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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Nanocriogênio is an interactive installation signed by Anna Barros and Alberto Blumenschein, which evokes vision, touch, listening and immersive experience. The heterogeneity of its elements is completed by a series of oppositions, which paradoxically operate the uniqueness of the work. This reflection describes that kind of problematic, focusing on the use of scientific ideas in the field of art.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></p>     <p align="right"><b>ORIGINAL ARTICLES</b></p>     <p><b>Nanocriog&ecirc;nio: as realidades atemporais de Anna Barros e Alberto Blumenschein</b> </p>     <p><b>Nanocriog&ecirc;nio: the timeless realities of Anna Barros and Alberto Blumenschein</b> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nikoleta Tzvetanova Kerinska&#42; </b> </p>     <p>&#42;Artista visual e professora na Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia (UFU), Curso de Artes Visuais, &aacute;rea de conhecimento arte computacional. Graduada pela Escola Nacional de Belas Artes (NHA), Sofia, Bulg&aacute;ria; Mestrado em Arte e Tecnologia da Imagem na Universidade de Bras&iacute;lia (UnB); Doutora pela Universidade de Paris 1, Panth&eacute;on-Sorbonne (grupo de pesquisa Fic&ccedil;&otilde;es &amp; Intera&ccedil;&otilde;es). </p>     <p>AFILIA&Ccedil;&Atilde;O: Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia (UFU), Instituto de Artes (IARTE), Curso de Artes Visuais. Av. Jo&atilde;o Naves de &Aacute;vila 2121 &mdash; Campus Santa M&ocirc;nica. Uberl&acirc;ndia, MG. CEP 38408-100 Brasil.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a><a name="topc0"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO:</b></p>     <p>Nanocriog&ecirc;nio &eacute; uma instala&ccedil;&atilde;o interativa de Anna Barros e Alberto Blumenschein, que evoca a vis&atilde;o, o tato, a experi&ecirc;ncia auditiva e imersiva. A heterogeneidade de seus elementos completa-se por uma s&eacute;rie de oposi&ccedil;&otilde;es, que paradoxalmente operam a unicidade da obra. Esta reflex&atilde;o se constitui em torno dessa problematica tendo como foco o uso de ideias cientificas no campo da arte. </p>     <p><b>Palavras-chave:</b> heterogeneidade / nanoarte / oposi&ccedil;&otilde;es. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT: </b></p>     <p>Nanocriog&ecirc;nio is an interactive installation signed by Anna Barros and Alberto Blumenschein, which evokes vision, touch, listening and immersive experience. The heterogeneity of its elements is completed by a series of oppositions, which paradoxically operate the uniqueness of the work. This reflection describes that kind of problematic, focusing on the use of scientific ideas in the field of art. </p>     <p><b>Keywords:</b> heterogeneity / nanoart / opposition. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Nanocriog&ecirc;nio</i> &eacute; um projeto art&iacute;stico de Anna Barros e Alberto Blumenschein, realizado em 2012, e mostrado em tr&ecirc;s eventos de artes entre 2012 e 2013 nas cidades de Bras&iacute;lia, Faro e S&atilde;o Paulo. Em cada uma dessas ocasi&otilde;es, o projeto contou com uma forma original de montagem e exposi&ccedil;&atilde;o. O t&iacute;tulo <i>Nanocriog&ecirc;nio</i> integra dois conceitos cient&iacute;ficos: o primeiro referente &agrave; nanotecnologia, e o segundo &agrave; criogenia. Enquanto a nanotecnologia estuda a organiza&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria em n&iacute;vel at&ocirc;mico, a criogenia investiga as possibilidades de manter a mat&eacute;ria viva em temperaturas extremamente baixas para postergar a morte f&iacute;sica. Ideias e princ&iacute;pios dessas duas &aacute;reas de conhecimento s&atilde;o envolvidos num relato &iacute;ntimo e po&eacute;tico sobre a vida e sua efemeridade. </p>     <p>Este artigo prop&otilde;e uma reflex&atilde;o sobre as possibilidades de retomar ideais cient&iacute;ficas no campo da arte, sob a perspectiva do projeto <i>Nanocriog&ecirc;nio</i>. O nosso interesse por este projeto &eacute; motivado pela heterogeneidade de seus componentes, como tamb&eacute;m pelas narrativas que eles promovem. Compreendendo que &ldquo;a express&atilde;o designa ao mesmo tempo uma a&ccedil;&atilde;o e um resultado&rdquo; (Dewey, 2005: 154), propomos uma reflex&atilde;o em duas etapas: primeiramente ser&aacute; abordada a composi&ccedil;&atilde;o formal da instala&ccedil;&atilde;o Nanocriog&ecirc;nio, e, em seguida ser&atilde;o investigadas as rela&ccedil;&otilde;es internas de seus componentes pl&aacute;sticos, tendo em vista a sincronicidade como princ&iacute;pio de constru&ccedil;&atilde;o de significados. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Composi&ccedil;&otilde;es </b></p>     <p><i>Nanocriog&ecirc;nio</i> &eacute; uma instala&ccedil;&atilde;o interativa, que ocupa de 12 a 15 m2. Ela &eacute; composta por elementos, que evocam a vis&atilde;o, o tato, a experi&ecirc;ncia auditiva e imersiva. Dois grupos de imagens comp&otilde;em a instala&ccedil;&atilde;o. O primeiro grupo inclui algumas sequencias de imagens abstratas em movimento, cuja est&eacute;tica lembra as imagens de s&iacute;ntese geradas em 3D. &Eacute; numa tela de proje&ccedil;&atilde;o, que estas estruturas de cores vivas se comp&otilde;em e recomp&otilde;em num ritmo entrecortado, lembrando areias movedi&ccedil;as. Sua verticalidade surpreende o olhar pela irregularidade dos desenhos, assim como pela espacialidade que se anuncia em certos momentos da anima&ccedil;&atilde;o (<a href="#f1">Figura 1</a>). Estas imagens s&atilde;o geradas a partir de varreduras em nano escala da unha e do cabelo da artista Anna Barros. Em outras palavras, elas visualizam estruturas moleculares diretamente derivadas do corpo da artista, apresentando assim uma forma de resgatar a ess&ecirc;ncia f&iacute;sica de sua identidade. </p>     <p>&nbsp;</p><a name="f1"><img src="img/revistas/est/v6n11/6n11a22f1.jpg"></a>    
<p>&nbsp;</p>     <p>O segundo grupo de imagens apresenta uma s&eacute;rie de placas de cobre, usadas em gravura. Essas placas, expostas horizontalmente, nos fazem pensar no vest&iacute;gio material de algo misterioso, m&aacute;gico &mdash; subtrato de um procedimento alqu&iacute;mico. Elas s&atilde;o usadas como sensores, que quando tocadas pelo p&uacute;blico, desencadeiam uma fala. A voz &eacute; baixa, solicitando a nossa aproxima&ccedil;&atilde;o, o relato &eacute; intimista sugerindo imagens irreais, quase fantasmag&oacute;ricas &mdash; &eacute; a artista narrando seus sonhos. A narrativa &eacute; feita a partir dos di&aacute;rios da artista, que registram momentos de sua analise junguiana. </p>     <p>Envolvidos nessa narrativa, observamos as placas de cobre, organizadas entorno de um bloco de gelo. Crespo e exalando frio, em formato cil&iacute;ndrico, o bloco de gelo &eacute; produzido por um processo industrial de congelamento por g&aacute;s resfriante em serpentina. No interior deste bloco encontra-se o material humano varrido no microsc&oacute;pio eletr&ocirc;nico, usado na cria&ccedil;&atilde;o das imagens projetadas. O bloco de gelo e a vibra&ccedil;&atilde;o sonora da voz da artista refor&ccedil;am a percep&ccedil;&atilde;o h&aacute;ptica. </p>     <p>A totalidade da composi&ccedil;&atilde;o &eacute; posta em funcionamento por um programa computacional, que ordena a intera&ccedil;&atilde;o entre as placas de cobre, os arquivos de &aacute;udio, a proje&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;deos e o p&uacute;blico. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Analisando o centro da composi&ccedil;&atilde;o, compreendemos que o bloco de gelo e as placas de cobre formam uma mandala, cujo desenho apresenta a rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o como de costume entre o homem e o cosmo, mas entre o p&uacute;blico e o universo da obra. Como em toda mandala, temos tamb&eacute;m a exposi&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica e visual do retorno &agrave; unidade pela delimita&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o sagrado, e, a atualiza&ccedil;&atilde;o de um tempo m&aacute;gico, meditativo. De acordo com os estudos de Jung a mandala &eacute; usada &ldquo;como instrumento conceitual para analisar e assentar as bases sobre as estruturas arquet&iacute;picas da psique humana&rdquo; (Dibo, 2006: 115). Para ele &ldquo;o comportamento humano se molda de acordo com duas estruturas b&aacute;sicas da consci&ecirc;ncia: a individual e a coletiva&rdquo; (Dibo, 2006: 115). Nanocriog&ecirc;nio faz uma refer&ecirc;ncia direta &agrave; psicologia anal&iacute;tica e ao universo simb&oacute;lico humano. </p>     <p>O bloco de gelo marca simultaneamente o centro geom&eacute;trico e o centro simb&oacute;lico da instala&ccedil;&atilde;o. Neste centro, os olhos, os ouvidos, as m&atilde;o est&atilde;o envolvidos na percep&ccedil;&atilde;o da obra e no seu acontecimento. Com cada passo, nosso corpo torna-se parte integrante da instala&ccedil;&atilde;o e absorve o corpo da obra. Um sentimento de indecis&atilde;o, ou melhor, de dispers&atilde;o persiste, causado pela variedade visual e pela diversidade dos componentes da obra. Avaliamos a impossibilidade de captar a totalidade da proposta art&iacute;stica, como algo que motiva nossa intelig&ecirc;ncia de modo que a cada momento, novos trajetos de frui&ccedil;&atilde;o se abrem. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Sincronicidade </b></p>     <p>A sincronicidade &eacute; um conceito desenvolvido por Jung para definir acontecimentos que se relacionam n&atilde;o por rela&ccedil;&atilde;o causal, mas por rela&ccedil;&atilde;o de significado. Este conceito &eacute; usado aqui de forma metaf&oacute;rica para determinar as rela&ccedil;&otilde;es de significados entre as partes da obra. O desafio maior da instala&ccedil;&atilde;o <i>Nanocriog&ecirc;nio</i> &eacute; a consider&aacute;vel variedade de seus elementos, cujas inter-rela&ccedil;&otilde;es em muitos aspectos se d&atilde;o por oposi&ccedil;&atilde;o. No entanto, o princ&iacute;pio da sincronicidade &eacute; posto n&atilde;o somente pela inten&ccedil;&atilde;o dos artistas de relacionar todos os elementos na intera&ccedil;&atilde;o obra/publico, mas tamb&eacute;m pelo fato de que toda intera&ccedil;&atilde;o nos leva a presen&ccedil;a constante da artista Anna Barros. </p>     <p>Quatro ideias-chave s&atilde;o adotadas na analise da(s) sincronicidade(s) entre os elementos pl&aacute;sticos, suas propostas conceituais e seus modos expressivos. Essas ideias permitem ao mesmo tempo descrever o trabalho, decompondo sua complexidade, e, analisar as rela&ccedil;&otilde;es entre os diversos elementos constituintes da instala&ccedil;&atilde;o. Elas s&atilde;o: &ldquo;metamorfose polissensorial&rdquo;, &ldquo;formas de energia&rdquo;, &ldquo;justaposi&ccedil;&atilde;o do tempo&rdquo; e &ldquo;dimens&otilde;es opostas&rdquo;. </p>     <p>A metamorfose em biologia implica o crescimento do organismo, suas mudan&ccedil;as cronol&oacute;gicas e evolutivas. No projeto Nanocriog&ecirc;nio a metamorfose encontra-se nas imagens derivadas de vest&iacute;gios materiais do corpo da artista, nas grava&ccedil;&otilde;es de sua voz relatando sonhos, nas placas gravadas pelos seus gestos. Todos esses elementos se transformam ao longo da intera&ccedil;&atilde;o, solicitando em perman&ecirc;ncia a totalidade dos sentidos do publico. A vis&atilde;o, a audi&ccedil;&atilde;o e o tato s&atilde;o influenciados pelas mudan&ccedil;as de sensa&ccedil;&otilde;es t&eacute;rmicas, que ocorrem num plano quase impercept&iacute;vel. Tentamos acompanhar as narrativas gravadas que s&atilde;o intercortadas pelas imagens em movimento, assim como pelo nosso deslocamento no espa&ccedil;o da instala&ccedil;&atilde;o. Como em &ldquo;Metamorfoses&rdquo; de Ov&iacute;dio, estamos num tempo-espa&ccedil;o m&aacute;gico, onde as transforma&ccedil;&otilde;es imprevis&iacute;veis, e, &agrave;s vezes radicais, definem o fluxo dos acontecimentos. A impress&atilde;o que temos &eacute; que nos metamorfoseamos junto com o desenrolar do trabalho art&iacute;stico. A metamorfose polissensorial implica, portanto, as formas de intera&ccedil;&atilde;o e de frui&ccedil;&atilde;o dessa instala&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>A obra de arte, diz-se de costume, carrega a energia espiritual de seu criador. Assim, o artista nela est&aacute; presente imprescindivelmente de uma ou de outra forma. No caso espec&iacute;fico dessa instala&ccedil;&atilde;o, cada um dos elementos mant&eacute;m uma rela&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica direta com a artista Anna Barros. Seus gestos, registrados nas placas de cobre (e na aus&ecirc;ncia de suas impress&otilde;es), as nano imagens das estruturas moleculares de seu cabelo e de sua unha, a grava&ccedil;&atilde;o de sua voz. Este &eacute; &uacute;ltimo trabalho art&iacute;stico de Anna Barros. Nas escritas sobre ele, a artista cita como fonte de inspira&ccedil;&atilde;o a ultima obra de Beuys, Palazzo Regale de 1978 (Barros, 2014: 74). Como Beuys, Anna Barros est&aacute; se despedindo, marcando a ultima etapa de seu trajeto art&iacute;stico, e nela concentra-se a energia de um longo percurso. </p>     <p>Esta energia se reconfigura como um substrato de mem&oacute;ria, que nutri o sistema da obra. Trata-se de mem&oacute;ria da mat&eacute;ria viva, que se manifesta de modos desiguais em cada elemento da instala&ccedil;&atilde;o. Em outras palavras em cada elemento pl&aacute;stico a mem&oacute;ria implica uma forma de energia pr&oacute;pria, e sempre relacionada a uma a&ccedil;&atilde;o ou a uma mat&eacute;ria. Essas formas de energia s&atilde;o fundamentais para a unicidade conceitual da obra. </p>     <p>Outro aspecto que merece aten&ccedil;&atilde;o &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de temporalidade da instala&ccedil;&atilde;o <i>Nanocriog&ecirc;nio</i>. Todos os adventos nesta instala&ccedil;&atilde;o referem-se a tempos distintos, ou em outras palavras a dimens&atilde;o temporal de cada elemento traz um marco de suma import&acirc;ncia. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As placas de cobre s&atilde;o matrizes da primeira exposi&ccedil;&atilde;o de Anna Barros, e determinam o in&iacute;cio de seu percurso art&iacute;stico. Elas t&ecirc;m o valor simb&oacute;lico de um objeto arqueol&oacute;gico, que direciona o olhar para uma &eacute;poca remota. Em contrapartida, o bloco de gelo e as nano imagens nos transportam para um futuro imagin&aacute;rio e distante, onde as ideias cient&iacute;ficas que as inspiram encontrariam supostamente diversas aplica&ccedil;&otilde;es. Mais significativa, por&eacute;m, &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre o relato dos sonhos e sua pr&oacute;pria dimens&atilde;o temporal. </p>     <p>Segundo o neurocientista Yves Dauvilliers a experi&ecirc;ncia do sonho &eacute; a &uacute;nica experi&ecirc;ncia do ser humano que ocorre fora de um fluxo temporal, ou seja, a consci&ecirc;ncia do sonhador n&atilde;o atribui uma temporalidade aos acontecimentos (Dauvilliers, 2014). Em <i>Nanocriog&ecirc;nio,</i> a temporalidade do sonho &eacute; reconstitu&iacute;da uma vez que ele &eacute; transformado em relato. Este relato, em seguida &eacute; transposto num tempo c&iacute;clico, definido pelo formato de grava&ccedil;&atilde;o. O resultado &eacute; a justaposi&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s no&ccedil;&otilde;es temporais: a primeira, da experi&ecirc;ncia do sonho, evoca a ideia de uma atemporalidade, a segunda refere-se ao tempo da fala, ao seu ritmo e durabilidade, e a terceira, ao tempo da grava&ccedil;&atilde;o dessa fala, que permite sua repeti&ccedil;&atilde;o constante e interminavelmente. </p>     <p>Varias rela&ccedil;&otilde;es de oposi&ccedil;&atilde;o podem ser determinadas na concep&ccedil;&atilde;o da obra Nanocriog&ecirc;nio. N&atilde;o se trata somente da heterogeneidade dos elementos que &eacute; mapeada ao primeiro olhar, mas de oposi&ccedil;&otilde;es que se revelam ao longo da an&aacute;lise, e, que n&atilde;o escondem suas for&ccedil;as repulsivas. Entre todas as oposi&ccedil;&otilde;es presentes, a mais significativa &eacute; a dos dois grupos de imagens, pois ela se d&aacute; em alguns n&iacute;veis complementares. A materialidade das matrizes de gravura se contrap&otilde;e a virtualidade e a leveza das imagens projetadas; a efemeridade da proje&ccedil;&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a concreta do cobre, os movimentos das nano imagens &agrave; est&aacute;tica das placas. </p>     <p>Oriundas de universos drasticamente diferentes, essas imagens questionam as rela&ccedil;&otilde;es entre sonho e realidade, entre consciente e inconsciente, entre vida e p&oacute;s-vida. A oposi&ccedil;&atilde;o &eacute; refor&ccedil;ada tamb&eacute;m pela forma de exposi&ccedil;&atilde;o, visando uma distin&ccedil;&atilde;o n&iacute;tida entre a verticalidade da proje&ccedil;&atilde;o e a horizontalidade das placas de cobre. Todas essas oposi&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m podem ser consideradas como princ&iacute;pio fundamental da obra, que de maneira enigm&aacute;tica conduz a sua ess&ecirc;ncia e afirma sua unicidade. </p>     <p>Paradoxalmente, <i>Nanocriog&ecirc;nio</i> resgata a ideia primordial, que todo trabalho de arte &eacute; uma forma de criogenia simb&oacute;lica. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>Outras rela&ccedil;&otilde;es formais e conceituais podem ser levantadas no &acirc;mbito da instala&ccedil;&atilde;o <i>Nanocriog&ecirc;nio</i>, por exemplo, a problem&aacute;tica do efeito de presen&ccedil;a, as possibilidades de montagem, ou as ramifica&ccedil;&otilde;es de partes da obra, enquanto objetos art&iacute;sticos independentes. Contudo, essas possibilidades excedem o formato da presente reflex&atilde;o. Como conclus&atilde;o propormos a ideia de que o uso de conceitos cient&iacute;ficos em projetos de arte trabalha o desdobramento desses mesmos no da experi&ecirc;ncia sens&iacute;vel imediata. A principal import&acirc;ncia desta pratica &eacute; posicionar o fazer art&iacute;stico no campo da interdisciplinaridade, favorecendo assim o desenvolvimento de po&eacute;ticas e concep&ccedil;&otilde;es in&eacute;ditas. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Barros, Anna (2013) <i>Nanoarte</i>, S&atilde;o Paulo: Ed. SESI-SP, ISBN: 978-85-8205-097-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1438168&pid=S1647-6158201500010002200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Dauvilliers, Yves (2014) &ldquo;Le cerveau, le sommeil et les r&ecirc;ves&rdquo;, <i>Le sens des choses</i>, Programa de televis&atilde;o transmido pela radio France Culture, dia 02-08-2014, &agrave;s 16:00 hrs. Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www.franceculture.fr/emission-le-sens-deschoses-le-cerveau-le-sommeil-et-les-reves-2014-08-02" target="_blank">http://www.franceculture.fr/emission-le-sens-deschoses-le-cerveau-le-sommeil-et-les-reves-2014-08-02</a> </p>     <p>Dewey, John (2005) <i>L&rsquo;art comme experience</i>, Paris: Ed. Gallimard. ISBN:978-2-07043588-3. </p>     <p>Dibo, Monalisa (2006) &ldquo;Mandala: um estudo na obra de C. G. Jung&rdquo;, <i>&Uacute;ltimo Andar,</i> S&atilde;o Paulo, (15), 109-120, dez. [Consult. 2014-01-10] Dispon&iacute;vel em URL: <a href="http://www4.pucsp.br/ultimoandar/download/UA_15_artigo_mandala.pdf" target="_blank">http://www4.pucsp.br/ultimoandar/download/UA_15_artigo_mandala.pdf</a> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo completo recebido a 13 Janeiro e aprovado a 24 de janeiro de 2015</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topc0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="c0"></a>Correio eletr&oacute;nico: <a href="mailto:nkerinska@hotmail.com">nkerinska@hotmail.com</a></p>      ]]></body><back>
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