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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Revolução das Flores: uma introdução ao Grupo do Ano 24 na vanguarda do sh&#333;jo manga]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The Year 24 Group is a historic set of authors who revolutionized sh&#333;jo manga (Japanese girls&#8217; comics) in the 70s. By delving into four representative works -&#8221;Heart of Thomas,&#8221; &#8220;Poem of the Wind and the Trees,&#8221; &#8220;Rose of Versailles&#8221; and &#8220;From Eroica With Love&#8221; -, this paper introduces some thematic and visual cues that marked their ethical and aesthetic agenda, one dominated by identity and gender politics.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Revolu&ccedil;&atilde;o das Flores: uma introdu&ccedil;&atilde;o ao Grupo do Ano 24 na vanguarda do <i>sh&#333;jo manga</i> </b></p>     <p><b>Flowers&rsquo; Revolution: an introduction to the Year 24 Group in the vanguard of <i>sh&#333;jo manga</i> </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Matilde Diogo de Sousa&#42; </b></p>     <p>&#42;Artista visual. Licenciada em Artes Pl&aacute;sticas &mdash; Pintura na Faculdade na Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL). Mestrado em Pintura (FBAUL). </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa; Faculdade de Belas-Artes; Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos em Belas-Artes (CIEBA). Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058 Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>O Grupo do Ano 24 &eacute; um conjunto hist&oacute;rico de autoras que revolucionaram o sh&#333;jo manga (BD japonesa para raparigas) na d&eacute;cada de 70. Partindo de quatro obras representativas &mdash; &ldquo;Cora&ccedil;&atilde;o de Tom&aacute;s&rdquo;, &ldquo;Poema do Vento e das &Aacute;rvores&rdquo;, &ldquo;Rosa de Versailles&rdquo; e &ldquo;De Eroica Com Amor&rdquo; &mdash;, introduzem-se algumas quest&otilde;es tem&aacute;ticas e visuais que marcaram a sua agenda &eacute;tica e est&eacute;tica, dominada pela pol&iacute;tica identit&aacute;ria. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> banda desenhada / Grupo do Ano 24 / Jap&atilde;o / g&eacute;nero / sh&#333;jo manga. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT: </b></p>     <p>The Year 24 Group is a historic set of authors who revolutionized sh&#333;jo manga (Japanese girls&rsquo; comics) in the 70s. By delving into four representative works &mdash;&rdquo;Heart of Thomas,&rdquo; &ldquo;Poem of the Wind and the Trees,&rdquo; &ldquo;Rose of Versailles&rdquo; and &ldquo;From Eroica With Love&rdquo; &mdash;, this paper introduces some thematic and visual cues that marked their ethical and aesthetic agenda, one dominated by identity and gender politics. </p>     <p><b>Keywords:</b> comics / Year 24 Group / Japan / gender / sh&#333;jo manga. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos anos 70 do s&eacute;culo XX, uma revolu&ccedil;&atilde;o tomou de assalto o <i>sh&#333;jo manga</i> &mdash; banda desenhada japonesa para raparigas &mdash;, elevando-o da posi&ccedil;&atilde;o marginal que at&eacute; ent&atilde;o ocupara para a vanguarda da cultura popular nip&oacute;nica. No olho da tempestade, esteve um conjunto nebuloso de autoras na casa dos 20 anos que, juntas, ficaram conhecidas como <i>Nij&#363;yo-nen Gumi</i>, ou Grupo do Ano 24 (GA24). Neste artigo, proponho uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; sua obra revolucion&aacute;ria, mas ainda largamente desconhecida do p&uacute;blico ocidental. </p>     <p>De modo a cobrir quer as inova&ccedil;&otilde;es narrativas e visuais, quer a diversidade interna do GA24, focar-me-ei em quatro obras fundamentais de quatro das suas autoras mais representativas. No primeiro cap&iacute;tulo, abordarei <i>T&#333;ma no shinz&#333;</i> (&ldquo;Cora&ccedil;&atilde;o de Tom&aacute;s&rdquo;, 1974-75), de Moto Hagio, e <i>Kaze to ki no uta</i> (&ldquo;Poema do Vento e das &Aacute;rvores&rdquo;, 1976-84), de Keiko Takemiya. No segundo, <i>Berusaiyu no bara</i> (&ldquo;Rosa de Versailles&rdquo;, 1972) de Riyoko Ikeda, e <i>Eroica yori ai o komete</i> (&ldquo;De Eroica Com Amor&rdquo;, 1976 &mdash; presente) de Yasuko Aoike . </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Amor de rapazes com cora&ccedil;&otilde;es de rapariga</b></p>     <p>&ldquo;Cora&ccedil;&atilde;o de Tom&aacute;s&rdquo; (CT) e &ldquo;Poema do Vento e das &Aacute;rvores&rdquo; (PVA) s&atilde;o obras &ldquo;g&eacute;meas&rdquo; que estabeleceram algumas das caracter&iacute;sticas mais ic&oacute;nicas e inovadoras do GA24 (<a href="#f1">Figura 1</a>). Ambas contam hist&oacute;rias tr&aacute;gicas de amor entre rapazes &mdash; Eric e Julie na primeira, Gilbert e Serge na segunda &mdash;, passados em col&eacute;gios cat&oacute;licos na Europa (Alemanha e Fran&ccedil;a) em finais do s&eacute;culo XIX, abordando temas melindrosos como o suic&iacute;dio, o abuso sexual, o racismo e a pedofilia (<a href="#f2">Figura 2</a>). Colegas de quarto em T&oacute;quio, Hagio e Takemiya partilhavam interesses que se revelaram determinantes na cria&ccedil;&atilde;o destas obras: por um lado, a vontade de construir narrativas complexas e psicol&oacute;gicas com temas arrojados, influenciadas por <i>bildungsroman</i> como <i>Damien</i> de Hermann Hesse (Shamoon, 2012: 105); por outro, o fasc&iacute;nio com hist&oacute;rias de amor entre rapazes, fomentado por filmes europeus como <i>Les Amiti&eacute;s Particuli&egrave;res</i> (Thorn, 2012: 520). Este &uacute;ltimo culminou na introdu&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero <i>sh&#333;nen-ai</i> (&ldquo;amor de rapazes&rdquo;) na banda desenhada por Hagio e Takemiya &mdash; do qual CT e PVA s&atilde;o considerados obras-primas &mdash;, bem como da figura sexualmente amb&iacute;gua do <i>bish&#333;nen</i>, ou &ldquo;rapaz belo&rdquo;. </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>A homossexualidade masculina e os bish&#333;nen s&atilde;o, ainda hoje, motivos prevalentes no <i>sh&#333;jo manga</i> que suscitam perplexidade. Contudo, o <i>sh&#333;nen-ai</i> &eacute; uma tor&ccedil;&atilde;o, mais do que uma ruptura, na tradi&ccedil;&atilde;o da cultura <i>sh&#333;jo</i> da primeira metade do s&eacute;culo XX, caracterizada pela &ldquo;classe S&rdquo; ou &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es S&rdquo; (Shamoon, 2012: 105-111). A rela&ccedil;&atilde;o S define um tipo de &ldquo;amizade apaixonada&rdquo; entre raparigas, assente no discurso do amor espiritual (<i>re n&rsquo;a i</i> ) t&iacute;pico da literatura da Era Meiji, canalizado para rela&ccedil;&otilde;es homossociais arrebatadas mas sexualmente inocentes (Shamoon, 2012: 11, 29). O mundo privado e protegido das rela&ccedil;&otilde;es S permitia &agrave;s adolescentes expressarem os seus desejos em moldes imposs&iacute;veis nas rela&ccedil;&otilde;es heterossexuais, envoltas em tabu e controladas pelos homens (Shamoon, 2012: 11). O romance <i>Otome no minato</i> (&ldquo;O Porto das Raparigas&rdquo;, 1937-38) e a banda desenhada <i>Sakura namiki</i> (&ldquo;As Filas de Cerejeiras&rdquo;, 1957) s&atilde;o exemplos emblem&aacute;ticos de classe S, narrando tri&acirc;ngulos amorosos entre estudantes de col&eacute;gios para raparigas (Shamoon, 2012: 38-45, 93) (<a href="#f3">Figura 3</a>). &Eacute; j&aacute; na d&eacute;cada de 70, com o GA24, que as &ldquo;amizades apaixonadas&rdquo; entre rapazes se tornam mais populares na cultura <i>sh&#333;jo</i> (Shamoon, 2012: 104). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Indissoci&aacute;vel do <i>sh&#333;nen-ai</i> &eacute; o emergir do <i>bish&#333;nen</i> no <i>sh&#333;jo manga</i>, um termo utilizado para designar rapazes adolescentes com tra&ccedil;os andr&oacute;ginos ou &ldquo;femininos&rdquo;, esbeltos e depilados, com olhos grandes e expressivos e, frequentemente, cabelo comprido (Tvtropes, s.d.). Porque a percentagem de feminilidade varia entre <i>bish&#333;nen</i>, o factor decisivo &eacute; a sua beleza comp&oacute;sita, combinando componentes masculinos e femininos de uma forma que sublinha &ldquo;a artificialidade da pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero ao justapor estere&oacute;tipos sexuais que representam a androgenia atrav&eacute;s de m&uacute;ltiplas varia&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Antononoka, 2011: 3). No contexto do <i>sh&#333;nen-ai</i>, a ambiguidade sexual dos <i>bish&#333;nen</i> &mdash; &ldquo;corpos masculinos com cora&ccedil;&otilde;es de raparigas&rdquo; (Antononoka, 2011: 2) &mdash; permitiu a autoras como Hagio e Takemiya explorarem quest&otilde;es ligadas &agrave; sexualidade e ansiedades femininas de uma forma renovada, que a convencional classe S n&atilde;o lhes possibilitava (Shamoon, 2007: 7) (<a href="#f4">Figura 4</a>). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Em termos formais, Hagio e Takemiya desenvolveram a visualidade h&aacute;ptica caracter&iacute;stica do GA24 a partir das conven&ccedil;&otilde;es estil&iacute;sticas da cultura <i>sh&#333;jo</i>, combinando uma qualidade caligr&aacute;fica e serpenteante do tra&ccedil;o com efeitos atmosf&eacute;ricos, s&iacute;mbolos e met&aacute;foras visuais. Neste report&oacute;rio &mdash; que inclui elementos figurativos, como flores, e abstractos e atmosf&eacute;ricos, como brilhos cruciformes, bolhas e efeitos pontilhistas e tra&ccedil;o interrompido &mdash;, os ornamentos n&atilde;o t&ecirc;m um significado fixo e inequ&iacute;voco. Pelo contr&aacute;rio, surgem afixados a emo&ccedil;&otilde;es ou sentimentos complexos, n&atilde;o necessariamente verbaliz&aacute;veis, assumindo val&ecirc;ncias emocionais localizadas atrav&eacute;s de um seu uso &ldquo;ac&uacute;stico&rdquo; e estrutural: provocando, atrav&eacute;s da complexidade e densidade da ornamenta&ccedil;&atilde;o, varia&ccedil;&otilde;es na distribui&ccedil;&atilde;o das imagens que afectam a percep&ccedil;&atilde;o do tempo e tom dieg&eacute;tico; e produzindo sentido face &agrave; posi&ccedil;&atilde;o que ocupam na topografia da p&aacute;gina (<a href="#f5">Figura 5</a>). Como um &ldquo;sism&oacute;grafo&rdquo; emocional, esta estrat&eacute;gia adequa-se ao g&eacute;nero do <i>bildungsroman</i> enquanto narrativa focada na evolu&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica e moral dos protagonistas. (Sousa &amp; Tom&eacute;, 2013) </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f5"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f5.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Esta visualidade h&aacute;ptica manifesta-se, igualmente, na ruptura com a grelha em que a p&aacute;gina se abre a espa&ccedil;os n&oacute;madas de deambula&ccedil;&atilde;o sensorial. Por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ortogonalidade das vinhetas, o espa&ccedil;o h&aacute;ptico privilegia a multiplicidade e o encadeamento (mais do que entrecruzamento) de elementos heterog&eacute;neos. Em CT e PVA, este espa&ccedil;o &eacute; conseguido atrav&eacute;s da simultaneidade e contiguidade de personagens, recorrendo a desdobramentos do espa&ccedil;o-tempo e cenas e figuras &ldquo;abertas&rdquo; ou fragmentadas, fundidas entre si numa din&acirc;mica de multicamadas em que presente, mem&oacute;rias e tempo m&iacute;tico se sobrep&otilde;em (<a href="#f6">Figura 6</a>). Estes espa&ccedil;os podem circunscrever-se a uma ou duas vinhetas ou abarcar toda a p&aacute;gina, ressurgindo com maior e menor intensidade e atingindo o seu potencial dram&aacute;tico na articula&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca e constante com a regularidade das vinhetas ortogonais, jogada na economia geral das obras. O h&aacute;ptico, enquanto qualidade pl&aacute;stica, torna-se assim sin&oacute;nimo de situa&ccedil;&otilde;es particularmente investidas de afecto (momentos de conflito emocional ou autodescoberta), ligadas diacronicamente ao longo da narrativa (<a href="#f7">Figura 7</a>). (Sousa &amp; Tom&eacute;, 2013) </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f6"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f6.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f7"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f7.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. De Versailles a James Bond </b></p>     <p>Se CT e PVA introduziram inova&ccedil;&otilde;es narrativas e visuais que marcaram definitivamente o <i>sh&#333;jo manga</i>, &eacute; importante refor&ccedil;ar que estas caracter&iacute;sticas se exteriorizam de modos diversos dentro do GA24. Outros cl&aacute;ssicos do g&eacute;nero, como &ldquo;Rosa de Versailles&rdquo; e &ldquo;De Eroica Com Amor&rdquo; (DECA) ilustram como Riyoko Ikeda e Yasuko Aoike (respectivamente) oferecem solu&ccedil;&otilde;es diferentes para preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas e est&eacute;ticas semelhantes. </p>     <p>No drama hist&oacute;rico &ldquo;Rosa de Versailles&rdquo; (RV), a rela&ccedil;&atilde;o S assume, paradoxalmente, uma manifesta&ccedil;&atilde;o heterossexual. Sucesso estrondoso desde o in&iacute;cio da seria&ccedil;&atilde;o em 1972, RV conta a hist&oacute;ria de Oscar Jarjayes, uma jovem mulher educada como um rapaz pelo pai, que se veste e comporta como um homem. L&iacute;der natural e espadachim ex&iacute;mia, Oscar torna-se comandante da Guarda Imperial de Maria Antonieta, mas acaba por renunciar ao seu estatuto aristocr&aacute;tico para abra&ccedil;ar os ideais da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa, morrendo durante a Tomada da Bastilha (<a href="#f8">Figura 8</a>). RV introduziu uma dimens&atilde;o pol&iacute;tica sem precedentes no <i>sh&#333;jo manga</i> &mdash; Ikeda pertencia ao Partido Comunista Japon&ecirc;s e, como o resto do GA24, crescera durante o pico da contesta&ccedil;&atilde;o estudantil nos anos 60 &mdash;, explorando ideais igualit&aacute;rios que se estendem ao conte&uacute;do rom&acirc;ntico da hist&oacute;ria (Shamoon, 2012: 121,123). Incapaz de fixar-se num papel apenas masculino ou apenas feminino, incluindo no contexto de uma rela&ccedil;&atilde;o S com a estereotipicamente feminina Rosalie Lamorli&egrave;re, Oscar desafia a din&acirc;mica bin&aacute;ria presente nas representa&ccedil;&otilde;es tradicionais tanto do romance heterossexual, como da classe S (Shamoon, 2007: 10-11) (<a href="#f9">Figura 9</a>). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f8"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f8.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f9"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f9.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Oscar acaba por apaixonar-se, sim, pelo amigo de inf&acirc;ncia Andr&eacute; Grandier, que n&atilde;o s&oacute; se torna progressivamente mais semelhante &agrave; hero&iacute;na em termos f&iacute;sicos, como &eacute; emasculado pela sua posi&ccedil;&atilde;o social baixa (um servi&ccedil;al na casa dos Jarjayes), cegueira resultante de um ferimento em batalha &mdash; colocando-o numa posi&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia e castra&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica &mdash;, e dores emocionais devido ao amor que julga n&atilde;o correspondido por Oscar (Shamoon, 2007: 11-12). Segundo Shamoon, &ldquo;enquanto mulher masculina e homem emasculado, Oscar e Andr&eacute; parecem-se f&iacute;sica e simbolicamente, indicando que a hist&oacute;ria ainda opera dentro da est&eacute;tica da igualdade que permeia tanto as revistas para raparigas do pr&eacute;-guerra como o <i>sh&#333;nen-ai</i> no <i>sh&#333;jo manga</i> do p&oacute;s-guerra&rdquo; (Shamoon, 2012: 127). Existem precedentes na cultura sh&#333;jo para esta ambiguidade, ou &ldquo;neutralidade&rdquo; (Shamoon, 2012: 131), sexual: as mulheres que representavam pap&eacute;is masculinos no teatro musical Takarazuka no pr&eacute;-guerra, ou a protagonista Sapphire de Tezuka Osamu, uma princesa com dois cora&ccedil;&otilde;es, um de rapaz e outro de rapariga (<a href="#f10">Figura 10</a>). No entanto, em RV &mdash; que apresenta uma das primeiras &ldquo;cenas na cama&rdquo; da hist&oacute;ria do <i>sh&#333;jo manga</i> (Shamoon, 2007: 14-15) &mdash;, &eacute; o mundo adulto do romance heterossexual que &eacute; re-imaginado &agrave; luz de uma pol&iacute;tica igualit&aacute;ria ou &ldquo;homog&eacute;nero&rdquo;, que possibilita o amor espiritual (Shamoon, 2012: 136) (<a href="#f11">Figura 11</a>). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f10"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f10.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f11"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f11.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Apesar do GA24 ter ficado conhecido pelas hist&oacute;rias &ldquo;s&eacute;rias&rdquo;, este n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico modo atrav&eacute;s do qual se expressa. A prov&aacute;-lo est&aacute; &ldquo;De Eroica Com Amor&rdquo; (DECA), j&oacute;ia <i>camp</i> que, apesar de largamente negligenciada em termos de aten&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica, &eacute; uma das obras mais influentes do grupo (Thorn, 2004 a e b). Correndo desde 1976, DECA &eacute; uma aventura internacional &agrave; maneira de James Bond (o t&iacute;tulo joga com o famoso <i>From Russia, With Love</i>), entrela&ccedil;ando com&eacute;dia e ac&ccedil;&atilde;o, em que um agente alem&atilde;o da NATO, Klaus Eberbach, persegue e &eacute; perseguido pelo ladr&atilde;o de arte Eroica, um lorde ingl&ecirc;s gay chamado Dorian Gloria. O efeito c&oacute;mico resulta tanto das personagens idiossincr&aacute;ticas, como do &ldquo;choque cultural&rdquo; entre os protagonistas que o destino for&ccedil;a a conviver e, por vezes, colaborar: por um lado, &ldquo;Klaus de Ferro&rdquo;, um militar irrasc&iacute;vel que valoriza a efic&aacute;cia nas miss&otilde;es acima de tudo; por outro, Eroica, um homossexual flamejante e esteta hedonista inspirado na estrela de <i>rock</i> Robert Plant (Gravett, 2004: 90). Tal como Oscar e Andr&eacute;, Klaus e Eroica s&atilde;o um &ldquo;casal&rdquo; igualit&aacute;rio (mesma estatura f&iacute;sica e rostos semelhantes), estabelecendo um modelo de <i>bish&#333;nen</i> &ldquo;masculinizado&rdquo; &mdash; ombros largos, queixos quadrados, porte atl&eacute;tico &mdash; que, mais do que os adolescentes acrian&ccedil;ados de Hagio e Takemiya, marcou a cultura <i>sh&#333;jo</i> nos anos 80 e 90 (<i>e.g.</i> a transi&ccedil;&atilde;o do <i>sh&#333;nen-ai</i> para o mais francamente er&oacute;tico g&eacute;nero <i>yaoi</i>) (<a href="#f12">Figura 12</a>).</p>      <p>&nbsp;</p><a name="f12"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f12.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>O elemento tantalizante da DECA passa pela rela&ccedil;&atilde;o de amizade-&oacute;dio em que, apesar de Klaus rejeitar constantemente os avan&ccedil;os de Eroica (com diferentes graus de nojo e indigna&ccedil;&atilde;o que em nada desencorajam o &uacute;ltimo), as circunst&acirc;ncias conduzem a momentos de contacto f&iacute;sico for&ccedil;ado ou &agrave; necessidade de protegerem-se mutuamente (<a href="#f13">Figura 13</a>). Cabendo, grosso modo, na categoria do <i>sh&#333;nen-ai</i>, estas interac&ccedil;&otilde;es s&atilde;o certamente definidoras da narrativa; por&eacute;m, um dos aspectos mais inovadores da s&eacute;rie &mdash; publicada, desde o in&iacute;cio, na revista de <i>sh&#333;jo manga Princess</i> &mdash; &eacute; a &ecirc;nfase distinta nas aventuras de espi&otilde;es e intrigas pol&iacute;ticas que conduzem a hist&oacute;ria. Aoike oferece um report&oacute;rio caleidosc&oacute;pio de ac&ccedil;&otilde;es, parafern&aacute;lia e lugares: de submarinos e <i>zepplins</i> a persegui&ccedil;&otilde;es em tanques e helic&oacute;pteros, armas desde rev&oacute;lveres a bazucas, a Europa dos Alpes ao P&aacute;rtenon, paisagens geladas do Alasca e desertos escaldantes do Iraque, e uma lista infind&aacute;vel de cidades desde Londres e Paris a Beirute e Istambul (inclusive uma passagem por Lisboa), onde se medem for&ccedil;as advers&aacute;rias como a Interpol, o FBI, o KGB e os neonazis, no quadro geral da Guerra Fria. Desafiando as conven&ccedil;&otilde;es, DECA trouxe a ac&ccedil;&atilde;o &ldquo;pura e dura&rdquo; para o territ&oacute;rio do <i>sh&#333;jo manga</i> &mdash; privilegiando vinhetas ortogonais mais do que a visualidade h&aacute;ptica t&iacute;pica do GA24 &mdash;, balan&ccedil;ando com mestria momentos que alcan&ccedil;am do humor slapstick ao thriller <i>hardboiled</i> (<a href="#f14">Figura 14</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f13"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f13.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f14"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a14f14.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>&ldquo;Cora&ccedil;&atilde;o de Tom&aacute;s&rdquo;, &ldquo;Poema do Vento e das &Aacute;rvores&rdquo;, &ldquo;Rosa de Versailles&rdquo; e &ldquo;De Eroica Com Amor&rdquo; s&atilde;o quatro obras revolucion&aacute;rias no contexto da banda desenhada japonesa nos anos 70. Reinventando elementos visuais e narrativos da cultura <i>sh&#333;jo</i> do pr&eacute; e p&oacute;s-guerra (<i>e.g.</i> rela&ccedil;&otilde;es S, travestismo, visualidade decorativa), autoras como Moto Hagio, Keiko Takemiya, Riyoko Ikeda e Yasuko Aoike trouxeram para as revistas de <i>sh&#333;jo manga</i> (dirigidas a raparigas adolescentes) personagens psicol&oacute;gica e emocionalmente complexos, narrativas onde se exploram quest&otilde;es pol&iacute;ticas, filos&oacute;ficas, sexuais e sociais, e g&eacute;neros tipicamente masculinos como o <i>thriller</i> e a fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Para tal, foi necess&aacute;rio &ldquo;deslocarem-se&rdquo; estrategicamente para territ&oacute;rios livres dos constrangimentos da realidade mais pr&oacute;xima: outro sexo, outros tempos, outros lugares (<i>e.g. sh&#333;nen-ai</i>, s&eacute;culos passados, Europa). O Grupo do Ano 24 partilhou, assim, n&atilde;o s&oacute; um espa&ccedil;o hist&oacute;rico e cultural comum, como um novo sistema de valores (est&eacute;ticos e &eacute;ticos) para o <i>sh&#333;jo manga</i> &mdash; n&atilde;o monol&iacute;tico, mas heterog&eacute;neo e adapt&aacute;vel &agrave; vis&atilde;o de cada autora. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     <p>Antononoka, O. (2011, Julho) <i>Bishonen &mdash; the Four Elements</i>. Artigo apresentado na confer&ecirc;ncia Examining &ldquo;Women&rsquo;s Manga&rdquo;: Research Reports by 5 Graduate Students, Quioto, Jap&atilde;o. [Consult. 2015-01-12]. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://imrc.jp/images/upload/lecture/data/joseimanga_AntononokaOlga.pdf" target="_blank">http://imrc.jp/images/upload/lecture/data/joseimanga_AntononokaOlga.pdf</a> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Aoike, Yasuko (1979) <i>Eroica yori ai o komete</i>. T&oacute;quio: Princess Comics. Kana [Consult. 2015-01-12] Scanlation por Kx/M.Price. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.mangahere.co/manga/eroica_yori_ai_wo_komete/" target="_blank">http://www.mangahere.co/manga/eroica_yori_ai_wo_komete/</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436535&pid=S1647-6158201500010001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Aoike, Yasuko (s.d) <i>Eroica yori ai o komete.</i> [Consult. 2015-01-12] Scanlation por grupo desconhecido. Dispon&iacute;vel em <a href="http://home.arcor.de/natsu_esda/extras/scanlations/eroica_scanlations.htm" target="_blank">http://home.arcor.de/natsu_esda/extras/scanlations/eroica_scanlations.htm</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436536&pid=S1647-6158201500010001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gravett, Paul (2004) <i>Manga: 60 Years of Japanese Comics</i>. Londres: Laurence King. ISBN 1-85669-391-0 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436537&pid=S1647-6158201500010001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hagio, Moto (1975) <i>Toma no shinzo</i>. T&oacute;quio: Flower Comics. [Consult. 2015-01-12] Digitaliza&ccedil;&atilde;o de capa de livro. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://suihiru.tumblr.com/post/99520174712" target="_blank">http://suihiru.tumblr.com/post/99520174712</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436538&pid=S1647-6158201500010001400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hagio, Moto (2012) <i>Heart of Thomas</i>. Seattle: Fantagraphics. 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(2007) Revolutionary Romance: The Rose of Versailles and Transformation of Shojo Manga. <i>Mechademia</i>, 2, 3-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436541&pid=S1647-6158201500010001400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Shamoon, Deborah (2012) <i>Passionate Friendships: The Aesthetics of Girls&rsquo; Culture in Japan</i>. Honolulu: University of Hawaii Press. ISBN: 978-0-8248-3638-2 </p>     <!-- ref --><p>Sousa, A. M. &amp; Tom&eacute;, J. (2013, Setembro) <i>Provas de Contacto: Dispositivo h&aacute;pticos em Heart of Thomas, de Moto Hagio</i>. Artigo apresentado nas 3&ordf; Confer&ecirc;ncias de Banda Desenhada em Portugal, Lisboa, Portugal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436544&pid=S1647-6158201500010001400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Takahashi, Makoto (2006) <i>Sakura namiki.</i> T&oacute;quio: Shogakukan. [Consult. 201501-12] Scanlation pelo grupo Lililicious. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.mangahere.co/manga/sakura_namiki/" target="_blank">http://www.mangahere.co/manga/sakura_namiki/</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436546&pid=S1647-6158201500010001400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Takemiya, Keiko (1977-84) <i>Kaze to ki no uta</i>. T&oacute;quio: Flower Comics. [Consult. 2015-01-12] Scanlation pelo grupo Obsession. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.mangahere.co/manga/kaze_to_ki_no_uta/" target="_blank">http://www.mangahere.co/manga/kaze_to_ki_no_uta/</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436547&pid=S1647-6158201500010001400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Thorn, M. (2004 a). <i>Girls&rsquo; Stuff,</i> May (?) &lsquo;94. [Consult. 2015-01-12] Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.matt-thorn.com/shoujo_manga/girls_stuff/gs94-03-08.html" target="_blank">http://www.matt-thorn.com/shoujo_manga/girls_stuff/gs94-03-08.html</a> </p>     <p>Thorn, Mattew (2004 b) Girls And Women Getting Out Of Hand: The Pleasure And Politics Of Japan&rsquo;s Amateur Comics Community. In Kelly, W.W. (ed.), <i>Fanning the Flames: Fans and Consumer Culture in Contemporary Japan</i> (pp. 169-187). Albany, Nova Iorque: State University of New York Press. ISBN: 0-7914-6032-0 </p>     <!-- ref --><p>Thorn, Mattew (2012) Introduction. In Hagio, Moto, <i>Heart of Thomas</i> (pp. 518-521). Seattle: Fantagraphics. ISBN: 978-160699-551-8 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436550&pid=S1647-6158201500010001400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Tvtropes. s.d. Bishonen. [online] [Consult. 201501-12] Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/Bishonen" target="_blank">http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/Bishonen</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436551&pid=S1647-6158201500010001400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 13 de Janeiro e aprovado a 24 de janeiro de 2015</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:ana.matilde.sousa@gmail.com">ana.matilde.sousa@gmail.com</a></p>      ]]></body><back>
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