacute;ria" (1999b: 506):</p>     <blockquote><i>Ireneo come&ccedil;ou por enumerar, em latim e em espanhol, os casos de mem&oacute;ria prodigiosa registados pela </i>Naturalis Historia<i>: Ciro, Rei dos Persas, que conseguia chamar pelo nome todos os soldados dos seus ex&eacute;rcitos; Mitridatrs Eupator, que ministrava a justi&ccedil;a nos doze idiomas do seu imp&eacute;rio; Sim&oacute;nides, inventor da mnemotecnia; Metrodoro, que professava a arte de repetir com fidelidade o que ouvira uma &uacute;nica vez.</i></blockquote></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Antes de ser derrubado por um cavalo, Ireneo era um desmemoriado como todos os outros: "dezanove anos tinha vivido como quem est&aacute; a sonhar: olhava sem ver, ouvia sem ouvir, esquecia-se de tudo, de quase tudo" (Borges, 1999b: 506). Quando recuperou da queda, Ireneo passa a viver o presente com total nitidez e a recordar-se de tudo, mem&oacute;ria e percep&ccedil;&atilde;o infal&iacute;veis. Entrega-se n&atilde;o s&oacute; &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o integral da dos sentidos como &agrave; an&aacute;lise integral de cada mem&oacute;ria. Deixa de dormir, porque sonhar &eacute; distrair-se. Entrega-se &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o de todas as entidades que se lhe depararam, uma a uma. O volume das suas mem&oacute;rias &eacute; esmagador: "&agrave; hora da morte ainda n&atilde;o teria acabado de classificar todas as recorda&ccedil;&otilde;es da inf&acirc;ncia" (1999b: 508).</p>     <p>Il&iacute;dio Salteiro descreve o Museu recorrendo &agrave;s descri&ccedil;&otilde;es e reivindica&ccedil;&otilde;es do seu registo de Patente de Inven&ccedil;&atilde;o Nacional n&ordm; 105835, registo vigente at&eacute; 26-07-2031 (Portugal, INPI, 2013). O projeto de resgatar o mundo colecionado &eacute;, afinal, o projeto de guardar o mundo &agrave; escala de um para um, ou de localizar os centros do mundo e de guard&aacute;-los, junto com o seu colecionador, com o seu int&eacute;rprete do centro do mundo.</p>     <p>O projeto de Il&iacute;dio Salteiro &eacute; um projeto de um monumento id&ecirc;ntico aos acidentes do mundo, onde tudo pode ser representado e centralizado. A sua l&iacute;ngua &eacute; uma l&iacute;ngua t&atilde;o imposs&iacute;vel como aquela em que existiria uma palavra diferente para cada coisa. O seu prop&oacute;sito &eacute; ser t&atilde;o real quanto o real, e ir mais longe do que o id&ecirc;ntico. Resgatar o id&ecirc;ntico, o representado, salvaguard&aacute;-lo de ser esquecido. Mas n&atilde;o &eacute; j&aacute; a representa&ccedil;&atilde;o uma salvaguarda do esquecimento? Um primeiro Museu?</p>     <p>O projeto de Salteiro &eacute; militar e global: as armas s&atilde;o os sonhos onde chove. Trata-se de propor uma paisagem do tamanho do mundo, incluindo nela pr&oacute;pria os dispositivos de gera&ccedil;&atilde;o de novas representa&ccedil;&otilde;es, as suas novas paisagens, os seus novos centros do mundo. Inclui e regista os seus novos autores, os que aderiram ao <i>stress</i>, ao desafio de serem eles mesmos os autores.</p>     <p>Tudo feito, h&aacute; que salv&aacute;-lo, num dispositivo real ou, pelo menos, patenteado. Il&iacute;dio Salteiro prop&ocirc;s-se uma tarefa que tem uma outra paisagem inserida na primeira, como descreve Jorge Luis Borges no <i>Ep&iacute;logo de 1960</i> a <i>o Fazedor</i> (Borges, 1999a: 231):</p>     <blockquote>&#91;&#8230;&#93;<i> a tarefa de desenhar o mundo. Ao longo dos anos povoa um espa&ccedil;o com imagens de prov&iacute;ncias, de reinos, de montanhas, de ba&iacute;as, de naves, de ilhas, de peixes, de quartos, de instrumentos, de astros, de cavalos e de pessoas. Pouco antes de morrer descobre que esse paciente labirinto de linhas tra&ccedil;a a imagem do seu rosto.</i></blockquote></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Baudrillard, Jean. (1991) <i>Simulacros e simula&ccedil;&atilde;o.</i> Lisboa: Rel&oacute;gio D&#39;&Aacute;gua. ISBN 972-708-141-X&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430351&pid=S1647-6158201300020004200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Benjamin, Walter (1992) <i>A obra de arte na era da sua reprodutibilidade t&eacute;cnica.</i> In "Sobre arte t&eacute;cnica, linguagem e pol&iacute;tica." Lisboa: Rel&oacute;gio d&#39;&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430352&pid=S1647-6158201300020004200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Borges, Jorge Lu&iacute;s (1999a) "Do Rigor em Ci&ecirc;ncia", In <i>O Fazedor,</i> In <i>Obras completas II</i> (1952-1972). Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, p. 223. ISBN 972421897x</p>     <!-- ref --><p>Borges. Jorge Luis (1999b) "Funes, ou a mem&oacute;ria." In <i>Obras completas I (1923-1949)</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, pp. 503-509. ISBN 9724217922&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430355&pid=S1647-6158201300020004200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Calvino, Italo (2006) <i>Seis propostas para o pr&oacute;ximo mil&eacute;nio</i>. Lisboa: Teorema. ISBN 9726953545&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430356&pid=S1647-6158201300020004200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Capelo, Hermenegildo & Ivens, Roberto (1886a) <i>De Angola &agrave; Contra-Costa: Descripcao de uma Viagem Atravez do Continente Africano.</i> Vol. I. Lisboa: Imprensa Nacional &#91;Consult. 18 outubro 2013&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://archive.org/download/deangolacontraco01cape/deangolacontraco01cape.pdf" target="_blank">http://archive.org/download/deangolacontraco01cape/deangolacontraco01cape.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430357&pid=S1647-6158201300020004200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Capelo, Hermenegildo & Ivens, Roberto (1886b) <i>De Angola &aacute; Contra-Costa: Descripcao de uma Viagem Atravez do Continente Africano.</i> Vol. II. Lisboa: Imprensa Nacional &#91;Consult. 18 outubro 2013&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://archive.org/download/deangolacontraco02cape/deangolacontraco02cape.pdf" target="_blank">http://archive.org/download/deangolacontraco02cape/deangolacontraco02cape.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430358&pid=S1647-6158201300020004200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Debord, Guy (1991) <i>A sociedade do espet&aacute;culo.</i> Lisboa: Rel&oacute;gio D&#39;&aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430359&pid=S1647-6158201300020004200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>clementhighschoolmap (2007) <i>Imagens</i> &#91;Consult. 2013-10-17&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.flickr.com/photos/8082096@N02/" target="_blank">http://www.flickr.com/photos/8082096@N02/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430361&pid=S1647-6158201300020004200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hegel, Georg (1992) <i>A fenomenologia do Esp&iacute;rito.</i> S&atilde;o Paulo: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430362&pid=S1647-6158201300020004200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marx, Karl (1990) <i>O Capital: Cr&iacute;tica da Economia Pol&iacute;tica.</i> Vol. 1. Moscovo, Lisboa: Progresso, Avante!&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430364&pid=S1647-6158201300020004200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marx, Karl e Engels, Friedrich. (1976) <i>A Ideologia Alem&atilde;.</i> Vol 1. Lisboa: Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430365&pid=S1647-6158201300020004200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Portugal, INPI (2013) <i>Patente de Inven&ccedil;&atilde;o Nacional N&ordm; 105835: Sistema Modular para a Conserva&ccedil;&atilde;o de Obras de Interesse Art&iacute;stico ou Cultural.</i> Documento PDF. Consult. 2013-10-17&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://servicosonline.inpi.pt/pesquisas/GetSintesePDF?nord=3577086" target="_blank">http://servicosonline.inpi.pt/pesquisas/GetSintesePDF?nord=3577086</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430367&pid=S1647-6158201300020004200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Salteiro, Il&iacute;dio (2013) <i>O Centro do Mundo.</i> Lisboa: autor. ISBN: 9789899847507.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430368&pid=S1647-6158201300020004200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Shlain, Leonard (1999) <i>The Alphabet Versus the Goddess.</i> NY: Penguin. ISBN-13: 978-0140196016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430370&pid=S1647-6158201300020004200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artigo completo recebido a 15 de setembro e aprovado a 30 de setembro de 2013</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:joao.queiroz@fba.ul.pt">joao.queiroz@fba.ul.pt</a>(Jo&atilde;o Paulo Queiroz)</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body><back>
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