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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Obra gráfica de Paulo Chimendes: produção e inserção de 1971 a 1984]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper seeks to reflect on the production of Brazilian artist Paulo Chimendes, its formation, its insertion in the art market and the speeches of the press in reporting their work.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DOSSIER: ARTIGOS ORIGINAIS POR AUTORES CONVIDADOS</b></p>     <p align="right"><b>DOSSIER: INVITED ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Obra gr&aacute;fica de Paulo Chimendes: produ&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o de 1971 a 1984</b></p>     <p><b>Paulo Chimendes&#39; printed work: production and insertion 1971-1984</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maristela Salvatori&#42;</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&#42;Par acad&eacute;mico externo da Revista Est&uacute;dio. Professora universit&aacute;ria e artista visual.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal de Rio Grande do Sul, Instituto das Artes. Rua Senhor dos Passos, 248. CEP 90020-180 &#8211; Centro &#8211; Porto Alegre, RS Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br></p>     <p>O presente trabalho busca refletir sobre a produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica do artista brasileiro Paulo Chimendes, sua forma&ccedil;&atilde;o, sua inser&ccedil;&atilde;o no mercado de arte e os discursos da imprensa ao noticiar seu trabalho. </p>     <p><b>Palavras chave:</b> Paulo Chimendes / gravura / desenho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b>    <br></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>This paper seeks to reflect on the production of Brazilian artist Paulo Chimendes, its formation, its insertion in the art market and the speeches of the press in reporting their work. </p>      <p><b>Keywords:</b></b> Paulo Chimendes / printmaking / drawing.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Apresenta-se aqui um pequeno recorte na produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de Paulo C&eacute;sar Chimendes, do in&iacute;cio dos anos 1970 at&eacute; meados dos anos 1980. Considerando o percurso desse artista brasileiro, nascido em 1953, em Ros&aacute;rio do Sul, no Rio Grande do Sul, como estreitamente ligado ao Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre (ALP), este trabalho busca refletir sobre sua produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, sua inser&ccedil;&atilde;o no mercado de arte e os discursos da imprensa ao noticiar seu trabalho.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O Atelier Livre</b></p>     <p>Recuando aos anos 1950, encontramos no Estado do Rio Grande do Sul certa hegemonia da arte figurativa. Enquanto Max Bill era premiado na 1a Bienal de S&atilde;o Paulo com a escultura <i>Unidade Tripartida</i>, afirmando as tend&ecirc;ncias construtivas na arte, no sul do pa&iacute;s ganham repercuss&atilde;o grupos como o Grupo de Bag&eacute; e o Clube de Gravura de Porto Alegre, que buscavam uma linguagem figurativa, com forte inspira&ccedil;&atilde;o na gravura revolucion&aacute;ria mexicana e em conson&acirc;ncia com outras associa&ccedil;&otilde;es dentro e fora do Brasil. &Eacute; interessante ressaltar que &eacute; no Clube de Gravura que ocorre o primeiro curso de gravura de que temos registo no Estado, o curso de gravura em metal ministrado pelo artista ga&uacute;cho Iber&ecirc; Camargo em 1955.</p>     <p>No in&iacute;cio dos anos 1960, Iber&ecirc; Camargo, na &eacute;poca radicado no Rio de Janeiro, de posi&ccedil;&atilde;o independente e gozando de grande prest&iacute;gio, teve uma s&eacute;rie de encontros com a comunidade art&iacute;stica, os Encontros com Iber&ecirc; (promo&ccedil;&atilde;o da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o e Assist&ecirc;ncia), que veio a constituir o embri&atilde;o do ALP. Como destaca Maria Amelia Bulh&otilde;es, "o artista passou a ser uma esp&eacute;cie de ponto de apoio para algumas inquieta&ccedil;&otilde;es locais", entre elas, a rea&ccedil;&atilde;o "contra o recha&ccedil;o &agrave; abstra&ccedil;&atilde;o que se difundia aqui &#91;sul do Brasil&#93;, como um processo intencional de resist&ecirc;ncia &agrave; intensa penetra&ccedil;&atilde;o desse movimento no centro do Pa&iacute;s" (Bulh&otilde;es, 2012).</p>     <p>A articula&ccedil;&atilde;o de Iber&ecirc; com alunos e artistas do sul seguiu mesmo ap&oacute;s seu retorno ao Rio de Janeiro, culminando na cria&ccedil;&atilde;o do ALP, cujos primeiros cursos foram na &aacute;rea da gravura. Ainda conforme Maria Amelia Bulh&otilde;es:</p>     <blockquote><i>O Atelier Livre representava uma alternativa para quem queria estudar arte; no entanto, n&atilde;o se pode dizer que ele rompeu com os c&acirc;nones da modernidade regional que aqui se desenvolvia. Prova disso &eacute; que, em 1964, assumiu como seu diretor Dan&uacute;bio Gon&ccedil;alves, um dos l&iacute;deres da rea&ccedil;&atilde;o contra a abstra&ccedil;&atilde;o</i> (Bulh&otilde;es, 2012).</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Percurso</b></p>     <p>O aprendizado art&iacute;stico de Paulo Chimendes inicia-se ainda aos 13 anos de idade, em 1967, no tamb&eacute;m bastante jovem ALP, onde estuda desenho com Paulo Peres e Dan&uacute;bio Gon&ccedil;alves. Seu precoce talento logo chama aten&ccedil;&atilde;o dos mestres que o incentivam.</p>     <p>Em 1971, a convite de Dan&uacute;bio Gon&ccedil;alves, participa do 5&ordm; Sal&atilde;o Cidade de Porto Alegre, onde n&atilde;o passa despercebido. No ano seguinte, Paulo Chimendes, com 18 anos, realiza sua primeira exposi&ccedil;&atilde;o individual, inaugurando a Galeria Atelier Livre da Prefeitura, na rec&eacute;m-instalada nova sede do ALP, na rua Lobo da Costa. No texto do convite, o mestre xilogravador das <i>Xarqueadas</i>, Dan&uacute;bio Gon&ccedil;alves, apresenta Chimendes &#8211; aut&ecirc;ntica prata da casa &#8211; com vis&iacute;vel entusiasmo, como "algu&eacute;m acreditado, futuroso e promissor nas artes visuais. (...) autor de categ&oacute;ricos desenhos" e de "talento privilegiado" (Gon&ccedil;alves, 1972).</p>     <p>Na ocasi&atilde;o, Chimendes apresenta desenhos em bico de pena, ligados ao tema da guerra, em tra&ccedil;os fortes que exploram volumes e contrastes com o branco do papel. A exposi&ccedil;&atilde;o &eacute; bastante divulgada pela m&iacute;dia local, mas boa parte das mat&eacute;rias publicadas, embora efetivamente divulgue o trabalho de Chimendes, antes de se deter nos aspectos formais de sua obra, traz uma ou outra informa&ccedil;&atilde;o sobre sua precocidade, suas origens, ou mesmo seu cabelo black power ou faz refer&ecirc;ncia &agrave; bolsa recebida da Caixa Econ&ocirc;mica Estadual para estudar no Atelier Livre e &agrave;s suas ocupa&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias divididas entre os estudos regulares, o ALP e o aux&iacute;lio ao pai numa banca de revistas, informa&ccedil;&otilde;es um tanto irrelevantes em p&aacute;ginas especializadas.</p>     <p>Ainda em 1972, Chimendes participa da coletiva Tr&ecirc;s Artistas Negros, no Teatro de C&acirc;mara de Porto Alegre, junto com Maria L&iacute;dia Magliani e J. Altair. Nos anos seguintes, participa de numerosas exposi&ccedil;&otilde;es. No ano de 1973, exp&otilde;e em coletivas do Atelier, na 1a Feira Anual de Artes Pl&aacute;sticas de Rio Pardo (RS), em Florian&oacute;polis e em Kanasawa, no Jap&atilde;o. No mesmo ano, &eacute; convidado para integrar um &aacute;lbum de desenhos e gravuras lan&ccedil;ado pela Galeria Gerdau e estuda gravura em metal com Paulo Peres. Em 1974, Chimendes mostra seus trabalhos em v&aacute;rias coletivas e recebe o 5o pr&ecirc;mio do III Sal&atilde;o do Jovem Artista (desenho), al&eacute;m de novamente integrar um &aacute;lbum de desenhos da Galeria Gerdau.</p>     <p>Em 1975, conquista o 4&ordm;quarto lugar em desenho no IV Sal&atilde;o Universit&aacute;rio de Arte, promo&ccedil;&atilde;o do Diret&oacute;rio Estadual de Estudantes, mesma entidade que funda a galeria Sete Povos e convida Paulo Chimendes para a coletiva de inaugura&ccedil;&atilde;o. Noticiando o Sal&atilde;o, o Di&aacute;rio de Not&iacute;cias comenta que os desenhos de Chimendes "est&atilde;o cada vez mais seguros, mais limpos, mais objetivos e tamb&eacute;m mais contundentes. &Eacute; gratificante se observar o desenvolvimento, a maturidade e a evolu&ccedil;&atilde;o dos trabalhos desse mo&ccedil;o" (Di&aacute;rio de Not&iacute;cias, 1975). Come&ccedil;a a estudar litografia com Dan&uacute;bio Gon&ccedil;alves.</p>     <p>Sua segunda individual ocorre em 1976, na galeria Sete Povos, onde Chimendes apresenta novamente uma s&eacute;rie de desenhos em bico de pena, agora com detalhes em ecoline em cores escuras. Surgem personagens que se tornam frequentes em seu trabalho: figuras calvas, com grandes cabe&ccedil;as e corpos arredondados, assemelhadas a fetos, geralmente sem m&atilde;os nem p&eacute;s. O texto do f&ocirc;lder/convite da exposi&ccedil;&atilde;o de desenhos &eacute; novamente de Dan&uacute;bio Gon&ccedil;alves. Conforme Gon&ccedil;alves, Paulo Chimendes possibilitou a seus professores "observar a transforma&ccedil;&atilde;o ou evolu&ccedil;&atilde;o de seus desenhos. Personalidade envolvida por t&eacute;cnica paciente, minuciosa, sem pressa, bem elaborada, onde o bico de pena borda preferencial desempenho". Comenta, ainda, que a obra do artista "est&aacute; melhor amadurecida, com maior depura&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica e economia dos componentes" (Gon&ccedil;alves, 1976).</p>     <p>Esta segunda exposi&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ganha espa&ccedil;o na imprensa local. Antonio Hohlfeldt, usando o pseud&ocirc;nimo de Antonio de Campuoco, escreve no Correio do Povo que "a atual exposi&ccedil;&atilde;o de Paulo Chimendes deve ser visitada. &Eacute; a oportunidade que temos de acompanhar, de perto, a evolu&ccedil;&atilde;o de um jovem talento" (Campuoco, 1976). D&eacute;cio Presser, em sua coluna na Folha da Tarde, observa que "quatro anos ap&oacute;s sua primeira individual, Paulo Chimendes chega &agrave; segunda com a descoberta de novos elementos que enriqueceram seu desenho, atrav&eacute;s da simplifica&ccedil;&atilde;o dos elementos e de uma precisa elabora&ccedil;&atilde;o" (Presser, 1976).</p>     <p>Em 1976, o artista volta a estudar gravura em metal com Paulo Peres e cursa xilogravura com Anna Am&eacute;lia, durante o 10o Festival de Ouro Preto (MG). Seus trabalhos s&atilde;o expostos em sal&otilde;es (V Sal&atilde;o do Jovem Artista e 1o Panorama de Artes de Caxias do Sul) e integra feiras de arte (Rio Pardo e Santa Maria). A produ&ccedil;&atilde;o &eacute; intensa a partir de 1977, quando recebe men&ccedil;&atilde;o honrosa em gravura no VI Sal&atilde;o do Jovem Artista. Em suas imagens, as figuras ganham expressividade pelas deforma&ccedil;&otilde;es, os olhos s&atilde;o destacados. Por vezes, flutuam no espa&ccedil;o, mas, em sua maioria, expressam impossibilidade de a&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m morda&ccedil;as, est&atilde;o atadas por cordas; noutras, o contraste &eacute; acentuado pelo uso de elementos soltos ao fundo da composi&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o frequentes rostos com olhares/express&otilde;es de perplexidade, que parecem indagar o espectador (<a href="#f1">Figura 1</a>), algumas apresentam gestos de m&atilde;os que parecem refor&ccedil;ar ang&uacute;stia e/ou sofrimento. &Eacute; importante lembrar que o pa&iacute;s se encontra, ent&atilde;o, em plena ditadura militar; vivem-se os dif&iacute;ceis (e longos) anos de censura e repress&atilde;o, nos quais pessoas desapareciam sem explica&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a27f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Ganhando em contund&ecirc;ncia, os "personagens" passam a ser "dissecados". Chimendes exp&otilde;e ossos e v&iacute;sceras, suprime ou lacera c&eacute;rebros. Surgem estranhas toucas (cr&acirc;nios), que deixam vislumbrar o que escondem, assemelham-se a malforma&ccedil;&otilde;es ou apenas m&aacute;scaras. As litografias, em geral pretas ou marrons, com uma s&oacute; impress&atilde;o, t&ecirc;m composi&ccedil;&atilde;o sim&eacute;trica, com equil&iacute;brio central e foco de aten&ccedil;&atilde;o concentrado na expressividade das m&atilde;os e dos olhos. A figura humana domina a composi&ccedil;&atilde;o, os demais elementos perdem relev&acirc;ncia; tudo o que resta al&eacute;m do "personagem" &eacute; a linha do horizonte (<a href="#f2">Figura 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a27f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Chimendes participa de sal&otilde;es como o Sal&atilde;o Nacional de Belo Horizonte e o Sal&atilde;o de Desenho do Museu de Arte do Rio Grande do Sul &#8211; MARGS) e tem obras circulando em coletivas das principais galerias da cidade (Centro Comercial, galeria do IAB e Eucatexpo). &Eacute; artista convidado para a I Mostra do Desenho Brasileiro (Curitiba, PR), em 1979. Recebe o pr&ecirc;mio do concurso Igel de Litografia com uma s&eacute;rie de rostos (<a href="#f3">Figura 3</a>). Na ocasi&atilde;o, afirma que a figura humana &eacute; o tema central da sua proposta, "quer estud&aacute;-las como gente simplesmente ou em fun&ccedil;&atilde;o da realidade social nada legal que a maioria suporta" (Zero Hora, 1980).</p>     <p>O constante aprendizado continua. Chimendes realiza curso de pintura com Fernando Baril. Participa de feira de gravura organizada pala Associa&ccedil;&atilde;o Chico Lisboa (Associa&ccedil;&atilde;o Rio-Grandense de Artes Pl&aacute;sticas Francisco Lisboa, fundada em 1938). Em seu trabalho, aparecem sorrisos ferozes (<a href="#f3">Figura 3</a>). As litografias, anteriormente monocrom&aacute;ticas, come&ccedil;am a ser impressas com duas ou mais cores: preto e vermelho, preto e cyan, verde-musgo e laranja. H&aacute; um grande cuidado no vigor dos tons, o desenho linear se mesclando &agrave; densidade das chapadas.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a27f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Utilizando-se especialmente da gravura como forma de express&atilde;o, um g&ecirc;nero m&uacute;ltiplo com menor valoriza&ccedil;&atilde;o mercadol&oacute;gica, apesar da intensa participa&ccedil;&atilde;o em sal&otilde;es, tem pouca penetra&ccedil;&atilde;o nas galerias mais importantes. Produzindo uma arte pouco rent&aacute;vel que &eacute; exposta em locais alternativos, como bares, discotecas e sagu&otilde;es de teatros, sem aura de qualidade e exclusividade, n&atilde;o amplia sua circula&ccedil;&atilde;o no mercado de arte. A atividade de t&eacute;cnico impressor apresenta-se como possibilidade financeira.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 1982, mesmo ano em que faz a reimpress&atilde;o p&oacute;stuma de tacos originais de Faria Vianna, recebe pr&ecirc;mio aquisi&ccedil;&atilde;o na V Mostra Anual da Gravura Cidade de Curitiba e participa da coletiva Sele&ccedil;&atilde;o Verde-Amarelo, no MARGS, exposi&ccedil;&atilde;o comemorativa dos 25 anos de exist&ecirc;ncia aut&ocirc;noma do Museu que utilizou a motiva&ccedil;&atilde;o da Copa do Mundo para mostrar os craques no desenho contempor&acirc;neo no Estado.</p>     <p>Em 1983, Chimendes encontra-se desestimulado pelo ambiente art&iacute;stico local, mas, no ano seguinte, retoma a produ&ccedil;&atilde;o e participa de eventos significativos, como a Campanha Artistas Pr&oacute;-Diretas. Suas obras, mesmo quando buscam penetrar nos dramas do homem, apresentam uma expressividade que suplanta a cr&iacute;tica social. Seus tra&ccedil;os permanecem vigorosos em imagens despidas dessas preocupa&ccedil;&otilde;es. O artista concentra-se na solu&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es formais e expressivas. A linguagem abstrata come&ccedil;a a emergir aos poucos na amplia&ccedil;&atilde;o dos elementos gr&aacute;ficos que se mesclam &agrave;s figuras em desenhos ricos em texturas e tonalidades (<a href="#f4">Figura 4</a>). Suas personagens, antes constantes, come&ccedil;am a ser deixadas em segundo plano ou suprimidas, como ocorre na gravura feita para o &aacute;lbum de gravura <i>Os Impressionantes</i> (<a href="#f5">Figura 5</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a27f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v5n9/5n9a27f5.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Inser&ccedil;&atilde;o e legitima&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Dentro do prof&iacute;cuo per&iacute;odo abordado, Paulo Chimendes ganhou bastante destaque, sua obra recebeu muitos e importantes pr&ecirc;mios, mas encontrou mais espa&ccedil;o de nos circuitos alternativos. V&aacute;rios fatores parecer ter contribu&iacute;do para uma menor permeabilidade do chamado grande mercado &agrave; sua arte, desde preconceitos sociais e &eacute;tnicos a inst&acirc;ncias de forma&ccedil;&atilde;o e escolhas formais e t&eacute;cnicas.</p>     <p>Conforme nos aponta Pierre Bourdieu, as institui&ccedil;&otilde;es universit&aacute;rias constituem inst&acirc;ncias mais fortes de legitima&ccedil;&atilde;o (Bourdieu, 1982: 126-8), enquanto outras institui&ccedil;&otilde;es de ensino, como o Atelier Livre, mesmo tento sido fundamental na divulga&ccedil;&atilde;o e no ensino da gravura no Estado, apresentam maior dificuldade de reconhecimento como inst&acirc;ncias qualificadoras. A inser&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os de pequena repercuss&atilde;o, em institui&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas ou mesmo em eventos espec&iacute;ficos da &aacute;rea gr&aacute;fica tamb&eacute;m n&atilde;o contribui na legitima&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Segundo Howard Becker "o ato cuja realiza&ccedil;&atilde;o marca uma pessoa como artista, &eacute; uma quest&atilde;o de defini&ccedil;&atilde;o conceitual" (Becker, 1977: 209). Na divis&atilde;o de trabalho, que ocorre na produ&ccedil;&atilde;o de arte, algumas atividades s&atilde;o consideradas art&iacute;sticas (as que exigem o dom ou sensibilidade do artista) enquanto as demais s&atilde;o consideradas inferiores (as atividades manuais, executadas pelo pessoal de apoio). A atua&ccedil;&atilde;o em servi&ccedil;os de apoio, como a atividade de impressor, tamb&eacute;m poderia dificultar o reconhecimento art&iacute;stico.</p>     <p>N&atilde;o se pode negar que o territ&oacute;rio das artes pl&aacute;sticas, refletindo outros setores da sociedade brasileira, constitu&iacute;a-se ent&atilde;o como templo das elites brancas, cultas e origin&aacute;rias das classes hegem&ocirc;nicas. Por vezes, o negro seria visto como uma pessoa a ser protegida, numa sutil forma de remorso residual no descendente do senhor de escravos. O apoio ao "rapaz esfor&ccedil;ado" fica evidente no discurso do notici&aacute;rio da imprensa ga&uacute;cha sobre Paulo Chimendes.</p>     <p>Encontramos coment&aacute;rios como o do Correio do Povo no qual "Paulo &eacute; uma esp&eacute;cie de sujeito muito ocupado: de manh&atilde;, ele trabalha, cuidando da banca de revistas e jornais que seu pai tem. De tarde, estuda afiadamente no Atelier Livre da Prefeitura, e de noite, torna a estudar, mas ent&atilde;o, o curso supletivo" (Correio do Povo, 1976). Ou seja, o redator mostra-se apiedado do menino humilde, procura torn&aacute;-lo simp&aacute;tico aos leitores, exaltar seu empenho. Isso &eacute; uma forma de paternalismo, visto que n&atilde;o se indagaria um rapaz classe m&eacute;dia e branco se ele, al&eacute;m de aprendiz artista, tivesse alguma ocupa&ccedil;&atilde;o "s&eacute;ria". Zero Hora tamb&eacute;m adota o tom paternal: "Paulinho sabe como &eacute; importante seu trabalho nas artes, mas jamais dispensa os estudos, pois entre seus planos est&aacute; seguir arquitetura" (Zero Hora, 1972).</p>     <p>D&eacute;cio Presser e Antonio Hohlfeldt, profissionais experientes, n&atilde;o caem nessas armadilhas. Seus textos se det&ecirc;m na entrevista com o artista ou na an&aacute;lise formal da obra. Eles dispensam a Chimendes a mesma aten&ccedil;&atilde;o que conferem aos demais artistas, sem buscar proteg&ecirc;-lo ou mobilizar "bons sentimentos" do p&uacute;blico.</p>     <p>Ainda em 1980, j&aacute; com um percurso consolidado, Paulo Chimendes &eacute; alvo das "boas inten&ccedil;&otilde;es" dos jornalistas. Em Zero Hora, ao noticiar uma premia&ccedil;&atilde;o de Chimendes, o redator frisa que essa honraria n&atilde;o subiu &agrave; cabe&ccedil;a do artista, que continua simples e humilde; "a simplicidade, contudo, imediatamente rouba-lhe o m&eacute;rito do feito, para que possa transferi-lo &agrave;s pessoas em geral" (Zero Hora, 1980). O preconceito se estende tamb&eacute;m a exposi&ccedil;&otilde;es que, mesmo que divulguem a obra de Chimendes, o fazem em contexto espec&iacute;fico, como ocorre em Tr&ecirc;s Artistas Negros (1972), considerando express&otilde;es t&atilde;o distintas ent&atilde;o reunidas apenas pelo crit&eacute;rio racial (Chimendes, Maria L&iacute;dia Magliani e J. Altair), uma forma sutil de segrega&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Conforme observa L&uacute;cia Santaella: "Os produtos art&iacute;sticos sempre estiveram e continuam estando sob o poder e para usufruto das classes privilegiadas e opressoras". (Santaella, 1980: 17). Dessa forma, a classe dominante geraria uma cultura dividida. At&eacute; os anos 1980, no Brasil, poucos artistas negros venceram esse bloqueio ideol&oacute;gico e galgaram posi&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o consagrat&oacute;rio.</p>     <p>Paulo Chimendes desenvolvia um trabalho quase sempre &agrave; margem dos espa&ccedil;os legitimadores e buscava alternativas para a veicula&ccedil;&atilde;o de uma t&eacute;cnica pouco trabalhada no mercado de arte (gravura). Ao privilegiar os espa&ccedil;os ditos alternativos, esses mesmos espa&ccedil;os passaram a contar pontos desfavor&aacute;veis no curr&iacute;culo do artista (para o "grande circuito"). Al&eacute;m disso, acostumado a uma Porto Alegre onde existiam colunas di&aacute;rias de arte e amplos espa&ccedil;os para a divulga&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o visual, Paulo Chimendes mantinha todos os seus esfor&ccedil;os na cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, enquanto, cada vez mais, para se inserir nos espa&ccedil;os de divulga&ccedil;&atilde;o mantidos pela imprensa, o artista (ou candidato a artista) necessitava dedicar-se a um efetivo trabalho de promo&ccedil;&atilde;o pessoal, no qual, por vezes, pouco importava a produ&ccedil;&atilde;o, valendo mais as liga&ccedil;&otilde;es influentes que podiam ser estabelecidas.</p>     <p>Por &uacute;ltimo, mas n&atilde;o menos importante, cabe destacar que a reduzida inser&ccedil;&atilde;o no mercado tamb&eacute;m foi consequ&ecirc;ncia, em boa parte, do preconceito do p&uacute;blico comprador em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s obras de arte sobre papel, especialmente gravura. Como menciona Ang&eacute;lica de Moraes no cat&aacute;logo <i>Gravuras &#8211; Compreens&atilde;o e Conserva&ccedil;&atilde;o</i>, desde os pioneiros dessa t&eacute;cnica no pa&iacute;s, no in&iacute;cio do s&eacute;culo, foi cumprida uma longa trajet&oacute;ria para equiparar a gravura &agrave;s demais express&otilde;es art&iacute;sticas. O mercado custou a reagir frente &agrave; enorme e importante produ&ccedil;&atilde;o realizada desde Osvaldo Goeldi e Carlos Oswald, por exemplo, na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX. Mesmo conquistando o pr&ecirc;mio internacional da Bienal de Veneza de 1958, Fayga Ostrower continuou for&ccedil;ada a fazer baixas tiragens (Moraes, 1984: 38). A consagra&ccedil;&atilde;o de Ostrower no exterior, ent&atilde;o n&atilde;o igualada por qualquer outro artista em nenhuma das modalidades de produ&ccedil;&atilde;o visual, n&atilde;o bastou, na &eacute;poca, para despertar o interesse dos <i>marchands</i>.</p>     <p>Paulo Chimendes ainda reside em Porto Alegre, onde trabalha e mant&eacute;m uma expressiva e vigorosa produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. Tendo atuado junto ao grupo local de lit&oacute;grafos MAM, posteriormente integrou a Oficina 11 e hoje &eacute; respons&aacute;vel pela oficina de Litografia do Museu do Trabalho. Realizou, em 2010, uma grande exposi&ccedil;&atilde;o de desenhos no Pa&ccedil;o Municipal de Porto Alegre.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Becker, Howard S. (1977) <i>Uma Teoria da A&ccedil;&atilde;o Coletiva</i>. R.J.: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433179&pid=S1647-6158201400010002700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, Pierre (1982) <i>A Economia das Trocas Simb&oacute;licas</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433181&pid=S1647-6158201400010002700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bulh&otilde;es, Maria Amelia Bulh&otilde;es (2012) <i>Ainda pouco conhecido, Atelier livre completa 50 anos</i> &#91;Consult. 2012-08-26&#93; Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.sul21.com.br/jornal/anda-pouco-conhecido-atelier-livrecompleta-50-anos-de-atividades/" target="_blank">http://www.sul21.com.br/jornal/anda-pouco-conhecido-atelier-livrecompleta-50-anos-de-atividades/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433183&pid=S1647-6158201400010002700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Campuoco, Antonio (1976)  "Paulo Chimendes, na busca de nova figura&ccedil;&atilde;o, procura seu caminho," <i>Correio do Povo</i> 11/06/1976 .    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433184&pid=S1647-6158201400010002700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Dan&uacute;bio (1972) <i>Desenho &#8211; Paulo Chimendes.</i> Texto de apresenta&ccedil;&atilde;o, convite de exposi&ccedil;&atilde;o. Galeria Atelier Livre, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433186&pid=S1647-6158201400010002700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Gon&ccedil;alves, Dan&uacute;bio (1976) Texto de apresenta&ccedil;&atilde;o, convite da exposi&ccedil;&atilde;o, Porto Alegre, Sete Povos Galeria de ArteDEE/RS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433188&pid=S1647-6158201400010002700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Moraes, Ang&eacute;lica (1984) Gravuras &#8211; Compreens&atilde;o e Conserva&ccedil;&atilde;o. Cat&aacute;logo, Cambona Centro de Arte. P. A.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433190&pid=S1647-6158201400010002700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Moraes, Ang&eacute;lica e Salvatori, Maristela (1984) <i>Paulo Chimendes. Monografia realizada em curso de especializa&ccedil;&atilde;o.</i> PUCRS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433192&pid=S1647-6158201400010002700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Presser, D&eacute;cio (1976) <i>Folha da tarde</i>, 11/06/1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433194&pid=S1647-6158201400010002700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santaella, L&uacute;cia (1980) <i>(arte) & (cultura) Equ&iacute;vocos do Elitismo.</i> S.P.: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433196&pid=S1647-6158201400010002700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><i>Zero Hora</i> (1980) 2&ordm; caderno, Roteiro, 04/12/1980, p&aacute;gina 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433198&pid=S1647-6158201400010002700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>Zero Hora</i> (1972) "Paulinho no atelier livre," 25/05/1972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433200&pid=S1647-6158201400010002700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Agradecimento/apoio: Pr&oacute;-Reitoria de Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul &#8211; PROPESQ/UFRGS (Programa de Fomento &agrave; Pesquisa) e Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul &#8211; FAPERGS (Aux&iacute;lios &agrave; Participa&ccedil;&atilde;o Individual em Eventos Cient&iacute;ficos &#8211; APE).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo enviado a 20 de janeiro e aprovado a 31 de janeiro 2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:maris@ufrgs.br">maris@ufrgs.br</a> (Maristela Salvatori)</p>      ]]></body><back>
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