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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper surveys about the specific series of drawings by Gil Vicente (Brazil, 1958) named "Public Enemies". It is a reflection about the process of reception of his work when it involves a relation of trust in the image, and the limits between art, crime, transgression, political and public art.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>    <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Acreditar ou n&atilde;o na arte</b></p>     <p><b>To believe or not in art</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Eduardo Figueiredo Vieira da Cunha&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Brasil, artista visual e professor. Bacharelado em Artes Visuais (UFRGS, 1982), Master of Fine Arts (Brooklyn College, EUA, 1989) e Doutorado (Universit&eacute; de Paris-I Panth&eacute;on-Sorbonne, 2001).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Artes, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais. Rua Senhor dos Passos, 248 CEP 90020-180 &#8211; Centro &#8211; Porto Alegre, RS, Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>Este artigo analisa uma s&eacute;rie espec&iacute;fica da produ&ccedil;&atilde;o em desenho do artista Gil Vicente ( Brasil, 1958) intitulada "Inimigos P&uacute;blicos". Trata-se de uma reflex&atilde;o sobre o processo de recep&ccedil;&atilde;o da obra, quando o repert&oacute;rio imag&eacute;tico envolve a cren&ccedil;a na imagem e toca limites t&ecirc;nues entre arte, transgress&atilde;o e crime, al&eacute;m de pol&iacute;tica, arte p&uacute;blica e fracasso.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> desenho / simulacro / fracasso, arte p&uacute;blica / pol&iacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper surveys about the specific series of drawings by Gil Vicente (Brazil, 1958) named "Public Enemies". It is a reflection about the process of reception of his work when it involves a relation of trust in the image, and the limits between art, crime, transgression, political and public art. </p>     <p><b>Keywords:</b></b> drawing / simulacrum / failure / political art / public art.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Em que condi&ccedil;&otilde;es a imagem pode funcionar como um discurso fundamentalmente religioso entre aquele que produz a imagem e aquele que a v&ecirc;? A escolha de temas pol&iacute;ticos ou panflet&aacute;rios, e a procura por novos espa&ccedil;os de exposi&ccedil;&atilde;o, como as ruas de uma cidade, poderiam intensificar essa rela&ccedil;&atilde;o de cren&ccedil;a na imagem? E poderia o artista antecipar-se ao que o observador deva compreender em seu trabalho, lan&ccedil;ando d&uacute;vidas sobre a capacidade transformadora e pol&iacute;tica da arte? Fracassam os l&iacute;deres mundiais, assim como fracassa o artista em diversas fases de seu trabalho, ou fracassa o cr&iacute;tico, na expectativa de antecipar-se ao observador e estabelecer o pr&eacute;julgamento, assim como tamb&eacute;m fracassam os censores da obra? Este artigo tenta responder a estas perguntas analisando uma s&eacute;rie espec&iacute;fica do trabalho de Gil Vicente.</p>     <p>Nascido em Recife, no estado de Pernambuco, Brasil, Gil Vicente &eacute; desenhista e gravador. Em 2009, realizou uma interven&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica com reprodu&ccedil;&otilde;es da s&eacute;rie <i>Inimigos P&uacute;blicos</i> em Campina Grande, no estado da Para&iacute;ba. E participou em seguida da Bienal de S&atilde;o Paulo de 2010 com os desenhos originais da mesma s&eacute;rie, ocasi&atilde;o em que foi rotulada de "apologia ao crime" pela Ordem dos Advogados do Brasil. Nela, o pr&oacute;prio artista aparece em autorretratos com arma em punho, matando pol&iacute;ticos e pessoas p&uacute;blicas como o ex-premier de Israel Ariel Sharon, os ex-presidentes brasileiros Fernando Henrique Cardoso e Luiz In&aacute;cio da Silva, o Lula, e a rainha Elizabeth II, da Inglaterra, entre outros l&iacute;deres mundiais. A s&eacute;rie causou controv&eacute;rsia e problemas com outros representantes da sociedade de S&atilde;o Paulo que tamb&eacute;m a consideraram apologia ao crime. Como s&atilde;o obras que tratam de quest&otilde;es pol&iacute;ticas e transgressoras, se situam no limite da ilegalidade e nos levam a uma reflex&atilde;o sobre a capacidade de separar as coisas entre a arte, a realidade a e fic&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A metodologia empregada neste artigo utiliza-se da dial&eacute;tica para trabalhar com duas abordagens poss&iacute;veis da quest&atilde;o: a primeira, em forma de par&aacute;bola, busca em <i>O Efeito Pigmail&atilde;o</i>, de Victor Stoichita (Stoichita, 2012) quest&otilde;es sobre a cria&ccedil;&atilde;o de simulacros por parte do artista, onde a procura pela m&iacute;mese e a cria&ccedil;&atilde;o de um duplo ultrapassaria a percep&ccedil;&atilde;o da realidade, provocando uma confus&atilde;o entre o criador e o receptor da mensagem contida na obra ao tratar da quest&atilde;o do fracasso. E a segunda, utiliza Jacques Ranci&egrave;re e sua obra <i>O Espectador Emancipado</i> (Ranci&egrave;re,2012), para aproximar arte e pol&iacute;tica, no sentido de reconfigura&ccedil;&atilde;o do mundo, da valoriza&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o est&eacute;tica da pol&iacute;tica e de nossos fracassos, al&eacute;m da procura por novos espa&ccedil;os expositivos e de tratar da posi&ccedil;&atilde;o do observador.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O simulacro</b></p>     <p>A quest&atilde;o da autenticidade do acontecimento que inicia a hist&oacute;ria (o gerador das imagens trabalhadas pelo artista) &eacute; explorado por Gil Vicente de forma amb&iacute;gua: um desejo oculto do artista, transformado em imagem, despertaria o mesmo ato de f&eacute; e de incitamento &agrave; atitude por parte do observador? A fun&ccedil;&atilde;o eminentemente pol&iacute;tica da arte n&atilde;o seria aquela de subverter a ordem do que &eacute; real e o que &eacute; fic&ccedil;&atilde;o? O fracasso que motiva o crime &eacute; o fracasso das figuras p&uacute;blicas ou &eacute; o fracasso do pr&oacute;prio artista?</p>     <p>E o artista teria o direito, com seu discurso e sua busca por espa&ccedil;os espositivos n&atilde;o tradicionais como as ruas, de direcionar e limitar a leitura de sua obra apagando os limites entre realidade e fic&ccedil;&atilde;o, ou de <i>profanar</i> (Agambem, 2007) institui&ccedil;&otilde;es? Os desenhos da s&eacute;rie <i>Inimigos</i>, de Vicente, s&atilde;o elaboradamente realistas. Poder&iacute;amos come&ccedil;ar estabelecendo aqui a f&aacute;bula do artista como um Pigmali&atilde;o, personagem do poeta romano Ov&iacute;dio, que viveu no in&iacute;cio da era crist&atilde;, e que escreveu sobre o escultor que se apaixona pela est&aacute;tua que criou. Vicente, tal qual o personagem de Ov&iacute;dio, transformaria o seu desejo, uma indigna&ccedil;&atilde;o com certos personagens da cena pol&iacute;tica que para ele fracassaram, criando simulacros extremamente realistas no ato de exterm&iacute;nio. E o artista, que torna-se o pr&oacute;prio autor do crime cujo motivo &eacute; o fracasso, n&atilde;o estaria tratando do fracasso de suas pr&oacute;prias expectativas, tanto na concep&ccedil;&atilde;o e nos erros do processo de trabalho como na sua recep&ccedil;&atilde;o?</p>     <p>Poder&iacute;amos justapor o discurso do artista, onde ele refor&ccedil;a sua posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica afirmando que a motiva&ccedil;&atilde;o de seu trabalho foi a elimina&ccedil;&atilde;o dos desafetos em destaque por seus fracassos: "Nesse caso quis uma mensagem expl&iacute;cita. Tomei o cuidado de fazer o desenho de forma realista. N&atilde;o queria estiliza&ccedil;&otilde;es". (Vicente, 2009) E continua dizendo que a s&eacute;rie surgiu devido a decep&ccedil;&otilde;es e indigna&ccedil;&atilde;o com a pol&iacute;tica mundial: "...tive uma decep&ccedil;&atilde;o muito grande com Lula. Esse trabalho &eacute; fruto de minha indigna&ccedil;&atilde;o com a forma como esses caras conduzem o mundo"(Vicente, 2009). &Eacute; interessante notar aqui a presen&ccedil;a do elemento <i>fracasso</i>, t&atilde;o comum ao campo da arte. O artista convive com o fracasso em diversas fases de seu trabalho: fracassos de perspectiva e de planejamento da obra, fracasso provindo do erro no processo. Pode-se dizer de modo geral que o fracasso vem de espectativas n&atilde;o atingidas, e o ato de falhar apresenta-se no discurso de Vicente de forma pol&iacute;tica como uma f&aacute;bula cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o a um sistema. Inserido na sociedade onde o modelo &eacute; o sucesso a todo o custo, o fracasso como cr&iacute;tica &eacute; incorporado ao processo do pr&oacute;prio artista. Tal qual Pigmali&atilde;o, o artista fracassa na m&iacute;mese perfeita porque o resultado &eacute; apenas um simulacro, um fantasma.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao utilizar-se de imagens mim&eacute;ticas, o objetivo do artista por certo n&atilde;o era o de apologia ao ato criminoso. Ele tamb&eacute;m n&atilde;o pretendia que o observador imitasse sua posi&ccedil;&atilde;o. A quest&atilde;o arte e crime perfeito &eacute; permanende na hist&oacute;ria da arte. Seu desejo, aquele que o movimentava por um ato de substitui&ccedil;&atilde;o, sublimava a viol&ecirc;ncia do tiro com o gesto calculado do tra&ccedil;o, do risco sobre o suporte do desenho. A atitude art&iacute;stica sempre envolve algum risco, at&eacute; mesmo o do fracasso. O gesto de Vicente &eacute; ousado porque externa a vontade de eliminar a idolatria, tratando a personalidade pol&iacute;tica pelo vi&eacute;s iconoclasta, castigando-a pelo suposto fracasso. Utilizando-se de refer&ecirc;ncias fotogr&aacute;ficas, Vicente estaria, segundo</p>     <p>Marie-Jos&eacute; Mondzain (Mondzain, 2000) alimentando-se do &iacute;cone como em um processo de transubstancia&ccedil;&atilde;o, transformando-o em pura reflex&atilde;o sobre seu pr&oacute;prio processo. Uma consagra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sacramental do sacrif&iacute;cio e do fracasso. Ao optar pelo mimetismo fotogr&aacute;fico no desenho, o artista estaria, ainda na vis&atilde;o da f&aacute;bula, trabalhando seus pr&oacute;prios fantasmas (de fracasso). Se esta atitude for considerda transgressora ou perigosa, n&atilde;o &eacute; por culpa do artista, nem do p&uacute;blico, mas de algu&eacute;m que n&atilde;o tem conhecimento do processo de catarse que se envolve o artista. Toda a forma de arte poderia ser transgressora ou perigosa, no limite da capacidade de separa&ccedil;&atilde;o entre a f&aacute;bula do artista e a realidade.</p>     <p>Apesar de realistas e mim&eacute;ticas, as imagens de Gil Vicente s&atilde;o extremamente teatrais. H&aacute; um exagero na encena&ccedil;&atilde;o, que por si s&oacute; as denunciariam como falsas, principalmente se n&atilde;o fossem desenhos e sim apenas montagens fotogr&aacute;ficas. &Eacute; o ponto que Michael Fried (Fried, 2008) trata quando afirma que toda a arte existe para e em fun&ccedil;&atilde;o do observador. A representa&ccedil;&atilde;o, a absor&ccedil;&atilde;o dos personagens, o realismo dos fatos, primeiro impeliriam o observador a ser absorvido pela obra de Vicente. Esta mesma imagem mostraria, em um segundo tempo, o pr&oacute;prio artista absorto no ato criminoso. Nova dial&eacute;tica se estabelece: se os gestos ou as imagens provocam uma absor&ccedil;&atilde;o do espectador, o desenho, e o autorretrato do autor o remeteriam para o exterior, para fora do quadro. O ato de crer e n&atilde;o crer na imagem se sucederiam, como teatralidade e antiteatralidade (<a href="#f1">Figura 1</a>, <a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a04f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a04f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Aprendemos no in&iacute;cio a crer nas imagens, principalmente nas imagens fotogr&aacute;ficas. H&aacute; essa rela&ccedil;&atilde;o de te&iacute;smo criada desde que a fotografia era considerada como um documento. Testemunho ocular da hist&oacute;ria, o fotojornalismo refor&ccedil;ou essa tese . Mais recentemente, e principalmente com o advento da fotografia digital, a cren&ccedil;a nas imagens passou a ser abalada pela possibilidade de manipula&ccedil;&atilde;o. Hoje, com o advento da imagem digital e do photoshop, nossa rea&ccedil;&atilde;o passou a ser a de uma desconfian&ccedil;a perante a imagem. Entretanto, a escolha pela linguagem do desenho extremanente realista, quase que fotogr&aacute;fico, talvez tenha ajudado a apagar essa t&ecirc;nue linha que separa a realidade da fic&ccedil;&atilde;o, pelo menos para a Ordem dos Advogados do Brasil. Tomando o lugar do observador, os censores fracassaram como representantes da sociedade ao mostrar que n&atilde;o sabem separar arte e crime, e n&atilde;o possuem capacidade de abstra&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o conseguem realizar a leitura de uma obra sem o distanciamento cr&iacute;tico necess&aacute;rio. Neste mesmo racioc&iacute;nio, eles poderiam muito bem censurar Pigmali&atilde;o, quem sabe por atentado au pudor ou atitude libidinosa com a est&aacute;tua, n&atilde;o sabendo distinguir entre o duplo a obra que o escultor criou, e a mulher que o criador imaginava e desejava.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A quest&atilde;o pol&iacute;tica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De outro lado, as atitudes de rep&uacute;dio ao poder impl&iacute;citas nos trabalhos p&uacute;blicos de Vicente poderiam ser lidas como atitudes pol&iacute;ticas no sentido de um desejo do artista de devolver &agrave; arte algum tipo de fun&ccedil;&atilde;o social que foi perdida. Uma esp&eacute;cie de interpenetra&ccedil;&atilde;o entre formas de arte e formas de vida, e entre a est&eacute;tica e a pol&iacute;tica. O que poderia ser pol&iacute;tico na arte de Vicente? Na verdade, n&atilde;o h&aacute; uma defini&ccedil;&atilde;o &uacute;nica. Poderia ser aquela que implica no desejo, por parte do artista, de expor uma injusti&ccedil;a ou de afirmar a necessidade de mudan&ccedil;as profundas na sociedade. Ou poderia ser aquela do fracasso: as expectativas n&atilde;o foram atingidas, assim como acontece no processo do artista. Falha-se, em diferentes fases do processo. Essa no&ccedil;&atilde;o parte da suposi&ccedil;&atilde;o de que exista um &uacute;nico tipo de p&uacute;blico, de observador, sobre o qual agiriam as inten&ccedil;&otilde;es do artista. Pode-se falhar at&eacute; mesmo nestas expectativas de recep&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No mundo de hoje n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel fazermos previs&otilde;es sobre as consequ&ecirc;ncias que v&atilde;o ter um trabalho art&iacute;stico, o que certamente aconteceu com Vicente quando concebeu sua s&eacute;rie <i>Inimigos P&uacute;blicos</i>. Isto porque o artista certamente sabe que a arte n&atilde;o &eacute; apenas um meio de transmitir no&ccedil;&otilde;es sobre a vida, mas sim uma forma de vida ela mesma.</p>     <p>Me parece que o compromisso pol&iacute;tico de Vicente est&aacute; baseado na investiga&ccedil;&atilde;o de um determinado aspecto da realidade em que ele est&aacute; enquadrado, para transform&aacute;-lo na tentativa da devolv&ecirc;-lo &agrave; realidade sens&iacute;vel. Assim, a arte n&atilde;o seria uma pedagogia ou explica&ccedil;&atilde;o do mundo, mas uma transforma&ccedil;&atilde;o do mundo sens&iacute;vel. O tema fracasso pode ultrapassar o sentido de tem&aacute;tica para transformar-se em uma estrat&eacute;gia incorporada ao seu pr&oacute;prio de trabalho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Vicente n&atilde;o estaria interessado em "matar" os inimigos p&uacute;blicos para denunciar desigualdades, mas para trabalhar seus pr&oacute;prios fracassos, e tornar as pessoas sens&iacute;veis ao universo da arte, restituindo a for&ccedil;a do pensamento cr&iacute;tico. Seu objetivo talvez seja o de romper os espa&ccedil;os tradicionais da obra de arte, e falar da cis&atilde;o que existe entre a arte e a sociedade. Ao usar figuras reconhec&iacute;veis que, segundo o artista, fracassaram, ele estaria realizando um trabalho de "desarquiriza&ccedil;&atilde;o"(Ranci&egrave;re, 2012) no sentido de Jaques Ranci&egrave;re, utilizando-se de figuras e espa&ccedil;os p&uacute;blicos n&atilde;o para antecipar-se ao que o observador deva ver ou compreender em seus desenhos, mas para lan&ccedil;ar d&uacute;vidas sobre a capacidade da arte e do artista de trabalhar suas poss&iacute;veis falhas. Referir-se ao fracasso &eacute; falar sobre o hiato que existe entre inten&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o, entre concep&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o. Trata-se de promover a emancipa&ccedil;&atilde;o do observador. Podemos dizer que o observador &eacute; convidado a colaborar com sua liberdade e seus fracassos ao trabalho de Vicente, abrindo seu significado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Fried, Michael (2008) <i>Why photography matters as art as never before</i>. New Haven, EUA: Yale University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1431091&pid=S1647-6158201400010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Mondzain, Marie-Jos&eacute; (2000) <i>Image, Icone, Economie</i>. Paris, France, Plon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1431093&pid=S1647-6158201400010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ranci&egrave;re, Jacques (2011 ) <i>O espectador emancipado</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1431095&pid=S1647-6158201400010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Vicente, Gil (2010) "Gil Vicente comemora repercuss&atilde;o gerada com a oposi&ccedil;&atilde;o da OAB. Entrevista &agrave; Maria Carolina Maia." <i>Veja</i> n&ordm;276, de 29/9/2010. S&atilde;o Paulo, Abril.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1431097&pid=S1647-6158201400010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 17 de janeiro e aprovado a 31 de janeiro de 2014.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:ecunha@cpovo.net">ecunha@cpovo.net</a> (Eduardo Vieira da Cunha)</p>      ]]></body><back>
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