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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Along nearly a century, the diversified work of Maria Keil (Silves, 1914-2012) reveals significant creative tensions. Her production in tiles (azulejos) to the Lisbon underground stands out for its universal sense of modernity. Some unpublished studies, created by the artist for the recent overhaul of S. Sebastião station, exemplify her discrete modus operandi and research, mainly based on visual and processual logics.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Maria Keil: tra&ccedil;os discretos para um espa&ccedil;o p&uacute;blico </b></p>     <p><b>Maria Keil: discret traces for a public space </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Isabel Sabino&#42; </b></p>     <p>&#42;Artista visual. Licenciatura em Artes Pl&aacute;sticas/Pintura, Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL). Agrega&ccedil;&atilde;o no 5&ordm; grupo, Pintura, ESBAL; Agrega&ccedil;&atilde;o em Belas Artes/Pintura/Composi&ccedil;&atilde;o, 1999, Universidade de Lisboa, Faculdade de Belas Artes (FBAUL). </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade de Lisboa (UL); Faculdade de Belas Artes (FBA); Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Estudos de Belas-Artes (CIEBA); &Aacute;rea de Pintura. Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, 1249-058, Lisboa, Portugal. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>A obra diversificada de Maria Keil (Silves, 1914-2012) revela expressivas tens&otilde;es criativas ao longo de quase um s&eacute;culo. Nela destaca-se, pelo seu sentido universal de modernidade, a produ&ccedil;&atilde;o em azulejo para o Metropolitano de Lisboa. Alguns estudos in&eacute;ditos, criados pela artista quando da reformula&ccedil;&atilde;o mais recente da esta&ccedil;&atilde;o de S. Sebasti&atilde;o, exemplificam os seus discretos modus operandi e pesquisa, essencialmente baseados em l&oacute;gicas visuais e processuais. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Maria Keil / processo criativo / espa&ccedil;o p&uacute;blico / geometria / azulejo. </p>     <p><b>ABSTRACT:</b></p>     <p>Along nearly a century, the diversified work of Maria Keil (Silves, 1914-2012) reveals significant creative tensions. Her production in tiles (azulejos) to the Lisbon underground stands out for its universal sense of modernity. Some unpublished studies, created by the artist for the recent overhaul of S. Sebasti&atilde;o station, exemplify her discrete modus operandi and research, mainly based on visual and processual logics. </p>     <p><b>Keywords:</b> Maria Keil / creative process / public space / geometry / tile (azulejo). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>Por vezes, ocorrem tarde demais certas perguntas a fazer a pessoas que admiramos. Num &aacute;pice, o tempo passou, desapareceram. E as oportunidades n&atilde;o voltam. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um dia, visito a casa-atelier da Maria Keil em Lisboa e ali vejo os estudos que hoje tento compreender. Uns afixados na parede da sala voltada a norte (onde trabalhava mais habitualmente), outros empilhados numa mesa ou cuidadosamente dobrados em gavetas, tudo isso ela, gentilmente, revela como trabalho para a renova&ccedil;&atilde;o da esta&ccedil;&atilde;o do Metro de S&atilde;o Sebasti&atilde;o. Na mem&oacute;ria fica, sobretudo, a analogia a um jardim de tra&ccedil;os e cores delicadas, filme turvo cujas palavras procuro apurar entre o laconismo da altura e a ardilosa sedimenta&ccedil;&atilde;o dos afectos no tempo. </p>     <p>Agora, uma pasta de arquivo com esses estudos traz de volta aquele dia e, com ele, abra&ccedil;am-se duas ideias e germinam perguntas por dizer. &Eacute; o conte&uacute;do dessa pasta que constitui, aqui, mat&eacute;ria principal deste texto. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Tra&ccedil;os femininos, tens&otilde;es delicadas </b></p>     <p>Estatura pequena, magra, cabelo curto e vestu&aacute;rio simples &mdash; Maria Keil faz por passar despercebida. A juventude &eacute; marcada por origem algarvia, estudos incompletos de Pintura nas Belas Artes de Lisboa, casamento com Keil do Amaral, conv&iacute;vio na nova fam&iacute;lia de ra&iacute;zes aristocr&aacute;ticas e na gera&ccedil;&atilde;o de intelectuais e artistas intervenientes e cr&iacute;ticos. Nesse contexto portugu&ecirc;s dos anos 30 e 40, o espa&ccedil;o de a&ccedil;&atilde;o de uma mulher baliza-se por conven&ccedil;&otilde;es persistentes, mesmo que subtis nalguns meios. Ao lado de um arquiteto de prest&iacute;gio, uma jovem pintora, m&atilde;e cedo, embora alvo de um estatuto diferenciado e certa complac&ecirc;ncia no sistema vigente, vive desafios simultaneamente contradit&oacute;rios e exigentes do ponto de vista interior e social. Mesmo que exer&ccedil;a determinadamente atividade criativa liberal, a mulher raramente sobrevive aut&oacute;noma ent&atilde;o, como Maria Lamas confirma nos parcos dados que colige sobre mulheres artistas na sua obra de refer&ecirc;ncia (Lamas, 1950: 439, 465) e Simone de Beauvoir associa a tensos paradoxos na sua narrativa autobiogr&aacute;fica sobre certa jovem &ldquo;bem comportada&rdquo;, expressiva de uma &eacute;poca. </p>     <p>&Eacute; nesse quadro que Maria Keil desenvolve extensa obra, desde o atelier de publicidade ETP (1936): atividade gr&aacute;fica, cartazes, selos, ilustra&ccedil;&otilde;es; pintura (retratos e representa&ccedil;&otilde;es mais aleg&oacute;ricas que realistas); decora&ccedil;&atilde;o de montras e interiores; pain&eacute;is de pintura (Pavilh&atilde;o de Portugal na Exposi&ccedil;&atilde;o Mundial, Paris, 1937; Pavilh&atilde;o Portugu&ecirc;s da Exposi&ccedil;&atilde;o Mundial, Nova Iorque, 1939; Exposi&ccedil;&atilde;o do Mundo Portugu&ecirc;s, 1940; Correios e Tel&eacute;grafos, Funchal, 1942; cinema Monumental, 1951; cervejaria Trindade, 1952); cart&otilde;es de tape&ccedil;aria; design de mobili&aacute;rio (Pousada da Serra da Estrela, 1948); cen&aacute;rios e figurinos (n&rsquo;<i>A Lenda das Amendoeiras</i>, da companhia Verde Gaio, colabora na fus&atilde;o do bailado moderno com o folclore nacional); in&uacute;meras exposi&ccedil;&otilde;es, com um quadro apreendido pela pol&iacute;cia pol&iacute;tica na II Exposi&ccedil;&atilde;o Geral de Artes Pl&aacute;sticas da SNBA (1947); pr&eacute;mio de Revela&ccedil;&atilde;o Souza-Cardoso (1941); bolsa da Gulbenkian para especializa&ccedil;&atilde;o em ilustra&ccedil;&atilde;o infantil (1980); etc. </p>     <p>O azulejo surge a pretexto da Aerogare de Luanda e da delega&ccedil;&atilde;o da TAP em Paris (1954); nos dois anos seguintes experimenta a pintura direta em azulejo, que considera determinante para um trabalho s&eacute;rio nesse meio (pain&eacute;is &ldquo;Mulher&rdquo;, &ldquo;Luta de Galos&rdquo; e os da avenida Infante Santo). Numa entrevista, afirma: </p>     <blockquote><i>Fui uma oper&aacute;ria das artes. [&#8230;] Acho que a minha &aacute;rea mais v&aacute;lida foi o azulejo. E no azulejo, o mais importante foi o Metropolitano de Lisboa. </i> (Leit&atilde;o, 2005: s/n)</blockquote>     <p>Genericamente, a obra de Maria Keil identifica-se por vocabul&aacute;rio figurativo, frequentemente narrativo e ilustrativo, expressivo do universo pessoal e preocupa&ccedil;&otilde;es sociais e humanistas; h&aacute; uma &ldquo;quase permanente ironia carinhosa&rdquo; (Ribeiro, 1996: s/n) de sentido ora mais cr&iacute;tico, ora mais ameno (porventura nacional, ou feminino), formalmente devedor da depura&ccedil;&atilde;o modernista: figuras de tra&ccedil;os geometrizados, anatomia classicista, manchas de cor contornadas e niveladas, conten&ccedil;&atilde;o da sugest&atilde;o volum&eacute;trica na superf&iacute;cie. &Eacute; principalmente a partir dos anos 50 e com o azulejo que melhor exemplifica o contexto de transi&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica e a gest&atilde;o de tens&otilde;es contradit&oacute;rias, tanto no plano pessoal (de g&eacute;nero) e mais largamente ideol&oacute;gico (concilia&ccedil;&atilde;o entre sensibilidade e experi&ecirc;ncia subjetivas e a dif&iacute;cil realidade social de ent&atilde;o) como a n&iacute;vel formal. </p>     <p>Isso verifica-se na geometriza&ccedil;&atilde;o, simplifica&ccedil;&atilde;o e nivelamento do registo progressivamente abstratizante dos &iacute;cones human&iacute;sticos. Logo surge, tamb&eacute;m, a repeti&ccedil;&atilde;o e padroniza&ccedil;&atilde;o sugeridas pelo azulejo para solu&ccedil;&otilde;es de maior escala, e a simplicidade das figuras geom&eacute;tricas b&aacute;sicas desdobradas associa-se &agrave; persist&ecirc;ncia da figura&ccedil;&atilde;o. Sob exigente di&aacute;logo com Keil do Amaral na colabora&ccedil;&atilde;o at&eacute; ao princ&iacute;pio dos anos 70, h&aacute; tamb&eacute;m situa&ccedil;&otilde;es puramente geom&eacute;tricas, formalistas na origem. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, nessa linha mais abstracta persiste a transfigura&ccedil;&atilde;o que j&aacute; Mondrian em 1919-20 associa ao bin&oacute;mio realidade natural-realidade abstrata (Mondrian, 1995), de novo impl&iacute;cito na forma e esp&iacute;rito dos estudos aqui eleitos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Tra&ccedil;os redescobertos </b></p>     <p>Surge, assim, uma pasta de cartolina couch&eacute; branca, comum em lojas diversas, de formato A4, fechada com molas de press&atilde;o (<a href="#f1">Figura 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a19f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Na contracapa, uma folha colada de papel alaranjado colado mostra um &iacute;ndice dactilografado que sugere o conte&uacute;do. No lado oposto, compactam-se um bloco A5 e ma&ccedil;os de papel com notas separadoras e pl&aacute;sticos protetores. </p>     <p>O &ldquo;&Iacute;ndice de desenhos&rdquo; anuncia 16 itens inidentific&aacute;veis no interior da pasta, onde h&aacute;, de facto: </p>     <p>&mdash; Um bloco A5 &ldquo;Castelo&rdquo;; </p>     <p>&mdash; Um envelope designado &ldquo;Distribui&ccedil;&atilde;o dos pain&eacute;is A e B&rdquo;. Cont&eacute;m no interior a nota &ldquo;Metro. Trabalho na f&aacute;brica (pintura) pronto em 14/10/94, faltando numerar a parede do &aacute;trio norte&rdquo;, que antecede in&uacute;meros pequenos pap&eacute;is com anota&ccedil;&otilde;es sobre a organiza&ccedil;&atilde;o de tarefas para execu&ccedil;&atilde;o na f&aacute;brica, bem como uma quadr&iacute;cula alinhada em friso: sequ&ecirc;ncia de 7 quadrados cada; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&mdash; Uma embalagem de pl&aacute;stico com mais de vinte pap&eacute;is, uns em quadriculado quase A5 (poss&iacute;veis esquemas &agrave; escala para pr&eacute;-visualiza&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o dos pain&eacute;is) e p&aacute;ginas pautadas e lisas com mais notas em texto; </p>     <p>&mdash; Diversos ma&ccedil;os de desenhos em alma&ccedil;o quadriculado dobrado, fotoc&oacute;pias e colagens dos mesmos (A3 a A0, mais de vinte); </p>     <p>&mdash; Desenhos em papel vegetal, tamb&eacute;m dobrados (A4 a A2, in&uacute;meros); </p>     <p>&mdash; Um caderno dactilografado com 6 p&aacute;ginas A4: &ldquo;lista de trabalhos&rdquo;, &ldquo;coloca&ccedil;&atilde;o dos pain&eacute;is e arranjo geral&rdquo;, etc. </p>     <p>O bloco A5 &ldquo;Castelo&rdquo; (doravante designado como Keil 1992/1994 I para efeitos de refer&ecirc;ncia das cita&ccedil;&otilde;es apenas assinaladas por aspas) cont&eacute;m informa&ccedil;&atilde;o preciosa. </p>     <p>Tem perto de 100 p&aacute;ginas n&atilde;o numeradas (de 8/9/92 a outubro de 1994, sequ&ecirc;ncia que n&atilde;o parece linear) cheias de anota&ccedil;&otilde;es manuscritas e gr&aacute;ficas, na maioria horizontais: descri&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o correspondentes a visitas ao local, desenhos sob deambula&ccedil;&atilde;o a p&eacute; (pela altura, posi&ccedil;&atilde;o e altern&acirc;ncia dos pontos de vista), indica&ccedil;&otilde;es de quest&otilde;es marcantes, crit&eacute;rios e tarefas, listas, c&aacute;lculos (<a href="#f2">Figura 2</a>). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f2"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a19f2.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Por exemplo, regista na zona norte da esta&ccedil;&atilde;o &ldquo;pilares volumosos enchendo a maior parte do campo de vis&atilde;o&rdquo;, que interrompem a percep&ccedil;&atilde;o visual, o que &ldquo;impede que se possa fazer composi&ccedil;&atilde;o. Tudo ter&aacute; que ser envolvente, n&atilde;o isolado.&rdquo;; diz tamb&eacute;m da necessidade de inventariar &ldquo;acidentes das paredes: portas, respiradores, calhas de electricidade, etc. e dos m&oacute;veis da esta&ccedil;&atilde;o; bilheteiras, etc.&rdquo; </p>     <p>Noutro fragmento, inclui decis&otilde;es tem&aacute;ticas: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i> Fazer refer&ecirc;ncias a: Parque Eduardo VIII &mdash; jardins, plantas ex&oacute;ticas, Funda&ccedil;&atilde;o C.G, jardins &mdash; museus, coisas &aacute;rabes, coisas modernas.     <br>Usar figura&ccedil;&atilde;o animais, pessoas, muito discretamente. </i> (Keil, 1992/1994 I)</blockquote>     <p>E, ao definir cores como &ldquo;azul turquesa &mdash; azul antigo &mdash; verde garrafa &mdash; ouro &mdash; tijolo &mdash; branco nos fundos&rdquo;, o seu sublinhado da palavra ouro indica conhecimento t&eacute;cnico de cer&acirc;mica que voltamos a constatar adiante: &ldquo;aten&ccedil;&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a da chacota que pode escurecer com o tempo&rdquo;. </p>     <p>Um apontamento sobre a visita de 8/9/92 sugere a sequ&ecirc;ncia espacial da cor e dos motivos: </p>     <blockquote><i> As sec&ccedil;&otilde;es de parede </i>[...]<i> entre os pilares seriam o mais luminosas poss&iacute;vel e coloridas (usar as cores das faian&ccedil;as persas do Museu Gulbenkian, brancos, azuis escuros, azuis turquesas, cor de tijolo). Desenhar um padr&atilde;o </i>[...]<i> para todos os espa&ccedil;os, para fazer a liga&ccedil;&atilde;o com a parte sul, que seria completamente diferente, levando a decora&ccedil;&atilde;o para uma sugest&atilde;o do Parque Eduardo VII. </i>[...]<i> Trazer gradualmente as cores da entrada norte at&eacute; ao encontro das cores da entrada sul. </i> (Keil, 1992/1994 I)</blockquote>     <p>Assim se sucedem, no bloco de apontamentos, ideias, notas sobre a obra, an&aacute;lises do trabalho em curso, aferi&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es, decis&otilde;es. </p>     <p>Associadas a este gui&atilde;o de trabalho atento e rigoroso, as outras componentes da pasta de arquivo sugerem uma anatomia do processo criativo na qual parece l&iacute;cito suspeitar-se que os in&uacute;meros desenhos em quadr&iacute;cula surjam primeiro (<a href="#f3">Figura 3</a>). </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f3"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a19f3.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Depois, os estudos em papel vegetal adequam-se a visualizar desenhos anteriores e progredir no ajustamento de formas e propor&ccedil;&otilde;es, corre&ccedil;&atilde;o de curvas e obl&iacute;quas na grelha estruturante. &Eacute; cred&iacute;vel que os vegetais sejam fase interm&eacute;dia, antes de novos desenhos em quadr&iacute;cula essenciais para o rigor na pintura dos azulejos na f&aacute;brica. Ao mesmo tempo, as fotoc&oacute;pias reproduzem resultados e multiplicam experi&ecirc;ncias e solu&ccedil;&otilde;es formais alternativas para escolha da mais certa (<a href="#f4">Figura 4</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f4"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a19f4.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Os desenhos exploram l&oacute;gicas geom&eacute;tricas simples sobre a matriz gr&aacute;fica assente na quadr&iacute;cula impl&iacute;cita ao &ldquo;al zulaicj&rdquo;: tra&ccedil;os diagonais e obl&iacute;quos, retas e curvas, s&eacute;ries mais ou menos longas sob a &eacute;gide de n&uacute;meros inteiros, repetem motivos verticais em friso. A simetria &eacute; regra que, embora algo minimalista, mais dir&iacute;amos musical e din&acirc;mica ao modo de Alberti. H&aacute; varia&ccedil;&otilde;es, arritmias e altern&acirc;ncias na progress&atilde;o dos elementos modulares, sob decis&otilde;es tomadas para as quatro entradas diferentes da esta&ccedil;&atilde;o (sublinhando as norte e sul) e a ritmo quantitativo e qualitativo: pain&eacute;is de dimens&otilde;es e n&uacute;meros de azulejos id&ecirc;nticos ou subtilmente variados, motivos repetidos a espa&ccedil;os proporcionais, ordem e concord&acirc;ncia; a cor colabora na analogia e varia&ccedil;&atilde;o qualitativa dessa progress&atilde;o. </p>     <p>Para o efeito de imers&atilde;o decidido nas notas iniciais, a percep&ccedil;&atilde;o quebrada por colunas e demais acidentes do espa&ccedil;o &eacute; unificada pela const&acirc;ncia da forma e cor nos elementos modulares que rentabilizam a a&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica mas que, sobretudo, se conjugam num efeito aditivo/somat&oacute;rio assente na desmultiplica&ccedil;&atilde;o r&iacute;tmica por analogia, subtil diferen&ccedil;a e recombina&ccedil;&atilde;o. H&aacute; nisso uma rela&ccedil;&atilde;o direta com o movimento pedestre nas travessias mais habituais de corredores com dire&ccedil;&otilde;es definidas, n&atilde;o aleat&oacute;rias, implicando ponto de vista, continuidade l&oacute;gica e sens&iacute;vel de espa&ccedil;o e tempo, ritmo e escala. &Eacute; tamb&eacute;m enfatizada a import&acirc;ncia de zonas de maior perman&ecirc;ncia (&aacute;trios, quiosques, etc.), onde Maria Keil prev&ecirc; formas de percep&ccedil;&atilde;o visual mais unit&aacute;ria, bem como &aacute;reas lisas, de &ldquo;silenciamento&rdquo;. </p>     <p>&Eacute;, assim, coerente a articula&ccedil;&atilde;o entre geometria e depura&ccedil;&atilde;o formal no processo e representa&ccedil;&atilde;o do universo de refer&ecirc;ncias (jardins, motivos &aacute;rabes do museu Gulbenkian, origem algarvia da artista, abstra&ccedil;&atilde;o). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Dos tra&ccedil;os para os lugares, discretamente </b></p>     <p>Os azulejos de Maria Keil na esta&ccedil;&atilde;o de Metro de S&atilde;o Sebasti&atilde;o s&atilde;o a sua &uacute;ltima grande obra p&uacute;blica. </p>     <p>Antes, faz trabalho gratuito em 19 esta&ccedil;&otilde;es do Metro de Lisboa, partilhando a inquieta&ccedil;&atilde;o do marido que ter&aacute; afirmado perante a falta de meios financeiros para ultrapassar aspectos t&eacute;cnicos: &ldquo;Aquilo &eacute; s&oacute; cimento, tijolo e mais nada.&rdquo; (Abrantes/Santos, 2000:19). Conclu&iacute;das em 1958/59, s&atilde;o 10 as primeiras esta&ccedil;&otilde;es &mdash; Restauradores, Rotunda, Parque, S. Sebasti&atilde;o, Palhav&atilde;, Sete Rios, Picoas, Saldanha, Campo Pequeno, Entrecampos. Seguem-se Rossio em 1963; Socorro, Intendente e Anjos em 1966; Arroios, Alameda, Areeiro, Roma e Alvalade em 1972. </p>     <p>Os azulejos de S&atilde;o Sebasti&atilde;o, que concebe com base num m&oacute;dulo de Leonor Keil, s&atilde;o retirados em 1977 (Mantas, 2012: 296). Mais tarde o metro &eacute; ampliado e, nos anos 90, as novas esta&ccedil;&otilde;es contam com obras de diversos artistas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na redefini&ccedil;&atilde;o do programa de S. Sebasti&atilde;o pelo arquiteto Tiago Henriques, Maria Keil &eacute;, justamente, chamada de novo. Realiza a sua parte de 1992 a 1994, desta vez remunerada. A obra, contudo, &eacute; adiada, e os azulejos ficam em caixas. A esta&ccedil;&atilde;o reabre, finalmente, ap&oacute;s adapta&ccedil;&otilde;es dos interiores pelas arquitetas Catarina e Rita Almada Negreiros, 15 anos depois, em 2009. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>Revejo Maria aos 80 anos, a caminho da f&aacute;brica Vi&uacute;va Lamego perto de Sintra, onde pinta milhares de azulejos para dezenas de pain&eacute;is. Imagino-a a regressar a Lisboa, aos estudos e aos c&aacute;lculos em pap&eacute;is, aos tra&ccedil;os discretos. </p>     <p>No atelier, a organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; simples, sem luxos ou pretens&otilde;es, ordenando o processo que mora nos materiais &agrave; vista: velhas r&eacute;guas e esquadros, l&aacute;pis, tintas e marcadores, blocos, pap&eacute;is de v&aacute;rias dimens&otilde;es, vegetal e alma&ccedil;o de quadr&iacute;cula grossa, cola e fotoc&oacute;pias. </p>     <p>Uma pequena floresta, feita de tra&ccedil;os discretos que desenham varia&ccedil;&otilde;es subtis de geometrias, povoa delicadas manchas em brancos e verdes, como um jardim gr&aacute;fico que, a partir daquela sala, cria o espa&ccedil;o p&uacute;blico. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     <!-- ref --><p>Abrantes, Jos&eacute; Carlos; Santos, Dora (2000), &Agrave; conversa com Maria Keil. Entrevista em <i>Noesis</i> 54, Abril/Junho 2000, p. 19.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436979&pid=S1647-6158201500010001900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cruz, Valdemar (2002), <i>Maria Keil: &ldquo;O mundo &eacute; grande, mas n&atilde;o &eacute; bonito&rdquo;.</i> Entrevista ao Jornal Expresso, publicada na Revista a 6 de novembro de 2002, e de novo na edi&ccedil;&atilde;o on-line de 11 de junho de 2012. [Consult. 2014-10-13] Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://expresso.sapo.pt/mariakeil-o-mundo-e-deslumbrante-mas-nao-ebonito=f732225" target="_blank">http://expresso.sapo.pt/mariakeil-o-mundo-e-deslumbrante-mas-nao-ebonito=f732225</a> </p>     <!-- ref --><p>Keil, Maria (1992-1994), <i>S&atilde;o Sebasti&atilde;o.</i> Pasta de arquivo contendo diversos materiais da autoria de Maria Keil (manuscritos, desenhos e textos dactilografados), da propriedade de Francisco Pires Keil do Amaral.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436982&pid=S1647-6158201500010001900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Keil, Maria (1992-1994 I), <i>Bloco &ldquo;Castelo&rdquo;.</i> Bloco manuscrito e com desenhos esquem&aacute;ticos pertencente ao conte&uacute;do da pasta acima referida. </p>     <!-- ref --><p>Lamas, Maria (1950), <i>As mulheres do meu pa&iacute;s</i>. Lisboa: Actu&aacute;lis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436985&pid=S1647-6158201500010001900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Leit&atilde;o, Pedro (2005), <i>Entrevista a Maria Keil, a decana dos ilustradores portugueses, em conversa com Pedro Leit&atilde;o</i>. BDjornal #4 de Julho/Agosto de 2005. [Consult. 2014-10-13] Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://kuentro.blogspot.pt/2012/06/maria-keilno-bdjornal-e-na-tertulia-bd.html" target="_blank">http://kuentro.blogspot.pt/2012/06/maria-keilno-bdjornal-e-na-tertulia-bd.html</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436987&pid=S1647-6158201500010001900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Mantas, Maria Helena (2012), <i>Maria Keil, &ldquo;uma oper&aacute;ria das artes (1914-2012).</i> Arte portuguesa do s&eacute;culo XX. Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento em Letras, &aacute;rea de Hist&oacute;ria, especialidade de Hist&oacute;ria de Arte, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra. [Consult. 2014-11-10] Dispon&iacute;vel em URL:https://estudogeral. sib.uc.pt/bitstream/10316/24453/4/Maria%20Keil,%20uma%20oper&aacute;ria%20 das%20artes.pdf </p>     <!-- ref --><p>Mondrian, Piet (1995), <i>Natural reality and Abstract reality. An Essay in Trialogue Form 1919-1920.</i> New York: George Braziller. ISBN: 0-8076-1372-X &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436989&pid=S1647-6158201500010001900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ribeiro, Rog&eacute;rio (1996), <i>Exposi&ccedil;&atilde;o Maria Keil. Pintura. Desenho.</i> Cat&aacute;logo da Exposi&ccedil;&atilde;o na Casa da Cerca, Centro de Arte Contempor&acirc;nea e Galeria Municipal de Arte, s/ n&uacute;meros de p&aacute;gina. Almada: C&acirc;mara Municipal de Almada.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436990&pid=S1647-6158201500010001900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Tojal, Alexandre Arm&eacute;nio; Almeida, Rui Manuel (2014) <i>Maria Keil. De prop&oacute;sito, obra art&iacute;stica. On purpose, artistic work.</i> Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda / Museu da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. ISBN: 978-972-27-2261-2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1436992&pid=S1647-6158201500010001900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 13 de Janeiro e aprovado a 24 de janeiro de 2015</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:isabel.sabino@fba.ul.pt">isabel.sabino@fba.ul.pt</a></p>      ]]></body><back>
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