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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[A series of paintings about the sky by the author Rui Macedo is the example taken in this article to speak about God in relation to Human kind and creativity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DOSSIER: ARTIGOS ORIGINAIS POR AUTORES CONVIDADOS</b></p>     <p align="right"><b>DOSSIER: INVITED ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Do C&eacute;u aos C&eacute;us: Rui Macedo</b></p>     <p><b>From heaven to heavens: Rui Macedo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Margarida P. Prieto&#42;</b></p>     <p>&#42;Par acad&eacute;mico da Est&uacute;dio. Artista visual e coordenadora da licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas da universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias. Membro do CIEBA.</p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Portugal, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas-Artes, Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos de Belas-Artes. 1249-058 Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b>    <br> </p>     <p>Este artigo incide sobre o trabalho pict&oacute;rico de Rui Macedo, nomeadamente a s&eacute;rie que representa c&eacute;us para, a partir da sua an&aacute;lise, convocar as pr&aacute;ticas criativas de comunica&ccedil;&atilde;o do Homem com o(s) seu(s) Deus(es). </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> pintura / c&eacute;us / ecr&atilde; / Deus.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>A series of paintings about the sky by the author Rui Macedo is the example taken in this article to speak about God in relation to Human kind and creativity.</p>      <p><b>Keywords:</b> painting / sky / screen / God.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A pretexto do tema "Deus" e da sua rela&ccedil;&atilde;o com as artes visuais, nomeadamente com a pintura, apresenta-se um conjunto de obras realizadas por Rui Macedo (&Eacute;vora, 1975) na primeira d&eacute;cada deste s&eacute;culo, cuja tem&aacute;tica &eacute; o c&eacute;u. Do c&eacute;u, como espa&ccedil;o divino, aos c&eacute;us da pintura de paisagens, &eacute; tra&ccedil;ado um caminho, que se quer esclarecedor, sobre a import&acirc;ncia e consequ&ecirc;ncias da rela&ccedil;&atilde;o entre Deus e os Homens.</p>     <p>O artista portugu&ecirc;s Rui Macedo tem forma&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica em Pintura e, frequenta o Doutoramento na mesma &aacute;rea da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Desde 2000 tem realizado exposi&ccedil;&otilde;es em territ&oacute;rio nacional e internacional, dedicando-se em exclusivo &agrave; pintura numa rela&ccedil;&atilde;o de instala&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os de car&aacute;cter museol&oacute;gico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Do c&eacute;u aos c&eacute;us</b></p>     <p>Pensar "Deus" &eacute; evocar a necess&aacute;ria e imprescind&iacute;vel rela&ccedil;&atilde;o que a Humanidade estabelece com o Mundo, na sua origem.</p>     <p>"Deus" &eacute; o incompreens&iacute;vel, o imensur&aacute;vel, o infinitamente long&iacute;nquo e inacess&iacute;vel do Mundo. "Deus" &eacute; a inst&acirc;ncia outra (divina) na qual se projectam os desejos, as ambi&ccedil;&otilde;es e as expectativas. "Deus" &eacute; a express&atilde;o pela qual cada Homem abre a possibilidade de se exceder, ou seja, "Deus" &eacute; o modo como, em cada expectativa, se pode exceder a expectativa.</p>     <p>Neste sentido, e enquanto rela&ccedil;&atilde;o com o Mundo, &eacute; atrav&eacute;s de "Deus" que o Homem se humaniza e civiliza, que progride em direc&ccedil;&atilde;o a um ideal implicado no pr&oacute;prio conceito de Humanidade. O Homem &eacute; mais humano porque existe(m) Deus(es). N&atilde;o se trata, pois, de uma separa&ccedil;&atilde;o efectiva entre Deus e Homem &#8211; justamente, "Deus" &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o humana &#8211; onde se op&otilde;em, entre outras, as cl&aacute;ssicas dicotomias divino/humano, c&eacute;u/terra, religioso/profano. Pelo contr&aacute;rio, "Deus" implica uma converg&ecirc;ncia em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; confian&ccedil;a imprescind&iacute;vel no outro, confian&ccedil;a que tem no seu horizonte, como fundamento e consequ&ecirc;ncia, o tornar-se exemplo de Humanidade, de se exceder para "melhor" no sentido que o termo assume enquanto pot&ecirc;ncia. A palavra "f&eacute;" cont&eacute;m, de resto e na sua origem, esta pot&ecirc;ncia do Homem: ter f&eacute; &eacute; ter confian&ccedil;a no outro (Nancy, 2009: 28), &eacute; acreditar que a Humanidade pode exceder-se (sempre).</p>     <p>Se se tomar, como exemplo, as tr&ecirc;s religi&otilde;es monote&iacute;stas, esta f&eacute; no outro &eacute; expressa, para os judeus, por um Deus que conhece a justa dimens&atilde;o de cada um naquilo que mais profunda e fundamentalmente individua, singulariza e abre &agrave; possibilidade de rela&ccedil;&atilde;o com os outros e o mundo. Para os islamitas, Deus &eacute; Misericordioso, aquele que reconhece a pequenez e fragilidade dos homens e, simultaneamente, lhes d&aacute; a oportunidade de se elevarem e dignificarem. Para os crist&atilde;os, Deus &eacute; express&atilde;o do Amor como aquilo que o outro tem de pr&oacute;prio e absolutamente &uacute;nico, aquilo que o leva a ser amado (Nancy, 2009: 25-26).</p>     <p>Para estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o com Deus, o imagin&aacute;rio humano colocou-o no C&eacute;u. O C&eacute;u &eacute;, pois, um lugar que se assume como o de todos os lugares. &Eacute; um lugar plural, passando a sua terminologia a ser, tamb&eacute;m, plural: os C&eacute;us. E este plural desenvolveu uma imag&eacute;tica pr&oacute;pria, literalmente, hierarquizando a sua representa&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica em planos celestes, separados e justapostos, que relevam do mais elevado dos c&eacute;us. Por outro lado, "os c&eacute;us" &#8211; sublinha-se o plural &#8211; &eacute; uma express&atilde;o empregue para descrever as representa&ccedil;&otilde;es da atmosfera na Pintura. Termo que veio em substitui&ccedil;&atilde;o de outro, mais antigo: "os longes" (por oposi&ccedil;&atilde;o aos "pertos") e que denominou o que se representava no fundo, no &uacute;ltimo plano da composi&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica, aquele, mais afastado do plano primeiro que, por sua vez, seria o mais aproximado, em termos de escala de representa&ccedil;&atilde;o, ao observador e ao real. Esta denomina&ccedil;&atilde;o &eacute; de ordem simb&oacute;lica e mostra como a linguagem persegue o imagin&aacute;rio que irrompe daquele c&eacute;u plural e estratificado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute;, a meu ver, pela observa&ccedil;&atilde;o dos c&eacute;us pintados nas composi&ccedil;&otilde;es de voca&ccedil;&atilde;o paisag&iacute;stica que se torna, paradoxalmente, mais acess&iacute;vel a compreens&atilde;o do conceito de ubiquidade, inerente ao lugar que &eacute; todos os lugares &#8211; porque Deus est&aacute; em toda a parte ao mesmo tempo. As representa&ccedil;&otilde;es do azul sem fundo, das nuvens, das trovoadas, do nascer e do desvanecer da luz oferecida pelos astros, conduzem o olhar em direc&ccedil;&atilde;o ao horizonte pict&oacute;rico &#8211; ficcional por defini&ccedil;&atilde;o e, quase sempre marcado pela linha de terra &#8211;, rumo ao infinitamente distante, &agrave; amplid&atilde;o imensur&aacute;vel. Pela representa&ccedil;&atilde;o destes fen&oacute;menos atmosf&eacute;ricos potencia-se um imagin&aacute;rio que carrega as imagens pintadas com sugest&otilde;es &#8211; sugest&otilde;es da pot&ecirc;ncia que &eacute; esse Deus enquanto natura naturans, quer dizer, como for&ccedil;a que faz nascer e morrer. Precisamente, este termo latino remete para a &eacute;poca em que a Natureza era tida como a espantosa manifesta&ccedil;&atilde;o do poder divino. S&atilde;o os artistas visuais que, por sua vez, garantem visibilidade a este imagin&aacute;rio nascido da observa&ccedil;&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es da natureza (onde se inclui o c&eacute;u), convertendo as imagens mentais em imagens da percep&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do seu fazer pintura. Este fazer &eacute; da ordem da natura naturans, tornando a pintura natura naturata, ou seja, a pintura enquanto coisa feita, factum est, express&atilde;o dessa for&ccedil;a implicada no fazer da obra.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Uma an&aacute;lise sobre as rela&ccedil;&otilde;es arcaicas entre o homem e o C&eacute;u</b> </p>     <p>Em termos simb&oacute;licos, o C&eacute;u &eacute; uma abertura: espa&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o e nomea&ccedil;&atilde;o que p&otilde;e em rela&ccedil;&atilde;o e contacto os Homens e o(s) seus Deus(es). Torna-se ve&iacute;culo das mensagens divinas tendo, como intermedi&aacute;rios, os adivinhos que o olham como uma tela de comunica&ccedil;&atilde;o entre o vis&iacute;vel e o invis&iacute;vel. O c&eacute;u, como espa&ccedil;o m&aacute;gico da adivinha&ccedil;&atilde;o, &eacute; o ecr&atilde; primitivo. &Eacute; espa&ccedil;o de interpreta&ccedil;&atilde;o que deriva de um exame ao vis&iacute;vel e ao real. &Eacute; espa&ccedil;o de nomea&ccedil;&atilde;o, na medida em que confere exist&ecirc;ncia lingu&iacute;stica: as rela&ccedil;&otilde;es mais arcaicas entre imagem e linguagem articulam sempre a palavra com o c&eacute;u. "A linguagem &eacute; um segredo que cont&eacute;m em si, mas &agrave; superf&iacute;cie, as marcas decifr&aacute;veis daquilo que pretende significar. &Eacute; a um tempo revela&ccedil;&atilde;o subterr&acirc;nea e revela&ccedil;&atilde;o que a pouco e pouco se estabelece numa claridade ascendente" (Foucault, 1966:91). O trabalho do adivinho &eacute; observar os acontecimentos do espa&ccedil;o celeste, como o voo dos p&aacute;ssaros e o movimento das estrelas, e interpretar essas manifesta&ccedil;&otilde;es vis&iacute;veis como express&atilde;o do invis&iacute;vel. O estatuto particular dos adivinhos rev&eacute;m do monop&oacute;lio dos c&oacute;digos que permitem decifrar e traduzir as mensagens do plano do invis&iacute;vel para o do vis&iacute;vel. Justamente, o(s) Deus(es) n&atilde;o se expressa(m) num idioma diferente do dos homens; (apenas) recorre(m) a formulas encriptadas, &agrave;s quais s&oacute; os adivinhos acedem como seus (&uacute;nicos) tradutores, a partir de um racioc&iacute;nio por analogia, de onde retiram as suas considera&ccedil;&otilde;es. "Considerar" &eacute; um termo cuja raiz &eacute; comum aos termos "leg&iacute;vel" e "vis&iacute;vel". Deriva do latino "<i>considerare</i>" que se divide em "<i>cum</i>" e "<i>sideris</i>" que, no plural, designa as estrelas em constela&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o celestial.</p>     <p>Contudo, como espa&ccedil;o observ&aacute;vel, o c&eacute;u est&aacute; abandonado pelo(s) deus(es) e, por isso, &eacute; tornado propriedade dos homens, produto do seu olhar e territ&oacute;rio de exerc&iacute;cio (Christin, 1995: 226). Assume-se, assim, como superf&iacute;cie de planifica&ccedil;&atilde;o, plataforma de racioc&iacute;nio: torna-se a base estrutural da astronomia, da geometria e da cartografia, mostrando-se como superf&iacute;cie de inteligibilidade que serve para a compreens&atilde;o do mundo. "C&eacute;u" torna-se um conceito de apropria&ccedil;&atilde;o abstracta do mundo e, tamb&eacute;m, um limite, na medida em que estabelece um v&iacute;nculo com a actividade imaginada que se encontra "para l&aacute;" de si e, nesta passagem (entre planos ou estratifica&ccedil;&otilde;es celestiais), oferece-se como superf&iacute;cie m&aacute;gica e medium para as mudan&ccedil;as ou transforma&ccedil;&otilde;es entre a vida e a morte.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Dos avi&otilde;es de papel sobre c&eacute;us sem fim</b></p>     <p>Na pintura, a transpar&ecirc;ncia infinita do c&eacute;u &eacute; sugerida com a aplica&ccedil;&atilde;o de velaturas de azul (ou azuis). Esta percep&ccedil;&atilde;o (dos v&aacute;rios planos de representa&ccedil;&atilde;o e do vazio que os distingue e separa) acontece porque o sistema de percep&ccedil;&atilde;o humano tem necessidade de atribuir sentido ao que percepciona com base na sua experi&ecirc;ncia vivencial do tempo e do espa&ccedil;o numa rela&ccedil;&atilde;o de afinidade com o real (uma necessidade que &eacute; priorit&aacute;ria). Justamente, em termos cient&iacute;ficos, o azul do c&eacute;u atmosf&eacute;rico &eacute; a reac&ccedil;&atilde;o do sistema visual humano &agrave; luz que &eacute; difractada enquanto passa por um medium transparente ou transl&uacute;cido (como &eacute; o caso da atmosfera). Em vez de ser absorvida, a energia desta luz erradia e choca com as pequenas part&iacute;culas de mat&eacute;ria constituintes da densidade do ar. Assim, o dia &eacute; luminoso porque h&aacute; difra&ccedil;&atilde;o da luz do sol na atmosfera. Sem atmosfera o c&eacute;u seria t&atilde;o escuro como &eacute; na lua. Por isso, a cor azul &eacute; uma consequ&ecirc;ncia directa dos comprimentos de onda mais curtos que s&atilde;o os que mais se espraiam contra as part&iacute;culas de mat&eacute;ria e predominam na luz que nos chega do c&eacute;u, tornando-o celeste (Bruce, 1996: 5).</p>     <p>Os c&eacute;us celestes de Rui Macedo conjugam a representa&ccedil;&atilde;o rigorosa de, por exemplo, miras (<a href="#f1">Figura 1</a>) que, assim convertem a superf&iacute;cie pict&oacute;rica num ecr&atilde; de projec&ccedil;&atilde;o ou fazem do suporte rectangular o enquadramento do dispositivo de visualiza&ccedil;&atilde;o do real remetendo, de imediato, para os instrumentos cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos cuja fun&ccedil;&atilde;o esc&oacute;pica permite o Homem ver melhor: ver mais longe (telesc&oacute;pio), ver mais perto (microsc&oacute;pio), ver mais dentro (estetosc&oacute;pio). Perante estas pinturas, o olhar do observador repete o deslumbre de origem: continua ca(p)tivo pelo espa&ccedil;o celeste considerando-o representa&ccedil;&atilde;o de uma composi&ccedil;&atilde;o criada por Deus. As consequ&ecirc;ncias desta contempla&ccedil;&atilde;o derivam de dois modos distintos: <i>olhar</i> e <i>ver</i>. No idioma portugu&ecirc;s, estes verbos podem ser usados como sin&oacute;nimos mas, em rigor, t&ecirc;m ac&ccedil;&otilde;es diferentes. <i>Olhar</i> &eacute; um observar atento da ordem da contempla&ccedil;&atilde;o onde o exercer do sentido da vis&atilde;o &eacute; est&aacute;tico e procura um prazer est&eacute;tico. <i>Ver</i> &eacute; usar o sistema visual para compreender o vis&iacute;vel que se estabelece como real, implica transitividade na medida em que retira conclus&otilde;es da coisa observada: <i>ver</i> &eacute; uma modalidade que participa num racioc&iacute;nio, enquanto <i>olhar</i> &eacute; uma procura que deseja o belo. Se o trabalho do pintor concilia estas duas modalidades ent&atilde;o o trabalho do observador &eacute; exercit&aacute;-las perante o objecto pict&oacute;rico.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a21f1.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Tamb&eacute;m as janelas abertas (<a href="#f2">Figura 2</a>) se disponibilizam como passagens onde o espa&ccedil;o celeste se oferece como superf&iacute;cie m&aacute;gica e <i>medium</i> para as mudan&ccedil;as ou transforma&ccedil;&otilde;es entre a vida e a morte. Este c&eacute;u pintado equaciona o vis&iacute;vel pr&oacute;prio e imprescind&iacute;vel da pintura com o invis&iacute;vel dos conceitos da matem&aacute;tica e da geometria, e demonstra como a criatividade humana se potencia e estimula pela observa&ccedil;&atilde;o directa do espa&ccedil;o celeste. Precisamente porque o vis&iacute;vel se pode definir como o que remete para o modo (geral e espectacular) do aparecer. O vis&iacute;vel &eacute; revela&ccedil;&atilde;o; e a sua efic&aacute;cia est&aacute; garantida pela capacidade de atrac&ccedil;&atilde;o, no efeito de enigma suscitado pela novidade pura.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a21f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Habitado por origamis (<a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>), o c&eacute;u de Rui Macedo, alude ao sonho ancestral imortalizado no mito de &Iacute;caro: o desejo de voar. Na composi&ccedil;&atilde;o, os avi&otilde;es de papel est&atilde;o representados a v&aacute;rias escalas para iludir o seu voo em profundidade, em direc&ccedil;&atilde;o ao infinitamente distante. O seu desenho mostra o rigor da linha recta (representa&ccedil;&atilde;o do vinco) e os tri&acirc;ngulos transformam a superf&iacute;cie lisa e plana da folha em objecto tridimensional e aerodin&acirc;mica. Neste movimento construtivo &#8211; que &eacute; um jogo de inf&acirc;ncia &#8211;, a geometria emerge e mergulha na profundidade atmosf&eacute;rica, devolvendo a(os) Deus(es) o que nos ofereceram, num atributo agradecido. O c&eacute;u &eacute; o lugar do voo e, nesse voo, o Homem excede as suas capacidades naturais: ultrapassa-se e expande em direc&ccedil;&atilde;o ao infinitamente azul.</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a21f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="/img/revistas/est/v5n10/5n10a21f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Bruce, Vicky, Green, Patrick R., Georgeson, Mark A. (1996), <i>Visual Perception: Physiology, Psychology, and Ecology</i>. U.K.: Psychology Press(3&ordf; ed.), p. 5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1435169&pid=S1647-6158201400020002100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Christin, Anne-Marie, (1995, 1&ordm; ed.), <i>L&#39;image &eacute;crite ou la d&eacute;raison graphique</i>. Paris: Editions Flammarion, col. Id&eacute;es et Recherche.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1435171&pid=S1647-6158201400020002100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nancy, Jean-Luc (2009), <i>Dieu, La justice, L&#39;amour, La beut&eacute;: Quatre petites conference</i>. Montrouge: Bayard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1435173&pid=S1647-6158201400020002100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, Michel, (1&ordf; ed., 1966), <i>As palavras e as coisas. Uma Arqueologia da Ci&ecirc;ncias Humanas</i>, trad. Ant&oacute;nio Ramos Rosa. Lisboa: ed. 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1435175&pid=S1647-6158201400020002100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artigo completo recebido a 7 de setembro e aprovado a 23 de setembro de 2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name = "c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:emam.margaridaprieto@gmail.com">emam.margaridaprieto@gmail.com</a></p>      ]]></body><back>
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