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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Kiluanji Kia Henda: Ficção, Ironia, Desconstrução]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This communication proposes an approach of two projects developed by the Angolan artist Kiluanji Kia Henda, entitled, respectively , Balumuka (Ambush) and O.R.G.A.S.M. - Organization of African States is Mellowness - both of 2011. In these the author suggests a challenge to dominant discourses about history or Western philanthropy in Africa, while exposing the lines that connect local and global realities.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>    <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Kiluanji Kia henda: Fic&ccedil;&atilde;o, Ironia, Desconstru&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p><b>Kiluanji Kia Henda: Fiction, Irony, Deconstruction</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Teresa Isabel Matos Pereira&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Portugal, artista pl&aacute;stica. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas (Pintura), Mestrado em Teorias da Arte, Doutoramento em Belas Artes (especializa&ccedil;&atilde;o de Pintura) pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL) Professora na Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o do Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa (ESE-IPL).</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa; Faculdade de Belas-Artes; Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas-Artes (CIEBA) Largo da Academia Nacional de Belas-Artes,1249-058 Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>Esta comunica&ccedil;&atilde;o abordar&aacute; dois projetos do artista angolano Kiluanji Kia Henda intitulados respetivamente Balumuka (Ambush) e O.R.G.A.S.M. &#8211; Organization of African States for Mellowness &#8211; ambos de 2011. Nestes o autor prop&otilde;e um desafio aos discursos dominantes acerca da hist&oacute;ria ou da filantropia ocidental em &Aacute;frica, expondo simultaneamente as linhas que ligam as realidades locais e globais.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> Fotografia / Angola / Hist&oacute;ria / Ironia / p&oacute;s-colonialidade.</p>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b>    <br> </p>     <p>This communication proposes an approach of two projects developed by the Angolan artist Kiluanji Kia Henda, entitled, respectively , Balumuka (Ambush) and O.R.G.A.S.M. &#8211; Organization of African States is Mellowness &#8211; both of 2011. In these the author suggests a challenge to dominant discourses about history or Western philanthropy in Africa, while exposing the lines that connect local and global realities. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords:</b></b> Photography / Angola / History / Irony / post-coloniality.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Percurso</b></p>     <p>Autodidata, Kiluanji Kia Henda (n. Luanda,1979), pertence a uma gera&ccedil;&atilde;o de artistas nascidos ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia de Angola e conheceram o per&iacute;odo de guerra civil que se prolongou at&eacute; 2001.</p>     <p>Ao longo da &uacute;ltima d&eacute;cada tem desenvolvido uma atividade art&iacute;stica no &acirc;mbito da fotografia, do v&iacute;deo ou da performance &#8211; com algumas incurs&otilde;es na m&uacute;sica e teatro &#8211; onde se destaca um tr&acirc;nsito internacional, materializado na participa&ccedil;&atilde;o em in&uacute;meras exposi&ccedil;&otilde;es como as bienais de S. Paulo (2010) e Veneza (2007) a Trienal de Guangzhou (2008), mas igualmente em in&uacute;meras resid&ecirc;ncias art&iacute;sticas, designadamente em Lisboa, (na Galeria ZDB) na cidade do Cabo (espa&ccedil;o Blank Projects), Guangzhou, Veneza, (Fondazione de di Venezia) ou Paris.</p>     <p>Esta circula&ccedil;&atilde;o internacional que possibilita ao artista o contacto com outras realidades est&eacute;ticas, culturais e vivenciais, assume contornos mais elaborados no &acirc;mbito dos processos de cria&ccedil;&atilde;o se considerarmos a experi&ecirc;ncia pessoal vivida em Angola, um pa&iacute;s que fez o seu caminho enquanto Estado independente, no contexto de um conflito interno, alimentado pela Guerra Fria (constituindo-se, de resto, como um dos pontos quentes do conflito entre pot&ecirc;ncias Ocidentais e de Leste), mas igualmente marcado quer pela diversidade cultural interna quer pelos fluxos vindos do exterior, quer pela pr&oacute;pria refunda&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e cultural que emerge com a independ&ecirc;ncia nacional.</p>     <p>Kiluanji Kia Henda lembra precisamente essa permeabilidade cultural que, n&atilde;o obstante todas as conting&ecirc;ncias, acaba por impregnar a constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade caldeada nessa diversidade. Nas suas palavras:</p>     <blockquote><i>Cresci num per&iacute;odo experimental de um pa&iacute;s t&atilde;o jovem quanto eu, onde sempre houve, aparte as op&ccedil;&otilde;es politicas, uma grande e perme&aacute;vel liberdade cultural e at&eacute; religiosa. Por isso acho que temos uma identidade bastante contaminada pelo que nos chega atrav&eacute;s dos portos e dos aeroportos, e agora via internet e sat&eacute;lite</i> (Kia Henda, 2011: 17).</blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Local /Global</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A reflex&atilde;o em torno da complexidade inerente a realidades globalizadas &eacute; desenvolvida numa esp&eacute;cie de duplo &eacute;cran, de escalas opostas, onde a dimens&atilde;o local se entrecruza com a dimens&atilde;o global. Neste caso, tomando como ponto de partida as realidades em Angola, estabelece um alargamento &agrave; escala globalizada, detetando pontos de liga&ccedil;&atilde;o e converg&ecirc;ncias com outras realidades que transposta para um conjunto de projetos onde as imagens perfazem narrativas mais abrangentes e entrecruzam fic&ccedil;&atilde;o, utopia e mem&oacute;ria hist&oacute;rica, recorrendo a um discurso por vezes, repleto de ironia e humor. Mobilizando processos de desloca&ccedil;&atilde;o, apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico e desconstru&ccedil;&atilde;o, prop&otilde;e assim uma s&eacute;rie aproxima&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas a quest&otilde;es fulcrais como identidade, geopol&iacute;tica, mem&oacute;ria hist&oacute;rica ou as perce&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es de uma "p&oacute;s-colonialidade" que envolve n&atilde;o apenas os territ&oacute;rios historicamente colonizados como as atuais sociedades ocidentais.</p>     <p>A autorreferencialidade (entendida em termos simultaneamente pessoais, hist&oacute;ricos/nacionais) assume-se como substrato conceptual sobre o qual assentam um conjunto de abordagens em torno das representa&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias, nas quais a permeabilidade das imagens denuncia os tra&ccedil;os de uma liga&ccedil;&atilde;o a outros contextos de produ&ccedil;&atilde;o/circula&ccedil;&atilde;o transnacionais, assumindo, assim, uma dimens&atilde;o simultaneamente individual, local e global.</p>     <p>Assume-se igualmente como uma forma de autorreflex&atilde;o e consci&ecirc;ncia hist&oacute;rica com a qual estabelece, n&atilde;o raras vezes, um jogo de duplicidade e de invers&atilde;o que mobiliza tens&otilde;es hist&oacute;ricas, sociais, pol&iacute;ticas, est&eacute;ticas etc. Daqui resulta a cria&ccedil;&atilde;o de imagens que, na sua estrutura discursiva, incorporam a ironia de forma a produzir um curto-circuito com um di&aacute;logo cr&iacute;tico exterior.</p>     <p>Neste sentido, assuntos como o petr&oacute;leo, os diamantes ou o nuclear, s&atilde;o abordados ao longo de projetos como <i>Blood Business Corporation</i> (2007), <i>Lunda in the Sky With Diamonds</i> (2007), <i>Expired Trading Products</i> e <i>Nuclear Garden of Mr. Young </i>(2008), patenteando esse prop&oacute;sito do artista em sugerir ou evidenciar atrav&eacute;s da imagem fotogr&aacute;fica a teia de "interesses desmedidos" (Kia Henda, 2011:13) que, n&atilde;o olhando a meios &#8211; diminu&iacute;dos &agrave; insignific&acirc;ncia de <i>danos colaterais</i> &#8211; e convocando uma escala global, impregnam as viv&ecirc;ncias, reduzidas, por vezes a uma escala nacional/local/individual.</p>     <p>Por outro lado, h&aacute; a clara consci&ecirc;ncia de que os processos de trabalho e motiva&ccedil;&otilde;es que suportam o desenvolvimento da obra art&iacute;stica, n&atilde;o deixam de partir de uma situa&ccedil;&atilde;o (espacial e temporal) do individuo-artista, que, em &uacute;ltima an&aacute;lise se insinua, direta ou indiretamente na discursividade das imagens &#8211; convocando quest&otilde;es de ordem pol&iacute;tica, &eacute;tica, est&eacute;tica.</p>     <p>Na verdade, a bitola pessoal atrav&eacute;s da qual din&acirc;micas mais alargadas s&atilde;o filtradas e traduzidas, constitui-se como um dos pontos-chave na obra de Kiluanji Kia Henda que elege Angola como "epicentro" da sua obra. Um dos exemplos que o autor refere &eacute; a guerra civil que deflagrou no pa&iacute;s ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia nacional, incrementada pela Guerra Fria durante quase tr&ecirc;s d&eacute;cadas e onde a escala local reflete as din&acirc;micas de um disputa globalizada.</p>     <blockquote><i>Sempre tive um sentimento de ter vivido as consequ&ecirc;ncias diretas da globaliza&ccedil;&atilde;o das guerras. Desde mi&uacute;do aprendi que em Angola &eacute;ramos parte ou v&iacute;timas de uma grande estrat&eacute;gia internacional, que o que acontecia n&atilde;o era s&oacute; movido pela nossa vontade.</i> (Kia Henda, 2011:15)</blockquote>     <p>A intercec&ccedil;&atilde;o entre v&aacute;rios dom&iacute;nios, quer de ordem hist&oacute;rica, geopol&iacute;tica ou individual n&atilde;o deixa de ser evocada em obras como <i>Big Bang</i> (Huambo) e <i>Balas e Sat&eacute;lites</i> (Huambo), ambas de 2009 (<a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a07f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a07f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Ambas s&atilde;o fotografias de paredes da cidade de Huambo, repletas de sinais de balas. No primeiro caso, uma cratera provocada por um proj&eacute;til encontra-se no centro da imagem sendo rodeada pelos vest&iacute;gios da dispers&atilde;o dos estilha&ccedil;os provocados pelo rebentamento. A imagem, que parte de uma refer&ecirc;ncia &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o provocada pela guerra oscila entre uma dimens&atilde;o da literalidade e da met&aacute;fora para a qual contribui decididamente o t&iacute;tulo ir&oacute;nico atribu&iacute;do pelo autor &#8211; que pode reenviar para um sentido inverso, o da cria&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Na segunda imagem, <i>Balas e Sat&eacute;lites</i>, as marcas vis&iacute;veis do conflito s&atilde;o remetidas para uma temporalidade pret&eacute;rita pelo confronto com duas antenas de sat&eacute;lite que denunciam a ocupa&ccedil;&atilde;o daquele local; apresentam-se, de certa forma, como sinais otimistas de presen&ccedil;a humana e como elementos f&iacute;sicos que anunciam um futuro poss&iacute;vel, apesar da destrui&ccedil;&atilde;o causada pela guerra.</p>     <p>A estes dois exemplos poderemos acrescentar um terceiro, <i>Comboio para a Terra do Nunca</i> (Bengo, 2010), onde um comboio enferrujado permanece im&oacute;vel. Aqui a alus&atilde;o, ir&oacute;nica, &agrave; hist&oacute;ria de J.M. Barrie, acrescenta uma vez mais uma dimens&atilde;o dupla &agrave; imagem. Ao aludir, de certa forma, &agrave; juventude do pa&iacute;s e &agrave; utopia de uma refunda&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica, inverte o que &eacute; realmente mostrado na fotografia.</p>     <p>Esta surge, como uma met&aacute;fora dos impasses da pr&oacute;pria hist&oacute;ria nacional, num processo de transi&ccedil;&atilde;o que, de col&oacute;nia portuguesa, tenta constituir-se enquanto Estado socialista e, posteriormente ao fim da guerra civil, como pa&iacute;s integrado num contexto regional e global. Integra, em certa medida uma preocupa&ccedil;&atilde;o do autor em perceber as din&acirc;micas que perfazem a textura da hist&oacute;ria do pa&iacute;s e do continente africano, designadamente a "capacidade de escrever e conhecer a sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, e a capacidade de projetar o seu pr&oacute;prio futuro" (Kia Henda, 2011: 17).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Narrativas</b></p>     <p>A interfer&ecirc;ncia do dom&iacute;nio global no territ&oacute;rio local, entendida a um n&iacute;vel geogr&aacute;fico, estende-se igualmente a uma dimens&atilde;o temporal onde as ondas de choque da Guerra Fria ou do colonialismo se fazem sentir muito al&eacute;m dos limites cronol&oacute;gicos fixados pela hist&oacute;ria. Kiluanji Kia Henda questiona, igualmente, a dial&eacute;tica entre a realidade e as suas representa&ccedil;&otilde;es, onde os s&iacute;mbolos de poder, ou melhor, a sua substitui&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; acompanhada de uma modifica&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel das mentalidades, resultando daqui uma clivagem entre os discursos &#8211; e a sua dimens&atilde;o simb&oacute;lica sobretudo &#8211; e as pr&aacute;ticas (sociais, pol&iacute;ticas, comportamentais, etc.)</p>     <p>Na perspetiva do artista,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i>O processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o mental vai muito para al&eacute;m do ato politico de i&ccedil;ar bandeiras, de realizar desfiles na pra&ccedil;a p&uacute;blica e de promover discursos. Por isso acho que &eacute; muito cedo falar-se de p&oacute;s-colonialismo, &#91;&#8230;&#93; As independ&ecirc;ncias em &Aacute;frica s&atilde;o marcos hist&oacute;ricos recentes, e as estrat&eacute;gias de domina&ccedil;&atilde;o e neocoloniza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o, infelizmente, um assunto do passado</i> (Kia Henda, 2011: 17)</blockquote>     <p>A refunda&ccedil;&atilde;o da narrativa hist&oacute;rica constitui-se como uma plataforma onde se desenvolve o projeto <i>Homem Novo</i> (2011-2012) no &acirc;mbito do qual realiza a s&eacute;rie fotogr&aacute;fica <i>Balumuka (Ambush)</i> (<a href="#f3">Figura 3</a>, <a href="#f4">Figura 4</a>, <a href="#f5">Figura 5</a>). Esta materializa uma incurs&atilde;o do artista no Forte de S. Miguel em Luanda onde est&atilde;o depositadas est&aacute;tuas do per&iacute;odo colonial que se encontravam em locais p&uacute;blico e pe&ccedil;as de armamento utilizado durante a guerra civil.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a07f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a07f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a07f5.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Est&aacute;tuas de figuras como Paulo Dias de Novaes, D. Afonso Henriques, Lu&iacute;s Vaz de Cam&otilde;es ou a Rainha Nzinga Mbandi est&atilde;o ali depositados a aguardar uma solu&ccedil;&atilde;o, em "tr&acirc;nsito" (Souza, 34). Apenas a est&aacute;tua em bronze da Rainha Nzinga possui um destino certo, retomar ao local na pra&ccedil;a Kinaxixi de onde foi retirada devido a obras.</p>     <p>Os restantes (ex)monumentos foram retirados do seu pedestal e, tal como Kia Henda refere ironicamente numa confer&ecirc;ncia na Tate Modern, "s&atilde;o como cidad&atilde;os aos quais os vistos expiraram e n&atilde;o sabem o que fazer com eles&#8230; tendo de retornar ao local de origem" (Kia Henda, 2010).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na verdade, a independ&ecirc;ncia nacional foi acompanhada da necessidade de construir uma narrativa hist&oacute;rica que extirpasse o discurso colonial, instaurasse uma nova ordem, e assistisse ao nacimento do Homem Novo, celebrado no hino nacional de Angola. Esta funda&ccedil;&atilde;o de uma nova ordem social, pol&iacute;tica e discursiva &eacute; acompanhada por uma aboli&ccedil;&atilde;o dos s&iacute;mbolos do anterior regime, remetendo-os para uma invisibilidade p&uacute;blica.</p>     <p>Antes de mais, as imagens registadas por Kiluanji Kia Henda n&atilde;o deixam de aludir &agrave; situa&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica da arte p&uacute;blica, monumental, no que toca &agrave;s suas fun&ccedil;&otilde;es de simboliza&ccedil;&atilde;o do poder pol&iacute;tico. Na verdade estas est&aacute;tuas, em pedra ou bronze, de figuras heroicizadas pelo regime do Estado Novo, participam de uma narrativa hist&oacute;rica que legitimou, simbolicamente, o sistema colonial, e que, por isso, importava evocar continuamente, atrav&eacute;s da sua coloca&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o p&uacute;blico dos territ&oacute;rios colonizados. O seu desmantelamento em primeiro lugar, e o afastamento da esfera p&uacute;blica com uma consequente invisibilidade, procura rasurar precisamente, a narrativa da qual participaram.</p>     <p>Em segundo lugar, algumas destas pe&ccedil;as escult&oacute;ricas e inscri&ccedil;&otilde;es encontram-se desmontadas, tal como vieram da metr&oacute;pole para a col&oacute;nia, ou seja, quase voltaram ao seu ponto inicial, atrav&eacute;s de um processo de elis&atilde;o p&uacute;blica da sua presen&ccedil;a, e fragmenta&ccedil;&atilde;o nas suas componentes iniciais.</p>     <p>Por outro lado, as esculturas coexistem, lado a lado, com pe&ccedil;as de armamento militar de fabrico sovi&eacute;tico, que remetem para o per&iacute;odo de guerra civil. Esta justaposi&ccedil;&atilde;o permite estabelecer um di&aacute;logo simb&oacute;lico entre as v&aacute;rias temporalidades estratificadas que integram a hist&oacute;ria de Angola, subentendendo as diferentes narrativas, delineadas a partir de alguns dos seus s&iacute;mbolos de poder &#8211; o poder discursivo e o poder militar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Duplos negativos</b></p>     <p>O projeto O.R.G.A.S.M. &#8211; <i>Organization of African States for Mellowness</i> (Organiza&ccedil;&atilde;o dos Povos Africanos para a Tranquilidade) baseia-se na obra Dead Aid da zambiana Dambysa Moyo que desmonta um dos mitos das &uacute;ltimas d&eacute;cadas: de que a ajuda humanit&aacute;ria prestada pelos pa&iacute;ses ricos do ocidente contribuiu para a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida em &Aacute;frica. Na verdade, a autora denuncia a a&ccedil;&atilde;o perversa das organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias ocidentais em &Aacute;frica resultando numa perpetua&ccedil;&atilde;o dos problemas nos seus contextos de atua&ccedil;&atilde;o, por contraste com os pa&iacute;ses que recusaram essa ajuda e melhoraram os seus n&iacute;veis de desenvolvimento.</p>     <p>O.R.G.A.S.M. trata-se, assim, na cria&ccedil;&atilde;o de uma ONG (Organiza&ccedil;&atilde;o N&atilde;o Governamental) africana que se dedicar&aacute; &agrave; filantropia no ocidente, sendo que a obra consiste numa instala&ccedil;&atilde;o onde, numa parede com duas faces se encontra, de um lado, a bandeira da organiza&ccedil;&atilde;o (que lembra a da Uni&atilde;o Europeia mas na qual o circulo formado por 12 estrelas amarelas tem, ao centro o mapa de &Aacute;frica) e no outro, um v&iacute;deo que publicita os seus des&iacute;gnios (<a href="#f6">Figura 6</a> e <a href="#f7">Figura 7</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a07f6.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a07f7.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>No v&iacute;deo de 8 minutos &#8211; baseado no cinema de pornomis&eacute;ria colombiano da d&eacute;cada de 70 &#8211; assistimos ao desfilar de epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia na capital francesa &#8211; a primeira beneficiada da ONG &#8211; de um sem-abrigo que se refugia junto a uma ag&ecirc;ncia de viagens e de uma figura que se passeia pelas ruas supostamente o "rosto" da organiza&ccedil;&atilde;o), acompanhadas de uma voz-off que repete a urg&ecirc;ncia em salvar Paris.</p>     <p>Nesta obra &eacute; desmontado, de forma ir&oacute;nica, o discurso paternalista do ocidente emblem&aacute;tico das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais que operam em &Aacute;frica, atrav&eacute;s da sua invers&atilde;o, provocando, nas suas palavras, um "efeito-espelho" &#8211; que, ironia &agrave; parte, n&atilde;o deixa de assumir contornos de realidade.</p>     <p>O sentido "ficcional" do projeto entra numa rota de colis&atilde;o com as pr&aacute;ticas desenvolvidas nos contextos africanos e exp&otilde;e a continuidade num processo que, iniciado com a implanta&ccedil;&atilde;o dos sistemas coloniais ser&aacute;, no p&oacute;s-guerra, travestido com as roupagens da caridade e que n&atilde;o deixa de ser respons&aacute;vel pela inferioriza&ccedil;&atilde;o dos africanos e a manuten&ccedil;&atilde;o das fragilidades a v&aacute;rios n&iacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota Final</b></p>     <p>Atrav&eacute;s destes projetos Kiluanji Kia Henda prop&otilde;e-nos um olhar sobre a Hist&oacute;ria, filtrado por uma perce&ccedil;&atilde;o individual, dir&iacute;amos, vivencial, dos acontecimentos, espa&ccedil;os e tempos. Mais do que a reconstitui&ccedil;&atilde;o da narrativa hist&oacute;rica atrav&eacute;s dos seus fragmentos e/ou s&iacute;mbolos, o autor confronta-nos com um conjunto de registos fotogr&aacute;ficos e f&iacute;lmicos onde a fic&ccedil;&atilde;o e a ironia denunciam realidades que est&atilde;o muito al&eacute;m da imagina&ccedil;&atilde;o e interrogam os discursos dominantes, expondo simultaneamente as linhas que ligam as realidades locais e globais.</p>     <p>Em <i>Balumuka (Ambush)</i> e <i>O.R.G.A.S.M.</i> Kia Henda estabelece um plano de simetria que atua em m&uacute;ltiplas vertentes. No primeiro caso as imagens dos despojos do tempo colonial no Forte de S. Miguel, s&atilde;o sim&eacute;tricas das imagens dos despojos do per&iacute;odo da Guerra Fria e sobretudo, dos plintos vazios que pontuam alguns dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos da cidade de Luanda &#8211; que se tornariam palco da s&eacute;rie <i>Redefining the Power</i> de 2012. No segundo caso, constitui-se como espelho que reflete um duplo negativo da imagem que o ocidente forjou acerca de si pr&oacute;prio, desfazendo, em ambos os casos um conjunto de mitos que pontuam os discursos da "p&oacute;s-colonialidade".</p>     <p>Por fim, o percurso desenvolvido por Kiluanji Kia Henda n&atilde;o deixa, n&atilde;o deixa de sugerir um conjunto de abordagens cr&iacute;ticas em torno das liga&ccedil;&otilde;es residuais entre passado e presente, discutir e reequacionar as liga&ccedil;&otilde;es entre artes visuais, representa&ccedil;&otilde;es sociais/culturais, est&eacute;tica, identidade, poder, local / nacional e global, hist&oacute;ria / mem&oacute;ria / biografia/ p&oacute;s-mem&oacute;ria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Afonso, L&iacute;gia (2011) "Entrevista a Kiluanji Kia Henda" in <i>BES PHOTO 2011</i>. Lisboa: Banco esp&iacute;rito Santo&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1431384&pid=S1647-6158201400010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Alvim, Fernando; Njami, Simon; Sousa, Suzana (2013) <i>No Fly Zone. Unlimited Mileage</i>. Lisboa: Museu Cole&ccedil;&atilde;o Berardo&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1431385&pid=S1647-6158201400010000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kia Henda, Kiluanji (2010) <i>After Post-Colonialism: Transnationalism or Essentialism?</i> &#91;Consult. 2014-1-19&#93; Dispon&iacute;vel em :<a href="http://www.tate.org.uk/context-comment/video/after-postcolonialism-transnationalism-or-essentialismvideo-recordings" target="_blank">http://www.tate.org.uk/context-comment/video/after-postcolonialism-transnationalism-or-essentialismvideo-recordings</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1431386&pid=S1647-6158201400010000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Miguel, Telma. "E se fossem os pa&iacute;ses africanos a ajudar o Ocidente?". <i>Sol</i>, 6 de Fevereiro de 2013. &#91;Consult. 2014-1-19&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://pt.museuberardo.pt/sites/default/files/documents/jornal_sol_e_se_fosse_africa_a_ajudar_o_ocidente_6_fev.2013.pdf" target="_blank">http://pt.museuberardo.pt/sites/default/files/documents/jornal_sol_e_se_fosse_africa_a_ajudar_o_ocidente_6_fev.2013.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1431387&pid=S1647-6158201400010000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>O&#39;Toole, Sean (2012) "Focus: Kiluanji Kia Henda" <i>Frieze Magazine</i> Issue 150, October 2012 &#91;Consult. 2014-1-19&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.frieze.com/issue/article/focus-kiluanji-kia-henda/" target="_blank">http://www.frieze.com/issue/article/focus-kiluanji-kia-henda/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1431388&pid=S1647-6158201400010000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo submetido a 26 de janeiro e aprovado a 31 de janeiro de 2014.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:teresamatospereira@yahoo.com">teresamatospereira@yahoo.com</a>  (Teresa Matos Pereira)</p>      ]]></body><back>
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