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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The paintings of the Portuguese visual artist Rui Macedo distend from the pictorial object, crossing architectures, touching the real. Macedo's interventive paintings refer to the concepts of meta-language and mise en abyme.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>    <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Resson&acirc;ncias: a pintura interventiva de Rui Macedo</b></p>     <p><b>Resonances. Rui Macedo intervention painting</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Zalinda Elisa Carneiro Cartaxo&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Brasil, artista visual. Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Pl&aacute;sticas &#8211; Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Especializa&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria da Arte e Arquitetura no Brasil, PUC-RJ. Mestrado em Hist&oacute;ria e Cr&iacute;tica de Arte &#8211; Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutorado em Artes &#8211; Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Doutorado em Artes Visuais, UFRJ. Professora na UFRJ.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes C&ecirc;nicas (PPGAC-UNIRIO). Avenida Pasteur n&ordm; 436, fundos, Urca, Rio de Janeiro / RJ, CEP22.290-240. Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>As pinturas do artista visual portugu&ecirc;s Rui Macedo distendem-se do objeto pict&oacute;rico, atravessam arquiteturas, tocam o real. Suas pinturas interventivas remetem aos conceitos de metalinguagem e mise en abyme.</p>     <p><b>Palavras chave:</b> pintura / interven&ccedil;&atilde;o / espa&ccedil;o</p>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The paintings of the Portuguese visual artist Rui Macedo distend from the pictorial object, crossing architectures, touching the real. Macedo&#39;s interventive paintings refer to the concepts of meta-language and mise en abyme. </p>      <p><b>Keywords:</b></b> painting / intervention / space.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Resson&acirc;ncias</b></p>     <p>Tomar como foco de discuss&atilde;o as quest&otilde;es que desenham a <i>po&eacute;tica</i> de um artista significa adentrar na estrutura cr&iacute;tico-conceitual que alicer&ccedil;a a sua produ&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica. Assim considerado, conclu&iacute;mos que cada obra constitui-se como afirmativa de toda a sua produ&ccedil;&atilde;o ressoando incessantemente umas com as outras. Segundo Alain Badiou, </p>     <blockquote><i>uma configura&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; uma arte, nem um g&ecirc;nero, nem um per&iacute;odo &#39;objetivo&#39; da hist&oacute;ria da arte, nem mesmo um dispositivo &#39;t&eacute;cnico&#39;. &Eacute; uma seq&uuml;&ecirc;ncia composta de um conjunto virtualmente infinito de obras, sobre a qual tem sentido dizer que ela produz, na estrita iman&ecirc;ncia &agrave; arte em quest&atilde;o, uma verdade dessa arte, uma verdade-arte</i> &#91;&#8230;&#93; <i>Na realidade, uma configura&ccedil;&atilde;o se pensa a si mesma nas obras que a comp&otilde;em. Pois, n&atilde;o o esque&ccedil;amos, uma obra &eacute; uma investiga&ccedil;&atilde;o inventiva sobre a configura&ccedil;&atilde;o, que pensa ent&atilde;o o pensamento que a configura&ccedil;&atilde;o ter&aacute; sido (sob a suposi&ccedil;&atilde;o de seu acabamento infinito). Mais precisamente: a configura&ccedil;&atilde;o se pensa na prova de uma investiga&ccedil;&atilde;o que, ao mesmo tempo, a constitui localmente, desenha seu porvir e reflete retroativamente sua curva temporal. Deste ponto de vista, &eacute; preciso sustentar que a arte, configura&ccedil;&atilde;o &#39;em verdade&#39; das obras, &eacute;, em cada ponto, pensamento do pensamento que ela &eacute;</i> (1994: 28-9).</blockquote>     <p>A compreens&atilde;o de tal estrutura importa, aqui, especificamente, pela revela&ccedil;&atilde;o do <i>modus operandi</i> pelo qual o artista portugu&ecirc;s Rui Macedo concebe suas obras. Pintor de forma&ccedil;&atilde;o, sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica sugere um paradoxo: a utiliza&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios tradicionais da pintura, como o <i>trompe-l&#39;oeil</i>, acordados, no entanto, a determinadas estruturas praticadas de modo recorrente na contemporaneidade, como por exemplo, os conceitos de <i>apropria&ccedil;&atilde;o</i>, de <i>site-specific</i> ou de interven&ccedil;&atilde;o. Num primeiro olhar, localizamos algumas constantes no seu trabalho: a &ecirc;nfase na figura&ccedil;&atilde;o, o mimetismo, o di&aacute;logo prof&iacute;cuo com o locus ou a constante reflex&atilde;o sobre o suporte. O suposto paradoxo observado em sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica desfaz-se mediante a considera&ccedil;&atilde;o de algumas quest&otilde;es teorizadas a partir de meados do s&eacute;culo XX. Antes de tudo, devemos observar que o foco do trabalho de Rui Macedo est&aacute; na pintura e que, portanto, faz parte de uma gera&ccedil;&atilde;o de artistas que a pratica a partir da reflex&atilde;o de conceitos, agora, cristalizados. Conceitos surgidos da reflex&atilde;o do <i>ser pintura </i>teorizados por artistas e cr&iacute;ticos, como por exemplo, o <i>plano flatbed</i>, de Leo Steinberg; os <i>objetos espec&iacute;ficos</i>, de Donald Judd; a <i>teoria do n&atilde;o-objeto</i>, de Ferreira Gullar; de entre tantos outros.</p>     <p>Se, de um modo geral, a arte contempor&acirc;nea carateriza-se pelo seu di&aacute;logo com o <i>real</i>, nada mais coerente do que a pintura na atualidade tamb&eacute;m adot&aacute;-lo. A distens&atilde;o da pintura do seu suporte tradicional em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; realidade aproximou-a de outras frentes est&eacute;ticas como a instala&ccedil;&atilde;o ou a interven&ccedil;&atilde;o. O movimento de alcance do espa&ccedil;o real pela pintura faz-se l&oacute;gico pela sua pr&oacute;pria estrutura hist&oacute;rica. A pintura como espessura, formada por camadas agregadas temporalmente concilia o suporte e a superf&iacute;cie pictural, confundindo-os. Este movimento oscilat&oacute;rio de uma dupla travessia, da superf&iacute;cie em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; profundidade e o seu retorno, determina aquilo que Didi-Huberman denomina de <i>um-dentro-do-outro</i> (1985). A pintura compreendida como uma din&acirc;mica, como uma estrutura da dobra, do interst&iacute;cio. Finalmente, a pintura como incarnat se livra do estigma da pele: n&atilde;o &eacute; mais uma superf&iacute;cie. Sua estrutura mesma se responsabilizaria pelo interst&iacute;cio da sua exist&ecirc;ncia de suporte (o debaixo: sub), pela sua exist&ecirc;ncia material (o que &eacute; lan&ccedil;ado sobre o suporte: <i>jectus</i>) e pela sua exist&ecirc;ncia significante (a indiscernibilidade: <i>subj&eacute;til</i>). Segundo Didi-Huberman, a pintura <i>pensa</i>.</p>     <blockquote><i>A no&ccedil;&atilde;o de &#39;quadro vivente&#39; contrap&otilde;e-se aos equ&iacute;vocos hist&oacute;ricos de uma pr&aacute;tica pict&oacute;rica que atrav&eacute;s de artif&iacute;cios (virtuosismo, ilusionismo) ocultava a natureza do suporte-tela. A pintura que pensa lida com a quest&atilde;o do incarnat. O autor questiona a natureza do in: &eacute; o dentro ou o encima? Historicamente os pintores se referem &agrave; carne como o seu outro, a pele. Contudo, n&atilde;o seria a carne o interior do corpo em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; sua superf&iacute;cie? O incarnat seria, portanto, n&atilde;o uma justaposi&ccedil;&atilde;o ou superposi&ccedil;&atilde;o das camadas de mat&eacute;ria sobre um suporte, mas sim a sua interpenetra&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o permitiria a distin&ccedil;&atilde;o das suas partes, ou seja, est&aacute; atrelado a uma categoria definida por Didi-Huberman como o entre-dois: entre a superf&iacute;cie e a profundidade. &Eacute; caracter&iacute;stico do entre-dois uma louca dificuldade: a loucura reside no risco do artista atingir a superf&iacute;cie atrav&eacute;s do olho corrompido pela vaidade da sabedoria; a dificuldade estaria na resposta da sua sabedoria no exerc&iacute;cio da pintura. O incarnat seria, portanto, uma trama temporalizada da superf&iacute;cie e da profundidade, visto que configura uma dial&eacute;tica imprevis&iacute;vel de apari&ccedil;&otilde;es (&eacute;piphasis) e de desaparecimentos (aphanisis)</i> (Cartaxo, 2006: 23).</blockquote>     <p>Assim, a coincid&ecirc;ncia entre obra e lugar, mat&eacute;ria e suporte, &eacute; determinada pelo sentido de totalidade e indetermina&ccedil;&atilde;o dos seus meios (subj&eacute;til). A espessura das pinturas de Rui Macedo constitui-se pelo confronto entre as camadas do <i>real</i> e do pict&oacute;rico. Pinturas interventivas que absorvem o <i>real</i> como parte integrante da obra, transformando-o. <i>Entre-dois</i>. Colabora em tal dial&eacute;tica o rebatimento do <i>real</i> operado pelo ilusionismo das suas pinturas. Mais do que afirma&ccedil;&atilde;o de um <i>locus</i>, trata-se da afirmativa da pintura como possibilidade de re-conhecimento da realidade. Mais do que ilusionismo, o artista nos apresenta nova possibilidade de realidade.</p>     <p>Os "temas" das suas pinturas, de um modo geral, surgem <i>a posteriori</i> mediante a defini&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o expositivo. Podem ser representa&ccedil;&otilde;es de portas, tapetes, caixas de luz, molduras vazias ou mesmo reprodu&ccedil;&atilde;o-apropria&ccedil;&atilde;o de determinada pintura que faz parte do acervo do Museu onde o artista ir&aacute; expor, por exemplo. Estabelece-se, assim, uma trama dial&oacute;gica e dial&eacute;tica que promove tens&atilde;o no lugar. Quando suas pinturas se fazem "invis&iacute;veis", cumprem com propriedade o melhor <i>site-specific</i>; quando vis&iacute;veis, desarticulam o equil&iacute;brio original do espa&ccedil;o. De todas as formas <i>o lugar</i> &eacute; sempre tensionado.</p>     <p>Quando Rui Macedo utiliza a <i>linguagem da pintura</i> (o <i>trompe-l&#39;oeil</i>, por exemplo) como uma esp&eacute;cie de dispositivo cr&iacute;tico-conceitual aproxima-se da esfera da <i>metalinguagem</i> e da estrutura de <i>mise en abyme</i>. A quest&atilde;o da pintura dentro da pintura j&aacute; foi desenvolvida em v&aacute;rios momentos ao longo da sua hist&oacute;ria, entretando, quando Rui utiliza tal "estrat&eacute;gia", novamente, recupera um modelo hist&oacute;rico (tal qual o <i>trompe-l&#39;oeil</i>, uma <i>linguagem da pintura</i>) a partir de uma cr&iacute;tica anal&iacute;tica do modelo-pintura. Pensar a <i>pintura como conceito</i> a partir do <i>conceito de pintura</i> tem-se revelado uma quest&atilde;o constante para os artistas, especialmente, a partir do ano de 1960.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Superado o modelo de desenvolvimento evolucionista pela categoria Pintura, at&eacute; ent&atilde;o respons&aacute;vel pela continuidade de novas formula&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas (Danto, 2000), os artistas atuantes no per&iacute;odo p&oacute;s-hist&oacute;rico (a <i>Pop Art</i> seria um marco), e aqui, nos interessa, especialmente, os pintores, adotam <i>po&eacute;ticas</i> cuja reflex&atilde;o sobre a pintura <i>per si</i> faz-se recorrente. Artistas como Giulio Paolini, Imi Knoebel, Gerhard Richter, Daniel Buren, Blinky Palermo, Keith Sonnier, Richard Tuttle, o Grupo <i>Support-Surface</i>, dentre tantos outros, empenharam-se no fomento das discuss&otilde;es sobre a pintura ampliando as suas possibilidades cr&iacute;ticas, conceituais e espaciais. De forma inteligente, Rui Macedo colabora em tal discuss&atilde;o revelando que ainda &eacute; vi&aacute;vel distender as possibilidades da pintura, revitalizando-a.</p>     <p>As estruturas de <i>metalinguagem</i> e <i>mise en abyme</i> observadas na produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de Rui diferenciam-se, contudo, daquelas realizadas historicamente, em que havia a representa&ccedil;&atilde;o de uma pintura dentro de outra. Rui Macedo recupera tais conceitos a partir de outro <i>modus operandi</i>: mant&ecirc;m o criticismo de tal abordagem, entretanto, distende suas pinturas para o espa&ccedil;o real (aproximando-as das interven&ccedil;&otilde;es e instala&ccedil;&otilde;es). Suas telas pintadas a partir do modelo tradicional fazem parte de uma pintura maior que as abriga, o pr&oacute;prio espa&ccedil;o interventivo ou instalativo. D&aacute;-se in&iacute;cio, assim, ao processo de tens&atilde;o espacial totalmente fundado numa estrutura de <i>resson&acirc;ncias</i>: entre as obras, entre as obras e o seu <i>locus</i>, entre o sujeito e as obras ou entre o sujeito e a obra-<i>lugar</i>. Ora interventivas, ora instalativas, as pinturas-<i>lugar</i> de Rui aproximam-se, at&eacute; certo ponto, dos <i>tableaux</i> (Georges Segal, por exemplo). Diferem, no entanto, no enfrentamento espec&iacute;fico da quest&atilde;o <i>pintura</i>. Ao contr&aacute;rio das abordagens existencialistas de Segal, as pinturas-<i>lugar</i> de Rui instrumentalizam-se cr&iacute;tico e conceitualmente com as quest&otilde;es espec&iacute;ficas da <i>pintura</i>. Mesmo tangenciando outras frentes, como a interven&ccedil;&atilde;o ou instala&ccedil;&atilde;o, o foco da usa po&eacute;tica est&aacute; voltado, sempre, para a <i>pintura</i>.</p>     <p>Localizamos algumas variantes no modo pelo qual o Rui Macedo constr&oacute;i sua estrutura expositiva (sen&atilde;o, a obra <i>em si</i>) quando acordada ao tema do <i>Cabinet d&#39;amateur</i>. De um modo geral, o artista se vale da satura&ccedil;&atilde;o na ocupa&ccedil;&atilde;o espacial tal qual seu modelo original. Contudo, sua <i>po&eacute;tica</i> prevalece instituindo nova ordem fundada no pensamento cr&iacute;tico que traduz seu <i>modus operandi</i>. O <i>tempo</i> &eacute; elemento relevante em suas pinturas interventivas. Somente atrav&eacute;s dele alguma ordem se imp&otilde;e. Suas obras exigem temporalidades distintas para cada visitante. &Eacute; necess&aacute;rio capturar as pistas lan&ccedil;adas pelo artista para pouco a pouco construirmos algum tipo de narrativa que indique uma conclus&atilde;o. A concilia&ccedil;&atilde;o entre a est&eacute;tica e o jogo, na produ&ccedil;&atilde;o de Rui Macedo, endossa a senten&ccedil;a de Didi-Huberman: <i>a pintura pensa</i>.</p>     <p>Na sua exposi&ccedil;&atilde;o <i>Playtime</i>, de 2013, Rui satura o nicho ao fundo da <i>Capilla de la Trinidad</i> com diversas pinturas de sua autoria, sobrepostas umas &agrave;s outras. O artista re&uacute;ne um n&uacute;mero significativo de obras de sua autoria, de outras exposi&ccedil;&otilde;es, e converte o espa&ccedil;o numa esp&eacute;cie <i>Cabinet d&#39;amateur</i>. Tal qual uma grande tela ao fundo, o espa&ccedil;o da <i>Capilla</i> transformou-se numa colagem tridimensionalizada, <i>mise en abyme</i>. Como estrutura de <i>metalinguagem</i>, Rui utiliza pintura para falar de <i>pintura</i>. O <i>lugar</i> ora religioso que abriga a exposi&ccedil;&atilde;o, com seu hist&oacute;rico de mecenato, alimenta a exposi&ccedil;&atilde;o pela sua iman&ecirc;ncia. O <i>Genius Loci</i> atravessa a interven&ccedil;&atilde;o sendo, tamb&eacute;m, por ela atravessado. <i>Lugar</i> em resson&acirc;ncia.</p>     <p>O encontroâˆ•confronto de obras operado por Rui Macedo acordados, cr&iacute;tico e conceitualmente, ao modelo do <i>Cabinet d&#39;amateur</i>, cumpre-se, tamb&eacute;m, de outra forma. Na sua exposi&ccedil;&atilde;o <i>Artimanhas do Escondimento</i>, de 2013, por exemplo, o artista re&uacute;ne um conjunto de pinturas, privilegiando, contudo, os espa&ccedil;os <i>entre</i>, com a ilumina&ccedil;&atilde;o focada nos vazios. Nesta exposi&ccedil;&atilde;o, Rui se vale do <i>trompe-l&#39;oeil</i> e do virtuosismo para desestabilizar o lugar certeiro da pintura, segundo seus ditames tradicionais. Molduras pintadas ilusoinisticamente e depositadas sobre a parede azul, pinturas partidas ao meio que se adentram pelas arestas dos tetos, das paredes ou do ch&atilde;o, pinturas "dobradas" que acompanham o desenho das paredes, texto fixado na parede que atravessa as pinturas, tudo, enfim, em desacordo com o esperado para uma exposi&ccedil;&atilde;o de pintura. Aqui, o conceito de <i>subj&eacute;til</i>, definidor do ser <i>pintura</i>, se aplica de forma contundente, indicando a possibilidade da pintura existir al&eacute;m dos seus limites impostos pela tradi&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Concluimos, portanto, que as estruturas de <i>metalinguagem</i> e <i>mise en abyme</i> observadas na produ&ccedil;&atilde;o de Rui n&atilde;o operam formalmente, sen&atilde;o conceitualmente. Suas figura&ccedil;&otilde;es constroem uma trama, uma esp&eacute;cie de jogo, em que a obra ganha sentido somente pela reciprocidade de todas as inst&acirc;ncias envolvidas, da est&eacute;tica &agrave; da realidade. Exemplo disso, &eacute; o tema do <i>Cabinet d&#39;amateur</i> recorrente, em sua produ&ccedil;&atilde;o. O <i>lugar</i> hist&oacute;rico do colecionismo converte-se, nas obras de Rui, em met&aacute;fora do ser resson&acirc;ncia da pintura, como uma esp&eacute;cie de caixa de repercuss&atilde;o. O modelo de <i>Cabinet d&#39;amateur</i> utilizado pelo artista agrega obras que, conjuntamente, reverberam-se criticamente.</p>     <p>As pinturas de Rui Macedo acenam ao deslimite. Como resson&acirc;ncias, distendem-se para al&eacute;m do objeto pict&oacute;rico, atravessam arquiteturas, tocam o real.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Badiou, Alain (1994) <i>Para uma Nova Teoria do Sujeito.</i> Rio de Janeiro: Relume-Dumar&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432198&pid=S1647-6158201400010001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->. </p>     <!-- ref --><p>Cartaxo, Zalinda (2006) <i>Pintura em Distens&atilde;o.</i> Rio de Janeiro: Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, Centro Cultural Telemar,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432200&pid=S1647-6158201400010001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Danto, Arthur (2000) <i>L&#39;Art Contemporain et la Cl&ocirc;ture de l&#39;Histoire</i>. Paris: &Eacute;ditions du Seuil,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432202&pid=S1647-6158201400010001600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Didi-Huberman, G. (1985) <i>La Peinture Incarn&eacute;e</i>. Paris: Les &Eacute;ditions de Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1432204&pid=S1647-6158201400010001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artigo completo submetido a 26 de janeiro e aprovado a 31 de janeiro de 2014.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:z.cartaxo@uol.com.br">z.cartaxo@uol.com.br</a>  (Zalinda Cartaxo)</p>      ]]></body><back>
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