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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mónica Mendes e o projeto ARTIVIS: as artes digitais e o ativismo pela natureza]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Lisboa Faculdade de Belas-Artes Centro de Investigação e Estudos de Belas-Artes]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The ARTiVIS interactive projects, by Mónica Mendes (Portugal) are an update to installations on the hybrid border with activism, sustainability and intervention art. The projects B-Wind!, Hug@ree and Play with Fire show a replacement of the human body, a replacement in order to rescue some other bodies, the trees.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DOSSIER: ARTIGOS ORIGINAIS POR AUTORES CONVIDADOS</b></p>     <p align="right"><b>DOSSIER: INVITED ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>M&oacute;nica Mendes e o projeto ARTIVIS: as artes digitais e o ativismo pela natureza</b></p>     <p><b>M&oacute;nica Mendes and the ARTIVIS project: the digital arts and nature activism</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jo&atilde;o Paulo Queiroz&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Par acad&eacute;mico interno / diretor da Revista Estudio. Artista Visual e professor universit&aacute;rio. Doutor em Belas-Artes, Universidade de Lisboa.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Portugal, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos de Belas-Artes. Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> Os projetos interativos ARTiVIS, de M&oacute;nica Mendes (Portugal) atualizam as instala&ccedil;&otilde;es na hibridez com o ativismo, a sustentabilidade e a arte de interven&ccedil;&atilde;o. Os projetos B-Wind!, Hug@ree e Play with Fire apontam uma substitui&ccedil;&atilde;o do corpo humano, para resgatar os outros corpos, os das &aacute;rvores.</p>     <p><b><b>Palavras-chave:</b></b> Arte digital / ARTiVIS, M&oacute;nica Mendes / Sustentabilidade / Design.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b>    <br> The ARTiVIS interactive projects, by M&oacute;nica Mendes (Portugal) are an update to installations on the hybrid border with activism, sustainability and intervention art. The projects B-Wind!, Hug@ree and Play with Fire show a replacement of the human body, a replacement in order to rescue some other bodies, the trees. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>keywords:</b> Digital arts / ARTiVIS / M&oacute;nica Mendes / Sustainability / Design.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>M&oacute;nica Mendes (n. Angola, com nacionalidade portuguesa) formou-se como designer de comunica&ccedil;&atilde;o, na FBAUL, tendo depois vindo a especializar-se no campo das tecnologias multim&eacute;dia a n&iacute;vel de mestrado e doutoramento. Como resultados das suas pesquisas desenvolveu dispositivos interativos e ambientes digitais que se caracterizam por associar as ferramentas multim&eacute;dia ao ativismo ambiental.</p>     <p>M&oacute;nica Mendes parte da recorda&ccedil;&atilde;o de inf&acirc;ncia, numa pequena aldeia de Ma&ccedil;al do Ch&atilde;o (Celorico da Beira, Guarda, Portugal) onde testemunhou alguns fogos florestais. Um deles, particularmente destruidor, incendiou as noites e marcou-se para sempre na sua mem&oacute;ria: as &aacute;rvores com dezenas de anos, em terrenos da fam&iacute;lia, a serem transformadas, em festim noturno, em ti&ccedil;&otilde;es acesos e, no dia seguinte, em cad&aacute;veres de &aacute;rvores hirtas e negras. Passariam muitos anos at&eacute; as &aacute;rvores poderem nascer de novo: castanheiros, pinheiros, nogueiras, carvalhos&#8230; (<a href="#f1">Figura 1</a>, <a href="#f2">Figura 2</a>)</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a44f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a44f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Nas suas interven&ccedil;&otilde;es, M&oacute;nica Mendes &eacute; exemplo de uma ramifica&ccedil;&atilde;o do design atual, o design com consci&ecirc;ncia social, onde a interven&ccedil;&atilde;o junto de popula&ccedil;&otilde;es e de alvos, e a potencia&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es &eacute; um suporte para o projeto. Os projetos de instala&ccedil;&otilde;es interativas que tem vindo a apresentar, como <i>B-Wind!</i>, <i>Hug@ree</i> e <i>Play with Fire</i> integram o seu compromisso pessoal de abra&ccedil;ar a paisagem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Artes eletr&oacute;nicas e sustentabilidade</b></p>     <p>As artes eletr&oacute;nicas cedo tomaram o tema da sustentabilidade e inspiraram v&aacute;rios coletivos de interven&ccedil;&atilde;o. Neste campo de hibridismo entre a arte e o ativismo social sucede os artistas assumirem um terreno misto onde a conviv&ecirc;ncia entre grupos formais e informais, sejam <i>hackers</i> ou cientistas, desempenha um papel agregador de c&iacute;rculos de conhecimento e de aglutina&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias. Constituem pequenas equipas, que procuram produ&ccedil;&otilde;es alternativas e originais, onde os saberes podem ser distribu&iacute;dos entre cada um, e que se interagem em s&iacute;tios t&atilde;o diversos como f&oacute;runs e eventos especializados, ou em plataformas multidisciplinares de explora&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica ou dissemina&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>M&oacute;nica Mendes situa-se, dentro das artes eletr&oacute;nicas, num ativismo para a sustentabilidade, evidenciando nos seus trabalhos uma preocupa&ccedil;&atilde;o global com o despertar de consci&ecirc;ncias, a par da pro atividade na preven&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica. Os seus trabalhos exploram os ambientes digitais aproveitando as janelas de aten&ccedil;&atilde;o que as tecnologias e os ambientes imersivos podem criar na interpela&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia dos participantes espectadores.</p>     <p>Podem ser apontados alguns artistas e criadores, digitais ou n&atilde;o, que se debru&ccedil;am sobre sustentabilidade e que mais marcadamente influenciaram a autora (Mendes, 2012). S&atilde;o os casos de Terry Irwin, da &aacute;rea do design ecol&oacute;gico (diretora da school of design, Carnegie Mellon, EUA), de Bruce Mau (2013), designer, com propostas provocadoras, como o <i>Incomplete Manifesto for Growth</i> (1998), ou a proposta <i>Massive Change, Institute without Boundaries</i> (2004) &ndash; que coloca ao designer o desafio de ser um interveniente do lado da solu&ccedil;&atilde;o, colocando em cima da mesa o futuro global do design no contexto da desigualdade e da sustentabilidade. S&atilde;o igualmente autores de refer&ecirc;ncia, neste campo, Naomi Klein (1999), e o livro <i>No Logo</i>, ou John Thackara (2005) e a obra <i>In the Bubble</i>. Thackara &eacute; tamb&eacute;m organizador dos eventos <i>The Doors of Perception</i>, e respons&aacute;vel por diversos simp&oacute;sios internacionais sobre design e sustentabilidade. Estes autores apontam, em termos gerais, e com muita efic&aacute;cia, que a responsabilidade social n&atilde;o impede o desenvolvimento tecnol&oacute;gico e a inova&ccedil;&atilde;o, lan&ccedil;ando chamadas para mudan&ccedil;as de comportamento e de estilos de vida.</p>     <p>M&oacute;nica Mendes (2012) refere ainda artistas de outras &aacute;reas, como Brenda Laurel (1991), que pesquisa e prop&otilde;e design de interfaces de um ponto de vista performativo, ou ainda Gabriela Albergaria, artista visual com instala&ccedil;&otilde;es onde as &aacute;rvores pontuam uma perspetiva ecol&oacute;gica.</p>     <p>Butterfly Hill (2000) tamb&eacute;m &eacute; uma refer&ecirc;ncia no ativismo ambiental mais pr&oacute;ximo da a&ccedil;&atilde;o pessoal. Julia Butterfly Hill passou 738 dias, entre 1997 e 1999, e sem interrup&ccedil;&atilde;o, no alto de uma sequoia de 55 metros e 1800 anos de idade, para a salvar do abate por uma companhia madeireira. O sucesso de Julia serve de prova para o facto de estar ao alcance de qualquer um uma a&ccedil;&atilde;o que fa&ccedil;a a diferen&ccedil;a.</p>     <p>Com um componente tecnol&oacute;gico, M&oacute;nica Mendes refere as instala&ccedil;&otilde;es de Victoria Vesna (ex. <i>Another Day in Paradise</i>, de 1993, <i>Blue Morph</i>, de 2010) assim como a dupla francesa Scenocosme (Gregory Lasserre e Anais met den Ancxt) com as instala&ccedil;&otilde;es sonoras de plantas reais, em <i>Uncontainable</i> (2011).</p>     <p>A programa&ccedil;&atilde;o inform&aacute;tica tamb&eacute;m &eacute; uma &aacute;rea para esta explora&ccedil;&atilde;o, podendo apontar-se em particular os projetos de programa&ccedil;&atilde;o criativa ou generativa de John Maeda (<i>Nature</i>, de 2004), Casey Reas (<i>Processing</i>, de 2007, ou TI, de 2008), a que se juntam artistas-cientistas, como o casal Christa Sommerer e Laurent Mignonneau (<i>Interactive Plant Growing</i>, 1997), ou Camille Utterback (<i>Text Rain</i>, com Romy Achituv, de 2009) (<a href="#f3">Figura 3</a>). Conjugando a interatividade <i>online</i> com a rob&oacute;tica ser&aacute; de referir ainda percursores como <i>Telegarden</i>, de Ken Goldberg & Joseph Santarromana (1995) na University of Southern California.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a44f3.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. O projeto ARTIVIS</b></p>     <p>O projeto ARTiVIS, de M&oacute;nica Mendes, desenvolvido em equipa multidisciplinar/em conjunto com Pedro &Acirc;ngelo, Nuno Correia e Valentina Nisi, integra tr&ecirc;s dimens&otilde;es. O interface <i>web</i>, uma proposta de <i>kit</i> fa&ccedil;a voc&ecirc; mesmo, e alguns projetos de instala&ccedil;&otilde;es interativas.</p>     <p>O interface web, de v&iacute;deo <i>streaming online</i>, permite acompanhar florestas em tempo real. Inclui-se tamb&eacute;m o suporte para explora&ccedil;&atilde;o de intera&ccedil;&otilde;es e explora&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, processadas &agrave; dist&acirc;ncia.</p>     <p>Os prot&oacute;tipos para um <i>kit</i> de um dispositivo de vigil&acirc;ncia de fogos florestais &eacute; uma proposta DIY (<i>Do It Yourself</i>) composta por <i>webcam</i>, comunica&ccedil;&atilde;o sem fios, microcontrolador, sensores. O <i>kit</i> &eacute; de utiliza&ccedil;&atilde;o constante nos projetos ARTiVIS.</p>     <p>As instala&ccedil;&otilde;es interativas <i>B-Wind!, Hug@ree</i> e <i>Play with Fire</i>, caracterizam-se por se tirar amplo partido das plataformas anteriores, conjugando-as com situa&ccedil;&otilde;es de eventos (<a href="#f4">Figura 4</a>, <a href="#f5">Figura 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a44f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v4n8/4n8a44f5.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A instala&ccedil;&atilde;o <i>B-Wind!</i> &eacute; um ambiente interativo onde o visitante utilizador pode agir como se fosse um agente natural incorp&oacute;reo: o vento. O movimento do visitante produz efeito em tempo real sobre &aacute;rvores reais, colocadas no exterior, com todas as variantes de dire&ccedil;&atilde;o e intensidade. As imagens em streaming sofrem uma distor&ccedil;&atilde;o com efeitos visuais estabelecendo pontes entre a consci&ecirc;ncia e a natureza.</p>     <p>O projeto <i>Hug@ree</i> &eacute; um sistema que combina a tatilidade sobre &aacute;rvores reais com computa&ccedil;&atilde;o sobre os dados que o utilizador imprime sobre a &aacute;rvore, abra&ccedil;ando-a. Um dos resultados &eacute; a povoa&ccedil;&atilde;o de um ambiente online com v&iacute;deos dos diversos utilizadores, que, ao sobreporem-se, se agitam como as folhas de uma &aacute;rvore, no ecr&atilde;.</p>     <p>A instala&ccedil;&atilde;o <i>Play with Fire</i> parte de um come&ccedil;o, onde o utilizador, com o seu movimento, provoca o inc&ecirc;ndio virtual de uma floresta. A programa&ccedil;&atilde;o generativa cria a ilus&atilde;o sobre imagens em tempo real. Depois o utilizador &eacute; "penalizado" pelo tempo de espera at&eacute; &agrave; refloresta&ccedil;&atilde;o apagar os seus vest&iacute;gios, e at&eacute; o processo poder reiniciar-se, recebendo o utilizador informa&ccedil;&otilde;es realistas e complementares acerca da regenera&ccedil;&atilde;o da floresta atrav&eacute;s do seu telem&oacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. P&oacute;s modernidade e quest&otilde;es morais</b></p>     <p>O trabalho de M&oacute;nica Mendes interpela e questiona as fronteiras das escolhas e as margens de op&ccedil;&atilde;o, dentro de uma discuss&atilde;o que se pode tornar mais abrangente, sobre os temas da p&oacute;s-modernidade. A era &eacute; tecnologicamente avan&ccedil;ada, mas massivamente desequilibrada: a maioria do globo sofre desequil&iacute;brios e car&ecirc;ncias fundas. Com a desregula&ccedil;&atilde;o mundial do com&eacute;rcio tamb&eacute;m os impactes econ&oacute;micos sobre o ambiente parecem desregulados.</p>     <p>Haver&aacute; escolha? O problema &eacute; bem mais complexo. A economia e sociedade t&ecirc;m vindo a assumir uma din&acirc;mica global, fazendo com que os grupos de indiv&iacute;duos, grandes ou pequenos, se comportem de modo emblocado e independente do que queiram ou n&atilde;o queiram realmente fazer. N&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de manipula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica: &eacute; que a lista de escolhas se encontra limitada ao campo dos poss&iacute;veis. Tolhido pelo gigantismo da sobreviv&ecirc;ncia, o mundo real, subdesenvolvido, n&atilde;o emancipado, acr&iacute;tico, &eacute; conservador nos h&aacute;bitos e nos consumos, e francamente destruidor.</p>     <p>Este &eacute; o "colapso da legisla&ccedil;&atilde;o &eacute;tica" (Bauman, 2007: 51): para as novas multid&otilde;es, "para estes muitos, os princ&iacute;pios &eacute;ticos n&atilde;o se desvaneceram, simplesmente nunca estiveram em primeiro lugar." Talvez o problema devesse estar no desafio atual para a "qualidade de vida," que veio substituir o anterior paradigma da "sobreviv&ecirc;ncia" moderna. Sabemos que as respostas n&atilde;o s&atilde;o absolutas, e que &eacute; necess&aacute;rio deixar todas as op&ccedil;&otilde;es em aberto: a "qualidade de vida" convive com o seu maior inimigo: a indetermina&ccedil;&atilde;o, a recusa da universaliza&ccedil;&atilde;o, o abandono dos paradigmas. O obrigat&oacute;rio deu lugar ao optativo. A identidade passar&aacute; a ser tamb&eacute;m uma op&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta &eacute; uma descri&ccedil;&atilde;o breve de uma identidade em crise, que sente a <i>defini&ccedil;&atilde;o</i> como uma amea&ccedil;a, e a <i>fragmenta&ccedil;&atilde;o</i> como o estado f&iacute;sico de um "mal-estar" que acelerou, da experi&ecirc;ncia demorada de um peregrino medieval para a total substitui&ccedil;&atilde;o do ser no <i>zapping</i>.</p>     <p>A personalidade foi privatizada &#8211; retirada da moldagem p&uacute;blica, passou a viver em apartamentos, dentro da "espiral do sil&ecirc;ncio" (Noelle-Neuman, 1995). J&aacute; n&atilde;o h&aacute; um vigilante, um agente burocrata dist&oacute;pico e espetacular: cedeu lugar a um outro talvez mais perigoso:</p>     <blockquote><i>O indiv&iacute;duo &eacute; o seu pr&oacute;prio guarda e professor &#8211; ou, invertendo o dizer de Blanchot: hoje, todos s&atilde;o livres, mas cada um &eacute; livre de no interior da sua pr&oacute;pria pris&atilde;o, a pris&atilde;o que ele pr&oacute;prio ou ela pr&oacute;pria constr&oacute;i</i> (Bauman, 2007: 119).</blockquote></p>     <p>O esfor&ccedil;o da vigil&acirc;ncia desloca-se para fora dele pr&oacute;prio na substitui&ccedil;&atilde;o total da identidade. O corpo &eacute; algo a ser gerido.</p>     <p>Na gest&atilde;o dos corpos pontificam os m&eacute;dia. E os meios de comunica&ccedil;&atilde;o tornam-se o agente editorial da realidade: a viol&ecirc;ncia encenada, dos conte&uacute;dos, &eacute; sempre mais "perfeita" que a viol&ecirc;ncia real noticiada.</p>     <p>A est&eacute;tica da virtualiza&ccedil;&atilde;o preside &agrave;s novas formas de guerra: a guerra sem autor corp&oacute;reo, guiada &agrave; dist&acirc;ncia, por banda larga e muito precisa. Com semelhan&ccedil;as com um MORPG (<i>Massive Online Role-Playing Game</i>), que se deseja que seja <i>Full HD</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o: o n&atilde;o real como crit&eacute;rio?</b></p>     <p>O crit&eacute;rio do real esconde-se na pris&atilde;o fragmentada da viv&ecirc;ncia p&oacute;s-moderna: o corpo passa a ser uma ocupa&ccedil;&atilde;o &#8211; um verdadeiro objeto. &Eacute; esta propriedade privada, a &uacute;ltima das privatiza&ccedil;&otilde;es, que tem de&#8230;</p>     <blockquote><i>&#8230;flutuar na corrente das sensa&ccedil;&otilde;es, de ser capaz de se entregar sem reserva a experi&ecirc;ncias irreflectidas de prazer, mas o "propriet&aacute;rio" &#8211; e treinador &#8211; do corpo, que "est&aacute; dentro" do corpo na ocasi&atilde;o da experi&ecirc;ncia e s&oacute; pela for&ccedil;a da imagina&ccedil;&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel "desligar" do corpo, tem tamb&eacute;m de gerir a sua flutua&ccedil;&atilde;o e abandono, de avaliar e medir, comparar, classificar em termos de qualidade</i>&#8230; (Bauman, 2007: 124)</blockquote></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; um caminho de objetiva&ccedil;&atilde;o, de substitui&ccedil;&atilde;o perfecionista: o corpo ficar&aacute; mais perfeito quanto mais afastado estiver do que somos realmente. Haver&aacute; corpo num inc&ecirc;ndio?</p>     <p>Para al&eacute;m da literalidade do abra&ccedil;ar uma &aacute;rvore, na instala&ccedil;&atilde;o interativa <i>Hug@tree</i>, enuncia-se a sua pr&oacute;pria contradi&ccedil;&atilde;o, a contradi&ccedil;&atilde;o deste tempo: a &aacute;rvore &eacute; abra&ccedil;ada com a expectativa de uma intera&ccedil;&atilde;o eletr&oacute;nica, a expectativa de se substituir por uma grava&ccedil;&atilde;o, dentro da l&oacute;gica do dispositivo em tempo real. Mas a substitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o acontece a&iacute;: ela j&aacute; existia em todos os presentes.</p>     <p>Alguns de n&oacute;s tentam que sejam as &aacute;rvores as &uacute;ltimas a serem realmente substitu&iacute;das pela destrui&ccedil;&atilde;o, ora de modo mais duro (e simples) como Julia Butterfly Hill, ora de modo mais <i>user friendly</i>, como M&oacute;nica Mendes.</p>     <p>Este &eacute; um desafio para uma outra representa&ccedil;&atilde;o, um novo resgate, que &eacute; afinal antigo: a <i>encarna&ccedil;&atilde;o</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bauman, Zygmunt (2007) <i>A vida fragmentada: Ensaios sobre a moral p&oacute;s-moderna.</i> Lisboa: Rel&oacute;gio d&#39;&Aacute;gua. ISBN 9789727089321&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430552&pid=S1647-6158201300020004400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Butterfly Hill, Julia (2000). <i>The Legacy of Luna</i>. Harper San Francisco. ISBN 0-06-251658-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430553&pid=S1647-6158201300020004400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>George Brown College (2013) <i>Institute Withut Bounderies</i>. &#91;Consult. 2013-10-21&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://worldhouse.ca/massive-change/" target="_blank">http://worldhouse.ca/massive-change/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430555&pid=S1647-6158201300020004400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Klein, Naomi (1999). <i>No Logo</i>. Canada: Knopf. ISBN 0312421435&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430556&pid=S1647-6158201300020004400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mau, Bruce; Leonard Jennifer, Institute Without Boundaries (2004) <i>Massive Change, Institute without Boundaries</i>. New York: Phaidon Press, ISBN 0-7148-4401-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430557&pid=S1647-6158201300020004400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mau, Bruce (2013) <i>Incomplete manifesto for growth.</i> &#91;Consult. 2013-10-21&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.brucemaudesign.com/4817/112450/work/incomplete-manifesto-for-growth" target="_blank">http://www.brucemaudesign.com/4817/112450/work/incomplete-manifesto-for-growth</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430558&pid=S1647-6158201300020004400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mendes, M&oacute;nica (2012) <i>ARTiVIS Arts, Real-Time Video and Interactivity for Sustainability.</i> Tese de doutoramento em Media Digitais, FCT/UNL. &#91;Consult. 2013-10-21&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://hdl.handle.net/10362/9752" target="_blank">http://hdl.handle.net/10362/9752</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430559&pid=S1647-6158201300020004400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Noelle-Neuman, Elizabeth (1995) <i>La Espiral do Silencio: opini&atilde;o p&uacute;blica.</i> Barcelona: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430560&pid=S1647-6158201300020004400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Laurel, Brenda (1991) <i>Computers as Theatre</i>. Boston: Addison-Wesley. ISBN 0-201-55060-1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430562&pid=S1647-6158201300020004400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Thakara, John (2005) <i>In the Bubble: Designing in a Complex World.</i> Cambridge, Mass.: MIT Press. ISBN 0-262-20157-7&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430563&pid=S1647-6158201300020004400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Utterback, Camille; Achituv, Romy (2009) <i>Text Rain.</i> Instala&ccedil;&atilde;o video interativa. &#91;Consult. 2013-10-22&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://camilleutterback.com/projects/text-rain/" target="_blank">http://camilleutterback.com/projects/text-rain/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1430564&pid=S1647-6158201300020004400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artigo completo recebido a 16 de setembro e aprovado a 30 de setembro de 2013</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:joao.queiroz@fba.ul.pt">joao.queiroz@fba.ul.pt</a>(Jo&atilde;o Paulo Queiroz)</p>      ]]></body><back>
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