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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Paisagem e espaço: elucubrações sobre o sagrado e o sublime]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The paper develops a reflection about the concept of the sacred and the sublime through metaphorical relationships associated with the landscape and the space from the paradigmatic work of Brazilian artist Marcelo Moscheta (1976).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Paisagem e espa&ccedil;o: elucubra&ccedil;&otilde;es sobre o sagrado e o sublime</b></p>     <p><b>Landscape and space: reflections about the sacred and the sublime</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Paula Cristina Somenzari Almozara&#42;</b></p>     <p>&#42;Brasil, Artista visual, professora e pesquisadora da Faculdade de Artes Visuais da Pontif&iacute;cia universidade Cat&oacute;lica de Campinas, Brasil. Doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o, na &Aacute;rea de Educa&ccedil;&atilde;o, Conhecimento, Linguagem e Arte, unicamp. Mestrado em Artes, unicamp, 1997. Licenciatura e bacharelado em Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica com Habilita&ccedil;&atilde;o em Artes Pl&aacute;sticas, unicamp.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Campinas. Rodovia D. Pedro I, km 136, Parque das Universidades, Campinas &#8211; SP. CEP: 13086-900, Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br></b> </p>     <p>O artigo realiza uma reflex&atilde;o sobre as quest&otilde;es do sagrado e sublime a partir de rela&ccedil;&otilde;es metaf&oacute;ricas associadas &agrave; paisagem e ao espa&ccedil;o, por meio da paradigm&aacute;tica obra do artista brasileiro Marcelo Moscheta (1976). </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Paisagem / espa&ccedil;o / sagrado / sublime / Marcelo Moscheta.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>    <p>&nbsp;</p>    <p><b>ABSTRACT</b>    <br> </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>The paper develops a reflection about the concept of the sacred and the sublime through metaphorical relationships associated with the landscape and the space from the paradigmatic work of Brazilian artist Marcelo Moscheta (1976). </p>      <p><b>Keywords:</b> Landscape / space / sacred / sublime / Marcelo Moscheta.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Pensar a paisagem como um "constructo", como afirma Maderuelo (2006: 17), implica em considerar que aquilo que determinamos hoje como quest&otilde;es eminentemente paisag&iacute;sticas est&atilde;o ligadas a diversas outras possibilidades culturais, sociais, est&eacute;ticas e antropol&oacute;gicas e, em &eacute;pocas mais remotas, a "uma primitividade da paisagem" que "precede toda uma institui&ccedil;&atilde;o" e na "qual estamos no quadro de uma experi&ecirc;ncia muda, &#39;selvagem&#39;" (Besse, 2006: 80), uma express&atilde;o da espiritualidade primitiva associada &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas e &agrave;s imanentes entre homem e natureza (Armstrong, 2005).</p>     <p>N&atilde;o se pretende, no entanto, imprimir a ideia de paisagem como sin&ocirc;nimo restrito de natureza ou mesmo de espa&ccedil;o, mas determinar a possibilidade de liga&ccedil;&otilde;es metaf&oacute;ricas que abarcam situa&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas concentradas <i>no</i> e <i>pelo</i> constructo "paisagem", tomando para isso o princ&iacute;pio de alteridade e de manifesta&ccedil;&otilde;es do sagrado e do sublime que permeiam nosso inconsciente coletivo e que s&atilde;o revisitados na arte por estrat&eacute;gias e constru&ccedil;&otilde;es po&eacute;ticas que se valem, n&atilde;o apenas de elementos presentes na natureza, mas que utilizam a ideia de experi&ecirc;ncias de deslocamentos s&iacute;gnicas "como um espa&ccedil;o objetivo de exist&ecirc;ncia" (Besse 2006: 21).</p>     <p>Desse modo, as rela&ccedil;&otilde;es entre paisagem/homem, espa&ccedil;o/experi&ecirc;ncia s&atilde;o mecanismos por meio dos quais h&aacute; condi&ccedil;&otilde;es de se pensar sobre a emana&ccedil;&atilde;o do "sagrado", ou manifesta&ccedil;&atilde;o de um elemento supra real, no qual "Deus" torna-se uma ideia abstrata, impl&iacute;cita, e que pretende determinar uma incessante busca de entendimento da condi&ccedil;&atilde;o de vida humana e de suas idiossincrasias vitais.</p>     <p>Dentro dessa discuss&atilde;o, o "sublime", que se caracteriza como um elemento aparentemente anacr&ocirc;nico, est&aacute; presente de uma forma elementar para ressaltar como certos processos art&iacute;sticos valem-se do deslocamento e do embate com o espa&ccedil;o/lugar como estrat&eacute;gia de cria&ccedil;&atilde;o, colocando o ser humano diante de uma situa&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica especial, capaz de provocar sensa&ccedil;&otilde;es de arrebatamento e finitude, suplantando a premissa de um mundo completamente conhecido, dominado, seguro e delimitado.</p>     <p>Quando observa-se a paradigm&aacute;tica obra do artista brasileiro Marcelo Moscheta (1976) tem-se, nos detalhes, uma exata medida das conex&otilde;es significativas imbricadas entre paisagem e ser, espa&ccedil;o e devir e as estrat&eacute;gias po&eacute;ticas criadas. Essas que operam por meio de refer&ecirc;ncias nas quais elementos da paisagem natural s&atilde;o constantemente explorados, segundo o pr&oacute;prio artista, como forma de "medir" a si mesmo "em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; paisagem, na escala das coisas" (Moscheta, 2013: 88) Moscheta &eacute; um viajante incans&aacute;vel, seu trabalho visa ao processo de cria&ccedil;&atilde;o diante da possibilidade de transformar o mundo (ou uma vis&atilde;o de mundo) por meio da reordena&ccedil;&atilde;o das coisas vistas. Aqui, a ideia do sagrado apoia-se em um processo de sacraliza&ccedil;&atilde;o &#8211; impelido pela reordena&ccedil;&atilde;o &#8211; na qual objetos aparentemente banais s&atilde;o transmutados em contentores mnem&ocirc;nicos. O artista explora ainda a grandiosidade dos espa&ccedil;os percorridos, evocando a insignific&acirc;ncia do ser humano perante a paisagem e o arrebatamento diante do desconhecido como pot&ecirc;ncias expressivas que impelem a uma rela&ccedil;&atilde;o imanente entre espa&ccedil;o e homem.</p>     <p>Trata-se de um esfor&ccedil;o de observa&ccedil;&atilde;o subjetiva e emp&iacute;rica do lugar, que determina uma tentativa de pertencimento e que &eacute;, em um primeiro momento visualmente marcada, no trabalho do artista, por uma situa&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&atilde;o, na qual processos eminentemente cient&iacute;ficos, como anota&ccedil;&otilde;es de coordenadas, recolha de esp&eacute;cimes, inscri&ccedil;&otilde;es e relatos em cadernos/di&aacute;rios, s&atilde;o convertidos em processos de media&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica &#8211; em uma luta silenciosa, interna e articulada &#8211; entre emo&ccedil;&atilde;o e raz&atilde;o. Essa impress&atilde;o &eacute; sustentada pelo modo como Moscheta sutilmente se vale das hist&oacute;rias dos lugares em que ele se encontra e de formas simb&oacute;licas associados a elementos como as nuvens, as montanhas, as &aacute;rvores, as pedras, e que s&atilde;o igualmente formas primitivas conectadas a uma express&atilde;o material que aspira ao sagrado.</p>     <p>Suas obras realizadas em resid&ecirc;ncias art&iacute;sticas e <i>sites specifics</i> ressaltam, como afirma o artista (e como &eacute; observado de modo geral em sua obra), a "fun&ccedil;&atilde;o das ambiguidades da qual somos formados, terra e para&iacute;so, o bem e o mal" em um espa&ccedil;o que estabelece "o di&aacute;logo profundo entre o motivo e o <i>locus</i>" (Moscheta, 2014).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pode-se considerar nesse caso a exist&ecirc;ncia de estrat&eacute;gias po&eacute;ticas que determinam uma situa&ccedil;&atilde;o na qual "o espa&ccedil;o &eacute; um h&iacute;brido de forma e conte&uacute;do" (Santos, 2012: 24):</p>     <blockquote><i>visto em sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, como forma-conte&uacute;do, isto &eacute;, como uma forma que n&atilde;o tem exist&ecirc;ncia emp&iacute;rica e filos&oacute;fica se a considerarmos separadamente do conte&uacute;do, e um conte&uacute;do que n&atilde;o poderia existir sem a forma que o abrigou</i> (Santos, 2012: 24). </blockquote></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Contra.C&eacute;u</i> (<a href="#f1">Figura 1</a>), <i>site specific</i> realizado em 2010 na Capela do Morumbi na cidade de S&atilde;o Paulo (Brasil) revela como esse di&aacute;logo "entre o motivo e locus" &eacute; entendido pelo artista. Neste trabalho, a predomin&acirc;ncia de um dos elementos mais caros ao artista, o desenho de nuvens, estabelece a ideia fundamental de representa&ccedil;&atilde;o da transitoriedade e da irrefre&aacute;vel passagem do tempo a qual o ser humano &eacute; submetido, revelando por conseguinte sua pequenez diante do que, possivelmente, seria a pr&oacute;pria descoberta de sua humanidade no embate com elementos da natureza.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a05f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>O desenho feito em grafite sobre chapa de PVC, aparentemente fr&aacute;gil e ef&ecirc;mero (<a href="#f2">Figura 2</a>), concentra em sua materialidade e na forma escolhida, algo essencial, uma epifania &#8211; como constantemente ressalta o artista &#8211; e provocada, antes de mais nada, pela experi&ecirc;ncia de proximidade das coisas, pois a composi&ccedil;&atilde;o desvela em sua estrutura (<a href="#f2">Figura 2</a>, <a href="#f3">Figura 3</a>) a tens&atilde;o entre duplos, n&atilde;o apenas conceituais, mas materiais. O desenho colocado na parte superior da estrutura e constru&iacute;do por um laborioso e paciente processo manual converte-se em um reflexo visualizado por meio do metal polido, s&oacute;lido e perene, colocado em &acirc;ngulo e, assim, criando um simulacro da imagem original que paira sobre a cabe&ccedil;a do observador. Embora perfeita, a imagem projetada &eacute; t&atilde;o somente um reflexo por si imaterial, intoc&aacute;vel, inconspurc&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a05f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a05f3.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Deliberadamente, o artista "oferece" sua obra ao espa&ccedil;o do sagrado e ao da comunh&atilde;o: o altar principal da antiga capela. Aqui "a paisagem &eacute; o espa&ccedil;o do sentir, ou seja, o foco original de todo o encontro com o mundo" (Besse, 2006: 80).</p>     <p>Marcelo Moscheta, em sua trajet&oacute;ria, determina, de modo contundente sua voca&ccedil;&atilde;o como artista-viajante. Seu interesse pelas grandes expedi&ccedil;&otilde;es do passado parece convergir para quest&otilde;es vitais sobre os limites poss&iacute;veis e imposs&iacute;veis ao ser humano diante do desconhecido. O artista expressa visualmente tais inquieta&ccedil;&otilde;es, que s&atilde;o por si problemas existenciais, no esfor&ccedil;o de entender o desejo humano pelo enfrentamento de uma natureza avassaladora, procurando uma aproxima&ccedil;&atilde;o com a ideia de sublime, como for&ccedil;a extrema e transcendente diante do incomensur&aacute;vel.</p>     <p>Nesse contexto, Moscheta participa em 2011 do programa anual "The Arctic Circle" e empreende uma viagem ao Arquip&eacute;lago de Svalbard no Polo Norte. Tal experi&ecirc;ncia &eacute; narrada em um di&aacute;rio de bordo que se transforma depois em livro e em exposi&ccedil;&atilde;o (<a href="#f4">Figura 4</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a05f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <blockquote><i>Troco o conforto do meu ateli&ecirc;, em Campinas, pela dificuldade de estar longe do que &eacute; control&aacute;vel. L&aacute;, na paisagem, n&atilde;o detenho controle do tempo e do espa&ccedil;o e deixo-me, assim, aberto &agrave; experi&ecirc;ncia do maravilhamento com o entorno, para o encontro com a ess&ecirc;ncia do lugar</i> (Moscheta, 2013: 9).</blockquote></p>     <p>Essa situa&ccedil;&atilde;o extrema provocou em sua narrativa de di&aacute;rio de bordo a constante men&ccedil;&atilde;o as sensa&ccedil;&otilde;es de avassalamento, de amplia&ccedil;&atilde;o da percep&ccedil;&atilde;o pelo sil&ecirc;ncio profundo, pela transfigura&ccedil;&atilde;o das cores e dos reflexos causados por uma luminosidade abissal, "o espanto da alma" que "come&ccedil;ou com o vento congelante no rosto" (Moscheta, 2013: 9), ali o artista-viajante transformou-se em um "disc&iacute;pulo tardio" dos corajosos desbravadores do passado (<a href="#f5">Figura 5</a>). Em sua estrat&eacute;gia de constru&ccedil;&atilde;o po&eacute;tica, Moscheta meticulosamente estudou toda a hist&oacute;ria (<a href="#f6">Figura 6</a>, <a href="#f7">Figura 7</a>) do lugar refazendo e percebendo os "m&eacute;todos explorat&oacute;rios conectando presente e passado" (Moscheta, 2013: 16).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f5"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a05f5.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f6"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a05f6.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f7"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a05f7.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es implicadas no uso que o artista faz de refer&ecirc;ncias e at&eacute; de procedimentos cient&iacute;ficos dialoga habilmente com aspectos subjetivos. O artista se debru&ccedil;a sobre o modo como a cultura cient&iacute;fica pode ser manipulada, para eliminar uma objetividade racional e ascender ao plano emocional.</p>     <p>Talvez o trabalho mais emblem&aacute;tico apresentado a partir da experi&ecirc;ncia de viagem ao Circulo Polar &Aacute;rtico seja o conjunto "&agrave; Deriva".</p>     <p>O artista elege um elemento da paisagem para que este seja uma esp&eacute;cie de contentor de mem&oacute;rias, assim, o processo &eacute; estabelecido a partir de fotos de icebergs.</p>     <p>Moscheta acaba por determinar um caminho que o leva &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o de um conjunto tridimensional, pautado por uma laboriosa modelagem das imagens dos icebergs em esculturas de isopor&reg; (esferovite) que s&atilde;o segmentadas em uma esp&eacute;cie de escaneamento topogr&aacute;fico manual e reconstru&iacute;das finalmente em acr&iacute;lico, luz e ferro (<a href="#f4">Figura 4</a>, <a href="#f8">Figura 8</a>).</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f8"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a05f8.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escolha dos icebergs revela n&atilde;o apenas seu contato com essas forma&ccedil;&otilde;es, mas uma quest&atilde;o importante dentro da po&eacute;tica do artista: a elei&ccedil;&atilde;o de um elemento que por ess&ecirc;ncia &eacute; potencialmente simb&oacute;lico.</p>     <p>O elemento escolhido revela-se, pois, conectado &agrave; ideia de sacraliza&ccedil;&atilde;o, ou seja um "objeto" que &eacute; retirado de seu contexto ordin&aacute;rio e al&ccedil;ado de modo representativo a uma nova categoria que lhe confere possibilidades de digress&otilde;es metaf&oacute;ricas, para n&atilde;o dizer m&iacute;ticas.</p>     <p>Assim, o significado do conjunto &eacute; um detonador de conceitos em torno da pr&oacute;pria constitui&ccedil;&atilde;o formal do iceberg como um elemento dual, composto, por uma "pequena" parte vis&iacute;vel na superf&iacute;cie e uma grande parte submersa, desconhecida, invis&iacute;vel.</p>     <p>Na materialidade desses trabalhos, o artista determina, enfim, o v&iacute;nculo entre o que est&aacute; na superf&iacute;cie &#8211; o que &eacute; consciente, o que &eacute; tang&iacute;vel &#8211; e o que est&aacute; na profundidade inalcan&ccedil;&aacute;vel, no inconsciente, na imagina&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A experi&ecirc;ncia paisag&iacute;stica, nesse caso, &eacute; uma experi&ecirc;ncia que transcende a ordem do racional, na qual "o ser humano pode se apoderar das rela&ccedil;&otilde;es secretas que o unem ao cosmo, e sentir sua exist&ecirc;ncia, por assim dizer, justificada" (Besse, 2006: 28)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>As elucubra&ccedil;&otilde;es sobre o sagrado e o sublime a partir de rela&ccedil;&otilde;es metaf&oacute;ricas ligadas &agrave; paisagem e ao espa&ccedil;o na obra do artista Marcelo Moscheta podem muito bem servir-se da m&aacute;xima, atribu&iacute;da a Aby Warburg, na qual "Deus est&aacute; no detalhes" e cuja a vontade &eacute; exprimir o inexprim&iacute;vel, uma vez que: </p>     <p><i>    <blockquote>a paisagem significa participa&ccedil;&atilde;o mais que distanciamento, proximidade mais que eleva&ccedil;&atilde;o, opacidade mais que vista panor&acirc;mica</i> &#91;...&#93; <i>n&atilde;o h&aacute; paisagem sem a coexist&ecirc;ncia do aqui e do al&eacute;m, coexist&ecirc;ncia do vis&iacute;vel e do oculto, que define a abertura sens&iacute;vel e situada do mundo</i> (Besse, 2006: 80).</blockquote></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Armstrong, Karen (2005). <i>Breve hist&oacute;ria do mito</i>. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras. ISBN: 85-359-0731-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433777&pid=S1647-6158201400020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Besse, Jean-Marc (2006). <i>Ver a terra: seis ensaios sobre paisagem e geografia</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva. ISBN: 85-273-0755-3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433779&pid=S1647-6158201400020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Maderuelo, Javier (2006). <i>El paisaje, g&eacute;nesis de un concepto</i>. Madrid: Abada Editores. ISBN: 84-96258-56-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433781&pid=S1647-6158201400020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Moscheta, Marcelo (2011). <i>Marcelo Moscheta</i>.  S&atilde;o Paulo: BEI. ISBN: 978-85-7850-067-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433783&pid=S1647-6158201400020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Moscheta, Marcelo (2013). <i>Norte</i>. Rio de Janeiro: &Iacute;m&atilde; Editorial. ISBN: 978-85-64528-53-6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433784&pid=S1647-6158201400020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Moscheta, Marcelo (2014). <i>Marcelo Moscheta.</i> &#91;Consult. 2014/05/07&#93;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.marcelomoscheta.art.br" target="_blank">http://www.marcelomoscheta.art.br</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433785&pid=S1647-6158201400020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Santos, Milton (2012). <i>A natureza do espa&ccedil;o: t&eacute;cnica e tempo, raz&atilde;o e emo&ccedil;&atilde;o.</i> S&atilde;o Paulo: Edusp. ISBN: 978-85-314-0713-0&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1433786&pid=S1647-6158201400020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo submetido a 07 setembro e aprovado a 23 de setembro de 2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name = "c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:almozara@gmail.com">almozara@gmail.com</a></p>      ]]></body><back>
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