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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes the work &#8220;Essay&#8221; by Brazilian artist Marilice Corona. The painter uses photography in various forms in her artistical work. We see in those canvases how the technical matters pertinent to photography are transferred to her work in painting. These photographic issues influence the color and size of her paintings.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Ensaio: Fotografia e Pintura nos trabalhos de Marilice Corona </b></p>     <p><b>Essay: Photography and Painting in the work of Marilice Corona </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Andr&eacute;a Br&auml;cher&#42; </b></p>     <p>&#42;Artista visual na &aacute;rea de fotografia e professora universit&aacute;ria. Gradua&ccedil;&atilde;o em Publicidade e Propaganda (Faculdade de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o &mdash; (FABICO) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestrado em Hist&oacute;ria, Teoria e Cr&iacute;tica Artes Visuais (UFRGS). Doutorado em Po&eacute;ticas Visuais (UFRGS). </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Faculdade de Biblioteconomia e Comunica&ccedil;&atilde;o (FABICO), Rua Ramiro Barcelos, 2705 &mdash; Campus Sa&uacute;de &mdash; Bairro Santana, 90035-007, Porto Alegre, RS, Brasil. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Este artigo analisa a obra &ldquo;Ensaio&rdquo; da artista brasileira Marilice Corona. A pintora utiliza-se da fotografia de diversas formas em seu trabalho art&iacute;stico, mas em particular nestas telas veremos como as quest&otilde;es t&eacute;cnicas pertinentes &agrave; fotografia s&atilde;o transpostas para seu trabalho em pintura. Estas quest&otilde;es fotogr&aacute;ficas influenciam a cor e dimens&atilde;o de suas pinturas. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Pintura / Fotografia / Marilice Corona. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT: </b></p>     <p>This article analyzes the work &ldquo;Essay&rdquo; by Brazilian artist Marilice Corona. The painter uses photography in various forms in her artistical work. We see in those canvases how the technical matters pertinent to photography are transferred to her work in painting. These photographic issues influence the color and size of her paintings. </p>     <p><b>Keywords:</b> Painting / Photography / Marilice Corona. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objetivo deste artigo &eacute; apresentar o trabalho da artista brasileira Marilice Corona (Porto Alegre, 1964), que desde 1990 desenvolve sua obra art&iacute;stica com pintura. Reconhecida no Rio Grande do Sul (Brasil) como uma das pintoras da gera&ccedil;&atilde;o dos anos 90, exp&otilde;e nacional e internacionalmente desde ent&atilde;o. Professora de pintura e desde 2012 &eacute; docente do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. </p>     <p>H&aacute; em sua trajet&oacute;ria art&iacute;stica um di&aacute;logo entre pintura e fotografia desde os anos 1990. Efetivamente, essa rela&ccedil;&atilde;o torna-se vis&iacute;vel e se estabelece, no per&iacute;odo em que desenvolve sua tese de doutorado &ldquo;Autorreferencialidade em territ&oacute;rio partilhado&rdquo; (2009). Nesse momento, os registros fotogr&aacute;ficos dos espa&ccedil;os expositivos onde a obra ser&aacute; exibida, assumem grande import&acirc;ncia e tamb&eacute;m passam a ser o &ldquo;assunto&rdquo; ou &ldquo;motivo de representa&ccedil;&atilde;o&rdquo; da obra, os mesmos, </p>     <blockquote>[...]<i> Al&eacute;m de serem obtidos e organizados como proje&ccedil;&atilde;o do que vir&aacute; a ser realizado, influenciam na cor, nas dimens&otilde;es, no formato; de registro do processo da pintura passam a motivo da representa&ccedil;&atilde;o e apresentam-se, tamb&eacute;m, como obra </i> (Corona, 2009: 81). </blockquote>     <p>Propomos neste texto analisar parte de seu trabalho em pintura, exemplificado atrav&eacute;s da s&eacute;rie denominada &ldquo;Ensaio&rdquo; (<a href="#f1">Figura 1</a>), constitu&iacute;da de 20 telas 24 x 18cm (acr&iacute;lico sobre tela, 2006). Nestas, as fotografias utilizadas no processo de feitura da obra s&atilde;o: </p>     <blockquote>[...]<i> evid&ecirc;ncias de uma natureza artificial concernente ao meio reprodutivo. As fotografias s&atilde;o utilizadas como imagens supletivas de um real codificado pela &oacute;tica do aparelho e pelas impress&otilde;es das imagens mec&acirc;nicas </i> (Ribeiro, 2013: 284). </blockquote>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a18f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Em &ldquo;Ensaio&rdquo; (<a href="#f1">Figura 1</a>) a pintora trabalha com conceitos relativos as conven&ccedil;&otilde;es da pintura e com as conven&ccedil;&otilde;es da fotografia, e &eacute; isso que veremos a seguir. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. A fotografia na obra de Marilice Corona </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A fotografia acompanha o trabalho da pintora Marilice Corona desde sua pesquisa de mestrado. As imagens fotogr&aacute;ficas ou documentos de trabalho &mdash; como define Corona, podem ser utilizadas como refer&ecirc;ncias para os trabalhos de pintura ao inv&eacute;s do modelo vivo ou &ldquo;ao vivo&rdquo;. Tamb&eacute;m podem registrar a exposi&ccedil;&atilde;o, com car&aacute;ter mais documental. </p>     <p>H&aacute; tamb&eacute;m trabalhos em que a pintora exp&otilde;e somente fotografias, como na obra &ldquo;Documents de travail&rdquo;, de 2008 (montagem de 162 fotografias digitais em 18 chapas de <i>foamboard</i> &mdash; <a href="#f2">Figura 2</a>) ou que exp&otilde;e pintura e fotografia &mdash; como em &ldquo;Pintura Latente&rdquo;, de 2007 (<a href="#f3">Figura 3</a>). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a18f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a18f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Quanto a origem das imagens e sua materialidade podem ser em xerox, reprodu&ccedil;&otilde;es de recortes fotogr&aacute;ficos de jornais e de revistas &mdash; de decora&ccedil;&atilde;o como <i>AD</i> e <i>Casa e Jardim</i> &mdash;, e de sua pr&oacute;pria inf&acirc;ncia. Tamb&eacute;m h&aacute; o uso de livros de fotografia (<i>The Human Figure in Motion</i>, de Eadweard Muybridge) &mdash; o que caracterizaria a apropria&ccedil;&atilde;o de imagens fotogr&aacute;ficas de outros fot&oacute;grafos. H&aacute; fotografias que s&atilde;o encomendadas aos amigos &mdash; como aquelas de locais expositivos, por exemplo, o Espa&ccedil;o Arlinda Corr&ecirc;a Lima no Pal&aacute;cio das Artes em Belo Horizonte (Brasil). A partir de imagens desse espa&ccedil;o expositivo foram feitas as pinturas de &ldquo;Ensaio&rdquo;. </p>     <p>E por &uacute;ltimo, h&aacute; aquelas que captura atrav&eacute;s de seu pr&oacute;prio equipamento fotogr&aacute;fico. Nestas, ao executar as fotografias </p>     <blockquote>[...]<i> j&aacute; existe a intencionalidade da pintura na escolha das imagens: tipo de corte, composi&ccedil;&atilde;o, sequ&ecirc;ncia de imagens, zoom e dist&acirc;ncia, detalhes e padr&otilde;es, cor, etc. Quanto &agrave; representa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o perspectivado na pintura, cabe ressaltar o aspecto fotogr&aacute;fico que este adquire devido &agrave;s distor&ccedil;&otilde;es causadas pela natureza das diferentes lentes da c&acirc;mera fotogr&aacute;fica </i> (Corona, 2009: 82). </blockquote>     <p>Em todos esses casos, a imagem fotogr&aacute;fica substitui o uso do modelo vivo ou do &ldquo;ao vivo&rdquo;. Sabemos tamb&eacute;m que a pintora possui &ldquo;caixas-arquivo&rdquo;, o local onde guarda suas fotografias impressas, que ficam dispon&iacute;veis &agrave; m&atilde;o em seu atelier. Uma pr&aacute;tica, quase em desuso na contemporaneidade, substitu&iacute;da pelo computador, tablets ou telefones m&oacute;veis com c&acirc;meras fotogr&aacute;ficas, tanto como aparatos de captura, como tamb&eacute;m de armazenamento, distribui&ccedil;&atilde;o, compartilhamento e vizualiza&ccedil;&atilde;o de imagens. Ela retorna a materialidade do material fotossens&iacute;vel. Penso que ainda a materialidade &eacute; importante na fotografia, como na pintura. Marilice comenta: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i>A fotografia assume em meu processo, a princ&iacute;pio, o papel do esbo&ccedil;o, do desenho, de caderno de notas. Diferentemente do desenho, a fotografia &eacute; formada por planos, massas de cor e luz, e, de meu ponto de vista, tais caracter&iacute;sticas a tornam mais pr&oacute;xima da pintura. N&atilde;o &eacute; apenas o aspecto realista da fotografia que a motiva, mas a pr&oacute;pria materialidade da c&oacute;pia. Ali&aacute;s, as fotografias, que me instigam s&atilde;o aquelas que apresentam um certo aspecto pict&oacute;rico, certa indefini&ccedil;&atilde;o, aquelas que me deixam em d&uacute;vida de se tratarem de pintura ou fotografia. </i> (Corona, 2009: 82). </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Rela&ccedil;&otilde;es entre Fotografia e Pintura: obra Ensaio </b></p>     <p>A obra &ldquo;Ensaio&rdquo; integrou um projeto que a autora fez especialmente para uma exposi&ccedil;&atilde;o em Belo Horizonte (Brasil) no Espa&ccedil;o Arlinda Corr&ecirc;a Lima no Pal&aacute;cio das Artes. A mostra <i>Espa&ccedil;os de Exposi&ccedil;&atilde;o</i> de 2006 continha somente pinturas. </p>     <p>Segundo a pintora, ela pediu a dois amigos que moravam em Belo Horizonte que fotografassem o espa&ccedil;o expositivo e que individualmente enviassem as c&oacute;pias por correio. Ao receb&ecirc;-las, percebeu que a colora&ccedil;&atilde;o das fotografias eram diferentes: um lote de imagens tinha uma tonalidade esverdeada &mdash; e outro lote, rosada. Isso deu a ela a ideia de pintar o mesmo espa&ccedil;o &mdash; a mesma imagem repetidas vezes &mdash; em tonalidades diferentes at&eacute; chegar ao branco. A artista pinta a partir de cinco gamas de cor (preto, azul, verde, rosa, s&eacute;pia e amarelo), tornando-a cada vez mais esbranqui&ccedil;ada, at&eacute; quase desaparecer. Como numa tabela de cores, a pintora muda a tonalidade de cada quadro sempre procurando, por fim, uma tela, pelo menos, quase branca. Para Marilice seria, o processo inverso da pintura: a imagem &eacute; constru&iacute;da com cor vibrante e contraste e ela vai sobrepondo camadas e camadas de tonalidades cada vez mais claras, </p>     <blockquote>[...]<i> at&eacute; que a imagem quase desapare&ccedil;a &mdash; ou seja, pintar e pintar para fazer desaparecer em um processo quase de revers&atilde;o, de volta ao ponto de origem, &agrave; tela em branco </i> (2009: 100). </blockquote>     <p>Quest&otilde;es fotogr&aacute;ficas importantes s&atilde;o incorporadas ao trabalho de pintora nesta obra a partir dessa percep&ccedil;&atilde;o sobre a cor: a temperatura de cor das l&acirc;mpadas do ambiente fotografado, a cor resultante da impress&atilde;o no laborat&oacute;rio fotogr&aacute;fico que cada amigo utilizou e o tipo de superf&iacute;cie de papel fotogr&aacute;fico empregado. </p>     <p>Como relata Marilice Corona em sua tese (2009: 94): </p>     <blockquote><i>As c&oacute;pias que recebi apresentavam quatro importantes diferen&ccedil;as: a primeira, relativa &agrave; cor, </i>[...]<i>; a segunda, relativa &agrave; caracter&iacute;stica do papel (as esverdeadas eram brilhantes, e as rosadas eram foscas); a terceira, relativa &agrave; luz, uma vez que as fotografias foram tomadas em dias e ilumina&ccedil;&atilde;o distintos; e, por &uacute;ltimo, a diferen&ccedil;a das dimens&otilde;es. Somado a isso, no intervalo de tempo entre as duas sess&otilde;es, o espa&ccedil;o de exposi&ccedil;&atilde;o havia sido reformado e apresentava novos elementos arquitet&ocirc;nicos e de ilumina&ccedil;&atilde;o do local. A ilumina&ccedil;&atilde;o das primeiras imagens era de luz fria, fluorescente, e nas &uacute;ltimas a luz era natural e incandescente. Assim, mesmo capturadas de um mesmo ponto de vista, as imagens apresentavam fortes diferen&ccedil;as de cor e tonalidades relacionadas a uma s&eacute;rie de vari&aacute;veis. Estas diferen&ccedil;as percebidas serviram de mote para introduzir em minha pintura novas quest&otilde;es relativas &agrave; cor. </i></blockquote>     <p>Marilice convoca teoricamente o texto de Arlindo Machado <i>A Fotografia como express&atilde;o do Conceito</i>, para explicar como se d&aacute; o comportamento fotogr&aacute;fico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cor; em particular, cita a passagem em que o autor, tamb&eacute;m se depara com as limita&ccedil;&otilde;es impostas pelos meios t&eacute;cnicos na reprodu&ccedil;&atilde;o da cor verde, vista durante uma viagem sua &agrave; Patag&ocirc;nia. O autor descreve a limita&ccedil;&atilde;o do filme (pel&iacute;cula fotogr&aacute;fica) de registrar a cor de uma paisagem. Tamb&eacute;m descreve a padroniza&ccedil;&atilde;o de uma cor, como o verde, independente de onde est&aacute; sendo tomada a imagem, pois os &ldquo;verdes Kodacolor se repetem de forma regular e previs&iacute;vel em todas as fotos obtidas nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es-padr&atilde;o&rdquo; (Machado, 2000: 5). Mas Marilice est&aacute; ciente das quest&otilde;es t&eacute;cnicas do meio fotogr&aacute;fico, que nem sempre o artista n&atilde;o &ldquo;fot&oacute;grafo&rdquo; percebe: como a temperatura de cor das l&acirc;mpadas dos ambientes fotografados e a diferen&ccedil;a entre marcas de pap&eacute;is coloridos fotogr&aacute;ficos e suas superf&iacute;cies &mdash; que v&atilde;o &ldquo;despadronizar&rdquo; a reprodu&ccedil;&atilde;o de uma mesma imagem. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como afirma Corona: </p>     <blockquote><i> A redu&ccedil;&atilde;o de cor em minhas pinturas est&aacute; vinculada, em primeiro lugar, &agrave; invers&atilde;o operada em meu pr&oacute;prio processo, ou seja, &agrave; contraposi&ccedil;&atilde;o do colorido de minha s&eacute;rie anterior; em segundo, ao estatuto dado &agrave; cor na linguagem da pintura; e, em terceiro, que &eacute; o que nos interessa para o momento, &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre a cor da c&oacute;pia fotogr&aacute;fica, suas varia&ccedil;&otilde;es e implica&ccedil;&otilde;es quando transposta para a pintura. Com rela&ccedil;&atilde;o a este aspecto, minha inten&ccedil;&atilde;o &eacute; estabelecer a autorreferencialidade tornando vis&iacute;vel a conex&atilde;o entre a pintura e seu documento de trabalho. Desse modo, ela se refere &agrave; pr&oacute;pria imagem que lhe d&aacute; origem, &agrave;s suas qualidades e conven&ccedil;&otilde;es </i> (2009: 90).</blockquote>     <p>E ainda evocando mais uma das conven&ccedil;&otilde;es da fotografia, a artista estabelece como tamanho para suas pinturas o tamanho convencional de amplia&ccedil;&otilde;es fotogr&aacute;ficas. Na obra &ldquo;Ensaio&rdquo; ela repete a mesma imagem da galeria em 20 telas em acr&iacute;lico de 24 x 18cm. O tamanho &eacute; tradicional e muito usado para amplia&ccedil;&otilde;es em preto-e-branco, por exemplo. E &eacute; tamb&eacute;m a dimens&atilde;o das fotografias que a artista mant&eacute;m em seu portif&oacute;lio. O processo de fatura da obra &eacute; mais r&aacute;pido e enseja tamb&eacute;m modos de apreens&atilde;o distintos daqueles de uma obra de grande dimens&atilde;o. Resgata um olhar, uma recep&ccedil;&atilde;o ao trabalho mais aproximado &mdash; como daqueles quadros holandeses do s&eacute;culo XVII, que ensejam a intimidade em oposi&ccedil;&atilde;o ao cenogr&aacute;fico, ao espet&aacute;culo e ao afastamento do receptor (Corona, 2009). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>Em &ldquo;Ensaio&rdquo; a pintora trabalha com conceitos relativos as conven&ccedil;&otilde;es da pintura e com as conven&ccedil;&otilde;es da fotografia: podemos verificar que o tamanho final de suas pinturas se equivalem aos formatos padr&otilde;es da ind&uacute;stria da c&oacute;pia fotogr&aacute;fica (neste caso o tradicional 18 x 24 cm dos pap&eacute;is preto-e-branco); a temperatura de cor das l&acirc;mpadas dos ambientes fotografados ensejam diferentes paletas de cores na pintura (conforme a luz do ambiente as c&oacute;pias fotogr&aacute;ficas apresentam colora&ccedil;&otilde;es diferentes e a artista pinta a partir destas fotografias e incorpora as novas tonalidades ali encontradas); e as diferentes coloriza&ccedil;&otilde;es obtidas nas c&oacute;pias fotogr&aacute;ficas influenciam tamb&eacute;m as cores da pintura (pois conforme o laborat&oacute;rio que opera a amplia&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica, os resultados de cor da imagem tamb&eacute;m se alteram). Estes resultados formais s&atilde;o intencionais, como bem relata Marilice Corona no cap&iacute;tulo 3 de sua tese, estabelecendo uma rela&ccedil;&atilde;o entre estes dois meios distintos: a fotografia e a pintura. Segundo Niura Legramante Ribeiro (2013: 296) &eacute; um &ldquo;casamento&rdquo; entre a lente e o pincel, onde h&aacute; a migra&ccedil;&atilde;o de determinados estilemas fotogr&aacute;ficos para as pinturas e que caracteriza um dos desdobramentos da mesti&ccedil;agem contempor&acirc;nea nas artes visuais. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b> </p>     <p>Corona, Marilice (2009) <i>Autorreferencialidade em territ&oacute;rio partilhado. </i>282 f. Tese (Doutorado) &mdash; Curso de Artes Visuais, Artes Visuais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. </p>     <!-- ref --><p>Machado, Arlingo (2000) A Fotografia como express&atilde;o do conceito. <i>Studium,</i> Campinas, n. 2: 1-11. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.studium.iar.unicamp.br/dois/1.htm" target="_blank"> http://www.studium.iar.unicamp.br/dois/1.htm</a> Acesso em: 22 dez. 2014. ISSN 1519-4388 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436886&pid=S1647-6158201500010001800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Ribeiro, Niura Legramante (2013) <i>Entre a Lente e o Pincel: Interfaces de Linguagens.</i> 2 v. Tese (Doutorado) &mdash; Curso de Artes Visuais, Artes Visuais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 13 de Janeiro e aprovado a 24 de janeiro de 2015</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:andrea.bracher@terra.com.br">andrea.bracher@terra.com.br</a></p>      ]]></body><back>
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