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<publisher-name><![CDATA[Universidade de LisboaFaculdade de Belas-Artes]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os Nelsinhos de Flávio Abuhab: arte contemporânea multidimensional]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Presbiteriana Mackenzie Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura Grupo de Pesquisa Arte e Linguagens Contemporâneas]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents a reflection about the very peculiar installation produced by the Brazilian artist Flavio Abuhab: Classics, 2013. In that, to honor the iconic cultural disturber Nelson Leirner, the artist appropriates of the figure and creative methods of Leirner - to offer to the public a multidimensional meeting with contemporary art.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Os Nelsinhos de Fl&aacute;vio Abuhab: arte contempor&acirc;nea multidimensional</b></p>     <p><b>The Nelsinhos of Fl&aacute;vio Abuhab: multidimensional contemporary art</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marcos Rizolli&#42; </b> </p>     <p>&#42;Artista Visual. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas, pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Campinas (PUC-Campinas); Mestrado e Doutorado em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica: Artes, pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo PUC-SP); P&oacute;s-Doutorado em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (IA-UNESP). </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Arte e Hist&oacute;ria da Cultura (PPGEAHC), Grupo de Pesquisa Arte e Linguagens Contempor&acirc;neas &mdash; Diret&oacute;rio CNPq. Rua da Consola&ccedil;&atilde;o 930, 01302-907 S&atilde;o Paulo, Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Este artigo apresenta uma reflex&atilde;o acerca de uma instala&ccedil;&atilde;o muito peculiar produzida pelo artista brasileiro Fl&aacute;vio Abuhab: Cl&aacute;ssicos, de 2013. Nela, para homenagear o emblem&aacute;tico agitador cultural Nelson Leirner, o artista se apropria da figura e dos m&eacute;todos criativos de Leirner &mdash; para oferecer ao p&uacute;blico um encontro multidimensional com a arte contempor&acirc;nea. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> arte brasileira contempor&acirc;nea / instala&ccedil;&atilde;o / Fl&aacute;vio Abuhab / Nelson Leirner. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT: </b></p>     <p>This paper presents a reflection about the very peculiar installation produced by the Brazilian artist Flavio Abuhab: Classics, 2013. In that, to honor the iconic cultural disturber Nelson Leirner, the artist appropriates of the figure and creative methods of Leirner &mdash; to offer to the public a multidimensional meeting with contemporary art. </p>     <p><b>Keywords:</b> contemporary Brazilian art / installation / Fl&aacute;vio Abuhab / Nelson Leirner. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artista Fl&aacute;vio Abuhab, nascido em 1957 na cidade de Santos e presente na cena art&iacute;stica brasileira desde 1985, h&aacute; bom tempo vem despertando interesse de p&uacute;blico e cr&iacute;tica ao propor estruturas visuais baseadas num sofisticado processo criativo, revelando (ou impondo) novas camadas expressivas para imagens da hist&oacute;ria da arte ou formas e figuras presentes na cotidianidade contempor&acirc;nea. Vem transitando, assim, entre a cr&iacute;tica das imagens em circula&ccedil;&atilde;o na cultura &mdash; do erudito ao popular &mdash; e a inser&ccedil;&atilde;o autoral, sob sua peculiar interven&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tico-criativa, de novos conceitos que alteram o destino dos signos dos quais se apropria. </p>     <p>&Eacute; importante ressaltar que o seu sistema de apropria&ccedil;&atilde;o de figuras e sinais n&atilde;o se sustenta em esquem&aacute;tico jogo citacionista, meramente determinado por cortes figurais ou recortes expressivos. O que o artista pretende &eacute; justamente, da imagem, compreender seu m&eacute;todo e extrair sua ess&ecirc;ncia semi&oacute;tica. </p>     <p>Como o pr&oacute;prio artista afirma ter interesse por: </p>     <blockquote><i>...obras originais e sua deriva&ccedil;&otilde;es, isto &eacute;, obras que tiveram como refer&ecirc;ncia trabalhos realizados por outros artistas, ao longo da hist&oacute;ria, e onde se pode observar alguns exemplos que bem ilustram as v&aacute;rias maneiras de apropria&ccedil;&atilde;o, da cita&ccedil;&atilde;o e aproxima&ccedil;&atilde;o, seja por meio de suas caracter&iacute;sticas est&eacute;ticas; por suas produ&ccedil;&otilde;es conceituais ou mesmo pela apropria&ccedil;&atilde;o da obra em si... </i> (Abuhab, 2013: 39).</blockquote>     <p>O artista, no exerc&iacute;cio de sua express&atilde;o, quer &ldquo;rever as imagens e impor novos conte&uacute;dos que possam provocar &acirc;nimos visuais in&eacute;ditos&rdquo; (Rizolli, 1990: 03). </p>     <p>Exemplo agudo de sua artisticidade &eacute; a instala&ccedil;&atilde;o <i>Cl&aacute;ssicos</i>, apresentada em 2013 na Galeria de Arte do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista, em S&atilde;o Paulo/Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Di&aacute;logo entre dois artistas</b> </p>     <p><i>Cl&aacute;ssicos</i> se revelou uma instala&ccedil;&atilde;o-experi&ecirc;ncia que homenageia Nelson Leirner &mdash; emblem&aacute;tico artista e agitador cultural brasileiro que se notabilizou pela realiza&ccedil;&atilde;o de diversas instala&ccedil;&otilde;es com in&uacute;meros objetos agrupados &mdash; que discursam sobre a cultura popular brasileira. </p>     <p>Leirner nasceu em 1932, em S&atilde;o Paulo, e ao longo de sua trajet&oacute;ria art&iacute;stica investiu em exc&ecirc;ntricas formas de express&atilde;o, apresentando objetos que configuraram um complexo sistema de apropria&ccedil;&atilde;o e acumula&ccedil;&atilde;o s&iacute;gnica &mdash; m&eacute;todo criativo que iria marcar sua identidade produtiva. Integrou, com Wesley Duke Lee, Carlos Fajardo e Jos&eacute; Resende, o Grupo REX &mdash; coletivo que questionava, por meio de exposi&ccedil;&otilde;es, a&ccedil;&otilde;es e debates, o excesso de institucionaliza&ccedil;&atilde;o da arte. Realizou <i>happenings</i> e produziu pe&ccedil;as destinadas &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Artista e professor, produziu objetos, interven&ccedil;&otilde;es e in&uacute;meros textos meta-criativos em que expunha, com ironia, os v&aacute;rios interesses que controlam o mercado de arte, procurando, ainda, dissolver a ideia de autoria de uma obra de arte. </p>     <p>Participou frequentemente de exposi&ccedil;&otilde;es no Brasil e no Exterior &mdash; em eventos coletivos e individuais, tendo trabalhos apreendidos sob a alega&ccedil;&atilde;o de obscenidade. Em 1998, por exemplo, uma s&eacute;rie de trabalhos com interven&ccedil;&otilde;es em fotografias de crian&ccedil;as foi censurada pelo juizado de menores do Rio de Janeiro &mdash; epis&oacute;dio que desencadeou uma campanha nacional contra a censura nas Artes Visuais. </p>     <p>Leirner notabilizou-se pela constru&ccedil;&atilde;o de sucessivos cortejos (paradas, marchas, desfiles e prociss&otilde;es) plenos de objetos e penduricalhos que, no Brasil, estamos acostumados a ver em feiras livres das cidades interioranas e em lojas do com&eacute;rcio popular da emblem&aacute;tica Rua 25 de Mar&ccedil;o, em S&atilde;o Paulo, e cujas configura&ccedil;&otilde;es perpassam o popular e o erudito. Seus cortejos sempre se mostraram coloridos, divertidos e multidimensionais. </p>     <p>Fl&aacute;vio Abuhab, por sua vez, tem Gradua&ccedil;&atilde;o em Artes Visuais, realizada na Faculdade de Belas Artes de S&atilde;o Paulo, e Mestrado em Artes, publicamente defendido no Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista &mdash; IA-UNESP. </p>     <p>Artista representante de medianamente duas gera&ccedil;&otilde;es subsequentes &agrave;quela de Leirner, obteve sua forma&ccedil;&atilde;o e sua inser&ccedil;&atilde;o no cen&aacute;rio art&iacute;stico brasileiro j&aacute; reconhecendo toda a fenom&ecirc;nica pulverizante da arte contempor&acirc;nea &mdash; em formas e plasticidades, em express&otilde;es e estilos, em imagetiza&ccedil;&atilde;o e conceitua&ccedil;&atilde;o, entre manualidades e tecnologias &mdash; e entusiasmado pelo fasc&iacute;nio relacional &ldquo;entre artistas de v&aacute;rias &eacute;pocas e culturas distintas ao longo da hist&oacute;ria, dando a entender que a Arte n&atilde;o esquece a Arte&rdquo; (Abuhab, 2013: 39). </p>     <p>O artista vem mantendo uma esp&eacute;cie de di&aacute;logo com a hist&oacute;ria da arte por meio de opera&ccedil;&otilde;es de apropria&ccedil;&atilde;o, cita&ccedil;&atilde;o e aproxima&ccedil;&atilde;o com a produ&ccedil;&atilde;o e procedimentos de artistas que de alguma maneira formam refer&ecirc;ncias ou influ&ecirc;ncias para a sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. Sua plataforma po&eacute;tica est&aacute; debru&ccedil;ada sobre as a&ccedil;&otilde;es de artistas que tiveram como mote criativo obras anteriormente criadas por outros artistas: as releituras, sobretudo presentes nas vanguardas do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX &mdash; das colagens cubistas, aos <i>ready-mades</i> dada&iacute;stas e, depois, na Arte Conceitual e na Arte Pop. </p>     <p>O di&aacute;logo entre Fl&aacute;vio Abuhab e Nelson Leirner foi acarretado pela expectativa de estabelecer uma analogia po&eacute;tica, uma vez que Leirner tornou-se, para Abuhab, uma refer&ecirc;ncia, tanto por sua obra como por seus procedimentos em arte. Soma-se a isso a percep&ccedil;&atilde;o de que Leirner &eacute; um artista provocador, cr&iacute;tico, pol&iacute;tico e, principalmente l&uacute;dico em suas proposi&ccedil;&otilde;es &mdash; em que &eacute; poss&iacute;vel perceber uma rela&ccedil;&atilde;o direta e &iacute;ntima com a hist&oacute;ria da arte e da cultura. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Cl&aacute;ssicos </b></p>     <p>Conceitual e formalmente inspirada na instala&ccedil;&atilde;o <i>O Grande Desfile</i>, exposta por Nelson Leirner, em 1984, no Museu de Arte Contempor&acirc;nea da Universidade de S&atilde;o Paulo e constitu&iacute;da por um agrupamento de imagens escult&oacute;ricas pertencentes ao imagin&aacute;rio da cultura popular brasileira (entre elas: santos, personagens folcl&oacute;ricos e animais), <i>Cl&aacute;ssicos</i>, por sua vez, ocupou uma &aacute;rea de 210x300cm, compreendendo um conjunto de 99 pe&ccedil;as em gesso que, apesar de miniaturas, reproduzem fielmente a apar&ecirc;ncia f&iacute;sica de Nelson Leirner. Medindo aproximadamente 30cm de altura, as est&aacute;tuas receberam um tratamento crom&aacute;tico, cujas vestimentas se referem &agrave;s cores dos estados de S&atilde;o Paulo (branco, vermelho e preto) e Rio de Janeiro (branco e azul), dos times de futebol Corinthians (branco e preto), Flamengo (branco, vermelho e preto) e da Sele&ccedil;&atilde;o Brasileira (amarelo e azul) &mdash; al&eacute;m de uma est&aacute;tua vestida totalmente de preto, acentuando a regra volum&eacute;trica e a diversidade pict&oacute;rica (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a16f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Assim, os <i>Nelsinhos</i> de Fl&aacute;vio Abuhab s&atilde;o agrupados em espa&ccedil;o horizontal retangular, sugerindo a demarca&ccedil;&atilde;o de uma quadra esportiva &mdash; configurando, de modo ensimesmado, tanto os jogadores quanto os torcedores &mdash; afinal, Leirner &ldquo;sempre teve o esporte e, mais especificamente, a ideia de jogo como refer&ecirc;ncia para a sua produ&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Lopes, 2011: 03). Contudo, a forma retangular definida por <i>Cl&aacute;ssico</i>, conforme a instala&ccedil;&atilde;o de 2013, n&atilde;o precisaria ser mantida. Das in&uacute;meras possibilidades de agrupamento os pequenos <i>Nelsinhos</i> poderiam estar militarmente enfileirados, configurados em formatos de plat&eacute;ia, cortejo ou desfile. </p>     <p>A refer&ecirc;ncia &agrave; vida do artista, ao futebol e &agrave; arte, entretanto, se sobrep&ocirc;s: seu nascimento em S&atilde;o Paulo e sua transfer&ecirc;ncia para o Rio de Janeiro; sua fervorosa torcida pelo Corinthians e seu entusiasmo pelo Flamengo; o atento interesse pelas cenas da vida brasileira; a cr&iacute;tica, por compreens&atilde;o da cultura popular, ao sistema da arte contempor&acirc;nea. </p>     <p>Outrossim, a expectativa de Fl&aacute;vio Abuhab era a de criar uma instala&ccedil;&atilde;o intencionalmente referendada pelos procedimentos vistos e apreendidos das instala&ccedil;&otilde;es de Leirner. Por&eacute;m, em contra partida &agrave; diversidade de figuras encontradas em suas montagens, Abuhab decidiu pela seria&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica imagem (<i>os Nelsinhos</i>): &ldquo;para criar um jogo de contornos metalingu&iacute;sticos, colocando Leirner como personagem da instala&ccedil;&atilde;o &mdash; uma esp&eacute;cie de s&iacute;ntese de seus argumentos&rdquo; (Abuhab, 2013: 34). </p>     <p><i>Cl&aacute;ssico</i> &eacute; fruto de uma experi&ecirc;ncia tridimensional. Dom&iacute;nio espacial at&eacute; ent&atilde;o pouco explorado por Fl&aacute;vio Abuhab &mdash; que raramente ultrapassa o limite das duas dimens&otilde;es, apesar da natureza objetual de sua produ&ccedil;&atilde;o. Da trindimensionalidade ao jogo conceitual estaria, assim, determinada uma instala&ccedil;&atilde;o multidimensional. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Arte contempor&acirc;nea multidimensional </b></p>     <p>A multidimensionalidade da obra art&iacute;stica de Fl&aacute;vio Abuhab revela-se pela intensa compreens&atilde;o dos processos e procedimentos art&iacute;sticos contempor&acirc;neos e nas rela&ccedil;&otilde;es entre forma e linguagem: os <i>Nelsinhos</i> de <i>Cl&aacute;ssico</i>, al&eacute;m de serem superf&iacute;cies pict&oacute;ricas em figuras escult&oacute;ricas, ocupam o espa&ccedil;o de ch&atilde;o, distribuindo-se horizontal e verticalmente; por metalinguagem, subvertem a personalidade homenageada ao transformar o artista Leirner em motivo de arte, justamente para lhe tomar de empr&eacute;stimo o pr&oacute;prio m&eacute;todo constitutivo de suas instala&ccedil;&otilde;es (<a href="#f2">Figura 2</a>). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a16f2.jpg"></a>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Do processo de cria&ccedil;&atilde;o ao processo de produ&ccedil;&atilde;o &mdash; que culminou na instala&ccedil;&atilde;o &mdash; <i>Cl&aacute;ssico</i> se revelou desafiadora: como modelar os <i>Nelsinhos</i> e garantir fidelidade &agrave; fisionomia do artista de inspira&ccedil;&atilde;o? Como compreender a ess&ecirc;ncia metodol&oacute;gica da vasta obra de Leiner sem recair em mera releitura. </p>     <p>O esfor&ccedil;o t&eacute;cnico-procedimental foi superado por uma iniciativa de produ&ccedil;&atilde;o compartilhada, com a terceriza&ccedil;&atilde;o de algumas estapas produtivas. O encontro com um mestre gesseiro, o Sr. Almeida (santeiro de profiss&atilde;o!) foi decisivo para a configura&ccedil;&atilde;o do prot&oacute;tipo dos <i>Nelsinhos</i> &mdash; que, para sua defini&ccedil;&atilde;o escult&oacute;rica, reconheceu o uso de imagens fotogr&aacute;ficas da personalidade a ser homenageada, colhidas na internet e posteriormente aprimoradas em <i>software</i> de tratamento de imagens. Das fotografias escolhidas, uma delas apresentava um Leirner que portava no pesco&ccedil;o uma corrente de penduricalhos &mdash; um feixe de signos populares e religiosos, bem ao gosto de suas consagradas instala&ccedil;&otilde;es. </p>     <p>O detalhe foi incorporado &agrave; modelagem dos <i>Nelsinhos</i>. Ato ic&ocirc;nico, orientou toda a sequ&ecirc;ncia produtiva. &Agrave; volumetria, somou-se a pintura de superf&iacute;cie, realizada com tinta <i>spray</i>. Assim: escultura + pintura = configura&ccedil;&atilde;o. A defini&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica deu-se, essencialmente, pelo jogo de apropria&ccedil;&atilde;o imag&eacute;tica, cita&ccedil;&atilde;o repertorial e aproxima&ccedil;&atilde;o conceitual. Bem assim: configura&ccedil;&atilde;o + agrupamento = instala&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o: todos os entes (processos e procedimentos art&iacute;sticos) = <i>Cl&aacute;ssico</i>. </p>     <p>O resultado final, exposto na Galeria do IA-UNESP, contou, ainda, com o aux&iacute;lio de uma ilumina&ccedil;&atilde;o dirigida com l&acirc;mpadas <i>spot</i>, estrategicamente distribuidas nos quatro cantos do ambiente &mdash; criando um efeito similar aos dos est&aacute;dios de futebol. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>Por sua peculiar concep&ccedil;&atilde;o e pela generaliza&ccedil;&atilde;o de suas narrativas, <i>Cl&aacute;ssico</i> dever&aacute; ter garantida presen&ccedil;a na cena art&iacute;stica brasileira. Pois &eacute; uma instala&ccedil;&atilde;o plena em cultura popular e erudi&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica &mdash; estado relacional t&atilde;o frequente no cotidiano do pa&iacute;s e t&atilde;o percept&iacute;vel na arte e no artista que lhe conferiu o sopro criativo. </p>     <p>Para reafirmar que a Arte n&atilde;o esquece a Arte, Fl&aacute;vio Abuhab elabora</p>      <blockquote><i>uma constru&ccedil;&atilde;o imaginativa de linguagem. A linguagem de uma obra de arte contempor&acirc;nea &eacute; o resultado da express&atilde;o-comunica&ccedil;&atilde;o visual institu&iacute;da pelo artista, por for&ccedil;a pessoal e criativa. Transformando o contexto com o qual se confronta e utiliza. &Eacute;, ent&atilde;o, na intensidade inventiva da linguagem que se mede a intensidade criativa </i> (Crispolti, 2004: 63). </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma obra composta por refer&ecirc;ncias, amalgamadas por forma e argumento. Assim, talvez, como pensou L&eacute;v Tolst&oacute;i: &ldquo;<i>Se queres ser universal, come&ccedil;a por pintar a tua aldeia</i>&rdquo; (Tolst&oacute;i, 2013: 111). A linguagem universal &mdash; e multidimensional &mdash; da arte contempor&acirc;nea. </p>     <p>No di&aacute;logo Leirner-Abuhab, o investimento multicultural do primeiro &mdash; religiosidade, ludicidade, cotidiano, ind&uacute;stria, mercado, ecologia, esporte e hist&oacute;ria da arte &mdash; traduz-se, no segundo, em investimento multidimensional &mdash; imagen e materialidade, forma e cor, volume e plasticidade, espacialidade e movimento, erudito e popular, cotidiano e arte &mdash; em figuralidade de ampla signagem. </p>     <p>Fl&aacute;vio Abuhab, em determina&ccedil;&atilde;o livre e ao mesmo tempo comprometida, agiu como se Nelson Leirner tivesse doado, ainda que em multidimens&atilde;o semi&oacute;tica, seu basti&atilde;o criativo para que o artista continuasse, <i>in totum</i>, o seu projeto art&iacute;stico &mdash; ainda que, por apropria&ccedil;&atilde;o e cita&ccedil;&atilde;o que: discutem a transi&ccedil;&atilde;o do fazer t&eacute;cnico para o fazer tecnol&oacute;gico; questionam os procedimentos tradicionais de produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica ao adotar m&uacute;ltiplos processos de consci&ecirc;ncia e pr&aacute;tica de linguagem; desafiam os conceitos de originalidade, de autoria, de autenticidade e de autoria da obra de arte, questionando a natureza da arte e sua defini&ccedil;&atilde;o &mdash; de maneira aproximada. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     <!-- ref --><p>Abuhab, Fl&aacute;vio (2013) <i>A Arte n&atilde;o esquece a Arte. Aproxima&ccedil;&atilde;o: apropria&ccedil;&atilde;o e cita&ccedil;&atilde;o em Arte.</i> (Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado) S&atilde;o Paulo: IA-UNESP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436718&pid=S1647-6158201500010001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Crispolti, Enrico. (2004) <i>Como Estudar a Arte Contempor&acirc;nea.</i> Lisboa: Estampa. ISBN: 972-33-2012-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436720&pid=S1647-6158201500010001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Lopes, Fernanda (2011) <i>Por qu&ecirc;? In: Nelson Leirner 2011-1961&mdash; 50anos</i>. S&atilde;o Paulo: SESI-SP. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rizolli, Marcos (1990) Gr&aacute;fica Popular (Texto de Apresenta&ccedil;&atilde;o). Americana: Pinacoteca, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436723&pid=S1647-6158201500010001600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Tolst&oacute;i, L&eacute;v (2013) <i>Inf&acirc;ncia Adolesc&ecirc;ncia Juventude.</i> Tradu&ccedil;&atilde;o de Maria A. B. P Soares. Porto Alegre: L&amp;PM. ISBN: 97885-254-2676-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436725&pid=S1647-6158201500010001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 13 de Janeiro e aprovado a 24 de janeiro de 2015</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:marcos.rizolli@mackenzie.br">marcos.rizolli@mackenzie.br</a></p>     ]]></body>
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